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	<title>Ecopolitica &#187; eleições</title>
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	<description>Política Mudança Climática Século XXI</description>
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		<title>Incerteza política faz investimento de risco em tecnologias limpas cair no EUA</title>
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		<pubDate>Tue, 07 Feb 2012 12:21:44 +0000</pubDate>
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<p>Os investimentos de risco em energia limpa <a href="http://www.ey.com/US/en/Newsroom/News-releases/2011-US-venture-capital-investment-in-cleantech">caíram</a> 4,5% no EUA, em 2011. A incerteza política teve mais impacto negativo que a fragilidade da economia. Os investimentos globais do setor, porém, cresceram 5% e os investimentos em setores &#8220;maduros&#8221; de energia renovável (eólica, fotovoltaica e baterias para carros elétricos) cresceram 253%. Na China e na Índia os investimentos em energia renovável continuam a crescer.<span id="more-3273"></span></p>
<p>Nos Estados Unidos, a incerteza eleitoral e a oposição feroz dos republicanos ao programa de incentivos à energia renovável, foram mais importantes na retração dos investidores do que a conjuntura econômica ainda claudicante. Na Europa, apesar da crise, os investimentos em energia renovável se mantiveram. O parque eólico europeu <a href="http://www.guardian.co.uk/environment/2012/feb/06/wind-power-europe-grew-2011">cresceu bastante</a> em 2011, resultado de investimentos, nos anos anteriores, que se sustentaram apesar da crise. Foram adicionados 93.957 MW de eletricidade eólica ao sistema europeu. Usinas offshore no Reino Unido e em terra na Suécia e na Alemanha deram a maior contribuição a esse crescimento. A energia eólica representou 71% do total de nova capacidade elétrica instalada na Europa em 2011.</p>
<p>&#8220;Apesar da crise econômica na Europa, a indústria eólica continua a installer níveis significativos de nova capacidade&#8221;, disse Justin Wilkes, diretor da Associação Europeia de Energia Eólica.  Para cumprir as metas de logo prazo da União Europeia será necessário que o setor continue a crescer com vigor nos próximos anos. A vantagem da Europa é que não há incerteza política com relação à decisão de desenvolver os setores de baixo ou zero carbono. Mesmo no Reino Unido, onde políticos conservadores criticaram recentemente a política &#8220;verde&#8221; do governo, os liberal-democratas, sócios na coalizão governista, saíram em sua defesa e vários políticos conservadores declararam seu apoio à continuidade de políticas voltadas para a economia verde ou de baixo carbono.</p>
<p>No EUA, o partido republicano ainda se nega a reconhecer o consenso científico sobre a ameaça da mudança climática global, ataca os programas de apoio a tecnologias e energias limpas e defende a economia fóssil. Como a popularidade do presidente Obama está abaixo da zona de conforto eleitoral, o temor de uma vitória republicana fez os investidores reduzirem a aposta nesses setores.</p>
<p>Mas Obama vem recuperando, progressivamente o favoritismo. No final da semana passada, enquanto os republicanos avançavam rumo à escolha de Mitt Romney para disputar a presidência com o presidente Obama, a popularidade presidencial evoluiu um pouquinho mais. A aprovação e reprovação ficaram em 46%, na última pesquisa do tracking da Gallup que avalia a popularidade em médias móveis de três dias. Significa que a popularidade líquida está em zero, portanto no ponto de neutralidade, deixando de afetar negativamente o voto na reeleição do presidente.  Na média de 3 de janeiro a 2 de fevereiro, a aprovação estava em 45% e a reprovação em 48%, portanto popularidade líquida de &#8211; 3%. A reprovação caiu 2 pontos e a aprovação aumentou 1 ponto. No começo de janeiro (7-9/1), a situação era bem mais negativa para Obama: aprovação de 42% e reprovação de 50%, líquida negativa de &#8211; 9%.</p>
<p>A que se deve essa recuperação lenta, mas aparentemente consistente, da popularidade presidencial? Em primeiro lugar, à recuperação também muito lenta da situação econômica. Embora tênue, ela começa a reduzir o desconforto econômico em algumas áreas, setores e parcelas da população. A economia do EUA tem vários ciclos regionais diferenciados, nem sempre sincronizados entre si. Em algumas regiões a economia já está com desempenho bem melhor do que em outras. Algumas indústrias já mostram desempenho mais robusto. Essa recuperação desigual explica também a recuperação lenta das expectativas e da popularidade. Em segundo lugar, melhora a popularidade o fato de Obama ter dado início à sua campanha para reeleição. Como ainda está em regime de lançamento progressivo, esse efeito ainda é tênue, mas a tende a aumentar rapidamente. A vantagem de Obama sobre Romney nas pesquisas de intenções de voto melhora mais rapidamente do que a popularidade. No tracking da <a href="http://www.rasmussenreports.com/">Rasmussen</a>, a aprovação de Obama ainda aparece mais baixa do que no <a href="http://www.gallup.com/tag/Presidential%2bJob%2bApproval.aspx">Gallup</a>, porque se baseia em uma amostra de prováveis eleitores (na amostra sobre o total de adultos a popularidade é mais alta). Na média móvel do tracking, de 2-4 de fevereiro, a vantagem de Obama sobre Mitt Romney aumentou, saindo de um empate técnico, para uma vantagem de 4 pontos percentuais 47% a 43%. Na média do <a href="http://www.realclearpolitics.com/epolls/2012/president/us/general_election_romney_vs_obama-1171.html">Real Clear Politics</a>, a tendência de Obama (com 48,5%) é de crescimento e a de Romney (com 45,5%) de queda.</p>
<p>Com a recuperação do favoritismo de Obama, os níveis de risco e incerteza política em relação aos programas de incentivo à economia verde caem e os investimentos tendem a voltar a crescer. Na Europa as metas compulsórias garantem um piso sustentado para esse investimentos. Nas grandes economias emergentes, especialmente China e Índia, os investimentos em tecnologias limpas, particularmente energias renováveis continuam a crescer. A perspectiva de mercado para a economia verde é boa, embora pudesse ser bem melhor. O ponto mais frágil ainda é da falta de ambição nas políticas governamentais, especialmente a persistência de incentivos contrários, que beneficiam a economia fóssil, como os subsídios aos combustíveis fósseis. A coordenação internacional das políticas também é frágil. As instituições multilaterais, em particular do sistema da ONU, estão claramente aquém das necessidades.</p>
<p>Meu comentário na CBN está <a href="http://glo.bo/9KYOiU">aquí</a>.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>A democracia anda descolada da maioria</title>
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		<pubDate>Wed, 15 Jun 2011 14:35:58 +0000</pubDate>
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Sérgio Abranches
Há uma distância crescente entre a vontade da maioria social e o comportamento do Legislativo.
