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	<title>Ecopolitica &#187; Obama</title>
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	<description>Política Mudança Climática Século XXI</description>
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		<title>Incerteza política faz investimento de risco em tecnologias limpas cair no EUA</title>
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		<pubDate>Tue, 07 Feb 2012 12:21:44 +0000</pubDate>
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Os investimentos de risco em energia limpa caíram 4,5% no EUA, em 2011. A incerteza política teve mais impacto negativo que a fragilidade da economia. Os investimentos globais do setor, porém, cresceram 5% e os investimentos em setores &#8220;maduros&#8221; de energia renovável (eólica, fotovoltaica e baterias para carros elétricos) cresceram 253%. Na China e na [...]]]></description>
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<p>Os investimentos de risco em energia limpa <a href="http://www.ey.com/US/en/Newsroom/News-releases/2011-US-venture-capital-investment-in-cleantech">caíram</a> 4,5% no EUA, em 2011. A incerteza política teve mais impacto negativo que a fragilidade da economia. Os investimentos globais do setor, porém, cresceram 5% e os investimentos em setores &#8220;maduros&#8221; de energia renovável (eólica, fotovoltaica e baterias para carros elétricos) cresceram 253%. Na China e na Índia os investimentos em energia renovável continuam a crescer.<span id="more-3273"></span></p>
<p>Nos Estados Unidos, a incerteza eleitoral e a oposição feroz dos republicanos ao programa de incentivos à energia renovável, foram mais importantes na retração dos investidores do que a conjuntura econômica ainda claudicante. Na Europa, apesar da crise, os investimentos em energia renovável se mantiveram. O parque eólico europeu <a href="http://www.guardian.co.uk/environment/2012/feb/06/wind-power-europe-grew-2011">cresceu bastante</a> em 2011, resultado de investimentos, nos anos anteriores, que se sustentaram apesar da crise. Foram adicionados 93.957 MW de eletricidade eólica ao sistema europeu. Usinas offshore no Reino Unido e em terra na Suécia e na Alemanha deram a maior contribuição a esse crescimento. A energia eólica representou 71% do total de nova capacidade elétrica instalada na Europa em 2011.</p>
<p>&#8220;Apesar da crise econômica na Europa, a indústria eólica continua a installer níveis significativos de nova capacidade&#8221;, disse Justin Wilkes, diretor da Associação Europeia de Energia Eólica.  Para cumprir as metas de logo prazo da União Europeia será necessário que o setor continue a crescer com vigor nos próximos anos. A vantagem da Europa é que não há incerteza política com relação à decisão de desenvolver os setores de baixo ou zero carbono. Mesmo no Reino Unido, onde políticos conservadores criticaram recentemente a política &#8220;verde&#8221; do governo, os liberal-democratas, sócios na coalizão governista, saíram em sua defesa e vários políticos conservadores declararam seu apoio à continuidade de políticas voltadas para a economia verde ou de baixo carbono.</p>
<p>No EUA, o partido republicano ainda se nega a reconhecer o consenso científico sobre a ameaça da mudança climática global, ataca os programas de apoio a tecnologias e energias limpas e defende a economia fóssil. Como a popularidade do presidente Obama está abaixo da zona de conforto eleitoral, o temor de uma vitória republicana fez os investidores reduzirem a aposta nesses setores.</p>
<p>Mas Obama vem recuperando, progressivamente o favoritismo. No final da semana passada, enquanto os republicanos avançavam rumo à escolha de Mitt Romney para disputar a presidência com o presidente Obama, a popularidade presidencial evoluiu um pouquinho mais. A aprovação e reprovação ficaram em 46%, na última pesquisa do tracking da Gallup que avalia a popularidade em médias móveis de três dias. Significa que a popularidade líquida está em zero, portanto no ponto de neutralidade, deixando de afetar negativamente o voto na reeleição do presidente.  Na média de 3 de janeiro a 2 de fevereiro, a aprovação estava em 45% e a reprovação em 48%, portanto popularidade líquida de &#8211; 3%. A reprovação caiu 2 pontos e a aprovação aumentou 1 ponto. No começo de janeiro (7-9/1), a situação era bem mais negativa para Obama: aprovação de 42% e reprovação de 50%, líquida negativa de &#8211; 9%.</p>
<p>A que se deve essa recuperação lenta, mas aparentemente consistente, da popularidade presidencial? Em primeiro lugar, à recuperação também muito lenta da situação econômica. Embora tênue, ela começa a reduzir o desconforto econômico em algumas áreas, setores e parcelas da população. A economia do EUA tem vários ciclos regionais diferenciados, nem sempre sincronizados entre si. Em algumas regiões a economia já está com desempenho bem melhor do que em outras. Algumas indústrias já mostram desempenho mais robusto. Essa recuperação desigual explica também a recuperação lenta das expectativas e da popularidade. Em segundo lugar, melhora a popularidade o fato de Obama ter dado início à sua campanha para reeleição. Como ainda está em regime de lançamento progressivo, esse efeito ainda é tênue, mas a tende a aumentar rapidamente. A vantagem de Obama sobre Romney nas pesquisas de intenções de voto melhora mais rapidamente do que a popularidade. No tracking da <a href="http://www.rasmussenreports.com/">Rasmussen</a>, a aprovação de Obama ainda aparece mais baixa do que no <a href="http://www.gallup.com/tag/Presidential%2bJob%2bApproval.aspx">Gallup</a>, porque se baseia em uma amostra de prováveis eleitores (na amostra sobre o total de adultos a popularidade é mais alta). Na média móvel do tracking, de 2-4 de fevereiro, a vantagem de Obama sobre Mitt Romney aumentou, saindo de um empate técnico, para uma vantagem de 4 pontos percentuais 47% a 43%. Na média do <a href="http://www.realclearpolitics.com/epolls/2012/president/us/general_election_romney_vs_obama-1171.html">Real Clear Politics</a>, a tendência de Obama (com 48,5%) é de crescimento e a de Romney (com 45,5%) de queda.</p>
<p>Com a recuperação do favoritismo de Obama, os níveis de risco e incerteza política em relação aos programas de incentivo à economia verde caem e os investimentos tendem a voltar a crescer. Na Europa as metas compulsórias garantem um piso sustentado para esse investimentos. Nas grandes economias emergentes, especialmente China e Índia, os investimentos em tecnologias limpas, particularmente energias renováveis continuam a crescer. A perspectiva de mercado para a economia verde é boa, embora pudesse ser bem melhor. O ponto mais frágil ainda é da falta de ambição nas políticas governamentais, especialmente a persistência de incentivos contrários, que beneficiam a economia fóssil, como os subsídios aos combustíveis fósseis. A coordenação internacional das políticas também é frágil. As instituições multilaterais, em particular do sistema da ONU, estão claramente aquém das necessidades.</p>
<p>Meu comentário na CBN está <a href="http://glo.bo/9KYOiU">aquí</a>.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Um acordo que ajuda a política global para mudança climática</title>
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		<pubDate>Wed, 16 Nov 2011 16:26:55 +0000</pubDate>
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Sérgio Abranches
Acordo entre países da Ásia Pacífico mostra que grupos menores, com liderança, facilitam consensos, principalmente sobre políticas de imediata implementação, com benefício geral. Bom sinal para políticas voltadas para mudança climática e promoção da economia de baixo carbono.
