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	<title>Ecopolitica &#187; carne</title>
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	<description>Política Mudança Climática Século XXI</description>
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		<title>Uma estratégia auto-destrutiva</title>
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		<pubDate>Mon, 31 May 2010 14:27:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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Sérgio Abranches
Agronegócio brasileiro adota as piores práticas sócio-ambientais. Despreza a tendência do mercado global de adotar práticas de sustentabilidade em toda a cadeia de suprimentos. Um projeto economicamente suicida. O Brasil é o maior importador de agrotóxicos banidos no EUA e na União Européia, por razões sanitárias. Esses produtos, muito tóxicos, são muito nocivos à [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="tweetmeme_button" style="float: right; margin-left: 10px;">
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			</a>
		</div>
<p>Sérgio Abranches<br />
Agronegócio brasileiro adota as piores práticas sócio-ambientais. Despreza a tendência do mercado global de adotar práticas de sustentabilidade em toda a cadeia de suprimentos. Um projeto economicamente suicida.<span id="more-942"></span> O Brasil é o maior importador de agrotóxicos banidos no EUA e na União Européia, por razões sanitárias. Esses produtos, muito tóxicos, são muito nocivos à saúde humana e ao ambiente, especialmente à água.<br />
Em matéria, no último domingo, para o Estado de São Paulo, Lígia Formenti conta que aumenta a importação de produtos proibidos nos países desenvolvidos, como o endossulfam, associado a problemas endócrinos. “Dados da Secretaria de Comércio Exterior mostram que o País importou 1,84 mil tonelada do produto em 2008. Ano passado, saltou para 2,37 mil toneladas”.</p>
<p>Esses agrotóxicos são de difícil remoção dos produtos em cuja produção são utilizados. Fazem mal à saúde. Envenenam o lençol freático, a terra e os rios. Eles marcam os produtos agrícolas brasileiros como de má qualidade.<br />
Qual o projeto estratégico do agronegócio brasileiro? Adotar as piores práticas e enfrentar barreiras comerciais crescentes?</p>
<p>O agronegócio brasileiro cresceu de forma espetacular. Acompanhei esse desempenho. Cheguei a escrever uma coluna na Veja, mostrando que “vender commodities” era chique, porque nossa agricultura estava se transformando em um negócio de alta tecnologia. Naquela época, prevalecia no Brasil a idéia de que só era bacana exportar produtos da indústria manufatureira, que se dizia tinham mais tecnologia. Uma tese falsa. Na comparação em teor de tecnologia, o setor do agronegócio dá de goleada na indústria.</p>
<p>Mas os avanços na genética, na nutrição e outros ganhos tecnológicos, não foram acompanhados por progressos nas práticas de sustentabilidade e responsabilidade social. O agronegócio brasileiro desmata, convive com práticas ilegais, como trabalho escravo, trabalho degradante, não assume responsabilidade pela cadeia de suprimentos (supply chain). Ao adotar más práticas ambientais e trabalhistas, carimba os produtos como de má qualidade.</p>
<p>Alguns setores começaram a melhorar suas práticas, mas só depois que passaram a enfrentar o risco real e presente de perderem seus melhores mercados externos. Foi o caso da soja, que terminou por fazer a moratória, que reduziu significativamente sua contribuição para o desmatamento ilegal na Amazônia.</p>
<p>Os frigoríficos brasileiros ainda não aprenderam essa lição, mesmo depois de serem advertidos pelos grandes supermercados de que não comprariam mais carne daqueles que não fossem capazes de demonstrar sua origem. Grandes supermercados como o Walmart, o Carrefour e o Pão de Açúcar têm programas de sustentabilidade que olham para a cadeia de suprimentos. E, por essas políticas, cada fornecedor tem que se responsabilizar por seus fornecedores também.</p>
<p>O mesmo acontece com o couro, grandes importadores, como a Nike, a Timberland, a Puma, a Columbia e a Patagônia já disseram que não continuarão a comprar couro brasileiro, se não tiverem garantia de origem, comprovando que não contribuem para o desmatamento da Amazônia</p>
<p>Agora mesmo, o Brasil teve que suspender, em comum acordo com as autoridades de Washington, as vendas de carne para o EUA, nosso maior mercado. Qual a razão? O JBS Friboi exportou para o EUA 40 toneladas de carne processada com teores de Ivermectina muito acima do permitido pelos padrões sanitários, informa Raquel Landim, do Estado de São Paulo. A Ivermectina é um vermífugo utilizado na criação de bovinos, mas que pode ser danoso à saúde humana. Esse frigorífico, que é financiado com subsídio pelo BNDES, também não obedeceu ao compromisso de garantir a origem de sua carne, assumido no acordo com os supermercados, intermediado pelo Greenpeace, para eliminar da cadeia de suprimentos a carne de desmatamento. Aliás, o Greenpeace está também na origem da moratória da soja.</p>
