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	<title>Ecopolitica &#187; IPCC</title>
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	<description>Política Mudança Climática Século XXI</description>
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		<title>IPCC reconhece importância dos acordos de Durban e alerta os governos</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Dec 2011 12:11:11 +0000</pubDate>
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O IPCC comentou as decisões de Durban em declaração oficial. Reconhece que as decisões de domingo criam as bases para que a sociedade global enfrente o desafio da mudança climática. Mas, alerta, é preciso mais ação, o mais rápido.
Meu comentário de hoje na CBN:

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<p>O IPCC comentou as decisões de Durban em declaração oficial. Reconhece que as decisões de domingo criam as bases para que a sociedade global enfrente o desafio da mudança climática. Mas, alerta, é preciso mais ação, o mais rápido.<span id="more-3196"></span></p>
<p>Meu comentário de hoje na CBN:</p>
<p><iframe src='http://www.cbn.com.br/Player/player.htm?audio=2011/colunas/ecopolitica_111214&#038;OAS_sitepage=cbn/comentarios/sergioabranches' width='475' height='193' marginheight='0' marginwidth='0' frameborder='0' scrolling='no' bgcolor='#CCCCCC'/></iframe></p>
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		<title>O IPCC comenta a Plataforma de Durban na COP17</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Dec 2011 17:18:11 +0000</pubDate>
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O Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC), que fornece a formuladores de políticas públicas o estado atual da ciência do clima, divulgou hoje uma declaração sobre o resultado da COP17, em Durban. Mostra preocupação com a decisão de “adotar um acordo legal universal sobre mudança climática o mais rápido possível, mas não depois de 2015, [...]]]></description>
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<p>O Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC), que fornece a formuladores de políticas públicas o estado atual da ciência do clima, divulgou hoje uma declaração sobre o resultado da COP17, em Durban. Mostra preocupação com a decisão de “adotar um acordo legal universal sobre mudança climática o mais rápido possível, mas não depois de 2015, para vigorar em 2020.” O acordo de Durban reafirma a decisão de rever os compromissos de Copenhague/Cancún de reduzir as emissões à luz do próxio relatório do IPCC, a ser divulgado em 2013. O IPCC foi consultado sobre que impacto esses acordos terão no aquecimento global. &#8220;Deve-se adotar ações rapidamente para cortar as emissões para evitar uma elevação destrutiva nas temperaturas mundiais, mostram os resultados do Painel do Clima.&#8221;</p>
<p><span id="more-3187"></span></p>
<p>A declaração diz que o IPCC deve publicar a primeira parte de seu relatório de avaliação, o quinto, em 2013. Mas em seu quarto relatório, publicado em 2007, já mostrou que um aumento de 2 graus Celsius pode ter efeitos danosos. Também diz que os gases estufa devem cair globalmente entre 50% e 85% até 2050 em comparação às emissões de 2000 e as emissões globais devem ter seu pico bem antes do ano 2020.</p>
<p>O IPCC afirma que “a série de acordos feitos no domingo por perto de 200 países em  Durban lança as fundações para que a comunidade global possa enfrentar a mudança climática”. Mas alerta que “deve-se adotar ações rapidamente para cortar as emissões de modo a evitar uma elevação destrutiva das temperaturas mundiais”.</p>
<p>Veja o texto completo da declaração do IPCC.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Declaração do IPCC</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>13 de Dezembro de 2011</strong></p>
<blockquote><p>Deve-se adotar ações rapidamente para cortar as emissões para evitar uma elevação destrutiva nas temperaturas mundiais, mostram os resultados do Painel do Clima.</p></blockquote>
<p>A série de acordos feitos no domingo por quase 200 países em Durban lança as fundações para que a comunidade global possa enfrentar a mudança climática.</p>
