﻿<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Ecopolitica &#187; Twitter</title>
	<atom:link href="http://www.ecopolitica.com.br/tag/twitter/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://www.ecopolitica.com.br</link>
	<description>Política Mudança Climática Século XXI</description>
	<lastBuildDate>Tue, 07 Feb 2012 12:21:44 +0000</lastBuildDate>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=3.3.1</generator>
		<item>
		<title>Labirintos digitais</title>
		<link>http://www.ecopolitica.com.br/2010/08/21/labirintos-digitais/</link>
		<comments>http://www.ecopolitica.com.br/2010/08/21/labirintos-digitais/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 21 Aug 2010 13:15:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[DAge20]]></category>
		<category><![CDATA[digital]]></category>
		<category><![CDATA[socialmedia]]></category>
		<category><![CDATA[Twitter]]></category>
		<category><![CDATA[Web]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.ecopolitica.com.br/?p=1121</guid>
		<description><![CDATA[
			
				
			
		
Sérgio Abranches
Um passeio pelas ideias digitais. Por que fui e o que ouvi no Digital Age 2.0

All Rights Reserved © Tristan Savatier 1996-2010
Um amigo me perguntou o que eu estava fazendo no Digital Age 2.0. A pergunta procede. Ele me conhece como analista político ou comentarista sobre temas de sustentabilidade. Imaginou que havia ido discutir [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="tweetmeme_button" style="float: right; margin-left: 10px;">
			<a href="http://api.tweetmeme.com/share?url=http%3A%2F%2Fwww.ecopolitica.com.br%2F2010%2F08%2F21%2Flabirintos-digitais%2F"><br />
				<img src="http://api.tweetmeme.com/imagebutton.gif?url=http%3A%2F%2Fwww.ecopolitica.com.br%2F2010%2F08%2F21%2Flabirintos-digitais%2F&amp;source=abranches&amp;style=normal&amp;service=bit.ly&amp;hashtags=DAge20,digital,socialmedia,Twitter,Web&amp;b=2" height="61" width="50" /><br />
			</a>
		</div>
<p>Sérgio Abranches</p>
<p><span style="font-size: 13.3333px;">Um passeio pelas ideias digitais. Por que fui e o que ouvi no Digital Age 2.0<span id="more-1121"></span></span></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.ecopolitica.com.br/wp-content/uploads/2010/08/Land-end-San-Fco-Labyrinth.jpg"><img class="size-full wp-image-1153  aligncenter" title="Land end San Fco Labyrinth" src="http://www.ecopolitica.com.br/wp-content/uploads/2010/08/Land-end-San-Fco-Labyrinth.jpg" alt="" width="480" height="304" /></a></p>
<p style="text-align: center;">All Rights Reserved © Tristan Savatier 1996-2010</p>
<p><span style="font-size: 13.3333px;">Um amigo me perguntou o que eu estava fazendo no Digital Age 2.0. A pergunta procede. Ele me conhece como analista político ou comentarista sobre temas de sustentabilidade. Imaginou que havia ido discutir o papel da Internet nas eleições ou sustentabilidade no evento que reúne cobras do mundo digital, especialistas em mídias sociais, redes sociais, marketing e publicidade. Mas não fui discutir nem eleições, nem sustentabilidade. Fui ouvir as conversas dessa gente. De eleição, ninguém falou. A sustentabilidade tangenciou algumas apresentações. Estava no centro da ação filantrópica do IDG Now! e da Razorfish com o projeto <a href="http://www.mycharitywater.org/p/campaign?campaign_id=6261">Charity Water</a>. A IDG Now! doou R$ 1.00 por participante. Além disso, doações individuais já atingiram perto de US$ 2,000.00, de uma meta de US$ 5,000.00.</span></p>
<p><span style="font-size: 13.3333px;">Mas sustentabilidade não estava na agenda dos painéis, embora aparecesse em algumas frases das apresentações. Deveria e poderia estar, mas não esteve.</span></p>
<p><span style="font-size: 13.3333px;">Ou esteve implícita, como na apresentação de <a href="http://www.briansolis.com/">Brian Solis</a> (@briansolis), renomado especialista em RP 2.0 (relações públicas e marketing online), quando explicou sua tese dos “5 Ps” no marketing. Em português seriam produto, preço, posicionamento, promoção e pessoas. “Pessoas”, ele defende, é o quinto P que faltava ao marketing. E por que? Porque a mídia social subverteu a ordem vigente, está mudando a sociedade. São as pessoas que comandam o processo de decisão no mercado, hoje. Como consumidores, como cidadãos, demandando regulação e responsabilidade social das empresas, definindo as posturas admissíveis. É preciso agora ouvir o que as pessoas querem. E muitas, número cada vez maior, quer sustentabilidade.</span></p>
<p><span style="font-size: 13.3333px;"><strong>Muito além da audiência</strong></span></p>
<p><span style="font-size: 13.3333px;">E como elas fazem isso?</span></p>
<p><span style="font-size: 13.3333px;">As redes sociais são, segundo Brian Solis, uma ação muito pessoal, as pessoas definem suas experiências construindo relações, pelo conteúdo que compartilham e pela forma como interagem. Na linguagem típica das redes: seguindo, ficando amigas, gostando, retuitando, lincando, compartilhando, criando contatos, e por aí vai. Vai muito além de uma idéia se espalhando boca-a-boca. É uma rede de interinfluências, na qual influenciados influenciam e influenciadores são influenciados.</span></p>
<p><span style="font-size: 13.3333px;">A frase crítica de Solis, nesse sentido, é: “as audiências têm audiências”. Pessoas ganham audiências, que têm audiências. É como no universo borgeano. Nas descrições de Jorge Luis Borges dos labirintos circulares. Dou três  exemplos de Borges que evocam, para mim, essa ideia das audiências que se multiplicam. Não sei se para fruição de todos ou como enigma de uma mente sociologicamente atormentada a ser decifrado:</span></p>
<p style="text-align: center;">1</p>
<blockquote>
<p style="text-align: center;">Não haverá nunca uma porta. Estás dentro</p>
<p style="text-align: center;">E o alcácer abarca o universo</p>
<p style="text-align: center;">E não tem nem anverso nem reverso</p>
<p style="text-align: center;">Nem externo muro nem secreto centro.</p>
<p style="text-align: center;">Não esperes que o rigor de teu caminho</p>
<p style="text-align: center;">Que teimosamente se bifurca em outro,</p>
<p style="text-align: center;">Que obstinadamente se bifurca em outro,</p>
<p style="text-align: center;">tenha fim.<span style="font-size: 13.3333px;"> </span></p>
<p style="text-align: center;">Jorge Luis Borges &#8211; “Labirinto”, em Elogio da Sombra (poemas)</p>
</blockquote>
<blockquote>
<p style="text-align: center;">2</p>
</blockquote>
<blockquote>
<p style="text-align: center;">Já somos o esquecimento que seremos.</p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: 13.3333px;">A poeira elementar que nos ignora</span></p>
<p style="text-align: center;">e que foi o ruivo Adão e que é agora</p>
<p style="text-align: center;">todos os homens e que não veremos.</p>
<p style="text-align: center;">Jorge Luis Borges &#8211; “Aqui. Hoje.”, em <em>El Otro, el mismo</em>.</p>
</blockquote>
<p style="text-align: center;">3</p>
