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	<title>Ecopolitica &#187; singularidade</title>
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	<description>Política Mudança Climática Século XXI</description>
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		<title>E se estivermos vivendo o limiar de mudanças e rupturas que nos levarão a um plano desconhecido?</title>
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		<pubDate>Mon, 10 Aug 2009 16:51:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[cenários]]></category>
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Sérgio Abranches

E se estivermos vivendo, hoje, no limiar de tremendas mudanças e rupturas que levarão a humanidade a evoluir mais rapidamente do que jamais se imaginou até agora, ao longo do século XXI? E se tivermos diante de nós um ponto de ruptura na história da humanidade?
 
O matemático e autor de ficção científica, Vernor [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="tweetmeme_button" style="float: right; margin-left: 10px;">
			<a href="http://api.tweetmeme.com/share?url=http%3A%2F%2Fwww.ecopolitica.com.br%2F2009%2F08%2F10%2Fe-se-estivermos-vivendo-o-limiar-de-mudancas-e-rupturas-que-nos-levarao-a-um-plano-desconhecido%2F"><br />
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			</a>
		</div>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Sérgio Abranches</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"><span id="more-137"></span></span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">E se estivermos vivendo, hoje, no limiar de tremendas mudanças e rupturas que levarão a humanidade a evoluir mais rapidamente do que jamais se imaginou até agora, ao longo do século XXI? E se tivermos diante de nós um ponto de ruptura na história da humanidade?</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O matemático e autor de ficção científica, Vernor Vinge, escreveu, em 1993, que a aceleração do progresso tecnológico nos trouxe “ao limiar de mudanças comparáveis à ascensão da vida humana na terra”. Vinge, um dos primeiros a imaginar o ciberespaço, escreveu em um <a href="http://www-rohan.sdsu.edu/faculty/vinge/misc/WER2.html"><span style="text-decoration: underline; letter-spacing: 0.0px color;">ensaio</span></a> para a NASA em 93, posteriormente publicado na <a href="http://www.wholeearth.com/issue-electronic-edition.php?iss=2078"><span style="text-decoration: underline; letter-spacing: 0.0px color;"><em>Whole Earth </em>Review</span></a>, que a causa dessa mudança avassaladora seria a “criação iminente pela tecnologia de entidades com inteligência superior à humana”. Ele chamou esse ponto de ruptura com o padrão tecnológico vigente de <a href="http://www.kurzweilai.net/meme/frame.html?main=/articles/art0133.html"><span style="text-decoration: underline; letter-spacing: 0.0px color;">singularidade</span></a>.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Singularidade em física ou astronomia, é o ponto em que as leis da física, tais como as conhecemos, deixam de funcionar. A maior singularidade física, me conta o meu amigo Ulisses Leitão, físico da pesada, é o momento inicial do Big Bang: “a densidade seria tão grande (tendendo a infinito&#8230;) que a física atual não conseguiria descrever seu comportamento físico. Seria preciso, diz ele, “ter uma teoria que fundisse  todas as forças fundamentais da natureza: Eletromagnética, Nuclear Fraca e Forte e Gravitação; que englobasse a Física Quântica (pequenas dimensões), Relativística (altas energias), a Gravitação Universal (grandes distâncias)”. Essa teoria “ainda não existe, há mais de 60 anos que a estamos buscando”, diz Ulisses. Se a busca é possível, no longo prazo, a teoria é possível. Esse é meu o ponto. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Vinge imagina que a singularidade “social” será um marco a partir do qual mudanças imprevisíveis ocorrerão, como explicou John Hind, em um artigo de 2002, para o jornal inglês <a href="http://www.guardian.co.uk/books/2002/dec/29/sciencefictionfantasyandhorror.features"><span style="text-decoration: underline; letter-spacing: 0.0px color;">Guardian</span></a>. Na sua apresentação original da singularidade, Vernor Vinge disse que quando “uma inteligência maior que a humana comandar o progresso, esse progresso será muito mais rápido”. Ele vai ainda mais longe: “Não há razão para que o próprio progresso não possa envolver a criação de entidades ainda mais inteligentes, em uma escala de tempo ainda mais curta”. Essa é das formas mais criativas possíveis de se pensar sobre o futuro.