Na reunião que terminou no final da semana passada em Honolulu, os 21 países da APEC (Associação [...]]]></description>
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<p style="text-align: center;">Sérgio Abranches</p>
<p>Acordo entre países da Ásia Pacífico mostra que grupos menores, com liderança, facilitam consensos, principalmente sobre políticas de imediata implementação, com benefício geral. Bom sinal para políticas voltadas para mudança climática e promoção da economia de baixo carbono.<span id="more-2866"></span></p>
<p>Na reunião que terminou no final da semana passada em Honolulu, os 21 países da APEC (Associação para Cooperação Econômica dos Países da Ásia-Pacífico) aprovaram a redução de tarifas de importação para promover o comércio regional de produtos que reduzam o consumo de combustíveis fósseis e reduzam a poluição.</p>
<p>A reunião começou marcada por um confronto entre EUA e China, marcado por palavras duras nos discursos de abertura do presidente Barack Obama, o anfitrião em sua terra natal, e do presidente da China, Hu Jintao. Eles foram muito explícitos em relação às divergências comerciais entre os dois países. Obama chegou, mesmo a mostrar certa irritação ao falar com a imprensa sobre as reiteradas reclamações relativas a subsídios ilegais e práticas de dumping (preços artificialmente baixos) pela China, usando a expressão “enough is enough”, que poderia ser traduzida por “passou dos limites”. Ele afirmou que seu governo “continuará a ser firme na posição de que a China deve operar pelas mesmas regras que todos seguem”.</p>
<p>No seu discurso de abertura, Hu Jintao insistiu que a China precisa ter mais voz como uma potência global emergente. Também deixou claro que Pequim prefere trabalhar dentro da arquitetura de comércio global existente, do que se sujeitar às pressões do EUA  para abertura dos mercados da Ásia-Pacífico a qualquer custo. Autoridades chinesas também alertaram, durante a reunião, que a decisão recente de Washington de iniciar investigação que poderia levar à imposição de tarifas anti-dumping para células e placas fotovoltaicas chinesas prejudicaria a cooperação no campo da energia dentro da APEC.</p>
<p>Mas, ao final do encontro, os dois países encontraram pontos de consenso e concordaram em reduzir as tarifas de importação para “bens ambientais” (principalmente produtos para geração de energia) para no máximo 5% até 2015. Os países da APEC também se comprometeram a eliminar requisitos de “conteúdo nacional” que distorcem o comércio de bens e serviços ambientais até o final de 2012.</p>
<p>Adicionalmente, o acordo, formalizado na Declaração de Honolulu incluiu:</p>
<p>a racionalização e progressiva eliminação de subsídios ineficientes a combustíveis fósseis, que encorajam consumo perdulário, e a criação de um mecanismo para reportar o progresso obtido, com revisão anual pelo grupo;</p>
<p>a promoção da eficiência energética, adotando medidas específicas nos setores de transportes, construção, redes elétricas, empregos, compartilhamento de conhecimento e educação, em apoio a comunidades de baixo carbono com “inteligência energética”;</p>
<p>incorporar estratégias de desenvolvimento de baixo carbono nos planos de crescimento econômico e dar poder à APEC para implementar essa agenda;</p>
<p>adotar a meta de redução da intensidade de energia da região em 45% até 2035;</p>
<p>trabalhar em cooperação para implementar medidas que proíbam o comércio de produtos florestais ilegais e adotar medidas adicionais na APEC para combater o desmatamento ilegal e o comércio associado a ele.</p>
<p>O presidente  Hu Jintao assinou o acordo, apesar de no início da reunião ministros chineses terem criticado a proposta de redução tarifária como “ambiciosa demais para países em desenvolvimento”.</p>
<p>Os “bens ambientais” a serem beneficiados pelos cortes tarifários não foram designados no acordo. Ficou para o ano que vem. Representantes do governo do EUA disseram que listaram “painéis solares, turbinas eólicas e hidráulicas, filtros para poluição do ar e bombas para tratamento de esgotos” entre os que gostariam de ver incluídos no acordo.</p>
<p>Cortes de tarifas e subsídios e medidas de comando e controle para evitar práticas ilegais são mais fáceis de implementar e fazer cumprir, inclusive porque entram em vigor tão logo as medidas sejam promulgadas. Metas de redução de intensidade de energia são mais elusivas, de implementação mais demorada e menos apreensíveis por todos os interessados. Autoridades chinesas se apressaram a explicar que a meta era uma aspiração e que os compromissos da APEC são “voluntários e “não-vinculantes”, isto é, não têm força legal. Mas reduções tarifárias, cortes de subsídios e proibição de comércio de madeira e produtos florestais ilegais requerem atos com força legal.</p>
<blockquote><p>“Nós podemos e devemos enfrentar tanto os desafios econômicos da região como os ambientais, acelerando a transição para a economia global de baixo carbono, de forma que aumente a segurança energética e crie novas fontes de crescimento e emprego.” (Declaração de Honolulu: Rumo a uma Economia Regional sem Barreiras).</p></blockquote>
<p>O acordo da APEC pode ser um passo significativo para adoção mais ampla e rápida de energia limpa pelas economias desenvolvidas e emergentes. Pode ser também uma lição para o resto do mundo, sobre como abordar construtivamente temas conflituosos. Se o acordo se tornar efetivo em 2012, ele poderá ser usado como referência em negociações climáticas em outros fóruns.</p>
<p>Negociações em torno de questões difíceis tem melhor chance de sucesso quando o número de negociadores é relativamente pequeno. Compare-se os 21 membros da APEC, que formam um conjunto bastante heterogêneo que vai do EUA a Brunei, com os 193 membros da Convenção do Clima. Para fazer diferença em relação ao status quo as partes do acordo tem que ter representatividade e peso. A APEC é a maior zona comercial do mundo, um conglomerado econômico muito poderoso. Responde por mais da metade do PIB global, 44% do comércio mundial e 63% das emissões de gases estufa. Estão no grupo, além do EUA e China, Japão, Coreia, Hong Kong, Cingapura, Rússia, Austrália, Nova Zelândia, México e Chile. Têm países com importantes extensões de floresta tropical como Indonésia, Tailândia, Malásia, Papua Nova Guiné e Peru.</p>
<p>Dos grandes atores da política global para mudança climática só não estão os países da União Europeia, o Brasil e a Índia. Uma contribuição relevante que a APEC poderia fazer seria levar essa agenda de acordo para ser adotada pelos países do G20-Fórum das Maiores Economias (MEF). Corresponderia a, praticamente, incluir a UE, o Brasil e a Índia. Um acordo desses no âmbito do G20 poderia dar grande impulso às negociações do clima, talvez permitindo imaginar como possível um acordo pós-Quioto em 2015.</p>
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		<title>EUA cria metas de redução de consumo para caminhões e Brasil subsidia lucro</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Aug 2011 15:53:45 +0000</pubDate>
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Sérgio Abranches
