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	<title>Ecopolitica &#187; risco</title>
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	<description>Política Mudança Climática Século XXI</description>
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		<title>Nuclear em análise em todo o mundo menos no Brasil</title>
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		<pubDate>Tue, 05 Apr 2011 16:45:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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Sérgio Abranches
Na Europa todos os países estão reexaminando seus programas nucleares e as usinas em operação. No EUA, o Congresso está fazendo audiências públicas sobre segurança nuclear no país e o que fazer com as usinas existentes e com o programa de implantação de novas usinas.
No EUA onde política pública é coisa levada a sério [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="tweetmeme_button" style="float: right; margin-left: 10px;">
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			</a>
		</div>
<p style="text-align: center;">Sérgio Abranches</p>
<p>Na Europa todos os países estão reexaminando seus programas nucleares e as usinas em operação. No EUA, o Congresso está fazendo audiências públicas sobre segurança nuclear no país e o que fazer com as usinas existentes e com o programa de implantação de novas usinas.<span id="more-1828"></span></p>
<p>No EUA onde política pública é coisa levada a sério e faz parte do orçamento. que é compulsório, todas as questões de interesse coletivo são objeto de análise e debate no parlamento. Não precisa ser parlamentarista para fazer isso. No Congresso do EUA isso acontece nas várias comissões, em particular na comissão responsável pela alocação de verbas e avaliação do desempenho orçamentário, nas duas Casas. Um bom exemplo foi a <a href="http://www.riskcenter.com/story.php?id=99912512">audiência recente</a> da subcomissão de Energia e Água da Comissão de Alocações Orçamentárias do Senado sobre as implicações do acidente de Fukushima. Os senadores ouviram depoimentos de executivos e especialistas em energia nuclear durante todo um dia.</p>
<p>Na audiência ficou claro que as lideranças &#8211; empresariais e científicas &#8211; compartilham largamente a ideia de que a energia nuclear tem que ser seriamente reavaliada e provavelmente implementar mudanças importantes, mesmo que isso implique em atraso na implantação de novas usinas. Nos depoimentos tanto de executivos de empresas que administraram reatores, quanto de reguladores e cientistas todos concordaram que, embora a energia nuclear tenha se mostrado segura e confiável, é preciso rever seus protocolos de segurança, projetos de engenharia e processos operacionais. Considera-se, inclusive, razoável, se as revisões considerarem necessário, o relicenciamento de usinas em operação, para que se conformem aos novos protocolos, e o reexame dos planos de engenharia e processos operacionais das que estão para ser construídas, com o mesmo objetivo.</p>
<p>“As usinas nucleares do EUA são seguras. Mas não podemos ser complacentes em relação ao acidente de Fukushima”, disse William Levis, presidente e CEO da <a href="http://www.pseg.com/family/power/index.jsp">PSEG Power</a>, empresa que opera cinco reatores em dois estados do país. Segundo ele, o ambiente mudou e o custo em confiança do público e credibilidade derivados de erros é altíssimo. Disse, ainda que a indústria investiu US$ 6.5 bilhões para modernizar as usinas, o que ajuda a mitigar os riscos de acidentes como os de Fukushima. Mas isso não significa que não se deva reexaminar toda a operação nuclear do país. Levi não depôs apenas em nome próprio ou de sua empresa. Falou, também, como porta-voz do <a href="http://www.nei.org/">Instituto de Energia Nuclear</a>, o think thank da indústria nuclear do país. </p>
<p>O engenheiro nuclear e especialista em segurança nuclear, David Lochbaum, hoje diretor do projeto de segurança nuclear da <a href="http://www.ucsusa.org/">Union of Concerned Scientists</a>, uma ONG de cientistas dedicada a questões ambientais e de segurança coletiva, disse que a questão crítica no EUA é o depósito de resíduos radioativos, o combustível usado. Hoje, como no Brasil, eles são depositados em abrigos construídos no sítio da própria usina o que, para ele, significa um risco insustentável. Há, também, diz ele, demora na transferência do combustível usado das piscinas no interior dos reatores, para os abrigos. “Falhamos completamente na gestão do risco de guardar combustível irradiado nas plantas nucleares”, disse. Ele recomenda como medida imediata a aceleração da transferência do combustível das piscinas para os abrigos secos construídos no próprio local e a formulação de política para abrigo externo seguro para o combustível nuclear. Lochbaum é favorável à construção de um abrigo permanente centralizado longe das usinas.</p>
