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	<title>Ecopolitica &#187; política global</title>
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	<description>Política Mudança Climática Século XXI</description>
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		<title>Você sabe, a complacência voltou…</title>
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		<pubDate>Sat, 19 Sep 2009 02:18:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
				<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[crise]]></category>
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Acabou a crise? A economia global está muito diferente do que era antes da tragédia? Os governos fizeram o dever de casa? Estamos mais seguros agora? Sérgio AbranchesEu examinei várias análises econômicas da crise financeira global no aniversário da queda do Lehman Brothers.
A maioria se resume ao seguinte: a. as projeções para a crise foram muito [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="tweetmeme_button" style="float: right; margin-left: 10px;">
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			</a>
		</div>
<p>Acabou a crise? A economia global está muito diferente do que era antes da tragédia? Os governos fizeram o dever de casa? Estamos mais seguros agora? Sérgio Abranches<span id="more-270"></span><span style="font-family: Helvetica, 'Times New Roman', 'Bitstream Charter', Times, serif; line-height: normal; font-size: 15px;">Eu examinei várias análises econômicas da crise financeira global no aniversário da queda do Lehman Brothers.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A maioria se resume ao seguinte: a. as projeções para a crise foram muito pessimistas; b. o pior já passou; c. a economia mundial está se recuperando, ainda que devagar; d. o estímulo fiscal funcionou; e. os governos, porém, não adotaram as regras de precaução e a reforma do quadro regulatório que se haviam mostrado necessárias. Alguns criticaram o volume excessivo de recursos comprometidos com os estímulos fiscais, especialmente no EUA. Outros dizem que a Alemanha, por exemplo, não fez o suficiente esforço fiscal para estimular sua economia. Houve elogios moderados à coordenação fiscal entre as maiores economias, basicamente no âmbito do G20. O desempenho do FMI e do Banco Mundial também recebeu avaliação positiva.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Foi tudo assim tão bom mesmo?</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Os cenários de crise foram de fato mais pessimistas do que a realidade se mostrou. Quem acredita nisso, não pode aceitar a crítica de que o estímulo fiscal foi excessivo, porque ele foi dimensionado com base nos cenários de fim de mundo apresentados aos governos e parlamentos pelos economistas e pelos gênios dos gigantes financeiros em perigo.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Alguns analistas argumentam que o tamanho dos pacotes fiscais de países como o EUA e o Japão levarão a uma segunda fase da crise, marcada por alta inflação. Porque a crise reverteu mais rápido que o esperado e foi menos que o tsunami previsto por muitos cenários, os estímulos fiscais ficaram superdimensionados em ambos os países. Alta inflação levará a políticas fiscais e monetárias mais conservadoras que trarão de volta a recessão.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Alguns outros, em menor número, são ainda mais céticos sobre a afirmação de que o pior já passou. Ainda acreditam em um cenário no qual uma crise estrutural de longa duração, com altos e baixos de curta duração no seu interior, não pode ser totalmente descartado. Significando que haverá mais episódios de crise, após a recuperação atual, e antes que o pior fique para trás de verdade.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Confesso meu desconforto com os quadros mais róseos que pintam uma crise que já passou em definitivo. Também me preocupo com o risco de inflação e políticas contracionistas. Mas minha maior preocupação é com o que não mudou e com o que não aconteceu no momento que a quebra trouxe o pânico.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A morfologia do sistema financeiro mudou muito. Vários ícones do império financeiro de antes da crise não estão mais por lá. Wall Street ficou menos lotada e mais concentrada. No entanto, nada mudou realmente nas camadas mais profundas do sistema que determinam a maior parte do comportamento dos mercados financeiros. A mudança que ocorreu foi na superfície.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Mais ainda, a onda de choque teve consequências negativas mais duráveis no “andar de baixo”, sob a forma de empregos e negócios da economia real destruídos. Parte da riqueza perdida no andar superior, das altas finanças, eram poupança dos estratos médios mais jovens da sociedade, que financiariam a educação dos filhos, a casa própria, ou pequenos e médios negócios no futuro. Uma outra porção significativa da riqueza financeira perdida era para pagar a complementação de renda na inatividade e as aposentadorias dos estratos mais maduros da classe média. Esses são fatores de distúrbio a longo prazo, ainda por vir.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Uma fonte do mercado financeiro me disse que quase tudo está de volta em seu lugar, em Wall Street, na City de Londres e outros centros do império financeiro global. A complacência voltou, a aversão ao risco está cedendo, a busca de ganhos de curto prazo voltou. Vários daqueles que perderam seus empregos nas finanças estão de volta.  Enquanto isso, as economias reais se movem a um ritmo muito menor. Mesmo em países como o Brasil, onde muita gente, e especialmente os governos, acham que as coisas nunca foram realmente tão mal assim e que a recuperação foi rápida e completa, as feridas ao longo da economia real e nas casas dos desempregados ainda estão abertas e sangrando.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Esta semana, em New York, conversei com um cara que tem um pequeno negócio no setor de serviços. Eu havia estado com ele, lá mesmo, no auge da crise. Naquela época estava em desespero. Havia acabado de comprar casa nova próximo a New York, e estava tendo problemas com a hipoteca.  A casa estava com valor de mercado 40% abaixo do que ele havia hipotecado. Estava com medo de não ser capaz de pagar as prestações e com medo de ser capaz de pagar e dar mais dinheiro ao banco do que jamais conseguiria obter com a venda do imóvel no futuro. Lutava com o risco do despejo e com o risco de pagar mais do que o valor real da casa. Ele me contou que estava tentando renegociar a hipoteca, mas não conseguia sequer marcar uma entrevista com seu gerente no banco. “Ele está tendo que lidar com milhares de casos iguais ao meu”, me explicou.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Perguntei a ele, na última quarta-feira, se havia resolvido o problema da hipoteca. “Não, ainda estou esperando por uma resposta ao meu pedido de negociação”, respondeu. Mas ele não estava nem desesperado, nem ansioso. “Preenchi todos os papéis, o gerente finalmente me recebeu, agora estou esperando. As coisas estão melhorando devagarinho”, disse. “Os bancos não estão mais em crise, eles estão ganhando tanto dinheiro quanto antes, o valor dos imóveis está recuperando. A pressão diminuiu já não corro o risco de ser despejado. Eles estão demorando muito a me dar uma resposta, mas, você sabe, eles estão tendo muito trabalho, têm que processar milhares de casos como o meu”.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Era o que minha fonte no mercado estava me dizendo também. Eles estão ganhando muito dinheiro e esquecendo as lições da crise. A complacência voltou.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">E a regulação? Eu vi o discurso do presidente Obama em Wall Street, no aniversário do colapso do Lehman Brothers. Ele repetiu todas as promessas em relação ao projeto de lei definindo um novo quadro regulatório para o setor financeiro, especialmente mirando nos setores e atividades que hoje estão fora do alcance de qualquer agência. Nada foi feito até agora. A reação entre os congressistas e os representantes do setor financeiro foi negativa. Muitos disseram que não há necessidade de mais regulação. Alguns viram até socialismo e estatismo nas palavras de Obama.