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	<title>Ecopolitica &#187; economia</title>
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	<description>Política Mudança Climática Século XXI</description>
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		<title>Incerteza política faz investimento de risco em tecnologias limpas cair no EUA</title>
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		<pubDate>Tue, 07 Feb 2012 12:21:44 +0000</pubDate>
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Os investimentos de risco em energia limpa caíram 4,5% no EUA, em 2011. A incerteza política teve mais impacto negativo que a fragilidade da economia. Os investimentos globais do setor, porém, cresceram 5% e os investimentos em setores &#8220;maduros&#8221; de energia renovável (eólica, fotovoltaica e baterias para carros elétricos) cresceram 253%. Na China e na [...]]]></description>
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<p>Os investimentos de risco em energia limpa <a href="http://www.ey.com/US/en/Newsroom/News-releases/2011-US-venture-capital-investment-in-cleantech">caíram</a> 4,5% no EUA, em 2011. A incerteza política teve mais impacto negativo que a fragilidade da economia. Os investimentos globais do setor, porém, cresceram 5% e os investimentos em setores &#8220;maduros&#8221; de energia renovável (eólica, fotovoltaica e baterias para carros elétricos) cresceram 253%. Na China e na Índia os investimentos em energia renovável continuam a crescer.<span id="more-3273"></span></p>
<p>Nos Estados Unidos, a incerteza eleitoral e a oposição feroz dos republicanos ao programa de incentivos à energia renovável, foram mais importantes na retração dos investidores do que a conjuntura econômica ainda claudicante. Na Europa, apesar da crise, os investimentos em energia renovável se mantiveram. O parque eólico europeu <a href="http://www.guardian.co.uk/environment/2012/feb/06/wind-power-europe-grew-2011">cresceu bastante</a> em 2011, resultado de investimentos, nos anos anteriores, que se sustentaram apesar da crise. Foram adicionados 93.957 MW de eletricidade eólica ao sistema europeu. Usinas offshore no Reino Unido e em terra na Suécia e na Alemanha deram a maior contribuição a esse crescimento. A energia eólica representou 71% do total de nova capacidade elétrica instalada na Europa em 2011.</p>
<p>&#8220;Apesar da crise econômica na Europa, a indústria eólica continua a installer níveis significativos de nova capacidade&#8221;, disse Justin Wilkes, diretor da Associação Europeia de Energia Eólica.  Para cumprir as metas de logo prazo da União Europeia será necessário que o setor continue a crescer com vigor nos próximos anos. A vantagem da Europa é que não há incerteza política com relação à decisão de desenvolver os setores de baixo ou zero carbono. Mesmo no Reino Unido, onde políticos conservadores criticaram recentemente a política &#8220;verde&#8221; do governo, os liberal-democratas, sócios na coalizão governista, saíram em sua defesa e vários políticos conservadores declararam seu apoio à continuidade de políticas voltadas para a economia verde ou de baixo carbono.</p>
<p>No EUA, o partido republicano ainda se nega a reconhecer o consenso científico sobre a ameaça da mudança climática global, ataca os programas de apoio a tecnologias e energias limpas e defende a economia fóssil. Como a popularidade do presidente Obama está abaixo da zona de conforto eleitoral, o temor de uma vitória republicana fez os investidores reduzirem a aposta nesses setores.</p>
<p>Mas Obama vem recuperando, progressivamente o favoritismo. No final da semana passada, enquanto os republicanos avançavam rumo à escolha de Mitt Romney para disputar a presidência com o presidente Obama, a popularidade presidencial evoluiu um pouquinho mais. A aprovação e reprovação ficaram em 46%, na última pesquisa do tracking da Gallup que avalia a popularidade em médias móveis de três dias. Significa que a popularidade líquida está em zero, portanto no ponto de neutralidade, deixando de afetar negativamente o voto na reeleição do presidente.  Na média de 3 de janeiro a 2 de fevereiro, a aprovação estava em 45% e a reprovação em 48%, portanto popularidade líquida de &#8211; 3%. A reprovação caiu 2 pontos e a aprovação aumentou 1 ponto. No começo de janeiro (7-9/1), a situação era bem mais negativa para Obama: aprovação de 42% e reprovação de 50%, líquida negativa de &#8211; 9%.</p>
<p>A que se deve essa recuperação lenta, mas aparentemente consistente, da popularidade presidencial? Em primeiro lugar, à recuperação também muito lenta da situação econômica. Embora tênue, ela começa a reduzir o desconforto econômico em algumas áreas, setores e parcelas da população. A economia do EUA tem vários ciclos regionais diferenciados, nem sempre sincronizados entre si. Em algumas regiões a economia já está com desempenho bem melhor do que em outras. Algumas indústrias já mostram desempenho mais robusto. Essa recuperação desigual explica também a recuperação lenta das expectativas e da popularidade. Em segundo lugar, melhora a popularidade o fato de Obama ter dado início à sua campanha para reeleição. Como ainda está em regime de lançamento progressivo, esse efeito ainda é tênue, mas a tende a aumentar rapidamente. A vantagem de Obama sobre Romney nas pesquisas de intenções de voto melhora mais rapidamente do que a popularidade. No tracking da <a href="http://www.rasmussenreports.com/">Rasmussen</a>, a aprovação de Obama ainda aparece mais baixa do que no <a href="http://www.gallup.com/tag/Presidential%2bJob%2bApproval.aspx">Gallup</a>, porque se baseia em uma amostra de prováveis eleitores (na amostra sobre o total de adultos a popularidade é mais alta). Na média móvel do tracking, de 2-4 de fevereiro, a vantagem de Obama sobre Mitt Romney aumentou, saindo de um empate técnico, para uma vantagem de 4 pontos percentuais 47% a 43%. Na média do <a href="http://www.realclearpolitics.com/epolls/2012/president/us/general_election_romney_vs_obama-1171.html">Real Clear Politics</a>, a tendência de Obama (com 48,5%) é de crescimento e a de Romney (com 45,5%) de queda.</p>
<p>Com a recuperação do favoritismo de Obama, os níveis de risco e incerteza política em relação aos programas de incentivo à economia verde caem e os investimentos tendem a voltar a crescer. Na Europa as metas compulsórias garantem um piso sustentado para esse investimentos. Nas grandes economias emergentes, especialmente China e Índia, os investimentos em tecnologias limpas, particularmente energias renováveis continuam a crescer. A perspectiva de mercado para a economia verde é boa, embora pudesse ser bem melhor. O ponto mais frágil ainda é da falta de ambição nas políticas governamentais, especialmente a persistência de incentivos contrários, que beneficiam a economia fóssil, como os subsídios aos combustíveis fósseis. A coordenação internacional das políticas também é frágil. As instituições multilaterais, em particular do sistema da ONU, estão claramente aquém das necessidades.</p>
<p>Meu comentário na CBN está <a href="http://glo.bo/9KYOiU">aquí</a>.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Empresas podem ser obrigadas a publicar impacto ambiental</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Feb 2012 13:00:39 +0000</pubDate>
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Sérgio Abranches
Obrigar as empresas a ter relatórios quantificados do seu impacto ambiental, abrangendo todo o ciclo de produção, com padrões definidos, verificáveis e comparáveis, faz sentido, pode dar bons resultados e será tema em discussão na Rio+20.
