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	<title>Ecopolitica &#187; G20</title>
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	<description>Política Mudança Climática Século XXI</description>
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		<title>Mudança climática na pauta da alta finança</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Sep 2011 18:44:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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Sérgio Abranches
Na cúpula financeira desta sexta-feira, que se estende pelo final de semana, em Washington, na qual estarão reunidos os ministros do G20, do FMI e governadores do Banco Mundial, as autoridades financeiras aflitas com a crise global dificilmente poderão deixar de discutir o financiamento para mudança climática. É um dos pontos prioritários da Conferência [...]]]></description>
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<p style="text-align: center;">Sérgio Abranches</p>
<p>Na cúpula financeira desta sexta-feira, que se estende pelo final de semana, em Washington, na qual estarão reunidos os ministros do G20, do FMI e governadores do Banco Mundial, as autoridades financeiras aflitas com a crise global dificilmente poderão deixar de discutir o financiamento para mudança climática. É um dos pontos prioritários da Conferência do Clima de Durban e espera-se do G20 uma posição mais clara sobre o compromisso assumido em Copenhague de criar um fundo de longo prazo que atinja US$ 100 bilhões ao ano em 2020.<span id="more-2758"></span></p>
<p>O Banco Mundial e o FMI apresentarão estudo que sugere que os recursos para enfrentar a mudança climática podem ser obtidos com a forte redução e progressiva eliminação dos subsídios aos combustíveis fósseis, estabelecendo preço de US$ 25 por cada tonelada de emissões de carbono e criando uma taxa adicional para os combustíveis utilizados na aviação e na navegação marítima.</p>
<p>As duas instituições recomendam que os países comecem por reduzir os subsídios aos combustíveis fósseis em US$ 40 a US$ 60 bilhões por ano. Nem todo esse dinheiro pode ser destinado ao fundo do clima. Muitos países em que esses subsídios existem são pobres e a população de baixa renda não tem condições de pagar o preço integral do gás de cozinha. Mesmo descontando os subsídios nesses países, a revisão desse gasto nos países desenvolvidos e  nas economias emergentes permitiria uma parcela substancial da receita necessária para compor o fundo.</p>
<p>Receitas significativamente maiores poderiam ser obtidas, segundo o estudo do Banco Mundial e FMI, estabelecendo-se uma taxa de US$ 25.00 por tonelada sobre os combustíveis para aviação e navegação marítima, que são grandes emissores de carbono. Essa taxa poderia arrecadar US$40 bilhões por ano em 2020. Parte dessa receita poderia ser carimbada, diz o documento, para compensar os países mais pobres pela elevação dos custos de importação causados pelo impacto da taxa nos fretes. Mas seria possível destinar em torno de US$ 25 bilhões para o fundo climático. Essa taxa teria o benefício adicional de reduzir entre 5% e 10% a emissão de gases estufa oriundas da aviação civil e da marinha mercante.</p>
<p>Uma taxa sobre todas as emissões de carbono permitiria a redução de 10% das emissões globais e geraria receita de US$ 230 bilhões de dólares. A maior parte desses recursos, diz o estudo, poderia ser usada para permitir a redução de outros impostos e compensar as famílias de baixa renda pela elevação dos custos. Mas ainda que fossem destinados  apenas 10% dela ao fundo do clima já estariam resolvidos 25% do valor total esperado para 2020.</p>
<p>É uma proposta que faz muito sentido. Não cria gasto novo, apenas redistribui os subsídios, retirando-os de setores fósseis, cujo crescimento tem altos custos climáticos, e os transfere para setores da economia de baixo carbono. É, portanto, inteiramente compatível às metas que estarão sendo discutidas em Washington de redução do endividamento e do déficit público no EUA e na Europa. O Brasil também está em processo de endividamento crescente e relaxamento das metas fiscais. A revisão dos subsídios aos fósseis só faria bem e liberaria recursos já comprometidos para serem usados em gastos de mais futuro e capazes de gerar maior benefício.</p>
<p>Os setores chamados “verdes” são muito dinâmicos e estão no centro do novo ciclo de inovações. Atraem muito interesse do investimento privado, mas ainda são de risco elevado. Geram empregos de boa qualidade e com mais dinamismo que a economia tradicional, que vem dando sinais de crescente de exaustão do potencial de geração de empregos. Estudo recente da <a href="http://www.brookings.edu/reports/2011/0713_clean_economy.aspx">Brookings Institution</a> revela que os estímulos à economia verde no EUA, parcela modesta dos recursos gastos para estimular a economia após a crise de 2008, geraram empregos de melhor qualidade, que exigem mais qualificação e pagam melhor que a média da economia.<br />
No ano passado, pelo levantamento do Banco Mundial e FMI, foram investidos US$500 bilhões em energia renovável, eficiência energética, veículos elétricos e outras formas de tecnologia verde. Transferir subsídios para esses setores estimularia os investidores privados inibidos pelo fato de que o risco é ainda alto. Eles já estão predispostos a entrar na economia de baixo carbono, pois toda análise estratégica de médio e longo prazo já aponta que ela é o único caminho viável para o desenvolvimento sustentável e sustentado da economia global.</p>
<p>Ouça também meu comentário na CBN:</p>
<p><iframe src='http://www.cbn.com.br/Player/player.htm?audio=2011/colunas/ecopolitica_110923&#038;OAS_sitepage=cbn/comentarios/sergioabranches' width='475' height='193' marginheight='0' marginwidth='0' frameborder='0' scrolling='no' bgcolor='#CCCCCC'/></iframe></p>
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		<title>Mudança climática: o silêncio do G20</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Feb 2011 15:47:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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Sérgio Abranches
Quem tem mais poder? Os ministros da Economia ou os ministros do Ambiente do G20? Em qualquer país mundo, os ministros da Economia têm mais poder. Portanto, o silêncio dos ministros da Economia sobre mudança climática e ambiente, é mais importante do que a eloquência dos ministros do Ambiente nesses temas.