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Os presidentes Obama, Sarkozy e Lula, e o primeiro ministro Gordon Brown prometem lutar por um quadro regulatório multilateral para transações financeiras globais, e por regras para a efetiva coordenação global macroeconômica e regulatória, no G20, em Pittsburgh, semana que vem.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O presidente Obama disse em seu discurso que a regulação doméstica não funcionará se não houver coordenação global e se todas as nações com papel relevante no mercado global de capitais não adotarem quadros regulatórios similares, para seus próprios mercados.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O primeiro ministro da Austrália, Kevin Rudd, e o presidente da Coréia do Sul, Lee Myung-bak, <a href="http://www.ft.com/cms/s/0/55fd681a-97f3-11de-8d3d-00144feabdc0.html?nclick_check=1"><span style="text-decoration: underline; letter-spacing: 0.0px color;">fizeram várias recomendações</span></a></span><span style="text-decoration: underline; letter-spacing: 0.0px color;"> ao G20</span><span style="letter-spacing: 0.0px;"> sobre a coordenação macroeconômica necessária para administrar a transição da crise para a recuperação.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A história é simples: fizemos a parte fácil, com custos futuros, isto é, o estímulo fiscal, e ela funcionou, pelo menos para evitar uma depressão econômica mundial longa e profunda e para reverter a crise, no curto prazo. A tarefa pesada de construir um novo marco regulatório e promover a coordenação macroeconômica e regulatória no âmbito do G20 ficou por fazer.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Perguntei a um economista agora na vida universitária, mas que trabalhou em Wall Street por mais de três décadas e saiu pouco antes da crise, se ele acreditava que Obama conseguiria passar o projeto de lei regulatória. Ele respondeu que não. “A crise já passou, você sabe, a complacência voltou…”</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O politólogo Daniel Drezner, da Fletcher School of Law and Diplomacy, na Universidade Tufts, diz em <a href="http://drezner.foreignpolicy.com/posts/2009/09/03/ill_believe_in_macroeconomic_policy_coordination_at_the_g_20_when_i_see_it"><span style="text-decoration: underline; letter-spacing: 0.0px color;">seu blog</span></a> na Foreign Policy que ele acreditará em coordenação macroeconômica no G20 no dia em que a vir acontecer. Digo o mesmo.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Parece que o encontro do G20 discutirá duas decisões fundamentais que estão bloqueadas até agora e que têm a mesma lógica: reformas regulatórias e macroeconômicas, e um novo protocolo sobre mudança climática. Nos dois casos, esforços domésticos não darão resultados duráveis a não ser que todos os países relevantes adotem políticas similares, mesmo havendo espaço para alguma diversidade de ritmo e intensidade, e na ausência de efetiva coordenação global.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Não faço altas apostas no <a href="http://bloggingheads.tv/diavlogs/22515?in=08:30&amp;out=35:10"><span style="text-decoration: underline; letter-spacing: 0.0px color;">papel do G20</span></a> em Pittsburgh para romper esses bloqueios, seja na reforma estrutural dos sistemas financeiro e econômico, seja no acordo global do clima. Mas estou pronto apostar algumas fichas de que a cúpula também não será uma perda total. Haverá algum progresso na compreensão comum de ambos os desafios e essa convergência de entendimento será muito importante no futuro próximo, quando eventos tanto econômico-financeiros, quanto climáticos vierem a exigir decisões muito mais duras do que aquelas que estamos preparados para tomar agora.<br />
</span></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Grandes empresas brasileiras se comprometem com política de redução de gases estufa</title>
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		<pubDate>Wed, 26 Aug 2009 19:02:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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		<category><![CDATA[mudança climática]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
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Sérgio Abranches
Um grupo contendo algumas das maiores empresas brasileiras se reuniu em São Paulo nessa terça-feira, para  assinar uma “Carta aos Brasileiros sobre a Mudança Climática,” durante no seminário “Brasil e Mudanças Climáticas: oportunidades para uma economia de baixo carbono”, promovido pelo Valor Econômico e pela GloboNews.

Pode ter sido um momento histórico, quando uma porção [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="tweetmeme_button" style="float: right; margin-left: 10px;">
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			</a>
		</div>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Sérgio Abranches</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Um grupo contendo algumas das maiores empresas brasileiras se reuniu em São Paulo nessa terça-feira, para  assinar uma “Carta aos Brasileiros sobre a Mudança Climática,” durante no seminário “Brasil e Mudanças Climáticas: oportunidades para uma economia de baixo carbono”, promovido pelo Valor Econômico e pela GloboNews.</span></p>
<div><span style="font-family: Helvetica, 'Times New Roman', 'Bitstream Charter', Times, serif; font-size: medium;"><span style="line-height: normal;"><span id="more-228"></span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Pode ter sido um momento histórico, quando uma porção representativa da elite empresarial brasileira finalmente adere a uma política climática efetiva. Pode, também, se provar um blefe, caso tudo termine em maquilagem verde. Promessas têm pouco valor até começarem a ser cumpridas.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A carta, entretanto, dá elementos para que se possa responsabilizar as empresas, pelas promessas feitas e não cumpridas. Se cumprirem, também terão credibilidade para pedir o registro público de seu diferencial. Elas se comprometem com ações concretas, embora não totalmente especificadas. Mas são claras o suficiente para os vigilantes vigiar e cobrar suas afirmações. E a sala estava cheia de vigilantes.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A carta foi assinada na base da adesão, não da negociação de termos. Entre os assinantes, pesos-pesados como Vale, Única, Aracruz, Suzano, Pão de Açúcar, e 17 outras. Entre elas grandes empreiteiras como Camargo Correia, Odebrecht, Andrade Gutierrez e OAS, todas envolvidas nos projetos ambientalmente mais controvertidos do governo. Muitas as signatárias são grandes exportadoras e algumas, como a Vale, globalizadas, com operações em vários países, atravessando os continentes. Estas sofrem diretamente as pressões do mercado internacional e os sinais de elevação das barreiras climáticas e ambientais.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Grandes multinacionais também pediram para assinar a carta, como a Wall Mart, mas uma decisão política dos organizadores a restringiu apenas a empresas brasileiras. Queriam evitar a crítica de que era “coisa de estrangeiro”. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">De acordo com o presidente do Instituto Ethos, Ricardo Young, “trata-se de um pacto formal”. O Ethos esteve na frente, junto com o Imazon, centro de inteligência e ação da Amazônia, na redação da carta-compromisso e na mobilização inicial das empresas. O presidente da Vale Roger Agnelli liderou a convocação das lideranças empresariais para aderirem à carta.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">As empresas que a assinaram formalmente se comprometeram a:</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 6.