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	<title>Ecopolitica &#187; convergência de mídias</title>
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	<description>Política Mudança Climática Século XXI</description>
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		<title>Wikileaks e o jornalismo: inovação e diferenciação</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Jul 2010 18:51:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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Sérgio Abranches
O vazamento pelo Wikileaks de milhares de documentos sobre a operação militar do EUA no Afeganistão está causando grande polêmica na imprensa e na webesfera, no momento. O Wikileaks foi criado para receber “vazamentos” de material confidencial sobre questões sensíveis. O que isso tem a ver com o jornalismo?
Primeiro de tudo, virou notícia. A [...]]]></description>
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<p>Sérgio Abranches</p>
<p>O vazamento pelo Wikileaks de milhares de documentos sobre a operação militar do EUA no Afeganistão está causando grande polêmica na imprensa e na webesfera, no momento. O Wikileaks foi criado para receber “vazamentos” de material confidencial sobre questões sensíveis. O que isso tem a ver com o jornalismo?<span id="more-1088"></span></p>
<p>Primeiro de tudo, virou notícia. A divulgação dos documentos sobre o Afeganistão, os “War Logs”, ou “Diários da Guerra” está em todos os jornais e sites jornalísticos do mundo. A Casa Branca disse que não há novidades no que foi vazado. A Slate, concorda. <a href="http://www.slate.com/id/2261780/">Fred Kaplan</a> diz que se alguém se surpreender com algo do que está lá, acaba de chegar ao mundo dos que lêem jornais. Mas, como diz <a href="http://www.slate.com/id/2261861/">William Saletan</a>, também da Slate, alegar que não há novidade nos vazamentos é uma tentativa de driblar a opinião pública. Há revelações ou relembranças suficientemente perturbadoras para justificar sua publicação com destaque. Julian Assange, fundador do Wikileaks diz que há nos documentos<a href="http://www.slatev.com/video/classified-us-military-records-released-wikileaks/"> evidências de crimes</a> de guerra.</p>
<p>A noção errônea de que “não é novo, não é notícia”, está desmentida na própria repercussão na mídia internacional. Notícia é. E não só o fato de terem sido vazados 90 mil documentos antes classificados como confidenciais. O próprio conteúdo dos documentos é matéria jornalística e gera controvérsia. Até mesmo no próprio governo, como chama atenção a <a href="http://www.wired.com/dangerroom/2010/07/military-disputes-its-own-wikileaked-missile-report/%23more-28507">Wired</a>: “Militares discordam de seu próprio relatório sobre míssil ‘wikivazado’ (wikileaked)”. Há discordância sobre o teor de relatório que fala de um helicóptero Chinook ter sido derrubado pelos rebeldes.</p>
<p><a href="http://www.niemanlab.org/2010/07/when-do-92000-documents-trump-an-off-the-record-dinner-a-few-more-thoughts-about-wikileaks/">Como diz</a>, com toda razão, C.W. Anderson, pesquisador da escola de jornalismo da universidade Columbia, “descobrir algo novo pode não ser tão importante quanto encontrar um padrão em algo que já está por aí”. David Corn, chefe da sucursal de Washington do site <a href="http://motherjones.com/mojo/2010/07/ground-truth-afghanistan?utm_source=twitterfeed&amp;utm_medium=twitter&amp;utm_campaign=Feed:+Motherjones/mojoblog+(MotherJones.com+%7C+MoJoBlog)">Mother Jones</a> diz que, de qualquer forma, o “Afeganistão foi, verdadeiramente, foi uma guerra que recebeu sub-cobertura, além de ter sido sub-discutida e sub-debatida”.</p>