O tema já consta da “versão zero” da proposta de resolução da Rio+20, recentemente divulgada para discussão. Está proposto [...]]]></description>
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<p style="text-align: center;">Sérgio Abranches</p>
<p>Obrigar as empresas a ter relatórios quantificados do seu impacto ambiental, abrangendo todo o ciclo de produção, com padrões definidos, verificáveis e comparáveis, faz sentido, pode dar bons resultados e será tema em discussão na Rio+20.<span id="more-3268"></span></p>
<p>O tema já consta da “versão zero” da proposta de resolução da Rio+20, recentemente divulgada para discussão. Está proposto de forma mais clara e ambiciosa no relatório divulgado esta semana do Painel de Alto Nível da ONU sobre Sustentabilidade Global. Fará certamente parte da agenda de discussões sobre a economia verde.</p>
<p>Parte dos problemas de sustentabilidade global está certamente associada a falhas de mercado. O economista Nicholas Stern, que coordenou o relatório Stern sobre os custos econômicos da mudança climática, tem dito isso recorrentemente e não está sozinho. Muitos economistas de renome, não apenas os especializados em questões ambientais, têm reconhecido que as emissões de gases estufa e outros poluentes representam falhas de mercado.</p>
<p>O que significa isso? Significa que as empresas em um ambiente de plena liberdade, sem regulação, não se dispõem a identificar seu impacto no ambiente e a corrigí-lo. Em outras palavras, deixadas inteiramente livres, a maioria das empresas continuará emitindo e poluindo, como fizeram até agora, por mais tempo do que seria suportável, com efeitos devastadores sobre o ambiente natural, a saúde humana e o clima. O mesmo é verdade para consumidores e países. Portanto, a regulação para coibir e corrigir impactos ambientais é necessária.</p>
<p>Uma outra parte dos problemas de sustentabilidade se explica por uma estrutura de incentivos e desincentivos com o sinal errado. Tem a ver com práticas não sustentáveis de políticas públicas e que exigem correção. Por isso se torna tão necessário que os países assumam compromissos ambientais multilaterais vinculantes sobre mudança climática e sustentabilidade, com metas de desempenho públicas, quantificadas e verificáveis.</p>
<p>Por meio de políticas públicas, incentivos (vantagens fiscais e de crédito) encorajam práticas pouco sustentáveis, e desincentivos (custos tributários e financeiros) desencorajam a adoção de práticas sustentáveis. É preciso que os países concordem em mudar o sinal de sua estrutura de incentivos, incentivando práticas sustentáveis e desincentivando práticas insustentáveis, para redirecionar o processo econômico rumo à economia verde.</p>
<p>Um exemplo disso está no relatório do <a href="http://bit.ly/yllgVp">Painel de Alto Nível</a> da ONU sobre Sustentabilidade Global, quando propõe o abandono progressivo dos subsídios aos combustíveis fósseis. O economista-chefe da Agência Internacional de Energia, Fatih Birol, <a href="http://bit.ly/A0bBMi">disse ao The Guardian</a> que a eliminação desses subsídios poderia contribuir com metade da economia de energia necessária para manter a mudança climática em níveis suportáveis.</p>
<p>Subsídios representam uma forma de intervenção do estado na economia. No Brasil, não se sabe quanto custam. Os incentivos a atividades de alto carbono são, porém, altos e numerosos.</p>
<p>Falhas de mercado só podem ser corrigidas com regulação e alterando a estrutura de incentivos e desincentivos. Um exemplo de regulação é a exigência de relatórios de desempenho ambiental, com quantificação de impactos positivos e negativos em toda a cadeia de suprimentos.</p>
<p>A “<a href="http://bit.ly/xzDxEO">versão zero</a>” da proposta de resolução da Rio+20 sugere que um marco global requeira que todas as empresas privadas listadas em bolsa ou que sejam consideradas grandes considerem a questão da sustentabilidade e integrem a informação sobre sustentabilidade em seu ciclo de relatórios de desempenho.</p>
<p>O relatório do painel de alto nível da ONU, além de propor o abandono progressivo, até 2020 dos subsídios aos combustíveis fósseis, é mais ambicioso que a “versão zero” para a Rio+20. Recomenda um marco global padrão para relatório de desenvolvimento sustentável e que os países tornem compulsório relatório quantificado e comparável de sustentabilidade para empresas com valor de mercado superior a 100 milhões de dólares.</p>
<p>Muitas empresas têm relatórios que chamam de responsabilidade social e ambiental. A maioria é puro marketing. Divulgação das maravilhas que as empresas fazem na área social e ambiental, em geral fora de suas atividades, adoção de escolas, criação de reservas naturais. Isso é ótimo e necessário, mas é filantropia, não é sustentabilidade. Sustentabilidade é desempenho real, com indicadores quantitativos dos impactos negativos e positivos, emissões de gases estufa e outros poluentes, sobre o destino de seus produtos ao serem descartados. Tudo medido em todo o ciclo do produto, desde a extração, produção e transporte da matéria-prima, passando pela produção e comercialização do produto final, até seu consumo e descarte. No mínimo, o relatório deve contabilizar de forma clara, verificável e comparável, a pegada ambiental de toda a sua cadeia de suprimentos (supply-chain).</p>
<p>Grandes empresas globalizadas, no topo da cadeia de suprimentos estão redefinindo suas operações e introduzindo mudanças reais nos seus modelos de aquisição de suprimentos. O número de empresas que dizem que dispensarão fornecedores, nos próximos cinco anos, que não atendam seus critérios ambientais aumentou de 17%, em 2009, para 39%, em 2011, <a href="http://bit.ly/xEIFTD">escreveu Frances Way</a>, do <a href="http://bit.ly/xRFA1">Carbon Disclosure Project</a> (CDP), para a sessão do The Guardian sobre negócios sustentáveis. As empresas líderes estão adotando meios para avaliar o sucesso de seus fornecedores na área do impacto ambiental, ela conclui, com base no levantamento do CDP.</p>
<p>O relatório de impacto ambiental, sem maquiagem, cobrindo a cadeia de suprimentos das empresas, não é apenas um importante instrumento de transparência ambiental, que permite a “stakeholders” (pessoas e grupos afetados), acionistas, investidores, ambientalistas e imprensa verificarem os que as empresas de fato fazem e qual sua pegada ecológica real. Eles são importantes instrumentos de gestão ambiental, avaliando o sucesso ou insucesso da política de sustentabilidade das empresas. Como instrumento gerencial agregam valor e permitem à empresa uma estratégia mais durável de busca de rentabilidade e produtividade.</p>
<p>Meu comentário sobre essa questão na CBN <a href="http://glo.bo/9KYOiU">está aqui</a>.</p>
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		<title>Investimento global em tecnologia verde cresceu em 2011 apesar da crise</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Jan 2012 12:17:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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Sérgio Abranches
Os investimentos globais em tecnologias limpas, as fusões e aquisições, cresceram de forma expressiva em 2011, apesar da crise. A maior parte desse crescimento foi sustentada pelos investimentos no EUA, particularmente na Califórnia. Na Europa e em Israel, eles caíram.
