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	<title>Ecopolitica &#187; #Sarney</title>
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	<description>Política Mudança Climática Século XXI</description>
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		<title>O Brasil se prepara para a mais competitiva eleição geral em 15 anos</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Oct 2009 22:52:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O troca-troca de partidos, as novas filiações e a identificação das lideranças que atraem novos filiados indicam fragmentação e competição em 2010.
Sérgio Abranches
Chegando perto da data limite estabelecida pela legislação eleitoral para troca de legenda ou filiação original, para garantir a elegibilidade em 2010, está havendo verdadeiro corre-corre. Já dá para perceber quem está ganhando [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O troca-troca de partidos, as novas filiações e a identificação das lideranças que atraem novos filiados indicam fragmentação e competição em 2010.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Sérgio Abranches<span id="more-306"></span></span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Chegando perto da <a href="http://www.ecopolitica.com.br/2009/09/21/eleicao-de-2010-comeca-oficialmente-no-dia-3-de-outubro/"><span style="text-decoration: underline;">data limite</span></a> estabelecida pela legislação eleitoral para troca de legenda ou filiação original, para garantir a elegibilidade em 2010, está havendo verdadeiro corre-corre. Já dá para perceber quem está ganhando e quem está perdendo. Mas o mais importante é ver que o movimento dos políticos não está concentrado em um ou outro partido, mas mais aberto. Isso é sinal de eleição fragmentada e não polarizada. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles anninciou, sua <a href="http://www.ecopolitica.com.br/2009/10/01/meirelles-no-pmdb-de-goias/"><span style="text-decoration: underline;">filiação ao PMDB</span></a>. Mas o PMDB está saindo em desvantagem do troca-troca de última hora. Perdeu mais que ganhou e o único nome realmente de peso que atraiu foi o de Meirelles.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O chanceler Celso Amorim, um dos autores da desastrada operação de refúgio de Manuel Zelaya na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, anunciou sua filiação ao PT.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Mas o PT, também sai em desvantagem do troca-troca. Perdeu lideranças e nomes de grande representatividade de sua galeria de políticos mais comprometidos com a ética, como Marina Silva, agora no PV, e Flávio Arns, que retorna ao PSDB. Ambos saíram fortemente prejudicados da operação de blindagem ao senador José Sarney. Mas, sem dúvida, o maior <a href="http://www.ecopolitica.com.br/2009/08/20/a-democracia-gotica-brasileira-um-espetaculo-surreal/"><span style="text-decoration: underline;">ônus dessa operação</span></a> de proteção ao clã de Sarney, diretamente conduzida pelo presidente Lula, recai sobre o PT. Afinal, o PMDB tem vários grupos regionais em seu condomínio com o mesmo padrão comportamento dos Sarney. Como dizia Márcio Moreira Alves, é um partido com um padrão moral bastante homogêneo. As exceções não conseguem alterar a média, a moda ou a mediana do partido nesse plano.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Lula joga tudo para ter o PMDB na coligação de Dilma Roussef. Vai cometer o erro que José Serra cometeu em 2002: confiar na <a href="http://www.ecopolitica.com.br/2009/09/28/pmdb-nao-se-unira-em-torno-de-candidatura-alguma-lula-paga-preco-alto-demais/"><span style="text-decoration: underline;">improvável lealdade eleitoral</span></a> do partido. Várias lideranças do partido já estão fechadas com José Serra (PSDB-SP), por exemplo.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">As filiações mais notáveis fora obtidas pelo PV.Notáveis porque já mostram a marca da liderança da senadora Marina Silva no partido. É o “<a href="http://www.ecopolitica.com.br/2009/08/10/o-fator-marina-influi-nas-candidaturas-do-pt-e-do-psdb/"><span style="text-decoration: underline;">fator Marina</span></a>” em operação. As adesões da última quarta-feira, 29.09, não foram ao PV, mas à candidatura de Marina Silva à presidência. Assinaram a ficha do partido para ficar ao lado de Marina, figuras expressivas como, entre várias outras, o empresário Guilherme Leal, co-presidente do conselho de administração da Natura; Ricardo Young, presidente do Instituto Ethos; o diretor executivo da Klabin e presidente da SOS Mata Atlântica, Roberto Klabin; o presidente do maior moinho de papel artístico artesanal da América Latina, o Moinho Brasil; Fernando Garnero, da Brasilinvest.