<p>Jeff Jarvis, jornalista, professor de jornalismo, blogueiro e forte formador de opinião no ambiente jornalístico no EUA, tuitou o seguinte sobre seu primeiro post no blog <a href="http://www.buzzmachine.com/">BuzzMachine</a> sobre o caso:</p>
<blockquote><p>Thinking about wikileaks: Is no secret safe now? Where is the line of transparency? (Pensando sobre wikileaks: nenhum segredo está mais seguro agora? Por onde passa a linha da transparência?)</p></blockquote>
<p>No <a href="http://www.buzzmachine.com/2010/07/26/what-if-there-are-no-secrets/">post</a>, Jarvis diz que a moral dessa história dos vazamentos dos “diários da guerra” é que “nunca se sabe o que será vazado”. Mas o ponto central que ele quer mesmo discutir é se há um limite para vazamentos. Se existe uma ética do segredo que o jornalismo investigativo deveria obedecer. A resposta que ele encontra para a questão é inequívoca:</p>
<blockquote><p>“O caso do Wikileaks é um exemplo de ‘atravessar a linha’? Primeiro, precisamos perguntar onde a linha deveria estar. Eu acho que ela tem que se mover de tal modo a definir que o padrão, especialmente no governo, seja a transparência. Ao invés de perguntar o que deveria ser dado a público, deveríamos perguntar o que deveria permanecer privado.”</p></blockquote>
<p>Para Jay Rosen, professor de jornalismo da New York University, blogueiro e também influente formador de opinião, a novidade maior é que Wikileaks, diferentemente da imprensa convencional, não está submetido às leis que impedem a divulgação de material confidencial. A “lógica da Internet” permite que torne público qualquer coisa. Esta é a grande novidade: embora sediado na Suécia, Wikileaks não é de país algum. É, segundo Rosen, o <a href="http://journalism.nyu.edu/pubzone/weblogs/pressthink/2010/07/26/wikileaks_afghan.html">primeiro caso</a> de uma organização noticiosa “apátrida”. Ele usa a expressão “stateless news organization”. Acho que, neste sentido, a melhor tradução é, mesmo, apátrida.</p>
<blockquote><p>“Se você for ao <a href="http://twitter.com/wikileaks">perfil do Twitter</a> do Wikileaks, onde está ‘local’ diz: em todo lugar. Esta é uma das coisas mais surpreendentes sobre ele: é a primeira organização noticiosa apátrida do mundo. Eu não consigo pensar em exemplos anteriores disso. (Dave Winer, no <a href="http://journalism.nyu.edu/pubzone/weblogs/pressthink/2010/07/26/wikileaks_afghan.html%23comment54288">comentários</a>: ‘a blogosfera é uma organização noticiosa apátrida’.) Wikileaks está organizado de tal forma que se houver bloqueio legal em um país, os servidores podem ser transferidos para outro. É assim para colocá-lo fora do alcance de qualquer governo ou sistema legal. Por isso é tão estranho a Casa Branca reclamar: “Eles nem nos contataram!”</p></blockquote>
<p>Mas é jornalismo? É a nova fronteira do jornalismo investigativo? A primeira pista para ajudar a responder a essa questão foi levantada pelo próprio Jay Rosen:</p>
<blockquote><p>“Faça-se a seguinte pergunta: por que Wikileaks simplesmente não publicou os diários da guerra e deixou os jornalistas de todo o mundo terem acesso a eles? Por que entregá-los ao The New York Times, ao Guardian e Der Spiegel <a href="http://embargowatch.wordpress.com/2010/07/25/what-wikileaks-julian-assange-has-to-say-about-embargoes/">primeiro</a>? Porque, como Julien Assange, fundador do Wikileaks <a href="http://www.computerworld.com/s/article/9139180/Wikileaks_plans_to_make_the_Web_a_leakier_place">explicou</a> em outubro passado [à Computerworld], se uma grande história estiver disponível a todos igualmente, os jornalistas vão deixá-la de lado.”</p></blockquote>