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<p style="text-align: center;">Sérgio Abranches</p>
<p>Os investimentos globais em tecnologias limpas, as fusões e aquisições, cresceram de forma expressiva em 2011, apesar da crise. A maior parte desse crescimento foi sustentada pelos investimentos no EUA, particularmente na Califórnia. Na Europa e em Israel, eles caíram.<span id="more-3243"></span></p>
<p>Todos os tipos de investimento em tecnologia limpa cresceram em 2010, totalizando US$ 9 bilhões, muito perto do recorde alcançado em 2008, que foi de US$ 9,5 bilhões. Foi um aumento global de 13% sobre 2010.</p>
<p>Também aumentaram muito as operações de fusões e aquisições no setor de tecnologias limpas, chegando a 391 operações e expressivo valor de US$ 41,2 bilhões. Número recorde, 153% acima do que foi observado em 2010. Os investimentos de risco (venture capital) em novas tecnologias também continuaram em 2011, sinalizando dinamismo na área de pesquisa e desenvolvimento e de preparação de novos produtos e novas tecnologias para entrada em mercado.</p>
<p>O investimento em tecnologias limpas foi mais forte e consistente no EUA. Ele cresceu 31%, em 2011, subindo de US$ 5,2 bilhões em 2010, para US$ 6,8 bilhões, representando 76% do total dos investimentos globais <a href="http://bit.ly/xgIU0y">analisados</a> pela empresa de pesquisa e consultoria <a href="http://research.cleantech.com/">Cleantech Group</a>. Dentro dos Estados Unidos, a California é o pólo mais dinâmico de tecnologias limpas, recebendo US$ 3,7 bilhões dos investimentos, 54% do total local, um crescimento de 25%. Europa e Israel representaram 14% dos investimentos em tecnologia verde em 2011 e a Ásia-Pacífico 10%.</p>
<p>Os investimentos em tecnologia verde caíram 30% na Europa e em Israel por causa da crise. Alcançaram US$ 1,3 bilhão em 2011, contra US$ 1,8 bilhão em 2010. As operações em fusões e aquisições diminuíram em 33%.</p>
<p>Na Ásia, as empresas continuaram investindo, mas com alguma desaceleração. Os IPOs &#8211; chamadas de capital em bolsa -na região, por exemplo, levantaram US$ 9,6 bilhões, volume 41% inferior ao de 2010 que chegou a US$ 16,4 bilhões. A China concentrou 55% dessas operações no mercado asiático em 2011.</p>
<p>O setor de energia solar foi o que recebeu globalmente a maior parcela de investimentos, da ordem de US$ 1.8 bilhão, seguido pelo de eficiência energética, com  US$ 1,5 bilhão e transportes, US$ 1,1 bilhão.</p>
<p>Meu comentário na CBN pode ser ouvido <a href="http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/sergio-abranches/SERGIO-ABRANCHES.htm">aqui</a>.</p>
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		<title>Agenda proposta para Rio+20 é pouco ambiciosa e omite a mudança climática</title>
		<link>http://www.ecopolitica.com.br/2012/01/11/agenda-proposta-para-rio20-e-pouco-ambiciosa-e-omite-a-mudanca-climatica/</link>
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		<pubDate>Wed, 11 Jan 2012 13:01:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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Sérgio Abranches
Rascunho da Agenda para a Rio+20 divulgado esta semana, que será discutido na ONU, em Nova York, entre 25 e 27 de janeiro, é pouco específico, não contém metas objetivas, quantificadas e com prazos e não aborda o desafio da sustentabilidade de forma coerente. A mudança climática está ausente do documento, apesar de ser [...]]]></description>
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<p>Sérgio Abranches</p>
<p>Rascunho da Agenda para a Rio+20 divulgado esta semana, que será discutido na ONU, em Nova York, entre 25 e 27 de janeiro, é pouco específico, não contém metas objetivas, quantificadas e com prazos e não aborda o desafio da sustentabilidade de forma coerente. A mudança climática está ausente do documento, apesar de ser o desafio central de qualquer programa de desenvolvimento sustentável neste século. A razão fundamental a justificar a transição para uma economia verde, de baixo carbono, é a mudança climática. Ao não fazer essa conexão crítica, o documento perde coerência e consistência científica.<span id="more-3235"></span></p>
<p>A única referência à mudança climática diz que “a insegurança alimentar, a mudança climática e a perda de biodiversidade afetaram negativamente os ganhos do desenvolvimento”. O documento reconhece, também, que “novas evidências assinalam a gravidade dos desafios que enfrentamos”. Muito pouco para uma agenda para a sustentabilidade global que tem como um dos temas centrais a economia verde.</p>
<p>Essa omissão é resultado do esforço do governo brasileiro em desvincular a agenda da Rio+20 da agenda climática global. Como as conversações para montar a cúpula do Rio se deram simultaneamente às difíceis reuniões preparatórias para a COP17, que ocorreria em Durban, no final de 2011, temia-se que o impasse que então parecia provável acontecer na África do Sul levasse à transferência das negociações para a Rio+20. Nesse caso, a agenda do Rio terminaria dominada pelas negociações do clima, que dificilmente teriam desfecho muito bom, e ameaçariam fazer da Rio+20 um fiasco. A preocupação fazia sentido e era desejável que a Rio+20 não se tornasse um prolongamento da COP17. Mas a diplomacia brasileira exagerou na profilaxia, desfazendo nexos políticos, científicos e históricos indissolúveis.</p>
<p>A Rio 92 está indissoluvelmente ligada à política global sobre mudança climática. Dela nasceram todas as instituições da política global do clima: a Convenção do Clima, o IPCC &#8211; Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, que reúne a evidência científica disponível sobre os riscos do aquecimento global, o Protocolo de Quioto e as diretrizes para formulação de um novo acordo global mais ambicioso e inclusivo sobre mudança climática. Tudo começou a tomar forma a partir da Rio 92, que iniciou um processo de negociação que se estende até os dias de hoje e se prolongará por pelo menos mais uma década.</p>
<p>Não faz sentido discutir desenvolvimento sustentável, economia verde, segurança alimentar e fim da pobreza sem considerar a mudança climática como o desafio central, que articula o processo de mudança rumo à economia verde de baixo carbono. O zelo diplomático dissipou a lógica e a consistência técnica da Rio+20. Agora, os diplomatas terão que mostrar competência para restaurar essa lógica indispensável, embora preservando a autonomia da agenda da Rio+20. A COP17 teve desfecho melhor que o esperado, embora aquém do necessário. Mas nada deixou para ser negociado este ano no Rio. Ela definiu um calendário claro para que se chegue a um novo acordo até 2020. O perigo de contaminação passou e é perfeitamente possível restaurar a conexão entre mudança climática e desenvolvimento sustentável na agenda da Rio+20.</p>
<p>Para que promover a transição para uma economia verde, de baixo carbono, se não para promover reduções ambiciosas de emissões de gases estufa e mitigar a mudança climática que já contratamos e continuamos a contratar para as próximas décadas? Como o próprio documento reconhece ao fazer referência de passagem à mudança climática, desconectada de todos os seus outros parágrafos, ela já nos afeta negativamente. E mais. É a causa principal da insegurança alimentar nos últimos 10 anos e, também, uma das causas das perdas de biodiversidade. Isso o documento não diz.</p>
<p>A proposta de resolução reconhece que apesar dos esforços de governos e entidades não-governamentais em todos os países “o desenvolvimento sustentável continua sendo uma meta distante e há ainda importantes barreiras e falhas sistêmicas de implementação das metas acordadas internacionalmente”. O texto, que passará por negociações adicionais na ONU, em Nova York, no final do mês, e ainda será intensamente negociado até chegar à forma final no Rio, reitera o apoio dos chefes de governo e estado a 10 documentos oficiais adotados em outras cúpulas multilaterais. Nenhum deles teve seus objetivos, metas e propósitos realizados a contento. Uma boa medida das limitações desses instrumentos de governança global.</p>
<p>O documento oferece como opção, ainda não decidida, a promoção do Conselho de Desenvolvimento Sustentável e do Programa de Meio Ambiente &#8211; Pnuma na hierarquia da ONU. Há a hipótese, mais fraca, de “fortalecimento” dos dois. Vários países defendem a criação de uma nova agência, com mais poderes e mais bem aparelhada.</p>
<p>Com relação à economia verde, desvinculada do desafio da mudança climática, o texto afirma que a economia verde pode contribuir para que se alcance metas fundamentais de desenvolvimento sustentável e bem-estar coletivo.</p>
<p>“Estamos convencidos que a economia verde, no contexto do desenvolvimento sustentável deve contribuir para alcançar metas fundamentais &#8211; em particular  as prioridades de erradicação da pobreza, segurança alimentar, gestão racional da água, acesso universal a serviços modernos de energia, cidades sustentáveis, gestão dos oceanos e melhorar a resiliência e a prontidão em relação a desastres, como também saúde pública, desenvolvimento de recursos humanos e crescimento sustentado, inclusivo e equitativo que gere emprego.”</p>
<p>O documento ainda sustenta que a economia verde pode proteger o ambiente e fundar uma economia de baixo carbono.</p>
<p>“Nós vemos a economia verde como meio para realizar o desenvolvimento sustentável, que deve continuar sendo nosso objetivo maior. Nós reconhecemos que a economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza deveria proteger e melhorar a base de recursos naturais, aumentar a eficiência no uso de recursos, promover padrões de consumo e produção sustentável e encaminhar o mundo rumo ao desenvolvimento de baixo carbono.”</p>
<p>A insistência da diplomacia brasileira em desvincular a agenda da Rio+20 da agenda da mudança climática produziu uma proposta sem lógica e mal articulada. Ainda há tempo de restaurar os fundamentos científicos que justificam a busca de uma sociedade de baixo carbono e a coerência perdida na agenda da sustentabilidade global.</p>
<p>Meu comentário na CBN:<br />
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		<title>Brasileiros de bem com a vida mas preocupados com situação atual</title>
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		<pubDate>Tue, 25 Oct 2011 18:58:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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Sérgio Abranches
Brasileiros estão muito satisfeitos com a vida, mas descontentes com a situação atual. A revista Época publicou em sua edição 700 pesquisa sobre a satisfação dos brasileiros com suas vidas, conduzida pela MCI, entre 11 e 14 de setembro. A sondagem abordou vários pontos e repetiu questões de pesquisa similar realizada em 1998.
