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	<title>Ecopolitica &#187; zumbis</title>
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	<description>Política Mudança Climática Século XXI</description>
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		<title>A democracia gótica brasileira: um espetáculo surreal</title>
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		<pubDate>Thu, 20 Aug 2009 19:51:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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Sérgio Abranches
A democracia brasileira entrou por um descaminho surreal. Virou uma democracia gótica, cheia de lobisomens, vampiros e zumbis agindo nas sombras de um sistema que desmorona eticamente.

Em uma coluna exemplar, hoje, na Time, o jornalista Joe Klein fala sobre as consequências danosas para a política, as políticas públicas e a vida real dos cidadãos, [...]]]></description>
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<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Sérgio Abranches</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A democracia brasileira entrou por um descaminho surreal. Virou uma democracia gótica, cheia de lobisomens, vampiros e zumbis agindo nas sombras de um sistema que desmorona eticamente.</span></p>
<div><span style="font-family: Helvetica, 'Times New Roman', 'Bitstream Charter', Times, fantasy; font-size: medium;"><span style="line-height: normal;"><span id="more-208"></span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Em uma coluna exemplar, hoje, na Time, <a href="http://www.time.com/time/nation/article/0,8599,1917525-1,00.html"><span style="text-decoration: underline;">o jornalista Joe Klein</span></a> fala sobre as consequências danosas para a política, as políticas públicas e a vida real dos cidadãos, quando um dos partidos importantes no Congresso se torna uma casa de niilistas. É uma coluna com um ângulo humano tocante e uma perspectiva pessoal e local sobre um problema político universal.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Ao final, ele faz duas perguntas críticas, para a política e para o jornalismo. A primeira é, como assegurar a democracia quando um dos dois maiores partidos foi tomado por niilistas? A segunda: como é possível manter a ilusão da imparcialidade jornalística, quando esse partido se tornou obsoleto e medíocre?</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Jay Rosen, professor de jornalismo na New York University, recomenda a coluna de Klein, em seu Twitter, @jayrosen_nyu, dizendo que “quando a realidade é a questão que divide radicalmente os políticos, jornalistas precisam ter um lado”.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Essas duas perguntas transcritas para a conjuntura brasileira adquirem um tom trágico. Como apostar na democracia, quando todos os partidos relevantes foram assaltados por niilistas? Como manter a ilusão da imparcialidade jornalística se todos se tornaram obsoletos e medíocres?</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O episódio em que o PT foi tratorado pelo lulismo, associado ao que há de mais niilista no PMDB, destruindo a credibilidade de políticos que se fizeram na defesa de princípios e de uma utopia para o Brasil, é espantoso. O voto envergonhado de senadores petistas, em voz inaudível, para não ser captado pela TV Senado; o rosto escondido por trás de livros e processos, sem a coragem de levantar os olhos para a câmera e encarar os eleitores. As declarações patéticas do ministro José Múcio, naturalizando o desnaturado, justificando o injustificável. O deboche de um senador tucano, que defende o desmatamento e empresas flagradas com trabalhadores em trabalho escravo, tripudiando sobre a vergonha e a humilhação de senadores petistas que imolavam sua reputação, para salvar outro senador, um oligarca cujo prazo de validade na política já se esgotou há muito.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Como evitar os adjetivos, quando eles adquirem um significado substantivo? No caso de Joe Klein, significava denunciar com veemência e dureza as atitudes politicamente predatórias do Partido Republicano.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Mas e no nosso caso? São inúmeros os episódios de comportamento predatório tanto do PT, quando do PSDB, os dois principais partidos beneficiários, até agora, do um duopólio político, que se reveza na Presidência da República. Ambos se tornaram reféns do niilismo alheio  ao alimentarem rivalidade recíproca, quase cúmplice, desprezando as virtudes social democráticas que pregavam em comum, porém com ênfases distintas, para se aliarem a predadores sem afinidades com seus ideais. Brigavam, para se entregar ao que há de pior na política brasileira. Ambos corromperam politicamente seus ideais ao chegarem ao poder. Preferiram ser inimigos próximos, buscando aliados distantes, ética e politicamente, sempre com justificativas pragmáticas. Sempre lavando as mãos, como se a sujeira que permitiram nos ministérios loteados, não ficasse indelevelmente inscrita na história pátria.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Como ficar alheio a um processo óbvio, esperado, mas doloroso? Em política, o predador sempre prevalece sobre o virtuoso. A democracia em mecanismos para defender as virtudes cívicas, mas elas aqui foram entregues a seus próprios desvirtuadores. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Mas será que foram mesmo alianças de necessidade? Essa capitulação à ganância do PMDB é um traço de fraqueza, uma submissão por falta de alternativa, um ato de sobrevivência, ou uma escolha real, uma opção? Uma aliança real, não uma coabitação forçada pelas circunstâncias?</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Não será, por acaso, o resultado de uma presunção infundada, alimentada pela sensação de todo poder que a Presidência alimenta e potencializada por uma autoconfiança para além da realidade, que faz os presidentes imaginarem que controlarão e iludirão os profissionais do oportunismo e do assalto ao setor público? Essa entrega política, tem um componente de escolha que me parece evidente. E um desfecho anunciado. Esse predador não é como os lobos, que matam suas presas. É como a formiga, que arrebanha os afídeos, para sugá-los. Ou mais, como lobisomens e vampiros, que transformam suas presas em seus semelhantes.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">É isso: PT e PSDB se peemedebizaram, de tanto se entregarem à sucção de seus predadores. Um ritual político gótico, no melhor estilo, com atos explícitos de vampirismo, como na farsa do Conselho de Ética do Senado, presidido por um senador zumbi, sem voto e sem legitimidade. Mecanismo de defesa da instituição contra o desvirtuamento da função representativa, foi transformado em uma praça para a festança dos niilistas. Entre os votantes qualificados havia uma parcela considerável de senadores zumbis, fazendo o trabalho sujo que aqueles que têm voto não tiveram coragem de assumir.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Quero deixar clara minha posição, meu lado. Ao lado de nenhum deles. O governo FHC teve também muitos momentos de vampirismo explícito, a começar pela nefasta instituição da reeleição. O lulismo, teve vários, a começar pelo mensalão. Ambos aliados aos que se lixam para a opinião pública e para o eleitor-cidadão-contribuinte.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Os envergonhados, ainda nervosos com a primeira dentada, pedem ao presidente do partido que escreva carta determinando que se entreguem aos lobisomens de Calheiros e Sarney, como uma atitude programático-partidária, não mais puro pragmatismo. E ele escreve, sem pejo, acostumado a ceder aos dentes alheios, tudo em nome de ficar no poder, tudo em nome do lulismo.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A próxima dentada será menos indolor e menos constrangedora. E, no futuro, todos podem acabar sedentos mordedores.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">É essa a realidade? Não, lamentavelmente, não são esses coadjuvantes envergonhados ou assumidos, as vítimas da predação. Somos nós, a sociedade brasileira, que assiste complacente e envergonhada a esse espetáculo deprimente de vampirismo político. Ato que se repete como capítulo de novela, com um rabicho a mais, para esticar o enredo, encher linguiça, enquanto rola o faturamento.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O custo em políticas públicas mal ajambradas, em desperdício de dinheiro público, que poderia estar salvando vidas, produzindo tecnologia para o futuro, financiando inovações técnicas e culturais é assombroso. Valores e princípios são, desta forma, enterrados no descaminho de nossa democracia gótica.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Até quando?</span></p>
<p></span></span></div>
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