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	<title>Ecopolitica &#187; clima</title>
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	<description>Política Mudança Climática Século XXI</description>
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		<title>Cientistas poderão desenvolver  culturas que se adaptam à mudança climática</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Dec 2011 18:21:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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Culturas que lidam com flutuações climáticas repentinas podem ser desenvolvidas em futuro breve, graças a descobertas recentes sobre os mecanismos de sobrevivência das plantas. Cientistas da Universidade de Edinburgh, que estão estudando como pequenas algas renovam proteínas velhas ou danificadas de células, dizem que suas descobertas podem ser úteis para o desenvolvimento de culturas apropriadas [...]]]></description>
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<p>Culturas que lidam com flutuações climáticas repentinas podem ser desenvolvidas em futuro breve, graças a descobertas recentes sobre os mecanismos de sobrevivência das plantas. Cientistas da Universidade de Edinburgh, que estão estudando como pequenas algas renovam proteínas velhas ou danificadas de células, dizem que suas descobertas podem ser úteis para o desenvolvimento de culturas apropriadas para climas nos quais as condições do tempo mudam rapidamente.<span id="more-3204"></span></p>
<p>Eles descobriram que a velocidade em que se dá a renovação da proteína determina a rapidez com que podem se adaptar a mudanças ambientais, como geadas ou secas repentinas.</p>
<p>“Até agora, nós sabíamos que as plantas substituíam proteínas velhas ou danificadas, mas não tínhamos ideia quanto tempo esse processo demorava para proteínas em particular, ou como esse processo variava entre diferentes partes da planta. Nossas descobertas serão úteis para maior compreensão sobre como as plantas são programadas para sobreviver,” explica Sarah Martin do Centro de Biologia Sistêmica da Universidade de Edinburgh, que dirigiu o estudo.</p>
<p>As taxas de renovação variam entre proteínas de acordo com seu papel e localização nas células. Proteínas que fazem a fotossíntese – o processo que converte a luz solar em energia – renovam rapidamente, porque elas correm o risco de sofrerem danos pela luz. Já as proteínas que protegem o DNA nas  células das plantas correm pouco risco de dano e se renovam lentamente.</p>
<p>Essas descobertas podem ajudar a criar culturas incorporando proteínas que respondem rapidamente a condições mutáveis. Podem, também, ajudar no desenvolvimento de culturas de alta produtividade em ambientes estáveis, onde as condições demandam pouca adaptação às condições locais.</p>
<p>Os cientistas fizeram essas descobertas ao desenvolver um método para detectar a rapidez com que as algas absorvem nitrogênio de sua alimentação, o qual é usado para produzir proteínas. O estudo foi financiado pelo Conselho de Pesquisas em Biotecnologia e Ciências Biológicas e pelo Conselho de Pesquisa em Engenharia e Ciências Físicas, e acabou de ser publicado na Revista de Pesquisas sobre o Proteoma (“Journal of Proteome Research”).</p>
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		<title>IPCC reconhece importância dos acordos de Durban e alerta os governos</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Dec 2011 12:11:11 +0000</pubDate>
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O IPCC comentou as decisões de Durban em declaração oficial. Reconhece que as decisões de domingo criam as bases para que a sociedade global enfrente o desafio da mudança climática. Mas, alerta, é preciso mais ação, o mais rápido.
Meu comentário de hoje na CBN:

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		</div>
<p>O IPCC comentou as decisões de Durban em declaração oficial. Reconhece que as decisões de domingo criam as bases para que a sociedade global enfrente o desafio da mudança climática. Mas, alerta, é preciso mais ação, o mais rápido.<span id="more-3196"></span></p>
<p>Meu comentário de hoje na CBN:</p>
<p><iframe src='http://www.cbn.com.br/Player/player.htm?audio=2011/colunas/ecopolitica_111214&#038;OAS_sitepage=cbn/comentarios/sergioabranches' width='475' height='193' marginheight='0' marginwidth='0' frameborder='0' scrolling='no' bgcolor='#CCCCCC'/></iframe></p>
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		<title>O IPCC comenta a Plataforma de Durban na COP17</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Dec 2011 17:18:11 +0000</pubDate>
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O Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC), que fornece a formuladores de políticas públicas o estado atual da ciência do clima, divulgou hoje uma declaração sobre o resultado da COP17, em Durban. Mostra preocupação com a decisão de “adotar um acordo legal universal sobre mudança climática o mais rápido possível, mas não depois de 2015, [...]]]></description>
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<p>O Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC), que fornece a formuladores de políticas públicas o estado atual da ciência do clima, divulgou hoje uma declaração sobre o resultado da COP17, em Durban. Mostra preocupação com a decisão de “adotar um acordo legal universal sobre mudança climática o mais rápido possível, mas não depois de 2015, para vigorar em 2020.” O acordo de Durban reafirma a decisão de rever os compromissos de Copenhague/Cancún de reduzir as emissões à luz do próxio relatório do IPCC, a ser divulgado em 2013. O IPCC foi consultado sobre que impacto esses acordos terão no aquecimento global. &#8220;Deve-se adotar ações rapidamente para cortar as emissões para evitar uma elevação destrutiva nas temperaturas mundiais, mostram os resultados do Painel do Clima.&#8221;</p>
<p><span id="more-3187"></span></p>
<p>A declaração diz que o IPCC deve publicar a primeira parte de seu relatório de avaliação, o quinto, em 2013. Mas em seu quarto relatório, publicado em 2007, já mostrou que um aumento de 2 graus Celsius pode ter efeitos danosos. Também diz que os gases estufa devem cair globalmente entre 50% e 85% até 2050 em comparação às emissões de 2000 e as emissões globais devem ter seu pico bem antes do ano 2020.</p>
<p>O IPCC afirma que “a série de acordos feitos no domingo por perto de 200 países em  Durban lança as fundações para que a comunidade global possa enfrentar a mudança climática”. Mas alerta que “deve-se adotar ações rapidamente para cortar as emissões de modo a evitar uma elevação destrutiva das temperaturas mundiais”.</p>
<p>Veja o texto completo da declaração do IPCC.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Declaração do IPCC</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>13 de Dezembro de 2011</strong></p>
<blockquote><p>Deve-se adotar ações rapidamente para cortar as emissões para evitar uma elevação destrutiva nas temperaturas mundiais, mostram os resultados do Painel do Clima.</p></blockquote>
<p>A série de acordos feitos no domingo por quase 200 países em Durban lança as fundações para que a comunidade global possa enfrentar a mudança climática.</p>
<p>Governos em encontro na conferência anual do clima da Convenção Quadro sobre Mudança Climática das Nações Unidas (UNFCCC) decidiram adotar um acordo universal legal o mais rápido possível, mas não depois de 2015, a ser adotado e passar a vigorar a partir de 2020. Ao mesmo tempo eles reconhecem a necessidade de elevar o seu nível coletivo de ambições para reduzir emissões de gases estufa para manter a elevação média da temperatura global abaixo de 2 graus Celsius.</p>
<p>O Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática foi chamado a se manifestar sobre que impactos esses acordos terão no aquecimento global.</p>
<p>O IPCC, que provê formuladores de políticas com o estado atual da ciência do clima, incluindo o impacto da mudança climática e o que pode ser feito para enfrentá-la, deve publicar a primeira parte se seu próximo relatório de avaliação, o quinto, em 2013.</p>
<p>Mas já no quarto relatório de avaliação, publicado em 2007, o IPCC mostrou que uma elevação de temperatura de 2 graus Celsius poderia ter um efeito destrutivo sobre o suprimento de água, a biodiversidade, o suprimento de alimentos, enchentes costeiras, tempestades e saúde.</p>
<p>O quarto relatório de avaliação mostra que as emissões de gases estufa que contribuem para o aquecimento global devem cair globalmente entre 50% e 85% comparadas às emissões de 2000, até 2050, e que as emissões globais devem atingir seu pico bem antes de 2020, com um declínio substancial a partir daí, de modo a limitar o aumento na temperaturas médias globais a 2 graus Celsius acima dos níveis preindustriais. No curto prazo, até 2020, as emissõess dos países industrializados (listados no Anex I do Protocolo de Quioto) precisam ser reduzidas entre 25% e 40% abaixo dos níveis de 1990, do mesmo modo que se requer substanciais desvios em relação à tendência presente em países em desenvolvimento e economias emergentes.</p>
<p>Isto deve ser considerado no pacote. Quanto mais cedo se adotar ações, mais baratas e mais efetivas elas serão.</p>
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		<title>Seca no EUA mantém inflação de alimentos</title>
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		<pubDate>Thu, 11 Aug 2011 13:39:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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Sérgio Abranches
A seca castiga o Sul do EUA, com epicentro no Texas, produtor de carne, algodão e grãos. Chega ao Meio Oeste, grande produtor de soja e milho. Isto significa mais pressão nos preços globais de comida, mais inflação alimentar, boas perspectivas para a exportação e risco de desmatamento no Brasil.
