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	<title>Ecopolitica &#187; energia</title>
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	<description>Política Mudança Climática Século XXI</description>
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		<title>Incerteza política faz investimento de risco em tecnologias limpas cair no EUA</title>
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		<pubDate>Tue, 07 Feb 2012 12:21:44 +0000</pubDate>
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Os investimentos de risco em energia limpa caíram 4,5% no EUA, em 2011. A incerteza política teve mais impacto negativo que a fragilidade da economia. Os investimentos globais do setor, porém, cresceram 5% e os investimentos em setores &#8220;maduros&#8221; de energia renovável (eólica, fotovoltaica e baterias para carros elétricos) cresceram 253%. Na China e na [...]]]></description>
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<p>Os investimentos de risco em energia limpa <a href="http://www.ey.com/US/en/Newsroom/News-releases/2011-US-venture-capital-investment-in-cleantech">caíram</a> 4,5% no EUA, em 2011. A incerteza política teve mais impacto negativo que a fragilidade da economia. Os investimentos globais do setor, porém, cresceram 5% e os investimentos em setores &#8220;maduros&#8221; de energia renovável (eólica, fotovoltaica e baterias para carros elétricos) cresceram 253%. Na China e na Índia os investimentos em energia renovável continuam a crescer.<span id="more-3273"></span></p>
<p>Nos Estados Unidos, a incerteza eleitoral e a oposição feroz dos republicanos ao programa de incentivos à energia renovável, foram mais importantes na retração dos investidores do que a conjuntura econômica ainda claudicante. Na Europa, apesar da crise, os investimentos em energia renovável se mantiveram. O parque eólico europeu <a href="http://www.guardian.co.uk/environment/2012/feb/06/wind-power-europe-grew-2011">cresceu bastante</a> em 2011, resultado de investimentos, nos anos anteriores, que se sustentaram apesar da crise. Foram adicionados 93.957 MW de eletricidade eólica ao sistema europeu. Usinas offshore no Reino Unido e em terra na Suécia e na Alemanha deram a maior contribuição a esse crescimento. A energia eólica representou 71% do total de nova capacidade elétrica instalada na Europa em 2011.</p>
<p>&#8220;Apesar da crise econômica na Europa, a indústria eólica continua a installer níveis significativos de nova capacidade&#8221;, disse Justin Wilkes, diretor da Associação Europeia de Energia Eólica.  Para cumprir as metas de logo prazo da União Europeia será necessário que o setor continue a crescer com vigor nos próximos anos. A vantagem da Europa é que não há incerteza política com relação à decisão de desenvolver os setores de baixo ou zero carbono. Mesmo no Reino Unido, onde políticos conservadores criticaram recentemente a política &#8220;verde&#8221; do governo, os liberal-democratas, sócios na coalizão governista, saíram em sua defesa e vários políticos conservadores declararam seu apoio à continuidade de políticas voltadas para a economia verde ou de baixo carbono.</p>
<p>No EUA, o partido republicano ainda se nega a reconhecer o consenso científico sobre a ameaça da mudança climática global, ataca os programas de apoio a tecnologias e energias limpas e defende a economia fóssil. Como a popularidade do presidente Obama está abaixo da zona de conforto eleitoral, o temor de uma vitória republicana fez os investidores reduzirem a aposta nesses setores.</p>
<p>Mas Obama vem recuperando, progressivamente o favoritismo. No final da semana passada, enquanto os republicanos avançavam rumo à escolha de Mitt Romney para disputar a presidência com o presidente Obama, a popularidade presidencial evoluiu um pouquinho mais. A aprovação e reprovação ficaram em 46%, na última pesquisa do tracking da Gallup que avalia a popularidade em médias móveis de três dias. Significa que a popularidade líquida está em zero, portanto no ponto de neutralidade, deixando de afetar negativamente o voto na reeleição do presidente.  Na média de 3 de janeiro a 2 de fevereiro, a aprovação estava em 45% e a reprovação em 48%, portanto popularidade líquida de &#8211; 3%. A reprovação caiu 2 pontos e a aprovação aumentou 1 ponto. No começo de janeiro (7-9/1), a situação era bem mais negativa para Obama: aprovação de 42% e reprovação de 50%, líquida negativa de &#8211; 9%.</p>
<p>A que se deve essa recuperação lenta, mas aparentemente consistente, da popularidade presidencial? Em primeiro lugar, à recuperação também muito lenta da situação econômica. Embora tênue, ela começa a reduzir o desconforto econômico em algumas áreas, setores e parcelas da população. A economia do EUA tem vários ciclos regionais diferenciados, nem sempre sincronizados entre si. Em algumas regiões a economia já está com desempenho bem melhor do que em outras. Algumas indústrias já mostram desempenho mais robusto. Essa recuperação desigual explica também a recuperação lenta das expectativas e da popularidade. Em segundo lugar, melhora a popularidade o fato de Obama ter dado início à sua campanha para reeleição. Como ainda está em regime de lançamento progressivo, esse efeito ainda é tênue, mas a tende a aumentar rapidamente. A vantagem de Obama sobre Romney nas pesquisas de intenções de voto melhora mais rapidamente do que a popularidade. No tracking da <a href="http://www.rasmussenreports.com/">Rasmussen</a>, a aprovação de Obama ainda aparece mais baixa do que no <a href="http://www.gallup.com/tag/Presidential%2bJob%2bApproval.aspx">Gallup</a>, porque se baseia em uma amostra de prováveis eleitores (na amostra sobre o total de adultos a popularidade é mais alta). Na média móvel do tracking, de 2-4 de fevereiro, a vantagem de Obama sobre Mitt Romney aumentou, saindo de um empate técnico, para uma vantagem de 4 pontos percentuais 47% a 43%. Na média do <a href="http://www.realclearpolitics.com/epolls/2012/president/us/general_election_romney_vs_obama-1171.html">Real Clear Politics</a>, a tendência de Obama (com 48,5%) é de crescimento e a de Romney (com 45,5%) de queda.</p>
<p>Com a recuperação do favoritismo de Obama, os níveis de risco e incerteza política em relação aos programas de incentivo à economia verde caem e os investimentos tendem a voltar a crescer. Na Europa as metas compulsórias garantem um piso sustentado para esse investimentos. Nas grandes economias emergentes, especialmente China e Índia, os investimentos em tecnologias limpas, particularmente energias renováveis continuam a crescer. A perspectiva de mercado para a economia verde é boa, embora pudesse ser bem melhor. O ponto mais frágil ainda é da falta de ambição nas políticas governamentais, especialmente a persistência de incentivos contrários, que beneficiam a economia fóssil, como os subsídios aos combustíveis fósseis. A coordenação internacional das políticas também é frágil. As instituições multilaterais, em particular do sistema da ONU, estão claramente aquém das necessidades.</p>
<p>Meu comentário na CBN está <a href="http://glo.bo/9KYOiU">aquí</a>.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Empresas podem ser obrigadas a publicar impacto ambiental</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Feb 2012 13:00:39 +0000</pubDate>
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Sérgio Abranches
Obrigar as empresas a ter relatórios quantificados do seu impacto ambiental, abrangendo todo o ciclo de produção, com padrões definidos, verificáveis e comparáveis, faz sentido, pode dar bons resultados e será tema em discussão na Rio+20.