<p>Ernest Moniz, diretor da <a href="http://web.mit.edu/mitei/">Iniciativa em Energia do MIT</a> disse que depois de Fukushima o custo de operação de reatores nucleares vai aumentar, refletindo novos requisitos de gestão, no local, do combustível usado. Ele também espera que o relicenciamento de usinas mais antigas requeira avaliação mais extensa e profunda, que será mais demorada. Plantas antigas já relicenciadas podem vir a ser reavaliadas nesse processo, diz. Ele imagina que, em muitos casos, os protocolos de segurança, a engenharia e os processos sejam considerados suficientemente seguros. Em vários outros, porém, mudanças serão necessárias. “A decisão será planta a planta.”</p>
<p>No Brasil, tudo é diferente. Não se leva a sério os riscos e se trata a questão como merecendo apenas uma declaração evasiva e mal informada do ministro das Minas e Energia. O ministro Edson Lobão, que já havia dito, na ocasião do acidente de Fukushima, que não nos devíamos preocupar, porque nossa tecnologia é melhor que a japonesa e por isso não precisávamos avaliar nossos protocolos, agora diz que relaxar as condições de licenciamento de Angra 3 não afeta a segurança.</p>
<p>A usina recebeu licença para instalação sem cumprir as exigências estabelecidas pela licença prévia. Isso em si já é uma <a href="http://www.ecopolitica.com.br/2011/04/04/usina-nuclear-de-angra-3-tem-licenca-de-instalacao-sem-cumprir-condicoes/">séria irregularidade</a>. O grave é que as condições tinham por objetivo garantir uma via segura para evacuação da população em caso de emergência ou acidente e prover recursos para a preservação de duas unidades de conservação que, além de proteger a biodiversidade, servem como áreas de amortecimento no caso de acidentes. Uma delas impede, também, a ocupação de áreas próximas à usina.</p>
<p>Mas o ministro, que sempre revela pouca intimidade com os assuntos de sua pasta e jamais consegue lhes dar o tratamento sério que exigem, tem a dizer muito pouco à população.</p>
<p>Sobre o afrouxamento das condições, o ministro consegue <a href="”http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2011-04-04/lobao-nega-que-mudancas-nas-condicoes-de-licenciamento-de-angra-3-afetem-seguranca-da-populacao">produzir</a> esse primor de tergiversação, para usar um termo caro à presidente Dilma Rousseff: “foram feitas algumas evoluções, no que diz respeito à avaliação das condições de licenciamento” para construção da Usina Nuclear Angra 3, em Angra dos Reis (RJ), ao longo dos 20 anos de existência do projeto.</p>
<p>Mas, conforta a população afirmando que “não se fará nada para romper padrões ou limites de segurança. Tudo que se fará em Angra 3 estará rigorosamente dentro dos padrões de segurança e de produção de energia”. Menos esclarecedor impossível.</p>
<p>O problema é o que já se fez, obviamente, e não o que ainda se fará. A ausência de fortes medidas para revisão do programa nuclear e reavaliação das usinas em operação já constitui um risco grave em si mesma.</p>
<p>Outras pérolas do ministro.</p>
<p>Sobre risco tem apenas a dizer o seguinte:<br />
“A população não precisa ter a menor preocupação quanto aos cuidados em relação às usinas”. </p>
<p>Sobre o licenciamento irregular:<br />
“O licenciamento vai evoluindo nas suas condições.”</p>
<p>“Não se está dispensando obrigações que devem ser observadas. Não há nenhuma dispensa que possa causar prejuízos ou danos à segurança das usinas. Nós pretendemos manter a segurança como ponto número 1 e ponto fundamental.”</p>
<p>É claro que a população deve ficar muito preocupada, ao contrário do que diz o ministro. Principalmente com o tratamento dado por ele a assunto de tamanha gravidade. É claro que afrouxar a condição de fazer uma estrada adequada entre Paraty e Cunha para servir de via de escape para a população tem a ver com rebaixamento da segurança. Quem conhece as estradas Angra-Rio e Paraty-Cunha sabe que elas não são adequadas a uma evacuação de emergência, especialmente se ela acontecer em finais de semana ou feriados, quando a população presente aumenta exponencialmente.</p>