A agência ambiental do EUA, EPA, estabeleceu, pela primeira vez, parâmetros para redução do consumo de combustíveis para veículos pesados. A medida atinge caminhões, picapes e SUVs de grande porte e tem metas progressivas até 2018. Os veículos leves haviam sido objeto de regulação anterior. Já o governo brasileiro deu incentivos de graça à [...]]]></description>
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<p style="text-align: center;">Sérgio Abranches</p>
<p>A agência ambiental do EUA, EPA, estabeleceu, pela primeira vez, parâmetros para redução do consumo de combustíveis para veículos pesados. A medida atinge caminhões, picapes e SUVs de grande porte e tem metas progressivas até 2018. Os veículos leves haviam sido objeto de regulação anterior. Já o governo brasileiro deu incentivos de graça à indústria automotiva e perdeu uma bela oportunidade de gastar bem e formular uma política capaz de gerar benefícios duráveis.<span id="more-2555"></span></p>
<p>Os grandes caminhões terão que alcançar redução de 20% no consumo de combustível até 2018. A meta para picapes, vans e SUVs, que já consomem menos hoje, é de 15% até 2018. Segundo os estudos encomendados pela EPA, o aumento de preço dos veículos com os novos motores será compensado pelos proprietários em menos de dois anos com a economia de combustível.</p>
<p>A <a href="http://rfflibrary.wordpress.com/2011/08/09/final-rulemaking-greenhouse-gas-emissions-standards-and-fuel-efficiency-standards-for-medium-and-heavy-duty-engines-and-vehicles/">medida</a> é modesta, mas significativa. Primeiro, porque regula o desempenho desses veículos pela primeira vez. Os veículos leves e de passeio (automóveis, picapes e SUVs de menor porte) são regulados desde 1975 e passaram a ter novos e mais exigentes parâmetros meses atrás.</p>
<p>Segundo, o que faz essa medida relevante é a escala de seu alcance. Cada veículo pesado desses roda, em média, 320 mil quilômetros por ano, consumindo 95 mil litros de combustível, com um gasto anual de R$ 160 mil. No EUA, a idade média dos caminhões é de 11 anos e essas medidas levarão a uma renovação mais rápida da frota, fazendo com que as emissões totais desses veículos caia consideravelmente. Lá, muitos caminhões rodam com gasolina e etanol, ao contrário daqui, onde rodam apenas com diesel.</p>
<p>O próximo passo da EPA será regular a aerodinâmica desses veículos, para que seja possível aumentar ainda mais as metas de redução de consumo.</p>
<p>Obama já havia criado incentivos para energias renováveis, inclusive biocombustíveis de segunda geração, e para a produção de veículos a combustão mais eficientes, veículos híbridos e elétricos. Essa regulação estabelece critérios quantitativos a serem alcançados pela indústria com o uso desses subsídios e incentivos.</p>
<p>Muito diferente do que faz o governo brasileiro. Este, acaba de anunciar renúncia fiscal a favor da indústria automotiva, para que ela possa aumentar sua margem de lucro. O argumento é que aumentou muito a importação de carros e a indústria perdeu espaço. O governo desconsiderou o fato de que parte dessa importação foi feita pelas próprias montadoras, que trazem seus carros topo de linha e mais caros, de seus países de origem. Vai ganhar dos dois lados agora.</p>
<p>Redução de impostos é gasto fiscal. Deveria ser usada com parcimônia, quando é para subsidiar setores dinâmicos e ricos da economia. Com parcimônia e exigências para receber o benefício. O governo poderia, perfeitamente, ter exigido da indústria caminhões mais eficientes e motores flex que consomem menos quando movidos a álcool. O álcool já está custando 68% do que custa a gasolina. Nos próximos dias ou poucas semanas, ultrapassará a marca dos 70%, a partir da qual é desinteressante economicamente usar o álcool no lugar da gasolina. O preço da gasolina aos distribuidores está congelado pela Petrobrás. Na bomba, ele aumento por causa do aumento do preço dos 25% de álcool que são misturados ao combustível que é oferecido aos consumidores. Significa que a gasolina sobe sempre menos que o álcool. Tanto o etanol, quanto o açúcar estão com seus preços elevados pela grande demanda global e redução da oferta por razões climáticas. Resultado, o movimento de preços anula a vantagem de termos uma frota crescentemente equipada com motores flex. Se o governo exigisse que a indústria reduzisse a diferença na eficiência de uso dos dois combustíveis dos motores flex como contrapartida para os subsídios, encontraria uma justificativa melhor para essa transferência de renda dos contribuintes para um setor dinâmico e rico da indústria.</p>
<p>Os caminhões rodam com diesel de péssima qualidade e a frota brasileira tem idade média entre 19 e 23 anos, de acordo com diferentes estimativas. A mais recente, de um estudo encomendado pela ANTT, é de 23 anos. Veículos velhos, super usados e muito ineficientes.  Perto de 70% da carga no Brasil é terceirizada para autônomos. A idade média da frota dos autônomos é de 25 anos. Pior ainda. A manutenção é precária e a vistoria raramente funciona por causa da corrupção. Caminhões inadequados, com excesso de carga, desequilibrados rodam por todas as partes do país.</p>
<p>O governo teria feito muito melhor em gastar a maior parte desse pacote de estímulos à indústria, melhorando as condições do programa de renovação da frota de caminhões. Poderia também ter criado um teto limite de idade para os veículos, forçando a renovação da frota. Continuaria incentivando a produção industrial, mas buscaria benefícios mais duráveis, econômicos, de saúde pública, segurança nas estradas e ambiental.</p>
<p>Mas, as políticas são pensadas no Brasil olhando pelo retrovisor. Esse pacote atual é uma cópia mais ou menos atualizada do que os militares fizeram na década de 1970, com o Conselho de Desenvolvimento Industrial e o Befiex. Políticas que provocaram mais distorções que benefícios e atrasaram a modernização da indústria automotiva no Brasil. Estudei essas políticas com profundidade e detalhe em minha tese de doutorado para a universidade Cornell, O Leviatã Dividido (The Divided Leviathan). Não são recomendáveis. Como também não há o que recomendar no pacote do governo destinado à indústria automotiva. O governo perdeu uma bela oportunidade e vai gastar muito mal o dinheiro de nossos impostos.</p>
<p>Ouça também meu comentário para a CBN:</p>
<p><iframe src='http://www.cbn.com.br/Player/player.htm?audio=2011/colunas/ecopolitica_110810&#038;OAS_sitepage=cbn/comentarios/sergioabranches' width='475' height='193' marginheight='0' marginwidth='0' frameborder='0' scrolling='no' bgcolor='#CCCCCC'/></iframe></p>
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		<title>Obama anuncia acordo com montadoras</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Aug 2011 15:40:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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O presidente Barack Obama anunciou, antes do discutível acordo para elevar o teto da dívida, um acordo com as maiores montadoras do mundo para dobrar a eficiência da frota de carros e picapes.