Esse quase-pleonasmo está aqui [...]]]></description>
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<p>Sérgio Abranches<br />
Quem tem mais poder? Os ministros da Economia ou os ministros do Ambiente do G20? Em qualquer país mundo, os ministros da Economia têm mais poder. Portanto, o silêncio dos ministros da Economia sobre mudança climática e ambiente, é mais importante do que a eloquência dos ministros do Ambiente nesses temas.<span id="more-1710"></span></p>
<p>Esse quase-pleonasmo está aqui a propósito do comunicado do encontro de Ministros da Economia do G20, que terminou com um comunicado oficial no sábado, dia 19. O <a href="http://www.g20.utoronto.ca/2011/2011-finance-110219-en.html">comunicado</a> não se refere uma vez sequer aos perigos para a economia global associadas à mudança climática, ou aos custos econômicos (inclusive em empregos, uma das obsessões atuais) da destruição do ambiente natural e da poluição da terra, da água e do ar.</p>
<p>Os ministros das maiores e mais poderosas economias do mundo desenvolvido e emergente usam uma só vez a palavra sustentável, mas no contexto errado. E quando interpretada pelo uso conjunto de outras expressões no mesmo parágrafo, se pode ver que estão tratando de ‘crescimento sustentado’ e não de ‘desenvolvimento sustentável’. Não tomaram conhecimento do relatório sobre a <a href="http://www.unep.org/greeneconomy/">&#8216;economia verde&#8217;</a>, do PNUMA, <strong>Towards a Green Economy: Pathways to Sustainable Development and Poverty Eradication</strong>, que já estava pronto, quando se reuniram em Paris, na 5a, 6a e sábado passados. O ministros da Economia citam vários relatórios preliminares, mas não parece terem tomado nota do <a href="http://www.oecd.org/document/3/0,3746,en_2649_37465_45196035_1_1_1_37465,00.html">relatório preliminar</a> da OCDE, <strong>Interim Report of the Green Growth Strategy: Implementing our Commitment for a Sustainable Future</strong>. O <a href="http://www.oecd.org/document/56/0,3746,en_2649_37465_46328312_1_1_1_37465,00.html">grupo de trabalho</a> que prepara o relatório final para a estratégia de crescimento verde se reuniu em Paris, uma semana antes dos ministros da Economia do G20. Esse relatório final será apresentado ao plenário de ministros da organização em maio. Nele estará boa parte dos ministros do G20 que assinaram o comunicado de Paris. Pode ser que, então, eles sejam esclarecidos sobre a sinergia que há entre a superação da crise econômica, a geração de empregos, a redução da pobreza e a transição para a economia de baixo carbono e baixo impacto ambiental.</p>
<p>O comunicado de Paris, enquanto isso, diz o seguinte sobre crescimento econômico e prioridades de política econômica:</p>
<blockquote><p>“Reafirmamos nosso compromisso com ação coordenada de políticas públicas por todos os membros do G20 para alcançar crescimento forte, sustentável e equilibrado. Nossas principais ações prioritárias incluem a implementação de planos de consolidação fiscal de médio prazo, diferenciados de acordo com as circunstâncias nacionais em linha com nosso compromisso de Toronto, buscando política monetária apropriada, aumentando a flexibilidade das taxas de câmbio para refletirem melhor as reformas subjacentes estruturais e nos fundamentos econômicos para sustentar a demanda global, aumentar o crescimento potencial, promover criação de empregos e contribuir para o reequilíbrio global.”</p></blockquote>
<p>O comunicado mostra muita preocupação com a volatilidade dos preços dos alimentos, mas trata essa volatilidade exclusivamente como parte da volatilidade do preço das commodities em geral e dá mais importância à volatilidade dos preços do petróleo, gás e carvão. A visão expressa sobre a oscilação com tendência de alta do preço dos alimentos é estritamente financeira.</p>
<p>Eles dizem o seguinte sobre volatilidade de preços de commodities no comunicado oficial:</p>
<blockquote><p>“Nós discutimos preocupações sobre as consequências da volatilidade potencial dos preços de commodities e pedimos a nossos adjuntos que trabalhem com organizações internacionais e nos relatarem os determinantes subjacentes e desafios postos por essas tendências tanto para consumidores quanto para produtores e considerem as ações possíveis. Levando em consideração o impacto dessa volatilidade na segurança alimentar, reiteramos a necessidade de investimento de longo prazo no setor agrícola dos países em desenvolvimento.”
</p></blockquote>
<p>A quase simbólica “reiteração” (o verbo reiterar já é bem sugestivo da inação) da necessidade de investimento de longo prazo na agricultura dos países em desenvolvimento claramente passa ao largo da já demonstrada vulnerabilidade dessa agricultura à mudança climática. Também não há registro do impacto destrutivo dos subsídios agrícolas, principalmente europeus, sobre o desempenho da agricultura africana.</p>
<p>Não há indicação alguma de que os ministros da Economia tenham ouvido referências ao efeito de eventos climáticos extremos sobre o preço de alimentos. Esses eventos atingiram a América do Norte toda, com impacto na safra do Canadá e do EUA, a África e a América do Sul. Difícil não notá-los. Ainda mais quando se preocupam com o impacto da volatilidade sobre a “segurança alimentar”.</p>
<p>Também não demonstram ter noção de que a instabilidade dos preços de combustíveis fósseis, e principalmente a tendência recente de alta, seja mais uma razão para investir em energias não-fósseis de baixo impacto ambiental. Nesta segunda, 21 de fevereiro, o petróleo tipo Brent bateu US$ 104,26 por barril na abertura dos mercados por causa dos eventos na Líbia. Desprezam, por exemplo, <a href="http://www.mckinsey.com/clientservice/sustainability/pdf/Impact_Financial_Crisis_Carbon_Economics_GHGcostcurveV2.1.pdf">estudos</a> que consideram os US$ 100,00 o barril de petróleo como o patamar a partir do qual a transição para a energia de <a href="http://www.pik-potsdam.de/members/edenh/publications-1/global-green-recovery_pik_lse">baixo carbono</a> se torna totalmente <a href="http://www.guardian.co.uk/environment/damian-carrington-blog/2011/feb/17/breakeven-low-carbon-barrel-oil">viável</a> e custo-eficiente.</p>
<p>O comunicado se refere nominalmente, mais de uma vez, a todas as instituições envolvidas no exame dos fatores determinantes da volatilidade de preços dos combustíveis. As instituições envolvidas na compreensão do desafio da volatilidade dos preços de alimentos são tratadas pelo anônimo coletivo “as agências internacionais relevantes”. Só estão, mesmo, interessados na possível regulação da especulação com derivativos de commodities agrícolas. E isso, em grande medida, por pressão da presidência francesa este ano, que foi inaugurada na reunião de Paris. </p>
<blockquote><p>“O relatório preliminar do IEF, IEA e OPEC para melhorar a qualidade, pontualidade e confiabilidade da Iniciativa Conjunta para Organização de Dados sobre Petróleo (JODI oil) é bem vinda. e pedimos que seja relatado no relatório final trabalho adicional sobre estratégias para implementar essas recomendações. Nós insistimos que o IEF (Fórum Internacional de Energia), com base no simpósio realizado em Ryad em 24 de janeiro, forneça estratégias concretas para melhorar o diálogo produtor-consumidor em seu próximo encontro em 22 de fevereiro. Seguindo determinação de nossos líderes nós pedimos ao FMI, IEF, como também ao IEF, GECF  (Fórum dos Países Exportadores de Petróleo, OPEP que desenvolvam até outubro de 2011 recomendações concretas para estender o trabalho do G20 sobre a volatilidade do preço do petróleo para o gás e o carvão. Esperamos poder discutir em nosso próximo encontro o relatório do IEF, IEA, OPEC e IOSCO (Organização Internacional de Comissões de Valores Imobiliários) sobre agências de relatório de preços, assim como o relatório preliminar sobre segurança alimentar que está sendo preparado pelas agências internacionais relevantes, e as recomendações da IOSDCO, e as considerações da FSB (Conselho de Estabilidade Financeira) sobre os próximos passos na regulação e supervisão dos mercados de derivativos de commodities notadamente para fortalecer a transparência e atuar sobre abusos de mercado.”</p></blockquote>
<p>Essa ausência do centro de formulação da política de crescimento econômico das preocupações com mudança climática e impacto ambiental é um indicador forte do retrocesso conservador recente no âmbito da política climática global. O fato de que os ministros da Economia, ao discutir estratégias de política econômica, não considerem relevantes os estudos da OCDE e do PNUMA sobre economia de baixo carbono e crescimento verde é relevante e grave. Não menos importante é o fato de o PNUMA ter deixado para divulgar apenas hoje, após terminada a reunião do G20, seu <a href="http://www.unep.org/greeneconomy/v2/GreenEconomyReport/tabid/29846/Default.aspx">novo relatório</a> sobre economia verde. Nele, o PNUMA  estima em 2% do PIB ao ano o custo de transição para a economia verde, que define como “uma economia de baixo carbono, eficiente no uso e alocação de recursos e socialmente inclusiva”. Muito diferente da visão financista e crescimentista presente no comunicado da reunião de Paris do G20.</p>
<p>Esses desencontros mostram o enorme fosso que ainda há entre aqueles que pensam estratégias para o desenvolvimento de baixo carbono no século XXI e os que comandam as maiores e mais poderosas economias do mundo.</p>
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		<title>Fórum Econômico Mundial em declínio não dá importância à mudança climática</title>
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		<pubDate>Mon, 31 Jan 2011 14:20:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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Sérgio Abranches
Desde 2009 mudança climática perdeu centralidade na agenda do Fórum Econômico Mundial. É verdade que o Fórum também vem perdendo importância e prestígio. Na reunião que encerrou na semana passada, mudança climática foi tema para participantes de agências multilaterais ou governos envolvidos com as COPs.
