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	<title>Ecopolitica &#187; PT</title>
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	<description>Política Mudança Climática Século XXI</description>
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		<title>A prisão de Arruda e as eleições presidenciais</title>
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		<pubDate>Fri, 12 Feb 2010 19:30:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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Sérgio Abranches
Prever o que acontecerá numa eleição como essa é impossível. O que se pode é especular educadamente, com base no que se sabe sobre o comportamento do eleitor quando vota para presidente e nas circunstâncias dos partidos dominantes.

Raramente eventos negativos ou positivos, que estão ligados apenas indiretamente aos candidatos, influenciam o voto do eleitor [...]]]></description>
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<p>Sérgio Abranches</p>
<p>Prever o que acontecerá numa eleição como essa é impossível. O que se pode é especular educadamente, com base no que se sabe sobre o comportamento do eleitor quando vota para presidente e nas circunstâncias dos partidos dominantes.</p>
<p><span style="font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: x-small;"><span id="more-856"></span></span></p>
<p>Raramente eventos negativos ou positivos, que estão ligados apenas indiretamente aos candidatos, influenciam o voto do eleitor para presidente. O mensalão do PT, por exemplo, provavelmente não afetará o voto em Dilma Roussef (PT-RS). O caso Arruda dificilmente afetaria a candidatura de José Serra (PSDB-SP), porque ele concorreu à prefeitura de São Paulo em aliança com o DEM paulista e mantém estreita relação com seu ex-vice, agora prefeito, Gilberto Kassab (DEM-SP).</p>
<p>É claro que o melhor caminho para administrar riscos desse tipo é o afastamento do candidato daqueles mais diretamente associados ao escândalo. No caso de Serra, o melhor caminho seria mesmo a candidatura puro sangue, convencendo Aécio Neves a aceitar ser vice na chapa tucana. Aí, eles teriam apenas que lidar que os problemas do próprio PSDB.</p>
<p>O voto para presidente é um voto pessoal. O eleitor vota pensando basicamente nos atributos pessoais que ele vê nos candidatos. O mix de atributos varia muito. Não se pode dizer que um traço particular, simpatia, por exemplo, terá o mesmo peso para todos os candidatos em todas as eleições. Varia muito, depende do conjunto de candidatos e da distribuição desse atributo na percepção dos eleitores entre os candidatos. Usualmente, o fator ambiental mais importante na escolha para presidente é o econômico: o que está acontecendo com a renda real disponível dos eleitores e o que eles acham que cada candidato pode fazer sobre isso. Atributos que sempre tem peso importante, porque reforçam a percepção sobre outras características na cabeça do eleitor são a credibilidade e a autenticidade. Quando estão presentes na receita íntima do eleitor sobre como deve ser um presidente eles aumentam a confiança nas candidaturas que lhes parecem mais confiáveis e autênticas. A psicologia do voto é volúvel e influenciada por fatores distintos, dependendo da própria personalidade do eleitor. Há aqueles que são “cabeça-feita”. Há os que formam opinião em família, outros no trabalho, outros prestando atenção em formadores de opinião que consideram confiáveis e sabidos. Enfim são vários perfis de eleitores que constroem várias imagens diferentes de um mesmo candidato.</p>
<p>É pouco provável, além disso, que PT e PSDB queiram se envolver em uma campanha negativa, de ataques um ao outro sobre corrupção política. Nenhum dos dois tem a vidraça limpa. Se entrarem nesse tipo de disputa, acaba sendo negativo para ambos. Um dos problemas da democracia brasileira no século XXI é que os quatro grandes partidos políticos do país têm sido lenientes com a corrupção dos seus. Isso tem implicações institucionais muito negativas. Para as candidaturas, fará soar meio falso se insistirem demais no seu sentido ético. Só candidaturas totalmente dissociadas de eventos moralmente condenáveis podem colocar a ética política no centro de suas campanhas.</p>
<p>O caso Arruda pode, mais provavelmente, ter impacto negativo genérico no desempenho do DEM. O partido tem sido muito vacilante e leniente nesse episódio. É muito provável que sofra perdas significativas, nas eleições do DF. Embora o Distrito Federal tenha uma política local muito envolvida com máquinas clientelistas, há candidaturas que poderiam ganhar competitividade porque ainda podem fazer uma campanha ressaltando a ética na política. Nas parlamentares, o partido pode ser bastante prejudicado e é difícil imaginar que seja competitivo na disputa para o governo do DF.</p>
<p>Mas, eleição de governador é como eleição de presidente, o voto é pessoal, portanto, tudo que não está diretamente ligado à pessoa do candidato tende a pesar pouco na decisão do eleitor. Às vezes, a popularidade do candidato lhe permite superar, inclusive, a má imagem ética. Aconteceu com Paulo Maluf durante muito tempo em São Paulo. O caso mais famoso foi o de Ademar de Barros, também em São Paulo.</p>
<p>A cada novo evento dessa magnitude, ganha mais força o cenário de uma eleição cheia de surpresas inevitáveis, cheia de incertezas, muito disputada e muito tensa.</p>
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		<title>Notas sobre a Conjuntura Política</title>
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		<pubDate>Fri, 29 Jan 2010 16:24:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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Sérgio Abranches
A conjuntura política vai se complicando com a proximidade das eleições. Há uma boa chance de que essas eleições não sejam tão triviais como acham alguns. O quadro pode ficar bastante complexo.