Esse acordo está sendo considerado um marco na política de redução de emissões de CO2 no EUA. Ele dobra a eficiência no consumo [...]]]></description>
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			</a>
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<p>O presidente Barack Obama anunciou, antes do discutível acordo para elevar o teto da dívida, um acordo com as maiores montadoras do mundo para dobrar a eficiência da frota de carros e picapes.<span id="more-2498"></span></p>
<p>Esse acordo está sendo considerado um <a href="http://www.altenergystocks.com/archives/2011/07/aggressive_new_cafe_standards_the_ic_empire_strikes_back.html">marco na política</a> de redução de emissões de CO2 no EUA. Ele dobra a eficiência no consumo de combustíveis dos automóveis e picapes e, consequentemente, corta pela metade as emissões de Co2. Além de benefícios ambientais e para a saúde pública, terá forte impacto positivo na economia. A agência ambiental EPA, responsável pela implementação do Clean Air Act, lei que regula qualidade do ar no EUA estima que ela já produziu quase US$ 50 trilhões em <a href="http://www.ucsusa.org/global_warming/solutions/big_picture_solutions/methodology-for-ucs-clean-air-act-ticker.html">benefícios econômicos</a> nos seus 40 anos de vigência. A Casa Branca estima que o impacto econômico direto do acordo com a indústria automobilística seria de US$ 1.7 trilhões, com a redução dos gastos das famílias e fiscal com combustíveis. Os benefícios secundários poderiam chegar a US$ 7 trilhões.</p>
<p><a href="http://www.ecopolitica.com.br/wp-content/uploads/2011/08/Infográfico-CAFE.jpg"><img src="http://www.ecopolitica.com.br/wp-content/uploads/2011/08/Infográfico-CAFE.jpg" alt="" title="Infográfico CAFE" width="520" height="337" class="aligncenter size-full wp-image-2499" /></a></p>
<p>Para cumprir o acordo, a indústria, além de investir em motores a combustão mais eficientes, terá que <a href="http://www.greenbiz.com/news/2011/08/01/how-automakers-can-meet-new-545-mpg-standards">mudar a composição</a> da frota automotiva, aumentando significativamente a participação de veículos <a href="http://www.good.is/post/how-car-companies-will-meet-obama-s-new-fuel-standards/">híbridos e elétricos</a>. São metas exigentes e mostram que, mesmo sem uma lei sobre mudança climática, o Executivo no EUA tem poder para ir além dos compromissos de redução de emissões de carbono que assumiu em Copenhague, na COP15.</p>
<p><a href="http://www.ecopolitica.com.br/wp-content/uploads/2011/08/Gráfico-CAFE.jpg"><img src="http://www.ecopolitica.com.br/wp-content/uploads/2011/08/Gráfico-CAFE.jpg" alt="" title="Gráfico CAFE" width="520" height="401" class="aligncenter size-full wp-image-2500" /></a></p>
<p><iframe src='http://www.cbn.com.br/Player/player.htm?audio=2011/colunas/ecopolitica_110801&#038;OAS_sitepage=cbn/comentarios/sergioabranches' width='475' height='193' marginheight='0' marginwidth='0' frameborder='0' scrolling='no' bgcolor='#CCCCCC'/></iframe></p>
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		<title>O custo em carbono do impasse no EUA</title>
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		<pubDate>Fri, 15 Jul 2011 12:59:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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Sérgio Abranches
O impasse da dívida no EUA tem implicações diretas para a política sobre mudança climática.
O miolo do impasse que impede um acordo para elevar o teto da dívida federal, limitada por lei e cujo teto deve ser ultrapassado por volta de agosto, tem a ver com a estratégia de corte de gastos. Esse corte [...]]]></description>
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<p style="text-align: center;">Sérgio Abranches</p>
<p>O impasse da dívida no EUA tem implicações diretas para a política sobre mudança climática.<span id="more-2375"></span></p>
<p>O miolo do impasse que impede um acordo para elevar o teto da dívida federal, limitada por lei e cujo teto deve ser ultrapassado por volta de agosto, tem a ver com a estratégia de corte de gastos. Esse corte é uma condição necessária para um acordo que permita elevar o teto da dívida.</p>
<p>Obama propõe cortar US$ 2 trilhões, metade disso com a retirada das isenções tributárias para as empresas produtoras de petróleo, produtores de etanol e proprietários de jatos executivos. Os republicanos são contra e querem cortar na assistência médica, o Medicare. São posições polarizadas radicalmente, que podem levar a uma ruptura. No caso, a ruptura maior seria uma moratória da dívida federal, com impacto calamitoso na economia mundial. Agravaria dramaticamente a crise na Europa e representaria um sério golpe para a China que há muitos anos é o principal financiador da dívida do EUA. Suas imensas reservas financeiras são basicamente em títulos do Tesouro do EUA de 30 anos.</p>
<p>Os democratas querem cortar privilégios e atividades de alto carbono. O petróleo é óbvio, é o coração da economia de alto carbono. O etanol de milho tem um balanço de carbono negativo, ou seja, emite mais na produção do que reduz emissões no uso. No Brasil, por exemplo, o balanço do álcool é positivo. Só complica no transporte, quando usa caminhões a diesel. Os jatos executivos são um privilégio e os ricos devem pagar inteiramente por ele. Têm uma das maiores emissões de carbono per capita, ou por passageiro.</p>
<p>Além disso, a rigidez fiscal imposta pela crise da dívida reduz dramaticamente os recursos para os programas de incentivos à economia verde que, como mostrei aqui <a href="http://www.ecopolitica.com.br/2011/07/14/economia-limpa-gera-empregos-no-eua/">ontem</a>, está gerando mais emprego que a indústria de petróleo, cujos subsídios os republicanos querem manter. Essa crise, diga-se de passagem, foi criada pelos republicanos no governo Bush. No governo Clinton havia um grande superávit, que chegava até a preocupar o FED.</p>
<p>O republicanos são contra qualquer política de redução de emissões ou incentivo à economia verde. Estão matando na Câmara, por exemplo, projeto de lei que obriga a substituição de lâmpadas incandescentes, que representaria grande economia de energia. Querem retirar da agência ambiental, EPA, autoridade para limitar as emissões dos veículos automotivos.</p>
<p>Esse impasse político polarizou o Congresso radicalmente, além de impedir qualquer avanço na política federal para mudança climática. A ausência de política climática no plano federal e as dificuldades que ela representa para o avanço das políticas estaduais e municipais é o outro ponto de ruptura dessa polarização radicalizada.</p>
<p><iframe src='http://www.cbn.com.br/Player/player.htm?audio=2011/colunas/ecopolitica_110715&#038;OAS_sitepage=cbn/comentarios/sergioabranches' width='475' height='193' marginheight='0' marginwidth='0' frameborder='0' scrolling='no' bgcolor='#CCCCCC'/></iframe></p>
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		<title>Economia limpa no EUA cria empregos</title>
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		<pubDate>Thu, 14 Jul 2011 13:50:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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Sérgio Abranches
A Brookings Institution lançou ontem o primeiro relatório abrangente e sistemático sobre a economia limpa no EUA. Ela gera mais empregos que a indústria de combustíveis fósseis.