No painel principal sobre mudança climática, falaram os presidentes do [...]]]></description>
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			</a>
		</div>
<p>Sérgio Abranches<br />
Desde 2009 mudança climática perdeu centralidade na agenda do Fórum Econômico Mundial. É verdade que o Fórum também vem perdendo importância e prestígio. Na reunião que encerrou na semana passada, mudança climática foi tema para participantes de agências multilaterais ou governos envolvidos com as COPs.<span id="more-1623"></span></p>
<p>No painel principal sobre mudança climática, falaram os presidentes do México, Felipe Calderón, por ter sido o organizador político da COP16, em Cancún, o presidente da África do Sul, que exerce esse papel para a COP17, em Durban, a secretaria-executiva da Convenção do Clima, Christiana Figueres e a Comissária para Mudança Climática da União Européia, Connie Hedegaard. <a href="http://www.huffingtonpost.com/2011/01/27/davos-2011-forum-greater-_n_815048.html ">Disseram</a> que as empresas, principalmente no EUA, precisam se envolver mais no esforço global para desacelerar a mudança climática e ajudar a pressionar os políticos a implementarem políticas que promovam o crescimento verde.</p>
<p>Há empresas globais que estão seriamente envolvidas nesse esforço. Outras, embora adotem atitude pública a favor de  políticas de mitigação da mudança climática, financiam os que atacam a credibilidade da ciência climática e os lobbies que bloqueiam legislação mais abrangente, principalmente nos Estados Unidos. Mas o que fica bem claro analisando as últimas reuniões de Davos, os cenários futuros apresentados ao Fórum e a hierarquia de riscos globais, que mudança climática perdeu espaço na agenda. O auge de atenção para o tema no Fórum foi em 2008 e, principalmente, 2009, na onda de expectativas sobre Copenhague.</p>
<p>A única referência mais substantiva ao tema do aquecimento global foi um <a href="http://www3.weforum.org/docs/WEF_ClimateChange_WorldTradeDiscussionPaper_2010.pdf">texto para discussão</a> preparado pelo Fórum, sobre mudança climática e comércio internacional. Não chega a ter muita novidade, nem aprofunda as questões. Pede um acordo global sobre o clima que ajude a dissipar as incertezas sobre as políticas nacionais e a legalização pela OMC dos subsídios que induzam o desenvolvimento de uma economia verde. </p>
<p>O <a href="http://www.weforum.org/ ">Fórum Econômico Mundial</a> perdeu repercussão, influência e prestígio. Já não tem grande importância ou espaço na política econômica global. O declínio do G-8 como arena decisória da política econômica global. As visões econômicas no centro da agenda política se multiplicaram com a afirmação do <a href="http://www.g20.org/index.aspx ">G20</a> como a principal arena de negociação econômica global e o recurso ao Fórum das Maiores Economias (<a href="http://www.majoreconomiesforum.org/">Major Economies Forum</a>) como uma espécie de reunião extraordinária do G20 para as emergências, eles têm a mesma composição. Essa multiplicação de visões econômicas faz com que seja cada vez mais difícil firmar consenso dominante no plano global para orientar políticas econômicas locais.</p>
<p>A crise da subprime e seus desdobramentos reduziu fortemente o peso do setor financeiro como fator de decisão econômico. Essa crise em andamento, a ameaça de regulação restritiva e a própria impossibilidade de se impor uma visão consensual para a economia global enfraquecem a influência do capital financeiro na arena política global. Ele tem grande dificuldade de operar sem uma visão dominante. As próprias nações do capitalismo avançado têm hoje políticas econômicas muito diferentes entre si e não estão de pleno acordo sobre como lidar com alguns dos problemas de curto e médio prazo enfrentados pelo capitalismo global, como a crise e a regulação do mercado de capitais e a crise do Euro.</p>
<p>A multiplicidade de visões de política econômica nos principais centros econômicos globais &#8211; desenvolvidos e emergentes &#8211; deixa o setor empresarial sem referência única. As empresas tendem a adotar visões distintas até por força da competição entre elas e da heterogeneidade de situações nas diferentes cadeias produtivas: umas têm um largo futuro pela frente, outras tendem a desaparecer até meados do século. Um fórum como o de Davos não consegue processar tamanha polifonia. Ele foi pensado para emitir mensagens convergentes, para formar consensos entre os principais agentes do capitalismo global e influenciar os governos mais poderosos. A multiplicidade de vozes e visões torna o consenso impossível e reduz a eficácia do fórum. Ele tende a se tornar mais um dos vários centros de debates existentes, uma exposição para o novo mosaico que caracteriza a segunda década do século XXI, uma década tipicamente de transição, portanto, de tensa convivência entre o velho e o novo, de heterogeneidade de caminhos e de incerteza crescente. </p>
<p>A mudança climática acaba perdendo espaço nessa busca infrutífera de uma visão comum. Para encontrar convergências, é preciso adotar teses tão gerais e amplas, que elas perdem substância e não fazem sentido como matéria prima para o pensamento estratégico. A agenda da mudança climática que é mais ampla e exigente, cede lugar para uma pauta de energia limpa, mais focada e menos abrangente.</p>
<p>O que é preocupante é que esse deslocamento da preocupação com o aquecimento global do centro para a periferia da agenda estratégica dos mercados e dos governos, não ocorre apenas no Fórum Econômico Global, cuja influência está em declínio. Ocorre, também, nas arenas de negociação global, cuja influência e poder estão em ascensão, como o próprio G20. No discurso sobre o Estado da União, do presidente Obama, na semana passada, ele fez exatamente esse movimento de saída da agenda da mudança climática para uma proposta de energia limpa para o EUA.</p>
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		<title>Mudança climática: uma agenda realista para a 2010</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Feb 2010 19:17:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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Sérgio Abranches
Há, em muitos setores, o sentimento de que estamos em pleno retrocesso na política de mudança climática. A lei de energia alternativa no EUA parece mais longe hoje do que no final do ano passado. O IPCC, painel científico intergovernamental para mudança climática, parece encurralado. O movimento social globalizado parece estar quieto demais e [...]]]></description>
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			</a>
		</div>
<p>Sérgio Abranches<br />
Há, em muitos setores, o sentimento de que estamos em pleno retrocesso na política de mudança climática. A lei de energia alternativa no EUA parece mais longe hoje do que no final do ano passado. O IPCC, painel científico intergovernamental para mudança climática, parece encurralado. O movimento social globalizado parece estar quieto demais e na defensiva. O apoio ao Acordo de Copenhague foi morno até agora. Os compromissos que os países registraram no seu anexo são insuficientes para alcançar a meta de 2<sup>o</sup>C. Eles apontam para um cenário de 3,5<sup>o</sup>C, na melhor das hipóteses. Os negacionistas parecem estar levando a melhor.<span id="more-860"></span></p>
<p>Estamos mesmo perdendo terreno? Ou somos prisioneiros de uma visão de curto-prazo, um sentimento de conjuntura baseado apenas em aparências? O que estamos captando são tendências, ou apenas turbulências passageiras?</p>