O epicentro dessa seca violenta [...]]]></description>
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<p style="text-align: center;">Sérgio Abranches</p>
<p>A seca castiga o Sul do EUA, com epicentro no Texas, produtor de carne, algodão e grãos. Chega ao Meio Oeste, grande produtor de soja e milho. Isto significa mais pressão nos preços globais de comida, mais inflação alimentar, boas perspectivas para a exportação e risco de desmatamento no Brasil.<span id="more-2571"></span></p>
<p>O epicentro dessa seca violenta é o Texas, que tem 75% de seu território em estado de “seca excepcional”, o mais grave da escala do Centro Nacional para Mitigação da Seca (NDMC). No EUA continental, 12% do território estão nesta condição. No Sul, além do Texas, estão sofrendo muito com a seca o Arizona, que enfrentou queimadas inéditas este ano, a Georgia, estado usualmente úmido, e o Oklahoma, grande produtor de algodão, que está com 65% do território em estado de “seca excepcional”. No Texas, 800 mil hectares de terra agrícola estão comprometidos. O pior é que o Sul já havia enfrentado seca muito rigorosa e grave em 2007, que atingiu Florida, Georgia, Alabama e Texas.</p>
<p>Agora a seca já entra em estágio mais grave também no Meio Oeste, região que está com 38% do território em situação “anormalmente seca”, a segunda mais grave do NDMC. Iowa, o maior produtor de soja e milho do país, está com 45% de sua área “anormalmente seca” e 19% do território de Indiana, outro grande produtor de milho, em situação de “seca moderada”, categoria imediatamente inferior. A onda de calor e seca atinge a soja no seu período reprodutivo.</p>
<p>A seca castiga os pastos e as plantações de soja, milho e algodão, principalmente. As culturas de soja e milho já haviam sido afetadas na primavera pelo excesso de chuva. Agora, mal recuperadas do stress hídrico, são atingidas pela seca. A maioria dos analistas já prevê uma safra pobre, como resultado.</p>
<p>Os preços do milho estão subindo fortemente. A demanda por etanol, que no EUA é de milho, está muito alta também. No começo desta semana o preço do milho superou o limite de 30 centavos por dia da <a href="http://www.dtnprogressivefarmer.com/dtnag/common/link.do;jsessionid=09848B059840834E421CAE5706D7EE24.agfreejvm2?symbolicName=/free/news/template1&#038;vendorReference=81adb8a8-9bec-43c0-ac3c-07dea59a884d">Bolsa de Futuros de Chicago</a>, que acabou sendo elevado pela agência reguladora federal. Significa admitir um período anormalmente longo e inevitável de volatilidade nos preços do milho no mercado de futuros. A pressão nos preços do milho vem desde junho, quando a seca já era grave e as estimativas de safra começavam a piorar relativamente à expectativas.</p>
<p>Para o Brasil, cria-se uma situação típica de oportunidade e risco. Oportunidade, porque em um momento de crise e de valorização do real, os exportadores de soja e etanol e, em menor escala, de carne, vêem os preços internacionais em forte subida. Os preços das outras commodities já estão caindo por causa dos sinais de nova recessão mundial. Risco porque a elevação do preço e demanda internacionais de soja e carne representam sempre um grande perigo de mais desmatamento na Amazônia e no Cerrado. Desmatamento que já está <a href="http://www.ecopolitica.com.br/2011/08/04/desmatamento-na-amazonia-aumenta-pelo-quarto-mes/">crescendo este ano</a>. No caso do etanol, vai agravar a <a href="http://www.ecopolitica.com.br/2011/07/28/politica-para-etanol-na-contramao-da-logica-da-economia/">contradição</a> entre a política federal de congelamento do preço da gasolina e estímulo ao carro flex. O preço do etanol pode se aproximar e até superar o preço da gasolina, fazendo com que os proprietários de carros flex encham seus tanques com gasolina. Isso desacredita a função redutora de emissões do motor flex e aumenta os danos ambientais e de saúde pública causados pela poluição automotiva. É o que em inglês chamariam de “mixed blessing”.</p>
<p>A consequência global desses efeitos econômicos da seca no EUA é que os preços globais dos alimentos continuarão altos. A inflação alimentar continuará elevando os índices de inflação. Na China, este já é o principal fator inflacionário. No Brasil, também tende a pressionar a inflação, porém mais moderadamente. O preço do etanol em alta acaba entretanto reduzindo o efeito redutor na inflação do congelamento do preço da gasolina. Como ela tem uma mistura de 25%, esses 25% levam ao aumento da gasolina na bomba. Mas, em muitos países, esse quadro de oferta de grãos em baixa e preços em alta significa fome e morte. É o que se está vendo dramaticamente &#8211; e numa trágica e dolorosa repetição &#8211; na Somália  e na Etiópia.</p>
<p>No Brasil, o governo terá que, em algum momento, rever sua política para a gasolina &#8211; que é economicamente contraditória e ambientalmente danosa &#8211; e aumentar as ações de comando e controle nas áreas críticas de desmatamento associadas à soja e à pecuária.</p>
<p>Ouça também meu comentário na CBN:</p>
<p><iframe src='http://www.cbn.com.br/Player/player.htm?audio=2011/colunas/ecopolitica_110811&#038;OAS_sitepage=cbn/comentarios/sergioabranches' width='475' height='193' marginheight='0' marginwidth='0' frameborder='0' scrolling='no' bgcolor='#CCCCCC'/></iframe></p>
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		<title>Conexões críticas: dimensões da crise</title>
		<link>http://www.ecopolitica.com.br/2011/08/09/conexoes-criticas-dimensoes-da-crise/</link>
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		<pubDate>Tue, 09 Aug 2011 14:24:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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Sérgio Abranches
Todo o mundo se preocupa agora com a inflação de alimentos na China, que pode agravar os fatores recessivos na crise financeira.