<p>Governos em encontro na conferência anual do clima da Convenção Quadro sobre Mudança Climática das Nações Unidas (UNFCCC) decidiram adotar um acordo universal legal o mais rápido possível, mas não depois de 2015, a ser adotado e passar a vigorar a partir de 2020. Ao mesmo tempo eles reconhecem a necessidade de elevar o seu nível coletivo de ambições para reduzir emissões de gases estufa para manter a elevação média da temperatura global abaixo de 2 graus Celsius.</p>
<p>O Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática foi chamado a se manifestar sobre que impactos esses acordos terão no aquecimento global.</p>
<p>O IPCC, que provê formuladores de políticas com o estado atual da ciência do clima, incluindo o impacto da mudança climática e o que pode ser feito para enfrentá-la, deve publicar a primeira parte se seu próximo relatório de avaliação, o quinto, em 2013.</p>
<p>Mas já no quarto relatório de avaliação, publicado em 2007, o IPCC mostrou que uma elevação de temperatura de 2 graus Celsius poderia ter um efeito destrutivo sobre o suprimento de água, a biodiversidade, o suprimento de alimentos, enchentes costeiras, tempestades e saúde.</p>
<p>O quarto relatório de avaliação mostra que as emissões de gases estufa que contribuem para o aquecimento global devem cair globalmente entre 50% e 85% comparadas às emissões de 2000, até 2050, e que as emissões globais devem atingir seu pico bem antes de 2020, com um declínio substancial a partir daí, de modo a limitar o aumento na temperaturas médias globais a 2 graus Celsius acima dos níveis preindustriais. No curto prazo, até 2020, as emissõess dos países industrializados (listados no Anex I do Protocolo de Quioto) precisam ser reduzidas entre 25% e 40% abaixo dos níveis de 1990, do mesmo modo que se requer substanciais desvios em relação à tendência presente em países em desenvolvimento e economias emergentes.</p>
<p>Isto deve ser considerado no pacote. Quanto mais cedo se adotar ações, mais baratas e mais efetivas elas serão.</p>
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		<title>O risco climático é real e presente dizem os cientistas do IPCC</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Nov 2011 14:16:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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Sérgio Abranches
O número de dias e noites quentes aumentou e o número de dias e noites frias diminuiu por toda parte, em escala global. Na maioria das regiões do planeta para as quais há dados suficientes, mas não em todas, observa-se que o número e a duração das ondas de calor aumentaram. Houve aumento estatisticamente [...]]]></description>
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<p style="text-align: center;">Sérgio Abranches</p>
<p>O número de dias e noites quentes aumentou e o número de dias e noites frias diminuiu por toda parte, em escala global. Na maioria das regiões do planeta para as quais há dados suficientes, mas não em todas, observa-se que o número e a duração das ondas de calor aumentaram. Houve aumento estatisticamente significante do número de chuvas pesadas em algumas regiões do mundo e é provável que a frequência de chuvas torrenciais como uma proporção do total de chuvas aumente ao longo do século em várias áreas do globo. As velocidades médias máximas dos ciclones tropicais, a intensidade e tamanho dos furacões, tufões e ciclones também devem aumentar, embora seu número tenda a ficar mais ou menos constante.<span id="more-2877"></span></p>
<p>Estudos analisados pelo IPCC, o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, da ONU, baseados em evidências de observações coletadas desde 1950, registraram essas e outras mudanças no clima e no tempo da Terra. Estão no Sumário Executivo do Relatório Especial sobre Gerenciamento de Riscos de Eventos Extremos e Desastres para Promover a Adaptação à Mudança Climática (Special Report on Managing the Risks of Extreme Events and Disasters to Advance Climate Change Adaptation &#8211; <a href="http://ipcc-wg2.gov/SREX/">SREX</a>) que o IPCC tornou público no final da semana passada.</p>