<blockquote><p>Desses labirintos circulares, salva-o uma curiosa comprovação, que depois o abisma em outros labirintos mais inextricáveis e heterogêneos&#8230;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: 13.3333px;">Jorge Luis Borges &#8211; “Tema do Traidor e do Herói”, em Ficções.</span></p>
</blockquote>
<p><span style="font-size: 13.3333px;"><strong>Socializando tudo</strong></span></p>
<p><span style="font-size: 13.3333px;">Não foram as eleições ou a sustentabilidade que me levaram ao auditório do Digital Age 2.0. Fui lá para buscar idéias sobre a similitude das questões levantadas em todos os campos pelas mudanças que estamos passando e que têm como um de seus vetores a digitalização das relações sociais e políticas. Brian Solis disse que se está assistindo à socialização das marcas e que, no último quilômetro, se dará a socialização dos negócios.</span></p>
<p><span style="font-size: 13.3333px;">Para quem tem intimidade com a teoria socialista, isto soará despropositado ou como embuste. Mas ele está falando do processo sociológico da socialização. Isso está de fato ocorrendo, os indivíduos estão se socializando, embora mantendo sua privacidade e individualidade. Conectam-se e se associam com quem querem, como querem e quando querem. Muitos se escondem atrás de avatares disfarçados, outros se mostram transexuados, outros adotam identidades falsas. Disfarces que mal escondem fantasias pessoais ou desejos íntimos ou até um toque de humor. Falsidades que raramente conseguem despistar por muito tempo suas verdadeiras intenções. E por que? Por causa dessa <a href="http://www.ecopolitica.com.br/2009/08/24/twitter-nem-bobagem-nem-bolha-os-usos-sociais-da-tuitagem/">interminável superposição</a> de filtros, respostas, contrariedades que as redes propiciam.</span></p>
<p><span style="font-size: 13.3333px;">Mas a maioria se apresenta como é, com sua própria face, expressando opiniões, desejos, sentimentos reais e sinceros. Com a sinceridade suportável na transposição do Eu para sua Persona social, ou seu avatar.</span></p>
<p><span style="font-size: 13.3333px;">Ouvindo pessoas da área de marketing falar desses processos que não ocorrem apenas no campo dos negócios, me lembrava repetidamente da metáfora de Adam Smith, em A Riqueza das Nações, da mão invisível do mercado. É a mesma idéia: milhares ou milhões de indivíduos, dependendo da era em que estejamos, tomando decisões simultâneas e independentes entre si, com base em um fluxo de informações. Mas essa mão invisível das redes é uma mutação quase irreconhecível da mão imaginada por Adam Smith. No mundo digital, ela opera em tempo real e com muito mais informação &#8211; obviamente muita deformação dos fatos, misturada a muita informação boa. Separar especulação de fato, manipulação de informação continua a ser papel do jornalismo, em todas as mídias, e, em outro plano, da crítica cultural. Notar que a crítica cultural quase sempre é veiculada pela imprensa. Mas tudo hoje se espalha pela webesfera.</span></p>
<p><span style="font-size: 13.3333px;">A vertiginosa velocidade com que as idéias circulam na webesfera torna tudo mutável, dinâmico, como os labirintos de Borges que se bifurcam em outros, cada vez mais inextricáveis e heterogêneos. Um processo caótico, do ponto de vista matemático e como  contestação da ordem retilínea do mundo analógico. Daí, inclusive, toda a dificuldade de manejar as métricas na rede, outro tema muito debatido na Digital Age 2.0.</span></p>
<p><span style="font-size: 13.3333px;"><strong>A conversação digital</strong></span></p>
<p><span style="font-size: 13.3333px;">Outra noção importante e complementar de Brian Solis é que, nas redes, a atenção tem que ser conquistada e o engajamento é um privilégio. Aliás falou-se muito em engajamento na Digital Age 2.0 e saí com a sensação de que muitos poucos sabem o que é. Para um sociólogo, é mobilização e ação, a antítese da alienação. E nesse sentido, engajamento nas redes sociais é mesmo um privilégio ou um bem de alto valor, porque predomina a alienação.</span></p>
<p><span style="font-size: 13.3333px;">Chego a um de meus pontos de interesse nessas discussões. Não há futuro para a ação política, se não a busca do engajamento do “coletivo”. Outra expressão que aprendi ser moeda corrente no mundo do marketing e da propaganda. Ressoa Gabriel Tarde sobre a opinião pública. Em seu clássico “L’Opinion et la Foule”, (A Opinião e a Multidão), Tarde diferencia opinião (pública) de julgamentos individuais. A principal fonte de formação de opinião, no mundo moderno, segundo ele, seria o que chamava de “conversação”. Ele adotava uma noção exigente da opinião pública, não apenas como a soma das opiniões individuais, mas como opinião que o indivíduo sabe que é compartilhada por outros. Ou seja, o “coletivo”, sobre o qual ouvi muito dos publicitários no auditório da Digital Age 2.0 falar.</span></p>
<p><span style="font-size: 13.3333px;">Essa idéia de uma opinião conscientemente compartilhada só faz sentido no contexto da comunicação, da conversação. A opinião pública seria verdadeiramente, nessa visão, aquela que se forma com a intermediação da imprensa, mais contemporaneamente, da mídia. Hoje, sobretudo, no universo digital, das redes e mídias sociais. Não se trata mais de um “diálogo”, literalmente uma conversa entre dois, mas de uma conversação de todos com todos. Uma noção totalmente compatível com a de Brian Solis, das audiências que criam audiências.</span></p>
<p><span style="font-size: 13.3333px;">Ou, em um universo mais específico, ao conceito adotado por Shiv Singh (@shivsingh), vice-presidente e líder global para mídia social da Pepsico, de consumidores que criam consumidores e do processo interativo nas mídias e redes sociais que permite descobrir o “consumidor escondido”.</span></p>
<p><span style="font-size: 13.3333px;">O “consumidor escondido”, invisível ou silencioso, tem sua contraparte em todos os papéis desempenhados pelas pessoas em sociedade: cidadãos, eleitores, pagadores de impostos, trabalhadores. É a  já conhecida “maioria silenciosa”. No Twitter, 70% são inativos. Da mesma forma que os “engajados” são a “minoria ativa” em todas as áreas: os “militantes”, os “votantes”, os “vocais”, os “faladores”. E no topo dessa minoria ativa está a liderança: os guias, formadores de opinião, influenciadores.</span></p>
<p><span style="font-size: 13.3333px;">Na webesfera também há uma “maioria silenciosa” e uma “minoria ativa”. A conversação meio que equaliza a todos, embora se mantenha a distinção entre “faladores” e “ouvidores”. Não ouvintes, porque os ouvidores têm poder de filtragem, sanção e escolha sobre os faladores.</span></p>
<p><span style="font-size: 13.3333px;"><strong>A era do conhecimento</strong></span></p>
<p><span style="font-size: 13.3333px;">O que interessa mesmo é a relevância e as consequências dessa falação toda. No caso da Digital Age, consequências mercadológicas. Mas vai muito além disso.</span></p>
