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	<title>Ecopolitica &#187; agronegócio</title>
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	<description>Política Mudança Climática Século XXI</description>
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		<title>Código Florestal precisa de proposta nova do governo não de emendas avulsas</title>
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		<pubDate>Thu, 12 May 2011 13:48:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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Sérgio Abranches
O tumulto de ontem na sessão extraordinária que deveria votar proposta de mudanças no código florestal mostra como o processo está em desacordo com a importância estratégica do tema. Foi uma sessão patética, em que se discutia um texto que não existia e versões que circulavam para serem imediatamente renegadas. Terminou em impropérios. Nada [...]]]></description>
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<p style="text-align: center;">Sérgio Abranches</p>
<p>O tumulto de ontem na sessão extraordinária que deveria votar proposta de mudanças no código florestal mostra como o processo está em desacordo com a importância estratégica do tema. Foi uma sessão patética, em que se discutia um texto que não existia e versões que circulavam para serem imediatamente renegadas. Terminou em impropérios. Nada de que a Câmara dos Deputados possa se orgulhar. Improviso, insulto no lugar de argumento, fragmentação, falta de liderança.<span id="more-2020"></span></p>
<p>Mudar o Código Florestal significa interferir com questões fundamentais, em áreas de muito risco. Muitos estudos científicos recentes têm revelado  os riscos que corre a Amazônia, não só por causa do desmatamento, mas também pelos efeitos da mudança climática. A combinação desmatamento/mudança climática pode ser fatal para a floresta. A má situação de nossos rios e mananciais, reconhecida pela própria Agência Nacional de Águas, tem sido demonstrada por estudos hidrológicos sérios. O equilíbrio no Cerrado também tem sido objeto de estudos. O Cerrado é uma fonte relevante de água, a segunda maior do país. O destino do que resta de Mata Atlântica, ameaçada de extinção, depende também do que se decida ao mudar o código. Mas a mudança não constitui apenas um risco ambiental, ameaça também a agricultura e pecuária de qualidade, que quer ser competitiva e capaz de atender aos padrões de exigência sanitária, sócio-ambiental e às especificações nutricionais dos mercados de primeira linha.</p>
<p>Além disso, essa mudança interfere com cinco áreas de políticas do governo que são muito importantes: a política agrícola; a política ambiental; os compromissos assumidos internacionalmente pelo país sobre desmatamento e emissões de gases estufa; a política de águas e mananciais; e a política de prevenção e redução de desastres naturais (ameaçada pela possibilidade de tratamento inadequado da questão das encostas). Todas elas têm que estar contempladas com equilíbrio e propriedade. Algumas dessas questões põe em risco a vida e o bem-estar de populações inteiras.</p>
<p>Por isso o governo teria que articular uma proposta, com participação dos seus técnicos e cientistas, para produzir um código que atenda às necessidades do presente sim, mas principalmente que olhe para o futuro. Não é matéria de urgência. É uma matéria muito técnica e que envolve muita diferença de interesses. Tem razão Tasso Azevedo quando propõe em artigo publicado ontem no Globo, “<a href="http://oglobo.globo.com/opiniao/mat/2011/05/11/freio-de-arrumacao-924432625.asp">um freio de arrumação</a>”. Tasso Azevedo entende de florestas e sempre faz o dever de casa. Não é fundamentalista, nem tem ojeriza a mercado. Ele leu atentamente a proposta então em circulação e mostrou que estava cheia de furos e armadilhas que poriam as florestas em risco. E pior, adiciono, sem melhorar as condições para uma agricultura de qualidade, que tenha credibilidade internacional. </p>
<p>Por todas as suas implicações, este é um projeto para ser feito com muita seriedade e responsabilidade e não votado em <a href="http://www.ecopolitica.com.br/2011/05/04/banalizacao-da-urgencia-e-desvalorizacao-de-nossos-ativos-florestais/">regime de urgência</a>, em sessões extraordinárias, com textos apresentados de última hora sem dar tempo sequer das bancadas fazerem uma leitura cuidadosa.</p>