Essa é uma das conexões críticas entre a crise econômica e a crise climática (aqui, aqui e aqui) que vivemos há sete anos e que está afetando a agricultura mundial.
Não há como controlar [...]]]></description>
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			</a>
		</div>
<p style="text-align: center;">Sérgio Abranches</p>
<p>Todo o mundo se preocupa agora com a inflação de alimentos na China, que pode agravar os fatores recessivos na crise financeira.<span id="more-2545"></span></p>
<p>Essa é uma das conexões críticas entre a crise econômica e a crise climática (<a href="http://www.ecopolitica.com.br/2011/07/29/perda-economica-no-eua-pode-ser-a-maior-da-decada-em-2011/">aqui</a>, <a href="http://www.ecopolitica.com.br/2011/04/27/clima-nao-e-mais-evento-esporadico-para-agricultura-e-fator-permanente/">aqui</a> e <a href="http://www.ecopolitica.com.br/2011/01/21/um-ano-de-extremos-2010-pode-ser-o-retrato-de-nosso-futuro/">aqui</a>) que vivemos há sete anos e que está afetando a agricultura mundial.</p>
<p>Não há como controlar a inflação chinesa. Reduzir o ritmo de crescimento afeta pouco a demanda por alimentos. A produção agrícola foi fortemente prejudicada pela sucessão de eventos climáticos extremos nos últimos anos e que continua neste ano de 2011 com a seca no Texas e no Chifre da África e o início da temporada de furacões no Atlântico Norte, cujas águas registram a terceira maior temperatura de superfície desde que há registros. A temperatura da água do mar é o principal fator de intensificação dos furacões. </p>
<p>Nos países produtores, esses eventos climáticos comprometem as safras, fazendo com que os estoques de alimentos, principalmente grãos, estejam muito baixos, já por bastante tempo. Ao mesmo tempo, o ciclo de expansão econômica anterior à crise, aumentou a renda das populações em todo o mundo, elevando a demanda por alimentos. Uma demanda também pressionada pelo crescimento demográfico da última década. A inflação decorrente é clássica demanda alta, oferta baixa, levando à elevação dos preços. Esses eventos climáticos geram escassez de alimentos, produzindo inflação na maioria dos mercados e crise aguda de fome nos países mais pobres.</p>
<p>A única coisa que a China para atender sua demanda por alimentos pode fazer é importar. Ela também teve seus desastres agrícolas ligados ao clima &#8211; secas e enchentes &#8211; e está com baixos estoques domésticos. Em agricultura, não se aumenta a produção quando se quer, mas de acordo com as condições climáticas. O problema é que, ao importar, coisa que já faz de forma significativa, a China pressiona a oferta mundial já deprimida e eleva os preços globais das commodities agrícolas.</p>
<p>A outra conexão direta entre a crise e o clima se dá no mercado de carbono. Este mercado, cujo centro dominante é a Europa, vem enfrentando sucessivas crises. A crise de 2008 derrubou os preços violentamente. Em seguida, o mercado enfrentou séria crise de credibilidade, com a descoberta de fraudes na geração de créditos em vários países. Agora, os preços voltaram a cair fortemente. Se o carbono for considerado como uma commodity, é a de pior desempenho nessa crise. Dificilmente prosperarão, nesse contexto negativo, as iniciativas de criação de mercados de carbono em outros países, que permitiriam, no médio prazo, a formação de um mercado global de carbono.</p>
<p>A terceira conexão crítica está relacionada aos programas de redução de carbono: os investimentos em energia renovável caem com a crise, embora menos que os investimentos em atividades convencionais e de baixo carbono. Os programas de reforma de prédios e redesenho urbano são prejudicados pela contração fiscal resultante das políticas de gestão da dívida que já estão sendo implementadas. A introdução de novas tecnologias fica afetada negativamente pela contração fiscal, que desacelera programas de pesquisa e desenvolvimento, e pela volatilidade das bolsas, que reduz a capacidade de captação e o lançamento de startups.</p>
<p>Finalmente, há uma conexão com a política climática global. Um dos itens mais importantes da agenda para a COP17, em Durban, é o financiamento para mitigação e adaptação nos países em desenvolvimento. A arquitetura desse financiamento, que viveu um longo impasse, foi finalmente resolvida no Acordo de Copenhague. Um dos principais avanços na COP15 foi a solução operacional para o financiamento, com a criação de um esquema de curto prazo para o período 2010-2012 e do fundo de longo prazo, que deveria chegar progressivamente a US$ 100 bilhões por ano, em 2020. Os aspectos fundamentais do Acordo de Copenhague foram oficializados nos Acordos de Cancún, no ano passado, durante a COP16. Mas não houve qualquer desembolso de dinheiro novo para o esquema 2010-2012 ao longo de 2010, nem está havendo este ano. Com o aperto fiscal generalizado, certamente chegaremos a dezembro sem qualquer desembolso. O fundo de longo prazo deveria começar a receber recursos em 2013. Essa incapacidade dos países de honrar o contratado nos dois Acordos, de Copenhague e de Cancún, tende a criar um clima de desconfiança entre os negociadores, exacerbar velhos conflitos, que vinham sendo razoavelmente bem administrados nos últimos dois anos, e recriar impasses que já haviam sido removidos.</p>
<p>Conto um pouco dessa história em meu livro Copenhague Antes e Depois, que já tem <a href="http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/3540631/copenhague-antes-e-depois/?ID=BD7A668D7DB08090B022D0135">edição digital</a>. Cobri os Acordos de Cancún para o <a href="http://www.ecopolitica.com.br/category/cop16/">Ecopolitica</a>.</p>
<p>Ouça também meu comentário de hoje na CBN:</p>
<p><iframe src='http://www.cbn.com.br/Player/player.htm?audio=2011/colunas/ecopolitica_110809&#038;OAS_sitepage=cbn/comentarios/sergioabranches' width='475' height='193' marginheight='0' marginwidth='0' frameborder='0' scrolling='no' bgcolor='#CCCCCC'/></iframe></p>
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		<title>Perda econômica no EUA pode ser a maior da década em 2011</title>
		<link>http://www.ecopolitica.com.br/2011/07/29/perda-economica-no-eua-pode-ser-a-maior-da-decada-em-2011/</link>
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		<pubDate>Fri, 29 Jul 2011 21:05:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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Sérgio Abranches
O EUA pode ter as piores perdas econômicas de sua história, não por causa do impasse da dívida, que só aumentará os dissabores pelos quais passa o país. É o clima que está cobrando um preço elevado da população.