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Guilherme Leal tem sido falado para vice-presidente na chapa de Marina Silva, operando como uma espécie de aval empresarial de sua candidatura. Talvez ela precise mais de <a href="http://www.ecopolitica.com.br/2009/08/17/marina-silva-candidata-e-coisa-para-se-levar-a-serio/"><span style="text-decoration: underline;">suporte político-eleitoral</span></a>, para ampliar sua penetração em determinadas áreas do país e fazer alianças que lhe dêem mais tempo de televisão, do que se aval empresarial.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Afinal, a presença de Marina Silva e desses aliados peso-pesados do setor empresarial, já representam uma mudança significativa na conformação programática do PV.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"><br />
</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Como diz o politólogo inglês Anthony Giddens em seu novo livro, “<a href="http://www.polity.co.uk/book.asp?ref=9780745646923"><span style="text-decoration: underline;">The Politics of Climate Change</span></a>”, o verde não é mais uma outra tonalidade para o vermelho. É fato que a maioria dos partidos verdes saíram do cinturão de “partidos vermelhos”, comunistas ou socialistas.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O caso mais conspícuo é o do Partido Verde Alemão, criado por ex-comunistas e socialistas desiludidos com o comunismo e insatisfeitos com as políticas conservadoras dos social-democratas. Mas, hoje, se diferenciaram significativamente das plataformas dos partidos socialistas e social-democratas, adotando uma agenda mais ampla e mais sistêmica da economia e da sociedade.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O recorte ideológico e programático dos verdes é diferente. Tem como eixo central dois desafios globais e interdependentes que marcam a trajetória futura do século XXI: o da mudança climática  e o da erradicação da miséria. Os verdes não são mais anti-capitalistas, embora sejam fortemente contra o consumismo. Querem novos padrões de produção e consumo, de baixo carbono, que são compatíveis com o modo de produção capitalista, digamos domesticado pela regulação. A idéia é mudar o capitalismo, não substituí-lo por superados modelos socialistas. Pode acabar dando na transição para outro modo de produção, talvez Marx dissesse isso, mas essa não é a teleologia dos novos verdes.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O presidente da FIESP, que é o baluarte do patriciado industrial de São Paulo, embora já tenha sido mais poderosa no passado, Paulo Skaf, filiou-se ao PSB. Ele não tem um traço sequer de socialismo, nem Ciro Gomes, que deve ser o candidato à Presidência, pelo partido. O partido é meio saco de gatos, como a maioria dos partidos brasileiros, mas está ganhando musculatura e tem o segundo colocado nas pesquisas presidenciais, no momento.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Esse troca-troca de legendas e essas novas filiações, todas de última hora, apontam para uma eleição muito competitiva e duramente disputada. Será um teste de stress para todos os candidatos. Pode ser a mais competitiva <a href="http://www.ecopolity.com/2009/09/21/brazil-may-be-heading-for-the-longest-presidential-campaign-of-its-recent-political-history/"><span style="text-decoration: underline;">eleição presidencial</span></a> dos últimos 15 anos. As eleições para a Câmara e o Senado devem ter a maior taxa de renovação das últimas quatro eleições. As eleições estaduais também devem ser muito competitivas. A democracia se nutre da incerteza, assim como das grandes surpresas eleitorais. Só com bola de cristal seria possível dizer se essas eleições surpreenderão na reta final. Mas são as que têm mais chance de surpresas em muito tempo.</span></p>
]]></content:encoded>
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		<title>PMDB não se unirá em torno de candidatura alguma. Lula paga preço alto demais.</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Sep 2009 18:02:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Os principais caciques do PMDB andam se desentendendo sobre a posição do partido nas presidenciais de 2010. O partido pode estar rumando para mais uma convenção de confronto. Se for assim, o partido sairá dela irremediavelmente dividido, qualquer seja a decisão da maioria na convenção.