<p>Esses estudos detectaram além de mais calor diário e noturno e chuvas intensas, aumento das secas e de águas costeiras extremamente altas por causa do aumento médio do nível do mar. Algumas regiões do mundo têm experimentado secas mais intensas e mais longas. Esse fato está mais bem documentado no sul da Europa e na África Ocidental. Na parte central da América do Norte e no noroeste da Austrália, os dados indicam secas menos intensas ou menos extensas.</p>
<p>Essas e outras conclusões estão no documento. Mas precisam ser resgatadas do emaranhado de precauções que as cercam por todos os lados. Parte da precaução é justificada, parte é insegurança, parte é determinada por fatores estranhos ao trabalho científico.</p>
<p>O relatório, com todas as precauções, diz que “um clima em mudança leva a alterações na frequência, intensidade, extensão territorial e duração de eventos climáticos extremos e podem resultar em eventos climáticos nunca antes experimentados”.</p>
<p>Os cientistas reunidos pela ONU, no quadro da Convenção do Clima (UNFCCC), alertam para o fato de que essa elevação do risco de desastres associados à mudança climática deve ser incorporada aos planos e políticas públicas de todos os países. Ações de mitigação (redução de emissões de gases estufa) e adaptação à mudança climática já em curso podem ser complementares e contribuir, em conjunto, para reduzir os riscos. Os cientistas chamam atenção para o fato de que políticas governamentais e estratégias de desenvolvimento têm papel crítico na determinação do risco de desastres, que pode aumentar por causa das falhas de políticas e de insuficiências no processo de desenvolvimento.</p>
<p>Degradação ambiental, desmatamento, ocupação inadequada das costas, urbanização rápida e sem planejamento em áreas de risco, falhas de governança e a escassez de oportunidades para os mais pobres podem elevar fortemente a probabilidade de que eventos climáticos extremos se transformem em desastres. A vulnerabilidade das populações está diretamente associada às desigualdades entre países e dentro dos países. “As desigualdades influenciam a capacidade local de enfrentar e se adaptar e impõem desafios adicionais de gestão de risco de desastres e adaptação à mudança climática do plano local ao nacional”, diz o relatório.</p>
<p>Os cientistas recomendam, também, que a recuperação e reconstrução pós-desastres sejam usadas como oportunidades para reduzir o risco climático e aumentar a capacidade de adaptação.</p>
<p>A ênfase na adaptação, em todo o relatório, deixa claro que já estamos experimentando mudança climática e ela tem contribuído para incrementar a incidência de eventos climáticos extremos. Indica ainda que um aumento adicional desses eventos já é inevitável. O que se pode evitar é o agravamento até um ponto em que a mudança climática se torne uma tragédia global.</p>
<p>Os eventos extremos que já ocorrem se distribuem desigualmente pelo planeta. Os mais vulneráveis a esses eventos são os países mais pobres e as populações mais pobres dentro de países com maior desenvolvimento ou já desenvolvidos. Me lembrou uma frase do escritor de ficção científica, William Gibson, em uma entrevista na qual lhe pedem para falar sobre o futuro. Ele disse “o futuro já chegou, ele só está mal distribuído”. O que o IPCC está dizendo é isso: a mudança climática já chegou e ela está mal distribuída. Os riscos climáticos são presentes e reais e estão mal distribuídos.</p>
<p>Pelo título do relatório já se pode ter uma ideia de como seu texto é inóspito. De fato, o relatório é quase ilegível tantas são as precauções adotadas, a cada frase, para mostrar que não há certezas absolutas, em vários casos os dados são ainda insuficientes para grandes conclusões e para algumas áreas faltam estudos mais confiáveis. Tudo isso poderia ser resumido em alguns parágrafos de precaução e o texto consolidando evidências, hipóteses e conclusões escrito em texto corrido e legível para o público em geral. Afinal, as conclusões dos cientistas interessam a todos, deveriam servir para que as comunidades pressionem seus governos para adotarem medidas apropriadas e ajustem seus comportamentos a esse quadro de maior risco.</p>