Eu estava [...]]]></description>
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<p style="text-align: center;">Sérgio Abranches</p>
<p>Brasileiros estão muito satisfeitos com a vida, mas descontentes com a situação atual. A revista Época publicou em sua edição 700 pesquisa sobre a satisfação dos brasileiros com suas vidas, conduzida pela MCI, entre 11 e 14 de setembro. A sondagem abordou vários pontos e repetiu questões de pesquisa similar realizada em 1998.<span id="more-2837"></span></p>
<p>Eu estava em viagem pelo EUA, quando a pesquisa saiu e só agora, pondo a leitura em dia, pude olhar os números com atenção. Um ponto chamou minha atenção: os brasileiros têm visão mais positiva de sua mobilidade, que de sua situação presente e têm expectativas positivas para o futuro de seus filhos.</p>
<p>Explico. Há dois tipos de satisfação usualmente medidos por sociólogos ou analistas do sentimento dos consumidores. Uma é a que poderíamos chamar de estrutural. Tem a ver com a mobilidade social e é captada pela pergunta: “sua vida, hoje, é melhor, igual ou pior que a de seus pais?” Outra é conjuntural e tem a ver com a percepção da situação econômica corrente e com a renda atual das famílias.</p>
<p>À comparação com seus pais, 44% dos brasileiros responderam que estavam melhor, em 1998, e 73%, em 2011. Em 1998, proporção igual achava que estava pior que seus pais. Significa que hoje a maioria absoluta dos brasileiros se vê em uma situação de vida superior à dos pais. Tem a ver, claro com o crescimento das classes médias propiciada pela estabilidade da moeda e subsequente elevação da renda.</p>
<p>O ideal é que a pergunta pedisse especificamente que avaliassem sua posição em relação a seus pais quando tinham a mesma idade que eles hoje. Mas há evidências, desde pelo menos os anos 1970, de que a mobilidade entre gerações no Brasil é realmente elevada. Essa satisfação “estrutural”, gerada pela percepção de ascensão social, determina grande tolerância das pessoas com os dissabores do dia a dia, as crises e os aspectos negativos da conjuntura, que afetam suas vidas, expectativas e percepções.</p>
<p>A constatação de que se moveram para um andar social superior à de seus pais torna as pessoas também mais otimistas com a mobilidade futura, de seus filhos. De fato, a pesquisa mostra que, em 1998, 55% achavam que os filhos estariam melhores que eles no futuro e, em 2011, essa proporção subiu para 70%.</p>
<p>Quando convidados a olhar para o presente, para medir a satisfação corrente, e conjunturalmente variável, os brasileiros se mostram bem menos positivos. Em 1998, um ano de crise, 11% avaliavam a situação econômica do Brasil como ótima ou boa. Em 2011, um ano de bom desempenho da economia, mas com a inflação em alta, 29% acham a situação ótima ou boa. Em 1998, 88% achavam que a situação econômica do país ia de regular a ruim/péssima e, em 2011, 70% acham a mesma coisa.</p>
<p>Em 1998, ano de inflação baixa, embora de crise grave, que desembocaria no colapso cambial de janeiro de 1999, 49% respondiam “sim”, que seus rendimentos eram suficientes para cobrir todas as despesas do mês e 49% diziam que “não” eram suficientes. Em 2011, ano de inflação em alta, consumo estimulado e aquecido, 70% dizem que seus rendimentos “não” cobrem todas as suas despesas e apenas 29% dizem que “sim” dão para cobrir todas as despesas. Essa insatisfação conjuntural tende a desgastar o apoio social ao governo e a popularidade presidencial.</p>
<p>Essas diferenças de percepção e satisfação tendem a influenciar comportamentos relativamente contraditórios: de tolerância e relativa passividade em relação aos problemas do país e aos dissabores que vivemos, e de descontentamento crescente com o desempenho do governo. A tolerância torna difícil imaginar que um movimento como o “occupy Wall Street” consiga mobilizar a grande massa. A queda da popularidade do governo torna mais fácil para a oposição conquistar votos e adeptos. Mas para isso era preciso que a oposição tivesse liderança e ideias.</p>
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		<title>Mudança climática na pauta da alta finança</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Sep 2011 18:44:51 +0000</pubDate>
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Sérgio Abranches
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<p style="text-align: center;">Sérgio Abranches</p>
<p>Na cúpula financeira desta sexta-feira, que se estende pelo final de semana, em Washington, na qual estarão reunidos os ministros do G20, do FMI e governadores do Banco Mundial, as autoridades financeiras aflitas com a crise global dificilmente poderão deixar de discutir o financiamento para mudança climática. É um dos pontos prioritários da Conferência do Clima de Durban e espera-se do G20 uma posição mais clara sobre o compromisso assumido em Copenhague de criar um fundo de longo prazo que atinja US$ 100 bilhões ao ano em 2020.<span id="more-2758"></span></p>
<p>O Banco Mundial e o FMI apresentarão estudo que sugere que os recursos para enfrentar a mudança climática podem ser obtidos com a forte redução e progressiva eliminação dos subsídios aos combustíveis fósseis, estabelecendo preço de US$ 25 por cada tonelada de emissões de carbono e criando uma taxa adicional para os combustíveis utilizados na aviação e na navegação marítima.</p>
<p>As duas instituições recomendam que os países comecem por reduzir os subsídios aos combustíveis fósseis em US$ 40 a US$ 60 bilhões por ano. Nem todo esse dinheiro pode ser destinado ao fundo do clima. Muitos países em que esses subsídios existem são pobres e a população de baixa renda não tem condições de pagar o preço integral do gás de cozinha. Mesmo descontando os subsídios nesses países, a revisão desse gasto nos países desenvolvidos e  nas economias emergentes permitiria uma parcela substancial da receita necessária para compor o fundo.</p>
<p>Receitas significativamente maiores poderiam ser obtidas, segundo o estudo do Banco Mundial e FMI, estabelecendo-se uma taxa de US$ 25.00 por tonelada sobre os combustíveis para aviação e navegação marítima, que são grandes emissores de carbono. Essa taxa poderia arrecadar US$40 bilhões por ano em 2020. Parte dessa receita poderia ser carimbada, diz o documento, para compensar os países mais pobres pela elevação dos custos de importação causados pelo impacto da taxa nos fretes. Mas seria possível destinar em torno de US$ 25 bilhões para o fundo climático. Essa taxa teria o benefício adicional de reduzir entre 5% e 10% a emissão de gases estufa oriundas da aviação civil e da marinha mercante.</p>
<p>Uma taxa sobre todas as emissões de carbono permitiria a redução de 10% das emissões globais e geraria receita de US$ 230 bilhões de dólares. A maior parte desses recursos, diz o estudo, poderia ser usada para permitir a redução de outros impostos e compensar as famílias de baixa renda pela elevação dos custos. Mas ainda que fossem destinados  apenas 10% dela ao fundo do clima já estariam resolvidos 25% do valor total esperado para 2020.</p>
<p>É uma proposta que faz muito sentido. Não cria gasto novo, apenas redistribui os subsídios, retirando-os de setores fósseis, cujo crescimento tem altos custos climáticos, e os transfere para setores da economia de baixo carbono. É, portanto, inteiramente compatível às metas que estarão sendo discutidas em Washington de redução do endividamento e do déficit público no EUA e na Europa. O Brasil também está em processo de endividamento crescente e relaxamento das metas fiscais. A revisão dos subsídios aos fósseis só faria bem e liberaria recursos já comprometidos para serem usados em gastos de mais futuro e capazes de gerar maior benefício.</p>