Sérgio Abranches
Não há como unir o PMDB em torno de qualquer [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;">Os principais caciques do PMDB andam se desentendendo sobre a posição do partido nas presidenciais de 2010. O partido pode estar rumando para mais uma convenção de confronto. Se for assim, o partido sairá dela irremediavelmente dividido, qualquer seja a decisão da maioria na convenção.</p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;">Sérgio Abranches<span id="more-288"></span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Não há como unir o PMDB em torno de qualquer candidatura, Dilma Roussef, José Serra, ou candidato próprio. Serra perdeu para Lula, tendo o PMDB como aliado. Uma parte significativa das máquinas regionais trabalhou para Lula naquela eleição. O caso da candidatura de Ulysses Guimarães, em 89, foi paradigmático. Ele era a principal liderança do partido, exercia autoridade sobre suas bancadas, no entanto, boa parte dos caciques regionais apoiou Fernando Collor e uma parte menor, Mário Covas. Ambos tiveram mais votos que o Dr. Ulysses, como era conhecido.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O presidente Lula está investindo tudo que pode na aliança com o PMDB, de onde deseja retirar o vice da chapa de Dilma Roussef. A coligação teria algumas vantagens práticas para a candidatura presidencial. A principal seria aumentar o tempo de TV. Mas tempo demais no horário eleitoral gratuito não tem eficácia comprovada. Os dados de audiência mostram que o ganho marginal de cada minuto adicional, a partir de 10 minutos, é mínimo. Dependendo do programa, há perda na margem. Ou seja, programa chato e longo repele audiência.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A coligação terá custos altos para o PT e o PMDB. O maior deles é que ambos terão que ceder espaço na Câmara ao aliado. Perderá mais, o partido que, isoladamente, tiver condições de eleger maior número de deputados. Provavelmente, o PMDB. Mas ambos perdem. Nas eleições estaduais, onde os dois são rivais históricos e polarizados, as perdas serão mais visíveis. Qualquer sacrifício de candidatos a governador, deputado estadual e senador, será grande demais, sobretudo da perspectiva de muitos de seus caciques regionais. Principalmente, se a chapa presidencial não ganhar. Nesse caso, as perdas são totais.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">As divisões internas do PMDB são insolúveis. A análise de custo-benefício da coligação com o PT não é favorável para a solução da maioria dos conflitos entre as diversas alas de caciques que formam o condomínio do PMDB. Ainda mais porque não se trata de uma candidatura com sinais de favoritismo sobre as demais. Ao contrário.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O que sustenta a aposta dos setores lulistas do partido na aliança é a crença na capacidade do presidente Lula de transferir sua popularidade para a votação de Dilma Roussef. Crença sem qualquer fundamentação empírica ou histórica. Era diferente na disputa de Lula pelo segundo mandato com Geraldo Alckmin (PSDB-SP). Alckmin não era páreo para Lula. Ainda assim, o presidente só garantiu a reeleição no segundo turno.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Uma convenção peemedebista agora, como anunciada por Dilma Roussef, na qual o partido anunciaria o apoio a sua candidatura, nada garante. Pela legislação eleitoral, só as convenções no prazo legal. As convenções para decidir sobre coligações e candidaturas só estão autorizadas a partir de </span><span style="letter-spacing: 0.0px color;">10 de junho d</span><span style="letter-spacing: 0.0px;">o ano que vem. Portanto essa decisão teria que ser ratificada meses depois. Até lá, se Dilma não mostrar avanços significativos e sustentáveis nas pesquisas, mesmo os aliados mais próximos podem abandoná-la. É óbvio que se, acontecer o anúncio em outubro, como disse Dilma, não é para valer. É só uma manobra sem efeito concreto.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">As concessões que Lula faz ao PMDB suplantam largamente os benefícios possíveis de uma coligação com um aliado que será inevitavelmente infiel. Nem mesmo a adesão real do partido à coligação está garantida. O presidente está jogando no limite com o PMDB. Põe em risco a reputação, a moral do governo e do PT. A proteção, por exemplo, ao senador José Sarney (PMDB-AP) causou danos morais e políticos a vários parlamentares importantes do PT, que não tiveram independência suficiente para votar com sua consciência contra o caudilho maranhense e senador pelo Amapá. Pode ter consequências eleitorais adversas para muitos deles. O PT perdeu políticos, lideranças e militantes, por causa dessa atitude. Pode não valer a pena, no final.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Coligações e coalizões amplas demais são um vício da política brasileira. Geralmente, levam partidos bons &#8211; ou menos ruins &#8211; a se igualarem aos piores, que se tornam pivôs das maiorias parlamentares. Esses partidos-pivô, sem princípios e sem programas, que só pensam em negociar seus votos por benefícios, viram a garantia da governança. A qualidade da governança é da por esses partidos-pivô e não pelo cabeça da coalizão. O presidente e seu partido se tornam reféns deles. A escolha do aliado é que define a qualidade do governo que teremos, no caso de sua vitória.</span></p>
]]></content:encoded>
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		<title>A democracia gótica brasileira: um espetáculo surreal</title>
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		<pubDate>Thu, 20 Aug 2009 19:51:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Sérgio Abranches
A democracia brasileira entrou por um descaminho surreal. Virou uma democracia gótica, cheia de lobisomens, vampiros e zumbis agindo nas sombras de um sistema que desmorona eticamente.