<p>Mas o IPCC tem duas limitações severas. Primeiro, seus relatórios têm que passar pelo crivo político dos países que são partes na Convenção do Clima e é grande a pressão para tornar suas conclusões mais convenientes do ponto de vista político. As ambiguidades que a política insere na versão para “formuladores de políticas” podem, entretanto, ser corrigidas no relatório completo voltado para cientistas e técnicos. Usualmente, os textos para o público especializado são mais completos e menos ambíguos, embora continuem a padecer de linguagem científica muitas vezes desnecessariamente tortuosa.</p>
<p>A segunda limitação é mais abrangente. O IPCC se tornou o alvo de “negacionistas”, aqueles que negam a ciência do clima e a hipótese de que a mudança climática resulta da ação humana. São também chamados de “céticos”, mas é uma denominação imprópria. O ceticismo é um atributo intrínseco da ciência. A ciência tem como regra de ouro duvidar de suas hipóteses e tentar rejeitá-las.</p>
<p>Como a imprensa abrigou, durante muito tempo &#8211; e os setores mais conservadores da mídia continuam a abrigar &#8211; essas dúvidas sobre a qualidade da ciência climática, o IPCC está na berlinda. Cada afirmação mais direta é prontamente contestada. Os erros são buscados com lupa.</p>
<p>Essa atenção crítica é saudável. O problema é que parte dela não é orientada pelo método científico, nem pela investigação apurada, mas por atitudes ideológicas predeterminadas e largamente imutáveis. Quando o ceticismo deriva de legítima e necessária dúvida científica, ele se resolve no próprio exercício da ciência.</p>
<p>Foi o que aconteceu com o projeto Berkeley Temperatura da Superfície da Terra (<a href="http://berkeleyearth.org/">Berkeley Earth Surface Temperature</a> &#8211; BEST). Ele reconheceu que as tendências de aquecimento global são exatamente aquelas apontadas pelo IPCC, pela NASA e NOOA e pelo Hadley CRU da universidade britânica de East Anglia. Este último foi objeto de acesa controvérsia, a partir da divulgação de emails surrupiados de seus computadores. Analisei esse escândalo em meu livro <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=22647269&amp;sid=122110181131121387701727567">Copenhague Antes e Depois</a>. O BEST, como é conhecido, foi criado por Richard Muller, um “negacionista” com boa reputação acadêmica, e financiado em grande parte pela Koch Foundation, uma fundação ligada à indústria de petróleo e que tem financiado generosamente blogs, sites e estudos voltados para a negação da ciência do clima e da mudança climática. Teoria da conspiração à parte, a Koch Foundation tem dado muito dinheiro a propagandistas conservadores da causa anti-ciência do clima, nem sempre cientificamente qualificados. No caso do estudo de Berkeley, o financiamento foi para um projeto respeitável.</p>
<p>Mas esse assédio dos negacionistas e a atenção da mídia, nem sempre versada nos temas da ciência, marcou os textos do IPCC por extrema precaução. Não há uma frase substantiva que não estejam intercaladas por condicionantes relativos à base de dados, à precisão das conclusões, ao escopo e alcance das afirmações. Quem lê o texto, sem atenção para o contexto de autolimitação por fatores ligados à dinâmica interna do IPCC e a controles externos, perde a noção da relevância das conclusões. Elas são relevantes, apontam para riscos reais e concretos e deveriam ser levadas em consideração.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Comentei o relatório na CBN:</p>
<p><iframe src='http://www.cbn.com.br/Player/player.htm?audio=2011/colunas/ecopolitica_111121&#038;OAS_sitepage=cbn/comentarios/sergioabranches' width='475' height='193' marginheight='0' marginwidth='0' frameborder='0' scrolling='no' bgcolor='#CCCCCC'/></iframe></p>
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		<title>Energias renováveis podem garantir segurança climática</title>
		<link>http://www.ecopolitica.com.br/2011/05/09/energias-renovaveis-podem-garantir-seguranca-climatica/</link>
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		<pubDate>Mon, 09 May 2011 14:06:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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Sérgio Abranches