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<p style="text-align: center;">Sérgio Abranches</p>
<p>Há uma distância crescente entre a vontade da maioria social e o comportamento do Legislativo.<span id="more-2238"></span></p>
<p>O que há de errado com a democracia representativa? Ela representa somente os interesses organizados, os grupos dos incluídos nas decisões das elites, os que têm mais recursos econômicos, de organização, participação, mobilização e pressão. Os interesses difusos, os que têm menos recursos dos tipos acima e a maioria silenciosa ficam de fora da representação, embora tenham grande peso eleitoral.</p>
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		<title>A “peemedebização” da política brasileira</title>
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		<pubDate>Mon, 30 May 2011 15:20:29 +0000</pubDate>
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Sérgio Abranches
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<p style="text-align: center;">Sérgio Abranches</p>
<p>A mentalidade típica do PMDB domina a política brasileira em praticamente todo seu espectro partidário. É a marca da política sem ideias ou ideais, voltada apenas para o controle dos cargos partidários, como trampolim para a conquista de cargos nos governos, nos três níveis da federação. Nos últimos encontros do PT, a disputa em torno de teses programáticas cedeu lugar à competição pelos cargos no partido e no governo. A convenção do PSDB foi marcada por um impasse em torno de cargos. Os dois partidos estão se peemedebizando.<span id="more-2132"></span></p>
<p>A convenção do PSDB no final da semana, da mesma forma que a última convenção do PT revelou essa preocupante transformação. Os dois partidos que controlaram a presidência por praticamente duas décadas, do final do século passado até pelo menos a metade da segunda década deste século, estão ficando iguais ao PMDB. Condomínios de facções e lideranças regionais, voltadas para a disputa de cargos, sem projeto político, econômico e social para o futuro do país.</p>
<p>O PMDB nasceu de um partido, o MDB, que tinha um projeto: a transição democrática. Criado pelos militares para ser oposição bem comportada, sempre teve suas alas rebeldes, que desafiavam os limites do consentimento militar, para fazer oposição mais dura. Muitos foram ceifados pelas repetidas e numerosas listas de cassações, presos, exilados. Na média, o MDB acabou mesmo sendo o partido da saída negociada do regime militar. Cumpriu um papel histórico importante, eu diria até necessário, dadas as circunstâncias e o contexto.</p>
<p><strong>A “peemedebização” do PMDB</strong></p>
<p>O MDB se transformou em PMDB, ainda na fase da chamada “abertura” do regime militar, oito anos antes da Constituinte de 1988. Essa mudança, forçada pelos militares, não foi apenas a adição de um “P” ao nome da legenda. O partido ia estreitando seu campo de visão política, incorporou, meio na marra, setores mais clientelistas e menos programáticos. Simultaneamente começavam a surgir as alternativas: PT (1980), PDT (1981 data do registro no TSE), PSDB (1988).</p>
<p>Entre 1980 e 1988, o partido ainda abrigava sob seu generoso guarda-chuva lideranças e intelectuais que vislumbravam uma nova política para o país, depurada dos vícios da Segunda República (1945-1964) e que se situavam em algum ponto da centro-esquerda no gradiente político brasileiro, que nunca foi muito forte em ideologias partidárias. Eram herdeiros das legendas mais progressistas de classe média do passado pré-militar, caracterizadas por terem mais intelectuais e lideranças políticas de apoio social difuso, que seguidores e militantes. O PT surgia, como os partidos social-democratas europeus, com forte enraizamento do movimento do operariado do setor metal-mecânico em aliança com lideranças oriundas das classes médias e dos meios intelectuais.</p>
<p>O MDB/PMDB dos anos 1980 foi o partido da transição e da Constituinte. Depois disso se tornou em condomínio de facções regionais. O grupo dissidente dessa vertente clientelista é cada vez menor. Foi nos dois pólos da centro-esquerda, PT e PSDB, que surgiram as duas propostas rivais para a transição democrática brasileira, “pós-Constituinte”. Não por acaso, na célebre entrevista a Míriam Leitão para a revista Playboy, de 1984, Fernando Henrique Cardoso vaticinou que havia duas lideranças dessa nova política que chegariam à Presidência: ele mesmo e Lula. A entrevista ficou imerecidamente conhecida pela frase relativamente banal sobre maconha, usada com astúcia e má fé por Jânio Quadros na campanha para a prefeitura de São Paulo. Seus maiores méritos, entretanto, estavam na visão prospectiva da política brasileira, que já ali apontava tendências que se confirmariam muitos anos depois.</p>
<p><strong>PSDB e PT na consolidação da Terceira República</strong></p>
<p>Pode-se discordar do PSDB e do PT, mas o fato histórico inarredável é que ambos exerceram papel fundamental na consolidação da Terceira República no Brasil. O PSDB modernizou a economia brasileira e coroou, com muito méritos próprios, o processo de estabilização, que erradicou a hiperinflação indexada de nossa vida econômica. O extraordinário relato de Míriam Leitão em seu novo livro, Saga Brasileira: A Longa Luta de um Povo por sua Moeda, demonstra o valor histórico e estrutural desse esforço de vários governos. Não por acaso, Lula, ao assumir o governo da República, manteve as bases de continuidade da estabilidade monetária.</p>
<p>Mas a principal contribuição de seu governo, como disse recentemente com muito acerto Wanderley Guilherme dos Santos, foi expandir vigorosamente a política de transferência de rendas, promovendo a superação do que ele caracterizou como “cidadania regulada”. Cidadania regulada pela carteira de trabalho. Os programas sociais focalizados, voltados para os efetivamente destituídos, asseguram ao maior número de brasileiros pobres o  mínimo indispensável à observância dos direitos sociais da cidadania. Ainda há resquícios da cidadania regulada na Previdência, no Seguro Desemprego e no FGTS. Mas, na política social, ela o Bolsa Família levou à sua superação definitiva. Com na política de estabilização, esse processo teve a participação de outros governos. O programa bolsa-escola, no plano local de estadual e o Comunidade Solidária, conduzido por Ruth Cardoso no governo do PSDB, que adotou o bolsa-escola no plano federal, foram precursores. Mas inegavelmente foi com o alcance do Bolsa Família, que se chegou à efetiva superação da cidadania regulada oriunda do varguismo.</p>
<p><strong>Esvaziamento</strong></p>
<p>PSDB e PT perderam, porém, o fio da meada programática ao passarem pelo governo federal. O PSDB deixou o governo e jamais soube exercer o papel de oposição. Principalmente, o papel essencial de preparar proposta alternativa, voltada para o futuro, que vá além do que foram os governos anteriores e que desse novos em mais largos passos para levar a cabo o processo de modernização inacabada do país. Educação, ciência e tecnologia, mudança climática, reformas institucionais que permitam aperfeiçoar e aprofundar a democracia, mecanismos anti-corrupção e de controle ético da política, para mencionar alguns temas essenciais. O PT, que exerceu oposição dura e com propostas alternativas, ao chegar ao governo perdeu a capacidade de formulação. O partido cedeu sua autonomia de pensamento ao governo de coalizão voltado para o controle de cargos e sob domínio moral do peemedebismo.</p>
<p>Chega a ser patético que o ponto de impasse no PSDB tenha sido a disputa pela presidência do Instituto Teotônio Vilela, supostamente o braço de pesquisa e formulação de políticas do partido. Mas há muito não se vê qualquer contribuição relevante do ITV. O que ele tem de interesse para os políticos, no momento, é um percentual dos recursos do fundo partidário, sala em anexo do Senado em Brasília e staff. Aparentemente é o que estava em disputa. Porque não se viu em discussão proposta de agenda de temas e problemas que deveria tratar para ser mais efetivo em sua finalidade específica.</p>
<p>Esse trânsito do PT e do PSDB da política de afirmação de teses para a política de ocupação de cargos marca a peemedebização de ambos. Sem base em políticas públicas consistentes e abrangentes, a disputa por cargos vira um meio para desenvolver clientelas, conquistar cabos eleitorais e chefes de currais eleitorais. É essa busca que dá força, por exemplo, a grupamentos transpartidários como o dos ruralistas. É esse tipo de “prêmio” que faz bancadas sem orientação própria aderirem a propostas como a de mudança do Código Florestal, que não constituem política pública. São só instrumento para realizar os interesses privados desses grupos.</p>
<p>Esses ex-partidos, como o PMDB, transformados em condomínios de interesses de facções políticas ou regionais, não têm capacidade de formular políticas. Só de partilhar cargos e verbas para apropriação dos condôminos para seu benefício pessoal e dos grupos de interesses a eles associados. A noção de “grupos de interesses” tem sido interpretada como se fosse sinônimo de grupos econômicos. Não é. Um grupo de interesse pode ser uma facção partidária ou política, um setor sindical, um determinado setor da sociedade. Qualquer grupo que tenha interesses comuns que, quando atendidos, permite-lhes a apropriação privilegiada de benefícios gerados pelo estado ou pela política.</p>
<p><strong>Caminhos para a renovação partidária</strong></p>
<p>Esse processo de exaustão do ânimo programático, de afrouxamento ético e de perda de consistência dos partidos é mais comum do que se imagina. Basta ver o que se passa com a social democracia alemã, o SDP, com o Trabalhismo inglês ou com o PSOE espanhol. Tudo indica que, à exceção dos Estados Unidos, os partidos nas sociedades democráticas tendem a viver esses ciclos de renovação e exaustão programática.</p>
<p>A história mostra que há dois caminhos para a revitalização da estrutura partidária, diante desse estiolamento dos partidos. Um deles, mais infrequente e geralmente associado a momentos de transição política e estrutural, é o surgimento de novas legendas, como alternativas à velha ordem partidária. Foi em parte o que aconteceu no Brasil nos anos 1980.</p>
<p>O outro, mais frequente, é a renovação por dentro, conduzida por lideranças inconformadas e capazes de formular uma nova plataforma programática para o partido. Foi o que aconteceu com o partido Trabalhista inglês, com Tony Blair e sua terceira via e que lhe valeu longa permanência no poder. No caso, Blair trouxe o partido da esquerda para a centro-esquerda mais liberal. O mesmo ocorreu no PSOE, com Felipe González. Ambos, não por acaso, estão novamente em crise. No caso inglês, os Conservadores capturaram a agenda liberal dos Trabalhistas e lhe deram uma roupagem neo-conservadora. Com o descontentamento gerado pela crise econômica, os Trabalhistas perderam voto, mas os Conservadores não avançaram na mesma proporção. O eleitorado se dividiu e fortaleceu, ao que parece temporariamente, os Liberal-Democratas, forçando uma coalizão inédita. Na Espanha a falta de alternativas está levando a uma rebelião dos jovens que pode ter repercussões bastante mais profundas do que se imagina.</p>
<p>No Brasil, os sintomas de busca de alternativas por parte do eleitorado são claros. A campanha presidencial da candidata do PSOL, Heloísa Helena, em 2006, foi o primeiro. Apesar de, ao final, ter conseguido apenas 7% dos votos, nas pesquisas ela apareceu bastante mais forte, enquanto manteve um discurso mais forte de denúncia política. O segundo sinal foi bastante mais incisivo. Os quase 20% de votos dados a Marina Silva mostraram um desejo de renovação política muito mais articulado e disseminado na sociedade.</p>
<p>Difícil dizer o futuro. Mas uma coisa é certa. Com essa peemedebização da política, o Brasil não será capaz de resolver os graves impasses para realmente avançar ao longo deste século. A crise partidária tende a se tornar uma crise política e a crise política pode alimentar uma crise econômico-social. Se a alternativa não aparecer nesse período de esvaziamento dos partidos dominantes, pode muito bem surgir nas outras crises mais graves e mais custosas.</p>
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		<title>Desmatamento vai aumentar com voto da Câmara sobre Código Florestal</title>
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		<pubDate>Wed, 25 May 2011 19:53:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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Sérgio Abranches
O desmatamento vai aumentar. Aumentou com a expectativa de aprovação das mudanças no Código Florestal. Vai aumentar mais com a aprovação na Câmara. O novo código é uma licença prévia para desmatar. A licença permanente virá, se o Senado aprovar o que a Câmara fez e o Executivo sancionar.