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="text-decoration: underline; letter-spacing: 0.0px color;"><a href="http://www.ecopolitica.com.br/2009/07/31/alongar-a-visao-e-essencial-para-encarar-os-desafios-do-seculo-xxi/">Vislumbrar</a></span><span style="letter-spacing: 0.0px;"> surpresas inevitáveis</span><span style="font: 9.0px Blackoak Std; letter-spacing: 0.0px;"> </span><span style="letter-spacing: 0.0px;">que podemos prever sem jamais saber previamente quais serão suas consequências para nós, como <a href="http://www.longnow.org/people/board/schwartz.php"><span style="text-decoration: underline; letter-spacing: 0.0px color;">Peter Schwartz</span></a> propõe em seu livro de 2003, <strong>Inevitable Surprises: Thinking Ahead in a Time of Turbulence</strong>, é uma outra forma de pensamento criativo. São dois princípios diferentes e válidos de se escrever uma “história” para o futuro, ousadamente visionária e tecnicamente consistente.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Surpresas inevitáveis que podemos antecipar, como na hipótese de Peter Schwartz, não contradizem a possibilidade de que mergulhemos na singularidade, em um turbilhão de mudanças vertiginosas. Um nos fala de mudanças que podemos antecipar, ou prever, mas cujas consequências não podemos conhecer previamente. O outro, trata de um ponto de ruptura a partir do qual a mudança se acelera para além da imaginação e produz um salto quântico na forma da existência humana que conhecemos até agora.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A diferença é que uma forma de pensar aponta para a possibilidade de anteciparmos as mudanças que podem criar os meios para a emergência da singularidade. A outra nos convida a tentar imaginar as consequências mais amplas desses eventos. A olhar para aquele ponto distante, nos diz, Vinge, “a partir do qual nossos velhos modelos têm que ser descartados e domina uma nova realidade”. Do ponto de vista humano essa mudança significará “abandonar todas as regras anteriores, talvez em um piscar de olhos, uma disparada exponencial para além de qualquer controle”. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Dá para imaginar toda a controvérsia que essa idéia provocou nos meios acadêmicos e intelectuais há mais de 15 anos? A reação à idéia de uma inteligência supra-humana produzida pela ciência humana foi generalizada. Os seguidores também se multiplicaram. O cientista social <a href="http://hanson.gmu.edu/vc.html"><span style="text-decoration: underline; letter-spacing: 0.0px color;">Robin Hanson</span></a> colecionou vários comentários à singularidade de Vinge, no auge da polêmica. Um deles tem implicação direta para toda essa questão do olhar para o futuro: nada é certo, nós estamos sempre lidando com hipóteses. Nick Bostrom, diretor do <a href="http://www.fhi.ox.ac.uk/"><span style="text-decoration: underline; letter-spacing: 0.0px color;">Future of Humanity Institute</span></a> disse que ele não via “a singularidade como uma certeza, apenas um dos cenários mais prováveis”.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Bom, a idéia vem gerando controvérsia, debates e reflexões há 23 anos, desde que Vinge a usou, de forma ficcional e ainda meio difusa, pela primeira vez, no romance de ficção científica chamado <strong>Marooned in Real Time</strong>. Na estória, uma das personagens diz, em um determinado momento: “Foi uma Singularidade, um ponto em que a extrapolação se rompe e novos modelos têm que ser aplicados. E esses novos modelos estão além de nossa inteligência”. É um ponto de ruptura, uma mudança paradigmática, que está além dos conceitos a que estamos acostumados. Mais ou menos como a passagem da Idade Média para o Iluminismo.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A controvérsia é fácil de entender. Estamos falando de duas inquietantes ordens de desconhecidos e é fácil de se lidar com nenhuma das duas. O futuro é uma idéia interessante até o ponto em que nos encontramos com nossa inelutável finitude. Nós temos que nos acomodar à idéia de olharmos para além de nós mesmos e dos que amamos. A singularidade radicaliza essa visão. Ela aponta para além do domínio humano sobre o universo. Nada confortável. Ray Kurzweil e vários outros levaram essa idéia ainda mais longe para o terreno do <a href="http://www.kurzweilai.net/meme/frame.html?main=/articles/art0408.html"><span style="text-decoration: underline; letter-spacing: 0.0px color;">trans-humanismo</span></a>. Vai além da minha visão, ou para outra direção.