Minas maliciosa
O anúncio da candidatura de Itamar Franco ao Senado, pelo PPS de Minas Gerais, está agitando os partidos e os políticos. Provocou [...]]]></description>
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<p>Sérgio Abranches</p>
<p>A conjuntura política vai se complicando com a proximidade das eleições. Há uma boa chance de que essas eleições não sejam tão triviais como acham alguns. O quadro pode ficar bastante complexo.</p>
<p><span id="more-833"></span><strong></strong></p>
<p><strong>Minas maliciosa</strong><br />
O anúncio da candidatura de Itamar Franco ao Senado, pelo PPS de Minas Gerais, está agitando os partidos e os políticos. Provocou uma onda de conversas ao pé do ouvido, rumores e especulações no estado.</p>
<p>Não há como Itamar ter tomado essa decisão sem consultar o governador Aécio Neves (PSDB-MG). Nem o PPS faria o convite sem consultar o governador. Aécio tem garantida uma das duas vagas ao Senado. É imbatível. Mas isso não significa que vá realmente concorrer.</p>
<p>Com Itamar no páreo serão três possíveis candidatos fortes para duas vagas, porque o vice, José Alencar disse que pretende disputar também. Informações da família são de que está bem de saúde o suficiente para enfrentar a campanha. Mas ainda pode haver outros candidatos fortes, dependendo das definições para as vagas à candidatura ao governo do estado. Se o PT escolher Fernando Pimentel (PT-MG), o ministro Patrus Ananias (PT-MG) pode querer tentar uma vaga no Senado. Se Patrus sair para governador, Pimentel pode querer o Senado. Se o PT não se acertar com o PMDB, o ministro Hélio Costa (PMDB-MG), também pode querer a vaga.</p>
<p>Itamar diz que disputará ao lado de Aécio. Fariam uma dobradinha para tentar ficar com as duas vagas entre eles. Tem uma boa chance de dar certo. Mas Aécio pode ainda sair candidato a vice, numa chapa puro sangue com José Serra (PSDB-SP). Tudo ainda pode acontecer até março, abril. Mas o quadro geral está ficando cada vez mais complexo.</p>
<p><strong>Partidos divididos</strong><br />
Esta poderá ser uma eleição de partidos divididos. O PMDB se dividirá irremediavelmente e a divisão será ainda maior se o PT bloquear Michel Temer (PMDB-SP) para vice de Dilma Roussef (PT-RS). O apoio oficial do PMDB à candidatura governista ainda não está garantido.</p>
<p>O PT, pela primeira vez, terá defecções: uma parte dele votará em Marina Silva (PV-AC) no primeiro turno. Também há muita fricção interna por causa da intervenção do presidente Lula na disputa paulista. Lula quer porque quer Ciro Gomes (PPS-SP/CE) candidato ao Palácio Bandeirantes. Mas ele não tem base, nem prestígio eleitoral em São Paulo. Ninguém no PT paulista realmente deseja Ciro como candidato. Todos querem candidatura própria.</p>
<p>Marta Suplicy (PT-SP) tem o maior número de apoios e a melhor posição competitiva, embora Geraldo Alckmin (PSDB-SP) seja o favorito. O problema é que o PSDB anda tão atrapalhado e dividido, que pode escolher outro nome, abrindo caminho para uma vitória petista. Lula disse que se não for Ciro, quer Aloízio Mercadante (PT-SP). Mercadante tem menos apoio e menos competitividade que Marta, mas não é um candidato fraco, sobretudo se Alckmin for preterido. Antonio Palocci também tem sido falado. É o mais fraco dos três eleitoralmente.</p>
<p>O PDT vai se dividir. Uma parte apoiará Dilma, outra não. Apesar do apoio oferecido ontem pelo ministro Carlos Luppi (PDT-RJ) presidente licenciado do partido.</p>
<p>Dependendo de como Lula conduza essa questão da candidatura de Ciro Gomes e do comportamento do PT paulista, o PSB pode também se dividir.</p>
<p><strong>Lula transformou Ciro em problema</strong><br />
O presidente Lula pode ser bom de voto e gênio de comunicação e mobilização de massas. Mas isso não faz dele, necessariamente, bom estrategista eleitoral. Duas de suas insistências não levam necessariamente a boa estratégia.</p>
<p>Primeiro, a idéia da polarização. Pode funcionar a favor ou contra. Não se força um voto plebiscitário. É o eleitor que define a natureza do voto. Quando cair a ficha de que Lula está saindo do governo, o cálculo do eleitor vai mudar em direção que ainda não é totalmente previsível. Incorrer em custos políticos muito altos para forçar a polarização e tentar gerar uma campanha plebiscitária pode ser má estratégia eleitoral e ainda prejudicar fortemente a governabilidade futura, no caso de muita polarização e vitória do governismo.</p>
<p>Segundo, a insistência em tirar Ciro Gomes da disputa presidencial e forçá-lo a concorrer ao governo de São Paulo. Dois problemas aqui. Quando se olha as pesquisas por dentro, apesar de toda a inimizade, o que os dados mostram é que Ciro tem mais interseção no eleitorado de Serra do que no de Dilma. Lula acha que Ciro tira votos do governismo, mas ele tira votos mesmo é de Serra. Fica difícil entender a lógica do veto à candidatura de Ciro. E se houver algum contratempo com a candidatura de Dilma? O governismo ficará sem alternativa? Se ela não crescer o suficiente, se a polarização não ocorrer, sem Ciro, a oposição poderia ganhar no primeiro turno. Aliás foi argumento parecido que o PSB usou para argumentar com Lula.</p>
<p>O outro problema é com São Paulo. Como disse acima, nenhum petista quer Ciro Gomes candidato. Ciro não é competitivo no estado. É mais fraco que Marta e Mercadante.</p>
<p>O melhor momento para uma candidatura presidencial de Ciro Gomes é este. Melhor do que em suas outras tentativas. Deve ser difícil para ele e para o PSB deixar passar essa oportunidade.</p>
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		<title>Lula não voltará ao governo inteiramente: ficará em campanha.</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Oct 2009 19:10:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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O presidente Lula já está subjetivamente em campanha. Tem dedicado cada vez mais tempo de sua agenda pessoal à discussão político-partidária e de estratégia eleitoral, contatos com partidos e lideranças. 
Sérgio Abranches
A parcela de sua agenda pessoal destinada a assuntos de governo está ficando mais reduzida e se concentra muito nos temas de impacto eleitoral. [...]]]></description>
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<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O presidente Lula já está subjetivamente em campanha. Tem dedicado cada vez mais tempo de sua agenda pessoal à discussão político-partidária e de estratégia eleitoral, contatos com partidos e lideranças. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Sérgio Abranches<span id="more-382"></span></span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A parcela de sua agenda pessoal destinada a assuntos de governo está ficando mais reduzida e se concentra muito nos temas de impacto eleitoral. Copenhague e meio ambiente entraram na agenda por causa da candidatura da senadora Marina Silva (PV-AC).</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O presidente tem conseguido vitórias momentâneas com toda essa articulação. Está mantendo os partidos da coalizão aglutinados em torno da candidatura que propôs para sua sucessão. A exceção, até agora, é o PSB. Mas ele já conseguiu convencer Ciro Gomes (PSB-CE/SP) a mudar seu domicílio eleitoral para São Paulo. Os fundamentos reais dessa mudança até agora não foram elucidados. Na cabeça de Lula, parece simples: desejaria ver Ciro disputando o governo do estado, para bater em José Serra (PSDB-SP), criticar seu governo, contribuir para a polarização que ele tanto deseja e deixar o caminho livre para Dilma Roussef (PT-RS). Mas o PT quer ter candidato próprio. O lulismo não consegue emplacar todas. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Não está claro é o que Ciro Gomes quer. Ele diz que pretende disputar a presidência, mas que é fiel a Lula. As duas coisas parecem incompatíveis. O presidente já disse que quer uma só candidatura “da base” à presidência e é Dilma. Lula insiste em polarizar com FHC, o que parece mais um problema de fixação obsessivo-compulsiva, que uma estratégia sustentada em dados efetivos. O eleitor já não se lembra de FHC. O eleitorado não está, pelas pesquisas, polarizado, está fragmentado. E é possível que essa fragmentação aumente. É pouco provável que o presidente consiga persuadir o PT a apoiar Ciro para o governo do estado. É pouco provável que Ciro se torne um candidato competitivo em São Paulo. Pode-se estar imaginando que ele teria apoio do grande eleitorado nordestino do estado, com a ajuda de Lula. Difícil e não passa de especulação. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O que as pesquisas mostram é que Ciro é competitivo para presidente, mas não para governador de São Paulo. Enfim, há quem diga que tudo não passa de uma manobra diversionista combinada entre Lula e Ciro para desorientar ainda mais a oposição. Parece pouco plausível.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Não é preciso fazer nada para desorientar a oposição. Ela está em estado de desorientação desde que recuou no caso do mensalão, para proteger seus próprios envolvidos em esquemas de caixa 2, e viu Lula se recuperar inteiramente, ser reeleito e manter altos índices de popularidade. Sem projeto, sem visão para o futuro, sem candidato escolhido e sem muita liderança, a oposição está à deriva, enquanto Lula já surfa as ondas precoces da campanha de 2010. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">As principais lideranças da oposição, José Serra (PSDB-SP) e Aécio Neves (PSDB-MG), estão de mão amarradas e discurso engasgado, porque são governadores e, por definição, dependentes de recursos federais. A decisão de adiar definições faria sentido se Lula não tivesse posto sua caravana na rua. Com Lula em campo, carregando com certo esforço sua candidata, o silêncio e a inação da oposição deixam enorme espaço vazio no processo pré-eleitoral. Em política não existe espaço vazio. Quem abre espaço, perde espaço. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">E recuperar espaço pode ser complicado. Exige enorme capacidade de produção frequente de factóides eficazes, que consigam ampla repercussão na mídia. Lula é o mestre do factóide, embora César Maia (DEM-RJ) ache que foi ele que os inventou. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Esse espaço deixado vazio pela oposição pode ser ocupado por Dilma Roussef (PT-RS), mas pode também ser aproveitado por Ciro Gomes e, até mesmo, por Marina Silva, se ela emergir e também colocar sua caravana na rua. Por enquanto, a candidatura tem e resumido às passeatas festivas na Zona Sul do Rio de Janeiro, vistosas e ineficazes. Ciro já ocupa parte desse espaço com esse factóide sobre o que está pensando fazer: dá declarações ambivalentes, sobe no palanque de Dilma, ataca o aliado preferencial de Lula, o PMDB, e vai avançando. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Resumo da ópera. Lula continua a comandar a agenda eleitoral. Está definindo os termos do debate e deixando a oposição no córner. Se não sair do córner a oposição vai acabar forçada a uma campanha reativa. Campanhas reativas são sempre perdedoras. As dúvidas ficam por conta de Ciro Gomes e Marina Silva. </span></p>
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		<title>O Brasil se prepara para a mais competitiva eleição geral em 15 anos</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Oct 2009 22:52:53 +0000</pubDate>
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O troca-troca de partidos, as novas filiações e a identificação das lideranças que atraem novos filiados indicam fragmentação e competição em 2010.