Em uma coluna exemplar, hoje, na Time, o jornalista Joe Klein fala sobre as consequências danosas para a política, as políticas públicas e a vida real dos cidadãos, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Sérgio Abranches</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A democracia brasileira entrou por um descaminho surreal. Virou uma democracia gótica, cheia de lobisomens, vampiros e zumbis agindo nas sombras de um sistema que desmorona eticamente.</span></p>
<div><span style="font-family: Helvetica, 'Times New Roman', 'Bitstream Charter', Times, fantasy; font-size: medium;"><span style="line-height: normal;"><span id="more-208"></span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Em uma coluna exemplar, hoje, na Time, <a href="http://www.time.com/time/nation/article/0,8599,1917525-1,00.html"><span style="text-decoration: underline;">o jornalista Joe Klein</span></a> fala sobre as consequências danosas para a política, as políticas públicas e a vida real dos cidadãos, quando um dos partidos importantes no Congresso se torna uma casa de niilistas. É uma coluna com um ângulo humano tocante e uma perspectiva pessoal e local sobre um problema político universal.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Ao final, ele faz duas perguntas críticas, para a política e para o jornalismo. A primeira é, como assegurar a democracia quando um dos dois maiores partidos foi tomado por niilistas? A segunda: como é possível manter a ilusão da imparcialidade jornalística, quando esse partido se tornou obsoleto e medíocre?</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Jay Rosen, professor de jornalismo na New York University, recomenda a coluna de Klein, em seu Twitter, @jayrosen_nyu, dizendo que “quando a realidade é a questão que divide radicalmente os políticos, jornalistas precisam ter um lado”.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Essas duas perguntas transcritas para a conjuntura brasileira adquirem um tom trágico. Como apostar na democracia, quando todos os partidos relevantes foram assaltados por niilistas? Como manter a ilusão da imparcialidade jornalística se todos se tornaram obsoletos e medíocres?</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O episódio em que o PT foi tratorado pelo lulismo, associado ao que há de mais niilista no PMDB, destruindo a credibilidade de políticos que se fizeram na defesa de princípios e de uma utopia para o Brasil, é espantoso. O voto envergonhado de senadores petistas, em voz inaudível, para não ser captado pela TV Senado; o rosto escondido por trás de livros e processos, sem a coragem de levantar os olhos para a câmera e encarar os eleitores. As declarações patéticas do ministro José Múcio, naturalizando o desnaturado, justificando o injustificável. O deboche de um senador tucano, que defende o desmatamento e empresas flagradas com trabalhadores em trabalho escravo, tripudiando sobre a vergonha e a humilhação de senadores petistas que imolavam sua reputação, para salvar outro senador, um oligarca cujo prazo de validade na política já se esgotou há muito.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Como evitar os adjetivos, quando eles adquirem um significado substantivo? No caso de Joe Klein, significava denunciar com veemência e dureza as atitudes politicamente predatórias do Partido Republicano.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Mas e no nosso caso? São inúmeros os episódios de comportamento predatório tanto do PT, quando do PSDB, os dois principais partidos beneficiários, até agora, do um duopólio político, que se reveza na Presidência da República. Ambos se tornaram reféns do niilismo alheio  ao alimentarem rivalidade recíproca, quase cúmplice, desprezando as virtudes social democráticas que pregavam em comum, porém com ênfases distintas, para se aliarem a predadores sem afinidades com seus ideais. Brigavam, para se entregar ao que há de pior na política brasileira. Ambos corromperam politicamente seus ideais ao chegarem ao poder. Preferiram ser inimigos próximos, buscando aliados distantes, ética e politicamente, sempre com justificativas pragmáticas. Sempre lavando as mãos, como se a sujeira que permitiram nos ministérios loteados, não ficasse indelevelmente inscrita na história pátria.