<p>Não há retrocesso importante na política de mudança climática. O que estamos vendo é a reiteração de um processo de “paradas e arrancadas” que carateriza ambientes decisórios complexos. O ambiente político da mudança climática é quase tão complexo quanto o próprio sistema climático. Ele se defronta com o que eu chamei de  <a href="http://www.ecopolitica.com.br/2009/10/27/precisamos-de-um-sonho-para-fazer-a-maioria-das-pessoas-demandar-de-seus-governos-que-adotem-acao-climatica-efetiva/">Paradoxo de Asimov</a>. Com tantos interesses, agentes de veto e decisores envolvidos, qualquer solução a um tempo política e cientificamente significativa só será adotada se atender a um dos dois requisitos do Paradoxo de Asimov. Para se conseguir grandes transformações, como o exige o enfrentamento da ameaça da mudança climática, é necessário promover uma transformação profunda na economia e na sociedade, no prazo de  duas décadas, no máximo três. Para se ter esse tipo de mudança, ou se obtém apoio massivo, além da maioria absoluta em todos os países relevantes; ou se espera várias décadas a mais, talvez um século, para que essa mudança ocorra de forma gradual. Como não há tempo a perder, deve-se continuar lutando para obter o grau de consenso necessário para ativar a mudança política necessária. Ao mesmo tempo, é preciso investir em outras frentes de batalha, enquanto se continua a negociar uma política global para mudança climática. A redução efetiva das emissões de gases estufa deve começar o mais rapidamente possível. Daí a importância de investir politicamente, mobilizar a sociedade civil organizada e a vanguarda empresarial no plano local, no âmbito de cada país que é grande emissor de gases estufa.</p>
<p>Há em curso uma campanha muito bem financiada e orquestrada pelos que negam a mudança climática e pelos lobbies fósseis para desacreditar o IPCC e a ciência do clima. O IPCC cometeu alguns <a href="http://www.ecopolitica.com.br/2010/01/22/o-erro-do-ipcc/">erros importantes</a> e precisa lidar com eles de forma mais direta e efetiva. Ele certamente <a href="http://www.realclimate.org/index.php/archives/2010/02/ipcc-errors-facts-and-spin/">precisa mudar</a> na estrutura e no processo. Se for possível levar o IPCC a um estágio mais avançado de desenvolvimento institucional, que permita gerar balanços da ciência do clima mais imunes a erros de procedimento, em intervalos menores de tempo, e com menos interferência política, ajudaria tremendamente a luta por um marco institucional legalmente vinculante para a política climática global. Finalmente, o IPCC também enfrenta uma crise de liderança. Uma nova presidência poderia trazer mais autoridade científica para seu comando institucional, novas idéias e obter melhor pelo equilíbrio entre ciência e política. Seu atual presidente dificilmente conseguirá se recuperar da perda de confiança e legitimidade pela qual está passando. Seria excelente que a substituição de Yvo de Boer, que pediu para sair, fosse acompanhada pela troca de guarda na presidência do IPCC.</p>
<p>A ciência do clima é sólida e as evidências de mudança climática não foram refutadas. Houve muita crítica e ataque ao IPCC, mas nenhum trabalho sério de cientistas demonstrou que o núcleo da tese sobre mudança climática está errado, ou apresentou hipótese mais aceitável pelas regras do método científico.</p>
<p>O movimento social está muito parado e na defensiva? Acredito que não. As maiores ONGs estão ocupadas avaliando o que aconteceu no ano passado e desenhando suas estratégias futuras para o curto e longo prazo. Elas provavelmente tiveram, em 2009, seu melhor resultado da história, em termos de mobilização, visibilidade e influência. Contudo, a COP15 foi, provavelmente, também a maior frustração que já viveram. Elas certamente estão descobrindo que têm que rever e redesenhar suas estratégias, diante das experiências de 2009. Elas precisarão de uma nova agenda para ação. E precisam fazer isso com a máxima urgência possível, para superar a frustração e começar a confrontar para valer a campanha dos negacionistas contra a ciência, as políticas e a política da mudança climática.</p>
<p>Não perdemos terreno de fato, mas o resultado da Cúpula de Copenhague teve um efeito depressivo sobre o movimento ambientalista focado na mudança climática, nos cientistas, analistas e na maioria dos negociadores governamentais. A frustração das expectativas de um acordo pleno, legalmente vinculante e ambicioso, e a constatação de que as lideranças das principais potências do mundo não haviam conseguido um entendimento em Copenhague, com certeza causou danos temporários ao movimento por um acordo climático global. Também motivou os negacionistas e lhes deu a oportunidade para lançar uma violenta ofensiva política e de opinião pública, especialmente no Reino Unido e no EUA.</p>
<p>Mas vamos olhar o lado bom dessa história.</p>
<p>Todos os grandes países emissores adotaram uma agenda para a mudança climática. No EUA, enquanto o Senado está atolado no exame da lei sobre energia limpa, a EPA, a agência ambiental federal, os estados e as cidades estão trabalhando ativamente para impor regulação mais restritiva às emissões de gases estufa. A lei de energia limpa não é a principal prioridade do presidente Obama ainda. Tampouco é a primeira prioridade da sociedade estadunidense. Portanto, ela provavelmente terá uma trajetória dura e acidentada até ser aprovada, ao invés de ter seu processo acelerado por acordo. A iniciativa local não perdeu momentum, nem o governo federal está paralisado pelo impasse no Senado.</p>
<p>A China está liderando o investimento global em energia verde e controle de poluição. Faz isso por seus próprios motivos. O governo chinês tem editado a um ritmo crescente novas regras, mais restritivas, para emissões de carbono. A Índia também começa a implementar ações de baixo carbono por sua própria conta. Nenhum grande emissor de carbono abandonou ou negou os compromissos levados a Copenhague. EUA e Brasil já disseram que cumprirão seus compromissos mesmo que não haja acordo internacional. Em outras palavras, o compromisso político de agir em relação à mudança climática se mantém e há sinais de avanços adicionais em vários desses países. Políticas legalmente vinculantes têm sido adotadas pelos governantes da maioria dos grandes emissores e de inúmeros outros países.</p>
<p>A maior ameaça a progressos no curto prazo no campo da mudança climática vem da nova onda de choque oriunda da crise financeira que não foi ainda superada. As economias europeias estão sendo atingidas por ela antes de estarem plenamente recuperadas do choque original do colapso das hipotecas no EUA. Esse novo ciclo de crise na Europa não se limita à Grécia. Espanha, Portugal, Itália e Irlanda também estão em sérios apuros. O que se vê é um desajuste financeiro e fiscal complexo e profundo, de alto poder explosivo. As maiores economias da União Europeia e a economia do EUA ainda estão muito frágeis para resistirem a um efeito de contágio, se essa rodada da crise escapar ao controle e se espalhar pelo mercado financeiro global.</p>
<p>Isso significa que se o crescimento não for retomado e os efeitos colaterais da crise não forem superados, a agenda climática dificilmente terá prioridade global significativa este ano. O cenário de superação rápida da crise e seus efeitos não parece provável da perspectiva de hoje. A mudança climática ficará na agenda das grandes potências desenvolvidas e emergente como um sério desafio no século 21, mas ações mais abrangentes podem ser adiadas por pelo menos mais um ou dois anos.</p>
<p>A visão mais desalentadora da política da mudança climática resulta, realmente, de uma visão de curto prazo. Mas ela não se baseia apenas em aparências. Há elementos na conjuntura que podem impedir progresso relevante no curto prazo. Nós não estamos andando para trás, mas estamos parados. Hoje, as condições para um tratado pleno e vinculante são parcas, se não adversas. Os países ainda estão ocupados com problemas mais prementes no curto prazo.</p>
<p>O cenário de mais turbulência econômica e adiamento das ações relacionadas com a mudança climática requer reflexão estratégica. Seria importante evitar que a COP16 seja outra grande frustração. O futuro da política global do clima depende de que se obtenha o melhor resultado possível em Cancún, dadas as circunstâncias do momento. São vários os riscos a serem administrados, para que a COP16 tenha sucesso. Três deles são visíveis e podem ser administrados.</p>