Se o clima continuar inclemente nos próximos meses no EUA, como tem sido até agora, 2011 [...]]]></description>
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<p style="text-align: center;">Sérgio Abranches</p>
<p>O EUA pode ter as piores perdas econômicas de sua história, não por causa do impasse da dívida, que só aumentará os dissabores pelos quais passa o país. É o clima que está cobrando um preço elevado da população.<span id="more-2474"></span></p>
<p>Se o clima continuar inclemente nos próximos meses no EUA, como tem sido até agora, 2011 pode registrar o maior prejuízo da história do país causado por desastres climáticos.</p>
<p>Neste momento, o Texas passa por uma das piores secas de sua história. Ondas de calor atravessam várias regiões do país. Começa a estação de furacões. Só no mês de abril, o país enfrentou tornados mortais, queimadas destruidoras e enchentes violentas. Até agora, 8 desastres provocaram prejuízos superiores a US$ 1 bilhão. O recorde de prejuízos foi em 2008, quando foram registrados 9 desastres climáticos com perdas econômicas elevadas.</p>
<p>Com essa história, 2011 já pode ser contado como o sétimo ano seguido marcado por eventos climáticos extremos com alto poder de dano, em alguma parte do mundo. Esse <a href="http://www.ecopolitica.com.br/2011/04/27/clima-nao-e-mais-evento-esporadico-para-agricultura-e-fator-permanente/">ciclo</a> começou em 2005, com o Katrina e ainda não parece ter chegado ao fim. Se é que terá fim. Pode não ser um ciclo, mas o início de uma era de clima alterado.</p>
<p>Além do EUA, a seca está produzindo uma tragédia no “Chifre da África”, particularmente, na Somália, matando milhares por inanição e criando muitos milhares de refugiados da fome: <a href="http://www.guardian.co.uk/global-development/poverty-matters/2011/jul/28/horn-africa-drought-warning">aqui</a>, <a href="http://www.bbc.co.uk/news/world-africa-14291581">aqui</a> e <a href="http://www.wfp.org/news/news-release/horn-africa-emergency">aqui</a>.</p>
<p>Esses eventos climáticos adversos afetaram dramaticamente a agricultura mundial, elevando os preços dos alimentos, em escala global, por um longo período. Este ano será de preços de alimentos altos e o próximo também. Uma longa inflação climática no segmento alimentar. Os preços só caem significativamente se uma recessão derrubar fortemente a demanda global. Esses desastres já custaram muitas vidas humanas e destruíram muito patrimônio, público e privado, inclusive infra-estrutura e plantas industriais.</p>
<p>É tão dramática a situação no Texas, que a população torce para o estado ser atingindo hoje no final do dia pela tempestade tropical Don. Preferem chuva torrencial, vendavais, mas que traga água e umidade, a continuar enfrentando seca tão severa. É muito provável que a tempestade Don atinja o Texas. Mas não sem custo. Pode, inclusive, destruir a safra de algodão do estado.</p>
<p><iframe src='http://www.cbn.com.br/Player/player.htm?audio=2011/colunas/ecopolitica_110729&#038;OAS_sitepage=cbn/comentarios/sergioabranches' width='475' height='193' marginheight='0' marginwidth='0' frameborder='0' scrolling='no' bgcolor='#CCCCCC'/></iframe></p>
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		<title>Mudança climática é fator causador de extremos climáticos</title>
		<link>http://www.ecopolitica.com.br/2011/06/29/mudanca-climatica-e-fator-causador-de-extremos-climaticos/</link>
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		<pubDate>Wed, 29 Jun 2011 16:08:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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Sérgio Abranches
Tempestades mais violentas, secas prolongadas, ondas de calor, eventos que antes eram uma previsão nos modelos climáticos, agora são fenômenos observados, diz um artigo recente da Scientific American. A Sociedade Americana de Meteorologia, acaba de lançar o Estado do Clima 2010 (State of the Climate 2010). Nele, segundo Thomas Karl, diretor do National Climatic [...]]]></description>
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<p style="text-align: center;">Sérgio Abranches</p>
<p>Tempestades mais violentas, secas prolongadas, ondas de calor, eventos que antes eram uma previsão nos modelos climáticos, agora são fenômenos observados, diz um artigo recente da <a href="http://bit.ly/kRv8MZ">Scientific American</a>. A Sociedade Americana de Meteorologia, acaba de lançar o <a href="http://www.ncdc.noaa.gov/bams-state-of-the-climate/2010.php">Estado do Clima 2010</a> (State of the Climate 2010). Nele, segundo Thomas Karl, diretor do National Climatic Data Center (Centro Nacional de Dados Climáticos), a temperatura global tem sido mais quente do que a média do século 20, todos os meses por <a href="http://www.huffingtonpost.com/2011/06/28/state-of-the-climate-report-2011-global-warming_n_886288.html">mais de 25 anos</a>.<span id="more-2291"></span></p>
<p>Thomas Karl explica que qualquer evento climático particular é determinado por um número de fatores, das condições locais aos padrões e tendências climáticas globais. A mudança climática é um desses fatores. É muito provável, acentuou, que mudanças de larga escala no clima, como o aumento da umidade na atmosfera e temperaturas em elevação, tenham influenciado &#8211; e vão continuar a influenciar &#8211; vários tipos diferentes de eventos extremos, como chuvas torrenciais, enchentes, ondas de calor e secas.</p>
<p>A diretora do programa sobre Ciência e Impactos do <a href="http://www.pewclimate.org/science-impacts ">Pew Center</a> Jay Gulledge disse, segundo o Huffington Post, que a mudança climática é um fator de risco de eventos climáticos extremos, da mesma forma que comer sal em demasia é um fator de risco de doença cardíaca. Ela esclarece que isso não significa que possamos prever a próxima enchente em Iowa ou seca na Georgia, mas significa que esses eventos ficaram mais prováveis.  </p>
<p>Agora mesmo, na região conhecida como “Chifre da África”, o Quênia e a Somália vêem suas populações rurais ameaçadas de morte por <a href="http://www.guardian.co.uk/environment/2011/jun/28/africa-drought-kenya-somalia-famine">falência alimentar</a>. Eles enfrentam severa crise na disponibilidade de alimentos e elevadas taxas de <a href="http://www.guardian.co.uk/world/gallery/2011/jun/28/somalia-drought-appeal-in-pictures">desnutrição</a>, alerta a ONU. É a pior seca desde 1950-1951.</p>
<p>A gravidade dessa seca resulta de dois anos consecutivos quase sem chuva, fazendo de 2011 um dos anos mais secos desde 1950 em várias zonas pastorais. Segundo a ONU, não há probabilidade de melhora até 2012. Os preços de alimentos estão em alta que vai se estender por décadas, como a FAO tem indicado. Um patamar de preços mais alto que o das décadas anteriores está garantido, até que uma nova revolução tecnológica altere as condições de oferta ambiental e socialmente segura de alimentos.</p>
<p>Esse movimento de preços põe as populações pobres da África e outras regiões em situação de grave stress alimentar. No Quênia e na Somália, a seca eliminou de vez toda segurança alimentar. Sem ajuda séria internacional, teremos uma onda forte de mortalidade infantil, de idosos e de pessoas mais frágeis. </p>