<p><span style="font-size: 13.3333px;">Essa equalização democratizadora produzida pelas redes tem importância capital. Exemplo. Um influenciador, celebridade, com dezenas ou centenas de milhares de seguidores no Twitter, se for repetitivo e autocentrado demais, pode perder espaço para uma pessoa muito menos conhecida que ponha mais conteúdo, relevância e criatividade em seus tuítes e se torna um influenciador poderoso. Dá um salto do anonimato para a celebridade. Como há os que despencam da celebridade para o esquecimento.</span></p>
<p><span style="font-size: 13.3333px;">Consenso entre os especialistas. Importa nas redes quem entrega conteúdo, relevância e inovação. Michel Lent (@lent), da Ogilvy, falou em “doing something awesome”, fazer algo impressionante. Shiv Singh falou em criar valor para as pessoas. Brian Solis transformou esse consenso em fórmula: “ressonância, relevância e significância”.</span></p>
<p><span style="font-size: 13.3333px;">O estudante de jornalismo Christopher Sopher desenvolveu o <a href="http://www.youngerthinking.com/">Younger Thinking project</a>, para estudar como a imprensa poderia alcançar a audiência mais nova. Adivinhem as <a href="http://blogs.journalism.co.uk/editors/2010/08/20/sharing-and-signposting-younger-thinking-for-news-organisations/">principais recomendações</a>: mais visão, sinalizando tendências e reportagens explicativas, dando o contexto, o background, permitindo a compreensão de tópicos confusos. Diz ele: “os leitores mais jovens se beneficiariam de uma abordagem mais ativa, interpretativa para o jornalismo, às vezes chamada de ‘jornalismo do conhecimento’. Jornalistas com conhecimento, com qualificação em sua matéria, poderiam oferecer insight aos leitores a respeito do que os eventos realmente significam e quebrar o balanço superficial do tipo ele-disse/ela-disse que domina a cobertura.”  Podia ter estado em um dos painéis do Digital Age 2.0.</span></p>
<p><span style="font-size: 13.3333px;"><strong>Saída, voz ou lealdade</strong></span></p>
<p><strong> </strong><span style="font-size: 13.3333px;">Para todos os que estão na aventura de se comunicar trata-se disso: como ganhar a atenção do público relevante, como mobilizar para ação, como “engajar”? É uma questão de “sentimento e alcance”, como definiu Andrea Harrison (@190east), da Razorfish, em sua palestra. Ela tocou em três temas que me interessam de perto.</span></p>
<p><span style="font-size: 13.3333px;">De longe, o mais relevante é que não se trata das plataformas, dos meios, da mídia. Trata-se de comportamento. Portanto, social não é a rede ou a mídia, mas o comportamento de quem faz uso delas. A interatividade é um atributo comportamental, não tecnológico. A tecnologia pode facilitar, dar velocidade e abrangência à interação social, mas interação é comportamento.</span></p>
<p><span style="font-size: 13.3333px;">Voltamos à questão da socialização trazida por Brian Solis e à conversação de Tarde. É a <a href="http://www.ecopolitica.com.br/2009/10/23/e-o-publico-nao-e-a-midia/">mensagem que faz a mídia</a>. E a mensagem, hoje, é socializada: por exemplo, todos podem me ouvir no Twitter e eu posso ouvir a todos. E cada um faz escolhas discricionárias sobre quem continuar ouvindo. A maioria só ouve, poucos falam e o grande desafio é transformar ouvidores em faladores, cativar os inativos. Muitos desses inativos, uma vez seduzidos para a conversação, terminam se ativando e passam a falar nas redes também. Já vi acontecer com pelo menos uma dezena de seguidores meus no Twitter. Seja no marketing, seja na política, trata-se, cada vez mais de ouvir as pessoas, captar seus sentimentos.</span></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>Aliás, aplica-se, a esse processo de socialização digital, uma fórmula consagrada pelo economista Albert Hirschman sobre as alternativas disponíveis no processo decisório: saída, voz ou lealdade. Nas redes sociais, há aqueles que não se ajustam e terminam saindo. São fantasmas na rede, representados pelas incontáveis contas totalmente inativas. Outros, a minoria ativa, optam por exercer o direito à voz e se expressam das mais variadas e criativas maneiras, em busca de audiência e&#8230; lealdade.</p>
<p><span style="font-size: 13.3333px;">Há aqueles que preferem a lealdade, seguem fielmente quem que lhes dá valor, conhecimento, prazer, entretenimento. Falam pouco ou nada. No Twitter, por exemplo, há maneiras de sair parcialmente, por meio do unfollow e do block. É uma saída de certas conversas, ou o fechamento do canal para certos indivíduos, usando esse poder de filtragem que a plataforma permite. A pessoa pode manejar os canais da conversação, escolhendo pôr em on ou off pessoas, temas, o que seja.</span></p>
<p><span style="font-size: 13.3333px;">E não há inativos totais. Inativos na rede são ativos no mercado, na escola, na roda de amigos “físicos”, não virtuais, no trabalho ou na política.</span></p>
<p><span style="font-size: 13.3333px;">Conteúdo e consequência, de novo. Não falam na rede, mas falam como consumidores, amigos, filhos, pais, irmãos, eleitores, colegas de trabalho. De influenciados, podem se tornar influenciadores ou decisores.</span></p>
<p><span style="font-size: 13.3333px;"><strong>Reverberações</strong></span></p>
<p><span style="font-size: 13.3333px;">O segundo tema importante para mim trazido por Andrea Harrison dá uma indicação sobre porque um coletivo de pessoas na rede se interessa pelo que alguém está dizendo. Nem vou entrar na questão das linguagens ou das ferramentas para dizer algo. Quando escrevo dizer, falar, ler ou ouvir estou englobando todas as possibilidades audiovisuais hoje disponíveis.</span></p>
<p><span style="font-size: 13.3333px;">O interesse, ganhar a atenção da audiência, depende, em grande medida, diz Andrea Harrison, de sentimento e alcance. E voltamos a Gabriel Tarde. Ele identificava três forças na formação do que chamava de espírito social – hoje chamaríamos de “coletivo” – a tradição (o costume, os interesses herdados, a história de cada um); a razão (o conhecimento, a ciência, a expertise); e a opinião. A opinião, às vezes, se contrapõe, segundo ele, tanto à tradição, quanto à razão. Ela se distingue da análise, que pertence ao plano da razão. Essa opinião pensada por Tarde transporta-se para o plano do sentimento, da emoção.</span></p>
<p><span style="font-size: 13.3333px;">O alcance, depende da repercussão. Se a audiência conquistada ativa outras audiências e essas audiência outras audiências. Tarde mostrou em seus trabalhos, no século XIX é bom lembrar, que o processo de formação da opinião pública, embora se inicie por uma mensagem emitida por uma determinada mídia e, portanto, sob seu controle, continua reverberando na “conversação”, fora de qualquer controle, nas “repercussões das notícias lidas pela minoria leitora junto aos não leitores”. O cidadão que se informa torna-se formador de opinião também, porque detém algo de valor – o conhecimento dos temas da atualidade. Isso é mais verdade hoje do que era na época de Gabriel Tarde. E vai além. Em sociedades como a brasileira, onde ainda há muita desigualdade digital, os “digitais” informam e influenciam os “analógicos”. Portanto as audiências cruzam a fronteira entre os conectados e os não conectados.</span></p>