Não por outra razão, ontem, quando [...]]]></description>
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<p style="text-align: center;">Sérgio Abranches</p>
<p>O desmatamento vai aumentar. Aumentou com a expectativa de aprovação das mudanças no Código Florestal. Vai aumentar mais com a aprovação na Câmara. O novo código é uma licença prévia para desmatar. A licença permanente virá, se o Senado aprovar o que a Câmara fez e o Executivo sancionar.<span id="more-2113"></span></p>
<p>Não por outra razão, ontem, quando estavam seguros da vitória os ruralistas passaram a reconhecer que para eles não dá para produzir sem desmatar. Anistia indiscriminadas e injustificadas alimentam a certeza da impunidade. Esse tipo de abertura desmoraliza qualquer lei e qualquer regra. É um risco moral, além de ser um risco real e imediato.</p>
<p>Aliados dos ruralistas que preferem aparecer como “moderados”, “independentes”, ou uma “terceira via” entre os ambientalistas e os ruralistas, quando arrolam as virtudes do que se passou na noite de ontem na Câmara, mostram que a distância que os separa dos ruralistas é quase nenhuma, mas é enorme a que os aparta dos ambientalistas.</p>
<p>Dois argumentos muito usados por eles após a votação para desqualificar as críticas ao que foi aprovado merecem resposta.</p>
<p>A primeira diz que agora o agronegócio está legalizado. É uma falácia lógica e jurídica. Desde o início da teoria democrática do direito, sempre esteve claro que a liberdade se dá no silêncio da lei. Thomas Hobbes celebrizou e eternizou essa expressão, que significa dizer: qualquer ato que a lei não proíba explicitamente está permitido. No caso, não havia silêncio da lei: a proibição era gritante. Na maioria dos casos alcançados pelas mudanças, o ato ilegal foi realizado na existência de lei que o vedava e não se pode alegar desconhecimento da lei. Logo só caberia uma forma de legalização legítima: a obediência à lei, a retificação dos atos ilegais, o pagamento das multas pertinentes. Reescrever a lei para enquadrá-la aos desígnios de um grupo, em detrimento do interesse coletivo, não é legalizar. É relaxar a lei. </p>
<p>O argumento da legalização, tal como vem sendo usado, só valeria para casos como daqueles que respeitavam a lei na Amazônia, mantendo reservas de 50%, quando a reserva foi elevada para 80%. Aí, seria justificada a não punição e a situação poderia merecer um programa específico para ajudar os produtores a se enquadrarem na nova regra. Até admitir-se-ia a consolidação dessa situação &#8211; ou seja não exigir a recomposição dos 20% faltantes &#8211;  quando comprovadamente o desmatamento até 50% tivesse ocorrido antes da nova regra. Evitaria a retroatividade da regra. O argumento da retroatividade é usado convenientemente, apenas a favor dos que descumpriram a lei. Mas o que este projeto aprovado pela Câmara e que ainda deve passar pelo Senado e pelo crivo presidencial faz, é retroagir a favor deles. Por coerência, a nova lei só deveria valer para atos e situações posteriores a sua entrada em vigor.</p>
<p>Nos casos de ilegalidade pura e simples, legalizar só pode significar  “enquadrar na lei” e arcar com os custos de tê-la desrespeitado. Mas o que estão fazendo é “enquadrar” a lei à prática ilegal. Estreitar a regra para permitir que os que desrespeitaram a lei vigente sejam considerados “legais” posteriormente, em virtude de nova lei. Um grave precedente, que desmoraliza a lei.</p>
<p>Um exemplo do efeito de desmoralização que tal atitude pode ter é o do “município verde” no Pará. Recentemente, 80 municípios do Pará aderiram a este <a href="http://www.ecopolitica.com.br/2011/05/06/mirem-no-exemplo-daqueles-que-produzem-obedecendo-a-lei-florestal/">programa</a>, que inclui um “pacto vinculante”, o qual impõe metas para alcançar o desmatamento zero. Resultado de uma longa caminhada, que passou pelo Pacto de Desmatamento Zero, em Paragominas, e pelo programa “Carne Legal”, lançado pelo Ministério Público Federal do Pará. A anistia e o afrouxamento da lei aprovados pela Câmara, tiram toda capacidade de persuasão das lideranças que vinham conseguindo atrair produtores e madeireiros para esse pacto. Por que aderir, se os que se comportam mal ganharam uma lei para facilitar sua vida? Outro exemplo claro de desmoralização é o aumento do desmatamento induzido pela expectativa da anistia.</p>
<p>O segundo argumento diz que criticar decisão do Congresso significa não aceitar a via democrática. Também é falso. Desconsidera as numerosas falhas que podem ocorrer no funcionamento da democracia representativa que permitem que se formem maiorias ilusórias ou desvinculadas da maioria social. Uma cadeia de disfuncionalidades que vão desde falhas na representatividade do processo eleitoral, até o poder desigual dos interesses abonados e dos lobbies no processo legislativo podem produzir más decisões, que ferem princípios democráticos fundamentais. Fazem com que uma instituição da democracia, como o Congresso certamente é, opere de forma não democrática, oligárquica ou monopolista. Isso ocorre quando a maioria do parlamento é capturado por interesses específicos, que têm mais poder e influência política do que representatividade social. Os 410 votos, no caso, representaram um grupo específico da sociedade brasileira e não a “vontade popular”. Outros grupos, certamente mais numerosos, se manifestaram, mas não foram ouvidos e acabaram representados por um punhado de 63 votos. Essa minoria foi a expressão simbólica da voz cortada de todas as partes da sociedade brasileira que desejavam uma solução pluralista, técnica e que de fato conciliasse preservação e produção, de forma justa e durável.</p>
<p>Deve-se considerar também a questão da substância e da qualidade das decisões democráticas. O Congresso contemporâneo está obrigado a buscar fundamentação técnica e científica para decidir sobre questões, como esta, complexas, que têm múltiplos e conhecidos fundamentos técnicos e científicos. Na entrada da segunda década de um século marcado por desafios que exigem respostas prontas, precisas e cautelosas das sociedades, decisões com o alcance desta que está sendo tomada, não poderiam desrespeitar parâmetros técnicos e científicos.</p>
<p>A Câmara dos Deputados desprezou, porém, a opinião de técnicos e cientistas e o depoimento de 10 ex-ministros do Ambiente, que participaram de toda a evolução legislativa de conteúdo ambiental, desde a primeira versão do código florestal. Desprezou o alerta dos cientistas e a experiência de ministros que cobriam o mais amplo espectro político possível: vinham de distintos regimes, desde a ditadura, passando pela transição pré-88, e de todos os governos da terceira república, inaugurada com a Constituição de 1988. Havia ministros de diferentes partidos e ministros sem filiação partidária. Disseram consensualmente: a proposta é ruim para o país e para a agricultura competitiva e sustentável. Pediram que se adiasse a votação e se redigisse um projeto à altura dos desafios que o país tem pela frente, e de suas vocações: produção agropecuária &#8211; que só pode ser sustentável, em toda a sua cadeia &#8211; e biodiversidade, que precisa ser reconhecida como um valor econômico superior. Foi, portanto uma decisão, na substância, sem qualidade. Ser da maioria não a exime de seus defeitos. Nem criticá-la significa atitude antidemocrática. Muito pelo contrário, inclusive porque o processo ainda não acabou. Fazem parte da instituição democrática a revisão pelo Senado e o veto presidencial. São parte essencial do sistema de pesos e contrapesos da democracia.</p>
<p>Os comunistas que ainda se lembrem da doutrina que outrora professaram certamente terão sabido um dia o sentido do conceito de “falsa consciência”. Noção similar foi desenvolvida pela análise política contemporânea. Nem sempre os grupos e as pessoas têm a perfeita compreensão de seus interesses de longo prazo, seus interesses duráveis e essenciais. Esse fenômeno se explica pelo fato de que mergulhados na prática cotidiana e pressionados por problemas presentes, de curto prazo, perdem a visão mais longa e confundem questões tópicas com seus interesses permanentes. Esse é o caso daqueles produtores sérios, que querem respeitar a lei &#8211; muitos já a respeitam &#8211; e precisam ter produção reconhecidamente sustentável para terem acesso aos melhores mercados, mas que se deixaram representar por aqueles que só têm interesses passageiros, de curto prazo. As mudanças atendem ao interesses dos que só têm interesse de curto prazo. Produtores predatórios, que superexploram a terra, tiram dela o máximo, no menor prazo e, quando ela se exaure, pelos maus tratos, quando a água se vai, abandonam tudo e saem em busca de terras virgens para começar novamente esse ciclo curto de prosperidade passageira e devastação permanente. Para esse tipo de produtor, sem dúvida, não dá para produzir sem desmatar.</p>