<p>Em outras palavras, queria que a informação virasse notícia, repercutisse na imprensa convencional, onde as pessoas vão em busca do que consideram notícia. Eu diria, informação com credibilidade vinda de padrões de conduta firmados e testados. Olhem só que órgãos de imprensa foram escolhidos. Essa é a resposta que Dan Kennedy, professor de jornalismo da universidade Northwestern, em Boston, dá no Guardian, ao perguntar porque “Wikileaks <a href="http://www.guardian.co.uk/commentisfree/cifamerica/2010/jul/27/why-wikileaks-turned-to-press">recorreu à imprensa</a>”?</p>
<blockquote><p>“Material chocante e uma queda para relações públicas podem ser suficientes para você ser notado. Mas se é credibilidade que você quer, então as velhas organizações jornalísticas ainda têm algo a oferecer.”</p></blockquote>
<p>Jeff Jarvis, em <a href="http://www.buzzmachine.com/2010/07/27/value-added-journalism/">outro post</a>, sobre “jornalismo com valor agregado”, conta que perguntou ao editor chefe do Guardian se seu jornal deveria ter criado um Wikileaks, como ele começou o <a href="http://commentisfree.guardian.co.uk/">CommentIsFree</a>, inspirado no Huffington Post. O Wikileaks é um recurso para o jornalismo investigativo e, portanto, deveria fazer parte do arsenal próprio, interno de um jornal? Ou deveria ficar como algo à parte? “Eu acho que é melhor separado” foi a resposta de Rusbridger. Porque o Wikileaks “faz coisas que um jornal não gostaria ou não poderia fazer”. Sobretudo pela característica apontada por Rosen, de estar submetido à lógica global e apátrida da Internet e não às leis de qualquer país.</p>
<p>Os critérios de verificação e transparência são diferentes. Mas o que o jornalismo traz, além da credibilidade mencionada por Dan Kennedy, é que ele adiciona um valor que não se cria com facilidade. “Eu acho que o caso do vazamentos” sobre o Afeganistão, disse Rusbridger a Jarvis, “faz a defesa do jornalismo”.</p>
<blockquote><p>“Nós tínhamos as pessoas e a expertise para dar o sentido daquilo tudo.”</p></blockquote>
<p>É mais que o padrão de checagem. São os anos de experiência dos repórteres, correspondentes, colunistas e editores, capazes de transformar o vazamento numa cobertura com consequência e sentido. Jarvis aponta, corretamente, que, dessa forma, o jornalismo adiciona valor ao material descoberto. Essa tarefa não se esgota.</p>
<p>E essa é mais uma razão para justificar plenamente, a crítica de Michelle Mclellan, do Knight Center, ao ‘<a href="http://www.knightdigitalmediacenter.org/leadership_blog/comments/20100726_the_replacement_myth/">mito da substituição</a>’. “A idéia cansativa que as notícias nascidas na Web vão substituir a mídia tradicional.” Anderson concorda: “eu não acho que um “novo” tipo de jornalismo vai tomar o lugar do modo tradicional. Obviamente, as duas formas jornalísticas vão trabalhar juntas, lado a lado”.</p>
<p>O que se está vendo, a sério, é muito menos a tentativa de invadir e tomar espaços e sim, cada vez mais intensa cooperação entre os vários formatos e as várias plataformas. Rusbridger fala em “mutualização”, Jarvis, em cooperação. Sociologicamente, estamos diante de um fenômeno antigo e sempre fundamental da ordem social. Diferenciação de papéis, um processo que não pára, porque é movido a inovação, que se soma à persistência do que mantém valor próprio. Vai ganhando complexidade, produzindo convergências e diferenças e alimentando a mudança e o progresso. Dialeticamente, tudo muda e tudo que tem valor, se perpetua, ainda que se transformando.</p>
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		<title>Twitter, mudança climática e revolução na mídia</title>
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		<pubDate>Wed, 06 Jan 2010 19:34:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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Um dia, entrei na sala de imprensa do Bella Center, em Copenhague, onde acontecia a Conferência do Clima, e resolvi passear entre as longas mesas.