O tema já consta da “versão zero” da proposta de resolução da Rio+20, recentemente divulgada para discussão. Está proposto [...]]]></description>
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<p style="text-align: center;">Sérgio Abranches</p>
<p>Obrigar as empresas a ter relatórios quantificados do seu impacto ambiental, abrangendo todo o ciclo de produção, com padrões definidos, verificáveis e comparáveis, faz sentido, pode dar bons resultados e será tema em discussão na Rio+20.<span id="more-3268"></span></p>
<p>O tema já consta da “versão zero” da proposta de resolução da Rio+20, recentemente divulgada para discussão. Está proposto de forma mais clara e ambiciosa no relatório divulgado esta semana do Painel de Alto Nível da ONU sobre Sustentabilidade Global. Fará certamente parte da agenda de discussões sobre a economia verde.</p>
<p>Parte dos problemas de sustentabilidade global está certamente associada a falhas de mercado. O economista Nicholas Stern, que coordenou o relatório Stern sobre os custos econômicos da mudança climática, tem dito isso recorrentemente e não está sozinho. Muitos economistas de renome, não apenas os especializados em questões ambientais, têm reconhecido que as emissões de gases estufa e outros poluentes representam falhas de mercado.</p>
<p>O que significa isso? Significa que as empresas em um ambiente de plena liberdade, sem regulação, não se dispõem a identificar seu impacto no ambiente e a corrigí-lo. Em outras palavras, deixadas inteiramente livres, a maioria das empresas continuará emitindo e poluindo, como fizeram até agora, por mais tempo do que seria suportável, com efeitos devastadores sobre o ambiente natural, a saúde humana e o clima. O mesmo é verdade para consumidores e países. Portanto, a regulação para coibir e corrigir impactos ambientais é necessária.</p>
<p>Uma outra parte dos problemas de sustentabilidade se explica por uma estrutura de incentivos e desincentivos com o sinal errado. Tem a ver com práticas não sustentáveis de políticas públicas e que exigem correção. Por isso se torna tão necessário que os países assumam compromissos ambientais multilaterais vinculantes sobre mudança climática e sustentabilidade, com metas de desempenho públicas, quantificadas e verificáveis.</p>
<p>Por meio de políticas públicas, incentivos (vantagens fiscais e de crédito) encorajam práticas pouco sustentáveis, e desincentivos (custos tributários e financeiros) desencorajam a adoção de práticas sustentáveis. É preciso que os países concordem em mudar o sinal de sua estrutura de incentivos, incentivando práticas sustentáveis e desincentivando práticas insustentáveis, para redirecionar o processo econômico rumo à economia verde.</p>
<p>Um exemplo disso está no relatório do <a href="http://bit.ly/yllgVp">Painel de Alto Nível</a> da ONU sobre Sustentabilidade Global, quando propõe o abandono progressivo dos subsídios aos combustíveis fósseis. O economista-chefe da Agência Internacional de Energia, Fatih Birol, <a href="http://bit.ly/A0bBMi">disse ao The Guardian</a> que a eliminação desses subsídios poderia contribuir com metade da economia de energia necessária para manter a mudança climática em níveis suportáveis.</p>
<p>Subsídios representam uma forma de intervenção do estado na economia. No Brasil, não se sabe quanto custam. Os incentivos a atividades de alto carbono são, porém, altos e numerosos.</p>
<p>Falhas de mercado só podem ser corrigidas com regulação e alterando a estrutura de incentivos e desincentivos. Um exemplo de regulação é a exigência de relatórios de desempenho ambiental, com quantificação de impactos positivos e negativos em toda a cadeia de suprimentos.</p>
<p>A “<a href="http://bit.ly/xzDxEO">versão zero</a>” da proposta de resolução da Rio+20 sugere que um marco global requeira que todas as empresas privadas listadas em bolsa ou que sejam consideradas grandes considerem a questão da sustentabilidade e integrem a informação sobre sustentabilidade em seu ciclo de relatórios de desempenho.</p>
<p>O relatório do painel de alto nível da ONU, além de propor o abandono progressivo, até 2020 dos subsídios aos combustíveis fósseis, é mais ambicioso que a “versão zero” para a Rio+20. Recomenda um marco global padrão para relatório de desenvolvimento sustentável e que os países tornem compulsório relatório quantificado e comparável de sustentabilidade para empresas com valor de mercado superior a 100 milhões de dólares.</p>
<p>Muitas empresas têm relatórios que chamam de responsabilidade social e ambiental. A maioria é puro marketing. Divulgação das maravilhas que as empresas fazem na área social e ambiental, em geral fora de suas atividades, adoção de escolas, criação de reservas naturais. Isso é ótimo e necessário, mas é filantropia, não é sustentabilidade. Sustentabilidade é desempenho real, com indicadores quantitativos dos impactos negativos e positivos, emissões de gases estufa e outros poluentes, sobre o destino de seus produtos ao serem descartados. Tudo medido em todo o ciclo do produto, desde a extração, produção e transporte da matéria-prima, passando pela produção e comercialização do produto final, até seu consumo e descarte. No mínimo, o relatório deve contabilizar de forma clara, verificável e comparável, a pegada ambiental de toda a sua cadeia de suprimentos (supply-chain).</p>
<p>Grandes empresas globalizadas, no topo da cadeia de suprimentos estão redefinindo suas operações e introduzindo mudanças reais nos seus modelos de aquisição de suprimentos. O número de empresas que dizem que dispensarão fornecedores, nos próximos cinco anos, que não atendam seus critérios ambientais aumentou de 17%, em 2009, para 39%, em 2011, <a href="http://bit.ly/xEIFTD">escreveu Frances Way</a>, do <a href="http://bit.ly/xRFA1">Carbon Disclosure Project</a> (CDP), para a sessão do The Guardian sobre negócios sustentáveis. As empresas líderes estão adotando meios para avaliar o sucesso de seus fornecedores na área do impacto ambiental, ela conclui, com base no levantamento do CDP.</p>
<p>O relatório de impacto ambiental, sem maquiagem, cobrindo a cadeia de suprimentos das empresas, não é apenas um importante instrumento de transparência ambiental, que permite a “stakeholders” (pessoas e grupos afetados), acionistas, investidores, ambientalistas e imprensa verificarem os que as empresas de fato fazem e qual sua pegada ecológica real. Eles são importantes instrumentos de gestão ambiental, avaliando o sucesso ou insucesso da política de sustentabilidade das empresas. Como instrumento gerencial agregam valor e permitem à empresa uma estratégia mais durável de busca de rentabilidade e produtividade.</p>
<p>Meu comentário sobre essa questão na CBN <a href="http://glo.bo/9KYOiU">está aqui</a>.</p>
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		<title>BNDES e FINEP financiam etanol de segunda geração</title>
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		<pubDate>Fri, 20 Jan 2012 14:06:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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Sérgio Abranches
O BNDES e a FINEP vão financiar a pesquisa e desenvolvimento de etanol celulósico até a fase de projeto piloto, informa o Valor Econômico.