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		<title>EUA: o verão do impensável?</title>
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		<pubDate>Mon, 16 May 2011 20:03:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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Sérgio Abranches
Quando George Bush, republicano conservador, começou a destruir o equilíbrio orçamentário inédito em muitas décadas arduamente conquistado pelo democrata Bill Clinton, ninguém diria que um presidente democrata enfrentaria risco de default três anos depois.
Talvez não chegue a ser um black swan. Mas está na categoria do “pensar o impensável”. Pois hoje, nenhum analista bem [...]]]></description>
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<p>Sérgio Abranches</p>
<p>Quando George Bush, republicano conservador, começou a destruir o equilíbrio orçamentário inédito em muitas décadas arduamente conquistado pelo democrata Bill Clinton, ninguém diria que um presidente democrata enfrentaria risco de default três anos depois.<span id="more-2055"></span></p>
<p>Talvez não chegue a ser um black swan. Mas está na categoria do “pensar o impensável”. Pois hoje, nenhum analista bem informado de Washington estaria disposto a descartar que este possa vir a ser o verão do impensável: moratória do Tesouro do EUA. Obama enfrenta um duro desafio. Os republicanos, responsáveis pela gastança que transformou o superávit fiscal em déficit, querem colocá-lo no córner. Só votam para elevar o nível legal de endividamento e evitar o default se Obama aceitar proposta de cortes adicionais de gastos. É uma forma de empurrar o presidente democrata para um caminho que irritará muitos eleitores, nas portas da campanha presidencial. Se aceitasse a moratória, Obama criaria uma crise financeira global de enormes proporções, destruiria a credibilidade do dólar e do icônico T-Bond de 30 anos. Isso também o colocaria em dificuldades nas eleições.</p>
<p>Já não bastasse o inverno rigoroso, que teve consequências econômicas negativas e custou vidas. Este início de verão trouxe chuvas intensas, que ameaçam fazer o Mississipi inundar a traumatizada cidade de New Orleans e a capital do estado, Baton Rouge. Os custos para a agricultura local já são elevados. Milhares de pessoas estão desalojadas. O dano patrimonial é muito grande já e o custo para a indústria de seguros muito alto e com risco de se elevar ainda mais. Agora até o T-Bond está ameaçado.</p>
<p>O TBond é um marco na geografia dos “safe heavens”, das zonas de segurança do mercado financeiro. É para onde todos os investidores correm quando o risco está muito alto e permeia todos os mercados. Só China e Japão detém mais de US$ 2 trilhões de T-Bonds. O Brasil deve ter perto de US$ 200 bilhões.</p>
<p>Uma vez, em um seminário na Suíça, um ex-Chancellor of the Exchequer me disse que havia uma forma simples de determinar a credibilidade e solidez financeira de um país. “Basta verificar se as pessoas estariam dispostas a aplicar suas poupanças em um título de 30 anos do Tesouro desse país. São muito poucos os que passam hoje neste teste, mas todos os países devem tentar atingir esse status.” O EUA era um desses poucos e o TBond de 30 anos tem sido um símbolo de segurança.</p>
<p>A Secretaria do Tesouro, consciente de que pode não haver acordo em tempo hábil &#8211; o limite legal de endividamento foi alcançado nesta segunda-feira &#8211; começa a planejar atraso em pagamentos. Será preferível atrasar pagamentos a fornecedores, funcionários, pensionistas e tropas, que admitir a moratória.</p>
<p>Mas atrasar pagamentos não é saída. É paliativo de curto prazo. A única solução é um acordo no Congresso, que Obama vem negociando há semanas. Ele admite cortar mais gastos, mas quer definir onde cortar. Não vai aceitar os cortes republicanos, desenhados politicamente para causar-lhe o máximo de dano eleitoral.</p>
<p>Os republicanos não têm todos os trunfos na mão. Obama pode transferir para eles a culpa pelos atrasos de pagamentos. Sua popularidade está começando a se recuperar. Quanto mais dolorosos forem os atrasos para o eleitorado republicano, mais pressão o partido sofrerá e mais difícil ficará fazer um candidato viável. A popularidade do partido está em baixa, exatamente porque radicalizou demais. Além disso, a maioria não deseja a moratória. Uma<a href="http://www.washingtonpost.com/blogs/2chambers/post/republicans-tea-party-less-likely-to-see-potential-us-default-as-disastrous/2011/05/16/AFtHa24G_blog.html"> pesquisa de hoje</a> mostra que 56% dos eleitores acham que a moratória seria desastrosa para o EUA. Entre os democratas, 64% pensam assim, e entre os independentes, 55%. Mesmo dos que se auto-declaram republicanos, 49% têm a mesma opinião. Só 38% acham que a moratória não teria grandes consequências.</p>
<p>Na semana passada, os Republicanos perderam seu candidato mais popular, Mike Huckabee, ex-governador do Arkansas, terra de Clinton. Huckabee estava com dificuldades para financiar sua campanha, mas o anúncio de que não concorreria às primárias foi inesperado. Deixou o campo republicano mais complicado.</p>
<p>Não é uma situação fácil. O mais provável é que, ao final, saia um acordo de compromisso. Mas é uma situação muito perigosa para o equilíbrio financeiro e para o desempenho da economia global. E nós temos que nos precaver também.</p>
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		<title>Dilma: máximo apoio e mínima oposição</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Feb 2011 16:11:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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Sérgio Abranches
Governo consegue aprovar a lei do Salário Mínimo, com mínimo de oposição e máximo de fidelidade. A cada votação no Congresso, o que fica claro é que se travam batalhas vazias, por uma agenda velha, compartilhada por governo e oposição.Foi o primeiro teste político da presidente Dilma Rousseff no Congresso e ela passou muito [...]]]></description>
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<p style="text-align: center;">Sérgio Abranches</p>
<p>Governo consegue aprovar a lei do Salário Mínimo, com mínimo de oposição e máximo de fidelidade. A cada votação no Congresso, o que fica claro é que se travam batalhas vazias, por uma agenda velha, compartilhada por governo e oposição.<span id="more-1689"></span>Foi o primeiro teste político da presidente Dilma Rousseff no Congresso e ela passou muito bem por ele. Conseguiu, inclusive, algo inédito, que nem Fernando Henrique Cardoso, nem Lula da Silva conseguiram em seus mandatos, mesmo quando ambos estavam no auge da popularidade: 100% de fidelidade do PMDB. O partido superou inclusive o PT, que deu 88% de seus votos ao projeto de lei do governo.</p>
<div id="attachment_1691" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://www.ecopolitica.com.br/wp-content/uploads/2011/02/Galerias-Brizza-Cavalcante.jpg"><img class="size-medium wp-image-1691 " title="Galerias" src="http://www.ecopolitica.com.br/wp-content/uploads/2011/02/Galerias-Brizza-Cavalcante-300x197.jpg" alt="" width="300" height="197" /></a><p class="wp-caption-text">Foto de Brizza Cavalcante - Agência Câmara</p></div>
<p>O resultado foi obtido com as galerias cheias de sindicalistas que vaiavam ex-lideranças de seu próprio meio, como o Deputado Vicentinho, um ex-combativo presidente da CUT, e aplaudiam velhos adversários, como o deputado ruralista Ronaldo Caiado, do Democratas de Goiás, fundador da UDR, criada na época da Constituinte para barrar a reforma agrária. Cena no mínimo curiosa para a história da Câmara dos Deputados.</p>
<div id="attachment_1693" class="wp-caption aligncenter" style="width: 206px"><a href="http://www.ecopolitica.com.br/wp-content/uploads/2011/02/Vicentinho-por-Brizza-Cavalcante.jpg"><img class="size-medium wp-image-1693 " title="Vicentinho" src="http://www.ecopolitica.com.br/wp-content/uploads/2011/02/Vicentinho-por-Brizza-Cavalcante-196x300.jpg" alt="" width="196" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Foto de Brizza Cavalcante - Agência Câmara</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Vicentinho foi o relator bem-comportado do projeto de lei do Planalto. Aprovou a proposta na íntegra, rejeitou todas as emendas, defendeu o relatório na tribuna sob vaias intensas. Lideranças petistas se irritavam com a inversão da reação das galerias. Acostumados a verem o movimento sindical vaiando e apupando tucanos e aliados, não gostaram de terem passado a alvo dos que considera como “sua base”. Também se irritavam com os aplausos aos “adversários”. Ronaldo Caiado, fez enfático discurso pelo “direito dos trabalhadores a um salário digno”. Chegaram a ameaçar esvaziar as galerias.</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;</p>