<p><iframe src='http://www.cbn.com.br/Player/player.htm?audio=2011/colunas/ecopolitica_110629&#038;OAS_sitepage=sgrteste/player' width='475' height='193' marginheight='0' marginwidth='0' frameborder='0' scrolling='no' bgcolor='#CCCCCC'/></iframe></p>
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		<title>Futuro incerto para o mercado de carbono</title>
		<link>http://www.ecopolitica.com.br/2011/02/18/futuro-incerto-para-o-mercado-de-carbono/</link>
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		<pubDate>Fri, 18 Feb 2011 14:34:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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Sérgio Abranches
O mercado de carbono está em crise. Foi abalado pela crise financeira global que se seguiu ao colapso da subprime no EUA. Enfrenta uma crise de confiança. Sofre com a incerteza sobre o destino do Protocolo de Quioto. A rejeição de um mercado nacional de carbono pelo Congresso do EUA reduziu muito a possibilidade [...]]]></description>
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			</a>
		</div>
<p>Sérgio Abranches<br />
O mercado de carbono está em crise. Foi abalado pela crise financeira global que se seguiu ao colapso da subprime no EUA. Enfrenta uma crise de confiança. Sofre com a incerteza sobre o destino do Protocolo de Quioto. A rejeição de um mercado nacional de carbono pelo Congresso do EUA reduziu muito a possibilidade de que se torne um mercado global em prazo razoável.<span id="more-1705"></span></p>
<p>A recessão reduziu a necessidade de compra de créditos por muitas empresas na Europa, porque com a demanda reduzida, ficaram dentro de suas cotas. Fraudes e “insider trading” abalaram a confiança no sistema europeu. O Protocolo de Quioto dificilmente será revalidado para após 2015. Até agora não houve condições de aprovar um novo acordo global legalmente vinculante para substituí-lo. O Acordo de Copenhague e os Acordos de Cancún representaram passos importantes, porém insuficientes, nessa direção. A conjuntura atual indica que será pouco provável que este acordo seja fechado em Durban, na África do Sul, no final do ano, durante a COP17.</p>
<p>Hacking e fraudes abalaram a confiança no ETS, o sistema compulsório de carbono europeu. Ele ficou fechado muito tempo e está abrindo devagar. Antes que essa crise fosse superada, evidências de <a href="http://www.businessgreen.com/print_article/bg/news/1934136/carbon-market-insider-trading-eu-crackdown">“insider trading”</a>, atuação de agentes com informação privilegiada, mostraram novos furos no sistema e em sua estrutura regulatória.</p>
<p>A Comissão Européia enviou ao Parlamento Europeu os planos para fazer uma reavaliação mais profunda do sistema e desenhar um marco regulatório mais eficaz. A Comissária para Ação Climática da União Européia, Connie Hedegaard disse que essas propostas são cruciais para assegurar que o mercado de carbono, com tendência de alto crescimento, possa se expandir com segurança nos próximos anos. “Com a crise climática e a crise econômica, o mundo precisa mais que nunca de meios ‘custo-efetivos’ para reduzir as emissões de gases estufa”, disse  Mas ela reconheceu, também, que há evidência de que esse mercado será alvo crescente de fraudadores e é “critico que ele continue a ser submetido a efetiva fiscalização regulatória”.</p>
<p>Mas as opções em exame não parecem muito promissoras: apertar as regras para o mercado spot e submeter o ETS (European Trading Scheme) à legislação que regula os mercados financeiros. Mas, como se viu na crise financeira global provocada pelo colapso da subprime no EUA, a regulação dos mercados financeiros também tem furos. Eles mostraram que os riscos de transações financeiras globais irregulares são muito maiores que se imaginava. O próprio mercado financeiro ainda não se recuperou da crise de credibilidade resultante do colapso de várias casas de prestígio, alta reputação e muito positivamente avaliadas pelas agências de risco.</p>
<p>É certo que o desenvolvimento desse mercado como solução efetiva para a redução de emissões depende de novas regras. As cotas gratuitas já se mostraram ineficazes. Elas deixam capenga o processo de fixação do preço do carbono. É grande a <a href="http://www.carbonpositive.net/viewarticle.aspx?articleID=2251">volatilidade desses preços</a>, por razões estruturais e conjunturais. Uma das principais razões estruturais, é a inexistência de piso regulatório para o preço do carbono. Este poderia ser fixado pela venda de cotas/permissões de emissões, ou, melhor ainda, por um imposto sobre o carbono. Além disso, o futuro desse esquema dependeria de sua real globalização. E esta se tornou uma fonte adicional importante de incerteza e baixa credibilidade, desde que o Congresso do EUA retirou de pauta a criação de um sistema nacional de cap and trade (cota e crédito). Há no Estados Unidos mercados regionais reunindo vários estados, mas este também ficou mais frágil diante da certeza de que, pelo menos no médio prazo, não haverá um sistema nacional. Ele estabeleceria regras e parâmetros mínimos comuns para o mercado de créditos de carbono em todo o país.</p>
<p>O <a href="http://www.carbonpositive.net/viewarticle.aspx?articleID=2263">parlamento australiano</a> também abandonou a ideia de criar esse mercado, defendido pelo governo trabalhista liderado pela primeira ministra Julia Gillard. O governo agora negocia um imposto sobre o carbono. Dessa forma o sonho de um grande mercado regional, integrando a Nova Zelândia e outros países, se dissipa com a Austrália de fora.</p>
<p>O mercado de MDL tem custos de transação elevados, é burocrático demais e dificilmente, tal como existe, permitiria a formação de um mercado global com escala suficiente para reduzir as emissões de carbono globalmente. </p>
<p>O mercado voluntário de carbono recebeu um duro golpe com o fechamento da Bolsa do Clima de Chicago. Além disso, tem inúmeros problemas, que parecem insanáveis.</p>
<p>Até agora, nenhum dos modelos de mercado para o carbono se mostrou eficaz, seja para fixar um preço global ou local efetivo para o carbono, seja para de fato reduzir as emissões local ou globalmente. Particularmente, não creio que venha a se mostrar mais eficaz do que um imposto sobre o carbono calibrado para incentivar ações que levem ao cumprimento de metas efetivas de redução de emissões.</p>
<p>Algumas das razões pelas quais não tenho muitas expectativas para os esquemas voluntários de crédito de carbono:</p>
<blockquote><p>* Eles usam multiplicidade de critérios e metodologias. Não há metodologia consensual para medir emissões e calcular neutralização (off-sets).<br />
* Horizonte de tempo dos projetos é duvidoso e não há mecanismos de rastreamento e checagem.<br />
* Não há certificação acreditada, nem padrões consensuais de certificação. Também não há mecanismos de transparência, controle e sanção de certificadores.<br />
* Excesso de maquiagem verde retira a credibilidade dos projetos.<br />
* Ausência de regulação estatal.<br />
* Sistema de preço é arbitrário.<br />
* Projetos muito vulneráveis às oscilações da economia, comprometendo a sustentação de organizações da economia de créditos de carbono e dos próprios projetos já implementados.