<p><strong>Os sobreviventes</strong></p>
<p><span style="font-size: 13.3333px;">O terceiro tema de meu particular interesse na apresentação de Andrea Harrison tem a  ver com persistência, ou sobrevivência. De várias coisas: das mídias, das plataformas, das mensagens, das idéias. Ela lembrou Darwin e fiquei com a impressão de que terminou caindo na visão estereotipada da “sobrevivência do mais forte”. Mas quem sobrevive e persiste não é necessariamente o mais forte, ou o mais apto, no sentido de qualificado, mas o mais adaptável às mudanças no ambiente. Quem consegue surfar com sucesso as ondas da mudança. E, principalmente, quem consegue se antecipar às mudanças e sai primeiro, abrindo caminhos na direção certa das novas tendências.</span></p>
<p><span style="font-size: 13.3333px;">Em um ambiente em transformação vertiginosa como o nosso, nem se fale. Estamos no comecinho de uma grande revolução científica e tecnológica que vai mudar toda a nossa vida: da energia que usamos à comida que comemos; do jornalismo à medicina. Em vinte anos, nosso ambiente físico, social, econômico, político, tecnológico ficará absurdamente diferente. Ele será menos reconhecível se pudéssemos olhá-lo com os olhos de hoje, do que o nosso mundo seria reconhecível por alguém que pudesse nos ver hoje, da perspectiva do início dos anos 1990. É certo que a webesfera, as mídias, as plataformas vão mudar muito nos próximos anos, mais e mais rápido do que mudaram nos últimos 10 anos.</span></p>
<p><span style="font-size: 13.3333px;">A outra dimensão dessa questão é que mensagens e idéias persistem nesse mundo do efêmero, em que “já somos o esquecimento que seremos”. Ninguém sabe. Mas eu arriscaria dizer que, como antes, sobreviverão as mensagens que são relevantes e transcendentes. Que por seu conteúdo, eu diria quase metafísico, se tornam atemporais e tão fortes que impregnam o inconsciente das pessoas, suas memórias recônditas, onde o esquecimento pode se dissipar e a lembrança ser restaurada no momento e no contexto certos.</span></p>
<p><span style="font-size: 13.3333px;">E por que isso tudo? Entre outras razões, porque precisamos descobrir como engajar o coletivo de tal forma que ele force a política a se conectar com as pessoas, suas necessidades e seus interesses, nessa era impressionante de grandes mudanças e perigos tremendos.</span></p>
<p><span style="font-size: 13.3333px;"> A propósito, as eleições apareceram, finalmente, em um ótimo gráfico mostrado por Fabia Juliaz, do Ibope/NetRatings, revelando que o debate Folha-Uol na Internet teve mais audiência que os debates na TV. Debate que rolou no primeiro dia do Digital Age 2.0. A sustentabilidade visitou a audiência ainda numa frase da exposição de Michel Lent, quando tentava imaginar o que seria um produto impressionante, ou awesome, e entre os atributos que empilhou disse: “faça seu produto mais ecológico”. </span></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.ecopolitica.com.br/2010/08/21/labirintos-digitais/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Twitter: ferramenta de jornalismo cooperativo e difusão de informações ambientais.</title>
		<link>http://www.ecopolitica.com.br/2010/08/12/twitter-ferramenta-de-jornalismo-cooperativo-e-difusao-de-informacoes-ambientais/</link>
		<comments>http://www.ecopolitica.com.br/2010/08/12/twitter-ferramenta-de-jornalismo-cooperativo-e-difusao-de-informacoes-ambientais/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 12 Aug 2010 22:14:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
				<category><![CDATA[Trilhas]]></category>
		<category><![CDATA[Amazônia]]></category>
		<category><![CDATA[CBN]]></category>
		<category><![CDATA[desmatamento]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Twitter]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.ecopolitica.com.br/?p=1116</guid>
		<description><![CDATA[
			
				
			
		
Sérgio Abranches
Nem sempre é preciso estender o texto dos tuítes para que a informação seja correta e completa.
@betoverissimo Imazon e Inpe confirmam avanço do desmatamento no sul do estado do Amazonas. Até pouco tempo citado como o mais conservado da região.
@abranches RT @betoverissimo Imazon e Inpe confirmam avanço do desmatamento no sul do Amazonas. Até [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="tweetmeme_button" style="float: right; margin-left: 10px;">
			<a href="http://api.tweetmeme.com/share?url=http%3A%2F%2Fwww.ecopolitica.com.br%2F2010%2F08%2F12%2Ftwitter-ferramenta-de-jornalismo-cooperativo-e-difusao-de-informacoes-ambientais%2F"><br />
				<img src="http://api.tweetmeme.com/imagebutton.gif?url=http%3A%2F%2Fwww.ecopolitica.com.br%2F2010%2F08%2F12%2Ftwitter-ferramenta-de-jornalismo-cooperativo-e-difusao-de-informacoes-ambientais%2F&amp;source=abranches&amp;style=normal&amp;service=bit.ly&amp;hashtags=Amaz%C3%B4nia,CBN,desmatamento,jornalismo,Twitter&amp;b=2" height="61" width="50" /><br />
			</a>
		</div>
<p>Sérgio Abranches</p>
<p>Nem sempre é preciso estender o texto dos tuítes para que a informação seja correta e completa.<span id="more-1116"></span></p>
<p>@<a href="http://twitter.com/betoverissimo">betoverissimo</a> Imazon e Inpe confirmam avanço do desmatamento no sul do estado do Amazonas. Até pouco tempo citado como o mais conservado da região.</p>
<p>@<a href="http://twitter.com/abranches">abranches</a> RT @betoverissimo Imazon e Inpe confirmam avanço do desmatamento no sul do Amazonas. Até pouco citado como o mais conservado da região.</p>
<p>@<a href="http://twitter.com/gcamara">gcamara</a> Confirmado: A pressão no Sul do Amazonas aumentou com a melhoria da ligação entre Lábrea e o Rio Branco (BR-317).</p>
<p>@<a href="http://twitter.com/abranches">abranches</a> INPE e Imazon apontam aumento do desmatamento no Sul do Amazonas, área antes mais preservada, meu comentário na #CBN: <a href="http://bit.ly/bCJKmU">http://bit.ly/bCJKmU</a></p>
<p>@<a href="http://twitter.com/gcamara">gcamara</a> @<a href="http://twitter.com/abranches">abranches</a> Bom comentario. Após reduzir as forças privadas do desmatamento (soja e carne), é preciso lidar com impactos de ações públicas.</p>
<p>@<a href="http://twitter.com/abranches">abranches</a> @<a href="http://twitter.com/gcamara">gcamara</a> Obrigado. Precisamos mesmo completar com sucesso o ciclo de proteção à Amazônia para podermos investir mais para salvar o cerrado.</p>
<p>@<a href="http://twitter.com/gcamara">gcamara</a> O impacto do TerraLegal na AMZ parece ser positivo. Mas é preciso esperar os resultados do PRODES para ver onde estão os pequenos desmatesabranches</p>
<p>@<a href="http://twitter.com/abranches">abranches</a> RT @<a href="http://twitter.com/gcamara">gcamara</a>: O impacto do TerraLegal na AMZ parece ser positivo. Mas precisa esperar dados do PRODES p/ ver onde estão os pequenos desmates.</p>