<div id="attachment_1692" class="wp-caption aligncenter" style="width: 206px"><img class="size-medium wp-image-1692 " title="Caiado" src="http://www.ecopolitica.com.br/wp-content/uploads/2011/02/Caiado-por-Jorge-Serejo-196x300.jpg" alt="" width="196" height="300" /><p class="wp-caption-text">Foto de Jorge Serejo - Agência Câmara</p></div>
<p>O presidente da Câmara, o petista Marco Maia, convocou o deputado Paulo Ferreira, o Paulinho da Força, a controlar seus liderados, para que não se visse obrigado a retirá-los das galerias. O deputado Arlindo Chinaglia, também petista, e ex-presidente da Câmara, disse que os sindicalistas estavam regimentalmente proibidos de “aplaudir ou vaiar”. Durante algum tempo, as galerias passaram a ouvir os discursos petistas e governistas em geral de acintosamente de costas. Mas depois voltaram aos aplausos e vaias.</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;</p>
<div id="attachment_1694" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://www.ecopolitica.com.br/wp-content/uploads/2011/02/Marco-Maia-por-Diógenis-Santos.jpg"><img class="size-medium wp-image-1694 " title="Marco Maia" src="http://www.ecopolitica.com.br/wp-content/uploads/2011/02/Marco-Maia-por-Diógenis-Santos-300x197.jpg" alt="" width="300" height="197" /></a><p class="wp-caption-text">Foto de Diógenis Santos - Agência Câmara</p></div>
<p>As vaias dos trabalhadores irritaram, mas não fizeram os petistas recuarem. Preferiram não ouvir “as bases” e defender a lei de responsabilidade fiscal, a solvência da Previdência, o equilíbrio macro-econômico, indignando os trabalhadores e de seus ex-companheiros de PT agora no PSOL. Governo e oposição trocavam ataques, cada um dizendo que o outro fazia agora, o que condenava no passado. É isso, no passado estavam em posição diferente, quem hoje é governo, estava na oposição, quem era oposição estava no governo. Com exceção, é claro, do PMDB, que sempre está no governo.</p>
<p>Nada mais simbólico: a aguerrida oposição do passado enrolada nas mesmas bandeiras do governo a que acusava de neoliberal. Os partidos do governo então violentamente rejeitado pelo PT, fazenda a defesa dos trabalhadores e da correção salarial. Um a cara do outro, tipo eu serei você amanhã, como você é a cara do que fui ontem.</p>
<p>A oposição, que saiu das urnas diminuída, atordoada e sem projeto definido, conseguiu ainda se dividir. O PV, que faz bloco com o PPS, acusava da tribuna o PSDB de manobra desleal por retirar assinatura de emenda dos verdes, inviabilizando-a. Sua liderança dizia que o PSDB e o DEM queriam evitar o surgimento de uma “terceira força”. Atribuía a aprovação do projeto a um acordo tácito entre o governo e os dois maiores partidos da oposição. Apoio que permitiu que a lei fosse votada simbolicamente, com aprovação praticamente unânime e só três emendas fossem votadas nominalmente. A do PSDB, que propunha mínimo de R$ 600,00, derrotada por 376 votos a 106. A do DEM, que propunha mínimo de R$ 560,00, derrotada por 361 votos a 120. A terceira, do PPS, que retirava do texto a fixação dos próximos valores do mínimo por decreto, que o partido considerava inconstitucional, derrotada por 350 votos a 117.</p>
<div id="attachment_1695" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://www.ecopolitica.com.br/wp-content/uploads/2011/02/Plenário-por-Diógenis-Santos.jpg"><img class="size-medium wp-image-1695" title="Plenário" src="http://www.ecopolitica.com.br/wp-content/uploads/2011/02/Plenário-por-Diógenis-Santos-300x197.jpg" alt="" width="300" height="197" /></a><p class="wp-caption-text">Foto de Diógenis Santos - Agência Câmara</p></div>
<p>Esse quadro pode não se repetir no futuro. Era a primeira votação, os partidos não estavam dispostos a entrar em choque com a presidente. Ainda há espaço para negociar perdas e danos. O que mais se ouvia de peemedebistas e outros deputados do centrão da coalizão é que era preciso dar “um voto de confiança” à presidente Dilma. Uma senha que tem significado conhecido. Os partidos vão querer retribuição a essa inédita demonstração de fidelidade. No microfone, o líder do PR dizia que seu partido queria ser mais bem tratado pelo governo e que esperava ser “articulado de forma mais vigorosa” pela liderança do governo. Essa confiança pode ter sido generosamente irrigada por liberações aceleradas de emendas parlamentares restantes do ano passado. O ritmo de liberação de verbas públicas nesse período aumentou 441% em relação a janeiro, <a href="http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,liberacao-de-emendas-nas-vesperas-de-votacao-do-minimo-cresce-441,680495,0.htm">conta Marta Salomon</a>, no Estado de São Paulo.</p>
<p>Enfim, voto de confiança e em confiança, parece ter sido. Pode não ter sido inteiramente gratuito. Nem por isso foi menos importante. No primeiro teste no Congresso, a presidente Dilma Rousseff passou muito bem. Conseguiu inibir a oposição com uma defesa bem ensaiada por sua liderança de uma “política que dá previsibilidade inédita” ao salário mínimo. Conseguiu a unanimidade dos votos do PMDB, coisa rara de se ver no painel eletrônico da Câmara dos Deputados. É bem verdade que, pela tribuna, passaram bem menos peemedebistas do que petistas. O PT encarregou-se da defesa principal do projeto. Mas o líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), fez vigorosa defesa do projeto e de seu partido, das acusações de clientelismo. Arriscou que o voto seria unânime. Foi. Disse que foi, também, um voto consciente e programático, não interessado em cargos ou outros benefícios. Dificilmente terá sido um ato de tanto espírito público assim.</p>
<p>O líder do PMDB disse ao jornalista <a href="http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br">Josias de Souza</a>, da Folha de São Paulo, que “falam do PMDB ora com conceitos errados ora com preconceito. Ah, o partido vai retaliar porque não teve a nomeação tal. Ah, vai se vingar porque perdeu o cargo tal. Mostramos que o PMDB não é isso. (&#8230;) Mostramos que não nos pautamos por esse ou aquele cargo perdido.”</p>
<div id="attachment_1696" class="wp-caption aligncenter" style="width: 209px"><a href="http://www.ecopolitica.com.br/wp-content/uploads/2011/02/Henrique-Eduardo-Alves-Foto-de-Leonardo-Prado.jpg"><img class="size-medium wp-image-1696" title="Henrique Eduardo Alves" src="http://www.ecopolitica.com.br/wp-content/uploads/2011/02/Henrique-Eduardo-Alves-Foto-de-Leonardo-Prado-199x300.jpg" alt="" width="199" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Foto de  Leonardo Prado - Agência Câmara</p></div>
<p>Disse, também, que “as demandas já foram encaminhadas por todos os partidos. No caso do PMDB, o governo já sabe quais são as participações que o partido deseja. Está sendo feita uma sistematização, para não haver conflito com outras legendas. Vão nos dizer, daqui a 10 ou 15 dias, qual será o espaço do PMDB e dos outros partidos.” O PMDB, segundo ele não está interessado em compensações “queremos resgatar o conceito da sociedade, a história do PMDB”.</p>
<p>A história do PMDB é de clientelismo. A história diferente, de um partido movido por ideias, era a do MDB da resistência à ditadura. Deste não se consegue ver traços no PMDB de hoje. Quase todo ele já morreu ou deixou o partido, em busca de outras legendas. Já não há muito o que resgatar. Nem é possível acreditar que figuras centrais do partido atual, como José Sarney ou Renan Calheiros, sejam os portadores dessa história.</p>
<p>O episódio de ontem, na Câmara, é de qualquer forma significativo. O governo tem maioria e conseguiu mobilizá-la. Tinha uma defesa articulada da política que desejava aprovar. A oposição se mostrou fraca, dividida e sem ideia própria. Propor apenas valor 10% maior, como fez o PSDB, ou 2,75% maior, como fez o DEM, não é exatamente uma contraproposta de oposição. Oposições que divergem apenas incrementalmente dos governos não são realmente oposições. São minorias desabrigadas do poder.</p>