<p>A própria leveza com que o governo está tratando dessa questão já é sinal de risco elevado. O risco político é um dos componentes mais letais de acidentes em instalações de alto risco.</p>
<p>O que já deveria ter acontecido? Audiências com cientistas e especialistas sobre a segurança das usinas; com os responsáveis pela área nuclear sobre as medidas de precaução adotadas após o desastre de Fukushima, como está ocorrendo em todo o mundo; investigação, de preferência no Congresso, sobre porque funcionários do setor nuclear dizem ser necessária uma agência regulatória independente da Comissão Nacional de Energia Nuclear &#8211; CNEN.</p>
<p>O governo já deveria ter constituído uma comissão de cientistas, engenheiros nucleares, especialistas em segurança nuclear e em risco para avaliar, com autonomia, o programa nuclear brasileiro, as condições de licenciamento da usinas e propor medidas adicionais de segurança, critérios de licenciamento, avaliação periódica mais profunda da segurança das usinas, protocolos suplementares e disposição dos resíduos radiativos.</p>
<p>Meu comentário na CBN:</p>
<p><iframe src='http://www.cbn.com.br/Player/player.htm?audio=2011/colunas/ecopolitica_110405&#038;OAS_sitepage=cbn/comentarios/sergioabranches' width='475' height='193' marginheight='0' marginwidth='0' frameborder='0' scrolling='no' bgcolor='#CCCCCC'/></iframe></p>
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		<title>O inesperado gerou novo cenário global e o risco é sistêmico</title>
		<link>http://www.ecopolitica.com.br/2011/03/14/o-inesperado-gerou-novo-cenario-global-e-o-risco-e-sistemico/</link>
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		<pubDate>Mon, 14 Mar 2011 23:54:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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Sérgio Abranches
O risco geopolítico alto por causa da instabilidade no Oriente Médio e Norte da África somou-se ao risco econômico elevado pelo desastre no Japão e ao risco financeiro ainda não debelado, acompanhado por déficits públicos elevados em grande parte dos países desenvolvidos, crise da dívida pública em vários países europeus e desequilíbrio cambial. Países [...]]]></description>
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<p>Sérgio Abranches</p>
<p>O risco geopolítico alto por causa da instabilidade no Oriente Médio e Norte da África somou-se ao risco econômico elevado pelo desastre no Japão e ao risco financeiro ainda não debelado, acompanhado por déficits públicos elevados em grande parte dos países desenvolvidos, crise da dívida pública em vários países europeus e desequilíbrio cambial. Países emergentes como China e Brasil também mostram problemas como pressão inflacionária, nos dois casos, artificialidade cambial na China e desequilíbrio nas contas públicas no Brasil.<span id="more-1752"></span>É possível que estejamos diante de uma elevação do risco do sistema global pela convergência de processos naturais, econômicos e políticos, alguns inesperados e incontroláveis como o desastre no Japão.</p>
<p>O desastre japonês tem dois lados igualmente complexos. Um é a repercussão na economia política do país e do mundo dos estragos no momento incomensuráveis advindos da combinação entre um violento terremoto de grande magnitude e um tsunami devastador. Os dois destruíram infra-estrutura, subverteram toda a logística do país, romperam cadeias de suprimento, interromperam atividades econômicas, destruíram ativos significativos.</p>
<p>Só para se ter uma idéia da extensão desses danos econômicos, o <a href=" http://ow.ly/4dKPd ">Ipad 2</a>, recém lançado pela Apple com estrondoso sucesso no EUA e ansiosamente esperado em outros mercados, tem entre seus componentes dois chips fornecidos, em parte, por fábricas que estão na região atingida. O suprimento pode ser afetado por tempo indeterminado, embora fábricas em outras localidades continuem produzindo os chips. É que a demanda pelos iPads é forte e deve crescer.</p>