O BNDES  e a FINEP vão oferecer R$ 1,1 bilhão est ano em crédito subsidiado, subvenções e participação no capital para empresas desenvolverem projetos piloto de etanol de segunda geração. Já [...]]]></description>
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<p style="text-align: center;">Sérgio Abranches</p>
<p>O BNDES e a FINEP vão financiar a pesquisa e desenvolvimento de etanol celulósico até a fase de projeto piloto, informa o <a href="http://www.valor.com.br/empresas/2492300/etanol-celulosico-tera-r-11-bi-do-bndes">Valor Econômico</a>.<span id="more-3245"></span></p>
<p>O BNDES  e a FINEP vão oferecer R$ 1,1 bilhão est ano em crédito subsidiado, subvenções e participação no capital para empresas desenvolverem projetos piloto de etanol de segunda geração. Já estão em exame 14 planos de negócios, inclusive de empresas multinacionais que adquiriram empresas brasileiras de açúcar e álcool. Posteriormente, o BNDES pode lançar programas para o financiamento da fase já comercial dos projetos.</p>
<p>A indústria de álcool Brasileira é muito competitiva, especialmente por causa de preços finais mais baixos permitidos pelo menor custo de produção. É uma vantagem da cana de açúcar e não da gestão empresarial do setor. Mas o Brasil corre o risco de não manter a liderança no mercado futuro de biocombustíveis, que será certamente dominado pela segunda geração, porque não tem investido no etanol celulósico.</p>
<p>Eventos climáticos extremos têm levado a recorrentes <a href="http://bit.ly/nIRLTa">quebras de safra </a>de cana nos últimos anos. Canaviais envelhecidos têm determinado perdas continuadas de produtividade. De grande exportador líquido, o Brasil está se transformando em grande importador também. Em 2011, importou perto de 1,1 bilhão de litros de etanol, principalmente do EUA.  As estimativas são de que terá que importar entre 1,7 e 2,0 bilhões de litros em 2012. Com a nova quebra de safra o Brasil pode acabar este ano importando tanto etanol quanto exporta. Dependendo da demanda, as importações podem ficar até ligeiramente acima das exportações.</p>
<p>Só agora o governo está dando a atenção correta ao problema. Antes, preferiu reduzir o percentual de mistura de álcool à gasolina, como se o problema fosse puramente conjuntural. Além de ser a resposta estruturalmente errada, foi um equívoco ambiental. Para manter a política de motores flex e de adição de etanol na gasolina, o Brasil precisa recuperar a produtividade dos canaviais e das usinas e investir pesado em biocombustíveis de segunda geração.</p>
<p>Os biocombustíveis de segunda geração permitirão aumentar a produção e a produtividade do setor de bioenergia, sem demandar novas áreas para plantio. O Brasil tem pelos menos duas fontes muito competitivas para biocombustíveis de base celulósica: a palha de cana, hoje queimada com graves danos à saúde dos trabalhadores e ao ambiente, e as aparas de eucalipto, que são deixadas nos eucaliptais para retirada das toras limpas. Ambas tem alto teor de celulose. Além disso, outros resíduos agrícolas e florestais e as sobras de capim elefante também são fontes ricas em celulose hoje desperdiçadas. A produção de etanol celulósico de palha e bagaço de cana permitiria aumentar em pelo menos 50% a produção de álcool de cana. As aparas de eucalipto, resíduos agrícolas e florestais permitiriam aumentar ainda mais a produção e a produtividade, sem demandar um só hectare de terra adicional. Isso reduziria a pressão pela expansão da área plantada com cana e evitaria que a cadeia do etanol se torne um fator de pressão indireta pelo desmatamento, ao deslocar outras atividades agropecuárias para as áreas florestadas. Também aumentaria a segurança alimentar, permitindo que a terra agricultável disponível seja ocupada por culturas alimentares.</p>
<p>O BNDES aplicará, ainda, R$ 2 bilhões para financiar novos produtos bioquímicos da cana de açúcar e a gaseificação de bagaço para produzir biocombustíveis e plásticos, segundo a matéria de Fabiana Batista para o Valor.</p>
<p>É um bom começo, embora o investimento no desenvolvimento da segunda geração de biocombustíveis tenha que ser muito maior, se o país quiser mesmo estar entre os países líderes do mercado de biocombustíveis em dez anos. Durante muito tempo o governo e as empresas do setor vinham desprezando os riscos e as oportunidades do desenvolvimento dessa nova tecnologia. EUA, Europa, Japão e China estão investindo pesadamente em P&amp;D de biocombustíveis de segunda geração, com base em resíduos agrícolas e algas. O país ainda corre o risco de perder espaço nesse mercado futuro. As vantagens competitivas que temos hoje são fundamentalmente derivadas da maior eficiência da fotossíntese da cana de açúcar comparada ao milho e outras culturas utilizadas no EUA e na Europa. Nenhuma de nossas vantagens competitivas centrais no mercado de biocombustíveis se baseia em virtudes técnicas, gerenciais ou estratégicas de nossas empresas. Agora, pelo menos, o Brasil passa a ter um início de política pública, planos empresariais e financiamento para entrar &#8211; atrasado &#8211; nessa corrida. Mas a maratona ainda está em curso e, se nos apressarmos, ainda podemos ficar no pelotão da frente, dadas as vantagens &#8211; naturais e de biodiversidade &#8211; que temos.</p>
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		<title>Investimento global em tecnologia verde cresceu em 2011 apesar da crise</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Jan 2012 12:17:48 +0000</pubDate>
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Sérgio Abranches
Os investimentos globais em tecnologias limpas, as fusões e aquisições, cresceram de forma expressiva em 2011, apesar da crise. A maior parte desse crescimento foi sustentada pelos investimentos no EUA, particularmente na Califórnia. Na Europa e em Israel, eles caíram.