Sérgio Abranches
Chegando perto da data limite estabelecida pela legislação eleitoral para troca de legenda ou filiação original, para garantir a elegibilidade em 2010, está havendo verdadeiro corre-corre. Já dá para perceber quem está ganhando [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="tweetmeme_button" style="float: right; margin-left: 10px;">
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			</a>
		</div>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O troca-troca de partidos, as novas filiações e a identificação das lideranças que atraem novos filiados indicam fragmentação e competição em 2010.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Sérgio Abranches<span id="more-306"></span></span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Chegando perto da <a href="http://www.ecopolitica.com.br/2009/09/21/eleicao-de-2010-comeca-oficialmente-no-dia-3-de-outubro/"><span style="text-decoration: underline;">data limite</span></a> estabelecida pela legislação eleitoral para troca de legenda ou filiação original, para garantir a elegibilidade em 2010, está havendo verdadeiro corre-corre. Já dá para perceber quem está ganhando e quem está perdendo. Mas o mais importante é ver que o movimento dos políticos não está concentrado em um ou outro partido, mas mais aberto. Isso é sinal de eleição fragmentada e não polarizada. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles anninciou, sua <a href="http://www.ecopolitica.com.br/2009/10/01/meirelles-no-pmdb-de-goias/"><span style="text-decoration: underline;">filiação ao PMDB</span></a>. Mas o PMDB está saindo em desvantagem do troca-troca de última hora. Perdeu mais que ganhou e o único nome realmente de peso que atraiu foi o de Meirelles.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O chanceler Celso Amorim, um dos autores da desastrada operação de refúgio de Manuel Zelaya na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, anunciou sua filiação ao PT.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Mas o PT, também sai em desvantagem do troca-troca. Perdeu lideranças e nomes de grande representatividade de sua galeria de políticos mais comprometidos com a ética, como Marina Silva, agora no PV, e Flávio Arns, que retorna ao PSDB. Ambos saíram fortemente prejudicados da operação de blindagem ao senador José Sarney. Mas, sem dúvida, o maior <a href="http://www.ecopolitica.com.br/2009/08/20/a-democracia-gotica-brasileira-um-espetaculo-surreal/"><span style="text-decoration: underline;">ônus dessa operação</span></a> de proteção ao clã de Sarney, diretamente conduzida pelo presidente Lula, recai sobre o PT. Afinal, o PMDB tem vários grupos regionais em seu condomínio com o mesmo padrão comportamento dos Sarney. Como dizia Márcio Moreira Alves, é um partido com um padrão moral bastante homogêneo. As exceções não conseguem alterar a média, a moda ou a mediana do partido nesse plano.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Lula joga tudo para ter o PMDB na coligação de Dilma Roussef. Vai cometer o erro que José Serra cometeu em 2002: confiar na <a href="http://www.ecopolitica.com.br/2009/09/28/pmdb-nao-se-unira-em-torno-de-candidatura-alguma-lula-paga-preco-alto-demais/"><span style="text-decoration: underline;">improvável lealdade eleitoral</span></a> do partido. Várias lideranças do partido já estão fechadas com José Serra (PSDB-SP), por exemplo.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">As filiações mais notáveis fora obtidas pelo PV.Notáveis porque já mostram a marca da liderança da senadora Marina Silva no partido. É o “<a href="http://www.ecopolitica.com.br/2009/08/10/o-fator-marina-influi-nas-candidaturas-do-pt-e-do-psdb/"><span style="text-decoration: underline;">fator Marina</span></a>” em operação. As adesões da última quarta-feira, 29.09, não foram ao PV, mas à candidatura de Marina Silva à presidência. Assinaram a ficha do partido para ficar ao lado de Marina, figuras expressivas como, entre várias outras, o empresário Guilherme Leal, co-presidente do conselho de administração da Natura; Ricardo Young, presidente do Instituto Ethos; o diretor executivo da Klabin e presidente da SOS Mata Atlântica, Roberto Klabin; o presidente do maior moinho de papel artístico artesanal da América Latina, o Moinho Brasil; Fernando Garnero, da Brasilinvest.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Guilherme Leal tem sido falado para vice-presidente na chapa de Marina Silva, operando como uma espécie de aval empresarial de sua candidatura. Talvez ela precise mais de <a href="http://www.ecopolitica.com.br/2009/08/17/marina-silva-candidata-e-coisa-para-se-levar-a-serio/"><span style="text-decoration: underline;">suporte político-eleitoral</span></a>, para ampliar sua penetração em determinadas áreas do país e fazer alianças que lhe dêem mais tempo de televisão, do que se aval empresarial.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Afinal, a presença de Marina Silva e desses aliados peso-pesados do setor empresarial, já representam uma mudança significativa na conformação programática do PV.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"><br />
</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Como diz o politólogo inglês Anthony Giddens em seu novo livro, “<a href="http://www.polity.co.uk/book.asp?ref=9780745646923"><span style="text-decoration: underline;">The Politics of Climate Change</span></a>”, o verde não é mais uma outra tonalidade para o vermelho. É fato que a maioria dos partidos verdes saíram do cinturão de “partidos vermelhos”, comunistas ou socialistas.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O caso mais conspícuo é o do Partido Verde Alemão, criado por ex-comunistas e socialistas desiludidos com o comunismo e insatisfeitos com as políticas conservadoras dos social-democratas. Mas, hoje, se diferenciaram significativamente das plataformas dos partidos socialistas e social-democratas, adotando uma agenda mais ampla e mais sistêmica da economia e da sociedade.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O recorte ideológico e programático dos verdes é diferente. Tem como eixo central dois desafios globais e interdependentes que marcam a trajetória futura do século XXI: o da mudança climática  e o da erradicação da miséria. Os verdes não são mais anti-capitalistas, embora sejam fortemente contra o consumismo. Querem novos padrões de produção e consumo, de baixo carbono, que são compatíveis com o modo de produção capitalista, digamos domesticado pela regulação. A idéia é mudar o capitalismo, não substituí-lo por superados modelos socialistas. Pode acabar dando na transição para outro modo de produção, talvez Marx dissesse isso, mas essa não é a teleologia dos novos verdes.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O presidente da FIESP, que é o baluarte do patriciado industrial de São Paulo, embora já tenha sido mais poderosa no passado, Paulo Skaf, filiou-se ao PSB. Ele não tem um traço sequer de socialismo, nem Ciro Gomes, que deve ser o candidato à Presidência, pelo partido. O partido é meio saco de gatos, como a maioria dos partidos brasileiros, mas está ganhando musculatura e tem o segundo colocado nas pesquisas presidenciais, no momento.