<p>No presidencialismo de coalizão, um projeto dessa natureza é sempre responsabilidade do governo. O governo tem a maioria. No caso deste governo, tem uma coalizão enorme, mas heterogênea e desconjuntada. Isto torna ainda mais necessária a liderança presidencial. Só assim, a maioria teria um rumo ajustado aos programas de governo. O relator teria que estar comprometido com esta proposta de equilíbrio.</p>
<p>O deputado Aldo Rebelo mostrou que não tem temperança, isenção ou tolerância para ser relator de um projeto que só será adequado se conciliar os interesses da agropecuária sustentável com a preservação ambiental. Como negociador, faltam-lhe habilidades elementares. O que sabe fazer é lidar com “o outro lado” sempre como inimigo, desqualificando pessoal e moralmente os interlocutores em desacordo. Tampouco tem estatura política suficiente para impor o projeto como tem feito. Só o faz por ser porta-voz dessa aliança de ocasião.</p>
<p>Essa tentativa de mudança está sendo feita, na verdade, sob o comando de parlamentares de partidos da oposição e da periferia da coalizão governista, sob orientação da bancada ruralista. Não é representativa nem dos interesses do governo, nem da sociedade. A oposição está desorientada, não tem programa alternativo, nem lideranças unificadoras. A coalizão governista e o partido da presidente, o PT, estão divididos. Daí ao tumulto é um passo pequeno. Sem razão técnica e sem apoio social, recorrem a escorregadias manobras de plenário e à truculência. Por isso a autoridade presidencial se faz necessária, como Paulo Barreto, do Imazon assinalou em seu <a href="http://amazoniasustentavel.wordpress.com/2011/05/05/codigo-florestal-e-hora-da-presidente-dilma-entrar-em-campo/">blog recentemente</a>.</p>
<p>O governo mostrou liderança fraca e contraditória. Faltou a presidente Dilma dar uma direção clara ao processo de discussão. O governo tem sido reativo. Teria que ser proativo. Não reagir às propostas do relator, mas oferecer uma nova proposta, de conteúdo técnico e científico, que atenda de forma ampla a todos os pontos críticos de todas as áreas envolvidas, inclusive a agropecuária.</p>
<p>A sessão de ontem terminou com ameaça do PMDB de não votar mais nada antes da votação da proposta de modificação do código. Se o governo aceitar esse tipo de pressão imprópria de partido de sua coalizão, perde controle do processo legislativo como um todo, não só no caso do Código Florestal. Ou o governo tem políticas públicas que defende com coerência no Congresso, ou é um governo à deriva. Governo reativo no presidencialismo de coalizão perde o controle sobre as políticas públicas. Ficará à mercê dos casuísmos e da conveniência negociada no varejo dos plenários.</p>
<p>No caso do código florestal, as cenas patéticas de ontem mostraram que nem o governo, nem o Congresso estão preparados para votar a matéria. Ao invés de adiar de uma semana para outra, apenas para se manter um impasse desgastante e que traz incerteza a todos os setores, deveriam negociar um calendário para o governo apresentar uma proposta integral e coerente. Não dá para arrumar projeto ruim com emendas. Como disse Tasso Azevedo em seu artigo, “o grau de complexidade é imenso”, seria necessário fazer uma centena de emendas, para acertar todos os pontos controvertidos. É muito melhor escrever projeto novo, técnico, para ser votado com responsabilidade.</p>
<p>Uma coisa é clara, entre os interesses que o relator atual representa, há os legítimos e os ilegítimos. Não têm legitimidade as demandas da agropecuária predatória, que cresceu na ilegalidade, em terra grilada, usando trabalho escravo, produzindo ilegalmente para mercados informais ou de quinta. Esses interesses não têm que ser atendidos, porque eles são nocivos aos interesses da agropecuária brasileira. É praga a ser erradicada. Eles empobrecem a nossa agropecuária. Está na hora, também, dos produtores de responsabilidade e qualidade, tirar o seu joio do seu trigo. Se continuarem achando que protegendo o lado podre da agropecuária brasileira estão se protegendo, acabarão perdendo credibilidade e mercado.</p>
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		<title>Clima não é mais evento esporádico para agricultura é fator permanente</title>
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		<pubDate>Wed, 27 Apr 2011 18:26:38 +0000</pubDate>
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Sérgio Abranches
Há alguns anos um amigo meu me procurou para saber porque eu havia centrado parte de minhas análises na questão da mudança climática. Respondi que considerava que esse seria o fator determinante da economia política do século XXI, impulsionaria a inovação tecnológica e transformaria os padrões de produção e consumo da economia global.