Sérgio Abranches
Eram mesas largas e compridas, cada uma com capacidade para umas 50 pessoas. E eram muitas. Havia mais de 2000 jornalistas por ali. Passei por várias fileiras, olhando o que [...]]]></description>
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<p>Um dia, entrei na sala de imprensa do Bella Center, em Copenhague, onde acontecia a Conferência do Clima, e resolvi passear entre as longas mesas.</p>
<p>Sérgio Abranches<span id="more-789"></span></p>
<p>Eram mesas largas e compridas, cada uma com capacidade para umas 50 pessoas. E eram muitas. Havia mais de 2000 jornalistas por ali. Passei por várias fileiras, olhando o que as pessoas tinham em suas telas de computador.</p>
<p>Não era um ato gratuito de voyeurismo, embora uma jornalista argentina, que teimava em só falar inglês mesmo com quem falava espanhol, tenha achado que sim. Ela se irritou visivelmente, porque quando passei por ela, estava colocando uma foto do jornalista em frente no Facebook, dizendo que queria ficar com ele. Tapou a tela com as mãos ostensivamente.</p>
<p>Está certo que olhar por trás dos outros é feio e o cara estava com a mulher ao lado, também jornalista. Mas meu objetivo era outro: observar quantas pessoas estavam usando recursos multimídia e de rede social.</p>
<p>O que pude observar é que a maioria usava vídeos e texto. A esmagadora maioria postava em tempo real, em blogs ou em sites de suas empresas jornalísticas e portais de notícias. Quase todos usavam Twitter.</p>
<p>Retornando de Copenhague e ainda me recuperando de uma sinusite com bronquite, provavelmente causadas pelo frio nas vezes que o enfrentei sem agasalho suficiente, vi tuíte dizendo que <a href="http://ow.ly/S0cK">2009 foi o ano</a>&#8230; do Twitter, claro. Certamente foi. Ele explodiu no ano passado, em todos os indicadores: número de contas, números de contas ativas, número de tuítes, replies, retuítes e DMs. <a href="http://news.cnet.com/2702-1023_3-434.html%23featured">Aumentou</a> o número de pessoas que têm no Twitter sua <a href="http://www.leveltendesign.com/blog/colin/rethinking-my-twitter-content-stratgy">plataforma</a> âncora de <a href="http://bits.blogs.nytimes.com/2009/11/10/tweets-are-coming-to-linkedin/">comunicação coletiva</a>, ou de rede social.</p>
<p>Se 2009 foi o ano do Twitter, ele certamente foi também o ano em que o Twitter dominou a cobertura jornalística na Cúpula do Clima. Marcou, igualmente, o seu uso generalizado pelas ONGs e outras organizações que foram à COP15, para realizar eventos paralelos, advogar políticas, ou pressionar, contra ou a favor.</p>
<p>Como observou <a href="http://reportr.net/2009/09/15/foj09-talk-twitter-as-a-system-of-ambient-journalism/">Alfred Hermida</a> (@Hermida)</p>
<p>foi muito rápida a adesão dos jornalistas ao Twitter, provocando quase um frenesi tuiteiro em alguns setores da mídia.</p>
<p>Ele também nota que</p>
<p>O Twitter foi rapidamente adotado nas redações como um mecanismo de distribuir as últimas notícias rapidamente e de forma concisa ou como um recurso para encontrar idéias para matérias, fontes e fatos.</p>
<p>Eu vi isso acontecer na Sala de Imprensa do Bella Center. Tuítes eram usados para para dar aquelas notícias que todos sabiam seriam superadas em matéria de horas, se não minutos; furos cada vez mais efêmeros; para socializar sites e contas de Twitter que eram boas fontes de informação; para dar opinião; para comentar sobre a experiência e o ambiente da cobertura da COP15, que foi <a href="http://www.ecopolitica.com.br/2009/12/29/clima-cosmopolita/">inédita</a> sob muitos aspectos. Nesse ambiente, o uso da palavra exclusivo era uma temeridade.</p>
<p>Formou-se uma espécie de Twitter de Babel, um diálogo multi-linguístico continuado e uma experiência de compartilhamento de informação, claro, com filtros (uns mais que outros) e com defecções (todas muito notadas).</p>
<p>O presidente francês Nicolas Sarkozy disseminava suas impressões, informações e idéias por meio de uma conta de Twitter criada especificamente para a COP15: @ElyseeCop15.</p>
<p>O primeiro ministro Gordon Brown usou a conta regular @10DowningStreet para dar suas impressões. Ambas se tornaram fontes muito úteis e largamente consultadas.</p>