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Esse troca-troca de legendas e essas novas filiações, todas de última hora, apontam para uma eleição muito competitiva e duramente disputada. Será um teste de stress para todos os candidatos. Pode ser a mais competitiva <a href="http://www.ecopolity.com/2009/09/21/brazil-may-be-heading-for-the-longest-presidential-campaign-of-its-recent-political-history/"><span style="text-decoration: underline;">eleição presidencial</span></a> dos últimos 15 anos. As eleições para a Câmara e o Senado devem ter a maior taxa de renovação das últimas quatro eleições. As eleições estaduais também devem ser muito competitivas. A democracia se nutre da incerteza, assim como das grandes surpresas eleitorais. Só com bola de cristal seria possível dizer se essas eleições surpreenderão na reta final. Mas são as que têm mais chance de surpresas em muito tempo.</span></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Meirelles no PMDB de Goiás</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Oct 2009 22:02:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles filiou-se ao PMDB, mas diz que só decidirá sobre concorrer ou não a um cargo eletivo em março. 
Sérgio Abranches
É pouco provável que Meirelles tenha se filiado apenas para garantir a possibilidade de vir a se candidatar, se assim decidir no ano que vem.
 
O mais plausível é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="tweetmeme_button" style="float: right; margin-left: 10px;">
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			</a>
		</div>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles filiou-se ao PMDB, mas diz que só decidirá sobre concorrer ou não a um cargo eletivo em março. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Sérgio Abranches<span id="more-303"></span></span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">É pouco provável que Meirelles tenha se filiado apenas para garantir a possibilidade de vir a se candidatar, se assim decidir no ano que vem.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O mais plausível é que já tenha se decidido a deixar o BC para se candidatar, mas não anunciará a decisão até março. Dessa forma, mantém por mais tempo a continuidade garantida da política monetária e se dá tempo, também, para articular a candidatura ao cargo que mais o atrai em seu estado de Goiás.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Aparentemente, a escolha do PMDB teve o dedo do presidente Lula. Ele preferia que Meirelles não deixasse o BC e esperasse a vitória de Dilma Roussef, para ocupar cargo de destaque no novo governo. Aposta arriscada. Dilma Roussef não é favorita para 2010. Além disso, a fama de seus rompantes de irritação e maus modos, com auxiliares e, até mesmo com colegas de ministério, percorre os corredores do Planalto, da Esplanada dos Ministérios e das estatais. Certamente já passou pelos corredores do BC.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Decidida sua saída da presidência do Banco Central no prazo para desincompatibilização, Lula teria pedido que se filiasse a partido de sua base e teria indicado o PMDB como escolha preferencial. O presidente, como se sabe, está investindo tudo no PMDB. Para ele tirar Meirelles da órbita do PSDB, pelo qual se elegeu deputado, e levá-lo para o condomínio peemedebista é um movimento interessante. O presidente não nutre simpatia pelo senador e ex-governador Marconi Perillo, que patrocinou a entrada de Meirelles na política eleitoral. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O atual governador, Alcides Rodrigues Filho (PP) pode tentar a reeleição. Ele foi eleito em uma coligação apadrinhada por Perillo e da qual o PSDB era o pivô. Perillo se elegeu senador, por essa coligação. Portanto, tem mais quatro anos de mandato. Não tenho informação se os dois têm acordo para o caso de Perillo querer voltar ao governo. Se ele decidir continuar no Senado, o PSDB pode ter, pelo menos, Lúcia Vânia na competição pelo Senado, buscando a renovação de seu mandato. O outro senador goiano é Demóstenes Torres (DEM), que perdeu a eleição para o atual governador. Ele pode tentar renovar o mandato ou disputar novamente o governo.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">No PMDB, os dois nomes fortes estão em situação bem distinta. Íris Rezende é prefeito de Goiânia, mas tem manifestado vontade de disputar o governo. Maguito Vilela perdeu o governo do estado no segundo turno para Alcides Rodrigues Filho, por pouco menos de 380 mil votos. É prefeito de Aparecida do Norte e é natural que queira voltar ao Senado. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Nos corredores de Brasília, o que se diz é que Meirelles sonha com o governo do estado. Mas há também quem diga que pode ser convidado para ser vice de Dilma Roussef. O problema é que o deputado e presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), que nunca teve boas relações com Lula e o PT, dos quais é aliado recente e há quem diga reticente, tem a expectativa de ser o vice na chapa lulista. Se essa expectativa for frustrada, fica ainda mais <a href="http://www.ecopolitica.com.br/2009/09/28/pmdb-nao-se-unira-em-torno-de-candidatura-alguma-lula-paga-preco-alto-demais/"><span style="text-decoration: underline; letter-spacing: 0.0px color;">difícil manter o PMDB na coligação</span></a>. A inevitável divisão do partido ficaria ainda mais adversa aos planos do presidente Lula. No momento, Temer está em confronto com Orestes Quércia (PMDB-SP), que quer o PMDB ao lado de Serra. Se perder a vaga de vice, não tem por que continuar apoiando a candidatura de Dilma Roussef. Era aliado de Serra antes, pode voltar a sê-lo.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Se Íris Rezende quiser mesmo disputar o governo, restaria a Meirelles buscar uma das duas vagas de senador, provavelmente ao lado de &#8211; e em concorrência com &#8211; Maguito Vilela. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">É no fechamento dessas articulações que Meireles deve se envolver até a data da desincompatibilização. É um nome de peso e prestígio, embora pouco testado eleitoralmente, mas certamente capaz de levantar a moral do partido no estado. O fato é que o PMDB que já reinou no estado, hoje não tem nem o governo e nenhum senador. Meirelles tem peso específico que lhe permite negociar, com chance, a candidatura que mais desejar.</span></p>
]]></content:encoded>
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		<title>PMDB não se unirá em torno de candidatura alguma. Lula paga preço alto demais.</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Sep 2009 18:02:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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Os principais caciques do PMDB andam se desentendendo sobre a posição do partido nas presidenciais de 2010. O partido pode estar rumando para mais uma convenção de confronto. Se for assim, o partido sairá dela irremediavelmente dividido, qualquer seja a decisão da maioria na convenção.