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">“Publicar anualmente o inventário das emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) de nossas empresas, bem como as ações para mitigação de emissões e adaptação às mudanças climáticas. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 6.0px 0.0px; text-align: justify; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Incluir como orientação estratégica no processo decisório de investimentos a escolha de opções que promovam a redução das emissões de GEE nos nossos processos, produtos e serviços.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 6.0px 0.0px; text-align: justify; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Buscar a redução contínua de emissões específicas de GEE e do balanço líquido de emissões de CO2 de nossas empresas por meio de ações de redução direta das emissões em nossos processos de produção, investimentos em captura e sequestro de carbono e/ou apoio às ações de redução de emissões por desmatamento e degradação.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 6.0px 0.0px; text-align: justify; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 6.0px 0.0px; text-align: justify; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Atuar junto à cadeia de suprimentos, visando a redução de emissões de fornecedores e clientes.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 6.0px 0.0px; text-align: justify; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; text-align: justify; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Engajar-nos junto ao governo, à sociedade civil e aos nossos setores de atuação, no esforço de compreensão dos impactos das mudanças climáticas nas regiões onde atuamos e das respectivas ações de adaptação.”</span><span style="font: 10.5px Helvetica; letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 10.5px Helvetica; min-height: 12.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">São promessas que poderão ser cobradas em breve. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Roger Agnelli, da Vale argumentou no seminário que o “mundo já está mudando, já mudou muito, e nós temos que mudar também, se quisermos manter nossa competitividade”. Ele insistiu que “todas as empresas terão que publicar seus balanços de carbono e o governo também terá que fazer o inventário nacional das emissões anualmente”. Agnelli afirmou que o “mundo já está em uma clara transição para uma economia verde”.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Sua companhia, a Vale, está longe de ser uma empresa verde e ele terá que comandar profundas mudanças nela, para respeitar os compromissos que tem advogado ativamente nos últimos dois meses e que acabaram inscritos na carta. Vários presidentes de empresas presentes no ato de assinatura reconheceram publicamente que estavam respondendo a um chamado de Agnelli para a ação.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O co-presidente do conselho da Natura, Guilherme Leal, também um dos signatário, disse com ênfase no seminário, que o Brasil está seguindo um modelo de crescimento meio século XIX, meio século XX, e que “com esse modelo o país não será competitivo no século XXI”. Ele também lembrou que o PIB é um “péssimo indicador de qualidade de vida e desenvolvimento equitativo”, ao criticar o PAC. Ricardo Young, do Ethos, concordou. Ele tem papel ativo no lado brasileiro do Fórum Econômico Mundial, e disse que tem certeza de que  “em Davos, durante a próxima reunião do Fórum, serão discutidas alternativas ao PIB como alternativa para medir efetivamente a qualidade do desenvolvimento de cada país”.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Adalberto Veríssimo, do Imazon, que teve participação chave na redação das várias versões da carta, como principal consultor técnico do grupo que liderou todo esse processo disse que o Brasil carece de um “espaço para um diálogo permanente entre empresas, ambientalistas e governo sobre a economia de baixo carbono”.  Ele seria um instrumento importante, segundo ele, para implementar ações mais profundas e ambiciosas em relação à mudança climática. Também alertou para o fato de que a Amazônia não aguenta mais, “ela precisa da meta de desmatamento-zero até 2014, o único caminho para salvar a floresta e reduzir as emissões por desmatamento e degradação”. Vale lembrar que a meta do governo é insuficiente: 70% de redução do desmatamento até 2020.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A parte menos interessante e menos momentosa do evento foi protagonizada pelas autoridades governamentais, particularmente o ministro Sérgio Rezende, da Ciência e Tecnologia, e o Secretário de Mudança Climática do Itamaraty, e negociador-chefe para mudança climática, Luiz Alberto Figueiredo.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O ministro Sérgio Rezende, de quem é a responsabilidade pelo inventário de emissões, nem fazer o dever de casa para o seminário fez. Foi impreciso ao explicar porque só temos um inventário de emissões até 1994. Vago ao dizer quando será publicado o novo inventário, “com dados até 2002 ou 2004, não me lembro bem”. O relatório 1994-2004 não apresenta as dificuldades técnicas que ele alegou e está engavetado por razões estritamente políticas. O ministro disse que, embora o inventário não esteja concluído, “os dados existem e todo mundo conhece, apenas não estão publicados em um livrão”. Não é verdade que todo mundo conheça os dados, porém, mais importante, é que não é possível usar a sério dados não oficialmente publicados. Fica-se à mercê do desmentido político das autoridades governamentais. A realidade é que só se pode usar os dados publicados em 95, que vão até 1994. O novo relatório, cobrirá o “boom” pós Plano Real, mas não os anos de alto crescimento mais recentes: 2005-2008. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O ministro Carlos Minc, do Meio Ambiente, disse que seu ministério desenvolveu um modelo para fazer estimativas confiáveis de emissões de carbono e que vai divulgar seus próprios números em breve, para os principais setores da economia brasileira. A Secretária para Mudança Climática do ministério, Suzana Kahn, parte do grupo de brasileiros que integra o IPCC, me disse que o relatório para a indústria sairá na semana que vem. Subsequentemente, o ministério divulgará as estimativas para agricultura e florestas (mudanças no uso da terra) e transportes.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Minc também confirmou que o Brasil levará uma meta de emissões a Copenhague, que “não será compulsória, mas será mensurável e verificável”. Em entrevista a André Trigueiro, da Globonews, mostrada no evento, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim disse que não é contra o Brasil aceitar um número máximo para suas emissões, com prazos, que seja “compatível com nossas necessidades de desenvolvimento”. O negociador-chefe do Brasil para mudança climática, Luiz Alberto Figueiredo, disse à platéia que discorda quando se diz que o Brasil está mudando de posição. “Estamos convergindo para um compromisso quantificável e verificável, à medida que as negociações vão chegando ao final”. Ele também argumentou que esse número não poderia ser considerado uma meta “em diplomatês”, porque não é um compromisso formalmente inscrito na parte compulsória do protocolo.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 12.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Alan Charlton, embaixador do Reino Unido no Brasil, me disse estar muito animado com a firmeza  e segurança com que os empresários brasileiros estavam defendendo essa nova postura. Ele vê também sinais de que há avanços na posição oficial do Brasil. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Pela primeira vez, havia o sentimento de que se o governo brasileiro ainda não mudou sua posição, pode vir a mudar. Mas muitos continuam com sérias dúvidas sobre a real atitude do governo e de fato qual será o grau de comprometimento e cooperação que marcará a posição oficial brasileira em Copenhague.