Já é maior que a indústria de biociências, mas menor que a de TI. Gera mais empregos que a economia tradicional, mesmo crescendo a taxas inferiores. É responsável [...]]]></description>
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			</a>
		</div>
<p style="text-align: center;">Sérgio Abranches</p>
<p>A Brookings Institution lançou ontem o primeiro relatório abrangente e sistemático sobre a economia limpa no EUA. Ela gera mais empregos que a indústria de combustíveis fósseis.<span id="more-2366"></span></p>
<p>Já é maior que a indústria de biociências, mas menor que a de TI. Gera mais empregos que a economia tradicional, mesmo crescendo a taxas inferiores. É responsável pela adição de quase 3 milhões de empregos diretos na economia do EUA, exatamente no período de crise da economia tradicional. Concentra-se nas regiões metropolitanas, onde o desemprego tradicional é maior. É urbana, industrial, empregadora, limpa e exportadora.</p>
<p>Está demonstrando forte dinamismo, levou algum tempo para decolar, mas decolou. Ainda precisa de um empurrão adicional do governo para se firmar.</p>
<p>Esse retrato da economia verde tem grande importância política, econômica e ambiental.</p>
<p>Política, porque mostra que o presidente Obama estava certo em apostar na geração verde de empregos. Esses resultados fortalecem sua política e lhe darão argumentos para a campanha pela reeleição. Parte desses resultados decorre do forte investimento em pesquisa e desenvolvimento e a subsídios ao desenvolvimento desta nova indústria, um esforço pessoal de Obama.</p>
<p>Muito diferente do que fazemos aqui, onde o BNDES desperdiça recursos públicos com frigoríficos que desmatam, supermercados que têm elevadas margens de lucro, siderúrgicas associadas a termelétricas.</p>
<p>A importância econômica dos números contidos nesse relatório está no fato de que eles permitem entender melhor a dinâmica da economia verde. O fato de ela ser fortemente industrial, metropolitana e geradora de empregos desenha novo perfil para a economia urbana. A velha economia, de alto carbono, poluía o ar, a água e o solo das grandes regiões metropolitanas e gerava cada vez menos empregos. Além de ser uma das principais fontes de gases estufa. A nova é limpa e ajuda a redinamizar as regiões metropolitanas.</p>
<p>O estudo mostra que a economia de baixo carbono leva certo tempo para deslanchar, mas depois que deslancha adquire muito dinamismo. Ela depende de investimentos em ciência e tecnologia, incentivos à pesquisa e desenvolvimento e apoio a empresas nascentes (startups).</p>
<p>Sua importância ambiental é clara: além de ser limpa, produz produtos limpos. Cria cadeias produtivas limpas que contribuem para a redução dos gases de efeito estufa, para a despoluição e para melhoria da qualidade do ar e da água. </p>
<p><iframe src='http://www.cbn.com.br/Player/player.htm?audio=2011/colunas/ecopolitica_110714&#038;OAS_sitepage=cbn/comentarios/sergioabranches' width='475' height='193' marginheight='0' marginwidth='0' frameborder='0' scrolling='no' bgcolor='#CCCCCC'/></iframe></p>
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		<title>EUA: o verão do impensável?</title>
		<link>http://www.ecopolitica.com.br/2011/05/16/eua-o-verao-do-impensavel/</link>
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		<pubDate>Mon, 16 May 2011 20:03:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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Sérgio Abranches
Quando George Bush, republicano conservador, começou a destruir o equilíbrio orçamentário inédito em muitas décadas arduamente conquistado pelo democrata Bill Clinton, ninguém diria que um presidente democrata enfrentaria risco de default três anos depois.
Talvez não chegue a ser um black swan. Mas está na categoria do “pensar o impensável”. Pois hoje, nenhum analista bem [...]]]></description>
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			</a>
		</div>
<p>Sérgio Abranches</p>
<p>Quando George Bush, republicano conservador, começou a destruir o equilíbrio orçamentário inédito em muitas décadas arduamente conquistado pelo democrata Bill Clinton, ninguém diria que um presidente democrata enfrentaria risco de default três anos depois.<span id="more-2055"></span></p>
<p>Talvez não chegue a ser um black swan. Mas está na categoria do “pensar o impensável”. Pois hoje, nenhum analista bem informado de Washington estaria disposto a descartar que este possa vir a ser o verão do impensável: moratória do Tesouro do EUA. Obama enfrenta um duro desafio. Os republicanos, responsáveis pela gastança que transformou o superávit fiscal em déficit, querem colocá-lo no córner. Só votam para elevar o nível legal de endividamento e evitar o default se Obama aceitar proposta de cortes adicionais de gastos. É uma forma de empurrar o presidente democrata para um caminho que irritará muitos eleitores, nas portas da campanha presidencial. Se aceitasse a moratória, Obama criaria uma crise financeira global de enormes proporções, destruiria a credibilidade do dólar e do icônico T-Bond de 30 anos. Isso também o colocaria em dificuldades nas eleições.</p>
<p>Já não bastasse o inverno rigoroso, que teve consequências econômicas negativas e custou vidas. Este início de verão trouxe chuvas intensas, que ameaçam fazer o Mississipi inundar a traumatizada cidade de New Orleans e a capital do estado, Baton Rouge. Os custos para a agricultura local já são elevados. Milhares de pessoas estão desalojadas. O dano patrimonial é muito grande já e o custo para a indústria de seguros muito alto e com risco de se elevar ainda mais. Agora até o T-Bond está ameaçado.</p>
<p>O TBond é um marco na geografia dos “safe heavens”, das zonas de segurança do mercado financeiro. É para onde todos os investidores correm quando o risco está muito alto e permeia todos os mercados. Só China e Japão detém mais de US$ 2 trilhões de T-Bonds. O Brasil deve ter perto de US$ 200 bilhões.</p>
<p>Uma vez, em um seminário na Suíça, um ex-Chancellor of the Exchequer me disse que havia uma forma simples de determinar a credibilidade e solidez financeira de um país. “Basta verificar se as pessoas estariam dispostas a aplicar suas poupanças em um título de 30 anos do Tesouro desse país. São muito poucos os que passam hoje neste teste, mas todos os países devem tentar atingir esse status.” O EUA era um desses poucos e o TBond de 30 anos tem sido um símbolo de segurança.</p>
<p>A Secretaria do Tesouro, consciente de que pode não haver acordo em tempo hábil &#8211; o limite legal de endividamento foi alcançado nesta segunda-feira &#8211; começa a planejar atraso em pagamentos. Será preferível atrasar pagamentos a fornecedores, funcionários, pensionistas e tropas, que admitir a moratória.</p>
<p>Mas atrasar pagamentos não é saída. É paliativo de curto prazo. A única solução é um acordo no Congresso, que Obama vem negociando há semanas. Ele admite cortar mais gastos, mas quer definir onde cortar. Não vai aceitar os cortes republicanos, desenhados politicamente para causar-lhe o máximo de dano eleitoral.</p>
<p>Os republicanos não têm todos os trunfos na mão. Obama pode transferir para eles a culpa pelos atrasos de pagamentos. Sua popularidade está começando a se recuperar. Quanto mais dolorosos forem os atrasos para o eleitorado republicano, mais pressão o partido sofrerá e mais difícil ficará fazer um candidato viável. A popularidade do partido está em baixa, exatamente porque radicalizou demais. Além disso, a maioria não deseja a moratória. Uma<a href="http://www.washingtonpost.com/blogs/2chambers/post/republicans-tea-party-less-likely-to-see-potential-us-default-as-disastrous/2011/05/16/AFtHa24G_blog.html"> pesquisa de hoje</a> mostra que 56% dos eleitores acham que a moratória seria desastrosa para o EUA. Entre os democratas, 64% pensam assim, e entre os independentes, 55%. Mesmo dos que se auto-declaram republicanos, 49% têm a mesma opinião. Só 38% acham que a moratória não teria grandes consequências.</p>
<p>Na semana passada, os Republicanos perderam seu candidato mais popular, Mike Huckabee, ex-governador do Arkansas, terra de Clinton. Huckabee estava com dificuldades para financiar sua campanha, mas o anúncio de que não concorreria às primárias foi inesperado. Deixou o campo republicano mais complicado.</p>
<p>Não é uma situação fácil. O mais provável é que, ao final, saia um acordo de compromisso. Mas é uma situação muito perigosa para o equilíbrio financeiro e para o desempenho da economia global. E nós temos que nos precaver também.</p>
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		<item>
		<title>A morte de bin Laden: uma análise imediata</title>
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		<pubDate>Mon, 02 May 2011 16:02:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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Sérgio Abranches
A operação que matou Osama bin Laden foi cuidadosamente planejada para não falhar. Um fracasso teria péssimas repercussões políticas nos Estados Unidos, que ingressa no clima de eleições presidenciais. Mas seria pior ainda do ponto de vista estratégico em um momento de tensões múltiplas e abalos significativos na ordem geopolítica global.