Sérgio Abranches
Não há como unir o PMDB em torno de qualquer [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="tweetmeme_button" style="float: right; margin-left: 10px;">
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			</a>
		</div>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;">Os principais caciques do PMDB andam se desentendendo sobre a posição do partido nas presidenciais de 2010. O partido pode estar rumando para mais uma convenção de confronto. Se for assim, o partido sairá dela irremediavelmente dividido, qualquer seja a decisão da maioria na convenção.</p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;">Sérgio Abranches<span id="more-288"></span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Não há como unir o PMDB em torno de qualquer candidatura, Dilma Roussef, José Serra, ou candidato próprio. Serra perdeu para Lula, tendo o PMDB como aliado. Uma parte significativa das máquinas regionais trabalhou para Lula naquela eleição. O caso da candidatura de Ulysses Guimarães, em 89, foi paradigmático. Ele era a principal liderança do partido, exercia autoridade sobre suas bancadas, no entanto, boa parte dos caciques regionais apoiou Fernando Collor e uma parte menor, Mário Covas. Ambos tiveram mais votos que o Dr. Ulysses, como era conhecido.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O presidente Lula está investindo tudo que pode na aliança com o PMDB, de onde deseja retirar o vice da chapa de Dilma Roussef. A coligação teria algumas vantagens práticas para a candidatura presidencial. A principal seria aumentar o tempo de TV. Mas tempo demais no horário eleitoral gratuito não tem eficácia comprovada. Os dados de audiência mostram que o ganho marginal de cada minuto adicional, a partir de 10 minutos, é mínimo. Dependendo do programa, há perda na margem. Ou seja, programa chato e longo repele audiência.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A coligação terá custos altos para o PT e o PMDB. O maior deles é que ambos terão que ceder espaço na Câmara ao aliado. Perderá mais, o partido que, isoladamente, tiver condições de eleger maior número de deputados. Provavelmente, o PMDB. Mas ambos perdem. Nas eleições estaduais, onde os dois são rivais históricos e polarizados, as perdas serão mais visíveis. Qualquer sacrifício de candidatos a governador, deputado estadual e senador, será grande demais, sobretudo da perspectiva de muitos de seus caciques regionais. Principalmente, se a chapa presidencial não ganhar. Nesse caso, as perdas são totais.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">As divisões internas do PMDB são insolúveis. A análise de custo-benefício da coligação com o PT não é favorável para a solução da maioria dos conflitos entre as diversas alas de caciques que formam o condomínio do PMDB. Ainda mais porque não se trata de uma candidatura com sinais de favoritismo sobre as demais. Ao contrário.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O que sustenta a aposta dos setores lulistas do partido na aliança é a crença na capacidade do presidente Lula de transferir sua popularidade para a votação de Dilma Roussef. Crença sem qualquer fundamentação empírica ou histórica. Era diferente na disputa de Lula pelo segundo mandato com Geraldo Alckmin (PSDB-SP). Alckmin não era páreo para Lula. Ainda assim, o presidente só garantiu a reeleição no segundo turno.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Uma convenção peemedebista agora, como anunciada por Dilma Roussef, na qual o partido anunciaria o apoio a sua candidatura, nada garante. Pela legislação eleitoral, só as convenções no prazo legal. As convenções para decidir sobre coligações e candidaturas só estão autorizadas a partir de </span><span style="letter-spacing: 0.0px color;">10 de junho d</span><span style="letter-spacing: 0.0px;">o ano que vem. Portanto essa decisão teria que ser ratificada meses depois. Até lá, se Dilma não mostrar avanços significativos e sustentáveis nas pesquisas, mesmo os aliados mais próximos podem abandoná-la. É óbvio que se, acontecer o anúncio em outubro, como disse Dilma, não é para valer. É só uma manobra sem efeito concreto.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">As concessões que Lula faz ao PMDB suplantam largamente os benefícios possíveis de uma coligação com um aliado que será inevitavelmente infiel. Nem mesmo a adesão real do partido à coligação está garantida. O presidente está jogando no limite com o PMDB. Põe em risco a reputação, a moral do governo e do PT. A proteção, por exemplo, ao senador José Sarney (PMDB-AP) causou danos morais e políticos a vários parlamentares importantes do PT, que não tiveram independência suficiente para votar com sua consciência contra o caudilho maranhense e senador pelo Amapá. Pode ter consequências eleitorais adversas para muitos deles. O PT perdeu políticos, lideranças e militantes, por causa dessa atitude. Pode não valer a pena, no final.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Coligações e coalizões amplas demais são um vício da política brasileira. Geralmente, levam partidos bons &#8211; ou menos ruins &#8211; a se igualarem aos piores, que se tornam pivôs das maiorias parlamentares. Esses partidos-pivô, sem princípios e sem programas, que só pensam em negociar seus votos por benefícios, viram a garantia da governança. A qualidade da governança é da por esses partidos-pivô e não pelo cabeça da coalizão. O presidente e seu partido se tornam reféns deles. A escolha do aliado é que define a qualidade do governo que teremos, no caso de sua vitória.</span></p>
]]></content:encoded>
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		<title>A democracia gótica brasileira: um espetáculo surreal</title>
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		<pubDate>Thu, 20 Aug 2009 19:51:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[#Sarney]]></category>
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Sérgio Abranches
A democracia brasileira entrou por um descaminho surreal. Virou uma democracia gótica, cheia de lobisomens, vampiros e zumbis agindo nas sombras de um sistema que desmorona eticamente.