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A senadora Marina Silva me disse que “os intelectuais já mudaram, os povos da floresta já mudaram, os governadores da Amazônia já mudaram, agora as lideranças empresariais estão mudando. Só o governo está ficando para trás.” Bem, ele tem menos de 100 dias para mudar de atitude, antes que a COP-15 comece em Copenhague, com as negociações centrais já previamente fechadas, como é da praxe diplomática.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O governo está muito longe de ter uma posição adequada com relação à mudança climática e ao ambiente. O ministro Minc, por exemplo, está prestes a perder uma batalha relevante, confrontados por todos os outros ministros, inclusive a candidata do presidente Lula a sua sucessão, a ministra Dilma Roussef. Eles querem que o Ibama revogue a decisão sobre as compensações ambientais das termelétricas a carvão e diesel.  Minc me disse que está cada vez mais difícil resistir. Há muito lobby de grandes empresas e de políticos. O argumento é que retira competitividade das termelétricas porque eleva seu custo. Mas essa é a idéia.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O Ministério das Minas e Energia usa critérios tecnicamente equivocados nos leilões, que tornam as termelétricas da pior espécie de maior custo, competitivas, com enorme dano ambiental e climático. A regra do Ibama corrige esse erro, eliminando uma vantagem competitiva ilegítima para o uso de combustíveis fósseis e quer se certificar de que as absurdas emissões que elas representam serão de fato compensadas.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Investidores e empresas deveriam estar explorando os imensas potenciais eólicos e fotovoltaicos do país. Deveriam estar pedindo ao governo uma nova política de energia, que estimule essas fontes renováveis, em lugar de carvão e óleo diesel.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Grandes empresas &#8211; especialmente empreiteiras &#8211; o ministro dos Transportes, a ministra Dilma Roussef e o próprio presidente Lula mostram irritação com as exigências de compensação e precaução prévias feitas pelo ministério para a BR 319, Porto-Velho Manaus. Ela corta o coração de uma área de floresta ainda intocada. Minc nunca quis a rodovia, ele me disse pessoalmente mais de uma vez. Mas, diante da determinação presidencial de fazê-la, “o mínimo que podia fazer era exigir medidas de precaução e compensação prévias”. Ele já me havia dito anteriormente que o ministério já detectou aumentou significativo do desmatamento no início da estrada, onde o Exército está trabalhando para acelerar a obra.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A BR 319 é um enorme erro técnico, econômico, logístico e ambiental. O Ministro dos Transportes insiste nela, porque pretende se candidatar ao governo do Amazonas. Isso apenas torna ainda mais suspeitas as motivações para a estrada.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O professor de logística do COPPEAD-UFRJ, Paulo Fernando Fleury, também do ILOS &#8211; Instituto de Logística e Supply Chain me mostrou uma avaliação recente das rodovias amazônicas ligadas à soja, que coordenou recentemente. elas são a pior opção modal do ponto de vista econômico, logístico e ambiental.  Seu custo de frete por tonelada é 1,7 vezes maior que das ferrovias e 2,3 vezes maior que das hidrovias. O prazo de retorno do investimento das rodovias é 14 anos, enquanto para ferrovias é de 9 anos e para hidrovias, 3 anos. As emissões dos gases estufa estudados são muito mais elevadas. Quando comparadas às ferrovias as emissões de N</span><span style="font: 10.0px Helvetica; vertical-align: -3.5px; letter-spacing: 0.0px;"><sub>2</sub></span><span style="letter-spacing: 0.0px;">O são 5,5; de NOx, 5,6; de CO</span><span style="font: 10.0px Helvetica; letter-spacing: 0.0px;"><sub>2</sub></span><span style="letter-spacing: 0.0px;">, 3,4; e de CO, 3,0 vezes maiores. Confrontadas com as emissões de hidrovias:  as de N</span><span style="font: 10.0px Helvetica; vertical-align: -3.5px; letter-spacing: 0.0px;"><sub>2</sub></span><span style="letter-spacing: 0.0px;">O são 16,7; de NOx, 15,9; de CO</span><span style="font: 10.0px Helvetica; letter-spacing: 0.0px;"><sub>2</sub></span><span style="letter-spacing: 0.0px;">, 5,0; e de CO, 8,3 vezes maiores.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O sentimento dominante no governo brasileiro ainda é antagônico à idéia de uma agenda de desenvolvimento tendo como eixo central a transição para uma economia de baixo carbono, o mais rápido possível. Esse sentimento negativo em relação às políticas de mudança climática está diretamente ligado às convicções pessoais do presidente Lula sobre o que o desenvolvimento realmente é.  Ele considera desenvolvimento grandes obras visíveis &#8211; barragens e rodovias, em particular &#8211; e rápido crescimento do PIB. ele tem grande preocupação com o emprego, mas parece cético com relação à criação de empregos verdes. Também não parece ver o risco de destruição de empregos com a manutenção de uma economia de alto carbono. Esse ceticismo provavelmente se deve à diferença de qualificações exigidas pelos empregos “verdes”, comparados aos empregos “cinzas”. O presidente conhece bem o que e necessário para criar empregos de “colarinho-azul“, mas talvez não esteja informado sobre o que é necessário para criara empregos de “colarinho verde”. Lula sabe o valor dos empregos de colarinho azul, mas os empregos verdes são uma entidade desconhecida para ele.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O Brasil ainda tem um longo caminho para trilhas, antes que possamos dizer que está, realmente, no rumo de uma economia de baixo carbono. </span></p>
<p></span></span></div>
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		<title>China revê posição em relação aos gases que causam efeito estufa</title>
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		<pubDate>Thu, 20 Aug 2009 11:44:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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		<category><![CDATA[China]]></category>
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Os sinais de que a China deverá mudar de posição na Convenção do Clima. Deve adotar medidas para que suas emissões desacelerem a partir de 2020, para ter seu ápice em 2030 e, em seguida, começarem a cair. Comentário de Sérgio Abranches, na CBN.
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			<a href="http://api.tweetmeme.com/share?url=http%3A%2F%2Fwww.ecopolitica.com.br%2F2009%2F08%2F20%2Fchina-reve-posicao-em-relacao-aos-gases-que-causam-efeito-estufa%2F"><br />
				<img src="http://api.tweetmeme.com/imagebutton.gif?url=http%3A%2F%2Fwww.ecopolitica.com.br%2F2009%2F08%2F20%2Fchina-reve-posicao-em-relacao-aos-gases-que-causam-efeito-estufa%2F&amp;source=abranches&amp;style=normal&amp;service=bit.ly&amp;hashtags=China,COP15,Copenhaque,mudan%C3%A7a+clim%C3%A1tica,pol%C3%ADtica+global" height="61" width="50" /><br />
			</a>
		</div>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Os sinais de que a China deverá mudar de posição na Convenção do Clima. Deve adotar medidas para que suas emissões desacelerem a partir de 2020, para ter seu ápice em 2030 e, em seguida, começarem a cair. Comentário de <a href="http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/sergio-abranches/SERGIO-ABRANCHES.htm"><span style="text-decoration: underline; letter-spacing: 0.0px color;">Sérgio Abranches, na CBN.</span></a></span></p>
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		<title>A brecha do desenvolvimento: tema crítico nas negociações do clima</title>
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		<pubDate>Thu, 06 Aug 2009 02:57:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[China]]></category>
		<category><![CDATA[Índia]]></category>
		<category><![CDATA[mudança climática]]></category>
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		<description><![CDATA[
			
				
			
		
Sérgio Abranches
As disparidades de desenvolvimento entre nações ricas e emergentes se tornaram uma das questões mais críticas no caminho de um acordo climático em Copenhague.