Uma falha dessa natureza [...]]]></description>
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<p style="text-align: center;">Sérgio Abranches</p>
<p>A operação que matou Osama bin Laden foi cuidadosamente planejada para não falhar. Um fracasso teria péssimas repercussões políticas nos Estados Unidos, que ingressa no clima de eleições presidenciais. Mas seria pior ainda do ponto de vista estratégico em um momento de tensões múltiplas e abalos significativos na ordem geopolítica global.<span id="more-1913"></span></p>
<p>Uma falha dessa natureza complicaria a posição dos Estados Unidos no Afeganistão e no Iraque e poderia fortalecer a autoconfiança de grupos terroristas anti-EUA. O sucesso tem uma importante carga efetiva e simbólica do ponto de vista estratégico. Acontece em um momento em que grande parte do mundo árabe pede mais democracia. Pode dar a Obama a razão final para terminar a retirada do Iraque e começar a saída do Afeganistão. Afinal as tropas dos Estados Unidos entraram no Afeganistão, após o 11 de setembro, para derrubar o governo talibã, aliado dos terroristas, capturar Bin Laden e derrotar a Al Qaeda. Bush falhou nesse intento e, ao dar prioridade à invasão do Iraque logo em seguida, enfraqueceu a visão e a capacidade operacional dos militares e do aparato de inteligência e contra-terrorismo de seu país, permitindo a fuga de Bin Laden para o Paquistão e o fortalecimento do Talibã, como força de resistência no Afeganistão.</p>
<p>Por isso a operação foi tão demorada e cuidadosamente planejada. Muito ao contrário do estilo Bush, que tomou seguidas decisões açodadas e sem suficiente informação, a operação que Obama determinou à CIA foi discreta, paciente e cuidadosa. O presidente foi informado da descoberta do complexo que tinha alta probabilidade de ser o esconderijo do líder da Al Qaeda em setembro do ano passado. Segundo <a href="http://thelede.blogs.nytimes.com/2011/05/02/following-the-reaction-to-bin-ladens-death/">relatos</a> à imprensa de altos funcionários do establishment de inteligência, segurança nacional e doméstica, na madrugada de ontem, desde meados de fevereiro, encontros intensivos com Obama na Casa Branca determinaram que havia informação sólida o suficiente para agir.  A partir de março, Obama passou a conduzir reuniões de planejamento e avaliação do Conselho de Segurança Nacional. No dia 29, Obama deu a ordem para que executassem a operação.</p>
<p>Em seu <a href="http://www.whitehouse.gov/blog/2011/05/02/osama-bin-laden-dead">pronunciamento</a>, ontem, no East Room da Casa Branca, às 23:35 horário de Washington, Obama disse que em meados de agosto foi informado de que havia uma pista da possível localização de bin Laden. O presidente disse que pouco depois de tomar posse determinou a “Leon Panetta, o diretor da CIA, que fizesse da captura ou morte de bin Laden a principal prioridade” na guerra contra a Al Qaeda, “mesmo que continuássemos nossos esforços mais amplos para desarticular, desmantelar e derrotar sua rede”. Foram precisos, disse o presidente, meses para confirmar e precisar essa pista e, finalmente, “na semana passada, determinei que havia informação suficiente para agir e autorizei uma operação para encontrar bin Laden e traze-lo à justiça”. Obama contou, ainda, que um pequeno time de americanos realizou a operação, sem baixas. “Após um tiroteio, eles mataram Osama bin Laden e assumiram a custódia de seu corpo”.</p>
<p>Até a divulgação da operação foi cuidadosamente preparada e ensaiada. Quem comparar a carta de Leo Panetta aos funcionários da CIA, os depoimentos dos funcionários destacados para falar à imprensa, transcritos pelo New York Times <a href="http://thelede.blogs.nytimes.com/2011/05/02/following-the-reaction-to-bin-ladens-death/">aqui</a>, com o pronunciamento de Obama, verá que usam os mesmos termos e sequência de eventos. Essa comunicação planejada claramente tem dupla intenção política. Uma, evidentemente, é ter impacto no campanha de Obama pela reeleição que, com esse episódio, o início da recuperação da economia e as divisões republicanas, vai ficando cada vez mais certa. A segunda intenção é estratégica e não visa apenas a Al Qaeda e os grupos terroristas anti-EUA. Ela certamente pretende ter efeito sobre a operação militar conduzida no momento pela OTAN na Líbia contra Muamar Al Kaddafi, mas que tem participação central dos Estados Unidos.</p>
<p>O recado é claro. Nesse tipo de operação, o objetivo é atingir fatalmente a liderança e reduzir ao máximo as operações propriamente militares, de confronto em escala. Um oficial dos Estados Unidos, aparentemente envolvido na operação no complexo localizado em Abbottabad, perto de Islamabad, no Paquistão, disse que ela foi <a href="http://www.reuters.com/article/2011/05/02/us-obama-statement-idUSTRE74107920110502">desenhada para matar</a> bin Laden, não para capturá-lo. Vamos ser realistas e claros: a prisão e julgamento de bin Laden constituiria um <a href="http://www.newyorker.com/online/blogs/newsdesk/2011/05/killing-osama-was-it-legal.html">processo complexo</a>, contraditório, perigoso e demorado.</p>
<p>Toda guerra é suja. O terrorismo é sujo. A guerra antiterrorista é suja. Todas são moralmente condenáveis.</p>
<p>A ação antiterrorista tem elementos específicos: acaba utilizando métodos muito próximos aos que o inimigo usualmente utiliza. O assassinato, a eliminação física de lideranças é parte indissociável desse tipo de ação. Levada a extremos, como aconteceu no governo Bush, resvala facilmente para a tortura e para a supressão dos direitos individuais. Obama, que fez campanha contra a tortura e o desrespeito aos direitos civis, traçou limites algo difusos para as operações dessa natureza em seu governo, embora tenha reduzido a violência contra prisioneiros e a frequência das violações a direitos individuais. Mas a incapacidade de fechar Guantanamo, a retomada do julgamento militar de civis acusados de terrorismo e essa ação, aparentemente desenhada para matar e não capturar bin Laden, mostram que não está disposto a relaxar tanto assim a política de segurança.</p>
<p>É claro que essa questão envolve a necessidade de alguma dose de <em>realpolitik</em>. Um país alvo de terroristas, ainda que tenha contribuído com suas ações para provocar reações extremas, não pode deixar sua população vulnerável. Os tipos de operações de segurança que ameaças dessa natureza pedem não podem variar muito. Nesse mundo é impossível ficar com as mãos limpas, de lado a lado.</p>