As energias renováveis podem representar 80% da demanda energética mundial até 2050. Dessa forma dariam contribuição decisiva para mitigar as emissões de gases estufa. No melhor cenário seria possível reduzir significativamente o perigo de mudança climática catastrófica. Essa é a conclusão do Relatório Especial sobre Fontes de Energia Renovável e Mitigação da Mudança Climática [...]]]></description>
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			</a>
		</div>
<p style="text-align: center;">Sérgio Abranches</p>
<p>As energias renováveis podem representar 80% da demanda energética mundial até 2050. Dessa forma dariam contribuição decisiva para mitigar as emissões de gases estufa. No melhor cenário seria possível reduzir significativamente o perigo de mudança climática catastrófica. Essa é a conclusão do Relatório Especial sobre Fontes de Energia Renovável e Mitigação da Mudança Climática lançado hoje pelo IPCC, o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática da ONU.<span id="more-1956"></span></p>
<p>O <a href="http://srren.ipcc-wg3.de/">relatório</a>, aprovado em Abu Dhabi pelos delegados dos governos de 194 países signatários da Convenção do Clima, na madrugada de hoje, já no período de prorrogação, resultou do trabalho de 120 cientistas. A dificuldade de aprovação está diretamente relacionada ao formato adotado pelo IPCC, que segue os mesmos princípios da Convenção do Clima. O trabalho é feito por um coletivo de cientistas qualificados de todo o mundo. Mas o relatório oficial, para ser lançado publicamente, tem que passar pelo crivo político dos delegados dos países signatários da Convenção. É na fronteira entre ciência e política que emergem as principais divergências. O resultado final é sempre um compromisso entre a posição científica e as conveniências político-diplomáticas.</p>
<p>De qualquer forma, o relatório (cujo conteúdo inteiro ainda não li) parece chegar a conclusões sólidas e relevantes. De acordo com a nota emitida pela assessoria de imprensa do IPCC, o relatório destaca seis fontes de energia renovável e deixa de fora a energia nuclear. As seis são: bioenergia, tanto de primeira, quanto de segunda geração; energia solar direta &#8211; fotovoltaica e concentração de calor; geotérmica; hidrelétrica &#8211; sob todas as modalidades; energia dos oceanos (a menos desenvolvida tecnologicamente). Mas o maior destaque é para as fontes eólica e solar, que já vem crescendo muito. Em 2008 e 2009, responderam por metade da nova capacidade de geração instalada no mundo. Cresceram bastante durante a crise econômico-financeira. O IPCC não analisou os dados de 2010, porque ele faz um corte no tempo para o relatório, que leva vários meses para ficar pronto e ser aprovado. Mas, em 2010, os dados já disponíveis mostram que a capacidade instalada de fontes eólica e solar cresceu muito e continuou a crescer no primeiro trimestre de 2011.</p>
<p>O relatório examinou numerosos cenários sobre a penetração das energia renováveis na matriz energética mundial até 2050. Quatro foram destacados para detalhamento mais profundo, como representativos de todo o espectro coberto por 160 diferentes cenários. A conclusão básica é que essas fontes terão participação crescente do mercado de energia. A energia hidrelétrica, cujo pico já passou, embora ainda possa crescer um pouco, deve ver sua participação cair, enquanto sobe a de outras, como a eólica e a solar.</p>
<p>O cenário mais otimista indica que as seis fontes de energia renovável podem responder por 77% da demanda mundial total até 2050. O crescimento da participação das energias renováveis no mercado será tanto maior quanto mais forem objeto de políticas públicas. Mas, mesmo sem a intervenção governamental seu crescimento seria significativo.</p>
<p>No “Sumário para formuladores de políticas”, o IPCC registra alguns pontos que considera relevantes. Primeiro, o relatório mostra que dos 300 mil Mw de nova capacidade adicionada globalmente entre 2008 e 2009, 140 mil Mw vieram de energias renováveis. A energia eólica cresceu 30% nesse período e a fotovoltaica (solar) 50%. Mais de 50% da capacidade de energia renovável global está nos países em desenvolvimento.</p>