<p>Olhando-se primeiro para as expectativas, há dois riscos opostos a evitar. O primeiro é uma inflação de expectativas sobre um acordo legal, semelhante à que se viu na COP15. No momento, é um risco de baixa prioridade, mas que deve ser evitado a qualquer custo. O seu oposto, mais provável nesse clima de frustração, é uma deflação de expectativas que poderia condenar a COP16 ao fracasso, antes mesmo que comece. O terceiro risco se refere à formulação da agenda de demandas aos países e da agenda da própria COP. Dependendo de como se desenvolva o quadro de crise financeira e econômica, seria muito arriscado demandar mais do que os países podem realisticamente fazer e estabelecer metas muito ambiciosas para a COP16.</p>
<p>Um conjunto de metas realistas evitaria a frustração e ajudaria no sucesso da reunião. Realista não significa medíocre, mas pode significar resultados ainda aquém do que a ciência do clima pede. Se o cenário econômico global não melhorar consideravelmente ao longo do primeiro semestre, o objetivo de se obter um acordo legal pleno em Cancún deve ser explicitamente adiado antes do início da COP16. Seria melhor trabalhar para trazer o “espírito” original do Acordo de Copenhague para o marco do documento sobre as ações de longo prazo (AWGLCA) da Convenção do Clima (UNFCCC). O próprio documento sobre o  Protocolo de Kyoto (AWGKP) poderia usar esse “espírito do Acordo” para buscar um ponto de consenso em torno do segundo período de compromissos. Conciliar os objetivos originais do acordo político de Copenhague e o processo legal da UNFCCC é factível, embora ainda requeira muita negociação e bastante complicada em alguns pontos. O objetivo poderia ser obter o melhor alinhamento possível das vias política e legal. Ter uma proposta completa de tratado aprovada e assinada parece, no momento, fora do alcance da COP16.</p>
<p>Outro objetivo importante seria aprofundar, ao longo de 2010, o comprometimento dos principais países desenvolvidos e emergentes com o Acordo político acertado em Copenhague. O fortalecimento do Acordo de Copenhague ao longo do ano, ajudaria muito a realização daquele objetivo de alinhar o máximo possível os canais político e legal da negociação sobre mudança climática. Essa poderia ser uma agenda apropriada para as reuniões do G20 e do Fórum das Maiores Economias (MEF). Claramente, o tema no topo dessas agendas será a crise financeira. Mas os líderes dessa liga de grandes países simplesmente não podem mais descartar em suas conversas a ameaça da mudança climática e as questões pendentes sobre o Acordo de Copenhague. Esses temas constarão muito provavelmente de suas agendas. O desafio é pressionar para que sejam orientados no sentido de fortalecer o Acordo e criar condições para sua absorção pelo conduto legal, até a COP16.</p>
<p>A melhor forma de lidar com o Acordo de Copenhague é levá-lo a sério. Ele pode ser revitalizado, ganhando densidade política. As metas podem ser melhoradas ou revistas, em três a cinco anos. O comprometimento dos países pode ser mais bem explicitado. Isso certamente  facilitaria muito a incorporação do entendimento político à negociação formal- legal no contexto das Nações Unidas. Os países do BASIC, por exemplo, se mostraram ambíguos em relação ao Acordo. A China declarou apenas <a href="http://www.usclimatenetwork.org/policy/copenhagen-accord-commitments">“estar em apoio”</a> e recomendar o Acordo. Nem China, nem Índia disseram ainda que se associam a ele, o que corresponderia a assiná-lo e aceitá-lo como politicamente vinculante. O apoio do EUA também pode ser mais afirmativo e refletir o papel de liderança que Obama prometeu e ainda não cumpriu.</p>
<p>Buscar o progresso possível na preparação de um acordo legalmente vinculante &#8211; um novo Protocolo ou Tratado do Clima &#8211; e o fortalecimento do Acordo de Copenhague, para torná-lo um contrato político efetivo, tirando-o da incubadora, seriam metas relevantes e realistas para 2010 e para a COP16.</p>
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		<title>Agenda da COP16 começa a ser definida</title>
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		<pubDate>Fri, 12 Feb 2010 18:00:28 +0000</pubDate>
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Sérgio Abranches
Começam as preparações para a COP16. O Secretário Geral da Convenção do Clima, Yvo de Boer está fazendo consultas aos países sobre quantas reuniões eles acham recomendável fazer, antes da COP em Cancún, para negociar um acordo sobre mudança climática.
A Reuters informa que já há reuniões marcadas, algumas diretamente voltadas para a preparação da [...]]]></description>
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<p>Sérgio Abranches<br />
Começam as preparações para a COP16. O Secretário Geral da Convenção do Clima, Yvo de Boer está fazendo consultas aos países sobre quantas reuniões eles acham recomendável fazer, antes da COP em Cancún, para negociar um acordo sobre mudança climática.<span id="more-853"></span></p>
<p>A Reuters informa que já há reuniões marcadas, algumas diretamente voltadas para a preparação da COP16, e outras nas quais ela certamente estará na agenda. A primeira reunião preparatória da Convenção será em Bonn, na Alemanha, entre 31 de maio e 11 de junho. Certamente haverá outras reuniões preparatórias além dessa e é para essa definição que de Boer pediu aos países suas recomendações até o dia 16 de fevereiro. A COP16 será entre 29 de novembro e 10 de dezembro, em Cancún, no México.</p>
<p>Entre as reuniões já previstas e que certamente tratarão da posição específica de grupos de países na negociação do acordo, uma das mais importantes é a dos países do BASIC. Brasil, África do Sul, Índia e China, na sua última reunião em Delhi, em janeiro, quando discutiram se iriam ou não registrar suas ações no anexo do Acordo de Copenhague,  decidiram também manter reuniões trimestrais. A próxima será na África do Sul, em abril. Em Delhi, esses países, ainda segundo a Reuters, pediram que fossem feitas cinco reuniões preparatórias, antes da COP no México e que a primeira fosse já em março.</p>
<p>O G20, que está se tornando a principal força geopolítica multilateral, substituindo o G8 e o chamado G8+5, que inclui os emergentes China, Brasil, índia, África do Sul e México, se reúne pela primeira vez em junho. O G8 é um clube de alguns dos países desenvolvidos &#8211; EUA, Reino Unido, Alemanha, Japão, França, Itália &#8211; mais a Rússia emergente. A União Européia participa como observadora. O G20 inclui, além do G8+5, a União Européia, Austrália, Argentina, Indonésia, Arábia Saudita, Coréia do Sul e Turquia. No ano passado, na Cúpula do G20 em Pittsburgh, mudança climática foi parte na agenda junto a crise financeira. Mas ela não contribuiu para avanço algum. Sua reunião de cúpula, com os chefes de governo, este ano está marcada para Seoul, na Coréia do Sul, nos dias 11 e 12 de novembro. É improvável o destino de Cancún não esteja na agenda dessa reunião, que levará em conta o que tiver acontecido até lá.</p>
<p>Mas o G20 deve se reunir antes disso, no Canadá, juntamente com a cúpula do declinante G8, de 25 a 27 de junho. Também é pouco provável que o Acordo de Copenhague e o deve acontecer em Cancún não estejam na agenda dessas reuniões.</p>
<p>A Reuters informa que a França deverá hospedar um encontro para discutir desmatamento no dia 11 de março, que deverá ter continuidade em maio, na Noruega. A agência de notícias da China, Xinhua, relata que o Secretário Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon criou um <a href="http://news.xinhuanet.com/english2010/world/2010-02/12/c_13173932.htm">grupo assessor</a> de alto nível, co-presidido pelos primeiro ministros do Reino Unido, Gordon Brown, e da Etiópia, Meles Zenawi, para mobilizar os recursos financeiros comprometidos pelo Acordo de Copenhague.</p>
<p>Da perspectiva de hoje, ainda são muitas as dificuldades para que se chegue a um acordo em Cancún que tenha mais substância que o Acordo de Copenhague. Um sinal <a href="http://www.ecopolitica.com.br/2010/01/30/o-acordo-de-copenhague-ganha-vida/">positivo sobre Copenhague</a> é que ele recebeu certo alento, quando todos os grandes países emissores de carbono e vários outros preencheram seus anexos em branco, com suas metas ou ações para redução de emissões. Ganhou ainda um pouco mais de força quando Brasil e Índia esclareceram à UNFCCC que, além de registrarem suas ações, estavam se associando ao Acordo.</p>