Todos os tipos de investimento em tecnologia limpa cresceram em 2010, totalizando US$ 9 bilhões, [...]]]></description>
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<p style="text-align: center;">Sérgio Abranches</p>
<p>Os investimentos globais em tecnologias limpas, as fusões e aquisições, cresceram de forma expressiva em 2011, apesar da crise. A maior parte desse crescimento foi sustentada pelos investimentos no EUA, particularmente na Califórnia. Na Europa e em Israel, eles caíram.<span id="more-3243"></span></p>
<p>Todos os tipos de investimento em tecnologia limpa cresceram em 2010, totalizando US$ 9 bilhões, muito perto do recorde alcançado em 2008, que foi de US$ 9,5 bilhões. Foi um aumento global de 13% sobre 2010.</p>
<p>Também aumentaram muito as operações de fusões e aquisições no setor de tecnologias limpas, chegando a 391 operações e expressivo valor de US$ 41,2 bilhões. Número recorde, 153% acima do que foi observado em 2010. Os investimentos de risco (venture capital) em novas tecnologias também continuaram em 2011, sinalizando dinamismo na área de pesquisa e desenvolvimento e de preparação de novos produtos e novas tecnologias para entrada em mercado.</p>
<p>O investimento em tecnologias limpas foi mais forte e consistente no EUA. Ele cresceu 31%, em 2011, subindo de US$ 5,2 bilhões em 2010, para US$ 6,8 bilhões, representando 76% do total dos investimentos globais <a href="http://bit.ly/xgIU0y">analisados</a> pela empresa de pesquisa e consultoria <a href="http://research.cleantech.com/">Cleantech Group</a>. Dentro dos Estados Unidos, a California é o pólo mais dinâmico de tecnologias limpas, recebendo US$ 3,7 bilhões dos investimentos, 54% do total local, um crescimento de 25%. Europa e Israel representaram 14% dos investimentos em tecnologia verde em 2011 e a Ásia-Pacífico 10%.</p>
<p>Os investimentos em tecnologia verde caíram 30% na Europa e em Israel por causa da crise. Alcançaram US$ 1,3 bilhão em 2011, contra US$ 1,8 bilhão em 2010. As operações em fusões e aquisições diminuíram em 33%.</p>
<p>Na Ásia, as empresas continuaram investindo, mas com alguma desaceleração. Os IPOs &#8211; chamadas de capital em bolsa -na região, por exemplo, levantaram US$ 9,6 bilhões, volume 41% inferior ao de 2010 que chegou a US$ 16,4 bilhões. A China concentrou 55% dessas operações no mercado asiático em 2011.</p>
<p>O setor de energia solar foi o que recebeu globalmente a maior parcela de investimentos, da ordem de US$ 1.8 bilhão, seguido pelo de eficiência energética, com  US$ 1,5 bilhão e transportes, US$ 1,1 bilhão.</p>
<p>Meu comentário na CBN pode ser ouvido <a href="http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/sergio-abranches/SERGIO-ABRANCHES.htm">aqui</a>.</p>
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		<title>Chegada de diesel com menos enxofre não é motivo para comemorar</title>
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		<pubDate>Thu, 12 Jan 2012 11:58:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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Estamos atrasados na redução do teor de enxofre do diesel. Este ano deveria começar com o S50 (50 partículas de enxofre por milhão- ppm) nos postos, para substituir o diesel com 500 ppm, usado no Rio de Janeiro e São Paulo. No resto do país, é diesel com 2000 ppm, um absurdo. Mas quem vai [...]]]></description>
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<p>Estamos atrasados na redução do teor de enxofre do diesel. Este ano deveria começar com o S50 (50 partículas de enxofre por milhão- ppm) nos postos, para substituir o diesel com 500 ppm, usado no Rio de Janeiro e São Paulo. No resto do país, é diesel com 2000 ppm, um absurdo. Mas quem vai aos postos não encontra o S50, ou encontra os dois &#8211; o sujo e o mais limpo &#8211; como se fossem opcionais. O novo é mais caro, os motoristas preferem o velho.<span id="more-3237"></span></p>
<p>Esse diesel faz mal à saúde e provoca chuva ácida, que destrói infraestrutura, polui a água, e inutiliza a terra para agricultura. Na Europa já está em uso o diesel com 10 ppm e no EUA e México, com 15 ppm. O CONAMA havia determinado em 2002, que passássemos ao S50 em 2007. A ANP, Agência Nacional do Petróleo, não cumpriu suas obrigações legais e não criou as normas necessárias à adoção desse diesel. A Petrobrás descumpriu a determinação do CONAMA. A indústria automotiva disse que não estava em condições de produzir os motores compatíveis, embora já os produzisse na Europa. Todos se comportaram mal. Um acordo determinou que o diesel passasse a ser usado a partir deste ano de 2012. Ainda não está sendo cumprido. A ANP mais uma vez se omite e não fiscaliza, nem impõe a substituição do combustível.</p>
<p>Esse atraso ambiental do Brasil é incompatível com nosso nível de desenvolvimento, renda e conhecimento. É sinal de má governança e de uma visão ultrapassada de desenvolvimento. O desenvolvimentismo brasileiro faz suas metas olhando pelo retrovisor, quando deveria estar olhando muito à frente.</p>
<p>Meu comentário na CBN:</p>
<p><iframe src='http://www.cbn.com.br/Player/player.htm?audio=2012/colunas/ecopolitica_120112&#038;OAS_sitepage=cbn/comentarios/sergioabranches' width='475' height='193' marginheight='0' marginwidth='0' frameborder='0' scrolling='no' bgcolor='#CCCCCC'/></iframe></p>
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		<title>Subsídios encarecem energia e impedem mudança no Brasil</title>
		<link>http://www.ecopolitica.com.br/2012/01/10/3232/</link>
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		<pubDate>Tue, 10 Jan 2012 11:45:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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Os brasileiros pagarão na conta de luz mais de 20 bilhões de reais para subsidiar uma política energética cheia de equívocos e erros graves de planejamento, estratégia e à qual falta visão para o futuro. Os custos desses subsídios vêm subindo fortemente. Além de encarecer a eletricidade, os subsídios promovem a ineficiência, estimulam o uso [...]]]></description>
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<p>Os brasileiros pagarão na conta de luz mais de 20 bilhões de reais para subsidiar uma política energética cheia de equívocos e erros graves de planejamento, estratégia e à qual falta visão para o futuro. Os custos desses subsídios vêm subindo fortemente. Além de encarecer a eletricidade, os subsídios promovem a ineficiência, estimulam o uso de energia suja e tornam ainda mais difícil a mudança para energia renováveis limpas.<span id="more-3232"></span></p>