<p>De acordo com o relatório, as energias renováveis contribuirão mais para o suprimento de energia de baixo carbono até 2050 do que a energia nuclear ou as energias fósseis usando captura e armazenagem de carbono. É um dado importante. Se as seis renováveis destacadas contribuírem com perto de 80% da geração de baixo carbono, ainda restaria a contribuição da energia nuclear, o que poderia levar esse percentual para 85%-90%. Os outros 10% poderiam ser facilmente atendidos com gás natural, eliminando, tecnicamente, a necessidade de recorrer ao carvão ou ao óleo para geração de eletricidade. O relatório tira importância da discutível alternativa de captura e estocagem de carbono.</p>
<p>Outra conclusão importante é que o potencial técnico das energias renováveis excede a demanda global corrente de energia por uma margem bastante considerável. E isto é verdade, tanto no agregado global, quanto regionalmente.</p>
<p>A aceleração do uso de energias renováveis ainda representará um desafio importante tanto no campo tecnológico, quanto no campo institucional, mas não há obstáculos técnicos ou científicos para que ocorra. O principal problema, na verdade, é a integração dessas energias aos sistemas existentes de suprimento. Esse processo de substituição da matriz energética de alto carbono por matrizes de baixo carbono representa uma importante mudança de paradigma em energia. Saímos de matrizes com uma fonte dominante, para matrizes diversificadas, compostas por várias fontes diferentes de energia e ciclos distintos de geração. As matrizes se manterão diferenciadas regionalmente, com base na disponibilidade das várias fontes renováveis e das tecnologias que permitem seu uso eficiente.</p>
<p>O IPCC diz que uma combinação bem feita de políticas públicas e investimentos em pesquisa e desenvolvimento pode reduzir os custos de transição para as novas tecnologias.</p>
<p>Com relação às bioenergias, o IPCC observa que entre aquelas derivadas de culturas, ou seja, do uso da terra para plantações de culturas voltadas para a produção de energia ou biomassa a ser convertida em energia, algumas emitem mais gases estufa do que as emissões que evitam e devem ser abandonadas. Outras promovem a conversão de energia de forma mais eficiente. Um dos destaques de sistemas avançados de conversão é o de resíduos de madeira em combustíveis líquidos.</p>
<p>A revisão de dados e literatura feita pelos cientistas do IPCC mostrou forte crescimento das energias renováveis na Europa e América do Norte e, mais recentemente, na China e na Índia.</p>
<p>A Secretária Executiva da Convenção do Clima, Christiana Figueres disse, em comunicado, que o relatório tem grande importância, porque “ressalta o potencial insubstituível das energias renováveis na redução de emissões de gases estufa”.</p>
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		<title>O Erro do IPCC</title>
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		<pubDate>Fri, 22 Jan 2010 14:12:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
				<category><![CDATA[Análise]]></category>
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Sérgio Abranches
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<p>Sérgio Abranches</p>
<p>O IPCC reconheceu na última quarta-feira que errou na estimativa sobre o desaparecimento dos glaciares do Himalaia. Embora o erro não comprometa em nada as conclusões centrais de seus relatórios sobre mudança climática, ele exige do IPCC uma resposta mais extensa, mais firme e mais concreta do que um comunicado em linguagem burocrática tratando o erro como um assunto menor. Não é.<span id="more-819"></span>As águas provenientes desses glaciares são essenciais para a sobrevivência de milhões de pessoas. Não é exagero dizer que, além da ideologia da “Grande China”, parte da insistência da China em manter o controle sobre o Tibete tem a ver com o fato de que lá estão as principais fontes de água não poluída da região. O destino dos glaciares do Himalaia não é uma questão periférica na discussão sobre os riscos climáticos no século XXI. Está relacionada ao aquecimento global de forma importante e à segurança de abastecimento de água. É uma questão geopolítica essencial.</p>