Em uma coluna exemplar, hoje, na Time, o jornalista Joe Klein fala sobre as consequências danosas para a política, as políticas públicas e a vida real dos cidadãos, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="tweetmeme_button" style="float: right; margin-left: 10px;">
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			</a>
		</div>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Sérgio Abranches</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A democracia brasileira entrou por um descaminho surreal. Virou uma democracia gótica, cheia de lobisomens, vampiros e zumbis agindo nas sombras de um sistema que desmorona eticamente.</span></p>
<div><span style="font-family: Helvetica, 'Times New Roman', 'Bitstream Charter', Times, fantasy; font-size: medium;"><span style="line-height: normal;"><span id="more-208"></span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Em uma coluna exemplar, hoje, na Time, <a href="http://www.time.com/time/nation/article/0,8599,1917525-1,00.html"><span style="text-decoration: underline;">o jornalista Joe Klein</span></a> fala sobre as consequências danosas para a política, as políticas públicas e a vida real dos cidadãos, quando um dos partidos importantes no Congresso se torna uma casa de niilistas. É uma coluna com um ângulo humano tocante e uma perspectiva pessoal e local sobre um problema político universal.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Ao final, ele faz duas perguntas críticas, para a política e para o jornalismo. A primeira é, como assegurar a democracia quando um dos dois maiores partidos foi tomado por niilistas? A segunda: como é possível manter a ilusão da imparcialidade jornalística, quando esse partido se tornou obsoleto e medíocre?</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Jay Rosen, professor de jornalismo na New York University, recomenda a coluna de Klein, em seu Twitter, @jayrosen_nyu, dizendo que “quando a realidade é a questão que divide radicalmente os políticos, jornalistas precisam ter um lado”.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Essas duas perguntas transcritas para a conjuntura brasileira adquirem um tom trágico. Como apostar na democracia, quando todos os partidos relevantes foram assaltados por niilistas? Como manter a ilusão da imparcialidade jornalística se todos se tornaram obsoletos e medíocres?</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O episódio em que o PT foi tratorado pelo lulismo, associado ao que há de mais niilista no PMDB, destruindo a credibilidade de políticos que se fizeram na defesa de princípios e de uma utopia para o Brasil, é espantoso. O voto envergonhado de senadores petistas, em voz inaudível, para não ser captado pela TV Senado; o rosto escondido por trás de livros e processos, sem a coragem de levantar os olhos para a câmera e encarar os eleitores. As declarações patéticas do ministro José Múcio, naturalizando o desnaturado, justificando o injustificável. O deboche de um senador tucano, que defende o desmatamento e empresas flagradas com trabalhadores em trabalho escravo, tripudiando sobre a vergonha e a humilhação de senadores petistas que imolavam sua reputação, para salvar outro senador, um oligarca cujo prazo de validade na política já se esgotou há muito.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Como evitar os adjetivos, quando eles adquirem um significado substantivo? No caso de Joe Klein, significava denunciar com veemência e dureza as atitudes politicamente predatórias do Partido Republicano.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Mas e no nosso caso? São inúmeros os episódios de comportamento predatório tanto do PT, quando do PSDB, os dois principais partidos beneficiários, até agora, do um duopólio político, que se reveza na Presidência da República. Ambos se tornaram reféns do niilismo alheio  ao alimentarem rivalidade recíproca, quase cúmplice, desprezando as virtudes social democráticas que pregavam em comum, porém com ênfases distintas, para se aliarem a predadores sem afinidades com seus ideais. Brigavam, para se entregar ao que há de pior na política brasileira. Ambos corromperam politicamente seus ideais ao chegarem ao poder. Preferiram ser inimigos próximos, buscando aliados distantes, ética e politicamente, sempre com justificativas pragmáticas. Sempre lavando as mãos, como se a sujeira que permitiram nos ministérios loteados, não ficasse indelevelmente inscrita na história pátria.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Como ficar alheio a um processo óbvio, esperado, mas doloroso? Em política, o predador sempre prevalece sobre o virtuoso. A democracia em mecanismos para defender as virtudes cívicas, mas elas aqui foram entregues a seus próprios desvirtuadores. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Mas será que foram mesmo alianças de necessidade? Essa capitulação à ganância do PMDB é um traço de fraqueza, uma submissão por falta de alternativa, um ato de sobrevivência, ou uma escolha real, uma opção? Uma aliança real, não uma coabitação forçada pelas circunstâncias?</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Não será, por acaso, o resultado de uma presunção infundada, alimentada pela sensação de todo poder que a Presidência alimenta e potencializada por uma autoconfiança para além da realidade, que faz os presidentes imaginarem que controlarão e iludirão os profissionais do oportunismo e do assalto ao setor público? Essa entrega política, tem um componente de escolha que me parece evidente. E um desfecho anunciado. Esse predador não é como os lobos, que matam suas presas. É como a formiga, que arrebanha os afídeos, para sugá-los. Ou mais, como lobisomens e vampiros, que transformam suas presas em seus semelhantes.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">É isso: PT e PSDB se peemedebizaram, de tanto se entregarem à sucção de seus predadores. Um ritual político gótico, no melhor estilo, com atos explícitos de vampirismo, como na farsa do Conselho de Ética do Senado, presidido por um senador zumbi, sem voto e sem legitimidade. Mecanismo de defesa da instituição contra o desvirtuamento da função representativa, foi transformado em uma praça para a festança dos niilistas. Entre os votantes qualificados havia uma parcela considerável de senadores zumbis, fazendo o trabalho sujo que aqueles que têm voto não tiveram coragem de assumir.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Quero deixar clara minha posição, meu lado. Ao lado de nenhum deles. O governo FHC teve também muitos momentos de vampirismo explícito, a começar pela nefasta instituição da reeleição. O lulismo, teve vários, a começar pelo mensalão. Ambos aliados aos que se lixam para a opinião pública e para o eleitor-cidadão-contribuinte.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Os envergonhados, ainda nervosos com a primeira dentada, pedem ao presidente do partido que escreva carta determinando que se entreguem aos lobisomens de Calheiros e Sarney, como uma atitude programático-partidária, não mais puro pragmatismo. E ele escreve, sem pejo, acostumado a ceder aos dentes alheios, tudo em nome de ficar no poder, tudo em nome do lulismo.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A próxima dentada será menos indolor e menos constrangedora. E, no futuro, todos podem acabar sedentos mordedores.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">É essa a realidade? Não, lamentavelmente, não são esses coadjuvantes envergonhados ou assumidos, as vítimas da predação. Somos nós, a sociedade brasileira, que assiste complacente e envergonhada a esse espetáculo deprimente de vampirismo político. Ato que se repete como capítulo de novela, com um rabicho a mais, para esticar o enredo, encher linguiça, enquanto rola o faturamento.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O custo em políticas públicas mal ajambradas, em desperdício de dinheiro público, que poderia estar salvando vidas, produzindo tecnologia para o futuro, financiando inovações técnicas e culturais é assombroso. Valores e princípios são, desta forma, enterrados no descaminho de nossa democracia gótica.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Até quando?</span></p>
<p></span></span></div>
]]></content:encoded>
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		<title>Cenário eleitoral muda rapidamente se Marina Silva sair candidata</title>
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		<pubDate>Wed, 12 Aug 2009 05:50:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
				<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[2010]]></category>
		<category><![CDATA[eleições]]></category>
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		<category><![CDATA[PT]]></category>

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		<description><![CDATA[
			
				
			
		
Sérgio Abranches
Pessoas próximas à senadora Marina Silva dizem que ela já se decidiu a deixar o PT para se candidatar à presidência pelo PV.