<p>O G77, um heterogêneo grupo de 130 países, pressionou os membros do BASIC para que não se associassem ao Acordo. Associar-se equivale a subscrevê-lo. Aparentemente, China, Brasil e Índia, estavam dispostos a ceder à pressão. Tanto que, quando registraram suas ações, não mencionaram explicitamente estar, também, se associando. Um estratagema diplomático, para participar a meias e tentar atender tanto ao fato de que o Acordo teve a participação decisiva do BASIC, quanto à pressão do G77. O fato real é que o G77 implodiu em Copenhague, sendo substituído, para todos os efeitos, pelo BASIC, pelo OASIS, organização que reúne os pequenos estados-ilha e pelo grupo dos Países Africanos. A África do Sul ficou como ponte entre este último e o BASIC. Por pressão dos parceiros com quem o BASIC negociou o Acordo de Copenhague e também em função de pressão interna, Brasil e Índia, posteriormente, esclareceram que estavam associados a ele. Só a China, dos países do BASIC, ainda não afirmou estar associada ao Acordo.</p>
<p>Como se vê, haverá muita confusão no caminho de Cancún.</p>
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		<title>Está na hora dos países do G20 que estão também no G77 admitirem que são de outro clube.</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Oct 2009 19:35:29 +0000</pubDate>
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Quando a Cop 10 terminou em Buenos Aires, em dezembro de 2004, com fracasso total das negociações, ficou claro que havia dois grandes obstáculos a um novo acordo global do clima: o EUA e o G77. Bancoc, em 2009, terminou em um impasse no qual os protagonistas eram o EUA e o G77. Mas, do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="tweetmeme_button" style="float: right; margin-left: 10px;">
			<a href="http://api.tweetmeme.com/share?url=http%3A%2F%2Fwww.ecopolitica.com.br%2F2009%2F10%2F12%2Festa-na-hora-dos-paises-do-g20-que-estao-tambem-no-g77-admitirem-que-sao-de-outro-clube%2F"><br />
				<img src="http://api.tweetmeme.com/imagebutton.gif?url=http%3A%2F%2Fwww.ecopolitica.com.br%2F2009%2F10%2F12%2Festa-na-hora-dos-paises-do-g20-que-estao-tambem-no-g77-admitirem-que-sao-de-outro-clube%2F&amp;source=abranches&amp;style=normal&amp;service=bit.ly&amp;hashtags=Brasil,China,COP15,Copenhague,EUA,G20,G77,geopol%C3%ADtica,%C3%8Dndia,MEF,mudan%C3%A7a+clim%C3%A1tica,Obama,pol%C3%ADtica+clim%C3%A1tica+global&amp;b=2" height="61" width="50" /><br />
			</a>
		</div>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; line-height: 18.0px; font: 18.0px Helvetica; color: #333233;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Quando a Cop 10 terminou em Buenos Aires, em dezembro de 2004, com fracasso total das negociações, ficou claro que havia dois grandes obstáculos a um novo acordo global do clima: o EUA e o G77. Bancoc, em 2009, terminou em um impasse no qual os protagonistas eram o EUA e o G77. Mas, do lado do EUA, muita coisa mudou de a COP de Buenos Aires. Será que para cabeças do G77 como China e Brasil não?</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; line-height: 18.0px; font: 18.0px Helvetica; color: #333233;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Sérgio Abranches<span id="more-341"></span></span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; line-height: 18.0px; font: 18.0px Helvetica; color: #333233;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O Ministro do Meio Ambiente da Itália da época chegou a propor que o protocolo Kyoto seja abandonado a partir de 2012, se não fosse possível chegar a um novo acordo, mais abrangente, para depois desse ano, quando expiram as metas já negociadas de redução de emissões. A proposta era um protesto contra a atitude dos Estados Unidos e o anúncio, pelo Reino Unido e pelo Japão, de que não conseguiriam atingir suas metas de redução e emissões de gases estufa.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; line-height: 18.0px; font: 18.0px Helvetica; color: #333233;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"><br />
</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; line-height: 18.0px; font: 18.0px Helvetica; color: #333233;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Corta. Bancoc, outubro de 2009. A última reunião preparatória para a COP 15, em Copenhague termina em fracasso. Razão do fracasso: conflito entre o EUA e o G 77, China à frente. EUA querem um novo protocolo, que substitua o protocolo de Kyoto. O G77 quer a manutenção do protocolo e sua bipolaridade ultrapassada: países que pertencem ao Anexo I e que têm metas compulsórias de redução de emissões, e países “Não-Anexo I”, sem obrigação alguma. O EUA tem razão em todas as críticas que faz ao protocolo de Kyoto. A União Européia concorda com essas críticas. Kyoto <a href="http://www.ecopolitica.com.br/2009/10/09/porque-devemos-abandonar-o-protocolo-de-kyoto-e-almejar-muito-mais/"><span style="text-decoration: underline;">está ultrapassado</span></a> e nunca funcionou direito. O G77 quer mantê-lo, porque é ainda mais ultrapassado que Kyoto. O argumento a favor de Kyoto é que ele seria substituído por um esquema frouxo e sem garantias. Ora, frouxo e sem garantias é Kyoto. O que está sendo proposto é outra coisa: um acordo muito mais ambicioso, com metas muito superiores para os países desenvolvidos e metas compulsórias para os grandes emissores emergentes, China, Índia e Brasil, em particular. Esses grandes emissores é que se escondem por trás dessa ficção geopolítica que é o G77. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; line-height: 18.0px; font: 18.0px Helvetica; color: #333233; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; line-height: 18.0px; font: 18.0px Helvetica; color: #333233;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A COP 10 aconteceu em um outro mundo. O Reino Unido, que dizia não ser capaz de atingir as modestas metas de Kyoto, está hoje à frente da Europa no esforço de redução das emissões de gases estufa. O novo primeiro ministro do Japão, Yukio Hatoyama, anunciou na cúpula do clima, em <a href="http://www.ecopolitica.com.br/2009/09/22/cupula-do-clima-de-new-york-nao-sera-o-fim-do-impasse-mas-sera-um-passo-adiante-para-fechar-um-bom-acordo/"><span style="text-decoration: underline;">New York</span></a>, em setembro passado, que seu governo adotará como meta a redução em 25% das emissões, ano-base 1990, até 2020. Naquele mundo da COP 10, o Japão também era inadimplente. A Austrália assinou o protocolo de Kyoto. A eleição de Barack Obama para a presidência do EUA, eliminou o  veto de Washington a um acordo climático ambicioso. Pela primeira vez, em 10 anos, existe a possibilidade real e concreta de que o EUA adote uma legislação sobre mudança climática.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; line-height: 18.0px; font: 18.0px Helvetica; color: #333233;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O Brasil, em 2004, tinha renda per capita (por paridade de poder de compra &#8211; ppp) de US$ 7,770.00 e IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) de 0,775. Hoje, tem renda per capita de US$ 9,577.00 (ppp) e IDH de 0,813. Na COP 10, de Buenos Aires, alternou, a maior parte do tempo, o papel de porta-voz do G-77/China com a Tanzania – renda per capita de US$ 580.00 (US$ 1208.00, em 2007) e |DH de 0,407 (0,530, em 2009). Já era sinal suficiente de que algo estava erradíssimo com esse grupo. Certamente esses dois países nada têm em comum, nem no que se refere a emissões de gases estufa, nem de interesses econômicos. O Brasil só pode se aliar por puro oportunismo, na convenção sobre o clima, a países como Tanzania, Burundi (renda per capita: US$ 630.00, em 2004, e US$ 341.00, hoje; IDH: 0,339 e 0,394, respectivamente), República Democrática do Congo (renda per capita: US$ 650.00 e US$ 298.00; IDH: 0,365 e 0,389), Etiópia (renda p/c: US$ 780.00 e US$ 779.00; IDH: 0,359 e 0,414) ou Haiti (renda p/c: US$ 1610.00 e US$ 1155.00; IDH: 0,463 e 0,532).</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; line-height: 18.0px; font: 18.0px Helvetica; color: #333233; min-height: 22.0px;">