<p>Um tuíte típico representando a visão de Sarkozy era assim:</p>
<p>PR: “les difficultés de cette conférence, c&#8217;est la preuve d&#8217;un système onusien à bout de souffle”, about 13 hours ago from Seesmic. (“As dificuldades dessa conferência, prova de que o sistema da ONU perdeu o gás”).</p>
<p>Um tuíte típico expressando o ponto de vista de Gordon Brown era assim:</p>
<p>PM: Negotiations fraught, but determined to get this done. Leaders must put cards on table. 8:12 AM Dec 17th from web (“Negociações ameaçadas, mas determinado a fechá-las. Os líderes precisam pôr as cartas na mesa”).</p>
<p>Quando penso naqueles dias intensos na Sala de Imprensa durante a COP15, uma das imagens mais nítidas que me vêem à mente é a de milhares de jornalistas buscando freneticamente informação, checando, verificando o que conseguiam, por todos os meios possíveis, um grande número compelido a reportar em tempo real.</p>
<p>A intermediação do Twitter tornava essa situação relativamente comum nesse tipo de cobertura, na melhor expressão das formas emergentes daquilo que Hermida chama de jornalismo de ambiente.</p>
<p>(J)ornalismo de ambiente &#8211; um sistema de percepção que oferece meios diversos de coletar, comunicar, compartilhar e apresentar notícias e informações, servindo a diferentes objetivos. O sistema está sempre no ar mas também opera em distintos graus de engajamento e consciência.</p>
<p>A COP15 foi seguramente a primeira na qual o Twitter foi integralmente usado como parte da cobertura jornalística. Imagino que tenha sido também o ápice do blog jornalístico dedicado ao clima. Não tenho evidência coletada disso, mas posso dar o testemunho da minha experiência e observação: obtive mais informação e confirmação de notícias e rumores em blogs do que nos sites da imprensa convencional, exceto nos casos da Reuters e do The Guardian. Claro, estou contando blogs de jornalistas profissionais abrigados em sites da imprensa convencional, como o <a href="http://dotearth.blogs.nytimes.com/">Dot Earth</a> do @Revkin ou o <a href="http://www.guardian.co.uk/environment/blog">Environment Blog</a> do The Guardian. Mas eles são poucos. A maioria era blog separado da imprensa convencional.</p>
<p>O Twitter foi também um recurso crucial para advogados de políticas climáticas, lobbies, militantes, pro e contra, e ONGs. Eles tinham objetivos distintos da imprensa, mas eram também ótimas fontes de informação. Experientes analistas do Greenpeace foram fundamentais para mim, por exemplo. Também obtive boa informação de profissionais do WWF e da OXFAM.</p>
<p>Uma experiência que achei muito interessante foi o uso feito pelo <a href="http://adoptanegotiator.org/">Adopt a Negotiator</a> da combinação entre blog, Facebook e Twitter. Foi provavelmente muito educativo para os participantes e era também uma boa fonte para os jornalistas.</p>
<p>O Twitter é, hoje, o instrumento mais importante para disseminar informação sobre os militantes ainda presos pela polícia dinamarquesa. É o recurso que permite dar transparência &#8211; uma forma de defesa &#8211; ao que se passa com eles e mobilizar mundo afora protestos pela prisão continuada e demanda por sua soltura.</p>
<p>E o Twitter se tornou um recurso indispensável para a pesquisa e o jornalismo.</p>
<p>De fato, o Twitter pode ser um sério acessório da reportagem. Ele pode ser uma lista viva e palpitante de dicas de fatos, fontes de notícias e idéias para matérias. Ele pode dar acesso instantâneo a pessoas de difícil acesso que são notícia, dado que não há um assessor de relações públicas entre o repórter e um tuíte para uma autoridade governamental ou executivo de uma empresa. Ele pode também ser um instrumento ainda tosco para crowdsourcing. (Paul Farhi &#8211; <a href="http://www.ajr.org/Article.asp?id=4756">The Twitter Explosion</a>, AJR).</p>
<p>Eu mesmo tenho usado o Twitter para marcar entrevistas, confirmar fatos, obter opiniões e dicas com muita frequência. Há uma etiqueta para isso e, fazendo da maneira correta, é um instrumento diferente que realmente funciona melhor do que qualquer outro de que se dispunha anteriormente.</p>
<p>Hashtags foram usados amplamente na cobertura da COP15 via Twitter, mas os principais foram #COP15, #Copenhagen, e #climate.</p>