<p>Matéria de Renée Pereira para o Estado de São Paulo da última sexta-feira mostra projeções de que nós brasileiros pagaremos quase 20 bilhões de reais de subsídios para o setor de energia elétrica este ano. No ano passado os consumidores brasileiros pagaram mais de 5 bilhões de reais para subsidiar a geração de energia suja na Amazônia.</p>
<p>Subsídio só faz sentido por prazo curto, para permitir que uma atividade nova ganhe escala e se torne competitiva. Se não é retirado logo, ele incentiva a inércia,a ineficiência. Além disso cria núcleos de interesses atrelados ao Tesouro, gerando pressões políticas contra qualquer mudança. Tem subsídio que existe há mais de 50 anos.</p>
<p>No ano passado, por exemplo, os brasileiros pagaram mais de 5 bilhões de reais para subsidiar a geração de eletricidade por termelétricas com óleo combustível. A Amazônia tem potencial para energia solar, eólica e de biomassa. Mas isso nem passa pela cabeça dos que pensam o fornecimento de energia no país. Há uma visão arraigada, atrasada que só considera viável as formas tradicionais de geração.</p>
<p>A pergunta é: essa visão atrasada se sustenta sem esses quase 20 bilhões de subsídios. E o custo dos subsídios vai aumentar muito, com Belo Monte e outros erros que estão sendo impostos ao país a qualquer custo.</p>
<p>O Brasil vai precisar fazer uma revisão profunda dos subsídios, em todos os setores, mas principalmente naqueles setores que são fundamentais para caminharmos para uma economia sustentável e energia é o principal deles. O outro é transportes, com subsídio para o óleo diesel. Vamos precisar buscar fontes alternativas, qualidade e eficiência e nada disso se consegue com esses subsídios.</p>
<p>Meu comentário na CBN:<br />
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		<title>Governo facilita atividade econômica sem considerar risco climático e ambiental</title>
		<link>http://www.ecopolitica.com.br/2011/11/23/governo-facilita-atividade-economica-sem-considerar-risco-climatico-e-ambiental/</link>
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		<pubDate>Wed, 23 Nov 2011 12:45:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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Decisões do governo brasileiro nos campos da energia, em relação a unidades de conservação, ou sua omissão na discussão do Código Florestal mostram que as políticas públicas não consideram o risco climático, nem o risco de danos ambientais irremediáveis.
MP libera garimpo na Serra da Canastra, sem levar em conta que o ICMBIO não tem estrutura [...]]]></description>
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		</div>
<p>Decisões do governo brasileiro nos campos da energia, em relação a unidades de conservação, ou sua omissão na discussão do Código Florestal mostram que as políticas públicas não consideram o risco climático, nem o risco de danos ambientais irremediáveis.<span id="more-2884"></span></p>
<p>MP libera garimpo na Serra da Canastra, sem levar em conta que o ICMBIO não tem estrutura para garantir segurança nas unidades de conservação. Facilita a atividade econômica, sem resolver o déficit corrente de governança ambiental. É um abuso autoritário. A reestruturação de uma unidade de conservação para permitir atividade econômica não é matéria de urgência e nem de relevância. A Constituição Federal diz que medida provisória só pode ser editada para matérias que sejam, cumulativamente, de urgência e relevância. O Judiciário precisa reinstaurar os limites constitucionais para edição de MPs. Há muito vivemos clara desordem institucional e jurídica com o flagrante desrespeito à regra constitucional.</p>
<p>O planejamento energético não leva em consideração emissões de gases estufa. Petrobrás avisa que não tem gás e que não assinará novos contratos de fornecimento até 2016. Governo não se preparou para essa eventualidade. Licenciou termelétricas que não terão suprimento garantido. Estão licenciadas para gás. Vão converter para carvão (importado) ou óleo? Suja ainda mais a matriz elétrica. A conversão será licenciada? E a expansão do consumo da indústria que converteu caldeiras e geradores para gás, com muito benefício para a qualidade do ar em São Paulo? Como ficará? O retorno ao óleo seria uma tragédia insuportável e com elevados custos para a saúde pública e o ambiente. A decisão açodada de políticas de longo prazo, sem adequado planejamento, informação e visão de futuro tem custos altíssimos, econômicos, sociais e ambientais.</p>
<p>O vazamento em poço da Chevron na Bacia de Campos mostrou que não existe plano de contingência, nem estratégia de contenção e remediação de vazamentos ocasionados pela prospecção e exploração petróleo no mar. Nossas reservas são marítimas. É incompreensível que não haja prontidão, dado o elevado risco dessa atividade e seu enorme potencial de dano. Houve omissão regulatória, a ANP entrou atrasada e não adotou medidas de precaução. É  mais uma demonstração de que o Ibama tem um enorme déficit de governança.</p>
<p>A discussão do Código Florestal vai pelo mesmo caminho. Deveria considerar a segurança alimentar de longo prazo e a segurança ambiental, a qual é parte da garantia da segurança alimentar sustentada. Deveria contemplar incentivos à agricultura sustentável e à expansão da cobertura florestal. Mas virou uma discussão açodada, alimentada por urgências de curto prazo.</p>
<p>Vivemos em uma sociedade de risco, e o risco no Brasil está acima da média, principalmente pelas falhas regulatórias e de governança. Os governos no Brasil decidem sem calcular riscos e autorizam, sem verificar se há planos de prevenção, gestão e remediação de riscos.</p>
<p>Meu comentário na CBN:</p>
<p><iframe src='http://www.cbn.com.br/Player/player.htm?audio=2011/colunas/ecopolitica_111123&#038;OAS_sitepage=cbn/comentarios/sergioabranches' width='475' height='193' marginheight='0' marginwidth='0' frameborder='0' scrolling='no' bgcolor='#CCCCCC'/></iframe></p>
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		<title>Furacão competitivo no mercado de turbinas eólicas</title>
		<link>http://www.ecopolitica.com.br/2011/10/28/furacao-competitivo-no-mercado-de-turbinas-eolicas/</link>
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		<pubDate>Fri, 28 Oct 2011 13:27:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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Sérgio Abranches
Entrada de empresas chinesas no mercado brasileiro acirra concorrência no setor de turbinas para geração eólica. Um setor que já estava aquecido pela competição entre produtores tradicionais da Europa e do EUA.