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; line-height: 18.0px; font: 18.0px Helvetica; color: #333233;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O G-77 é uma das velharias da ONU. Ele conta mais de 77 estados: são 130. Já devia ter sido rebatizado para <a href="http://www.g77.org/doc/members.html"><span style="text-decoration: underline;">G-130</span></a>. Um conjunto heterogêneo criado em 1964, em um mundo ainda mais diferente. O Brasil de então era um outro país. Uma ditadura de terceiro mundo, com uma economia muito modesta e fechada. A China sequer havia ensaiado os primeiros passos da modernização semi-capitalista que vive hoje na plenitude. Ao contrário. Um aglomerado desse tamanho de estados nacionais em tudo discrepantes não pode definir uma pauta comum sobre assunto algum relacionado a desenvolvimento econômico e social, muito menos à mudança climática.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; line-height: 18.0px; font: 18.0px Helvetica; color: #333233; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; line-height: 18.0px; font: 18.0px Helvetica; color: #333233;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Sociologicamente falando, essa mistura heterogênea reúne países com população minúscula, como as Maldívias, com 300 mil habitantes, ameaçada de desaparecer sob as águas, com a elevação do nível dos oceanos, até mega-populações, como a da China, de 1,4 bilhão. Países urbanos e agrários. Industrializados e subdesenvolvidos. A renda per capita, em paridade de poder de compra, varia, por exemplo, de US$ 261.00 do Zimbabwe, a U$ 21,421.00 de Bahrein, até os U$ 30,000.00 de Brunei Darussalam. O que podem ter em comum esses países? Nada.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; line-height: 18.0px; font: 18.0px Helvetica; color: #333233;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"><br />
</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; line-height: 18.0px; font: 18.0px Helvetica; color: #333233;">
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; line-height: 18.0px; font: 18.0px Helvetica; color: #333233;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Fora a excelente composição de Caetano, o que mesmo têm em comum, por exemplo, social, econômica e ambientalmente falando, o Brasil e o Haiti? Nesse plano, certamente, o Haiti, definitivamente, não é aqui.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; line-height: 18.0px; font: 18.0px Helvetica; color: #333233;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Quando o G-77 foi criado, nossa população crescia em torno de 3% ao ano. A taxa de fecundidade era de perto de 6 filhos por mulher. A população urbana não ia além dos 50% da população, que era de 78,6 milhões. A mortalidade infantil era de 116:1000. A alfabetização de adultos estava em 55%. Nossa renda per capita era de perto de US$ 1,400.00. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; line-height: 18.0px; font: 18.0px Helvetica; color: #333233;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Não dá para reconhecer nesses números o Brasil de hoje, que se faz passar por país pobre, ao lado da Tanzania, para se recusar a assumir compromissos públicos internacionais mais sérios na área ambiental. Democrático, não é subdesenvolvido, pobre ou necessitado. Não precisa privilégios para crescer, com prejuízo para os outros e sua própria posteridade. Somamos, entre 1964 e 2009, quase 114 milhões à nossa população, mas hoje crescemos a uma taxa anual de apenas 1,2% e a taxa de fecundidade não chega a 2 filhos por mulher. A grande da população maioria é urbana, 85%. A mortalidade infantil é de 23,6:1000, 80% menor. A alfabetização de adultos é de 90%, 82% maior. Nossa renda per capita é 6 vezes maior.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; line-height: 18.0px; font: 18.0px Helvetica; color: #333233; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; line-height: 18.0px; font: 18.0px Helvetica; color: #333233;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O Brasil não pode continuar a se esconder atrás de 120 países pobres, para fugir às suas responsabilidades na política global de mudança climática. Pertencemos a outro grupo, que o mercado financeiro denominou de BRIC e que corresponde às principais potências intermediárias do mundo, estrelas do chamado mercado emergente. Esses países virarão mega-economias, em três décadas, sem ter que fazer muito esforço e já hoje são grandes emissores de gases de efeito estufa.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; line-height: 18.0px; font: 18.0px Helvetica; color: #333233;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">No estudo que os economistas da Goldman Sachs inventaram esse acrônimo, BRIC, que serve de apelido para Brasil, Rússia, Índia e China, a corretora previa que, em menos de 40 anos, o grupo teria um PIB maior que o do G-6 e só Estados Unidos e Japão teriam economias do mesmo porte. O EUA seria a segunda maior, atrás da China, e o Japão, a quarta, atrás da Índia e ainda na frente do Brasil, que seria a quinta, e da Rússia, a sexta.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; line-height: 18.0px; font: 18.0px Helvetica; color: #333233;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O BRIC tem atualmente perto de 15% do poderio econômico do G-6. Nas projeções da Goldman Sachs, teria mais da metade desse poder, por volta de 2025. As taxas de crescimento projetadas para obter esse resultado nada têm de extraordinárias. O Brasil, para virar uma mega-economia global, precisaria crescer um pouco abaixo de 4%, em média, ao ano, nas próximas 4 décadas. A China teria que manter um crescimento entre 7% e 8%, nos primeiros 10 anos, caindo, nas duas décadas seguintes, para menos de 5%, para terminar crescendo entre 3% e 4%. A Índia teria que crescer todo o período 2000-2040 acima de 5% ao ano. Todos esses países são máquinas de crescimento.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; line-height: 18.0px; font: 18.0px Helvetica; color: #333233;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Apesar de terem só o equivalente a 15% do PIB do G-6, já respondem por perto de 30% das emissões mundiais de gases de efeito estufa. Quase a metade é de responsabilidade da China, que gera entre 14% e 15% das emissões mundiais. O Brasil está perto de 4%, caminhando para os 5%, próximo da Índia (5%). Pode-se se dar um pequeno desconto, examinando-se as emissões per capita, mas não muda o quadro: China, Brasil e India são grandes emissores, muito maiores que os outros 127 países do G77.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; line-height: 18.0px; font: 18.0px Helvetica; color: #333233; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; line-height: 18.0px; font: 18.0px Helvetica; color: #333233;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Precisamos retirar desse G130, pra chamá-lo pelo número verdadeiro, as potências intermediárias que já estão integradas ao G20, um conceito geopolítico que faz muito mais sentido e ao Fórum das Maiores Economias (FEM, ou, em inglês, MEF &#8211; Major Economies Forum), criado pelo presidente Obama. O MEF se reunirá em novembro, na Inglaterra, para tentar desatar os nós que impedem um acordo na COP15 em Copenhague, em dezembro. Está na hora de China, Brasil e India pararem de se comportar como se fossem uma Tanzania e assumirem responsabilidades compatíveis com o seu tamanho.</span></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Você sabe, a complacência voltou…</title>
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		<pubDate>Sat, 19 Sep 2009 02:18:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
				<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[crise]]></category>
		<category><![CDATA[G20]]></category>
		<category><![CDATA[inflação]]></category>
		<category><![CDATA[mercado financeiro]]></category>
		<category><![CDATA[mudança climática]]></category>
		<category><![CDATA[pacote fiscal]]></category>
		<category><![CDATA[política global]]></category>
		<category><![CDATA[regulação]]></category>

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Acabou a crise? A economia global está muito diferente do que era antes da tragédia? Os governos fizeram o dever de casa? Estamos mais seguros agora? Sérgio AbranchesEu examinei várias análises econômicas da crise financeira global no aniversário da queda do Lehman Brothers.