<p>O agronegócio brasileiro tem uma história de sucesso. Somos, hoje um dos maiores exportadores de commodities agrícolas do mundo. Somos o maior fornecedor do mercado global de carnes, tendo, ao longo dos anos superado grandes e tradicionais produtores como Argentina, Austrália, Nova Zelândia e Canadá. Não fosse o agronegócio brasileiro, nossa balança comercial seria deficitária. É ele que equilibra o sistema de comércio externo brasileiro.</p>
<p>Mas essa história de sucesso tecnológico e econômico tem bases podres, por causa das péssimas práticas sócio-ambientais. A liderança ruralista não representa a atitude dos bons produtores. Representa as piores práticas. Faz isso quando defende mudança no Código Florestal, para reduzir a área de reservas florestais. Diz que não precisa desmatar, mas trabalha politicamente para poder desmatar. Faz pressão sobre o governo, para atrasar a revisão dos agrotóxicos em uso, que tendem a ser banidos. Chama de absurdas as regras elementares de práticas trabalhistas mínimas. Míriam Leitão mostrou, em coluna recente, que o agronegócio tem sido campeão de flagrantes indiscutíveis de trabalho escravo e condições degradantes de trabalho, que lideranças como a senadora Kátia Abreu, nega existirem.</p>
<p>“Ao todo, de 2003 para 2009, foram encontrados 30 mil trabalhadores em condições análogas às da escravidão nas fazendas inspecionadas”, conta Míriam Leitão. E que regras absurdas são essas?</p>
<blockquote><p>“A empresa tem que fornecer água potável para os trabalhadores. Essa é uma das 252 normas do Ministério do Trabalho para as fazendas. Por que escrever uma exigência óbvia? Entre 2003 a 2008, em 451 fazendas ficou constatado que os trabalhadores não tinham acesso à água minimamente aceitável. Há regras que não precisariam ser escritas desde o fim das senzalas.<br />
Exemplos de regras espantosamente básicas: é preciso haver banheiro nos alojamentos; água para lavar o agrotóxico das mãos antes das refeições; os alojamentos têm que ser divididos por sexo; alojamentos de famílias não podem ser coletivos; trabalhador não pode pagar pelo equipamento de trabalho; se sofrer acidente, tem que receber primeiros socorros. Não deveria existir instruções assim tão detalhistas. O normal é que não houvesse. Mas os relatórios dos grupos móveis de fiscalização, que foram a quase 1.800 fazendas desde 2003, mostram que o que deveria ser normal numa sociedade civilizada, nem sempre é oferecido ao trabalhador de certas propriedades rurais”. (Miriam Leitão, na coluna Contra os fatos).</p></blockquote>
<p>Eu estive visitando uma região de produção de soja no cerrado mineiro e os produtores estão desesperados com a baixa disponibilidade de água. A água era abundante e sumiu. Por quê? Porque desmataram tudo, destruíram as matas ciliares, poluíram os mananciais, usaram água de forma abusiva. Agora estão querendo acabar com as áreas protegidas da região, para terem acesso às suas águas.</p>
<p>A liderança do agronegócio, ao optar por defender a banda suja do setor, como se fizesse a defesa geral dessa indústria, está trocando benefícios de curtíssimo prazo por um desastre econômico e comercial de médio prazo. Ao estimular a adoção das piores práticas produtivas e ao negar a sustentabilidade como parte de sua estratégia futura para garantir a continuidade de sua trajetória vitoriosa, está condenando o agronegócio brasileiro à condição de pária na economia global. E está comprometendo a sustentabilidade econômico-financeira do setor na economia brasileira.</p>
<p>Um dos argumentos utilizados para o uso de agrotóxicos comprovadamente nocivos, por exemplo, é de que a lei brasileira não proíbe. É verdade que vivemos um apagão regulatório. Nenhuma agência regulatória está funcionando bem no Brasil: Anvisa, Anatel, Aneel, Ibama. Mas isso não justifica o mau comportamento. O argumento é tosco. Adota-se as melhores práticas porque elas são melhores, não porque o governo manda. Responsabilidade empresarial é uma vantagem privada, não uma determinação do estado. É essa mentalidade atrasada do empresário mediano brasileiro, que vive atrelado ao estado e dependente dos subsídios estatais que atrasa a economia brasileira. Ao invés de fazer lobby para poder continuarem errando, deviam buscar acertar para progredir.</p>