Matéria da publicação Brasil Energia (só para assinantes), mostra que a entrada dos chineses está acirrando a concorrência no mercado de turbinas eólicas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="tweetmeme_button" style="float: right; margin-left: 10px;">
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			</a>
		</div>
<p style="text-align: center;">Sérgio Abranches</p>
<p>Entrada de empresas chinesas no mercado brasileiro acirra concorrência no setor de turbinas para geração eólica. Um setor que já estava aquecido pela competição entre produtores tradicionais da Europa e do EUA.<span id="more-2841"></span></p>
<p>Matéria da publicação <a href="http://www.energiahoje.com/brasilenergia/noticiario/2011/10/03/440337/os-chineses-estao-chegando.html" target="_blank">Brasil Energia</a> (só para assinantes), mostra que a entrada dos chineses está acirrando a concorrência no mercado de turbinas eólicas no Brasil. Os grandes produtores da China estão todos desembarcando no Brasil. Aqui tem demanda firme por turbinas, garantida pelas usinas já aprovadas para instalação e há clara perspectiva de crescimento continuado daqui para frente. No resto do mundo, o investimento arrefeceu com a crise econômico-financeira. Ainda não parou, mas perdeu fôlego. No Brasil, a tendência é que o investimento aumente nos próximos anos.</p>
<p>Por isso mesmo, não só os chineses estão entrando no país. Todos os grandes produtores europeus e dos Estados Unidos já disputam fatias deste mercado  em crescimento e tem potencial muito maior a médio e longo prazo. Uma política mais vigorosa de diversificação das fontes renováveis no Brasil, que será inevitável  em algum momento ao longo desta década, produziria crescimento explosivo na instalação de usinas eólicas no país.</p>
<p>Uma usina eólica se resume praticamente à turbina, ou aerogerador, que corresponde a mais ou menos 60% do custo total. Portanto, para haver crescimento no número de usinas é preciso garantir o suprimento de turbinas. O problema é que os outros 40% batem na carga tributária elevada e na ineficiência logística do país, com custos mais elevados. Essa parcela do custo dissociada das turbinas é bem mais alta que no resto do mundo.</p>
<p>Segundo a Brasil Energia, levantamento da Bloomberg New Energy Finance (BNEF) diz que será necessário reduzir o preço das turbinas em 15%, em média, para se chegar aos valores estimados nos últimos leilões de eólica aqui. O preço dos aerogeradores que estava em torno de US$ 1,4 milhão por megawatt em 2010, que teria que recuar para US$ 1,2 milhão por megawatt. A média global é de  US$ 1,34  milhão/MW.   As turbinas chinesas, embora criticadas por serem de qualidade inferior e menos confiáveis, têm custo agressivo. Segundo o levantamento da Bloomberg citado pela Brasil Energia, os aerogeradores chineses chegariam ao Brasil ao preço de US$ 1,24  milhão por megawatt, já contando impostos e custos de logística. É muito difícil para os fornecedores tradicionais chegar a esses preços. “Mesmo com proteção da variação cambial, os equipamentos chineses ainda sairiam mais baratos do que o valor projetado nos leilões.”</p>
<p>Além disso, os produtos chineses vêm financiados pelo banco estatal de fomento de seu país. O financiamento anda apertado no resto do mundo, por causa da crise financeira. No Brasil o crédito para o setor de turbinas eólicas está com perspectiva negativa, diz a Brasil Energia. O Banco do Nordeste parou de financiar o setor e há indicações de que o BNDES pode reduzir  o percentual financiado.</p>
<p>Mas essa restrição de crédito não anda assustando os produtores, de olho no futuro promissor da energia eólica no Brasil. Tudo aponta para a energia eólica como o futuro para o Brasil, que continua, entretanto, afundando uma montanha de dinheiro em projetos ultra duvidosos como o de Belo Monte. E agora, o setor de energia fotovoltaica, de fonte solar, se prepara para entrar nos leilões. No mundo é o setor que está bombando, com preços das placas caindo e muita novidade despontando no horizonte tecnológico. E a combinação eólica/solar fotovoltaica no Brasil pode ser campeã mundial mais facilmente que a seleção de Mano Menezes. </p>
<p>Ouça também comentário na CBN:<br />
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		<title>Preço do carbono deve atingir cadeia de suprimentos</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Oct 2011 12:33:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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Sérgio Abranches
Relatório científico, publicado nos Anais das Academias de Ciências dos Estados Unidos propõe um imposto sobre carbono, de preferência no início da cadeia de suprimentos e com um efeito cascata da extração da energia e das matérias primas até o consumidor, como melhor solução para a política de redução de gases estufa.