<p>A revelação desse erro ocorreu poucas semanas após o <a href="http://www.realclimate.org/index.php/archives/2009/11/the-cru-hack/">vazamento dos emails</a> do Headley Center da Unidade de Pesquisa Climatológica da Universidade de East Anglia (CRU), que provocou uma <a href="http://pajamasmedia.com/richardfernandez/2009/11/20/the-cru-hack/">campanha</a> concertada contra a <a href="http://michellemalkin.com/2009/11/20/the-global-warming-scandal-of-the-century/">integridade</a> da ciência do clima por parte dos que <a href="http://blogs.telegraph.co.uk/news/jamesdelingpole/100017393/climategate-the-final-nail-in-the-coffin-of-anthropogenic-global-warming/">negam</a> o aquecimento global. Os “céticos” falaram em conspiração, colusão, destruição de evidência científica.</p>
<p>No caso dos emails, a resposta substantiva dos cientistas não deixou muita dúvida sobre a validade dos procedimentos científicos postos sob suspeição. Os emails não eram evidência de fraude científica. No máximo mostravam que cientistas não têm, necessariamente, bons modos. Mas o vazamento deixou clara a desorganização e falta de cuidado com a documentação e transparência dos bancos de dados e seu tratamento estatístico.</p>
<p>O diretor de mudança climática do Met Office, Richard Betts, <a href="http://www.ecopolitica.com.br/2009/12/14/caso-dos-emails-roubados-vai-terminar-com-ciencia-mais-transparente/">me disse</a> que o banco de dados do CRU será refeito de forma transparente e independente, para que não reste dúvidas sobre a qualidade da ciência nele baseada. Me disse, também, que os estudos do CRU-Universidade de East Anglia, passarão por completa revisão independente. Cientistas do Reino Unido e de outros países estão envolvidos em um esforço importante para proteger a credibilidade da ciência do clima e dos dados gerados pelo CRU e outras unidades de pesquisa mencionadas nos emails.</p>
<p>É essa a resposta que se espera sobre uma questão tão importante.</p>
<p>O caso do Himalaia é mais grave. Não de trata de vazamento ilegal de emails interpretados fora de contexto. Trata-se de um erro grave incluído no Documento Síntese oficial do IPCC para apoiar o processo de decisão sobre o Protocolo de Kyoto e a Convenção do Clima. Pede mais que uma sintética <a href="http://www.ipcc.ch/pdf/presentations/himalaya-statement-20january2010.pdf"> resposta burocrática</a>. Nela o IPCC diz que:</p>
<blockquote><p>Chegou, contudo, recentemente a nosso conhecimento que um parágrafo na página 938 da contribuição do Grupo de Trabalho II à avaliação se refere a estimativas não substanciadas da taxa de recessão e data de desaparecimento dos glaciares do Himalaia. Na redação do parágrafo em questão, os padrões claros e bem estabelecidos de evidência requeridos pelos procedimentos do IPCC não foram aplicados de forma apropriada.</p></blockquote>
<p>A presidência, vice-presidências e co-presidências do IPCC lamentam a aplicação pobre dos procedimentos do IPCC já firmemente estabelecidos neste caso. Esse episódio demonstra que a qualidade da avaliação depende da adesão absoluta aos padrões do IPCC, incluindo a completa revisão da “qualidade e validade de cada fonte antes de incorporar os resultados da fonte ao Relatório do IPCC”. Nós reafirmamos nosso forte compromisso de assegurar esse nível de desempenho.</p>
<p>Muito pouco. No mínimo deveriam revelar os responsáveis e afastá-los de posições de decisão na redação do próximo relatório, o AR5.</p>
<p>Muitos cientistas ligados ao IPCC,<a href="http://bit.ly/649rQj"> inclusive no Brasil</a>, afirmam, com razão, que a credibilidade do IPCC não fica abalada com o episódio. Realmente, não é suficiente para desacreditar o IPCC. Mas não se deve subestimar a intensificação da campanha contra o IPCC e a ciência do clima. Os “céticos” conseguiram adesões e apoio na opinião pública informada, que haviam perdido, desde o que chamam de “climategate”.</p>
<p>O IPCC não é infalível, da mesma forma que a ciência também não é. Trabalha-se com hipóteses e padrões metodológicos rigorosos de uso de dados e aceitação de evidências. Os cientistas do clima têm que adotar padrões de conduta ainda mais rigorosas porque estão sob fogo adversário.</p>