Marina não parece mais sensível à argumentação de seus principais aliados políticos, nem aos apelos do presidente Lula, por meio de intermediários. Lula, ao que tudo indica, ainda não desistiu e tem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="tweetmeme_button" style="float: right; margin-left: 10px;">
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			</a>
		</div>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; color: #0c0c0c;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"><em>Sérgio Abranches</em></span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; color: #0c0c0c;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Pessoas próximas à senadora Marina Silva dizem que ela já se decidiu a deixar o PT para se candidatar à presidência pelo PV.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; color: #0c0c0c;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"><span id="more-144"></span></span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Helvetica; color: #0c0c0c;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Marina não parece mais sensível à argumentação de seus principais aliados políticos, nem aos apelos do presidente Lula, por meio de intermediários. Lula, ao que tudo indica, ainda não desistiu e tem convocado vários interlocutores com trânsito junto a Marina para conversar em Brasília.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; color: #0c0c0c; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; color: #0c0c0c;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Desde que Marina admitiu que estava considerando a proposta do PV, o Planalto e seus aliados acreanos estão abalados, em espécie de assembléia permanente, tentando encontrar uma maneira de demovê-la. É difícil, segundo um desses interlocutores, porque não se trata de oferecer uma barganha a Marina. Agora, a única maneira que antevêem é convencer Marina de que a candidatura do PT levará para a campanha uma plataforma ambiental avançada. Mas, para isso, seria preciso convencer a ministra Dilma Roussef e, mais que isso, persuadí-la de que a pauta ambiental e climática é para valer e relevante. Talvez não haja tempo.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; color: #0c0c0c; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; color: #0c0c0c;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Marina pegou o esquema eleitoral montado por Lula de surpresa. Eles esperavam um confronto Dilma x Serra, no qual Serra, simpático à visão de crescimento contida no PAC, não conseguiria montar um discurso oposicionista convincente, com uma proposta alternativa realmente contrastante. Enfrentando uma candidatura sem personalidade nítida contrastante e com o apoio de Lula, Dilma poderia ganhar.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; color: #0c0c0c; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; color: #0c0c0c;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O súbito aparecimento da possibilidade de uma candidatura Marina Silva soou o alarme no Planalto, de que o plano político do qual estavam muito seguros, seria seriamente ameaçado. A eleição não seria mais polarizada e Marina dividiria o eleitorado de Dilma, </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; color: #0c0c0c; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; color: #0c0c0c;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O ex-governador do Acre, Jorge Viana, um amigo próximo de Marina e de Lula, disse no domingo ao jornalista <a href="http://blogdaamazonia.blog.terra.com.br/"><span style="font: 12.0px Helvetica; text-decoration: underline; letter-spacing: 0.0px color;">Altino Machado</span></a> que ainda estava de “quarentena” e não comentaria a decisão da senadora porque ele e o governador do Acre Binho Marques ainda teriam mais uma conversa com ela. O governador emitiu nota, na qual diz que “</span><span style="letter-spacing: 0.0px color;">como amigo, companheiro e conhecedor de suas virtudes, serei sempre solidário a ela. Também reconheço sua importância na defesa de uma causa maior, uma causa do mundo. Como governador do Acre, tenho responsabilidades que não posso descuidar.” </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; color: #0c0c0c; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; color: #0c0c0c;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Na semana passada, Marina Silva recebeu o título de Doutora Honoris n Universidade Federal da Bahia, com a presença do governador petista e amigo de Lula, Jaques Wagner. Perguntado se conseguiria demovê-la de deixar o PT, ele disse o seguinte, segundo Altino Machado conta no <a href="http://blogdaamazonia.blog.terra.com.br/"><span style="font: 12.0px Helvetica; text-decoration: underline; letter-spacing: 0.0px color;">Blog da Amazônia</span></a>: </span><span style="letter-spacing: 0.0px color;">“tenho que ser sincero: a luta da Marina tem ganhado uma projeção cada vez maior no cenário nacional e mundial. Nós não temos a menor possibilidade de pressioná-la para mudar o que pensa e faz”.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; color: #0c0c0c; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; color: #0c0c0c;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Todos dão como certo a saída de Marina Silva do PT.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; color: #0c0c0c; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; color: #0c0c0c;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Essa convicção foi certamente influenciada pelas conversas privadas que ela vem mantendo com vários companheiros, mas também pelo que disse em reunião mais íntima, só com os amigos mais próximos e a família, relatada por Altino Machado. Nela, Marina disse: “vocês não precisam me acompanhar, fiquem no PT”. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; color: #0c0c0c; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; color: #0c0c0c;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Se todos esses sinais estiverem corretos e Marina Silva deixar o PT para iniciar negociações para montagem de uma coalizão eleitoral em apoio a sua candidatura à presidência da República, o cenário para a sucessão de Lula muda imediatamente. A candidatura de Marina Silva tem o poder de alterar radicalmente a <a href="http://www.ecopolitica.com.br/2009/08/10/o-fator-marina-influi-nas-candidaturas-do-pt-e-do-psdb/"><span style="font: 12.0px Helvetica; text-decoration: underline; letter-spacing: 0.0px color;">estrutura competitiva</span></a> do jogo sucessório. Marina tem carisma, ameaça a posição de Dilma Roussef a quem esse atributo falta de forma absoluta.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; color: #0c0c0c; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; color: #0c0c0c;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A biografia de Marina é o sonho de qualquer marqueteiro político. Analfabeta até os 16 anos, hoje tem curso superior. Sua infância foi consumida nos seringais, caçando e pescando, para ajudar o pai a manter uma família grande. Sua educação política foi nos movimentos sociais da Amazônia, junto aos seringueiros. Foi do sindicado dos seringueiros, junto com Chico Mendes. Ganhou o <a href="http://www.goldmanprize.org/theprize/about"><span style="font: 11.0px Verdana; text-decoration: underline; letter-spacing: 0.0px color;">Goldman Environmental Prize</span></a>, em 1996, conferido aos “heróis dos movimentos comunitários ambientais”, e o prêmio <a href="http://blog.norway.com/2009/04/02/the-sophie-prize-2009-awarded-to-marina-silva/"><span style="font: 11.0px Verdana; text-decoration: underline; letter-spacing: 0.0px color;">Sophie</span></a> de 2009, da Noruega, “por sua coragem, sua criatividade e sua habilidade para forjar alianças, mas primeiro e principalmente, por sua batalha pela conservação da floresta Amazônica”. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; color: #0c0c0c; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; color: #0c0c0c;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A quase totalidade dos ambientalistas brasileiros, a maioria dos quais ligada PT e de eleitores de Lula, com os quais conversei nos últimos três dias, se mostrou entusiasmadíssima com sua candidatura. Muitos deles estão ansiosos para ajudá-la a organizar a mobilização de sua campanha pelas redes sociais na Internet, inspirados na campanha de Obama. O primeiro site, quando foi criado, ganhou rapidamente 2000 filiados e estagnou. Com o anúncio da possibilidade da candidatura, nesses últimos dias, já saltou para 4000 e “continua bombando”, diz uma das militantes “marinistas”. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; color: #0c0c0c; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; color: #0c0c0c;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Segundo fontes em Rio Branco, o presidente Lula chamou o ex-governador Jorge Viana e o governador Binho Marques para uma conversa em Brasília, aparentemente para discutir o que ainda pode ser feito para demovê-la. Se todos os esforços falharem, Lula terá um outro problema. A substituição de Carlos Minc, que anunciou sua saída do ministério do Meio Ambiente, em março, para disputar as eleições legislativas. O que poderia ser uma simples substituição pelo secretário-executivo, pode complicar. Com Marina candidata, Lula teria que mostrar mais apreço pelo Meio Ambiente e buscar um ambientalista acima de suspeita para o lugar. Não será fácil. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; color: #0c0c0c; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; color: #0c0c0c;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Marina também terá um duro caminho pela frente, se decidir pela candidatura. A começar pela atração de outros partidos para formar uma coalizão eleitoral (coligação) que lhe dê tempo suficiente de TV para ser competitiva. Ela tem chance de conquistar o apoio de dois ou três partidos médios da esquerda. Após assegurar o tempo de TV, ela terá que desenhar um discurso de campanha que transcenda o ambientalismo e amplie seu apelo eleitoral, com um olho nos assalariados e os pobres preocupados com salário, renda e programas sociais; e outro nos mercados financeiros e setores empresariais desconfiados com seu “esquerdismo”. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; color: #0c0c0c; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; color: #0c0c0c;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Se ela terá sucesso nesse apelo mais geral, só o tempo dirá. Mas sem mesmo anunciar sua candidatura e a saída do PT, ela agitou o partido, o Planalto e o mundo político como um tornado vindo das águas do rio Acre. Não é pouco, para começo de conversa.</span></p>
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		<title>Impasse no Senado esconde séria crise partidária</title>
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		<pubDate>Wed, 29 Jul 2009 21:29:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[crise]]></category>
		<category><![CDATA[lulismo]]></category>
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		<category><![CDATA[PT]]></category>

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Sérgio Abranches
A crise do Senado já seria um mau sinal sobre a saúde de nossas instituições, se ficasse circunscrita apenas a questões morais e às evidências de corrupção endêmica no Legislativo.