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Stewart Brand diz algo em seu livro <strong>The Clock of the Long Now</strong>, que vale relembrar neste ponto: o tempo é assimétrico para nós. Podemos ver o passado &#8211; e continuamos a debater nosso passado, eu adicionaria &#8211; mas não podemos mudá-lo. Não podemos ver o futuro, mas podemos influenciá-lo. Ele não quer dizer com isto que podemos controlar o desenrolar de eventos futuros. Não se trata de controlar o futuro, mas de lhe dar, isto é, às futuras gerações, os meios para seu bem viver.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Não é precisamente isso que estamos tentando fazer com a mudança climática? Nós sabemos, ou a maioria de nós sabe, que não podemos controlar as leis da natureza. Não há muito que possamos fazer a respeito do volume de gases de efeito estufa que já emitimos até agora e com o aquecimento global que já compramos com nossas emissões de carbono, pelo menos com os meios que temos hoje. Mas podemos desenvolver instrumentos pra adaptar nossas sociedades a esses eventos muito prováveis e os meios de governança necessários para reduzir emissões futuras e evitar os piores cenários.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Nenhum desses desafios tem a ver com certezas, conhecimento para além de qualquer dúvida. As certezas sempre caem no terreno da nossa finitude. Esses desafios dizem respeito a incertezas, a riscos, chances nas quais não deveríamos apostar. Nesse caso, podemos estimar probabilidades e fazer especulações educadas sobre prováveis consequências.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Para fazer isso temos que olhar para o futuro. E olhar o futuro com arte, criatividade, imaginação e ousadia ajuda um bocado.  É o ponto extraordinário onde ciência e arte se dão as mãos verdadeiramente. Pior que revelar coisas boas ou más que o futuro guarda para nós e nossos ascendentes, seria tornar nossas visões desse futuro óbvias e opacas.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Eu prefiro, no que diz respeito à mudança climática, ser alertado de riscos maiores do que provavelmente ocorrerá, a ser informado de riscos que estão aquém dos eventos mais prováveis. Quanto à história futura desse século: prefiro imaginar que a humanidade conseguirá superar suas fraquezas, crueldade e insensibilidade. Aprenderá a ter solidariedade com os que lhe são diferentes. Irá domesticar a propensão dos poderosos à opressão e dos ricos a acumular mais riqueza do que podem administrar. A imaginar que será tudo igual em 2100.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Há uma ruptura histórica no horizonte de nosso futuro. Pode nada ter com a singularidade de Vinge. Só podemos estar certos de uma coisa: a mudança será avassaladora e nossos modelos terão que ser descartados. Uma nova realidade reinará.</span></p>
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		<title>Alongar a visão é essencial para encarar os desafios do Século XXI</title>
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		<pubDate>Fri, 31 Jul 2009 19:41:11 +0000</pubDate>
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Sérgio Abranches
Pensar sobre o futuro nada tem de fácil. É parecido com os jogos de estratégia e RPG (JEP &#8211; jogos de encenação de papéis) nos quais se avança por um labirinto de obstáculos e ciladas para atingir estágios sempre mais avançados e difíceis, até alcançar o objetivo final.

Ao alongar o olhar para além de [...]]]></description>
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			</a>
		</div>
<address><span style="letter-spacing: 0.0px;">Sérgio Abranches</span></address>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Pensar sobre o futuro nada tem de fácil. É parecido com os jogos de estratégia e RPG (JEP &#8211; jogos de encenação de papéis) nos quais se avança por um labirinto de obstáculos e ciladas para atingir estágios sempre mais avançados e difíceis, até alcançar o objetivo final.</span></p>
<div><span style="font-family: Helvetica, 'Times New Roman', 'Bitstream Charter', Times, fantasy; font-size: small;"><span style="line-height: normal;"><span id="more-81"></span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Ao alongar o olhar para além de nosso tempo presente, o desafio é imaginar futuros alternativos plausíveis e diferentes. É um exercício que busca atingir níveis crescentes de abstração e afastamento da experiência presente, para chegar a hipóteses concretas sobre um novo estado do mundo.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Pode-se fazer isso tanto usando métodos quantitativos, quanto por meio de métodos qualitativos de redação de cenários, ou histórias futuras. Os métodos quantitativos são ainda muito lineares para o meu gosto. Prefiro usar técnicas mais qualitativas de redação de cenários, que podem ser tão efetivas como as curvas de uma simulação.