<p>A <a href="http://bit.ly/fVr4ml">crise nuclear</a>, que abrange seis <a href="http://goo.gl/Z4YAe">usinas atômicas</a> japonesas e chegou a <a href="http://bit.ly/hRn87c">situação crítica</a> em uma delas, a <a href="http://bit.ly/hRn87c">unidade 3</a> de Fukushima, já alterou todos os planos de investimento nos mercados mais sérios a respeito de <a href="http://gu.com/p/2nm6d/tf">segurança</a>, como <a href="http://www.nytimes.com/2011/03/14/science/earth/14politics.html?_r=2&amp;hp">EUA</a>, União Européia, Austrália e  Nova Zelândia. Certamente terá impacto muito negativo nas ações de empresas do setor nuclear e nos fundos que detenham papéis de empresas de energia nuclear. <a href=" http://bit.ly/gI67YV">Na Alemanha</a>, planos de investimento no setor já voltaram para a prancheta e a chanceler Angela Merkel determinou revisão geral do sistema de segurança de todas as usinas nucleares do país. Algumas delas provavelmente serão fechadas. Aliás, pelos menos três das usinas japonesas, nas quais foi injetada água do mar, podem ter que ser abandonadas, por causa do efeito corrosivo da água marinha.</p>
<p>O efeito desses dois desastres, o natural e o nuclear, na indústria de seguros e resseguros será também devastador.</p>
<p>Esses eventos totalmente inesperados somam-se à crise continuada no Oriente Médio e Norte da África, que tem profundas implicações geopolíticas de médio e longo prazo, com potencial para afetar o preço do petróleo de forma sustentada. Ontem a Liga Árabe decidiu por unanimidade pedir ao Conselho de Segurança da ONU uma área de restrição aérea sobre a Líbia (no-fly zone). Se o CS tomar essa decisão, ela implica, necessariamente, em bombardear as bases aéreas de Kadaffi e suas instalações anti-aéreas. Ou seja, um ato de combate. Não se sabe exatamente qual seria a reação de Kadaffi. Ele aproveitou a tragédia japonesa e a vacilação dos países da OTAN para deflagrar um <a href="http://nyti.ms/i4QXf5">ataque geral e sangrento</a> contras os rebeldes, na esperança de debelar a revolta antes que a decisão do CS seja tomada. Mas os rebeldes, embora recuando, estão se reagrupando e, aparentemente, recebendo armas e munições de setores anti-Kadaffi da região. O que pode ser um complicador para além da continuidade da beligerância, pois esses setores, no caso de saída do ditador, podem aumentar sua influência no governo que venha a substituí-lo.</p>
<p>No Bahrein, o aumento da rebelião popular, levou o governo para o <a href="http://on.ft.com/ibS3JJ">caminho do confronto</a> e não da negociação, como se esperava. Ele pediu ajuda aos países do Golfo Arábico e há notícias de que tropas da Arábia Saudita estão em seu território para ajudar na repressão. O governo saudita havia, dias antes, reprimido duramente manifestações de protesto em duas regiões, uma delas de grande concentração xiita, na fronteira com o Bahrein. A maioria na Arábia Saudita é sunita mas, em Bahrein e no Iraque, as maiorias são xiitas. A repressão saudita em Bahrein pode se revelar um grave erro estratégico porque pode acirrar o conflito xiita-sunita. Neste caso, sunitas de outro país estariam atacando a população xiita de Bahrein. Pode desestabilizar o rei Hamad bin Issa al-Khalifa em Bahrein e complicar o quadro na Arábia Saudita.</p>
<p>Essa situação de maior instabilidade pode <a href="http://bit.ly/hsQiBZ">consolidar o patamar</a> de US$ 100.00 p/b para o preço do petróleo e contribuir para as tendências recessivas oriundas de outras crises. Já se fala, por toda a UE, em risco de estagflação.</p>
<p>É  um cenário de alto risco, que não estava nos cálculos e que pode adquirir contornos sistêmicos pelos efeitos dinâmicos de cada uma das crises nas demais. Do ponto de vista de duração, esse cenário ainda está em aberto. A se confirmar essa contaminação sistêmica, como se sabe, o resultado é sempre maior que a soma das partes.</p>
<p>O grau de incerteza aumentou muito. Situações complexas, de alta capacidade de dano político, econômico, social, humanitário e físico, sobre as quais há grande incerteza, estão, por definição, no ponto mais elevado na escala de risco. Risco tem a ver com incerteza, imprevisibilidade e pouco conhecimento de causas ou efeitos. É o que estamos vivendo atualmente.</p>
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		<title>Belo Monte: um péssimo conceito</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Mar 2011 17:35:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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Sérgio Abranches
Presidente do Ibama diz a Catarina Alencastro e Vivian Oswald de O Globo que Belo Monte não pode ter licença de instalação porque não cumpriu as condições necessárias. Mas não vê problema na licença para o canteiro de obras. Canteiro de obras para uma obra que não pode ser instalada.