A maioria se resume ao seguinte: a. as projeções para a crise foram muito [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="tweetmeme_button" style="float: right; margin-left: 10px;">
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			</a>
		</div>
<p>Acabou a crise? A economia global está muito diferente do que era antes da tragédia? Os governos fizeram o dever de casa? Estamos mais seguros agora? Sérgio Abranches<span id="more-270"></span><span style="font-family: Helvetica, 'Times New Roman', 'Bitstream Charter', Times, serif; line-height: normal; font-size: 15px;">Eu examinei várias análises econômicas da crise financeira global no aniversário da queda do Lehman Brothers.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A maioria se resume ao seguinte: a. as projeções para a crise foram muito pessimistas; b. o pior já passou; c. a economia mundial está se recuperando, ainda que devagar; d. o estímulo fiscal funcionou; e. os governos, porém, não adotaram as regras de precaução e a reforma do quadro regulatório que se haviam mostrado necessárias. Alguns criticaram o volume excessivo de recursos comprometidos com os estímulos fiscais, especialmente no EUA. Outros dizem que a Alemanha, por exemplo, não fez o suficiente esforço fiscal para estimular sua economia. Houve elogios moderados à coordenação fiscal entre as maiores economias, basicamente no âmbito do G20. O desempenho do FMI e do Banco Mundial também recebeu avaliação positiva.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Foi tudo assim tão bom mesmo?</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Os cenários de crise foram de fato mais pessimistas do que a realidade se mostrou. Quem acredita nisso, não pode aceitar a crítica de que o estímulo fiscal foi excessivo, porque ele foi dimensionado com base nos cenários de fim de mundo apresentados aos governos e parlamentos pelos economistas e pelos gênios dos gigantes financeiros em perigo.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Alguns analistas argumentam que o tamanho dos pacotes fiscais de países como o EUA e o Japão levarão a uma segunda fase da crise, marcada por alta inflação. Porque a crise reverteu mais rápido que o esperado e foi menos que o tsunami previsto por muitos cenários, os estímulos fiscais ficaram superdimensionados em ambos os países. Alta inflação levará a políticas fiscais e monetárias mais conservadoras que trarão de volta a recessão.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Alguns outros, em menor número, são ainda mais céticos sobre a afirmação de que o pior já passou. Ainda acreditam em um cenário no qual uma crise estrutural de longa duração, com altos e baixos de curta duração no seu interior, não pode ser totalmente descartado. Significando que haverá mais episódios de crise, após a recuperação atual, e antes que o pior fique para trás de verdade.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Confesso meu desconforto com os quadros mais róseos que pintam uma crise que já passou em definitivo. Também me preocupo com o risco de inflação e políticas contracionistas. Mas minha maior preocupação é com o que não mudou e com o que não aconteceu no momento que a quebra trouxe o pânico.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A morfologia do sistema financeiro mudou muito. Vários ícones do império financeiro de antes da crise não estão mais por lá. Wall Street ficou menos lotada e mais concentrada. No entanto, nada mudou realmente nas camadas mais profundas do sistema que determinam a maior parte do comportamento dos mercados financeiros. A mudança que ocorreu foi na superfície.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Mais ainda, a onda de choque teve consequências negativas mais duráveis no “andar de baixo”, sob a forma de empregos e negócios da economia real destruídos. Parte da riqueza perdida no andar superior, das altas finanças, eram poupança dos estratos médios mais jovens da sociedade, que financiariam a educação dos filhos, a casa própria, ou pequenos e médios negócios no futuro. Uma outra porção significativa da riqueza financeira perdida era para pagar a complementação de renda na inatividade e as aposentadorias dos estratos mais maduros da classe média. Esses são fatores de distúrbio a longo prazo, ainda por vir.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Uma fonte do mercado financeiro me disse que quase tudo está de volta em seu lugar, em Wall Street, na City de Londres e outros centros do império financeiro global. A complacência voltou, a aversão ao risco está cedendo, a busca de ganhos de curto prazo voltou. Vários daqueles que perderam seus empregos nas finanças estão de volta.  Enquanto isso, as economias reais se movem a um ritmo muito menor. Mesmo em países como o Brasil, onde muita gente, e especialmente os governos, acham que as coisas nunca foram realmente tão mal assim e que a recuperação foi rápida e completa, as feridas ao longo da economia real e nas casas dos desempregados ainda estão abertas e sangrando.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Esta semana, em New York, conversei com um cara que tem um pequeno negócio no setor de serviços. Eu havia estado com ele, lá mesmo, no auge da crise. Naquela época estava em desespero. Havia acabado de comprar casa nova próximo a New York, e estava tendo problemas com a hipoteca.  A casa estava com valor de mercado 40% abaixo do que ele havia hipotecado. Estava com medo de não ser capaz de pagar as prestações e com medo de ser capaz de pagar e dar mais dinheiro ao banco do que jamais conseguiria obter com a venda do imóvel no futuro. Lutava com o risco do despejo e com o risco de pagar mais do que o valor real da casa. Ele me contou que estava tentando renegociar a hipoteca, mas não conseguia sequer marcar uma entrevista com seu gerente no banco. “Ele está tendo que lidar com milhares de casos iguais ao meu”, me explicou.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Perguntei a ele, na última quarta-feira, se havia resolvido o problema da hipoteca. “Não, ainda estou esperando por uma resposta ao meu pedido de negociação”, respondeu. Mas ele não estava nem desesperado, nem ansioso. “Preenchi todos os papéis, o gerente finalmente me recebeu, agora estou esperando. As coisas estão melhorando devagarinho”, disse. “Os bancos não estão mais em crise, eles estão ganhando tanto dinheiro quanto antes, o valor dos imóveis está recuperando. A pressão diminuiu já não corro o risco de ser despejado. Eles estão demorando muito a me dar uma resposta, mas, você sabe, eles estão tendo muito trabalho, têm que processar milhares de casos como o meu”.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Era o que minha fonte no mercado estava me dizendo também. Eles estão ganhando muito dinheiro e esquecendo as lições da crise. A complacência voltou.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">E a regulação? Eu vi o discurso do presidente Obama em Wall Street, no aniversário do colapso do Lehman Brothers. Ele repetiu todas as promessas em relação ao projeto de lei definindo um novo quadro regulatório para o setor financeiro, especialmente mirando nos setores e atividades que hoje estão fora do alcance de qualquer agência. Nada foi feito até agora. A reação entre os congressistas e os representantes do setor financeiro foi negativa. Muitos disseram que não há necessidade de mais regulação. Alguns viram até socialismo e estatismo nas palavras de Obama.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Os presidentes Obama, Sarkozy e Lula, e o primeiro ministro Gordon Brown prometem lutar por um quadro regulatório multilateral para transações financeiras globais, e por regras para a efetiva coordenação global macroeconômica e regulatória, no G20, em Pittsburgh, semana que vem.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O presidente Obama disse em seu discurso que a regulação doméstica não funcionará se não houver coordenação global e se todas as nações com papel relevante no mercado global de capitais não adotarem quadros regulatórios similares, para seus próprios mercados.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O primeiro ministro da Austrália, Kevin Rudd, e o presidente da Coréia do Sul, Lee Myung-bak, <a href="http://www.ft.com/cms/s/0/55fd681a-97f3-11de-8d3d-00144feabdc0.html?nclick_check=1"><span style="text-decoration: underline; letter-spacing: 0.0px color;">fizeram várias recomendações</span></a></span><span style="text-decoration: underline; letter-spacing: 0.0px color;"> ao G20</span><span style="letter-spacing: 0.0px;"> sobre a coordenação macroeconômica necessária para administrar a transição da crise para a recuperação.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A história é simples: fizemos a parte fácil, com custos futuros, isto é, o estímulo fiscal, e ela funcionou, pelo menos para evitar uma depressão econômica mundial longa e profunda e para reverter a crise, no curto prazo. A tarefa pesada de construir um novo marco regulatório e promover a coordenação macroeconômica e regulatória no âmbito do G20 ficou por fazer.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Perguntei a um economista agora na vida universitária, mas que trabalhou em Wall Street por mais de três décadas e saiu pouco antes da crise, se ele acreditava que Obama conseguiria passar o projeto de lei regulatória. Ele respondeu que não. “A crise já passou, você sabe, a complacência voltou…”</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O politólogo Daniel Drezner, da Fletcher School of Law and Diplomacy, na Universidade Tufts, diz em <a href="http://drezner.foreignpolicy.com/posts/2009/09/03/ill_believe_in_macroeconomic_policy_coordination_at_the_g_20_when_i_see_it"><span style="text-decoration: underline; letter-spacing: 0.0px color;">seu blog</span></a> na Foreign Policy que ele acreditará em coordenação macroeconômica no G20 no dia em que a vir acontecer. Digo o mesmo.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Parece que o encontro do G20 discutirá duas decisões fundamentais que estão bloqueadas até agora e que têm a mesma lógica: reformas regulatórias e macroeconômicas, e um novo protocolo sobre mudança climática. Nos dois casos, esforços domésticos não darão resultados duráveis a não ser que todos os países relevantes adotem políticas similares, mesmo havendo espaço para alguma diversidade de ritmo e intensidade, e na ausência de efetiva coordenação global.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Não faço altas apostas no <a href="http://bloggingheads.tv/diavlogs/22515?in=08:30&amp;out=35:10"><span style="text-decoration: underline; letter-spacing: 0.0px color;">papel do G20</span></a> em Pittsburgh para romper esses bloqueios, seja na reforma estrutural dos sistemas financeiro e econômico, seja no acordo global do clima. Mas estou pronto apostar algumas fichas de que a cúpula também não será uma perda total. Haverá algum progresso na compreensão comum de ambos os desafios e essa convergência de entendimento será muito importante no futuro próximo, quando eventos tanto econômico-financeiros, quanto climáticos vierem a exigir decisões muito mais duras do que aquelas que estamos preparados para tomar agora.<br />
</span></p>
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