Ou isso [...]]]></description>
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<p style="text-align: center;">Sérgio Abranches</p>
<p>Há alguns anos um amigo meu me procurou para saber porque eu havia centrado parte de minhas análises na questão da mudança climática. Respondi que considerava que esse seria o fator determinante da economia política do século XXI, impulsionaria a inovação tecnológica e transformaria os padrões de produção e consumo da economia global.<span id="more-1890"></span></p>
<p>Ou isso aconteceria, ou teríamos um cataclismo climático. Sou otimista e acho que isso de fato ocorrerá, embora com atraso e, por isso, custos e sacrifícios maiores que os necessários. Por isso, como analista de macro processos, passei a considerar a mudança climática como um dos fatores centrais de minhas análises. Debatemos muito esse assunto e ele me disse que começava a ver sinais disso na agricultura.</p>
<p>O portfólio de sua empresa de consultoria econômica tem uma forte participação de grandes empresas do agronegócio. Ele passou a observar, também, a agricultura com a visão da mudança climática. Ontem, ele fez uma frase decisiva sobre o que ocorreu desde aquela nossa conversa: “o que era aleatório virou permanente”. Nos últimos sete anos, a agricultura global foi sacudida por eventos extremos em todas as partes do mundo.</p>
<p>Em 2006, a agricultura mundial foi afetada por chuvas intensas na França, Inglaterra e Alemanha; seca na Ucrânia; ondas de calor na Itália e na Grécia; seca na Austrália; no Canadá chuvas intensas no plantio em 2005 e seca na colheita em 2006.</p>
<p>Em 2007 os eventos climáticos extremos atingiram novo pico. Os meses de janeiro e abril foram os mais quentes desde 1880. Monções severas provocaram chuvas intensas e enchentes no sul da Ásia. Chuvas de intensidade fora do comum castigaram a Europa, a China, o Sudão, Moçambique e o Uruguai. As enchentes no Uruguai foram as piores desde 1959. Ondas de calor atingiram o sudeste da Europa e a Rússia. Nevascas incomuns ocorreram na África do Sul e na América do Sul. Argentina e Uruguai tiveram um de seus mais rigorosos invernos. A Inglaterra e o País de Gales experimentaram o maior volume de chuva entre maio e junho desde 1766, que provocaram enchentes extensas. Na Alemanha o mês de abril foi o mais seco desde o início do século XX e o mês de maio o mais chuvoso de que se tem registro.</p>
<p>Em 2008, nos Estados Unidos, nevascas recorde cobriram o país de Leste a Oeste. Nevascas e tempestades atingiram extremos em várias partes do Canadá. No EUA, vários estados entraram em estado de emergência por causa de enchentes ou excesso de neve. O país também foi castigado por tornados em frequência e intensidade incomuns, tempestades fortíssimas, furacões e ondas de calor. No Brasil, Chile, Panamá, Porto Rico, Costa Rica, Honduras, Cuba, China, Índia, Sri Lanka, Argélia, Ucrânia, Romênia, Etiópia, Togo, Filipinas, Yemen, Vietnam e Austrália chuvas muito intensas provocaram enchentes, destruição e mortes. Foi o ano do furacão Ike e das tempestades tropicais Hanna, que matou mais de uma centena de pessoas no Haiti, Fay e Bertha, a mais longa da história. Tufões atingiram vários países da Ásia. Foi um ano brutal.</p>
<p>O ano de 2009 começou com o tufão Morakot desalojando mais de 1 milhão de chineses. Violenta onda de calor atingiu vários estados do EUA. A seca no Texas foi muito intensa. Na Califórnia, a pior seca de sua história. O país também sofreu com  fortes tempestades e enchentes, tornados e nevascas, com muitas vítimas fatais. Tempestades recorde no período das monções castigaram Bangladesh e Índia. Houve seca em Mumbai. Chuvas intensas no Vietnam, nas Filipinas e na Europa. Enchentes mataram na República Checa.</p>
<p>No Brasil, tempestades e enchentes mataram em São Paulo, no Maranhão, no Amazonas, na Bahia, no Ceará e no Piauí. No sul, seca intensa prejudicou a agricultura.</p>
<p>Enchentes gigantes e fatais atingiram o estado de Queensland na Austrália, também atingida pela pior onda de calor de sua história. A Argentina também teve uma das piores secas de sua história, que destruiu grande quantidade de gado e plantações.</p>
<p>As chuvas e enchentes causaram muitas vítimas, também, no Haiti, em Moçambique, Vietnam, Filipinas e Fiji.</p>