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">De qualquer forma, interpretar os resultados de um modelo de simulação &#8211; no caso eu prefiro as análises de sistemas, como o <a href="http://www.powersim.com/"><span style="text-decoration: underline; letter-spacing: 0.0px color;">Studio 8</span></a> (Powersim), para PCs, <a href="http://www.iseesystems.com/softwares/Education/StellaSoftware.aspx"><span style="text-decoration: underline; letter-spacing: 0.0px color;">Stella</span></a> ou <a href="http://www.iseesystems.com/softwares/Business/IthinkSoftware.aspx"><span style="text-decoration: underline; letter-spacing: 0.0px color;">iThink</span></a>, para Macintosh (meu caso) &#8211; ou retirar intuições de um cenário, é um quebra-cabeças. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Pensar o futuro requer uma esquisita mistura de audácia e disciplina. Audácia para ousar ser radicalmente criativo e se sentir inteiramente livre para usar toda a inteligência, informação e conhecimento disponíveis para refletir sobre futuros alternativos. Disciplina para não deixar o passado contaminar essas visões de futuro. Tanto o passado como o presente devem ser usados com sabedoria e cuidado para dar forma ao contexto das estórias futuras, mas não podem dominá-las. O maior perigo está na tentação do pensamento linear, que projeta para o futuro, imutáveis, nossas experiências presentes e nosso viés, o que <a href="http://www.kurzweilai.net/meme/frame.html?main=/articles/art0134.html"><span style="text-decoration: underline; letter-spacing: 0.0px color;">Ray Kurzweil</span></a> chama “visão intuitiva linear”, à qual ele opõe a “visão histórica exponencial”.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Vamos ser claros: o presente escreve linearmente um futuro que é apenas mais do mesmo do que já vivemos. Sem surpresas, sem mudanças, sem sobressaltos. Em outras palavras, um cenário irrealista, que muito provavelmente jamais se materializará. Já existem forças emergentes, muitas ainda latentes, que com toda probabilidade mudarão o curso da história futura para longe desse cenário de “mais do mesmo”, um futuro que não será. As contradições derivadas do esforço de manter o status quo geram um ambiente turbulento, cíclico e volátil, no qual essas forças tendem a se revelar e ganhar força. Ao mesmo tempo, o ambiente vai se tornando hostil às forças poentes que sustentam a ordem presente de coisas.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Prefiro um cenário surreal, à mesmice de achar que daqui a 30 anos seremos uma projeção linear ampliada do que somos hoje. Já pensou que pesadelo? Um brasilzão como o de hoje, grandão, mais rico, mas no fundo igualzinho? Isso em 2039? Ou seja, um futuro pelo qual não devemos gastar nossas energias, porque não é plausível. Certamente haverá mudanças. As surpresas serão a norma. O mundo &#8211; o Brasil também &#8211; será muito diferente do que é hoje daqui a 30 anos, como hoje somos muito diferentes do que éramos há 30 anos.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Dê uma olhada à sua volta, nas coisas que você usa, e pense em 1979. Nada do que hoje é parte do seu cotidiano pessoal e profissional, em termos de tecnologia, conhecimento, política, economia, sociedade, existia em 1979. Certamente, uma boa parte dos que me lêem, nem havia nascido. Quer mudança mais radical do que entre ser e não ser? Pensem em todas as diferenças &#8211; positivas e negativas &#8211; entre ter 20 ou 50 anos de idade.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Além disso, nesse mundo de aquecimento global e mudança climática, mais do mesmo é menos provável do que uma estória feliz de uma sociedade de baixo carbono, ou um cenário de horror no qual o mundo escolheu se fritar e chegar ao fim de sua história. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O perigoso hábito de projetar o presente no futuro não se confunde com o reconhecimento da força política, social e cultural do status quo. Nós construímos um mundo não para mudar, mas para expandir sobre o que já temos. Nossas instituições foram desenhadas para evitar que mudemos, que nos tornemos radicalmente diferentes do que somos. Estão ajustadas apenas para que nos tornemos mais eficientes, construindo sobre o que já fazemos. Como dizem os franceses com sabedoria, a regra embutida nas instituições é: “plus ça change, plus c’est la même chose”. Por mais que mude, mais continua sendo a mesma coisa. Mas no longo prazo, contudo, o mundo muda, não interessa que forças operam para evitar que mude.