<p>Oposições em democracias orgânicas representam projetos políticos, econômicos e sociais distintos. A oposição, principalmente representada pelos maiores partidos fora do governo, PSDB e DEM, desde 2002, nada faz além de propor mais do mesmo apresentado primeiro por Lula, agora por Dilma. Mais do mesmo, é certo que os partidos governistas também querem. Fazer a mesma coisa melhor, com certeza, pelo menos uma parte dos governistas também quer.</p>
<p>O governo tem um projeto envelhecido para a economia, de alto carbono, baseado em indústrias e projetos típicos da etapa do segundo após-guerra do século XX, até final dos anos 1980. Um projeto datado e sem futuro sustentado ou sustentável. A oposição tem a mesma visão do governo.</p>
<p>O problema do Brasil é que não tem partidos ou forças políticas relevantes que entendam os desafios do século atual, principalmente das próximas duas décadas. Não há consciência, nem proposta para aproveitar as vantagens comparativas e competitivas que temos para encarar os principais riscos do século. Também não há consciência ou empenho em buscar a eliminação mais rápida possível das deficiências e desvantagens que temos para entrar na nova economia que vai se esboçando. Elas se concentram, principalmente, na educação, na geração de conhecimento e no desenvolvimento científico e tecnológico.</p>
<p>Por isso somos a única potência emergente do mundo que não tem políticas públicas, um projeto nacional capaz de dar respostas avançadas a esses desafios. Este é o calcanhar de Aquiles do governo e a razão da falência da oposição.</p>
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		<title>Egito: primeiros passos da transição ainda tímidos</title>
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		<pubDate>Mon, 14 Feb 2011 14:58:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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Sérgio Abranches
O Conselho Supremo das Forças Armadas do Egito dissolveu o parlamento e suspendeu a Constituição. Mas não levantou ainda o estado de emergência. O começo é positivo, mas tímido.
Algumas fontes sustentam que os militares podem formar um grupo, em breve, para fazer proposta de novo texto constitucional. O comunicado dos chefes militares estabeleceu prazo [...]]]></description>
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<p>Sérgio Abranches</p>
<p>O Conselho Supremo das Forças Armadas do Egito dissolveu o parlamento e suspendeu a Constituição. Mas não levantou ainda o estado de emergência. O começo é positivo, mas tímido.<span id="more-1677"></span></p>
<p>Algumas fontes sustentam que os militares podem formar um grupo, em breve, para fazer proposta de novo texto constitucional. O comunicado dos chefes militares estabeleceu prazo de seis meses para sua permanência no poder “ou até que se dêem as eleições”. Alguns interpretam esse prazo como máximo e imaginam que as eleições podem acontecer antes disso. Outros dizem que este é o prazo mínimo e poderá se estender até as eleições, caso elas não sejam possíveis em seis meses. Acho a segunda hipótese mais plausível.</p>
<p>A oposição quer mais. Primeiro, o fim do estado de emergência. Segundo, transparência. Os militares precisam abrir canais de interação com a oposição. Terceiro, mais detalhamento dos planos para a transição. O começo é tímido e há, ainda, muita incerteza. Algumas lideranças falam em voltar às ruas, caso não haja respostas mais rápidas. Mas parece que já há alguma <a href="http://english.aljazeera.net/news/middleeast/2011/02/201121484743645699.html">conversa construtiva</a> com a oposição. O executivo da Google que se tornou um dos heróis da resistência, Wael Ghonim e o blogueiro Amr Salama escreveram que encontraram os militares para entender os ponto de vista deles e apresentar o nosso. Eles disseram também que os militares prometeram uma nova constituição em 10 dias e submetê-la a referendo em dois meses.</p>
<p>Enquanto acerta os passos para a transição, o governo provisório precisa lidar urgentemente com a economia. Há greves de bancários e de transportes públicos, protestos da polícia e dos jornalistas da mídia estatal por melhores condições de trabalho e maiores salários. A economia está paralisada desde o início dos protestos. A receita de turismo, importantíssima, caiu a praticamente nada. Não há alternativa sem reformas econômicas rápidas. Parte importante da economia está nas mãos dos próprios militares. Outra parte era controlada por asseclas de Mubarak, todos ameaçados de processo por corrupção. A desapropriação e venda desses ativos parece inescapável. No caso da venda, o problema é o dilema entre estatizar &#8211; propensão forte, dada a magnitude do complexo industrial militar sob controle das Forças Armadas &#8211; e transferí-las a investidores privados.</p>
<p>Enquanto a transição no Egito dá esses primeiros passos tentativos rumo à democracia, depois de 59 anos de autoritarismo, o fogo da rebelião se espalha pela região. Manifestações acontecem no Iêmen, no Marrocos e na Argélia. Hoje, no Irã, houve novo embate entre a polícia e a oposição, com a participação sempre violenta das milícias dos aiatolás, os basij, que se dirigiram em motocicletas em grande número para Teerã esta manhã.</p>
<p>O problema com as revoltas nesses outros países da região é que elas não têm tido a mesma cobertura da CNN, que teve o Egito, nem há, ainda hashtags ativos no Twitter. A menor exposição aumenta o risco de repressão. Houve prisões e repressão policial violenta às manifestações em todos esses países.</p>
<p>Nem mesmo a Al Jazeera está cobrindo as manifestações com a mesma intensidade que cobriu o Egito. Mas é ainda a fonte mais permanente de informações.</p>
<p>No Iêmen, segundo ela, as manifestações entraram hoje no quarto dia e a repressão policial arrefeceu. A polícia, ontem e hoje, teria conseguido, inclusive, evitar que grupos pró-regime atacassem os manifestantes, mantendo-os apartados.</p>
<p>A Al Jazeera informa também que o ministro das Relações Exteriores da Argélia, Mourad Medelci, anunciou, hoje, que o estado de emergência, em vigor há 19 anos, deve ser levantado em breve. Promessa que já havia sido feita pelo presidente Abdelaziz Bouteflika, no começo do mês. Diz, também, que a imprensa local está noticiando que o presidente se prepara para mudar todo o governo, para fazer reformas e preparar a abertura do regime. As lideranças da oposição dizem que continuarão a se manifestar até que o regime caia. Mas não há, ainda, disposição de ocupar permanentemente as ruas. A Al Jazeera conta que Elias Filali, blogueiro e ativista argelino citou <a href="http://english.aljazeera.net/news/africa/2011/02/20112148175219570.html">Ali Yahia Abdennour</a>, um dos mais conhecidos defensores dos direitos humanos no país, dizendo:</p>
<blockquote><p>“Devemos continuar protestando todo Sábado, na mesma praça, ganharemos momento à medida em que progredimos, queremos nossa dignidade de volta”.</p></blockquote>
<p>O contágio está em curso. O que permite a persistência do contágio é o fluxo de informações, sobretudo pela via das mídias e redes sociais. Mas, como se viu no Egito, a imprensa tradicional, principalmente a TV, sobretudo na Internet, continua sendo uma peça fundamental nesse fluxo global de informação, que cria um movimento virtual de solidariedade aos manifestantes e uma rede de proteção que expõe a repressão violenta. Ao expô-la, força governantes de países democráticos a se manifestar pedindo liberdade de expressão e manifestação e abertura democrática. A informação globalizada aumenta os custos da repressão e dá mais segurança aos manifestantes. Não por acaso, o governo iraniano cortou o sinal de celulares no entorno da “Avenida da Revolução”, cercada por <a href="http://english.aljazeera.net/news/middleeast/2011/02/2011214102417540886.html">tropas de choque</a> e para onde convergiram as <a href="http://www.cnn.com/2011/WORLD/meast/02/14/iran.protests/index.html">milícias motorizadas</a>. As manifestações, a propósito de celebrar a queda de Mubarak no Egito, viraram protesto contra o regime de Ahmadinejad. Houve confrontos na avenida e no campus da universidade de Teerã.</p>
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		<title>Brasil entra em período de grandes mudanças políticas depois das eleições</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Nov 2010 00:12:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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Sérgio Abranches
A vitória, esperada, de Dilma Roussef, representa uma transição de grande significado no PT. Pela primeira vez, Lula não estará nem disputando espaço com o governo como oposição, nem governando. O PSDB também viverá grandes mudanças, com o esgotamento do potencial presidencial de seu setor paulista, até agora hegemônico.