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<p>Sérgio Abranches<br />
<a href="http://oglobo.globo.com/economia/mat/2011/02/28/licenca-de-belo-monte-nao-possivel-hoje-diz-novo-presidente-do-ibama-923899573.asp">Presidente do Ibama diz</a> a Catarina Alencastro e Vivian Oswald de O Globo que Belo Monte não pode ter licença de instalação porque não cumpriu as condições necessárias. Mas não vê problema na licença para o canteiro de obras. Canteiro de obras para uma obra que não pode ser instalada.<span id="more-1734"></span></p>
<p>Claro que o pensamento do presidente do Ibama é contraditório. Ninguém a sério imagina que se investirá milhões em um canteiro de obras em localização remota, se não houver a certeza de que a licença de instalação sairá. Seria jogar dinheiro fora. É bem verdade que a maior parte do dinheiro é do Tesouro, isto é, meu, seu, nosso. Esse joga-se fora com facilidade no Brasil. Mesmo assim&#8230;</p>
<p>Também não é nada razoável licenciar um canteiro de obras, com os danos ambientais decorrentes e criando expectativas indevidas, se a obra não está pronta para ter licença de instalação. Ofende o bom senso e a Constituição da República.</p>
<p>Mas o grande problema de de Belo Monte é o conceito. Ele desconsidera qualquer alternativa. Não compara custo real vs custo real; impacto ambiental vs impacto ambiental; benefício energético vs benefício energético das alternativas, que sequer reconhece existirem. Saiu da cabeça de tecnocratas e lobistas a idéia preconcebida de que é a melhor alternativa. Logo esta, que está sob dúvida desde o nefasto período militar. A combinação autoritarismo militar, tecnocracia que nunca prestou contas de nada e lobbies protegidos pela repressão e pela censura não conseguiu emplacar o monstrengo. E agora vai sair? A qualquer custo?</p>
<p>Segundo a concepção estratégica por trás de Belo Monte, os rios amazônicos são passíveis de intervenções radicais e a nova e rica fronteira energética do país. Claro análise perfunctória de potencial. Potencial sem olhar economicidade e sustentabilidade. No caso, nem jurisdicidade e nem constitucionalidade também.</p>
<p>Não importa que os rios da Amazônia não tenham as mesmas características dos rios do Nordeste e do Sudeste. Descarta-se liminarmente a evidência científica de que há uma interdependência, uma relação muito importante, entre rio e floresta na Amazônia, a qual não foi ainda elucidada em todas as suas implicações. A quantidade e o tipo de sedimentos nesses rios é totalmente distinta na Amazônia. As secas de 2005 e 2010, que transformaram os maiores rios do país em bancos de areia, não servem de alerta. É pacífico que eventual exploração hidrelétrica desses rios dependeria, para ser séria e responsável, de estudos que nunca foram feitos.</p>
<p>Como a Amazônia sofreu menos degradação que outros biomas, ela se tornou área crítica para conservação da cobertura florestal e da biodiversidade. Além disso, ela tem características próprias, associadas ao regime de chuvas e ao clima regional, cujas interações ainda não são todas conhecidas.</p>
<p>Nunca se considerou, também, os problemas causados pelas barragens nos rios dos Nordeste e do Sudeste, para avaliar os riscos de intervir nos rios amazônicos.</p>
<p>Uma obra complexa, com repercussões poucos conhecidas é tocada a toque de caixa, na improvisação e na marra, como se fosse simples. O governo é totalmente alheio aos custos presentes e futuros. Só pensa nos magros megawatts que vai obter lá e que teriam alternativa melhor, que ele não quer ver. </p>
<p>O custo econômico está subestimado e o custo ambiental total é desconhecido.</p>
<p>É esse conceito, essa forma de tratar problemas tão sérios que deve preocupar os brasileiros.</p>
<p>Ainda bem que projeto tão mal concebido está sub judice. A liminar corre o risco total de ser derrubada na segunda instância. Sem exame mais profundo. O MP deve recorrer a instâncias menos superficiais, para dizer o mínimo. A licença fere a Constituição. A independência e qualificação do nosso Judiciário é a última cidadela para se manter a seriedade na análise e implementação de grandes, caras obras de altíssimo custo fiscal &#8211; interesse público &#8211; e imensurável impacto sobre o patrimônio natural &#8211; interesse púbico.</p>