<p>As consequências da morte de bin Laden provavelmente irão, como disse, muito além de um fechamento do longo processo iniciado com o ataque às torres gêmeas, em 11 de setembro de 2001, e à determinação de desarticular e derrotar a Al Qaeda. Pelo menos três questões estratégicas devem ser consideradas.</p>
<p>Primeiro, como indicado acima, pode ser utilizada como um elemento da operação política e psicológica em apoio à ação militar na Líbia. Até ontem, a convicção dominante entre os analistas, de todas as persuasões, era de que seria pouquíssimo provável derrubar Kaddafi sem uma invasão completa, por terra, e a ocupação de Tripoli e outras cidades importantes. Agora, Washington mostrou que uma operação limitada, com recursos de inteligência bem coordenados e a ação executada por um comando de forças especiais &#8211; parece que em Abbottabad foi um grupo da ‘Navy Seals’ &#8211; focada na captura ou morte do líder inimigo é alternativa viável. Não estou dizendo que a Casa Branca está contemplando essa possibilidade na Líbia, mas que esse tipo de ação surge no cenário como alternativa concreta.</p>
<p>As principais tentativas desse tipo no passado fracassaram. O sucesso indica que houve melhora na qualidade da inteligência e muito avanço tecnológico. Não por acaso, a NGA &#8211; Agência Nacional de Inteligência Geoespacial foi citada como importante recurso no sucesso da operação contra bin Laden. Há informações de que, na gestão Obama, diminuiu a notória competição entre as agências e aumentou o grau de cooperação interagência.</p>
<p>A segunda questão estratégica tem a ver com a própria Al Qaeda. A reação de lideranças muçulmanas hostis aos Estados Unidos foi de tratar bin Laden como mártir. Grupos jihadistas que não negaram sua morte, disseram que ela não põe fim à Jihad contra o EUA, porque ela não tem a ver com pessoas. O líder do Hamas, Ismail Haniyeh, chamou bin Laden de “mártir” e “guerreiro sagrado”. Em comunicado oficial, a organização condenou o que caracterizou como “assassinato de um santo guerreiro árabe”. É claro que para a Al Qaeda e outros grupos que compartilham sua causa e seus métodos, a morte de bin Laden é um duro golpe emocional e político. Também revela que o aparato de inteligência dos Estados Unidos evoluiu e que o sistema de segurança desses grupos tem falhas que os enfraquece diante desse aparato renovado. Esse golpe acontece em um momento que os movimentos fundamentalistas estão enfraquecidos pelas revoltas no mundo árabe a favor da democracia, envolvendo grandes maiorias e expressivas frações minoritárias todas muçulmanas. É um momento de fragilidade política dos radicais e fortalecimento das forças muçulmanas pacifistas e mais democráticas.</p>
<p>A Al Qaeda não é mais, há muito tempo, a mesma organização que comandou o 11/9. Ela se fragmentou e cresceu, tornou-se multiétnica, mais difusa ideologicamente e a liderança de bin Laden se tornou muito mais motivacional e política, que operacional e militar. A Al Qaeda já nem é a mais ativa organização terrorista. Certamente, com esse golpe ela vai se fragmentar ainda mais e perder força. Provavelmente, diante da nova conjuntura no mundo árabe, mais pacifista e democrática, e da nova capacidade de ação antiterrorista, o terrorismo se caracterizará por grupos menores, sem lideranças centrais, mais isolados, sem países aliados capazes de lhes dar abrigo, cobertura e financiamento. Grupos mais incontroláveis e radicais, mas também menos eficazes e mortais.</p>
<p>Finalmente, uma questão estratégica envolve o Paquistão. Logo que começaram a circular as notícias da morte de bin Laden, na noite de ontem, autoridades paquistanesas procuraram os correspondentes estrangeiros para dizer que havia sido uma operação conjunta, com participação de forças paquistanesas. Tudo indica que não foi e que o governo do Paquistão só foi avisado após o sucesso da missão. O complexo de bin Laden fica muito próximo a uma base de cadetes, em Abbottabad, e as imagens e descrições mostram que era uma construção de alta segurança, obviamente muito além do que se utilizaria para uma residência particular. O presidente Obama disse que telefonou ontem à noite para o presidente Zardari e que o seu time também falou com suas contrapartes paquistanesas. É curiosa e eloquente a conclusão de Obama: “eles concordam que este é um dia bom e histórico para nossas nações. E, indo adiante, é essencial que o Paquistão continue a se unir a nós na luta contra a Al Qaeda e seus afiliados”. Ou seja, houve conversa a posteriori e um recado delicado e preciso de que os Estados Unidos esperam que o Paquistão também tenha aprendido a lição.</p>
<p>Esse episódio significativo acontece em um momento de fluidez e mudança na geopolítica global. Um período de grandes incertezas políticas e econômicas. De intensa transição científica e tecnológica. É parte dessa grande transição que vivemos e que desenhará os verdadeiros contornos geopolíticos, econômicos e sociais do século XXI.</p>
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		<title>O orçamento e o meio ambiente no EUA</title>
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		<pubDate>Tue, 12 Apr 2011 17:49:40 +0000</pubDate>
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Sérgio Abranches
O impasse sobre o orçamento entre a Casa Branca e o Capitólio representou um sério perigo para o ambiente e a pesquisa científica. O maior perigo passou. Mas os incentivos para energia limpa ainda podem sofrer.


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<p style="text-align: center;">Sérgio Abranches</p>
<p>O impasse sobre o orçamento entre a Casa Branca e o Capitólio representou um sério perigo para o ambiente e a pesquisa científica. O maior perigo passou. Mas os incentivos para energia limpa ainda podem sofrer.<span id="more-1851"></span></p>
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		<title>Brasil pode surpreender na COP17 em Durban, África do Sul</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Mar 2011 13:53:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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Sérgio Abranches
Preparações para a COP17, em Durban, África do Sul, começam a ganhar velocidade e Brasil pode surpreender.