A brecha do desenvolvimento como impasse
Objetivos de desenvolvimento são inseparáveis da disputa política interna e o argumento de que desenvolvimento não é a mesma coisa que crescimento do PIB ainda não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="tweetmeme_button" style="float: right; margin-left: 10px;">
			<a href="http://api.tweetmeme.com/share?url=http%3A%2F%2Fwww.ecopolitica.com.br%2F2009%2F08%2F05%2Fa-brecha-do-desenvolvimento-tema-critico-nas-negociacoes-do-clima%2F"><br />
				<img src="http://api.tweetmeme.com/imagebutton.gif?url=http%3A%2F%2Fwww.ecopolitica.com.br%2F2009%2F08%2F05%2Fa-brecha-do-desenvolvimento-tema-critico-nas-negociacoes-do-clima%2F&amp;source=abranches&amp;style=normal&amp;service=bit.ly&amp;hashtags=China,%C3%8Dndia,mudan%C3%A7a+clim%C3%A1tica,pol%C3%ADtica+global" height="61" width="50" /><br />
			</a>
		</div>
<address>Sérgio Abranches</address>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">As disparidades de desenvolvimento entre nações ricas e emergentes se tornaram uma das questões mais críticas no caminho de um acordo climático em Copenhague.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"><span id="more-107"></span></span></p>
<div><span style="font-family: Helvetica, 'Times New Roman', 'Bitstream Charter', Times, fantasy; font-size: small;"><span style="line-height: normal;"></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"><strong>A brecha do desenvolvimento como impasse</strong></span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Objetivos de desenvolvimento são inseparáveis da disputa política interna e o argumento de que desenvolvimento não é a mesma coisa que crescimento do PIB ainda não ganhou os corações e mentes da maioria, nem globalmente, nem no plano doméstico. A recusa de aceitar um acordo climático por grandes emissores como a China e a Índia dá às nações ricas uma desculpa para não adotarem ações mais duras para reduzir suas emissões de carbono unilateralmente. Especialmente as emissões da China são frequentemente citadas como um fato que torna inútil qualquer medida adotada por outras nações. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">E, no entanto, a China é, dos três atores emergentes críticos nas negociações do clima, o que mais investe em energias e tecnologias limpas, embora também se recusando a adotar metas compulsórias de redução de emissões. Os governos do Brasil e da Índia se mostram muito mais relutantes. Seus esforços de investimento em relação ao PIB estão muito atrás dos da China. Há uma razão simples e direta para a China ser vista como o pivô do time dos emergentes. Embora fazendo muito mais que Brasil e Índia, a China é grande demais e emite carbono demais e vai continuar sendo assim por bastante tempo ainda. Por isso é alvo fácil daqueles que procuram razão para bloquear qualquer acordo real. A negação do acordo pelas três maiores potências emergentes (os BICs) se torna uma justificativa para a inação geral.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"><strong>O Ziguezague da Índia</strong></span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Antes do encontro de L’Aquila, em julho passado, o <a href="http://www.reuters.com/article/environmentNews/idUSTRE55T65N20090630"><span style="text-decoration: underline;">ministro do Meio Ambiente da Índia</span></a>, Jairam Ramesh disse que “a Índia não pode e não vai aceitar metas de redução de emissões, porque a erradicação da pobreza e o desenvolvimento econômico e social são sua primeira e determinante prioridade”. Depois desse encontro do G8+5 e da visita da secretária Hillary Clinton à Índia, entretanto, o governo indiano anunciou várias iniciativas verdes ( <a href="http://news.yahoo.com/s/nm/20090728/india_nm/india413584"><span style="text-decoration: underline;">aqui</span></a>, <a href="http://www.reuters.com/article/idUSDEL429150"><span style="text-decoration: underline;">aqui</span></a> e <a href="http://tr.im/viAd"><span style="text-decoration: underline;">aqui</span></a>). Jairam Ramesh finalmente tornou pública a posição oficial com relação às negociações do clima em Copenhague: sim a um acordo, não às metas compulsórias, pelo menos pelos próximos dez anos, (<a href="http://tr.im/vd6Y"><span style="text-decoration: underline;">aqui</span></a>).</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Essa posição converge para a proposta que o Reino Unido vem fazendo, como exposta, por exemplo, por <a href="http://www.chathamhouse.org.uk/files/14384_150709stern.pdf"><span style="text-decoration: underline;">Nicholas Stern</span></a>, de que a Índia se comprometa agora apenas a se comprometer com metas de reduções de emissões a partir de 2020. O primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, disse que “o entendimento da Índia, que tem sido consistentemente apresentado em todos os fóruns, é que a mudança climática está acontecendo e suas consequências adversas terão impacto mais pesado em países em desenvolvimento como a Índia”. Essa declaração foi feita como resposta a críticas no país, de que ao assinar a Declaração de L’Aquila dizendo que a temperatura global não deve exceder 2C teria dado o primeiro passo para aceitar metas de reduções de emissões em Copenhague. O primeiro-ministro reconheceu que era a primeira vez que a Índia aceitava a referência ao limite de 2C, mas, disse, “isso está inteiramente em linha com nossa posição já firmada sobre o aquecimento global (…) Chamar atenção para a seriedade do aquecimento global não se traduz automaticamente em uma compulsão por parte da Índia ou outros países em desenvolvimento representados no Fórum das Maiores Economias em aceitar obrigações de redução de emissões”. Veja a matéria <a href="http://sify.com/news/fullstory.php?a=jh3u4Cdcdic&amp;title=India_hasn_t_changed_its_climate_policy_PM"><span style="text-decoration: underline;">aqui</span></a>.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Embora dando passos bem cautelosos, a Índia começa a se mover rumo a um papel mais cooperativo nas negociações sobre a mudança climática. Parece estar indo na mesma direção da China, ambos à frente do Brasil.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Discutirei a política interna brasileira sobre a política climática em maior profundidade em outro post.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"><strong>Diferentes perspectivas: diferentes prioridades para a mudança climática</strong></span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"><strong> </strong></span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A disposição mental sobre mudança climática, do mesmo modo que a sensibilidade dos governos às demandas sociais por ação variam amplamente entre os maiores atores políticos na cúpula do clima.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A mudança na correlação de forças no EUA resultante na eleição do presidente Obama representou a saída do lado dos “bloqueadores”, para assumir um papel de liderança na busca de um acordo climático efetivo, passando para o lado dos “facilitadores”. Isso está acontecendo aparentemente a despeito do fato de que o público no EUA não pareça desejar muito intensamente que o governo dê prioridade mais alta à política de mudança climática, pelo menos por ora.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Uma <a href="http://www.worldpublicopinion.org/pipa/articles/btenvironmentra/631.php?nid=&amp;id=&amp;pnt=631&amp;lb="><span style="text-decoration: underline;">pesquisa de opinião</span></a> recente em 19 países feita pela World Public Opinion.org mostrou que a resposta média dos entrevistados no EUA que desejariam maior prioridade governamental para a mudança climática era de 4,71, em um total de 10 pontos. A menor média da amostra. Na China, a média foi 8,86 e, na Índia, 6,73. Para se ter um parâmetro de comparação, a média da amostra foi 7,33. Portanto, EUA e Índia ficaram abaixo da média e a China, acima.