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		<title>A natureza é inocente: o desastre é causado pelo ser humano</title>
		<link>http://www.ecopolitica.com.br/2011/01/12/a-natureza-e-inocente-o-desastre-e-causado-pelo-ser-humano/</link>
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		<pubDate>Wed, 12 Jan 2011 12:56:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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Qual o principal fator dessas tragédias decorrentes de chuvas intensas? O mais fácil é dizer o que não é fator de desastre: a chuva. A chuva é inevitável, mas previsível. As áreas de risco já estão identificadas. O estudo dos estragos das chuvas anteriores permite saber o que pode acontecer. Se chove mais, o perigo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="tweetmeme_button" style="float: right; margin-left: 10px;">
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			</a>
		</div>
<p>Qual o principal fator dessas tragédias decorrentes de chuvas intensas? O mais fácil é dizer o que não é fator de desastre: a chuva. A chuva é inevitável, mas previsível. As áreas de risco já estão identificadas. O estudo dos estragos das chuvas anteriores permite saber o que pode acontecer. Se chove mais, o perigo é maior.<span id="more-1528"></span></p>
<p>Li ontem no Twitter alguém dizendo que não está chovendo mais em janeiro do que nos outros anos e, portanto, não haveria razão para acontecer o que está acontecendo. Não é bem assim. O importante não é o volume total de chuvas no mês, é sua distribuição. Se chover em três dias o mesmo volume que costuma chover em 20 dias, tem-se uma situação muito mais extrema. O que os modelos climáticos dizem não é que vai aumentar o volume de precipitação, é que ele tende a ficar mais concentrado: choverá mais em menos dias.</p>
<p>Mais o importante é saber que não é a natureza que causa o desastre. É o encontro entre o fenômeno natural e o solo ocupado, o ambiente construído pelo ser humano, físico e social. A má governança é parte do ambiente social de risco responsável pela amplificação dos desastres para além do que é inevitável. A ocupação irregular associada à má governança do espaço físico, do saneamento, do lixo, dos recursos públicos constrói um ambiente geral de alto risco de desastres, endemias, insegurança. </p>
<p>O <a href="http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/">Bom Dia Brasil</a> lembrou, hoje, com dados do <a href=" http://contasabertas.uol.com.br/WebSite/">Contas Abertas</a>, que o Governo Federal gastou, no ano passado, perto de R$ 160 milhões de reais com prevenção de desastres e mais de R$ 2 bilhões com remediação dos danos causados por desastres. Este ano, a previsão para prevenção é 18% menor.</p>
<p>Não se investe o suficiente em saneamento e em gestão de águas pluviais. O controle de edificações é deficiente: a oferta de habitação popular não está ligada a prioridades definidas pelo nível de risco em que vivem as populações com habitações precárias. Permite-se a ocupação irregular, a construção de risco, até que se transformem em fato consumado. Do fato consumado à tragédia é um passo pequeno.</p>
<p>Como isso se repete todo ano, o próprio gasto com remediação é, em grande parte, desperdiçado. Os programas habitacionais municipais, estaduais e federais não estão ligados a qualquer visão adequada de planejamento urbano, nem para eliminar riscos, nem para evitar problemas futuros, nem, para aumentar a sustentabilidade e resiliência das cidades. Falta autoridade &#8211; comando e controle. As pessoas não têm o direito de ocupar qualquer espaço na cidade para morar. Elas têm direito é à habitação. O círculo vicioso é claro: politiza-se os programas de habitação popular, distribui-se casa como favor a ser cobrado do eleitor, permite-se a ocupação e construção irregular dos não apaniguados. Os planos viários, pontes, edificações não consideram esses fatores sazonais e as tendências futuras. O planejamento e a gestão urbana perderam a perspectiva do longo prazo e nunca tiveram concepção de gestão risco e de segurança ambiental. As cidades pioram, ao invés de melhorar. </p>
<p><strong>Previsão de Desastres</strong></p>