<p>@<a href="http://twitter.com/paulogbarreto">paulogbarreto</a> @gcamara vetores + prováveis do desmatamento atual &#8211; crédito subsidiado para pequenos imóveis, agricultura subsistencia e doação de terras</p>
<p>@<a href="http://twitter.com/gcamara">gcamara</a> As estradas sempre terão  impacto no desmatamento, especialmente qdo as taxas caem. Tirem as grandes causas, ficam as pequenas.</p>
<p>@<a href="http://twitter.com/nilodavila">nilodavila</a> @<a href="http://twitter.com/abranches">abranches</a> @<a href="http://twitter.com/gcamara">gcamara</a>: Em Lábrea Terralegal tem 300 mil ha em cadastro 80% com mais de 4 modulos. Maior concentração no eixo da BR317</p>
<p>@<a href="http://twitter.com/abranches">abranches</a> RT @<a href="http://twitter.com/nilodavila">nilodavila</a>: @<a href="http://twitter.com/abranches">abranches</a> @<a href="http://twitter.com/gcamara">gcamara</a>: Em Lábrea, Terralegal tem 300 mil ha em cadastro 80% c/+ 4 modulos. Maior concentração no eixo da BR317.</p>
<p>@<a href="http://twitter.com/gcamara">gcamara</a> @<a href="http://twitter.com/abranches">abranches</a> Como disse antes, é preciso cautela pois dados do DETER são parciais. 75% dos desmatamentos em 2009 foram menores que 50 ha.</p>
<p>@<a href="http://twitter.com/abranches">abranches</a> RT @<a href="http://twitter.com/gcamara">gcamara</a>: @abranches Como disse antes, é preciso cautela os dados do DETER são parciais. 75% dos desmatamentos em 2009 foram &lt; que 50 ha.</p>
<p>Não há necessidade de mais palavras. Está tudo contado aí.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.ecopolitica.com.br/2010/08/12/twitter-ferramenta-de-jornalismo-cooperativo-e-difusao-de-informacoes-ambientais/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Twitter, mudança climática e revolução na mídia</title>
		<link>http://www.ecopolitica.com.br/2010/01/06/twitter-mudanca-climatica-e-revolucao-na-midia/</link>
		<comments>http://www.ecopolitica.com.br/2010/01/06/twitter-mudanca-climatica-e-revolucao-na-midia/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 06 Jan 2010 19:34:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[COP15]]></category>
		<category><![CDATA[blog]]></category>
		<category><![CDATA[convergência de mídias]]></category>
		<category><![CDATA[Copenhague]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[novas mídias]]></category>
		<category><![CDATA[Twitter]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.ecopolitica.com.br/?p=789</guid>
		<description><![CDATA[
			
				
			
		
Um dia, entrei na sala de imprensa do Bella Center, em Copenhague, onde acontecia a Conferência do Clima, e resolvi passear entre as longas mesas.
Sérgio Abranches
Eram mesas largas e compridas, cada uma com capacidade para umas 50 pessoas. E eram muitas. Havia mais de 2000 jornalistas por ali. Passei por várias fileiras, olhando o que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="tweetmeme_button" style="float: right; margin-left: 10px;">
			<a href="http://api.tweetmeme.com/share?url=http%3A%2F%2Fwww.ecopolitica.com.br%2F2010%2F01%2F06%2Ftwitter-mudanca-climatica-e-revolucao-na-midia%2F"><br />
				<img src="http://api.tweetmeme.com/imagebutton.gif?url=http%3A%2F%2Fwww.ecopolitica.com.br%2F2010%2F01%2F06%2Ftwitter-mudanca-climatica-e-revolucao-na-midia%2F&amp;source=abranches&amp;style=normal&amp;service=bit.ly&amp;hashtags=blog,converg%C3%AAncia+de+m%C3%ADdias,COP15,Copenhague,jornalismo,novas+m%C3%ADdias,Twitter&amp;b=2" height="61" width="50" /><br />
			</a>
		</div>
<p>Um dia, entrei na sala de imprensa do Bella Center, em Copenhague, onde acontecia a Conferência do Clima, e resolvi passear entre as longas mesas.</p>
<p>Sérgio Abranches<span id="more-789"></span></p>
<p>Eram mesas largas e compridas, cada uma com capacidade para umas 50 pessoas. E eram muitas. Havia mais de 2000 jornalistas por ali. Passei por várias fileiras, olhando o que as pessoas tinham em suas telas de computador.</p>
<p>Não era um ato gratuito de voyeurismo, embora uma jornalista argentina, que teimava em só falar inglês mesmo com quem falava espanhol, tenha achado que sim. Ela se irritou visivelmente, porque quando passei por ela, estava colocando uma foto do jornalista em frente no Facebook, dizendo que queria ficar com ele. Tapou a tela com as mãos ostensivamente.</p>
<p>Está certo que olhar por trás dos outros é feio e o cara estava com a mulher ao lado, também jornalista. Mas meu objetivo era outro: observar quantas pessoas estavam usando recursos multimídia e de rede social.</p>
<p>O que pude observar é que a maioria usava vídeos e texto. A esmagadora maioria postava em tempo real, em blogs ou em sites de suas empresas jornalísticas e portais de notícias. Quase todos usavam Twitter.</p>
<p>Retornando de Copenhague e ainda me recuperando de uma sinusite com bronquite, provavelmente causadas pelo frio nas vezes que o enfrentei sem agasalho suficiente, vi tuíte dizendo que <a href="http://ow.ly/S0cK">2009 foi o ano</a>&#8230; do Twitter, claro. Certamente foi. Ele explodiu no ano passado, em todos os indicadores: número de contas, números de contas ativas, número de tuítes, replies, retuítes e DMs. <a href="http://news.cnet.com/2702-1023_3-434.html%23featured">Aumentou</a> o número de pessoas que têm no Twitter sua <a href="http://www.leveltendesign.com/blog/colin/rethinking-my-twitter-content-stratgy">plataforma</a> âncora de <a href="http://bits.blogs.nytimes.com/2009/11/10/tweets-are-coming-to-linkedin/">comunicação coletiva</a>, ou de rede social.</p>
<p>Se 2009 foi o ano do Twitter, ele certamente foi também o ano em que o Twitter dominou a cobertura jornalística na Cúpula do Clima. Marcou, igualmente, o seu uso generalizado pelas ONGs e outras organizações que foram à COP15, para realizar eventos paralelos, advogar políticas, ou pressionar, contra ou a favor.</p>
<p>Como observou <a href="http://reportr.net/2009/09/15/foj09-talk-twitter-as-a-system-of-ambient-journalism/">Alfred Hermida</a> (@Hermida)</p>
<p>foi muito rápida a adesão dos jornalistas ao Twitter, provocando quase um frenesi tuiteiro em alguns setores da mídia.</p>
<p>Ele também nota que</p>
<p>O Twitter foi rapidamente adotado nas redações como um mecanismo de distribuir as últimas notícias rapidamente e de forma concisa ou como um recurso para encontrar idéias para matérias, fontes e fatos.</p>
<p>Eu vi isso acontecer na Sala de Imprensa do Bella Center. Tuítes eram usados para para dar aquelas notícias que todos sabiam seriam superadas em matéria de horas, se não minutos; furos cada vez mais efêmeros; para socializar sites e contas de Twitter que eram boas fontes de informação; para dar opinião; para comentar sobre a experiência e o ambiente da cobertura da COP15, que foi <a href="http://www.ecopolitica.com.br/2009/12/29/clima-cosmopolita/">inédita</a> sob muitos aspectos. Nesse ambiente, o uso da palavra exclusivo era uma temeridade.</p>