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Se esses números significam alguma coisa, pode-se dizer que Obama está à frente da opinião pública de seu país em relação a que prioridade dar ao enfrentamento da mudança climática, enquanto os governos chinês e indiano estão bem atrás do desejo de seus cidadãos.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Quando se examina as respostas separando o desejado do percebido, as coisas ficam mais claras. No EUA, 52% dizem que o governo deveria dar maior prioridade à mudança climática, 24% acham que a prioridade já conferida está no ponto certo; 21% dizem que a prioridade está alta demais. Na China, 62% querem que o governo dê prioridade maior à mudança climática e 30% pensam que já está no ponto certo. Na Índia, só 43% querem mais prioridade para o aquecimento global e 24% dizem que está no ponto. Os que pedem menos atenção à política climática são 6%, na China e 18%, na Índia.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"><strong>China: governança autoritária e progresso gradual</strong></span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Na China, tem havido inúmeros relatos de aumento da insatisfação popular com a poluição da água e do ar, com as regiões agrícolas enfrentando perdas pesadas por causa da poluição, da chuva ácida e eventos climáticos extremos: ver, por exemplo, <a href="http://www.theepochtimes.com/news/6-5-9/41367.html"><span style="text-decoration: underline;">The Epoch Times</span></a>, <a href="http://consiliencejournal.readux.org/2009/03/social-responses-to-environmental-degradation-in-northwest-rural-china/"><span style="text-decoration: underline;">Conscilience</span></a>, <a href="http://english.peopledaily.com.cn/90001/90780/91343/6498831.html"><span style="text-decoration: underline;">People Daily</span></a>, <a href="http://www.wsws.org/articles/2008/mar2008/chin-m12.shtml"><span style="text-decoration: underline;">wsws.org</span></a>, <a href="http://www.alertnet.org/thenews/newsdesk/PEK28334.htm"><span style="text-decoration: underline;">Reuters</span></a>, <a href="http://www.guardian.co.uk/environment/2007/jul/06/china.pollution"><span style="text-decoration: underline;">Guardian</span></a>, <a href="http://www.thedailystar.net/story.php?nid=99831"><span style="text-decoration: underline;">Daily Star</span></a>, e <a href="http://chinaview.wordpress.com/2007/06/19/air-land-river-pollution-and-social-unrest-in-china/"><span style="text-decoration: underline;">China View</span></a>. Também tem havido numerosos casos verificados de repressão a tentativas de mobilização do descontentamento social e de obstáculos políticos ao ativismo ambiental na China. A repressão dos Uighur, em Xinjiang, foi apenas o caso mais recente. Fontes de histórias e evidências de repressão são, entre outras, relatórios sobre repressão da <a href="http://www.asianews.it/index.php?l=en&amp;art=15713&amp;geo=6&amp;theme=6&amp;size=A"><span style="text-decoration: underline;">Asia News</span></a> e da <a href="http://www.amnesty.org.uk/news_details.asp?NewsID=17708"><span style="text-decoration: underline;">Amnesty.org</span></a>; estudo publicado em <a href="http://dlc.dlib.indiana.edu/archive/00004826/01/cs-6-2-141.pdf"><span style="text-decoration: underline;">Conservation and Society</span></a>, sobre ativismo ambiental e repressão; artigo de <a href="http://www.harvard-yenching.org/publications-and-projects/working-papers-series/WU_Fengshi_Environmental_Civil_Society_in_China.pdf"><span style="text-decoration: underline;">Fengshi Wu</span></a>, da Universidade Chinesa de Hong Kong, sobre “Environmental Activism in China”; e o artigo de Elizabeth Economy’s “<a href="http://www.asiamedia.ucla.edu/article.asp?parentid=19041"><span style="text-decoration: underline;">China’s Flood Of Protests</span></a></span><span style="letter-spacing: -1.0px;">”, para o  Asia Media News Daily.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: -1.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O sistema político chinês é muito hierárquico e autoritário, respondendo apenas a pressões internas, de forças que pertencem à restrita estrutura de poder abrigada no Partido Comunista da República Popular. Essas forças estão crescendo em número com as transformações econômicas da última década. Há uma nova elite de influentes líderes empresariais. O poder pessoal do Presidente e do Primeiro-ministro não é mais tão absoluto como nas eras de Mao ou de Deng Xiaoping. Agora, tanto Hu Jintao, quanto Wen Jiabao têm que responder em alguma medida a uma coalizão que reúne duas facções muito diferentes da elite no interior do Partido Comunista Chinês, como argumenta <a href="http://www.mtholyoke.edu/global/assets/CGI/MHC_ChengLi.pdf"><span style="text-decoration: underline;">Cheng Li</span></a> da Brookings Institution. A facção “elitista” consiste nos “herdeiros, filhos de funcionários que ocuparam altos cargos púbicos no passado”, na sua maioria tecnocratas, graduados em áreas de alta tecnologia, como TI; e a “populista”, que tem no seu núcleo principal burocratas do partido, que fizeram carreira de baixo para cima na estrutura de poder, através dos canais de liderança provincial. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A maioria dos populistas trabalhou nas partes mais pobres do país antes de chegar a Pequim. Hu Jintao e Wen Jiabao pertencem a esse grupo, de acordo com Cheng Li. Diferentemente de Deng e de Jiang Zemin, que queriam o crescimento a qualquer custo, os novos governantes, Wen em particular, estão muito preocupados com a pobreza, a redistribuição de renda e os danos ambientais.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Qualquer observador do teatro político chinês nos últimos 10 anos terá certamente notado que as questões ambientais fizeram um longo percurso ascendente na hierarquia do partido-estado. Preocupações ambientais saíram do status de temas censurados e reprimidos até o cume central do poder político. Hoje estão sob responsabilidade de um dos vice-primeiro ministros, mas também são objeto de menções regulares e explícitas pelo primeiro-ministro Wen Jiabao e pelo presidente Hu Jintao.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Enquanto o EUA, sob Bush, permanecia em estado de negação, a China não tinha incentivo algum para avançar suas posições sobre o clima em nenhum fórum internacional. Agora, com a mudança de atitude pelo governo Obama, o governo chinês para estar esperando para ver até onde e em que velocidade o EUA vai avançar em sua política sobre mudança climática, antes de se comprometer internacionalmente.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Para ficar totalmente claro: a China não é um herói verde. Continua sendo um vilão ambiental. O ponto é que não está sozinha e há países emergentes, como Índia e Brasil, cujas políticas climáticas são mais atrasadas que a chinesa. A China está se movendo, não proporcionalmente ao dano que causa ao planeta, mas a uma velocidade aparentemente em aceleração. Já se classificou, por exemplo, para a liga principal dos mercados de energias alternativas.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"><strong>Índia: uma sociedade fragmentada</strong></span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;">