<p>Estamos entrando na era em que a gestão da cadeia de suprimentos vai ser ditada pelo consumidor. A busca da qualidade técnica, social e ambiental dos produtos, de todas as cadeias, é uma tendência inexorável. Quem não acompanhá-la sairá dos bons mercados, ficará nos mercados de baixa qualidade, como fornecedores de baixa qualidade.</p>
<p>O agronegócio brasileiro, as empresas líderes que adotam boas práticas, ao admitir essa liderança atrasada e reacionária, está aceitando riscos que se voltarão contra ele. Os boicotes vão aumentar. Os recalls de produtos brasileiros nos melhores mercados vão se suceder. O Brasil perderá fatias nobres do mercado global de commodities. É esse mesmo o projeto da agricultura brasileira?</p>
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		<title>Desmatamento na Amazônia é determinado por commodities</title>
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		<pubDate>Fri, 07 Aug 2009 02:03:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[agronegócio]]></category>
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Atividades agrícolas de larga escala são os principais fatores determinantes do desmatamento da Amazônia.
Sérgio Abranches

Os dados ajustados mais recentes do INPE, baseados em fotos de satélite, contém basicamente más notícias para a Amazônia. O desmatamento aumentou em 2008, após cair por 3 anos.
 

 
As circunstâncias dessa virada são relevantes para entender a dinâmica do [...]]]></description>
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			</a>
		</div>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Atividades agrícolas de larga escala são os principais fatores determinantes do desmatamento da Amazônia.</span></p>
<address><span style="letter-spacing: 0.0px;">Sérgio Abranches</span></address>
<div><span style="font-family: Helvetica, 'Times New Roman', 'Bitstream Charter', Times, fantasy; font-size: small;"><span style="line-height: normal;"><span id="more-120"></span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Os dados ajustados mais recentes do <a href="http://www.obt.inpe.br/prodes/index.html"><span style="text-decoration: underline;">INPE</span></a>, baseados em fotos de satélite, contém basicamente <a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc0508200918.htm"><span style="text-decoration: underline;">más notícias</span></a> para a Amazônia. O desmatamento aumentou em 2008, após cair por 3 anos.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; text-align: center; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"><img class="aligncenter size-full wp-image-121" title="Desmatamento" src="http://www.ecopolitica.com.br/wp-content/uploads/2009/08/Amazon-Deforestation.056.jpg" alt="Amazon Deforestation.056" width="491" height="369" /></span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; text-align: center; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">As circunstâncias dessa virada são relevantes para entender a dinâmica do desmatamento no Brasil. Ela aconteceu em um ano marcado pelo início da crise econômica no segundo semestre. As atividades de comando e controle do governo continuaram, ainda que possam ter diminuído um pouco. A moratória da soja produzida em terras desmatadas desde 24 de julho de 2006 estava aparentemente sendo obedecida pelas maiores tradings. A decisão do Conselho Monetário Nacional proibindo as instituições oficiais de crédito de financiarem atividades sem regularização fundiária e licença do Ibama continua válida. Deve-se notar, porém, que a desaceleração econômica determinada pela crise financeira internacional foi precedida por uma bolha de preços de commodities.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O desmatamento aumentou significativamente, a despeito das condições aparentemente adversas, e também mudou sua geografia. O presidente do INPE, Gilberto Câmara, @gcamara, disse em um tweet que o desmatamento migrou do Arco do Desmatamento, área no sudeste do Pará, norte do Mato Grosso e Rondônia, movendo-se para o coração do Pará e Maranhão. As áreas de crescimento do desmamento “estão mais espalhadas, o que dificulta monitoramento e fiscalização”, disse no tweet. Essa migração não obstante, os dois maiores eixos de expansão do desmatamento continuam sendo a Terra do Meio, entre os rios Xingú e Tapajós, e a Br-163, Cuiabá-Santarém.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O primeiro gráfico mostra dados apenas para corte raso. A degradação florestal também cresceu demais, 67%, no mesmo período. As queimadas, usualmente associadas ao desmatamento, também mostram uma tendência fortemente altista.