<p>Formou-se uma espécie de Twitter de Babel, um diálogo multi-linguístico continuado e uma experiência de compartilhamento de informação, claro, com filtros (uns mais que outros) e com defecções (todas muito notadas).</p>
<p>O presidente francês Nicolas Sarkozy disseminava suas impressões, informações e idéias por meio de uma conta de Twitter criada especificamente para a COP15: @ElyseeCop15.</p>
<p>O primeiro ministro Gordon Brown usou a conta regular @10DowningStreet para dar suas impressões. Ambas se tornaram fontes muito úteis e largamente consultadas.</p>
<p>Um tuíte típico representando a visão de Sarkozy era assim:</p>
<p>PR: “les difficultés de cette conférence, c&#8217;est la preuve d&#8217;un système onusien à bout de souffle”, about 13 hours ago from Seesmic. (“As dificuldades dessa conferência, prova de que o sistema da ONU perdeu o gás”).</p>
<p>Um tuíte típico expressando o ponto de vista de Gordon Brown era assim:</p>
<p>PM: Negotiations fraught, but determined to get this done. Leaders must put cards on table. 8:12 AM Dec 17th from web (“Negociações ameaçadas, mas determinado a fechá-las. Os líderes precisam pôr as cartas na mesa”).</p>
<p>Quando penso naqueles dias intensos na Sala de Imprensa durante a COP15, uma das imagens mais nítidas que me vêem à mente é a de milhares de jornalistas buscando freneticamente informação, checando, verificando o que conseguiam, por todos os meios possíveis, um grande número compelido a reportar em tempo real.</p>
<p>A intermediação do Twitter tornava essa situação relativamente comum nesse tipo de cobertura, na melhor expressão das formas emergentes daquilo que Hermida chama de jornalismo de ambiente.</p>
<p>(J)ornalismo de ambiente &#8211; um sistema de percepção que oferece meios diversos de coletar, comunicar, compartilhar e apresentar notícias e informações, servindo a diferentes objetivos. O sistema está sempre no ar mas também opera em distintos graus de engajamento e consciência.</p>
<p>A COP15 foi seguramente a primeira na qual o Twitter foi integralmente usado como parte da cobertura jornalística. Imagino que tenha sido também o ápice do blog jornalístico dedicado ao clima. Não tenho evidência coletada disso, mas posso dar o testemunho da minha experiência e observação: obtive mais informação e confirmação de notícias e rumores em blogs do que nos sites da imprensa convencional, exceto nos casos da Reuters e do The Guardian. Claro, estou contando blogs de jornalistas profissionais abrigados em sites da imprensa convencional, como o <a href="http://dotearth.blogs.nytimes.com/">Dot Earth</a> do @Revkin ou o <a href="http://www.guardian.co.uk/environment/blog">Environment Blog</a> do The Guardian. Mas eles são poucos. A maioria era blog separado da imprensa convencional.</p>
<p>O Twitter foi também um recurso crucial para advogados de políticas climáticas, lobbies, militantes, pro e contra, e ONGs. Eles tinham objetivos distintos da imprensa, mas eram também ótimas fontes de informação. Experientes analistas do Greenpeace foram fundamentais para mim, por exemplo. Também obtive boa informação de profissionais do WWF e da OXFAM.</p>
<p>Uma experiência que achei muito interessante foi o uso feito pelo <a href="http://adoptanegotiator.org/">Adopt a Negotiator</a> da combinação entre blog, Facebook e Twitter. Foi provavelmente muito educativo para os participantes e era também uma boa fonte para os jornalistas.</p>
<p>O Twitter é, hoje, o instrumento mais importante para disseminar informação sobre os militantes ainda presos pela polícia dinamarquesa. É o recurso que permite dar transparência &#8211; uma forma de defesa &#8211; ao que se passa com eles e mobilizar mundo afora protestos pela prisão continuada e demanda por sua soltura.</p>
<p>E o Twitter se tornou um recurso indispensável para a pesquisa e o jornalismo.</p>
<p>De fato, o Twitter pode ser um sério acessório da reportagem. Ele pode ser uma lista viva e palpitante de dicas de fatos, fontes de notícias e idéias para matérias. Ele pode dar acesso instantâneo a pessoas de difícil acesso que são notícia, dado que não há um assessor de relações públicas entre o repórter e um tuíte para uma autoridade governamental ou executivo de uma empresa. Ele pode também ser um instrumento ainda tosco para crowdsourcing. (Paul Farhi &#8211; <a href="http://www.ajr.org/Article.asp?id=4756">The Twitter Explosion</a>, AJR).</p>
<p>Eu mesmo tenho usado o Twitter para marcar entrevistas, confirmar fatos, obter opiniões e dicas com muita frequência. Há uma etiqueta para isso e, fazendo da maneira correta, é um instrumento diferente que realmente funciona melhor do que qualquer outro de que se dispunha anteriormente.</p>
<p>Hashtags foram usados amplamente na cobertura da COP15 via Twitter, mas os principais foram #COP15, #Copenhagen, e #climate.</p>
<p>Hashtags são apenas um dos recursos que dão coerência ao que pode parecer como a Torre de Babel do Twitter (Paul Farhi &#8211; <a href="http://www.ajr.org/Article.asp?id=4756">The Twitter Explosion</a>, AJR)</p>
<p>O fluxo de tuítes com o hashtag #COP15 continua sem parar e permanece como uma boa fonte para jornalistas, militantes, profissionais de políticas públicas e corporativas. O número de bobagens nesses tuítes aumentou, é verdade, mas os que têm relevância e interesse ainda superam esses inúteis. Meu palpite é que o #COP15 vai continuar existindo e digno de nota até se transformar, sem descontinuidade, em #COP16.</p>
<p>Há várias interfaces entre jornalistas, defensores de políticas climáticas e militantes verdes. Um deles é, certamente, o Twitter. Ao mesmo tempo que militantes e defensores de políticas podem ser fontes úteis para os jornalistas, eles são também os mais frequentes visitantes de sites da imprensa convencional e de blogs de notícias, buscando informação agregada, opinião e análise.</p>
<p>Tudo isso significa que o Twitter atrai o tipo de pessoas que a mídia deveria amar &#8211; aquelas que estão interessadas em e engajadas com as notícias. (Paul Farhi &#8211; <a href="http://www.ajr.org/Article.asp?id=4756">The Twitter Explosion</a>, AJR).</p>
<p>Tudo isso é verdade, também, para quem escreve sobre política, cultura, moda, economia, esportes, negócios, tecnologia, comunicação, saúde, ciência e tudo o mais.</p>
<p>Quem continua discutindo se o Twitter vai desbancar os blogs ou outras plataformas de redes sociais e até os sites de notícias em tempo real, está deixando de ver o essencial. O que estamos vendo é maior integração entre eles: o LinkedIn já incorporou o Twitter. O Digg, que já andou às turras com o Twitter, também <a href="http://www.telegraph.co.uk/technology/social-media/6917829/Digg-considering-adding-Twitter-updates.html">estuda incorporar</a> tuítes e posts no Facebook à sua plataforma. Cada um vai se especializar na função em que é melhor e todos comporão uma rede integrada de comunicação coletiva de enorme poder.</p>