</p></blockquote>
<p>As razões de meu ceticismo em relação aos esquemas compulsórios e porque eles estão perdendo credibilidade:</p>
<blockquote><p>* Os esquemas ligados ao MDL (mecanismo de desenvolvimento limpo) da Convenção do clima são burocráticos e discricionários demais.<br />
* Seus custos de transação são elevados por causa da tramitação muito penosa e da discricionariedade conferida aos burocratas nacionais e da ONU.<br />
* Grande desigualdade de tratamento dos projetos entre países por falta de critérios unificados e pela dependência dos processos na ONU à palavra dos países. Se a burocracia de um país é mais avessa a projetos de MDL, como tem sido o caso no Brasil, e a de outro país é muito flexível, como tem sido o caso na China, o país mais permissivo ganha a maioria dos projetos. Muitos deles de eficácia duvidosa. A permissividade de um, leva a projetos de ganho duvidoso para o clima. O rigor excessivo do outro, leva a perdas de oportunidades de redução efetiva de emissões e, portanto, de benefícios para o clima.<br />
* Não há transparência, fiscalização e acompanhamento adequados dos projetos.</p></blockquote>
<p>Com relação ao ETS, o sistema Europeu:</p>
<blockquote><p>* A distribuição de cotas gratuitas, não incentiva a redução de emissões. Todo o incentivo às reduções passa a depender do preço de mercado do carbono. Se o preço cai, porque houve queda na atividade econômica, o incentivo desaparece. Pior, empresas compram créditos baratos, para compensar aumentos futuros de emissões. Melhor cenário: estabilidade de emissões.<br />
* Falta de um piso de preço que funcione como um custo irredutível para as emissões de carbono. Isso poderia ser obtido pela venda das cotas de emissões, com preço e quantidade fixos ou via leilões ou, de forma mais eficiente por um imposto sobre o carbono.<br />
* O marco regulatório do esquema é precário, vulnerável a fraudes e a manipulações de mercado.</p></blockquote>
<p>Há avanços que indicam saídas possíveis no futuro. As grandes empresas globais estão sendo forçadas a medir o teor de carbono de seus produtos e em suas cadeias de suprimento (supply-chain). Há muitas iniciativas avançadas mostrando como medir o custo implícito &#8211; associado aos danos ambientais e à saúde pública &#8211; de combustíveis fósseis como o carvão e o diesel. Recentemente, um <a href="http://www.reuters.com/article/2011/02/16/usa-coal-study-idUSN1628366220110216">estudo</a> da <a href="http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/j.1749-6632.2010.05890.x/full">universidade Harvard</a> mostrou que o custo “escondido” do carvão no EUA ultrapassa os US$ 345 bilhões por ano. Em outras palavras, os danos ao ambiente e à saúde, se adequadamente contabilizados, triplicariam os custos da energia gerada com carvão. Se esses custos fossem levados ao preço, por medidas regulatórias ou tributárias, seriam um incentivo enorme à expansão de energias renováveis alternativas, como solar, eólica, biomassa, geotérmica e ondas e marés. Pelo custo real, incluindo os custos implícitos no uso das fontes fósseis, todas essas fontes alternativas se tornariam competitivas.</p>
<p>O outro caminho foi indicado pelo presidente Obama em seu discurso sobre o Estado da União: eliminar os subsídios aos combustíveis fósseis e passar a subsidiar as fontes limpas de baixo ou zero carbono. No Brasil, por exemplo, como <a href="http://www.ecopolitica.com.br/2011/02/16/aumenta-consumo-de-combustiveis-no-brasil-mas-cai-o-consumo-de-etanol/">mostrei recentemente</a>, a gasolina não tem preço efetivamente fixado pelo mercado, o que implica na possibilidade de subsídio velado. O diesel é fortemente subsidiado. A eliminação desses subsídios e sua realocação para incentivar o desenvolvimento da energia solar fotovoltaica e eólica, faria enorme bem à saúde dos brasileiros e ao ambiente. Na feliz expressão usada por Obama: parar de subsidiar a energia do passado e passar a subsidiar a energia do futuro.</p>
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		<title>Um ano de extremos, 2010 pode ser o retrato de nosso futuro</title>
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		<pubDate>Fri, 21 Jan 2011 14:55:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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Sérgio Abranches
O ano passado, de 2010, foi o mais quente da história de registros em termômetro. Sua temperatura média ficou ligeiramente acima da média mais alta anterior, de 2005. Mas os cientistas consideram temperaturas equivalentes, porque estão dentro da margem de incerteza estatística. A natureza passou por todos os extremos. Grande número de países enfrentou [...]]]></description>
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			</a>
		</div>
<p>Sérgio Abranches</p>
<p>O ano passado, de 2010, foi o mais quente da história de registros em termômetro. Sua temperatura média ficou ligeiramente acima da média mais alta anterior, de 2005. Mas os cientistas consideram temperaturas equivalentes, porque estão dentro da margem de incerteza estatística. A natureza passou por todos os extremos. Grande número de países enfrentou tragédias, em alguns casos, mais de uma vez ao longo do ano. Os mais preparados tiveram muitos transtornos, mas poucas perdas de vida humanas. Nos mais pobres e nos menos preparados, as calamidades cobraram milhares de vidas.<span id="more-1597"></span></p>
<p>A média de 2010 ficou 0,53<sup>o</sup>C acima da média de 1961-1990. Essas estatísticas, consolidadas pela <a href="http://www.wmo.int/pages/index_en.html">Organização Meteorológica Mundial</a> (OMM) se baseia em dados de três centros diferentes: o Escritório Meteorológico do Centro Hadley, no Reino Unido; o Centro Nacional de Dados Climáticos dos Estados Unidos (NCDC) e da NASA.</p>
<p>Eles indicam, também, que a cobertura de gelo ártico em dezembro de 2010 foi a mais baixa já registrada, com média mensal de 12 milhões de quilômetros quadrados, 1,35 milhões de quilômetros quadrados abaixo da média de 1979-2000 para o mês de dezembro. O secretário-geral da OMM, Michel Jarraud, diz que os dados de 2010 confirmam que “a Terra está com uma tendência significativa de aquecimento de longo-prazo”.</p>
<p>O aquecimento foi particularmente forte na África, em partes da Ásia e do Ártico. Em muitas regiões dessas áreas, as médias ficaram entre 1,2<sup>o</sup>C e 1,4<sup>o</sup>C acima da média de longo prazo. Pontos de calor excepcionais foram registrados, em dezembro, no leste do Canadá e na Groenlândia. Temperaturas anormalmente frias marcaram o inverno no norte e no oeste da Europa com temperaturas médias que chegaram a ficar até 10<sup>o</sup>C em algumas regiões da Noruega e da Suécia. Em quase toda a Escandinávia foi o dezembro mais frio de que se tem registro. Na parte central da Inglaterra foi o mais frio dezembro desde 1890. Um bloqueio de alta pressão atmosférica no Atlântico impediu que ventos ocidentais mais quentes chegassem à Inglaterra e à Europa ocidental, causando esse esfriamento anômalo. Segundo Barry Grommett, do <a href="http://www.metoffice.gov.uk/">Met Office</a>, um começo de ano gelado, em janeiro e fevereiro e o dezembro mais frio já registrado, reduziram significativamente a temperatura média anual no Reino Unido.</p>