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<p style="text-align: center;">Sérgio Abranches</p>
<p>Relatório científico, publicado nos Anais das Academias de Ciências dos Estados Unidos propõe um imposto sobre carbono, de preferência no início da cadeia de suprimentos e com um efeito cascata da extração da energia e das matérias primas até o consumidor, como melhor solução para a política de redução de gases estufa.<span id="more-2824"></span></p>
<p>O relatório sai em um momento no qual o tema da mudança climática está em baixa na agenda política da Europa e do EUA, dominada pela crise econômico-financeira. Mas os sinais de que o tema não será abandonado e em algum momento ocupará o centro da agenda estão por todos os lados, na Europa e no EUA, das ruas à TV.</p>
<p>A mudança climática terá presença garantida na campanha presidencial nos Estados Unidos. O Tea Party, a ala de ultra-direita do partido Republicano, tem feito propaganda constante tentando desacreditar a ameaça da mudança climática e a ciência do clima. Um dos pré-candidatos, o governador do Texas Rick Perry, tem censurado a ciência do clima em seu estado. Recentemente um relatório científico foi rejeitado pela agência ambiental do governo texano, com o argumento de que as conclusões dos cientistas contrariavam a política da agência. Mesmo candidatos mais moderados, como Mitt Romney, acabam tratando negativamente do tema, diminuindo sua importância e urgência, em busca do voto do organizado Tea Party. Os setores democratas e mais progressistas fazem o contraponto, sublinhando a importância do tema. É o que vem fazendo, por exemplo, o &#8220;<a href="http://www.msnbc.msn.com/id/30031533/" target="_blank">Ed Show</a>&#8220;, programa de notícias e comentários políticos da TV MSNBC comandado por Ed Schultz. Obama tem sido duramente cobrado pelos ambientalistas por seus recuos na questão climática. Mas o reconhecimento de que sua política de estímulo a setores de tecnologia limpa está criando empregos verdes vai se disseminando. O movimento &#8220;occupy Wall Street&#8221; acabou ganhando tal expressão, em New York, outras cidades do EUA e pelo mundo a fora que não pôde continuar sendo ignorada pela mídia. Sua demanda principal é por redução das igualdades e ampliação das oportunidades, mas ganhou um forte componente ambiental com a adesão em massa dos ambientalistas. No EUA, as maiores organizações e lideranças do ambientalismo estão agora à frente das manifestações. O movimento combina a crítica econômica ao capitalismo, denúncias sobre as disfunções da democracia contemporânea e a corrupção política e condenação da inércia em relação à mudança climática. </p>
<p>É pouco provável que a discussão sobre mudança climática chegue, entretanto, a dominar a pauta da campanha e chegue ao detalhamento de políticas públicas com este fim. Mas, nos próximos anos, no mundo todo, a discussão sobre o imposto sobre o carbono será inevitável e deve ganhar força em algum momento ao longo da década.</p>
<p>O estudo, &#8220;<a href="http://www.pnas.org/content/early/2011/10/13/1107409108.full.pdf" target="_blank">The supply chain of CO2 emissions</a>&#8220;, de Steven J. Davis, Glen P. Peters, and Ken Caldeira, já havia circulado, mas agora foi publicado, em revista de prestígio, após ser revisto por outros cientistas. A pesquisa analisou a matriz de emissões de carbono de 112 países e 58 setores industriais. A análise mostrou que 51% de todos os gases estufa emitidos por ações humanas estão associados a combustíveis fósseis ou bens primários ou intermediários que saíram de outros países. Mais, 67% das emissões globais de carbono seriam cobertas se a regulação do uso de combustíveis fósseis ocorresse no ponto de extração.</p>
<p>A conclusão dos autores é que se um preço consistente e inescapável fosse imposto ao carbono na base da cadeia de suprimentos, produziria um efeito cascata, levando a todos os participantes da cadeia a repassar esse custo para a frente. A concentração geográfica dos combustíveis fósseis em um pequeno número de países  envolvidos na sua extração e beneficiamento ou refino sugere que o imposto regulatório na boca do poço, na porta da mina ou na usina de refino ou beneficiamento diminuiria a complexidade da regulação e reduziria sensivelmente as vias de escape desse imposto.</p>
<p>Certamente não é uma ideia factível hoje, neste mundo em crise econômica. Mas traz uma série de elementos para a discussão inevitável de como estabelecer um preço para o carbono. Esse é um caminho praticamente inescapável que muito provavelmente será seriamente considerado no futuro.</p>
<p>Meu comentário na CBN:<br />
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		<title>Energia renovável cresce em 2010 apesar da crise</title>
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		<pubDate>Fri, 30 Sep 2011 19:55:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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Sérgio Abranches
O relatório da REN21 &#8211; Renováveis 2011 mostra que eólica e solar fotovoltaica foram as fontes de energia renovável que mais cresceram em 2010 e continuam a crescer forte em 2011, apesar da crise econômico-financeira. É leitura obrigatória para quem diz que energia renovável, principalmente eólica e solar fotovoltaica, não tem escala para ser [...]]]></description>
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<p style="text-align: center;">Sérgio Abranches</p>
<p>O relatório da REN21 &#8211; Renováveis 2011 mostra que eólica e solar fotovoltaica foram as fontes de energia renovável que mais cresceram em 2010 e continuam a crescer forte em 2011, apesar da crise econômico-financeira. É leitura obrigatória para quem diz que energia renovável, principalmente eólica e solar fotovoltaica, não tem escala para ser alternativa à energia fóssil.<span id="more-2797"></span></p>
<p>O documento está recheado de dados sobre o crescimento das fontes renováveis na oferta de eletricidade em todo o mundo. Mostra que elas foram responsáveis pela metade da oferta de 194 Gw de nova capacidade elétrica adicionada globalmente em 2010. Representaram 20% do suprimento global de eletricidade em 2010 e 25% da capacidade elétrica total, em 2011.</p>
<p>O investimento em energia renovável cresceu 32% em 2010, um período de desaceleração do investimento por causa da crise financeira global, atingindo US $ 211 bilhões. Esse volume recorde foi 32% superior aos US $ 160 bilhões investidos em 2009 e cinco vezes maior que o investimento de 2004. </p>