<p>Hashtags são apenas um dos recursos que dão coerência ao que pode parecer como a Torre de Babel do Twitter (Paul Farhi &#8211; <a href="http://www.ajr.org/Article.asp?id=4756">The Twitter Explosion</a>, AJR)</p>
<p>O fluxo de tuítes com o hashtag #COP15 continua sem parar e permanece como uma boa fonte para jornalistas, militantes, profissionais de políticas públicas e corporativas. O número de bobagens nesses tuítes aumentou, é verdade, mas os que têm relevância e interesse ainda superam esses inúteis. Meu palpite é que o #COP15 vai continuar existindo e digno de nota até se transformar, sem descontinuidade, em #COP16.</p>
<p>Há várias interfaces entre jornalistas, defensores de políticas climáticas e militantes verdes. Um deles é, certamente, o Twitter. Ao mesmo tempo que militantes e defensores de políticas podem ser fontes úteis para os jornalistas, eles são também os mais frequentes visitantes de sites da imprensa convencional e de blogs de notícias, buscando informação agregada, opinião e análise.</p>
<p>Tudo isso significa que o Twitter atrai o tipo de pessoas que a mídia deveria amar &#8211; aquelas que estão interessadas em e engajadas com as notícias. (Paul Farhi &#8211; <a href="http://www.ajr.org/Article.asp?id=4756">The Twitter Explosion</a>, AJR).</p>
<p>Tudo isso é verdade, também, para quem escreve sobre política, cultura, moda, economia, esportes, negócios, tecnologia, comunicação, saúde, ciência e tudo o mais.</p>
<p>Quem continua discutindo se o Twitter vai desbancar os blogs ou outras plataformas de redes sociais e até os sites de notícias em tempo real, está deixando de ver o essencial. O que estamos vendo é maior integração entre eles: o LinkedIn já incorporou o Twitter. O Digg, que já andou às turras com o Twitter, também <a href="http://www.telegraph.co.uk/technology/social-media/6917829/Digg-considering-adding-Twitter-updates.html">estuda incorporar</a> tuítes e posts no Facebook à sua plataforma. Cada um vai se especializar na função em que é melhor e todos comporão uma rede integrada de comunicação coletiva de enorme poder.</p>
<p>A mudança que me fez ver valor real no Twitter ocorreu por volta de um ano atrás, quando as pessoas que eu havia aprendido a conhecer e apreciar por seus escritos em blogs iniciaram conversações no Twitter. Nessa época, eu já era um blogueiro frequente há uns dois anos e vinha dialogando com outros blogueiros por meio de meu próprio blog ou de comentários nos blogs deles. Gradualmente, notei que os diálogos que se davam nos blogs e nos comentários aos blogs estavam se mudando para o Twitter. EU não havia buscado por eles antes no Twitter, mas agora, a maioria deles colocou o nome que usa no Twitter em seus blogs. (Oscar Berg &#8211; <a href="http://ow.ly/S0cK">“Why 2009 was the Year of Twitter”</a>, The Content Economy).</p>
<p>Para alguns objetivos de obtenção de informação, o Twitter é melhor que o RSS. Como o blogueiro Oscar Berg diz, blogs são pessoais e o Twitter é a plataforma coletiva, uma espécie de território comum, ponto de encontro. Twitter, blogs e redes sociais serão elemento centrais na evolução do processo de <a href="http://dannybrown.me/2010/01/04/social-media-in-2010-aggregation-segmentation-and-specialization/">agregação, segmentação e especialização</a> na Webesfera, tanto quanto no mundo da mídia.</p>
<p>Onde nenhum outro recurso compete hoje com o Twitter é no que <a href="http://cloud9media.wordpress.com/2010-trends/2009-year-of-twitter/">Cloud9Media</a> chamou de “magia do tempo real”. Seja na busca em tempo real, seja para furos ou notícias rápidas em tempo real, seja ainda para obter reações em tempo real ou qualquer outra necessidade de informação ou comunicação social instantânea, o Twitter funciona melhor e de forma mais econômica do que qualquer outro recurso disponível.</p>
<p>O Twitter é muito impressionante e é o mais eficiente mecanismo que jamais vi para me permitir examinar em detalhe as correntes de pensamento de pessoas que vivem por todo o mundo. (Vivek Wadhwa &#8211; <a href="http://www.techcrunch.com/2010/01/01/twitter-and-me/">“Twitter and Me! Why It’s The Only Social Media Tool I Use”</a>, TechCrunch).</p>
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