<p>A mudança que me fez ver valor real no Twitter ocorreu por volta de um ano atrás, quando as pessoas que eu havia aprendido a conhecer e apreciar por seus escritos em blogs iniciaram conversações no Twitter. Nessa época, eu já era um blogueiro frequente há uns dois anos e vinha dialogando com outros blogueiros por meio de meu próprio blog ou de comentários nos blogs deles. Gradualmente, notei que os diálogos que se davam nos blogs e nos comentários aos blogs estavam se mudando para o Twitter. EU não havia buscado por eles antes no Twitter, mas agora, a maioria deles colocou o nome que usa no Twitter em seus blogs. (Oscar Berg &#8211; <a href="http://ow.ly/S0cK">“Why 2009 was the Year of Twitter”</a>, The Content Economy).</p>
<p>Para alguns objetivos de obtenção de informação, o Twitter é melhor que o RSS. Como o blogueiro Oscar Berg diz, blogs são pessoais e o Twitter é a plataforma coletiva, uma espécie de território comum, ponto de encontro. Twitter, blogs e redes sociais serão elemento centrais na evolução do processo de <a href="http://dannybrown.me/2010/01/04/social-media-in-2010-aggregation-segmentation-and-specialization/">agregação, segmentação e especialização</a> na Webesfera, tanto quanto no mundo da mídia.</p>
<p>Onde nenhum outro recurso compete hoje com o Twitter é no que <a href="http://cloud9media.wordpress.com/2010-trends/2009-year-of-twitter/">Cloud9Media</a> chamou de “magia do tempo real”. Seja na busca em tempo real, seja para furos ou notícias rápidas em tempo real, seja ainda para obter reações em tempo real ou qualquer outra necessidade de informação ou comunicação social instantânea, o Twitter funciona melhor e de forma mais econômica do que qualquer outro recurso disponível.</p>
<p>O Twitter é muito impressionante e é o mais eficiente mecanismo que jamais vi para me permitir examinar em detalhe as correntes de pensamento de pessoas que vivem por todo o mundo. (Vivek Wadhwa &#8211; <a href="http://www.techcrunch.com/2010/01/01/twitter-and-me/">“Twitter and Me! Why It’s The Only Social Media Tool I Use”</a>, TechCrunch).</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.ecopolitica.com.br/2010/01/06/twitter-mudanca-climatica-e-revolucao-na-midia/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>É o público, não é a mídia</title>
		<link>http://www.ecopolitica.com.br/2009/10/23/e-o-publico-nao-e-a-midia/</link>
		<comments>http://www.ecopolitica.com.br/2009/10/23/e-o-publico-nao-e-a-midia/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 23 Oct 2009 21:43:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[blog]]></category>
		<category><![CDATA[futuro]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[meme]]></category>
		<category><![CDATA[notícia]]></category>
		<category><![CDATA[novas mídias]]></category>
		<category><![CDATA[Twitter]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.ecopolitica.com.br/?p=399</guid>
		<description><![CDATA[
			
				
			
		
A transformação que vivemos vai muito além da mudança tecnológica. É uma mudança de paradigma.
Sérgio Abranches
A audiência mudou. Antes ela era uma população de leitores, na sua maioria passivos. Agora é uma comunidade de consumidores de informação, e eles gostam dela formatada de acordo com suas preferências e interesses individuais. Uma grande parte lê, agrega [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="tweetmeme_button" style="float: right; margin-left: 10px;">
			<a href="http://api.tweetmeme.com/share?url=http%3A%2F%2Fwww.ecopolitica.com.br%2F2009%2F10%2F23%2Fe-o-publico-nao-e-a-midia%2F"><br />
				<img src="http://api.tweetmeme.com/imagebutton.gif?url=http%3A%2F%2Fwww.ecopolitica.com.br%2F2009%2F10%2F23%2Fe-o-publico-nao-e-a-midia%2F&amp;source=abranches&amp;style=normal&amp;service=bit.ly&amp;hashtags=blog,futuro,jornalismo,meme,not%C3%ADcia,novas+m%C3%ADdias,Twitter&amp;b=2" height="61" width="50" /><br />
			</a>
		</div>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A transformação que vivemos vai muito além da mudança tecnológica. É uma mudança de paradigma.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Sérgio Abranches<span id="more-399"></span></span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A audiência mudou. Antes ela era uma população de leitores, na sua maioria passivos. Agora é uma comunidade de consumidores de informação, e eles gostam dela formatada de acordo com suas preferências e interesses individuais. Uma grande parte lê, agrega e adiciona informação por conta própria. Nosso mundo mudou.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Esse novo tratamento da informação que se pode obter de múltiplas fontes, por meio de uma multiplicidade de mídias, afeta até mesmo a frequência de comentários em blogs e sites de notícias. As pessoas repetem, reagem, refraseiam, revisam e refazem mensagens no Twitter, no Facebook, em outras mídias sociais mais frequentemente que na janela para comentários.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Talvez seja a hora de inverter a famosa frase de McLuhan, “a mídia é a mensagem.” Hoje, a mensagem está formatando a mídia. A mensagem é a mídia.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O Twitter é o melhor exemplo: no começo era para ser apenas um SMS diferente. Uma mídia para transmitir mensagens simples, pessoais ou sobre a vida social das pessoas, em 140 caracteres. Os usuários o transformaram em poderoso recurso de rede social, um transmissor de notícias e idéias. A conversação em curso sobre o futuro da imprensa é um caso exemplar disso. Mas o Twitter cobre praticamente qualquer área de possível interesse do público, com um misto de notícias, memes, opiniões e pesquisa, tudo isso em140 caracteres mais <a href="http://www.buzzmachine.com/2009/08/14/on-the-link-economy/"><span style="text-decoration: underline;">LINKS</span></a> mais RT &#8211; retuítes mais @ &#8211; respostas.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Essa fórmula foi inventada por usuários ativos, explorando as possibilidades e limites da mídia para difundir a mensagem. Eles inventaram os RTs e reinventaram as @ &#8211; respostas. A diferença crucial que tornou tudo isso possível? Ele é aberto à experimentação, altamente flexível nos seus limites. A mensagem é aberta ao público. Não se dirige a qualquer um em particular. Ninguém precisa pedir permissão para ouvir qualquer um. Todo mundo pode ir à lista pública e ouvir o que qualquer outra pessoa tenha a dizer.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Se alguém gosta do que alguma pessoa está falando passa a seguí-la. Se ela tem algo a dizer sobre o assunto, dá uma @ &#8211; resposta. Se acha que a pessoa está dizendo algo que tem valor em si e deseja se associar ao que foi dito ou espalhar a idéia, faz um <a href="http://www.danah.org/papers/TweetTweetRetweet.pdf"><span style="text-decoration: underline;">RT</span></a>. Tudo diz respeito a formatar a mídia ativamente e a conexões sociais voluntárias e totalmente livres.