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Como ficar alheio a um processo óbvio, esperado, mas doloroso? Em política, o predador sempre prevalece sobre o virtuoso. A democracia em mecanismos para defender as virtudes cívicas, mas elas aqui foram entregues a seus próprios desvirtuadores. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Mas será que foram mesmo alianças de necessidade? Essa capitulação à ganância do PMDB é um traço de fraqueza, uma submissão por falta de alternativa, um ato de sobrevivência, ou uma escolha real, uma opção? Uma aliança real, não uma coabitação forçada pelas circunstâncias?</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Não será, por acaso, o resultado de uma presunção infundada, alimentada pela sensação de todo poder que a Presidência alimenta e potencializada por uma autoconfiança para além da realidade, que faz os presidentes imaginarem que controlarão e iludirão os profissionais do oportunismo e do assalto ao setor público? Essa entrega política, tem um componente de escolha que me parece evidente. E um desfecho anunciado. Esse predador não é como os lobos, que matam suas presas. É como a formiga, que arrebanha os afídeos, para sugá-los. Ou mais, como lobisomens e vampiros, que transformam suas presas em seus semelhantes.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">É isso: PT e PSDB se peemedebizaram, de tanto se entregarem à sucção de seus predadores. Um ritual político gótico, no melhor estilo, com atos explícitos de vampirismo, como na farsa do Conselho de Ética do Senado, presidido por um senador zumbi, sem voto e sem legitimidade. Mecanismo de defesa da instituição contra o desvirtuamento da função representativa, foi transformado em uma praça para a festança dos niilistas. Entre os votantes qualificados havia uma parcela considerável de senadores zumbis, fazendo o trabalho sujo que aqueles que têm voto não tiveram coragem de assumir.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Quero deixar clara minha posição, meu lado. Ao lado de nenhum deles. O governo FHC teve também muitos momentos de vampirismo explícito, a começar pela nefasta instituição da reeleição. O lulismo, teve vários, a começar pelo mensalão. Ambos aliados aos que se lixam para a opinião pública e para o eleitor-cidadão-contribuinte.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Os envergonhados, ainda nervosos com a primeira dentada, pedem ao presidente do partido que escreva carta determinando que se entreguem aos lobisomens de Calheiros e Sarney, como uma atitude programático-partidária, não mais puro pragmatismo. E ele escreve, sem pejo, acostumado a ceder aos dentes alheios, tudo em nome de ficar no poder, tudo em nome do lulismo.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A próxima dentada será menos indolor e menos constrangedora. E, no futuro, todos podem acabar sedentos mordedores.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">É essa a realidade? Não, lamentavelmente, não são esses coadjuvantes envergonhados ou assumidos, as vítimas da predação. Somos nós, a sociedade brasileira, que assiste complacente e envergonhada a esse espetáculo deprimente de vampirismo político. Ato que se repete como capítulo de novela, com um rabicho a mais, para esticar o enredo, encher linguiça, enquanto rola o faturamento.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O custo em políticas públicas mal ajambradas, em desperdício de dinheiro público, que poderia estar salvando vidas, produzindo tecnologia para o futuro, financiando inovações técnicas e culturais é assombroso. Valores e princípios são, desta forma, enterrados no descaminho de nossa democracia gótica.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Até quando?</span></p>
<p></span></span></div>
]]></content:encoded>
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		<title>A crise do Senado vista da perspectiva das cenas de ontem é reveladora</title>
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		<pubDate>Thu, 06 Aug 2009 18:56:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[#Sarney]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[democracia]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[Senado]]></category>

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		<description><![CDATA[Sérgio Abranches
O teatro armado para arquivar as representações contra o senador José Sarney no Conselho de Ética, revelou nitidamente a tragédia da democracia brasileira.