A secretária executiva da Convenção do Clima, Christiana Figueres, incomodada com a inatividade dos países mais importantes, tem insistido para que dêem atenção às sessões preparatórias para a COP17 daqui em diante. Tem pedido também mais empenho das [...]]]></description>
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<p style="text-align: center;">Sérgio Abranches</p>
<p>Preparações para a COP17, em Durban, África do Sul, começam a ganhar velocidade e Brasil pode surpreender.<span id="more-1792"></span></p>
<p>A secretária executiva da Convenção do Clima, Christiana Figueres, incomodada com a inatividade dos países mais importantes, tem insistido para que dêem atenção às sessões preparatórias para a COP17 daqui em diante. Tem pedido também mais empenho das delegações e resultados mais concretos. A Convenção divulgou na semana passada os compromissos de redução de emissões registrados pelos países no anexo do Acordo de Copenhague e que foram oficializados pelos Acordos de Cancún.</p>
<p>O Brasil pode ter um papel bem mais ativo e efetivo em Durban e assumir uma posição de liderança em várias negociações fundamentais. Diferentemente do que ocorreu no passado, a delegação brasileira pode chegar à África do Sul muito mais afinada e sem divergências internas. Tudo indica que poderá ter uma posição mais coesa e propositiva.</p>
<p>Quando Eduardo Assad foi nomeado Secretário de Mudança Climática pela ministra Izabella Teixeira, fiz um tuíte que dizia: “ótima escolha, o nome de Eduardo Assad, agroclimatologista da Embrapa, para a área de mudança climática do MMA”. Tinha duas razões para dizer isto. Conheço Eduardo Assad e seu trabalho há muito tempo. Sabia de seu compromisso com a ciência da mudança climática e que sempre orientou seu trabalho para a obtenção de resultados concretos. Vinha acompanhando, há algum tempo, um grupo de cientistas e especialistas em vários campos relevantes para a mudança climática e sabia como haviam desenvolvido uma visão comum e convergente dos problemas e das soluções possíveis neste campo. Entres eles estavam Eduardo Assad e Carlos Nobre, que já havia sido nomeado para o Ministério da Ciência e Tecnologia pelo ministro Aloízio Mercadante.</p>
<p>A Secretaria de Mudança Climática do MMA já teve titulares de primeira linha. Suzana Kahn, por exemplo, teve atuação de destaque e sua desenvoltura nos fóruns internacionais, que continua a frequentar, ampliou significativamente o alcance de ação da Secretaria. Mas, infelizmente, Suzana não encontrava em outros postos chaves do governo pessoas com pensamento convergente ao dela. Exerceu liderança importante, mas faltava uniformidade de visão e propósitos à ação governamental &#8211; e não por falta de trabalho e esforço da equipe do MMA na qual Suzana Kahn se destacava. Outra figura de destaque, que também se esforçou, junto com Suzana Kahn, para conseguir alguma convergência na ação governamental foi Tasso Azevedo.</p>
<p>A novidade, agora, é que ao invés de haver divergência e conflito entre as ações dos dois ministérios centrais para a política climática, Ambiente e Ciência e Tecnologia, há convergência e cooperação. Essa convergência, aliada à competência de Nobre e Assad, pode fazer muita diferença.</p>
<p>Um bom exemplo é o inventário de emissões de gases estufa do país, de responsabilidade do ministério da Ciência e Tecnologia. Na gestão passada, o ministério fez o que pode para adiar sua edição. Nas negociações para a COP15, em Copenhague, que narro em meu livro <a href="http://www.record.com.br/livro_sinopse.asp?id_livro=25178">Copenhague Antes e Depois</a>, o grupo do contra do Ministério da Ciência e Tecnologia acabou isolado. Com a participação ativa de Suzana Khan, Tasso Azevedo, pelo MMA, Gilberto Câmara e Carlos Nobre, do INPE, os compromissos brasileiros incorporaram a divulgação bienal do inventário. Agora está na lei. Carlos Nobre passou a coordenar a “Rede Clima”, formada por instituições públicas de pesquisa, que cuidaria do inventário, mas enfrentou grandes dificuldades. Agora, o inventário é responsabilidade dele. Tenho ouvido de vários envolvidos, antes céticos, a mesma afirmação: “agora sai”.</p>
<p>Essa atitude de convergência e cooperação entre os dois ministérios técnicos que cuidam da agenda climática brasileira começa a encontrar ressonância no Itamaraty, outra tradicional fonte de resistência ao avanço da posição brasileira, principalmente no plano internacional.</p>
<p>Esse novo quadro pode permitir ao Brasil voltar a exercer um papel de liderança nas negociações climáticas globais, que teve no passado e perdeu.  Em pelo menos dois pontos, a equipe brasileira pode se sobressair. Primeiro, ao mostrar como os compromissos assumidos pelo país serão implementados e monitorados. Segundo, assumindo a frente nas negociações sobre o REDD (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal), um dos pontos que menos avançou em Copenhague e Cancún, nas COPs 15 e 16.</p>
<p>Os quatro principais emissores de gases estufa fora do Protocolo de Quioto, EUA, China, Índia e Brasil são chaves para obter qualquer progresso adicional nas negociações globais sobre mudança climática. No EUA, Obama não conseguiu aprovar legislação sobre energia sustentável e mudança climática e sofre dura oposição no Congresso às ações da EPA, a agência ambiental, que tem imposto novos limites às emissões dos principais setores da economia do país. Sem respaldo interno, seu papel nas negociações globais ficará muito limitado. A China acaba de adotar <a href="http://www.ecopolitica.com.br/2011/03/28/china-adota-metas-agressivas-para-carbono-agua-e-residuos-solidos/">metas bastante agressivas</a> de redução de emissões de gases estufa que podem mesmo ir além dos compromissos que assumiu internacionalmente. Mas, Beijing tem um papel sempre meio dúbio na arena global, porque tende sempre a atrelar suas posições às do EUA. Se Washington não avança, a China empaca. A Índia também tem adotado políticas bastante consistentes e tem se aproveitado das ambivalências da China e das vacilações do Brasil para ampliar sua liderança entre os emergentes e junto aos países em desenvolvimento.</p>
<p>O Brasil avançou muito pouco, desde Copenhague. Regulamentou a lei sobre mudança climática só na véspera da reunião de Cancún. Com a mudança de governo, ficou tudo em compasso de espera. A lei ainda não tem um plano adequado de implementação. Mas, “agora vai”, tenho ouvido em Brasília. Pelo que apurei, as equipes já estão trabalhando para garantir que a lei seja cumprida e os resultados monitorados e avaliados.</p>
<p>Essa inédita convergência a favor de avanços na política climática internamente e de aprofundamento dos compromissos brasileiros, no plano externo, pode mudar para melhor o desempenho internacional do Brasil. A nova equipe terá seu primeiro e decisivo teste no final do ano, na África do Sul.</p>
<p>&nbsp;</p>
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