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O jornalismo era um ecossistema constituído por repórteres e leitores. Esse ecossistema está mudando dramaticamente. O jornalismo está inserido em uma comunidade na qual a definição do que é um autor está sendo tão ampliada a ponto de perder o foco. Há poucos leitores puros nela, no sentido de pessoas que apenas lêem e guardam o que pensam sobre o que leram para si mesmas e um punhado de amigos ou familiares. Mesmo aquelas pessoas que ainda hoje só compartilham seus pensamentos com um pequenino círculo de amigos, esse compartilhamento agora frequentemente se dá online, por meio de uma rede social.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Isso é menos importante que o fato de que um dos lados desse ecossistema mudou totalmente. Ele se tornou uma comunidade conectada por links definidos por preferências auto-definidas sobre informação, conhecimento, entretenimento. Uma comunidade onde o desempenho de papéis mudou radicalmente.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Romancistas se tornaram tuiteiros e estão compartilhando suas preferências pessoais, algumas delas muito reveladoras de suas motivações literárias. @</span><span style="letter-spacing: 0px; text-decoration: underline;">GreatDismal</span><span style="letter-spacing: 0.0px;"> (o ciberescritor William Gibson) mostra sua fascinação por Tóquio, dá sua visão sobre atemporalidade, <span style="letter-spacing: 0.0px;">obtém inteligência para seu próximo livro, revela suas inclinações estéticas. @</span><span style="letter-spacing: 0px; text-decoration: underline;">MargaretAtwood</span><span style="letter-spacing: 0.0px;">, em plena promoção de seu novo livro, The “Year of the Flood”, fala de suas viagens e palestras, faz twitter social, se aproxima de seus leitores. Na Twitteresfera são parte da comunidade aberta e têm o mesmo “status social” que seus fãs e leitores. Alguns, inclusive, têm mais seguidores que eles.</span></span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Jornalistas falam sobre suas ansiedades sobre o futuro do jornalismo, fazem crítica de jornalismo, obtêm informação, reportam, respondem e retuítam. O jornalista não é mais o repórter solitário, narrando sua matéria a uma audiência anônima somente alcançável por meio do papel impresso. Fala a um público vivo, que pode alcançá-lo, reagir em tempo real, tão real quanto é o tempo com que é alcançado pela notícia. Ele pode inclusive tuitar um evento, dando um furo de reportagem mais rapidamente que a própria imprensa. Acaba de acontecer com o terremoto na Indonésia.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Os papéis estão mudando não por causa da mídia, mas porque a audiência, o público, está mudando. Além disso, jornalistas profissionais da grande imprensa não <a href="http://blog.lib.umn.edu/blogosphere/weblog_journalism_pf.html"><span style="text-decoration: underline;">são os únicos</span></a> a desempenhar o papel de produzir notícias. Isso é uma complicação, porque grande parte da informação circulando na Webesfera não foi adequadamente apurada. Ao mesmo tempo, contudo matérias do tipo “ele disse, ela disse” estão se espalhando pela imprensa profissional como praga, ao custo do valor e da credibilidade do jornalismo. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Muitos ainda estão prisioneiros da idéia equivocada de que a Webesfera é o terreno de mega audiências. Pode não ser. Visitantes únicos e visitas podem ser pura ilusão numérica. “</span><span style="letter-spacing: 0.0px color;">Milhões de visitantes </span><span style="letter-spacing: 0.0px;">únicos significam pouco se o tempo de permanência dos visitantes (ou seja, a duração da sessão) for menos que um minuto sem que haja uma visita de retorno. É como um milhão de pessoas passarem pelo McDonald’s mas nunca de fato entrarem na lanchonete,” diz <a href="http://patriciahandschiegel.tumblr.com/post/146101595/audience-vs-traffic"><span style="text-decoration: underline;">Patricia Handschiegel</span></a>. “Visitas”, ela argumenta, “podem ser (e muitas de fato são) manipuladas para criar a aparência de número maior de visitas.”</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Então, aqueles que compreendem que a audiência não está nos números de tráfego, devem olhar o quê? A resposta dela é que “tráfego não significa que haja uma audiência. Ao fim e ao cabo, a audiência estará aonde houver valor. Gabar-se de números gigantes de visitas e visitantes únicos significa muito pouco se eles não estão aderindo ao site, ou retornando a ele”. Eles devem gerar o <a href="http://www.poynter.org/column.asp?id=31&amp;aid=167408"><span style="text-decoration: underline;">valor que as pessoas</span></a> estão buscando quando folheiam um jornal, navegam pela Blogoesfera, ou pesquisam o Twitter.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Como argumenta <a href="http://journalism.nyu.edu/pubzone/weblogs/pressthink/2009/01/12/atomization_p.html"><span style="text-decoration: underline;">Jay Rosen</span></a>, “na era da comunicação de massas a imprensa podia definir a esfera do debate legítimo com relativa facilidade porque as pessoas no lado receptor estavam atomizadas &#8211; ou seja, conectadas com a Grande Mídia no topo, mas não umas com as outras. Hoje, um dos maiores fatores a mudar nosso mundo é a queda do custo de pessoas que têm a mesma visão para localizar umas às outras, trocar informação, impressões e se dar conta de seu número. Das primeiras coisas que eles podem fazer é determinar que a “esfera do debate legítimo” tal como definida pelos jornalistas não corresponde à definição delas”.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A <a href="http://www.pbs.org/idealab/2009/07/the-people-formerly-known-as-the-audience-need-a-new-name202.html"><span style="text-decoration: underline;">audiência</span></a> agora é uma comunidade, uma comunidade volátil que pode seguir, “unfollow”, bloquear, escolher e deletar RSS feeds. Vai muito além de comprar ou não comprar um jornal, pagar ou não por conteúdo, <a href="http://www.ojr.org/ojr/people/davidwestphal/200910/1784/"><span style="text-decoration: underline;">mídia velha vs midia nova</span></a>. Notícia e informação com mais-valor continuam a existir e para produzí-las há regras de ouro que só podem ser violadas à custa da credibilidade. A demanda por notícia está crescendo, não caindo. Este é o melhor momento que já houve para ser um repórter no campo.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Podemos estar apenas caminhando na entrada de um novo mundo, que pode vir a ser a era mais literária de todas, como disse, de outros tempos, o escritor russo Dostoevsky. <a href="http://www.utoronto.ca/tsq/DS/03/026.shtml"><span style="text-decoration: underline;">Ele escreveu</span></a>: “Estamos tão divididos; temos sede de convicções morais e de rumos. . . Nós podemos até ver que precisamos fazer muito ainda nesse sentido. Por isso eu penso que o momento presente é o mais literário possível”.</span></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.ecopolitica.com.br/2009/10/23/e-o-publico-nao-e-a-midia/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>