A eleição de Dilma Rousseff confirma [...]]]></description>
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<p>Sérgio Abranches</p>
<p>A vitória, esperada, de Dilma Roussef, representa uma transição de grande significado no PT. Pela primeira vez, Lula não estará nem disputando espaço com o governo como oposição, nem governando. O PSDB também viverá grandes mudanças, com o esgotamento do potencial presidencial de seu setor paulista, até agora hegemônico.<span id="more-1264"></span></p>
<p>A eleição de Dilma Rousseff confirma as expectativas sobre seu favoritismo, mas cria mais incógnitas sobre como será sua presidência, do que clareza a respeito dos rumos de seu governo. Durante a campanha, ela pouco revelou de suas preferências e seus compromissos, em relação à agenda concreta que a espera no Palácio do Planalto. Ela falou de suas convicções sobre que modelo econômico considera mais adequado. Esse modelo tem muito estado e muito subsídio e exigiria um quadro fiscal que não estará disponível. Falou pouco de sua disposição a abortar a crise fiscal que o governo Lula armou, especialmente nos últimos dois anos, com grande expansão do gasto público e endividamento interno.</p>
<p>No seu primeiro pronunciamento ressaltou mais aquelas convicções &#8211; de intervenção estatal e regulação &#8211; e de uma orientação “para dentro”, do que das ações econômicas concretas que serão exigidas dela pela nova conjuntura. Mas sinalizou suas resistências à ideia de ajuste fiscal.</p>
<p>O mundo e o Brasil estão entrando em um período de stress econômico, político e social, que substitui, ciclicamente, o período de expansão e mobilidade que marcou a última década e beneficiou muito o governo Lula. Dificilmente será assim, no governo Dilma. O principal desafio da nova presidente será definir sua equipe econômica e seus planos para enfrentar esse ciclo mais duro, que pode tomar todo o seu mandato.</p>
<p>A presidente Dilma Roussef enfrentará um grande desafio na gestão desse período de stress econômico doméstico e mundial, que exigirá equilíbrio e capacidade de gestão macro-econômica prudencial. Também terá um portentoso desafio político, para articular e liderar uma coalizão heterogênea, cuja maioria clientelista tem enorme apetite por verbas e cargos. O PMDB nunca esteve em posição tão forte em um governo, como estará no governo Dilma. Esse partido é um condomínio ingovernável de caciques regionais e locais. Michel Temer só conseguiu domá-lo exatamente por causa da expectativa desse poder ampliado. A coalizão da presidente Dilma Rousseff pode dar sinais de rivalidade e competição internas logo na montagem do ministério. Não está claro que ela tenha instinto político suficiente para compensar sua falta de experiência, para lidar com uma coalizão complexa como esta. Também não há, no seu entorno, nenhuma personalidade que tenha capacidade comprovada de articulação parlamentar para apoiá-la. O próprio presidente Lula teve muitas dificuldades de articulação política e parlamentar. A própria crise do mensalão esteve na base dessas dificuldades.</p>
<p>O PSDB, ainda aturdido com a terceira derrota seguida, terá que se repensar integralmente. O partido passou a última década sem idéias consistentes, sem programa claro, sem se caracterizar como alternativa de poder. Tampouco exerceu oposição, principalmente no segundo mandato do presidente Lula, que o manteve partido no córner, imobilizado, com sua acachapante popularidade.</p>
<p>A derrota mostra, entre outras coisas, que candidatos saídos diretamente do sistema político de São Paulo não passam no Nordeste. Serra, nas duas tentativas, e Alckmin, em 2006, sentiram isso na carne. Fernando Henrique passou no Nordeste não apenas por causa do Plano Real, mas também porque construiu uma imagem de político nacional. Saiu do Senado, não do governo do estado de São Paulo, ou da prefeitura paulistana. Além disso, se beneficiou do fato de ser carioca de nascimento e, de família militar, ter morado em várias partes do país.</p>
<p>Essas eleições encerram a hegemonia do grupo paulista fundador do partido. Haverá uma transição de poder, para fora do eixo paulista, mesmo com Alckmin no governo do estado. O novo eixo passará a ser Minas Gerais, com Aécio Neves no Senado e seu sucessor Anastasia no governo do estado. Ele passará por Goiás, com Marconi Perillo, eleito novamente governador, derrotando o PMDB e Lula, e pelo Paraná, com a liderança emergente de Beto Richa, eleito governador no primeiro turno.</p>
<p>A rearticulação do PSDB se fará, principalmente, pelo eixo federativo, onde mostrou força, elegendo 7 governadores. Não é apenas uma mudança regional do eixo do poder. É uma mudança de geração &#8211; a segunda geração do partido &#8211; de estilo e de visões. É uma transição de poder para uma nova geração e novas forças e uma difusão do poder. O poder, antes concentrado em São Paulo, vai se descentralizar. O PSDB tende a se federalizar. Ainda não está claro o que essa transformação representará para o partido e se definirá um perfil mais combativo de oposição durante a gestão da presidente Dilma Rousseff. Aécio Neves se manifestou antes de José Serra, cumprimentando a presidente eleita e se posicionando como líder da oposição. A transição já está em curso. Ela terá que amadurecer rapidamente, para enfrentar os pleitos presidencial e parlamentares de 2014.</p>
<p>No PT, Dilma Rousseff, embora deva sua presidência ao lulismo, não tem condições de ser sua herdeira efetiva. Até porque, Lula continuará atuando politicamente, como já disse que fará. Lula era maior que o PT. Dilma é menor que o partido e caudatária da popularidade de Lula. Em menos de um ano de governo, sua popularidade já dependerá de seu desempenho como presidente. Como a oposição estará em reorganização e transição de poder, os principais problemas da presidente serão na sua própria coalizão. Primeiro, no seu relacionamento com o PT e o PMDB. Segundo, na administração da relação entre PT e PMDB, que tende a ser competitiva e tensa.</p>
<p>Em síntese, o Brasil inaugura, junto com a nova década do século 21, uma nova fase de sua história política, com Lula ex-presidente &#8211; e não está claro ainda o que isso significará &#8211; e o poder partidário se transferindo do PSDB paulista, até agora hegemônico, para outras lideranças.</p>
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		<title>Alienação eleitoral no primeiro turno superou 2002 e 2006</title>
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		<pubDate>Fri, 29 Oct 2010 15:14:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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		<category><![CDATA[abstenção]]></category>
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Sérgio Abranches
A alienação eleitoral &#8211; abstenção somada aos votos em branco e nulos &#8211; chegou a quase 31% no primeiro turno desta eleição. Maior do que no primeiro turno de 2002 e 2006.