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A Índia tem um <a href="http://www.globalpolitician.com/print.asp?id=5227"><span style="text-decoration: underline;">panorama político</span></a> totalmente diverso quando comparado aos da China e Brasil. Uma <a href="http://www.gauravonomics.com/blog/caste-based-communities-on-orkut-mirror-indias-splintered-society/"><span style="text-decoration: underline;">sociedade fragmentada</span></a>, tem um sistema federativo de governança em três níveis muito complexo e um sistema multipartidário.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Está mudando de um sistema de governança de partido dominante para um de coalizão multipartidária. Embora o Partido do Congresso tenha retornado a seu papel histórico de partido predominante, após a última eleição, a era do partido dominante parece já ter sido superada.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="text-decoration: underline;"><a href="http://asnic.utexas.edu/asnic/countries/india/Hardgrave.html">Clivagens étnicas</a></span><span style="letter-spacing: 0.0px;"> foram <a href="http://books.google.com/books?id=49O1L3LzkVgC&amp;pg=PA281&amp;lpg=PA281&amp;dq=ethnic+cleavages+in+India&amp;source=bl&amp;ots=9SLSuXLSH2&amp;sig=JATQwpDnPagVGwtdsxWclPr2xCA&amp;hl=en&amp;ei=NPt5SrKYHIaKMrrxqKMO&amp;sa=X&amp;oi=book_result&amp;ct=result&amp;resnum=3%2523v=onepage&amp;q=&amp;f=false"><span style="text-decoration: underline;">acomodadas</span></a> no sistema federativo, reformado nos anos 90, para satisfazer demandas por fronteiras mais homogêneas linguística e culturalmente.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Um <a href="http://sify.com/news/fullstory.php?a=jfplL8deeff&amp;title=Time_to_revise_our_political_system%2520Page"><span style="text-decoration: underline;">misto</span></a> de <a href="http://www.allacademic.com//meta/p_mla_apa_research_citation/0/9/9/8/7/pages99874/p99874-1.php"><span style="text-decoration: underline;">clientelismo</span></a>, <a href="http://www.southasiaanalysis.org/%25255Cpapers3%25255Cpaper219.htm"><span style="text-decoration: underline;">corrupção</span></a> e governança descentralizada ainda mantém esse mosaico inteiro.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Ver sobre o clientelismo na Índia, o <a href="http://timesofindia.indiatimes.com/Special-Report/The-Great-Indian-Family-A-Gene-Called-Patronage/articleshow/4599008.cms"><span style="text-decoration: underline;">Relatório Especial do The Times of India</span></a>. Fontes sobre corrupção são os artigos de <a href="http://www.informaworld.com/smpp/content~db=all~content=a907043951"><span style="font: normal normal normal 12px/normal Arial; text-decoration: underline;">Jon S. T. Quah</span></a> publicado no Asian Journal of Political Science, de <a href="http://www.eias.org/conferences/euindia412/singh.pdf"><span style="font: normal normal normal 12px/normal Arial; text-decoration: underline;">Gurharpal Singh</span></a> para o European Institute for Asian Studies e o estudo de <a href="http://people.ucsc.edu/~jmrtwo/120papers/wade%252520-%252520canal%252520irrigation%252520in%252520south%252520india.pdf"><span style="text-decoration: underline;">Robert Wade</span></a> sobre o canal de irrigação.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Adicionalmente, um sistema de expansão e contração do <a href="http://www.unu.edu/unupress/unupbooks/uu12ee/uu12ee0j.htm"><span style="text-decoration: underline;">conflito étnico</span></a> está claramente relacionado ao grau de legitimidade e influência nacional do governo central. Qualquer decisão sobre o rumo a ser adotado pela economia e sobre a dinâmica do crescimento tem que passar por essa estrutura de múltiplos níveis de poder. Embora o governo central controle firmemente o poder de decisão em assuntos macro-estratégicos como mudança climática e segurança nacional, sua capacidade de impor uma decisão que pareça sacrificar as perspectivas de crescimento nos níveis estadual e local é limitada. Crescimento, tal como é conhecido e percebido hoje, é o mínimo denominador comum que mantém unido o sistema de poder e assegura tanto a paz social relativa, quanto a integridade do estado nacional.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O romance de ficção-científica de Ian McDonald, <strong>River of Gods</strong>, vê uma Índia futura onde os estados mais poderosos se tornam independentes e estão frequentemente em conflito entre si. Um cenário futuro que parece plausível, quando se examina mais detidamente o frágil equilíbrio que mantém a unidade do sistema nacional.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"><strong>O papel das ideologias de desenvolvimento</strong></span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Em regimes fechados, como o chinês, a ideologia tem um papel maior, do que em democracias emergentes, como o Brasil e a índia. O governo é muito menos vulnerável à opinião pública e tende a suprimir qualquer ativismo. Ao mesmo tempo, é mais fácil para a elite chinesa agir contra as demandas ‘desenvolvimentistas’ daqueles grupos com interesses investidos no status quo de alto carbono e alto crescimento, se e quando ela estiver persuadida de que a economia de baixo carbono atenderia melhor aos futuros interesses do país. Dos três, a China é, de longe, o que tem o melhor desempenho em planejamento e políticas de longo prazo.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Na Índia, a resistência de poderosos (e ricos) interesses investidos na economia de alto carbono aumenta com o medo da liderança política em todos os níveis do poder de que a mudança pudesse detonar um levante das massas miseráveis do país. O desenvolvimento, como crescimento do PIB, reproduzindo o padrão adotado pelas nações desenvolvidas, se torna um mecanismo fundamental de legitimação em uma sociedade tão desigual e fragmentada. Embora o sistema de casta tenha sido um poderoso instrumento de dominação cultural e religiosa e decisivo para cultivar o conformismo, ele está dando sinais de exaustão. O desempenho econômico se torna um recurso crítico para administrar o potencial de conflitos e clivagens. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Para a China e para a Índia, a transição para a economia de baixo carbono custaria mais por causa da dependência ao carvão como fonte de energia. No Brasil, por exemplo, a matriz elétrica se baseia em hidreletricidade, enquanto os enormes potenciais de energia solar, maré motriz, fotovoltaica e de biomassa permanecem largamente inexplorados.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Essas contradições entre os membros desiguais do clube do alto carbono podem impedir que um acordo climático mais amplo e efetivo surja das conversas que levam à finalização diplomática em Copenhague. Não temos muito tempo, mas ainda teremos algum tempo para trabalhar por um acordo ambicioso e mais abrangente, após Copenhague.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A COP-15 em Copenhague será de qualquer forma histórica. Marcará o momento em que o Estados Unidos assumirá um papel de liderança na política global do clima e também revelará a clivagem no clube dos grandes emissores de carbono, entre as economias maduras e as emergentes. O EUA não atuará mais como um poder de veto hegemônico, apagando essa clivagem, como fez no governo Bush. Pode parecer um resultado ruim, um retorno à divisão “Norte-Sul”, mas não é. De fato, representa um novo estágio no fracionamento do impasse climático.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A remoção do veto do EUA é um passo decisivo rumo a um entendimento climático. A Austrália já havia saído do estado de negação, passando a uma atitude cooperativa. O Canadá está gradualmente abandonando a posição climática reacionária que manteve até recentemente.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O próximo passo será chegar aos requisitos tecnológicos, financeiros e políticos para trazer os “três grandes” emergentes do clube, os BICs, para o acordo climático.</span></p>
<p></span></span></div>
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		<title>Procura-se: novo estatuto para o clube do alto carbono</title>
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		<pubDate>Wed, 29 Jul 2009 18:18:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[COP15]]></category>
		<category><![CDATA[mudança climática]]></category>
		<category><![CDATA[política global]]></category>

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		<description><![CDATA[
			
				
			
		
 

Sérgio Abranches

Tudo que o governo Obama tem feito na política global para mudança climática após a frustrada conclusão do G8+5 em L’Aquila, na Itália, aponta para uma forma estratégica de lidar com as complexidades inerentes a essa agenda.