<p>Uma onda de calor castigou a China e o país enfrentou a sua pior seca em 50 anos. A Inglaterra e a Espanha foram atingidas por fortes nevascas. </p>
<p>O ano passado, 2010, foi considerado o ano mais mortal em uma geração. Foi <a href="http://www.ecopolitica.com.br/2011/01/21/um-ano-de-extremos-2010-pode-ser-o-retrato-de-nosso-futuro/">um ano de extremos</a> ainda mais violentos. Fora os eventos climáticos que marcaram o ano, terremotos e erupções vulcânicas causaram caos em muitos lugares e muitas mortes. Foi um ano anormalmente quente, ficando 0,53 graus Celsius acima da média de 1960-1990. O calor foi particularmente forte na África, em partes da Ásia e do Ártico. Em muitas regiões dessas áreas, as médias ficaram entre 1,2 e 1,4 graus Celsius acima da média de longo prazo. Pontos de calor excepcionais foram registrados, em dezembro, no leste do Canadá e na Groenlândia.</p>
<p>Ao mesmo tempo, temperaturas frias fora do comum marcaram o inverno no norte e no oeste da Europa com temperaturas médias que chegaram a ficar até 10 graus Celsius em algumas regiões da Noruega e da Suécia.  Na parte central da Inglaterra foi o mais frio dezembro desde 1890. Na Rússia também foi bem mais frio que a média. Pesadas nevascas castigaram vários países da Europa e a parte leste dos Estados Unidos, onde as temperaturas no final do ano ficaram abaixo da média histórica.</p>
<p>As monções de verão na Ásia foram fortíssimas em algumas regiões. Por causa dessas chuvas pesadas, a maior precipitação desde 1994 e a quarta maior de que se tem registro, o Paquistão enfrentou a pior enchente de sua história, matando milhares e desalojando milhões de pessoas. A maior parte de sua área agrícola foi inundada. As chuvas de verão foram também bastante pesadas na Índia ocidental e na China, que viveu a sua pior enchente causada pelas monções de verão desde 1998. As monções foram inusitadamente fracas, porém, particularmente no nordeste da Índia e em Bangladesh, que teve a mais seca monção desde 1994. <br />
O verão foi cruel, também, para o Hemisfério Norte, com ondas de calor extremo em várias partes da Eurásia. A mais extrema delas teve seu centro na Rússia ocidental. O calor anômalo atingiu Finlândia, Ucrânia, Belarus, partes do sudeste da Europa e a Sérvia.</p>
<p>Ao verão extremo, seguiu-se um violento inverno com temperaturas extraordinariamente baixas. Essa onda de frio afetou a maior parte da Europa, exceto o Mediterrâneo, a parte asiática da Rússia e a Mongolia. Foi o inverno mais frio da Escócia e a Irlanda, desde 1964. O inverno foi muito seco em algumas regiões, como na Noruega ocidental. Severa tempestade de inverno, Xynthia, atravessou o noroeste europeu, produzindo ventos fortíssimos e grandes chuvas particularmente na França. Em Portugal, Espanha, Itália e sudeste europeu foi um inverno muito chuvoso, com a precipitação média bem acima do dobro da média.</p>
<p>Na região do Saara a temperatura ficou quase 4 graus Celsius acima da média de longo prazo, a maior anomalia já registrada para qualquer mês. O Canadá viveu seu mais quente inverno já registrado com a temperatura média nacional 4 graus Celsius acima da média de longo prazo. Foi também o inverno mais seco já registrado no Canadá, prejudicando alguns eventos das olimpíadas de inverno em Vancouver.</p>
<p>Já nos Estados Unidos o inverno foi mais frio que o normal, exceto no noroeste e no nordeste do país. Na média nacional, foi o mais frio desde o de 1984-1985 e muitas regiões do sul do Texas para o leste tiveram um dos 10 mais frios invernos já registrados. Temperaturas muito abaixo da média histórica provocaram pesadas nevascas no leste. Em Washington, D.C. foi a precipitação de neve foi recorde absoluto.</p>
<p>As chuvas da primavera castigaram a Indonésia e a Austrália, Benin, Tailândia e Vietnam. Os três últimos enfrentaram enchentes significativas em outubro. Na Europa Central, houve grandes enchentes em maio, particularmente no leste da Alemanha, na Polônia e na Eslovaquia. No final de junho enchentes castigaram Romênia, Ucrânia e Moldava. Foi o agosto mais chuvoso da Alemanha.</p>
<p>As enchentes atingiram duramente, também, nosso continente. Em novembro, a Colômbia teve a mais severa enchente dos últimos 30 anos. Em abril, as enchentes atingiram o Rio de Janeiro.</p>