Nas últimas duas eleições, a alienação eleitoral foi menor no segundo turno do que no primeiro. O que anda se supondo por aí, [...]]]></description>
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<p>Sérgio Abranches</p>
<p>A alienação eleitoral &#8211; abstenção somada aos votos em branco e nulos &#8211; chegou a quase 31% no primeiro turno desta eleição. Maior do que no primeiro turno de 2002 e 2006.<span id="more-1256"></span></p>
<p>Nas últimas duas eleições, a alienação eleitoral foi menor no segundo turno do que no primeiro. O que anda se supondo por aí, é que este ano será maior. Não há como dizer. Não existe qualquer base factual que permita fazer essa previsão. É só mais um chute típico de períodos eleitorais.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.ecopolitica.com.br/wp-content/uploads/2010/10/Tabela-Nova.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1257" title="Tabela Nova" src="http://www.ecopolitica.com.br/wp-content/uploads/2010/10/Tabela-Nova.jpg" alt="" width="488" height="180" /></a></p>
<p style="text-align: left;">A tabela mostra que, entre um turno e outro, a abstenção aumenta, enquanto os votos em branco e nulos caem. O resultado é que a alienação eleitoral fica estável ou cai um pouco. De qualquer forma, os percentuais se mantêm em um mesmo patamar, com pequena variação. No primeiro turno: abstenção entre 17% e 22%; brancos em torno de 3% e nulos entre 5% e 7%. No segundo turno: abstenção um pouco mais alta, entre 25% e 26,5%; brancos entre 1% e 2%; nulos, entre 4% e 5%.</p>
<p style="text-align: left;">É um quadro de relativa estabilidade indicando que, provavelmente, a abstenção não afeta o resultado final a favor de nenhum candidato. A ver.</p>
<p style="text-align: left;">O cientista político Jairo Nicolau mostra, ainda, que esses índices variam por tamanho do município, sendo maiores nos menores e menores nos maiores, aqui: http://bit.ly/dpzXBf . Ver, também, o comentário de Jairo sobre os problemas com os dados regionais das pesquisas aqui: http://bit.ly/9V2LNm .</p>
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		<title>As Fotos e o Movimento dos Eleitores</title>
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		<pubDate>Sat, 09 Oct 2010 16:22:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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Sérgio Abranches
Desvios mostram que pesquisas não captaram todo o movimento de opinião do eleitorado.
Antes do resultado das urnas, eu havia argumentado que havia um claro movimento de opinião pública indicando a possibilidade de segundo turno e que as pesquisas captavam apenas um flagrante momentâneo desse movimento. Eram fotogramas e não deveriam ser confundidas com o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="tweetmeme_button" style="float: right; margin-left: 10px;">
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<p>Sérgio Abranches</p>
<p>Desvios mostram que pesquisas não captaram todo o movimento de opinião do eleitorado.<span id="more-1229"></span></p>
<p>Antes do resultado das urnas, eu havia argumentado que havia um claro movimento de opinião pública indicando a possibilidade de segundo turno e que as <a href="http://www.ecopolitica.com.br/2010/09/29/nao-se-deve-confundir-o-fotograma-com-o-filme-todo/">pesquisas captavam</a> apenas um flagrante momentâneo desse movimento. Eram fotogramas e não deveriam ser confundidas com o filme. Mostrei como esse movimento na boca da urna provocara desvios significativos entre as pesquisas e os resultados, em 2006, quando os Institutos também previram vitória de Lula no primeiro turno, que não aconteceu. Os desvios totais entre “votos válidos” estimados pelas pesquisas Datafolha e Ibope e a votação real, em 2006, foram de 12 e 13 pontos percentuais respectivamente. Nas eleições deste ano, tomando as pesquisas de 1.10, esses desvios foram de 11 e 8 pontos, respectivamente. Mas foram maiores, se tomarmos a mesma data dos dados de 2006, 29 de setembro. Vejam abaixo.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: center;">DESVIOS Pesquisa &#8211; voto (última pesquisa antes da boca de urna)</p>
<p>Datafolha 29.10</p>
<p>“Pesquisa pura”</p>
<p>Dilma:  + 0,1</p>
<p>Serra:   &#8211; 3,6</p>
<p>Marina: &#8211; 5,3</p>
<p>Desvio Total: 9 pontos percentuais</p>
<p>“Votos válidos”</p>
<p>Dilma: + 5,1</p>
<p>Serra: &#8211; 1,6</p>
<p>Marina: &#8211; 4,3</p>
<p>Desvio Total: 11 pontos percentuais</p>
<p>Datafolha 1-2.10</p>
<p>“Pesquisa pura”</p>
<p>Dilma: + 0,1</p>
<p>Serra: &#8211; 3,6</p>
<p>Marina: &#8211; 3,3</p>
<p>Desvio Total: 7 pontos percentuais</p>
<p>“Votos válidos”</p>
<p>Dilma:  + 4,1</p>
<p>Serra:   &#8211; 2,6</p>
<p>Marina: &#8211; 1,3</p>
<p>Desvio Total: 8 pontos percentuais</p>
<p>Ibope 1.2.10</p>
<p>“Pesquisa Pura”</p>
<p>Dilma: + 0,1</p>
<p>Serra: &#8211; 3,6</p>
<p>Marina: &#8211; 3,3</p>
<p>Desvio Total: 7 pontos percentuais</p>
<p>“Votos válidos”</p>
<p>Dilma: 4,1</p>
<p>Serra: -1,6</p>
<p>Marina: -2,3</p>
<p>Desvio Total: 8 pontos percentuais</p></blockquote>
<p style="text-align: left;">Outra coisa que fica clara é que os percentuais da “pesquisa pura”, que não tenta estimar “votos válidos” prevêem melhor o resultado final. Claro, a noção de “intenção válida de voto” é puramente arbitrária e não tem fundamento estatístico.</p>
<p>A imprensa brasileira tem usado mal as pesquisas. A pesquisa quantitativa passou a ser o critério absoluto de orientação da cobertura. Abdicou-se da conversa com eleitores e especialistas, não se procurou saber o que as pesquisas com grupos focais, qualitativas indicavam. As qualitativas ajudam muito a interpretar as quantitativas e a prever movimentos de opinião. A imprensa &#8211; e a TV sobretudo &#8211; transformou a margem de erro amostral em margem de variação efetiva. Essa margem de erro é apenas um critério de validação estatística interna, usado para decidir o tamanho da amostra. Sua aplicação em pesquisas por cotas, ou seja, que não usam amostras aleatórias, é bastante discutível, como argumenta corretamente <a href="http://eleicoesemdados.blogspot.com/2010/09/pesquisa-por-quota-e-margem-de-erro_30.html">Jairo Nicolau</a>. Nada é mais tolo, do que dizer “pela margem de erro, o candidato fulano tem entre x% e y% dos votos. Não é isso que o erro amostral de fato diz.</p>
<p>Opinião muda. Eventos externos, os mais variados &#8211; muitos aleatórios -, afetam o julgamento das pessoas. Cada pesquisa é uma foto &#8211; e analógica &#8211; desse movimento. Não capta sequer as tendências subjacentes, que depois desenharão um quadro diferente, a ser eventualmente revelado por uma próxima foto. O gráfico com o resultado de cada uma das fotos é uma colagem de fotos, uma espécie de slide show, não é igual ao filme. Mostra o ponto em que cada movimento foi flagrado, não mostra o movimento em si.</p>
<p>Podemos especular sobre os motivos que levaram a esse movimento e produziram  a decisão final de cada eleitor na urna. Mas só saberemos de fato as causas desse movimento &#8211; e ainda assim, de maneira probabilística &#8211; se fizermos pesquisas sobre a motivação desse voto específico.</p>
<p>Por isso vou me eximir de especular porque, ao longo da campanha, o voto mudou de direção presumível. Apenas deixo o alerta de que, pelas características dos candidatos e pela natureza do ambiente eleitoral do segundo turno, seria sensato abandonar as certezas e considerar que ainda pode haver surpresas. Sobretudo, seria prudente não apostar muito na idéia de que aquilo que observamos no passado representa uma boa previsão do que teremos no futuro. A noção da mudança é intrinsecamente a de que o futuro não repetirá o passado. Deve-se usar a história para aprender sobre a lógica do movimento, nunca como uma sucessão de fatos que se repetem.</p>
<p>Eu, há muito, tento não me deixar apanhar pelas surpresas do inesperado.</p>
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