<p>O ministro Mercadante me confirmou, ontem, que o sistema de identificação de riscos e previsão de desastres naturais, que no Brasil estão predominantemente associados à chuva e deslizamentos, é prioridade do seu ministério. Com o novo supercomputador do <a href="http://www.inpe.br/">INPE</a>, Instituto de Pesquisas Espaciais as previsões ficarão muito mais precisas e é possível espacializá-las com georreferenciamento e criar um sistema eficiente de alerta. O sistema também integrará informações obtidas junto com a ANA &#8211; Agência Nacional de Águas, sobre o regime de águas nos rios. As chuvas na cabeceira depois aparecem como alagamento rio abaixo. Isso pode ser previsto e integrar o sistema de alerta. Mercadante me disse, ainda, que &#8220;mudou o clima, mudou o ciclo hidrológico&#8221;, portanto é preciso mobilizar novos esforços e tecnologias para enfrentar o desafio. Esse novo sistema servirá à defesa civil e o ministro diz que é preciso envolver também as Forças Armadas, que têm maior capacidade de mobilização e mobilidade. Ele tem toda razão.</p>
<p>A ministra Izabella Teixeira disse a Daniela Chiaretti (@danichiaretti), do Valor,<br />
que</p>
<blockquote><p>Temos que trabalhar a mobilidade nas cidades e a poluição do ar associada a isso, e ainda, relacionar com um tema maior, que é o clima. Precisamos dar coerência às políticas ambientais. É importante que tenham coerência e convergência com as políticas de desenvolvimento. Caso contrário, cada um vai para um lado. Há uma pauta riquíssima em saneamento, em resíduos sólidos. O cidadão brasileiro tem que se apropriar da temática ambiental além da fronteira da fiscalização e do licenciamento. Isso tem a ver com a qualidade de vida dele, principalmente de quem vive nas grandes cidades.<br />
(Entrevista a Daniela Chiaretti &#8211; <a href="http://www.valoronline.com.br/impresso/especial/101/367171/para-ministra-lixo-e-esgoto-tambem-sao-desafios-ambientais">Valor Econômico</a> &#8211; 12/01/2011- requer assinatura).</p></blockquote>
<p>Também está certa. A gestão pública tem que alongar o olhar. Não pode só resolver os problemas do dia. É preciso resolvê-los para que não ressurjam no futuro. É um problema de seriedade, consistência e qualidade da formulação e implementação de políticas públicas.</p>
<p>Embora um sistema de informação e avaliação de risco de desastres seja fundamental, é preciso que essa inteligência encontre um modelo de governança preparado para usá-la.</p>
<p><strong>Governança</strong><br />
O orçamento, que reduziu o pífio valor destinado a prevenção, tem que ser invertido. Aplicações em prevenção são investimentos que poupam gastos com remediação. E não adianta orçar recursos, é preciso planejar seu uso, envolvendo os agentes de gasto na ponta, principalmente estados e municípios.</p>
<p>O principal fator a ser combatido é a omissão e o descaso dos governantes. Isso tem a ver com a existência de uma cadeia de responsabilidade e transparência pública que envolve Executivo, Legislativo, Judiciário, principalmente o Ministério Público, e as forças ativas da sociedade.</p>
<p>Quando um prédio desaba na periferia de Friburgo, isso foi causado pela chuva e pelo deslizamento do terreno ou pela ação deficiente ou omissão da prefeitura? A construção era regular ou irregular? Se era regular como foi licenciado sem ter as mínimas condições de qualidade de construção, localização e preparação do terreno?</p>
<p>As pessoas que voltaram a ocupar o morro do Bumba, em Niterói, onde aconteceu uma grande tragédia, como mostrou o <a href="http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/">Bom Dia Brasil</a>, hoje, estão com a vida em risco causa de uma chuva futura ou da atitude complacente e desleixada da prefeitura?</p>
<p>Quantas pessoas que vivem em áreas de risco já conhecidas e onde já houve tragédias foram selecionadas para receber habitações do Minha Casa, Minha Vida? O razoável não seria que os programas de habitação popular tivessem como primeiro foco a remoção decente de pessoas em risco de morte por que ocupam áreas impróprias, vivendo em habitações precárias e irregulares? Ações de comando e controle acopladas a soluções efetivas e de qualidade são educativas. Elas aumentam a capacidade das autoridades de vedar a ocupação de áreas que não devem ser ocupadas.</p>