<p>Os setores chamados “verdes” são muito dinâmicos e estão no centro do novo ciclo de inovações. Atraem muito interesse do investimento privado, mas ainda são de risco elevado. Geram empregos de boa qualidade e com mais dinamismo que a economia tradicional, que vem dando sinais de crescente de exaustão do potencial de geração de empregos. Estudo recente da <a href="http://www.brookings.edu/reports/2011/0713_clean_economy.aspx">Brookings Institution</a> revela que os estímulos à economia verde no EUA, parcela modesta dos recursos gastos para estimular a economia após a crise de 2008, geraram empregos de melhor qualidade, que exigem mais qualificação e pagam melhor que a média da economia.<br />
No ano passado, pelo levantamento do Banco Mundial e FMI, foram investidos US$500 bilhões em energia renovável, eficiência energética, veículos elétricos e outras formas de tecnologia verde. Transferir subsídios para esses setores estimularia os investidores privados inibidos pelo fato de que o risco é ainda alto. Eles já estão predispostos a entrar na economia de baixo carbono, pois toda análise estratégica de médio e longo prazo já aponta que ela é o único caminho viável para o desenvolvimento sustentável e sustentado da economia global.</p>
<p>Ouça também meu comentário na CBN:</p>
<p><iframe src='http://www.cbn.com.br/Player/player.htm?audio=2011/colunas/ecopolitica_110923&#038;OAS_sitepage=cbn/comentarios/sergioabranches' width='475' height='193' marginheight='0' marginwidth='0' frameborder='0' scrolling='no' bgcolor='#CCCCCC'/></iframe></p>
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		<title>Inovação para a sustentabilidade</title>
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		<pubDate>Thu, 08 Sep 2011 15:15:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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Sérgio Abranches
Os países desenvolvidos e emergentes têm tecnologia para iniciar a virada para a economia verde, ou de baixo carbono. Mas será preciso criar novas tecnologias para completar essa mudança.
O Brasil investe 1% do PIB em inovação, segundo o governo. É pouco. E deve ser menos, porque essas estatísticas sempre usam critérios muito amplos de [...]]]></description>
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		</div>
<p style="text-align: center;">Sérgio Abranches</p>
<p>Os países desenvolvidos e emergentes têm tecnologia para iniciar a virada para a economia verde, ou de baixo carbono. Mas será preciso criar novas tecnologias para completar essa mudança.<span id="more-2693"></span></p>
<p>O Brasil investe 1% do PIB em inovação, segundo o governo. É pouco. E deve ser menos, porque essas estatísticas sempre usam critérios muito amplos de classificação, sem a precisão necessária a uma boa avaliação de políticas. Incluem investimentos que não são realmente para inovação. Mas o principal é que o Brasil tem numerosas oportunidades que não aproveita. Esse potencial para a inovação voltada para a sustentabilidade nos poria no caminho das áreas quer serão as mais dinâmicas da economia no século 21.</p>
<p>Temos, por exemplo, domínio e liderança da tecnologia de produção de biocombustíveis de primeira geração. Principalmente, um programa muito competitivo e bem sucedido de etanol e motores flex. Uma vantagem que vem sendo anulada por <a href="http://www.ecopolitica.com.br/2011/07/28/politica-para-etanol-na-contramao-da-logica-da-economia/">políticas contraditórias</a> para combustíveis, com <a href="http://www.ecopolitica.com.br/2011/08/30/reduzir-percentual-do-alcool-na-gasolina-piora-poluicao/">incentivos na direção errada</a>: favorecem os fósseis e prejudicam os biocombustíveis. Além de correções abrangentes na política energética, o Brasil precisaria investir nas tecnologias e processos para biocombustíveis de segunda geração. Investimentos em inovações nesta área, nos permitiria eventualmente manter a liderança nesse mercado global que vai mudar para a segunda geração ao longo desta década.</p>
<p>Foi em parte isto que Andrew Wykoff, diretor de inovação e tecnologia da OECD disse a <a href="http://www.valor.com.br/brasil/1000466/energia-ambiente-e-saude-concentram-atencoes">Jacilio Saraiva</a> (exige assinatura), do Valor, no 4o Congresso Brasileiro de Inovação na Indústria, em São Paulo. Segundo a matéria, Wykoff disse que “o Brasil não pode pensar numa política de inovação apenas doméstica, mas internacional e investir em áreas onde já tem estratégias definidas como é o caso do etanol”.</p>
<p>É incompreensível que o governo, ao invés de estimular, impeça a comercialização, pesquisa e desenvolvimento de veículos elétricos no país. Esse é o setor que mais crescerá da indústria automotiva neste século e que será dominante no futuro. O Brasil, que teve êxito na experiência de desenvolvimento de motores flex, devia estar investindo e incentivando a busca de melhores soluções para veículos elétricos de todo tipo e para todo uso. Tem preferido bloquear a entrada desse setor.</p>
<p>Como o país não tem uma estratégia para a sustentabilidade, mudança climática e biodiversidade, perde, também, oportunidades em outras áreas, que crescem em muitos países. Há, no momento, intensa movimentação no setor de <a href="http://www.ecopolitica.com.br/2011/08/19/energia-eolica-mais-competitiva-no-brasil/">energia eólica</a> no mercado brasileiro. Com a perspectiva de instalação de várias novas usinas eólicas, empresas produtoras de turbinas estão buscando ocupar o mercado doméstico, inclusive para “desenvolver turbinas específicas para o vento brasileiro”, como disse o diretor de vendas de uma delas, Marcelo Hutschinski a <a href="http://www.valor.com.br/empresas/1000566/vestas-planeja-ser-lider-em-eolica">Rafael Rosas do Valor</a> (exige assinatura). Essa especificidade do vento brasileiro já permite, hoje, que a geração eólica tenha no país um fator de capacidade de 40% (relação entre energia potencial e energia firme), pelo que me disseram fontes do setor durante a Brazil WindPower 2011, no Rio. Esse fator de capacidade foi calculado em uma amostra ainda reduzida e tem um viés para tecnologias mais velhas e menos produtivas, porque as usinas mais antigas têm um peso ainda grande em seu cálculo. Ainda assim, já está acima da média no EUA e na Europa, que varia entre 28% e 30% e mesmo na Austrália, que tem ventos menos intermitentes, de 35%. Com a instalação de novas usinas eólicas, com tecnologia atualizada, esse fator aumentará bastante.</p>
<p>A matéria do Valor diz que a competição e a atratividade do investimento em inovação estão sendo alimentados pela perspectiva de termos em funcionamento de 282 usinas até 2014, gerando 7,1 Gw. É muito pouco, perto do nosso potencial de geração em terra de no mínimo 146 Gw. Não temos medições off-shore, mas há algumas pesquisas indicando que pode ser bem maior que o potencial em terra, dada a extensão da costa e as condições muito favoráveis de vento.</p>