<p>Na Rússia também foi bem mais frio que a média. Pesadas nevascas castigaram várias partes da Europa e a parte leste dos Estados Unidos, onde as temperaturas no final do ano ficaram abaixo da média histórica.</p>
<p>A Organização Meteorológica Mundial também compilou os principais eventos climáticos extremos de 2010. Com esse padrão climático não é de se espantar que o ano tenha sido particularmente intenso em eventos extremos, de muita gravidade.</p>
<p>As monções de verão na Ásia foram fortíssimas em algumas regiões. Por causa de chuvas excepcionalmente pesadas, a maior precipitação desde 1994 e a quarta maior de que se tem registro, o Paquistão enfrentou a pior enchente de sua história. O ponto de maior gravidade foi nos últimos dias de julho, com chuvas intensas, por quatro dias seguidos, atingindo duramente o norte do Paquistão, na região de Peshawar. No início de  agosto, o sul do país foi castigado pelas águas. Morreram mais de 1500 pessoas e 20 milhões foram deslocadas, quando a maior parte da área agrícola foi inundada. A ONU considerou que, em termos do número de pessoas afetadas esta foi a maior crise humanitária da história recente associada a eventos climáticos.<br />
As chuvas de verão foram também bastante pesadas na Índia ocidental e na China, que viveu a sua pior enchente causada pela monção de verão desde 1998, afetando com severidade o sudoeste e o nordeste do país. As enchentes atingiram também a península coreana. Deslizamentos de terra na província chinesa de Gansu mataram mais de 1400 pessoas.</p>
<p>Ao mesmo tempo, as monções foram inusitadamente fracas em várias outras partes da Índia, particularmente no nordeste e em Bangladesh, que teve a mais seca monção desde 1994.<br />
O verão foi cruel, também, para o Hemisfério Norte, com ondas de calor extremo em várias partes da Eurásia. A onda mais extrema de calor teve seu centro na Rússia ocidental. Seu pico se deu entre o começo de julho e meados de agosto. Foi um episódio muito longo, que matou mais de 11 mil pessoas. Calor anômalo atingiu, também, a Finlândia, Ucrânia, Belarus, partes do sudeste da Europa e a Sérvia.</p>
<p>Ao verão extremo, seguiu-se um violento inverno. O Hemisfério Norte experimentou, também, temperaturas extraordinariamente baixas. Essa onda de frio afetou a maior parte da Europa, exceto o Mediterrâneo, a parte asiática da Rússia e a Mongolia. Foi o inverno mais frio da Escócia e a Irlanda, desde 1964. O mesmo fenômeno que bloqueou as correntes ocidentais e provocou temperaturas anômalas, bem abaixo da média histórica, também levou a um inverno muito seco em algumas regiões, como na Noruega ocidental, onde o inverno foi 72% mais seco que o normal. Ao mesmo tempo, uma severa tempestade de inverno, Xynthia, atravessou o noroeste europeu, produzindo ventos fortíssimos e grandes chuvas particularmente na França, na costa oeste, a velocidade dos ventos ultrapassou 150km/h. Em Portugal, Espanha, Itália e sudeste europeu foi um inverno muito chuvoso, com a precipitação média bem acima do dobro da média.</p>
<p>Na região do Saara a temperatura ficou quase 4 graus Celsius acima da média de longo prazo, a maior anomalia já registrada para qualquer mês. O Canadá viveu seu mais quente inverno já registrado com a temperatura média nacional 4<sup>o</sup>C acima da média de longo prazo. No norte do país, a diferença chegou a 6<sup>o</sup>C. Esse inverno quente se estendeu até o leste do Ártico, alcançando a Groenlândia e Spitsbergen. Foi também o inverno mais seco já registrado no Canadá. A tal ponto que prejudicou alguns eventos das olimpíadas de inverno em Vancouver.</p>
<p>Já nos Estados Unidos o inverno foi mais frio que o normal, exceto no noroeste e no nordeste do país. Na média nacional, foi o inverno mais frio desde o de 1984-1985 e muitas regiões do sul do Texas para o leste tiveram um dos 10 mais frios invernos em registro. As temperaturas muito abaixo da média histórica provocaram pesadas nevascas no leste. Em Washington, D.C. foi precipitação de neve foi recorde absoluto.</p>
<p>As chuvas da primavera castigaram a Indonésia e a Austrália, a partir de maio, com o progresso de La Niña. Maio, normalmente o mais seco mês do ano, foi anormalmente chuvoso. Na Indonésia choveu o dobro da média entre junho e outubro. Esse período de maio a outubro foi o mais chuvoso já registrado no norte da Austrália. A precipitação foi 152% acima do normal. Tailândia e Vietnam enfrentaram enchentes significativas em outubro. Benin teve a pior enchente já registrado em termos de impacto, causando perdas pesadas na agricultura e com várias áreas ficando isoladas por bastante tempo, sem acesso a assistência médica. Na Europa Central, houve grandes enchentes em maio, particularmente no leste da Alemanha, na Polônia e na Eslovaquia. No final de junho enchentes castigaram a Romênia, a Ucrânia, Moldava. Foi o agosto mais chuvoso da Alemanha.</p>
<p>As enchentes atingiram duramente, também, nosso continente. Em novembro, a Colômbia teve a mais severa enchente dos últimos 30 anos. Em abril, as enchentes atingiram o Rio de Janeiro.</p>
<p>A ilha do Madeira, viveu enchentes significativas em fevereiro, o Arkansas e o sul da França em junho.</p>
<p>Mas houve também secas severas. A seca no período de julho a setembro foi rigorosa, secando quase inteiramente o rio Negro na Amazônia. Um pouco antes, a seca já havia atingido a Guiana e as ilhas do leste do Caribe. As províncias de Guizhou e Yunman na China tiveram os mais baixos índices de precipitação já registrados entre setembro de 2009 e meados de março de 2010. O Paquistão também enfrentou seca no começo do ano. Embora as chuvas tivessem posto um fim na mais longa e severa seca da história da Austrália, o período de janeiro a outubro de 2010 foi o mais seco já registrado no sudeste do país.</p>
<p>As calamitosas condições de 2010, infelizmente, se estenderam pelo mês de janeiro deste ano. No começo do mês, mais de 800 mil pessoas foram afetadas por enchentes no Sri Lanka. Enchentes e deslizamentos atingiram duramente, também as Filipinas. Na Austrália, Brisbane, capital de Queensland, ficou debaixo d’água. As enchentes atingiram fortemente todo o estado de Queensland e, logo em seguida, o estado de Victoria. E vivemos nossa pior tragédia associada ao clima, com os deslizamentos da região serra do estado do Rio de Janeiro, que devastaram Nova Friburgo, partes inteiras de Teresópolis e Petrópolis, mataram mais de mil pessoas.</p>
<p>Escolhi enumerar, sem grandes comentários, os principais eventos climáticos de 2010 para avivar nossa memória. Foram tantos, que os do início do ano podem parecer terem acontecido muito antes. Não. Todos estiveram concentrados nos doze meses de 2010. Um ano anômalo? Com certeza. Vários recordes tristes foram batidos. Os termômetros e pluviômetros registraram os mais altos e os mais baixos registros desde que começamos a medir temperatura e precipitação com instrumentos. As médias históricas foram ultrapassadas para menos e para mais, em muitas partes do mundo, em muitos meses do ano, em todas as estações.</p>