É bem possível que a reunião política conduzida pelo presidente Lula sobre a crise no Senado tenha precipitado o desfecho que estava sendo ensaiado: recuo parcial do PT, discurso-defesa de Sarney no [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<address><span style="letter-spacing: 0.0px;">Sérgio Abranches</span></address>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O teatro armado para arquivar as representações contra o senador José Sarney no Conselho de Ética, revelou nitidamente a tragédia da democracia brasileira.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"><span id="more-117"></span></span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">É bem possível que a reunião política conduzida pelo presidente Lula sobre a crise no Senado tenha precipitado o desfecho que estava sendo ensaiado: recuo parcial do PT, discurso-defesa de Sarney no plenário, reunião do Conselho de Ética para arquivamento das principais representações contra ele.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana; min-height: 16.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O presidente Lula teria deixado claras três coisas na reunião que podem ter sido decisivas: considerava a saída de Sarney um problema sério para os interesses do governo; não se empenharia mais na defesa ostensiva do presidente do Senado; o PT tinha obrigações com o padrão de governabilidade desejado por ele.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana; min-height: 16.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O líder do PT no Senado, Aloízio Mercadante, preferiu uma saída pelo meio. Não reunir a bancada e baixar o tom no confronto com Renan Calheiros (PMDB-AL), com quem praticamente já não falava. Essa atitude mais conciliatória não incluía mudar a posição da bancada pelo afastamento de Sarney. Mas permitia deixar ficar a divisão entre os defensores da tese do afastamento, uns preferindo a renúncia, outros o afastamento temporário. Mercadante argumentou que o afastamento dava direito de defesa, enquanto a renúncia era um ato unilateral, que deixava o acusado na posição de admissão tácita de culpa, sem defesa. Não havendo consenso, o movimento pelo afastamento ficou paralisado pela divisão.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana; min-height: 16.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Ontem foi a melhor oportunidade para Sarney fazer sua defesa prévia, devidamente instruída por advogados e consultores de marketing, com omissões, ambiguidades e inverdades planejadas. Material suficiente para o plenário se acomodar e para que o peso da maioria se exercesse sem obstruções e rupturas no campo governista, no qual há uma fração importante que postula a saída de Sarney da presidência do Senado. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana; min-height: 16.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A operação política foi eficaz e rápida. A oposição participou, meio acuada, concordando com o fato praticamente consumado de uma reunião rápida do Conselho de Ética. Nem o PSDB, nem o DEM têm mais a força moral necessária à oposição para bloquear um movimento desses. O DEM sempre esteve em cargos-chave nas direções da Mesa, em que os abusos em discussão foram desenhados e aplicados. O PSDB está agonizando em suas próprias contradições morais e políticas.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana; min-height: 16.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">No Conselho de Ética, um presidente escolhido a dedo por sua irresponsabilidade política, no sentido técnico de que não se julga compelido a responder aos eleitores ou à opinião pública por atos no exercício do mandato ou da delegação no Conselho de Ética, exerceu o que chamou ‘direito imperial’.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana; min-height: 16.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Uma interessante expressão, muito reveladora nesse momento de particular degradação das instituições republicanas, embora, errada histórica e juridicamente. Tenho certeza de que o senador Paulo Duque (PMDB-RJ) não faz a menor idéia do significado político-constitucional do termo ‘direito imperial’. Tudo na encenação do Conselho de Ética, ontem, não passava de banalização. Mas o uso dessa expressão corresponde a um ato falho revelador do verdadeiro espírito que assombra este e tantos outros parlamentares.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana; min-height: 16.