<p>Outro setor de energia limpa renovável em crescimento acelerado, no qual o Brasil tem enorme potencial, deveria estar atuando agressivamente e incentivando inovações, mas despreza e bloqueia, é o de energia solar fotovoltaica. Nosso potencial é provavelmente maior que o eólico. A China está investindo em inovação na produção de placas fotovoltaicas de baixo custo. EUA e Europa investem muito na busca de novos materiais para placas fotovoltaicas e novas tecnologias, inclusive nanotecnologias, para geração solar. Aqui, nem usamos essa fonte abundante, o que dizer de incentivos à pesquisa, inovação e desenvolvimento nessa área. A primeira usina solar fotovoltaica no Brasil começa a ser implantada agora.</p>
<p>A maior vantagem no Brasil seria a combinação eólica-fotovoltaica. Fontes do setor me informaram que as usinas eólicas usam apenas 4% da terra que ocupam. A instalação de placas solares permitiria mais que dobrar a produtividade energética do uso da terra. As duas fontes têm muita complementaridade e alguma redundância. Ambas são fonte de muita qualidade no Brasil. O vento no Brasil sopra mais dias por ano, mais horas por dia na intensidade adequada à geração eólica. Tem maior estabilidade (menor intermitência) e sopra na mesma direção a maior parte do tempo. É o mesmo caso com solar: temos insolação mais dias por ano e mais horas por dia, na intensidade suficiente para pleno aproveitamento pelas placas fotovoltaicas. Deveriam ser prioridade em nossa política de inovação pesquisa e desenvolvimento.</p>
<p>A biodiversidade brasileira no que resta de Mata Atlântica, no Cerrado e na<br />
Amazônia tem extraordinário potencial para inovação, pesquisa e desenvolvimento. Ela é capaz de sustentar uma grande e diversificada cadeia bioindustrial e biotecnológica, com o benefício fundamental de ajudar a conservar esses biomas, transformando a biodiversidade em fonte de renda e emprego.</p>
<p>Várias empresas, de campos tão distintos quanto saneamento e tecnologia da informação, estão se voltando para as cidades como pólo de atração de inovações para a sustentabilidade. A noção de cidades sustentáveis e inteligentes se dissemina. Recentemente, executivos de uma das empresas líderes globais desse setor me disseram que estão abrindo segmento dedicado à sustentabilidade urbana. Há outros exemplos, como relata Jacilio Saraiva na matéria do Valor.</p>
<p>Cidades sustentáveis representam um vasto campo de atuação e inovação, tanto para desenvolvimento de novas tecnologias físicas, como de novos processos de informação e inteligência. Esse campo cobre setores de grande porte e escala, como energia, abastecimento e tratamento de água, saneamento, processamento de resíduos sólidos e orgânicos, logística e transportes, e os vários aspectos da segurança, desde a prevenção e remediação de desastres associados a eventos naturais extremos, até a segurança pública e privada.</p>
<p>Todas essas áreas estão em rápida transformação, muitas são território aberto, sem barreiras à entrada. No conjunto definirão uma boa parte das cadeias econômicas e dos países de maior competitividade na economia verde de baixo carbono do futuro. É a chance do Brasil dar o salto que falta para sair da classe das economias emergentes, para a classe das economias desenvolvidas. E desenvolvimento com maior qualidade do que o crescimento que marcou o século passado. Oportunidades em aberto. E o país não aproveita. Há muita mudança e inovação que podemos liderar. Precisamos de estratégias e infraestrutura básica. A começar pela transformação qualitativa e quantitativa de nosso sistema educacional, do pré-escolar à pós-graduação. Não temos a cultura de interação entre universidade e empresas, que permita dinamizar o fluxo de pesquisa, inovação e desenvolvimento de novas tecnologias, novos produtos e processos. Temos algumas das capacidades necessárias para sermos competitivos nesse ciclo de inovação que já está em curso. Precisamos melhorar as capacidades que temos, desenvolver as que não temos e ter uma estratégia clara e sustentada para entrar nessa busca da inovação para a sustentabilidade e para a transição rumo a uma sociedade verde de baixo carbono.</p>
<p>Ouça meu comentário na CBN:</p>
<p><iframe src='http://www.cbn.com.br/Player/player.htm?audio=2011/colunas/ecopolitica_110908&#038;OAS_sitepage=cbn/comentarios/sergioabranches' width='475' height='193' marginheight='0' marginwidth='0' frameborder='0' scrolling='no' bgcolor='#CCCCCC'/></iframe></p>
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		<title>Energia limpa mostra seu valor até no Brasil</title>
		<link>http://www.ecopolitica.com.br/2011/09/02/energia-limpa-mostra-seu-valor/</link>
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		<pubDate>Fri, 02 Sep 2011 18:07:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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Preços das energia solar fotovoltaica em queda forte. Com preços competitivos, participação na rede da energia eólica cresce aceleradamente no Brasil e continua a crescer no mundo, mesmo com a crise. Só houve redução de ritmo.
O fluxo de inovações tecnológicas, estimulado pelo avanço dessas energias, anda mais rapidamente agora. Os cenários de participação das energia [...]]]></description>
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			</a>
		</div>
<p>Preços das energia solar fotovoltaica em queda forte. Com preços competitivos, participação na rede da energia eólica cresce aceleradamente no Brasil e continua a crescer no mundo, mesmo com a crise. Só houve redução de ritmo.<span id="more-2683"></span></p>
<p>O fluxo de inovações tecnológicas, estimulado pelo avanço dessas energias, anda mais rapidamente agora. Os cenários de participação das energia renováveis limpas na matriz energética global serão todos superados até 2020. Estamos perto de um ponto de virada, um tipping point.</p>
<p>O Brasil não precisa de Belo Monte. Terá o equivalente a uma Belo Monte e meia em eólica, em três anos. Expandir a oferta de energia com eólica e fotovoltaica, principalmente combinando as duas, o que dobra a produtividade energética do uso da terra, é mais barato, mais rápido e mais limpo.</p>
<p>As opções hidrelétricas na Amazônia são de baixa qualidade. Não se comparam às boas opções hidrelétricas que tínhamos no Sul e Sudeste, nem ao enorme potencial eólico e solar.</p>
<p>Ouça mais comentários na CBN:</p>
<p>Preços das placas fotovoltaicas caíram 70% em dois anos<br />
<iframe src='http://www.cbn.com.br/Player/player.htm?audio=2011/colunas/ecopolitica_110901&#038;OAS_sitepage=cbn/comentarios/sergioabranches' width='475' height='193' marginheight='0' marginwidth='0' frameborder='0' scrolling='no' bgcolor='#CCCCCC'/></iframe></p>
<p>Não é verdade que precisamos de Belo Monte: vamos de eólica<br />
<iframe src='http://www.cbn.com.br/Player/player.htm?audio=2011/colunas/ecopolitica_110902&#038;OAS_sitepage=cbn/comentarios/sergioabranches' width='475' height='193' marginheight='0' marginwidth='0' frameborder='0' scrolling='no' bgcolor='#CCCCCC'/></iframe></p>
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		<title>Reduzir álcool na gasolina é paliativo</title>
		<link>http://www.ecopolitica.com.br/2011/08/30/reduzir-percentual-do-alcool-na-gasolina-piora-poluicao/</link>
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		<pubDate>Tue, 30 Aug 2011 14:47:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
				<category><![CDATA[Análise]]></category>
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Sérgio Abranches
A decisão de reduzir o percentual de álcool na gasolina de 25% para 20% corre o risco de não alcançar os objetivos do governo, ter efeitos colaterais negativos muito superiores aos poucos benefícios que possa gerar.