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Esse movimento é um sinal claro de que os problemas de falha de governança na Amazônia não foram resolvidos, como o governo tem alegado desde que o desmatamento começou a cair. Mais ainda, o principal determinante do desmatamento continua a ser o mesmo de antes: a agropecuária extensiva, de larga escala. A relação entre preços de commodities e desmatamento continua valendo. Minha convicção é que essas atividades extensivas não são compatíveis com o objetivo de interromper o desmatamento na Amazônia. Se continuarem toleradas &#8211; e até estimuladas &#8211; levarão a uma decadência catastrófica da floresta.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Nenhum governo brasileiro teve, até hoje, um projeto que conciliasse atividade econômica e manutenção da floresta em pé. O PAC, deste governo, é antagônico ao objetivo de reduzir o desmatamento. Ele está centrado em estradas e mega hidrelétricas. Estradas são definitivamente o maior fator propiciador do desmatamento e aquelas que, como a Br-319, ligando Porto Velho a Manaus, cortam áreas inexploradas, são vias para a abertura de novas áreas de expansão da fronteira agrícola.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O ministro Carlos Minc, do Meio Ambiente, me disse que nas áreas no começo da Br-319 que o exército já está pavimentando já detectaram desmatamento e ele cresce em ritmo acelerado. O Ibama recusou o EIA-RIMA da estrada, incompleto e insuficiente, e o Ministério impôs uma série de medidas de precaução e compensação, como pré-requisito para a licença, após a aprovação de um novo EIA-RIMA. Há enorme oposição a essas exigências dentro do governo e no Congresso que quer, inclusive, acabar com o licenciamento ambiental de rodovias. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O maior desmatamento é determinado pela produção de commodities agrícolas. As estradas não servem apenas como meio de transporte da produção para os portos, mas também como vias de penetração de população e do agronegócio em áreas inexploradas da floresta. O professor Paulo Fernando Fleury, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, um dos maiores especialistas em logística do Brasil, me disse que sua análise da Br-319 mostra que ela é o modal de menor eficiência e pior custo-benefício para a economia da região. O modal de melhor custo-benefício, olhando apenas a economia da produção regional, seria a hidrovia que já existe e precisaria apenas de investimentos de retificação. Considerando-se os impactos e riscos ambientais, adicionados à análise econômica, a melhor opção seria uma ferrovia.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; text-align: center; font: 12.0px Helvetica;"><img class="aligncenter size-full wp-image-122" title="Desmatamento e preço de commodities" src="http://www.ecopolitica.com.br/wp-content/uploads/2009/08/Deforestation.001.jpg" alt="Desmatamento" width="553" height="415" /></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; text-align: center; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O gráfico acima associa o Reuters/Jefferies CRB Index of Total Return, que mede o preço de commodities no mercado internacional, e os dados de desmatamento para 2008 e o primeiro bimestre de 2009. Em ambos os casos são médias mensais. A correlação é clara. Uma análise mais fina requereria uma série temporal mais longa, alguma correção para a sazonalidade, por causa do ciclo cheia-vazante e uma análise de possíveis defasagens entre preços e desmatamento. Mas mesmo sem essas sofisticações estatísticas há pouca razão para duvidar nessa correlação e que o desmatamento tem uma lógica econômica por trás.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Essa lógica econômica responde a atividades de grande escala e de exportação. Só ações que atinjam diretamente esses agentes econômicos de grande porte, seja pelo lado da demanda &#8211; como a recusa de compra de <a href="http://members.greenpeace.org/blog/greenpeaceusa_blog/2009/06/12/meat_from_amazon_deforestation_banned"><span style="text-decoration: underline;">carne</span></a> e <a href="http://www.msnbc.msn.com/id/32104926/ns/world_news-world_environment/"><span style="text-decoration: underline;">couro</span></a> por grandes consumidores &#8211; e sanções econômicas estatais contra grandes empresas que estejam associadas ao desmatamento e à degradação florestal estancarão esse processo. Ao fim e ao cabo, uma solução durável, ou sustentável, para a Amazônia vai requerer a substituição dessas atividades de alto risco, por atividades de alto valor agregado, com elevado índice de aplicação de ciência e tecnologia, que gerem mais empregos de qualidade e renda para a população e ajudem manter a floresta em pé.</span></p>
<p></span></span></div>
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