<p>A ilha do Madeira, viveu enchentes significativas em fevereiro, o Arkansas e o sul da França em junho.</p>
<p>Mas houve também secas severas. A seca no período de julho a setembro foi rigorosa, secando quase inteiramente o rio Negro, na Amazônia brasileira. Um pouco antes, a seca já havia atingido a Guiana e as ilhas do leste do Caribe. As províncias de Guizhou e Yunman na China tiveram os mais baixos índices de precipitação já registrados entre setembro de 2009 e meados de março de 2010. O Paquistão também enfrentou seca no começo do ano. Embora as chuvas tivessem posto fim à mais longa e severa seca da história da Austrália, o período de janeiro a outubro de 2010 foi o mais seco já registrado no sudeste do país.</p>
<p>As calamitosas condições de 2010, infelizmente, se estenderam pelo mês de janeiro deste ano. No começo do mês, mais de 800 mil pessoas foram afetadas por enchentes no Sri Lanka. Enchentes e deslizamentos atingiram duramente, também, as Filipinas. Na Austrália, Brisbane, capital de Queensland, ficou debaixo d’água. O estado de Victoria também enfrentou extensas enchentes. </p>
<p>No Brasil, vivemos nossa pior tragédia associada ao clima, com os deslizamentos da região serrana do estado do Rio de Janeiro, que devastaram Nova Friburgo, partes inteiras de Teresópolis e Petrópolis e mataram centenas de pessoas.</p>
<p>Essa lista de fatalidades e extremos climáticos ao longo de vários anos me parece mais que suficiente para justificar a conclusão de meu amigo consultor: “o aleatório virou permanente”. A agroindústria e a agricultura familiar foram duramente afetados em todo o mundo. A oferta de alimentos caiu. Os grãos foram duramente atingidos, mas não só eles. A demanda continuou a subir. As novas tendências gerenciais e exigências sanitárias reduziram fortemente a formação de estoques alimentícios. A inflação nos preços das commodities agrícolas e dos alimentos “não comercializáveis”, aqueles que não entram no comércio internacional, aumentou e permanece alta. É uma inflação climática. Quem acha que ela é passageira, ainda está na era do clima que atingia a agricultura de forma descontínua. O aleatório virou permanente. O mais provável é que a agricultura mundial enfrente praticamente todo ano condições climáticas pouco favoráveis. Ela tem que se adaptar, nós temos que nos adaptar.</p>
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		<title>Uma estratégia auto-destrutiva</title>
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		<pubDate>Mon, 31 May 2010 14:27:11 +0000</pubDate>
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Sérgio Abranches
Agronegócio brasileiro adota as piores práticas sócio-ambientais. Despreza a tendência do mercado global de adotar práticas de sustentabilidade em toda a cadeia de suprimentos. Um projeto economicamente suicida. O Brasil é o maior importador de agrotóxicos banidos no EUA e na União Européia, por razões sanitárias. Esses produtos, muito tóxicos, são muito nocivos à [...]]]></description>
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		</div>
<p>Sérgio Abranches<br />
Agronegócio brasileiro adota as piores práticas sócio-ambientais. Despreza a tendência do mercado global de adotar práticas de sustentabilidade em toda a cadeia de suprimentos. Um projeto economicamente suicida.<span id="more-942"></span> O Brasil é o maior importador de agrotóxicos banidos no EUA e na União Européia, por razões sanitárias. Esses produtos, muito tóxicos, são muito nocivos à saúde humana e ao ambiente, especialmente à água.<br />
Em matéria, no último domingo, para o Estado de São Paulo, Lígia Formenti conta que aumenta a importação de produtos proibidos nos países desenvolvidos, como o endossulfam, associado a problemas endócrinos. “Dados da Secretaria de Comércio Exterior mostram que o País importou 1,84 mil tonelada do produto em 2008. Ano passado, saltou para 2,37 mil toneladas”.</p>
<p>Esses agrotóxicos são de difícil remoção dos produtos em cuja produção são utilizados. Fazem mal à saúde. Envenenam o lençol freático, a terra e os rios. Eles marcam os produtos agrícolas brasileiros como de má qualidade.<br />