O Brasil tem uma mania velha de décadas: nunca tem política de precaução, olhando par a frente. Sempre adota [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="tweetmeme_button" style="float: right; margin-left: 10px;">
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			</a>
		</div>
<p style="text-align: center;">Sérgio Abranches</p>
<p>A decisão de reduzir o percentual de álcool na gasolina de 25% para 20% corre o risco de não alcançar os objetivos do governo, ter efeitos colaterais negativos muito superiores aos poucos benefícios que possa gerar.<span id="more-2665"></span></p>
<p>O Brasil tem uma mania velha de décadas: nunca tem política de precaução, olhando par a frente. Sempre adota medidas de emergência, surpreendido por eventos anunciados. Nunca tenta prever os efeitos colaterais dessas medidas de afogadilho. Tarda a agir sobre as causas do problema, quando o faz.</p>
<p>Acaba de acontecer de novo com essa decisão sobre o etanol. Reduzir em 5%, ameaçando reduzir ainda mais, a mistura de álcool anidro na gasolina, dificilmente atingirá o objetivo proposto pelo Ministério das Minas e Energia, de “regularizar o abastecimento” de etanol. Mas terá efeitos não antecipados pelo governo que pioram o bem-estar da população e aumentam nossas emissões de carbono.</p>
<p>Mais gasolina nos automóveis já é ruim em si. Aumenta as emissões de gases estufa e piora a qualidade do ar. O governo errou o timing, o diagnóstico, a avaliação do problema e das políticas que poderiam mitigar seus efeitos e no julgamento do que deveria oferecer, preferindo o paliativo à solução estrutural para o problema.</p>
<p>A pressão de demanda de etanol é global. Problemas climáticos têm afetado a a safra das culturas dedicadas à produção de etanol no EUA , na Europa, no Caribe e no Brasil por vários anos. Empurrados por dificuldades na oferta e aumento na demanda, os preços do açúcar e do álcool aumentaram globalmente. O Brasil tem importado etanol do EUA, produzido de milho, com preços elevados. Fez isso no ano passado e está fazendo novamente este ano, em que o preço no EUA está no topo e a demanda prejudicada. A Petrobrás, que faz essa importação subsidia esse álcool para os distribuidores. Mas o álcool doméstico entra na bomba sem subsídio. Em suma, só medidas que desajustam ainda mais o mercado, as contas do governo e da Petrobrás, sem ajustar coisa alguma no mercado.</p>
<p>Nenhuma medida isolada no mercado doméstico pode alterar significativamente o preço do etanol no mercado global. Como o álcool e o açúcar são commodities globais, seu preço de referência será sempre o do mercado internacional. Se o preço do açúcar for superior ao do etanol, as usinas produzem mais açúcar para exportar. Parte do álcool liberado pela redução da mistura provavelmente será exportada.</p>
<p>A pressão de demanda do etanol não é doméstica. Ao contrário. Domesticamente, a maior parte dos anos de 2010 e de 2011, os preços do etanol mantiveram uma diferença em relação aos da gasolina misturada (75 gasolina: 25 etanol) inferior a 30%. Como o motor flex consome perto de 30% mais quando roda com álcool do que quando abastecido com gasolina, só compensa encher o tanque com o biocombustível se o preço estiver 30% ou mais abaixo do preço da gasolina. Como não é o caso, a demanda que está pressionada é a de gasolina misturada, não de álcool. O álcool com maior demanda é o anidro para misturar à gasolina. Estima-se que hoje 80% dos carros flex estejam rodando com gasolina misturada.</p>
<p>O preço da gasolina está congelado. O preço do álcool é que está subindo. Ao tirar 5% de álcool da gasolina, na verdade uma redução da ordem de 20% na mistura, o preço da gasolina misturada cairá na bomba. O consumo de gasolina receberá estímulo ainda maior. Dificilmente essa liberação de álcool anidro terá efeito comparável no preço do álcool, a ponto de induzir o consumidor  a abastecer seus carros flex com etanol, em lugar de gasolina misturada, reduzindo a demanda por álcool anidro.</p>
<p>A consequência imediata da redução do preço da gasolina será o aumento do consumo de gasolina e do uso do automóvel particular. Logo, maior demanda por álcool anidro, mais emissões e poluição. Mais gastos com saúde pública. O aumento de veículos particulares nas ruas, geralmente conduzindo apenas um passageiro, piora o engarrafamento e estende o horário de rush. É comum as pessoas nas grandes cidades brasileiras reclamarem que “parece que estamos sempre na hora do rush”. É que a “hora” pode se prolongar por duas, três, quatro, no trajeto trabalho-casa, porque o trânsito está mais lento. A política para o etanol está na <a href="http://www.ecopolitica.com.br/2011/07/28/politica-para-etanol-na-contramao-da-logica-da-economia/">contramão da lógica da economia</a>.</p>
<p>Tráfego congestionado significa que a grande quantidade de ônibus em circulação com diesel altamente poluente leva mais tempo bombeando sua fumaça tóxica para completar cada ciclo de seu trajeto. Essa quantidade de ônibus é desnecessária. Poderia ser muito reduzida se a engenharia de trânsito fosse atualizada, passando a adotar princípios de logística inteligente, racionalizando trajetos, linhas e reduzindo o tamanho da frota. Fiscalização mais adequada e menos corrupção também permitiram frotas de ônibus mais novos e menos poluentes. Boas políticas de transporte e logística associadas a objetivos gerais de sustentabilidade, permitiriam substituir ônibus por veículos elétricos, bondes modernos, veículos leves sobre trilhos ou, no mínimo, por BRTs (Bus Rapid Transit) uma solução tipicamente de transição, temporariamente benéfica. Mas logística urbana é assunto para outro post.</p>
<p>O ministro das Minas e Energia, cuja compreensão das complexidades da produção de biocombustíveis é ainda menor que a escassa intimidade que tem com questões de energia em geral, diz que é uma medida de “segurança”, uma “medida de precaução”. Ao que parece o ministro tem pouca compreensão do que significam “segurança” e “precaução”. As duas pressupõem medidas de prevenção. Assegurar o abastecimento e evitar consequências negativas são objetivos que se alcançam apenas com medidas que se antecipam a efeitos previstos e que resolvem os problemas estruturais que produzem efeitos adversos.</p>
<p>O ministro se considera precavido porque imagina que esteja evitando consequências adversas sobre a oferta de etanol de safras comprometidas este ano e no ano que vem. Esses problemas de safra já estavam previstos muito antes. A cultura da cana sofre com problemas estruturais e climáticos há bem mais tempo. O ministro não parece ter visto.</p>
<p>Medidas de segurança são aquelas que o governo anterior, no qual esse ministro ocupava o mesmo cargo, deveria ter tomado e não tomou para estimular e acelerar a renovação dos canaviais e o <a href="http://www.ecopolitica.com.br/2011/08/12/biocombustivel-precisa-de-nova-politica-no-brasil/">aumento de produtividade</a> por hectare. Medidas que o governo atual deveria ter reforçado de imediato e não o fez.</p>
<p>O ministro das Minas e Energia não olha para os problemas da agricultura, nem mesmo quando se trata de produzir biocombustíveis, ou seja, combustíveis de base agrícola. O ministro da Agricultura talvez se interesse menos do que deveria pelos problemas de produção de álcool, um tema que talvez imagine deva pertence ao orçamento das Minas e Energia, embora o etanol seja, essencialmente, um produto agrícola, agroindustrial. Este é um dos dilemas dos biocombustíveis. Estão naquela zona de falta de visão tanto da política agrícola, quanto da política energética. </p>
<p>A marca dos governos brasileiros é sempre essa: decisões fragmentadas, compartimentadas, da mão para a boca, sem pensar nos efeitos colaterais adversos, sem olhar o problema por todos os seus ângulos, sem prevenção. Na reunião que decidiu a medida, estavam com a presidente os ministros das Minas e Energia, Agricultura, Fazenda e Casa Civil. Mas não estava a ministra do Meio Ambiente, embora os principais efeitos adversos dela sejam aumento das emissões de gases estufa e piora da qualidade do ar. Nem tampouco estava o ministro da Saúde, cujo orçamento será pressionado pelo aumento da demanda por atendimentos ambulatoriais e hospitalares por causa do agravamento das doenças respiratórias e cardiovasculares provocadas pela poluição do ar. A qualidade do ar está piorando em todo o Brasil. As poucas medições que se tem feito indicam isso.</p>