<p>Mais importante ainda é que a integridade e a credibilidade da ciência do clima são elementos essenciais para dar substância a um acordo global sobre mudança climática, que lance as bases da arquitetura de governança climática global de que se precisa. Tanto as políticas de adaptação, quanto as de mitigação, têm que ser rigorosamente apoiadas na ciência e para isso a ciência tem que ter a confiança absoluta dos governos e da opinião pública.</p>
<p>Esse episódio tem uma lição também para as ONGs que passaram a divulgar trabalhos de pesquisa, sobretudo as globalizadas e de grande porte. Elas não estão isentas do uso dos padrões de verificação científica e avaliação de pares, quando fazem relatórios científicos. Precisam tomar cuidado com o que divulgam, porque ganharam muito peso e influência. São ouvidas e também têm uma reputação a cuidar.</p>
<p>Lendo as matérias na imprensa, fiquei com a impressão de que o relatório do WWF não deixava claro que se tratava de uma opinião em uma reportagem de divulgação científica. Fui checar.</p>
<p>A notícia de que o cientista indiano citado pela revista e pelo WWF havia feito uma “<a href="http://www.timesonline.co.uk/tol/news/environment/article6991177.ece">especulação</a>”, é posterior à publicação de ambos os textos. O reconhecimento do IPCC ocorre após publicação de matéria na <a href="http://www.newscientist.com/article/dn18363-debate-heats-up-over-ipcc-melting-glaciers-claim.html?DCMP=OTC-rss&amp;nsref=online-news">New Scientist</a> indagando como uma afirmação altamente contenciosa pode acabar em um relatório do IPCC.</p>
<p>A informação foi retirada de matéria da <a href="http://www.newscientist.com/article/mg16221893.000-flooded-out.html">New Scientist</a>, que entrevista o cientista indiano Syed Hasnain, sobre um trabalho que seria apresentado à Comissão Internacional sobre Neve e Gelo. Em outras palavras, não se tratava de evidência científica, mas da opinião de um cientista, em uma entrevista para uma reportagem. O <a href="http://www.panda.org/what_we_do/footprint/climate_carbon_energy/climate_deal/publications/asia_pacific.cfm?19092/An-Overview-of-Glaciers-Glacier-Retreat-and-Subsequent-Impacts-in-Nepal-India-and-China">relatório do WWF</a> disse, claramente, que a informação, depois incorporada ao relatório do IPCC, vinha de um artigo da New Scientist.</p>
<blockquote><p>A revista The New Scientist publicou o artigo “Flooded Out &#8211; Retreating Glaciers spell disaster for valley communities” em seu número de 5 de Junho de 1999. Ela citou o professor Syed Hasnain, então presidente do Grupo de Trabalho sobre Glaciologia do Himalaia da Comissão Internacional para a Neve e o Gelo, que disse que a maior parte dos glaciares da região do Himalaia “desaparecerão em 40 anos como resultado do aquecimento global”.</p></blockquote>
<p>É um caso exemplar do que não pode acontecer no trabalho de sistematização da informação científica pelo IPCC. O resultado é uma repercussão muito maior do que o caso justifica.</p>
<p>Mas jornalismo e política obedecem a outros padrões de verificação e uso de informação. Do ponto de vista de ambos esse caso tem relevância. É um alerta aos cientistas do clima sobre os riscos da politização da ciência. Esse encontro entre ciência e política, essencial para o sucesso dos esforços de enfrentamento do desafio climático global, requer muito rigor, precisão e atenção para o fato de que a ciência do clima não ficará mais restrita aos círculos acadêmicos e precisa aprender a ser mais transparente e inteligível.</p>
<p>PS. Lendo matérias adicionais, de jornais da Índia, fiquei sabendo que o cientista indiano citado na matéria da New Scientist, Syed Hasnain, que depois disse que havia feito apenas uma especulação, passou a trabalhar no TERI &#8211; The Energy and Resources Institute, cujo diretor-geral é Rajendra Pachauri, o presidente do IPCC. A opinião do cientista sobre o recesso mais rápido que esperado, publicada no Deccan Herald está reproduzida no site do TERI, <a href="http://www.teriin.org/index.php?option=com_teriinnews&amp;task=details&amp;sid=1100">aqui</a> e <a href="http://www.teriin.org/index.php?option=com_teriinnews&amp;task=details&amp;sid=1091">aqui</a>. Razão maior para uma resposta mais efetiva do IPCC ao episódio.</p>
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