O caso da Câmara, não é muito melhor. Mas a crise tem desdobramentos político-partidários muito sérios, com repercussões de curto, médio e longo prazo. Na [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="tweetmeme_button" style="float: right; margin-left: 10px;">
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			</a>
		</div>
<address>Sérgio Abranches</address>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A crise do Senado já seria um mau sinal sobre a saúde de nossas instituições, se ficasse circunscrita apenas a questões morais e às evidências de corrupção endêmica no Legislativo.</span></p>
<p><span id="more-40"></span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O caso da Câmara, não é muito melhor. Mas a crise tem desdobramentos político-partidários muito sérios, com repercussões de curto, médio e longo prazo. Na verdade, ela nasce de um quadro político-partidário já em crise e reforça os principais elementos que levaram a essa crise. Faz parte de um sistema de causas e efeitos que se reforçam mutuamente.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana; min-height: 16.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">No curto prazo, o efeito mais importante da crise é o aumento da fragmentação das forças políticas no Senado e a tentativa sistemática do governo e de setores do PT de buscar transformar essa fragmentação em polarização oposição-governo. O próprio fato de que nem as intervenções do presidente Lula conseguem força suficiente para polarizar o quadro político é em si relevante e expressivo. Mostra o grau de divisão e fracionamento do quadro político. As manifestações explícitas de desagrado no PT em relação ao apoio do presidente Lula ao senador José Sarney (PMDB-AP) e à insistência do presidente da República em fixar o eixo de sua relação com o PMDB no comando dos senadores Sarney e Renan Calheiros (PMDB-AL) têm implicações importantes. Apesar da disciplina com que o partido tem aceitado as imposições de Lula, as fraturas decorrentes desse enquadramento forçoso têm se aprofundado e se manifestarão mais explicitamente no futuro. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana; min-height: 16.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Nesse processo de confronto entre o lulismo e o PT, o ministro José Múcio (PTB-PE), das Relações Institucionais, acabou demitindo simbolicamente o líder do PT no Senado, Aloízio Mercadante (PT-SP), dizendo que ele não representava a bancada, ao propor o afastamento do senador José Sarney (PMDB-AP) da presidência da Casa.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana; min-height: 16.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A bancada do PT no Senado atestou que a maioria deseja sim, como disse Mercadante, o afastamento de José Sarney da presidência da Mesa. O senador reagiu com cautela. Mas nada de claro ou concreto acontece. Vaza para os bastidores e vai truncando mais as relações políticas entre o presidente e seu partido e entre os partidos aliados, a essa altura cada vez mais distantes entre si.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana; min-height: 16.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O ministro José Múcio nunca representou o PT na articulação política. Não tem trânsito nos dois maiores partidos da coalizão, PT e PMDB. Ambos, sempre que necessário, recorrem a interlocutores diretos para tratar com o presidente Lula e seus ministros.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana; min-height: 16.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A crise, porém, não atingiu apenas o PT. Ela está afetando todo o campo governista, aprofundando divisões e contradições, <span style="font-family: Verdana, 'Times New Roman', 'Bitstream Charter', Times, -webkit-fantasy;">por exemplo, <span style="font-family: Verdana, 'Times New Roman', 'Bitstream Charter', Times, fantasy;">no PMDB, <span style="font-family: Verdana, 'Times New Roman', 'Bitstream Charter', Times, -webkit-fantasy;"><span style="font-family: Verdana, 'Times New Roman', 'Bitstream Charter', Times, fantasy;">no PSB, e no PDT, meio dentro, meio fora do governo. </span></span></span></span></span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana; min-height: 16.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O Planalto teme que a saída do senador Sarney da presidência do Senado dê à oposição capacidade de controle sobre a CPI da Petrobrás e várias matérias delicadas que o governo não gostaria de ver escapar de seu controle, inclusive vários vetos. Vetos são decididos pelo Congresso Nacional, presidido também pelo presidente do Senado. O Senado será decisivo, por exemplo, na aprovação das concessões que o governo acaba de fazer ao Paraguai. Nada fácil aprová-las, em termos normais. Enquanto persistir o clima de crise, nem se fale. Também não seria trivial com um sucessor de Sarney. Mas nada garante que com Sarney o governo consiga ter vida mais fácil, até porque, do jeito que as coisas andam, ele só aparece em plenário para fazer discursos de auto-defesa.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana; min-height: 16.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Errando, como tem errado, na articulação política, o governo só contribui para a paralisia do Senado. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana; min-height: 16.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O campo oposicionista também não apresenta sinais vitais animadores. Além das fissuras nas relações entre o DEM e o PSDB, por causa dos dissabores no Senado, há também divisão crescente no interior dos dois partidos.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana; min-height: 16.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Essas fissuras e esses desentendimentos internos estão aprofundando a crise estrutural e de representatividade do sistema partidário como um todo e dos principais partidos do país, em particular. São vários os sinais inquietantes de crise partidária geral e sem que surjam alternativas. O enfraquecimento da capacidade de mobilização do PT. A derrocada intelectual, política e programática do PSDB. A formação de áreas difusas no campo da moralidade pública, em todos os partidos e na maioria das instituições do estado. A incapacidade de formação de novas lideranças.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana; min-height: 16.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Esse é o risco maior. Um sistema em decadência acelerada, sem que apareçam alternativas apontando na direção do realinhamento das forças partidárias, como já aconteceu em várias democracias maduras, pode desembocar em caudilhismo ou numa sucessão de governos fracos, corrompidos, pondo em risco a estabilidade política.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana; min-height: 16.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A polarização moderada entre Democratas e Republicanos, no EUA e o balanço de forças entre Conservadores e Trabalhistas, na Inglaterra, surgiram de realinhamentos políticos derivados da crise e desaparecimento de partidos que anteriormente ocupavam o centro do sistema de forças. A Itália passou por um profundo realinhamento, com o desaparecimento do partido que dominou sua vida política desde o após-guerra, a Democracia Cristã. Até hoje o sistema não encontrou um novo ponto de equilíbrio. Acabou caindo no colo de Berlusconi. As dificuldades políticas que o Japão tem enfrentado, com repercussões na capacidade de gestão macroeconômica do governo, estão relacionadas à decadência do partido dominante, sem que surjam condições propícias para o realinhamento partidário.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana; min-height: 16.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O PSDB tem se demonstrado incapaz de aproveitar as contradições políticas do governo Lula para construir uma alternativa programaticamente consistente e expressa em uma liderança ativa.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana; min-height: 16.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A decisão de postergar a definição do perfil sucessório que o partido adotará, a perda de capacidade de formulação de políticas de médio e longo prazo, produziu forte indiferenciação no quadro político. Essa indiferenciação dá ainda mais relevo à dominância do “lulismo”, que se mantém em função da popularidade incontrastada do presidente Lula. Nesse ambiente, o quadro eleitoral também tenderá à fragmentação e opacidade, aumentando a incerteza.</span></p>
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