<p>Em pesquisa que coordenei em seis áreas metropolitanas, em 2007, obtive as seguintes respostas. Na região metropolitana de São Paulo: 75% dos entrevistados disseram que eles mesmos ou suas famílias usavam medicamentos para tratar de problemas de saúde cuja causa diagnosticada era a poluição do ar; 69% precisaram de assistência médica por estas razões; 35% necessitavam de controle médico permanente; e 13% de internações recorrentes. Na RM do Rio de Janeiro, os resultados foram os seguintes: uso de medicamentos, 80%; assistência médica, 65%; controle médico permanente, 42%; internações, 13%. Belo Horizonte: uso de medicamentos, 84%; assistência médica, 70%; controle médico permanente, 37%; internações, 17%. Porto Alegre: uso de medicamentos, 79%; assistência médica, 77%; controle médico permanente, 54%; internações, 19%. Curitiba: uso de medicamentos, 74%; assistência médica, 72%; controle médico permanente, 46%; internações, 16%. Recife: uso de medicamentos, 75%; assistência médica, 67%; controle médico permanente, 35%; internações, 20%.</p>
<p>Como se vê, nada trivial. O que isso custa ao sistema público de saúde, o ministério da Saúde não sabe. Não será pouco. Toda vez que o governo toma medidas que pioram a qualidade do ar, aumentam os gastos com saúde. Todos reclamam da falta de recursos para saúde, mas ninguém olha para os gastos que poderiam ser suprimidos por doenças evitáveis, mas que dependem de políticas do governo como um todo e não da política de saúde.</p>
<p>Os principais problemas do país, que oneram o orçamento público e fazem nosso gasto fiscal parecer incomprimível, estão em áreas fora do estreito e compartimentado campo de visão do poder público. Este só parece saber olhar pelo retrovisor e à frente, mas para baixo, para o pedaço de tempo em que está, nunca para cima, para o horizonte das possibilidades e dos eventos antecipáveis.</p>
<p>Ouça também meu comentário na CBN:</p>
<p><iframe src='http://www.cbn.com.br/Player/player.htm?audio=2011/colunas/ecopolitica_110830&#038;OAS_sitepage=cbn/comentarios/sergioabranches' width='475' height='193' marginheight='0' marginwidth='0' frameborder='0' scrolling='no' bgcolor='#CCCCCC'/></iframe></p>
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		<title>Prejuízo climático nos EUA tende a afetar a economia</title>
		<link>http://www.ecopolitica.com.br/2011/08/23/prejuizo-climatico-nos-eua-tende-a-afetar-a-economia/</link>
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		<pubDate>Tue, 23 Aug 2011 14:46:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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Sérgio Abranches
Só no primeiro semestre, os desastres associados a eventos climáticos extremos no EUA &#8211; ondas de calor, secas e queimadas, tempestades, enchentes e tornados &#8211; geraram US$ 35 bilhões, segundo estimativas da NOAA &#8211; Administração Nacional Oceanográfica e Atmosférica. Essas perdas agravam os problemas da economia doméstica, reforçando os componentes recessivos da conjuntura e [...]]]></description>
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			</a>
		</div>
<p style="text-align: center;">Sérgio Abranches</p>
<p>Só no primeiro semestre, os desastres associados a eventos climáticos extremos no EUA &#8211; ondas de calor, secas e queimadas, tempestades, enchentes e tornados &#8211; geraram US$ 35 bilhões, segundo estimativas da NOAA &#8211; Administração Nacional Oceanográfica e Atmosférica. Essas perdas agravam os problemas da economia doméstica, reforçando os componentes recessivos da conjuntura e podem repercutir negativamente na economia global.<span id="more-2620"></span></p>
<p>As perdas correspondem a safras perdidas, florestas destruídas, danos patrimoniais &#8211; residências, prédios comerciais e industriais danificados ou destruídos &#8211; e destruição de infra-estrutura &#8211; estradas, pontes, redes elétricas, de esgotamento, de gás e de água. Além disso, há impacto financeiro, principalmente, por meio das perdas seguradas, que afetam o balancete das seguradoras e resseguradoras e repercutem no mercado financeiro.</p>
<p>São diferentes das perdas que têm ocorrido nas bolsas do mundo, de bilhões de dólares no valor de empresas e papéis. Essas perdas são compensadas total ou parcialmente, quando as bolsas se recuperam. Aqui, se trata de perdas puramente financeiras, transacionais, perde-se mais valor de oportunidade, do que valor real.</p>
<p>As perdas climáticas são todas reais. Elas correspondem à destruição de valor real nas safras, patrimônio e infraestrutura perdidos. Há também perdas econômicas associadas à redução das exportações, à queda da oferta de bens, principalmente, alimentos por causa da quebra de safras, ao desemprego gerado pela interrupção de atividades e à elevação dos preços de alimentos, que pressiona o orçamento doméstico principalmente dos setores mais pobres. Além disso, a reconstrução, embora implique em investimentos que geram renda e emprego, representa demanda mobilização de recursos e gasto público inesperada e portanto não programada.</p>
<p>Essas estimativas dizem respeito aos eventos climáticos do primeiro semestre, até o mês passado. Este mês se intensifica no EUA a estação dos furacões, que já teve nove tempestades tropicais com força suficiente para receberem um nome próprio. O furacão Irene, a primeira a chegar a furacão, atingiu Porto Rico neste domingo, deixando 800 mil pessoas sem luz, causando enchentes e derrubando postes e árvores.</p>
<p><a href="http://www.ecopolitica.com.br/wp-content/uploads/2011/08/Irene.jpg"><img src="http://www.ecopolitica.com.br/wp-content/uploads/2011/08/Irene.jpg" alt="" title="Irene" width="520" height="416" class="aligncenter size-full wp-image-2621" /></a></p>
<p>Irene tende a chegar à <del datetime="2011-08-23T15:47:38+00:00">categoria 3</del> categoria 2 (ventos com velocidade entre 154-177 km) em trajetória para o norte-nordeste, rumo à costa do EUA, podendo eventualmente chegar à categoria 3. A NOAA estima que siga uma rota paralela à costa da Flórida, alcançando a terra em uma das Carolinas, Norte ou Sul, no sábado. Se essa trajetória prevista se confirmar, Irene pode produzir danos e perdas em Porto Rico, na República Dominicana, no combalido Haiti, em parte das Bahamas e na costa do EUA da Flórida à Carolina do Norte, afetando esses dois estados e a faixa costeira da Georgia e da Carolina do Sul. Mesmo antes de chegar à terra, Irene pode ter efeitos fortes. Os ventos com força de furacão se estendem no momento por 80 kms e os ventos com força de tempestade tropical, por 330 kms. O Katrina, que chegou à categoria 5, havia retrocedido para categoria 3, quanto atingiu Nova Orleans.</p>
<p>Se Irene alcançar mesmo a terra no EUA, será o primeiro caso desde que o Ike causou muita destruição na costa do Texas, <a href="http://www.reuters.com/article/2011/08/23/us-storm-irene-idUSTRE77K01820110823">em 2008</a>.</p>
<p>Isso em uma economia que vinha mostrando dificuldades de se recuperar dos efeitos recessivos da crise financeira de 2008 e volta a ser abalada pela crise financeira e fiscal de agora. A crise atual é uma continuação do processo iniciado pelo <a href="http://www.ecopolitica.com.br/2011/08/08/a-crise-e-muito-mais-profunda-e-vai-longe/">colapso das hipotecas</a>. Essas perdas climáticas repercutem na economia inteira e na economia global e agravam os elementos recessivos que já estão ativos em função da <a href="http://www.ecopolitica.com.br/2011/08/09/conexoes-criticas-dimensoes-da-crise/">conjuntura</a> fiscal e financeira negativa.</p>
<p>Ouça também meu comentário na CBN:</p>
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