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O ‘poder imperial’ era monopólio do Imperador, que, com seu ‘poder moderador’ tinha a prerrogativa de se impor ao Parlamento. Diga-se que os dois imperadores que o Brasil teve o usaram com extraordinária parcimônia. No presidencialismo, o presidente da República reteve parte desse ‘poder imperial’. No EUA, o grande especialista na política da presidência, Arthur Schlesinger Jr., escreveu um livro sobre o que chamou ‘The Imperial Presidency’ para descrever o aumento indesejável do poder presidencial e a redução da capacidade de controle do Congresso sobre ele, no período final do governo Nixon. Pouco antes de morrer, escreveu, na introdução a mais uma edição de seu livro, um dos mais famosos e citados da ciência política do EUA, que “a presidência imperial parecia ter chegado ao fim. O presidente Clinton estava nas cordas, enfrentando um promotor especial e a ameaça de impeachment”. Mas, segundo ele, o obituário era precoce. Clinton se livrou e Bush restaurou o ‘poder imperial’, que se exerce, no EUA, principalmente, nas relações internacionais. Schlesinger defendia que a Constituição havia criado uma presidência forte, com um sistema igualmente forte de pesos e contrapesos. A presidência imperial, dizia ele, se manifesta sempre que o equilíbrio determinado pela Constituição se quebra a favor do poder presidencial e às custas da accountability presidencial, da responsabilização do presidente por seus atos.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana; min-height: 16.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Nesse preciso sentido, a ‘imperialização’ do poder na democracia republicana é uma excrescência, uma deformação que fere os princípios do equilíbrio de poderes, da transparência e responsabilidade do detentor de prerrogativas de um cargo público executivo. A possibilidade de que um presidente pratique ‘atos imperiais’ é, portanto, uma ameaça ao princípio constitucional do equilíbrio democrático dos poderes republicanos. Isso, obviamente, se aplica ao Presidente da República. De fato, a idéia de que um parlamentar, no exercício de uma presidência eventual tenha ‘direitos imperiais’ representa a corrupção do ‘jus imperium’, que é uma prerrogativa exclusiva do chefe de estado, que exige enorme parcimônia no uso. Em um Conselho de Ética é uma aberração formal e substantiva.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana; min-height: 16.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Erros dessa natureza parecem triviais, mas não são. Representam o desprezo e o desconhecimento na prática da política brasileira dos princípios elementares da democracia representativa em uma República. O próprio termo ‘republicano’ tem sido achincalhado diuturnamente no Brasil. Isso mostra como nossa democracia ainda é tosca e primitiva. Diga-se, até por respeito à realidade, que algumas das democracias mais avançadas do mundo não são republicanas.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana; min-height: 16.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A própria atitude corporal do presidente do Conselho de Ética, a desordem do plenário, o atropelo das formalidades mostram, pela forma, o desprezo pelos ritos democráticos. Uma encenação que se revela intimamente, como em uma metalinguagem inconsciente, mostrando o que queria esconder, escancarando sua verdadeira natureza: um ato contra a instituição legislativa e as instituições democráticas. Ato banal, mas expressivo. O dia de ontem no Senado foi em si irrelevante, até pelo grau de banalização, realizando o esperado. Mas foi primordial como metáfora dos descaminhos de nossa democracia, que se apresentam na forma &#8211; displicente, desmazelada &#8211; e no conteúdo &#8211; de afirmação da impunidade e do privilégio. Na democracia, a forma é tão importante, quanto o conteúdo das ações. Aquele foi apenas mais um momento de acobertamento do abuso de poder, do uso indevido de recursos públicos, do clientelismo nepotista e autocrático, do desprezo pelo eleitor, da ausência quase absoluta de accountability revelada pela própria ausência de termo equivalente no vocabulário português. Os parlamentares brasileiros e os presidentes não se sentem obrigados a prestar contas de seus atos a seus eleitores. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana; min-height: 16.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Na prática, ontem, o Senado, conseguiu baixar a pressão, deu uma sobrevida ao presidente da Casa, mas a própria forma adotada para fazê-lo, a encenação revivida de outros casos, agride a opinião pública. A mídia, ao contrário do plenário do Senado, não perdoou os erros, omissões e as inverdades do discurso-powerpoint de defesa do senador José Sarney (PMDB-AP). Por toda a imprensa e por toda a internet circulam o slide e suas contraprovas. A crise não foi ainda superada, desse ponto de vista e nada garante que a pressão contra Sarney volte a subir. Se acontecer, provavelmente não contaria com todo o poder de fogo da ‘presidência imperial’ da República a seu favor. O presidente Lula parece que já terceirizou a questão.</span></p>
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