<p>Sim, a hidreletricidade é parte da conta das renováveis, mas não é o setor mais dinâmico. Ela cresceu apenas 3% em 2010. Há visível afastamento das hidrelétricas, principalmente das grandes usinas de alto impacto ambiental e elevado custo em praticamente toda parte onde há capacidade hídrica. O Brasil é uma das exceções.</p>
<p>Em  contraste com a hidrelétrica, em 2010, a capacidade instalada em energia eólica cresceu 25% e em fotovoltaica (solar), 72%. A eólica já conquistou espaço significativo na matriz global. A capacidade elétrica eólica já é 20% da hidrelétrica e 15% da capacidade renovável instalada. A fotovoltaica, que está vivendo seu primeiro ciclo relevante de crescimento nos últimos dois, três anos, e é a tecnologia cujo uso mais cresce no mundo, ainda é apenas 3% do total da capacidade renovável instalada no mundo.</p>
<p>Mas o que este relatório mostra é que essas são tendências firmes, que vêm se sustentando no período entre 2005 e 2010. Registram forte crescimento da capacidade de energia elétrica renovável e do investimento em todos os setores deste mercado e em todos os anos deste quinquênio. Segundo o “Renováveis 2011 &#8211; Relatório da Situação Global” várias das fontes renováveis, entre elas solar fotovoltaica (PV),  termosolar (CSP), eólica e biocombustíveis têm crescido a médias anuais que variam entre 15% e 50%. Biomassa e geotérmica também têm tido crescimento expressivo. A que contribuiu com a maior oferta foi a eólica. A hidrelétrica, mesmo crescendo pouco, mas concentrada em alguns grandes projetos, foi a segunda fonte em adição de capacidade. Solar fotovoltaica foi a terceira.</p>
<p>Esse crescimento foi importante em vários países. Neles, a fatia das renováveis na oferta total de energia, inclusive aquecimento e transportes, está aumentando rapidamente. No EUA, em 2010, a energia renovável representou 10,9% da produção primária de energia, quase alcançando a nuclear, com 11,3%, um crescimento de 5,6% em relação a 2009. Na China, foram adicionados 29 Gw de renováveis no sistema elétrico, de um total de 263 Gw (11%), o que representou crescimento de 12% sobre 2009. A energia renovável representou aproximadamente 26% do total da capacidade elétrica instalada na China, 18% da geração e mais de 10% do consumo total, em 2010. Na Alemanha, 11% do consumo final de energia foram supridos por fontes renováveis, que representaram 16,8% do consumo de eletricidade, 9,8% da geração de calor, principalmente de biomassa, e 5,8% do consumo de combustíveis para transportes.</p>
<p>A eletricidade eólica respondeu por quase 36% da geração por renováveis, seguida pela biomassa, hidrelétrica e solar fotovoltaica. Em 2010, supriu 22% da demanda por eletricidade na Dinamarca, 21% em Portugal, 15.4% na Espanha e 10.1% na Irlanda. Pelo menos 83 países têm hoje alguma capacidade de geração de eletricidade eólica instalada. Capacidade solar fotovoltaica foi instalada em mais de 100 países no ano de 2010.</p>
<p>Há pelo menos 20 países no Oriente Médio, no Norte da África e na África Subsaariana com mercados de energia renovável em crescimento. Em vários países pobres da África, parques eólicos desenhados para populações de baixa renda &#8211; em muitos casos mini-estações domésticas &#8211; não apenas levaram eletricidade aos pobres, como permitiram que passassem a ter acesso à Internet e possibilitaram a expansão da telefonia móvel. Essa combinação da eletrificação com a comunicação (Internet e telefonia móvel) está revolucionando a vida dessas pessoas, abrindo-lhes novos horizontes de avanço pessoal pela educação e progresso material.</p>
<p>Está ficando cada vez mais claro que a economia de baixo carbono, puxada pela energia renovável, principalmente eólica, solar e biomassa, é um caminho novo de desenvolvimento, que permite alcançar simultaneamente a sustentabilidade e a melhoria do bem-estar.</p>
<p>Outro aspecto importante desse avanço das renováveis é o deslocamento da produção da Europa e do EUA para a Ásia, com o aumento dos parques industriais para esses setores na China, Índia e Coreia do Sul. Mas é preciso notar que está ocorrendo, também, neste processo, um <a href="http://www.renewableenergyworld.com/rea/news/article/2011/09/solar-manufacturing-dilemma-location-locaiton-location">descolamento</a> entre inovação e produção. Os principais centros de pesquisa e inovação continuam localizados no EUA e na União Europeia. </p>
<p>De qualquer forma, a diversificação geográfica dos mercados e da indústria de equipamentos para energia renovável tem aumentado a confiança nessas fontes, que se tornam menos vulneráveis às oscilações de políticas ou aos ciclos de mercado em qualquer região em particular.</p>
<p>O Brasil é quem está mais atrasado entre as potências emergentes nesse esforço pela conquista da economia da energia renovável. Só agora começou a investir em eólica, mas nosso parque ainda é muito pequeno, principalmente em confronto com nossa capacidade e com a <a href="http://www.greatenergychallengeblog.com/blog/2011/09/21/a-surge-of-wind-over-brazil/">eficiência que os parques eólicos</a> conseguem nas melhores áreas do país. Não investe nada em solar fotovoltaica, onde tem também enormes vantagens competitivas. Dessa forma, desperdiça a oportunidade de liderar na implantação de usinas híbridas, eólico-fotovoltaicas, dobrando a eficiência do uso da terra e aproveitando da grande complementaridade entre essas duas fontes, abundantes e de boa qualidade em praticamente todo o território nacional.</p>
<p>Tampouco incentiva o desenvolvimento da indústria de equipamentos e filmes para PV, preferindo incentivar setores tradicionais de alto carbono. O que dizer do investimento em inovação. Nem mesmo na pesquisa e desenvolvimento de biocombustíveis de segunda geração tem investido o necessário para manter a liderança que conquistou no mercado de biocombustíveis de primeira geração, com o etanol de cana.</p>
<p>A REN21 é uma rede que objetiva promover a energia renovável globalmente: Rede Global de Políticas para Energia Renovável no Século 21. É responsável pela série de levantamentos sobre a evolução das energias renováveis no mundo, dos quais o <a href="http://www.ren21.net/REN21Activities/Publications/GlobalStatusReport/GSR2011/tabid/56142/Default.aspx">Renewables 2011: Global Status Report</a>, é o mais recente.</p>
<p>Ouça meu comentário na CBN:</p>
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