Ele aceitou um recuo em relação à menção explícita a metas quantitativas, para não entrar em confronto [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="tweetmeme_button" style="float: right; margin-left: 10px;">
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<address><span style="font-style: normal;"></p>
<address>Sérgio Abranches</address>
<p style="font: normal normal normal 12px/normal Helvetica; margin: 0px;">
<p style="font: normal normal normal 12px/normal Helvetica; margin: 0px;"><span style="letter-spacing: 0px;">Tudo que o governo Obama tem feito na política global para mudança climática após a frustrada conclusão do G8+5 em L’Aquila, na Itália, aponta para uma forma estratégica de lidar com as complexidades inerentes a essa agenda.</span></p>
<p><span id="more-1"></span></p>
<p></span></address>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Ele aceitou um recuo em relação à menção explícita a metas quantitativas, para não entrar em confronto com os três maiores poderes emergentes &#8211; China, Índia e Brasil &#8211; e esfriar os ânimos. Obama quis preservar o clima diplomático para manter negociações bilaterais com o objetivo de obter o melhor acordo possível em Copenhagen e no futuro. Todos sabem que é muito baixa a probabilidade de que esses países possam ser persuadidos a mudar de posição e a se comprometerem com metas cientificamente recomendadas de redução de emissões, até dezembro. Obama está apostando em um avanço mais gradual, provavelmente investindo  em quebrar o impasse em Copenhagen, mas esperando progressos mais robustos em 2010 e 2011. Se for esse, realmente, o caso, é uma estratégica diplomática realista, que faz todo sentido.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Obama pediu a Lula uma reunião bilateral (entre ministros), até o final de agosto, se possível, para discutir uma política comum para mudança climática. A secretária de Estado Hillary Clinton já foi à China e à Índia, para iniciar diálogos sobre políticas para o clima. Os resultados foram mistos. Na China, as negociações estão em andamento. O secretário de Energia do EUA, Steven Chu anunciou que os dois países lançarão conjuntamente um <a href="http://www.scientificamerican.com/article.cfm?id=china-energy-research-emissions"><span style="text-decoration: underline;">Centro de Pesquisa sobre Energia Limpa</span></a>, com o objetivo de promover P &amp; D em tecnologias para melhorar a eficiência energética, o sequestro de carbono e veículos de baixa emissão. Após um encontro de dois dias em Washington esta semana, um Memorando de Entendimento reafirmou as intenções de cooperação. A delegação chinesa foi chefiada pelo Conselheiro de Estado Dai Bingguo, encarregado da supervisão da política externa, e pelo Vice-Primeiro Ministro Wang Qishan, que supervisiona a política econômica. O <a href="http://www.state.gov/documents/organization/126802.pdf"><span style="text-decoration: underline;">Memorando</span></a> não foi muito além de outros documentos diplomáticos recentes assinados pelos dois países após conversas bilaterais. No caso deste, ele de <a href="http://www.chinaenvironmentallaw.com/2009/07/29/oops-somebody-goofed/"><span style="text-decoration: underline;">fato aceita</span></a> os limites chineses a uma agenda para a política climática.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Na Índia, a visita da Secretária de Estado, não deu nem para começo de conversa. Apesar da fria recepção à tentativa da secretária Clinton de desenhar uma política climática comum, alguns dias depois, o Ministério das Relações Exteriores da Índia <a href="http://news.yahoo.com/s/nm/20090728/india_nm/india413584;_ylt=Ai8hKvO7Dovuo0FeQ6SlYMHfrGIF;_ylu=X3oDMTE2bWZsdGExBHBvcwMyBHNlYwN5bl9wcmludHBhZ2UEc2xrA2JhY2t0b3N0b3J5"><span style="text-decoration: underline;">reconheceu</span></a> o dilema ambiental do país. Dinesh Patniakm, secretário-adjunto do Ministério, um dos principais negociadores da política climática, disse que se “nós continuarmos no mesmo caminho deles (países desenvolvidos), não haverá combustíveis fósseis suficientes. Portanto, temos que crescer de um modo mais eficiente”. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Mas permanece o fato de que a probabilidade de que esses três países se comprometam no curto prazo com metas de emissão quantificadas e verificáveis é realmente muito pequena.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Esse fato, entretanto, não nega que acordos bilaterais e “negociações em clube” tenham melhores chances de pavimentar o caminho rumo a um pacto climático global que seja efetivo. Por “negociações em clube” entendo conversações políticas e diplomáticas formais, em pequeno grupo. É óbvio que o G8, como um clube dos ricos, não faz mais sentido para a política global do clima. Ele fez sentido na transição da Guerra Fria para a Guerra Climática. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O G20, porém, é heterogêneo demais para ter eficácia como um fórum para acordos climáticos. Ele reúne nações ricas, grandes economias emergentes como China, índia e Brasil, e outras bem menores. Não é um terreno fértil para plantar as sementes de um “acordo fundador”, que possa servir de sólida base para um contrato social global do clima a ser adotado pela assembléia plena das Nações signatárias da Convenção do Clima.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A estrutura institucional das Nações Unidas não é um arranjo propício a um real “acordo fundador”. Nem a vaga Convenção Quadro sobre Mudança Climática, nem o frágil Protocolo de Kyoto são explícitos ou compromissivos o suficiente para serem efetivos. Mais de uma década de negociações climáticas estagnadas é demonstração suficiente da inadequação desse arranjo para nos levar a um entendimento satisfatório e cientificamente fundamentado. A heterogeneidade entre as 192 partes da Convenção do Clima é avassaladora. O processo decisório tem claramente um viés a favor do status quo. Ele definitivamente não permite mais que acordos aguados, a não ser que as mudanças sejam previamente acertadas pelo “clube do alto carbono”, de nações ricas e grandes economias emergentes, criando uma aliança irresistível, capaz de remover vetos e quebrar o impasse fatal do clima. A aprovação da COP deve ser vista como um passo necessário, democrático e legitimador, mas como ponto final, não ponto de partida.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">As partes que realmente contam, do ponto de vista das emissões de carbono, são os 41 países do Anexo I, mais 9 ou 10 países não-Anexo I, por causa do tamanho de suas economias ou de suas florestas tropicais ainda preservadas. Os países-chave nesse segundo grupo são China, Índia e Brasil. Claramente, o problema não está nos países desenvolvidos, a maioria dos quais pertence à União Européia, e depois que o EUA saiu do “estado de negação” para um papel de liderança a favor. O problema está nos grandes países emergentes que se mantêm recalcitrantes. O G8+5 pelo menos traz para a mesa de negociações a China, a Índia, o Brasil, o México e a África do Sul. Mas como uma espécie de “aditivos não-autorizados”, porque não é um grupo formal como o G8. Os cinco países emergentes participam na base do “apenas para convidados”. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A maioria dos países signatários da Convenção do Clima &#8211; perto de 50 &#8211; é pobre demais para ser objeto de preocupação em relação a políticas de mitigação de emissões de carbono. Esses países são os beneficiários potenciais de um fundo necessário para ajudá-los a se adaptar à mudança climática inevitável. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Um “acordo fundador” requereria, pelo menos, o comprometimento dos países do Anexo I &#8211; praticamente garantido desde que o EUA mudou de lado &#8211; da China, da Índia e do Brasil.  Em outras palavras, a formalização do G14, adicionando a Indonésia ao clube. Essa adição aumentaria ainda mais as dissimilaridades internas no clube, mas poria juntas as duas potências florestais tropicais. Um G14 formalizado faria mais sentido, do ponto de vista da política da mudança climática, do que o G20, que atende a outros propósitos. Dessa base crítica, com enorme poder de persuasão, uma vez acertado, um novo acordo climático poderia ser levado à COP para aprovação final, com muito maior probabilidade de sucesso.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O tempo para esse acordo está encurtando. Há uma defasagem crescente entre o que a ciência diz ser necessário para manter o aquecimento global dentro da zona de segurança e o que a política tem sido capaz de prover. Os alertas da ciência nos dizem que para manter o aquecimento global médio em 2C está ficando cada vez mais difícil, dadas a demora em reduzir as emissões globais e a magnitude e velocidade da redução necessárias. Em qualquer caso, nós precisamos encarar muito mais seriamente os esforços e investimentos em adaptação. Vários cientistas sustentam que mesmo um aquecimento global médio de 2C ao longo do século 21 gerará mudança climática muito significativa, com eventos extremos e perigosos em várias partes do planeta.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O que parece politicamente viável, não é suficiente do ponto de vista científico. O que é cientificamente necessário, não parece politicamente viável no curto e médio prazo. Como os processos da natureza não vão parar, ou bem ajustamos o cálculo político aos parâmetros científicos, ou temos que nos preparar para nos adaptar às consequências muito mais severas de um maior aquecimento global.</span></p>
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