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Há outra ameaça para quem queira pensar sobre o futuro: visão curta. Essa sociedade frenética em que vivemos, com sobrecarga de notícias, informação, descobertas científicas, novos produtos, e tudo o mais, nos empurra para um ritmo cada vez mais acelerado no nosso cotidiano. Amanhã vai ser um outro dia, muito parecido com ontem, e isso deve ser verdade sobre o futuro. Mas o futuro não será como ontem, hoje, ou amanhã. Vai ser algo muito diferente. O futuro está em outro plano de tempo em relação aos eventos diários que experimentamos, embora vá ser construído pela complexa interação de muitos deles, no âmbito macrosocial. Olhe para trás 30 anos, o mundo era tão diferente do de hoje. São tantas as coisas que temos, fazemos, usamos, com as quais nem sonhávamos a poucos anos atrás. A única coisa da qual podemos ter certeza é que haverá mudança, a vida encontrará um caminho, muito provavelmente sem precedentes e imprevisto pela maioria.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Um grupo de pessoas voltadas para a análise do futuro se preocupava tanto com essa síndrome da visão curta, que criou uma fundação dedicada a promover o pensamento de longo prazo. Eu diria muito longo prazo, porque a visão da <a href="http://www.longnow.org/"><span style="text-decoration: underline; letter-spacing: 0.0px color;">Long Now Foundation</span></a> (Fundação do Longo Agora ou do Longo Presente) “é promover criativamente responsabilidade no contexto dos próximos 10.000 anos”, apresentando como contraponto à mentalidade que valoriza o rápido e ruim, a mentalidade que valoriza a reflexão e a qualidade. Entre os fundadores da “Longo Presente” estão dois conhecidos autores e consultores profissionais de planejamento com cenários, <a href="http://www.longnow.org/people/board/brand.php"><span style="text-decoration: underline; letter-spacing: 0.0px color;">Stewart Brand</span></a> e <a href="http://www.longnow.org/people/board/schwartz.php"><span style="text-decoration: underline; letter-spacing: 0.0px color;">Peter Schwartz</span></a>. Não é uma fundação de “alternativos”. Eles têm patrocinado alguns dos mais criativos seminários que eu tenho visto por aí. Só para dar o gostinho da coisa, um dos mais recentes foi sobre “Cultivado Organicamente e Modificado Geneticamente”, com Pamela Ronald, chefe de genética vegetal da Universidade da Califórnia, em Davis, e Raoul Adamchak, professor de cultivo orgânico na mesma universidade. Os dois são casados.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Para alongar a visão, não é preciso tentar enxergar daqui a 10.000 anos, basta nos abrirmos para as novidades que estão pipocando todo dia e tentar intuir as que virão em seguida. Pode parecer meio lugar-comum, mas o futuro é realmente cheio de surpresas, boas e más, e, na maior parte das vezes, surpresas inevitáveis. Peter Schwartz escreveu em seu livro de 2003, <strong>Inevitable Surprises: Thinking Ahead in a Time of Turbulence</strong>, que a “surpresa é a regra”, particularmente depois que as revoluções científicas e tecnológicas aumentaram tremendamente a complexidade e a turbulência de nossas vidas. Ele prevê que haverá mais surpresas, seremos capazes de lidar com elas, e percebermos muitas delas com antecedência. Não podemos saber com antecedência quais serão suas consequências ou como elas nos afetarão, mas sabemos que teremos muitas surpresas pela frente, como colapsos econômicos, por exemplo. Lembrem-se que o livro é de 2003.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Mudanças tecnológicas de longo alcance aceleraram nosso biorritmo e aumentaram exponencialmente nosso poder de manipular os nossos ambientes natural e construído. Nós estamos vivendo agora os primeiros momentos de uma nova revolução científica, que promoverá a convergência de áreas da ciência e da tecnologia que avançaram muito e já estão produzindo ativamente novos conhecimentos e novas aplicações. Mas, quando estiverem em plena e integrada interação, produzirão resultados muito mais amplos do que a simples soma das partes. Uma dessas vertentes caminha para a fusão da tecnologia digital, da nanotecnologia, da biotecnologia, das biociências e da neurociência que pode nos levar a uma nova tecno-era, cheia de assombro, potencial e risco.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A amplitude das mudanças que vêm por aí pode ser tanta que talvez não consigamos mais perceber as surpresas inevitáveis com antecedência, nem construir boas hipóteses sobre “como a maioria delas vai se desenrolar”, como disse Peter Schwartz. Podemos estar entrando em uma dimensão superior, desconhecida e ainda inconcebível do futuro.</span></p>
<p></span></span></div>
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