<p>Um ano que não se repetirá? Dificilmente. Ele tende a se repetir e seus recordes, infelizmente, devem ser superados no futuro. Se nos prepararmos, podemos evitar que o número de mortes seja igual ou pior. Mas com relação aos extremos da natureza, nada podemos fazer. Se estamos vivendo ou não os primeiros momentos de um cenário mais rigoroso de mudança climática, não me atrevo a dizer. Mas é certo que esse quadro de extremos: chuvas torrenciais e secas severas; ondas de calor insuportável e frio intenso; nevascas longas e com muita acumulação de neve e invernos praticamente sem neve; corresponde, perfeitamente, às previsões dos cientistas sobre as consequências do aquecimento global. Temos que nos adaptar a um mundo natural mais intenso, mais polar,  mais extremo.</p>
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		<title>Obama e Hu Jintao: declarações protocolares sobre clima e muitos negócios verdes</title>
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		<pubDate>Thu, 20 Jan 2011 13:41:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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Sérgio Abranches
Foi quase imperceptível o tema da mudança climática na agenda de Barack Obama e Hu Jintao em Washington. Apesar de este ser um “dos maiores desafios de nosso tempo”, ele foi afogado por questões econômicas de curto prazo e a velha visão geopolítica de segurança militar.Obama lembrou a Hu Jintao que o progresso da [...]]]></description>
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			</a>
		</div>
<p>Sérgio Abranches<br />
Foi quase imperceptível o tema da mudança climática na agenda de Barack Obama e Hu Jintao em Washington. Apesar de este ser um “dos maiores desafios de nosso tempo”, ele foi afogado por questões econômicas de curto prazo e a velha visão geopolítica de segurança militar.Obama lembrou a Hu Jintao que o progresso da China se deve à paz regional obtida com a presença de bases militares do EUA.<span id="more-1581"></span></p>
<p>Mas Obama ainda conseguiu incluir a questão climática entre a prioridade de fechar um acordo de exportações para a China, no topo do qual estão 19 boeings, e de obter uma postura mais incisiva de Hu Jintao em relação à belicosidade da Coréia do Norte. Deve-se registrar que dos 31 projetos, transações e memorandos de entendimento citados no acordo, 22 se referem a “<a href="http://www.greenbiz.com/news/2011/01/20/green-technology-heart-45b-us-china-export-deals#ixzz1Ba4ss7gm">negócios verdes</a>”.</p>
<p>Obama está respondendo a um sistema polarizado de pressões. Não pode se afastar demais das posições conservadoras, para não dar espaço aos radicais de direita do Tea Party. Não pode se manter próximo demais dos conservadores, para não perder apoio entre os democratas e independentes progressistas, muitos deles em segmentos da população de judeus, latinos e negros, dos quais obteve o diferencial de apoio que o elegeu. É bom lembrar que ele já está em campanha para a reeleição. Sai em desvantagem, porque perdeu feio nas eleições intermediárias, de meio de mandato. Mas está recuperando terreno rapidamente: sua popularidade aumentou e o apoio ao Tea Party caiu, de acordo com as últimas pesquisas. Analistas de Washington dizem não ver nenhuma candidatura mais competitiva para a eleição do ano que vem. Para eles Obama deve se reeleger. Mas voto é voto e só está garantido depois de contado e oficialmente reconhecido.</p>
<p>O tema dos direitos humanos mereceu atenção especial, exatamente porque agrada a ambos os lados. Obama fez uma crítica jeitosa ao desrespeito dos direitos humanos na China reconhecendo, porém, que faz parte importante da promoção desses direitos a erradicação da fome e da pobreza. Hu Jintao gostou. Disse que é o que a China está fazendo. Mas Obama, no jantar de gala, segundo assessores, cobrou mais duramente progressos na democracia na China e falou particularmente contra a prisão do prêmio Nobel da Paz Liu Xiaobo. Hu Jintao surpreendeu. Depois de se recusar a responder a uma pergunta sobre direitos humanos na coletiva de imprensa, terminou dizendo que “a China ainda enfrenta muitos desafios no desenvolvimento econômico e social e muito ainda precisa ser feito na China em termos de direitos humanos”.</p>
<p>Em relação à mudança climática, o presidente Obama disse na coletiva acreditar que “como os dois maiores consumidores de energia e emissores de gases estufa, os Estados Unidos e a China têm a responsabilidade de combater a mudança climática avançando com base no progresso alcançado em Copenhague e Cancún e mostrando o caminho do futuro de energia limpa”. Ele anunciou que “o presidente Hu indicou que concorda comigo neste tema”. Hu Jintao respondeu dizendo que a China “vai trabalhar com os Estados Unidos e outros países para responder efetivamente aos desafios globais, inclusive a mudança climática”. </p>
<p>No comunicado conjunto, os presidentes dizem que “vêem a mudança climática e a segurança energética como dois dos maiores desafios de nosso tempo”.</p>
<p>É pouco, em se tratando dos dois maiores consumidores de energia e emissores de gases estufa. Aliás, a China não gosta quando representantes do EUA dizem que a China empata com ele como maior emissor de carbono do mundo. Para isso, usa sempre os dados per capita. Aqui no Brasil também tem quem queira dizer que não somos grandes emissores, usando dados que mascaram, convenientemente, nosso padrão de emissão de gases estufa.</p>
<p>Houve avanços tanto nos direitos humanos, quanto na questão climática. A China tem seu próprio protocolo político. Está fazendo o mais ambicioso programa de energia alternativa do mundo. Tem imposto internamente metas de emissões e medidas bastante drásticas de despoluição. Está batendo nos limites físicos: perde agricultura com chuva ácida, perde áreas agricultáveis para a desertificação, as águas de seus rios e lagos estão quase totalmente contaminadas, a população sufoca com o ar irrespirável das cidades. Não gosta, porém, de assumir posições públicas especialmente em fóruns internacionais. Mas tem mudado. Aceitou registrar compromissos de redução de emissões no Acordo de Copenhague. Cooperou para os Acordos de Cancún. Hu Jintao e Wen Jiabao já assumem posições públicas em relação à responsabilidade chinesa no enfrentamento do desafio climático.</p>
<p>Declarações oficiais, na China, são sinais. Indicam que está em curso, um processo de mudança política que, no futuro, levará a mudanças efetivas de atitude e comportamento. Portanto, representam pouco, dada a urgência do tema e a magnitude da contribuição chinesa. Mas têm importância, porque podem indicar avanços adicionais importantes.</p>
<p>O mesmo é verdade com relação aos direitos humanos. A frase de Hu, reconhecendo que há muito o que fazer em termos de direitos humanos na China pode ser uma indicação de abertura política adicional, na próxima gestão, que começará daqui a dois anos, quando Hu e Wen deixarão o poder. A escolha de um sucessor da elite do partido e com ligações militares, pode ter a ver com o fato de que a próxima tarefa será avançar no campo dos direitos humanos sem, contudo, permitir retaliações ou cobranças àqueles que violaram esses direitos.</p>
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