<p>Em síntese, o principal fator causador de desastres não é a chuva, nem o vento, nem a lama. É a má governança, a omissão, a ocupação irregular do solo, a falta de autoridade e critério. Como em toda tragédia associada a fenômenos naturais, a causa é a ação humana. A natureza é inocente.</p>
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		<title>O risco de soluções de geoengenharia para o aquecimento pode ser provocar mais mudança climática</title>
		<link>http://www.ecopolitica.com.br/2009/08/07/o-risco-de-solucoes-de-geoengenharia-para-o-aquecimento-pode-ser-provocar-mais-mudanca-climatica/</link>
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		<pubDate>Fri, 07 Aug 2009 18:22:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Trilhas]]></category>
		<category><![CDATA[ciência climática]]></category>
		<category><![CDATA[geoengenharia]]></category>
		<category><![CDATA[mudança climática]]></category>
		<category><![CDATA[risco]]></category>
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“À medida que os riscos de mudança climática e as dificuldades de reduzirmos efetivamente as emissões de gases de efeito estufa se tornam mais óbvios, soluções potenciais pela geoengenharia são cada vez mais amplamente discutidas”.
Sérgio Abranches
Grabiele Hegerl do Grant Institute e Susan Solomon do Earth System Research Laboratory na National Oceanic and Atmospheric Administration discutem [...]]]></description>
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			</a>
		</div>
<p style="text-align: left;"><span style="font-family: Helvetica; line-height: normal; font-size: 12px;">“À medida que os riscos de mudança climática e as dificuldades de reduzirmos efetivamente as emissões de gases de efeito estufa se tornam mais óbvios, soluções potenciais pela geoengenharia são cada vez mais amplamente discutidas”.<span id="more-125"></span></span></p>
<p style="text-align: center;">Sérgio Abranches</p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Grabiele Hegerl do Grant Institute e Susan Solomon do Earth System Research Laboratory na National Oceanic and Atmospheric Administration discutem alguns dos riscos de manipular o sistema climático ao tentar mitigar o aquecimento global, na seção <a href="http://www.sciencemag.org/cgi/content/abstract/1178530"><span style="text-decoration: underline;">Perspectives</span></a> publicada ontem na revista Science.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Seu ponto principal é que “os impactos da mudança climática são determinados não somente por mudanças na temperatura, mas também por outros aspectos do sistema climático, como a precipitação e os extremos climáticos.” Elas argumentam que se os estudos de geoengenharia focarem demais no aquecimento “não serão capazes de avaliar apropriadamente riscos críticos associados a essas possíveis curas”. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">As autoras usam como exemplo, “tentativas de limitar o aquecimento reduzindo as radiações em ondas curtas” que chegam à terra. Reduzir essas radiações em ondas curtas levaria a uma queda nas temperaturas, dizem. A precipitação reage mais fortemente às reduções nas radiações em ondas curtas que chegam, como acontece em erupções vulcânicas ou na engenharia climática nas ondas curtas, do que à redução nas radiações em onda longa, que saem da terra e estão associadas ao forçamento por gases de efeito estufa, explicam. O risco resultante seria de maiores mudanças na precipitação. No caso, o risco seria de secas extremas.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;">&nbsp;</p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Elas concluem que “a mudança climática tem a ver com muito mais fatores do que a mudança na temperatura e usar apenas a temperatura como uma aproximação para seus efeitos representa um risco inaceitável para a saúde de nossa sociedade e para o próprio planeta”.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; color: #0c0c0c;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Nós vivemos uma era de mega riscos. A nossa é, de fato, uma sociedade de risco. Cada passo para enfrentar o desafio do século tem que dar conta de todo o risco sistêmico envolvido. Não podemos admitir qualquer simplificação. Ultrapassamos os riscos individual e societário, que não desapareceram, ao contrário, aumentaram, somando a eles o risco planetário.</span></p>
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