Qual o projeto estratégico do agronegócio brasileiro? Adotar as piores práticas e enfrentar barreiras comerciais crescentes?</p>
<p>O agronegócio brasileiro cresceu de forma espetacular. Acompanhei esse desempenho. Cheguei a escrever uma coluna na Veja, mostrando que “vender commodities” era chique, porque nossa agricultura estava se transformando em um negócio de alta tecnologia. Naquela época, prevalecia no Brasil a idéia de que só era bacana exportar produtos da indústria manufatureira, que se dizia tinham mais tecnologia. Uma tese falsa. Na comparação em teor de tecnologia, o setor do agronegócio dá de goleada na indústria.</p>
<p>Mas os avanços na genética, na nutrição e outros ganhos tecnológicos, não foram acompanhados por progressos nas práticas de sustentabilidade e responsabilidade social. O agronegócio brasileiro desmata, convive com práticas ilegais, como trabalho escravo, trabalho degradante, não assume responsabilidade pela cadeia de suprimentos (supply chain). Ao adotar más práticas ambientais e trabalhistas, carimba os produtos como de má qualidade.</p>
<p>Alguns setores começaram a melhorar suas práticas, mas só depois que passaram a enfrentar o risco real e presente de perderem seus melhores mercados externos. Foi o caso da soja, que terminou por fazer a moratória, que reduziu significativamente sua contribuição para o desmatamento ilegal na Amazônia.</p>
<p>Os frigoríficos brasileiros ainda não aprenderam essa lição, mesmo depois de serem advertidos pelos grandes supermercados de que não comprariam mais carne daqueles que não fossem capazes de demonstrar sua origem. Grandes supermercados como o Walmart, o Carrefour e o Pão de Açúcar têm programas de sustentabilidade que olham para a cadeia de suprimentos. E, por essas políticas, cada fornecedor tem que se responsabilizar por seus fornecedores também.</p>
<p>O mesmo acontece com o couro, grandes importadores, como a Nike, a Timberland, a Puma, a Columbia e a Patagônia já disseram que não continuarão a comprar couro brasileiro, se não tiverem garantia de origem, comprovando que não contribuem para o desmatamento da Amazônia</p>
<p>Agora mesmo, o Brasil teve que suspender, em comum acordo com as autoridades de Washington, as vendas de carne para o EUA, nosso maior mercado. Qual a razão? O JBS Friboi exportou para o EUA 40 toneladas de carne processada com teores de Ivermectina muito acima do permitido pelos padrões sanitários, informa Raquel Landim, do Estado de São Paulo. A Ivermectina é um vermífugo utilizado na criação de bovinos, mas que pode ser danoso à saúde humana. Esse frigorífico, que é financiado com subsídio pelo BNDES, também não obedeceu ao compromisso de garantir a origem de sua carne, assumido no acordo com os supermercados, intermediado pelo Greenpeace, para eliminar da cadeia de suprimentos a carne de desmatamento. Aliás, o Greenpeace está também na origem da moratória da soja.</p>
<p>O agronegócio brasileiro tem uma história de sucesso. Somos, hoje um dos maiores exportadores de commodities agrícolas do mundo. Somos o maior fornecedor do mercado global de carnes, tendo, ao longo dos anos superado grandes e tradicionais produtores como Argentina, Austrália, Nova Zelândia e Canadá. Não fosse o agronegócio brasileiro, nossa balança comercial seria deficitária. É ele que equilibra o sistema de comércio externo brasileiro.</p>
<p>Mas essa história de sucesso tecnológico e econômico tem bases podres, por causa das péssimas práticas sócio-ambientais. A liderança ruralista não representa a atitude dos bons produtores. Representa as piores práticas. Faz isso quando defende mudança no Código Florestal, para reduzir a área de reservas florestais. Diz que não precisa desmatar, mas trabalha politicamente para poder desmatar. Faz pressão sobre o governo, para atrasar a revisão dos agrotóxicos em uso, que tendem a ser banidos. Chama de absurdas as regras elementares de práticas trabalhistas mínimas. Míriam Leitão mostrou, em coluna recente, que o agronegócio tem sido campeão de flagrantes indiscutíveis de trabalho escravo e condições degradantes de trabalho, que lideranças como a senadora Kátia Abreu, nega existirem.</p>
<p>“Ao todo, de 2003 para 2009, foram encontrados 30 mil trabalhadores em condições análogas às da escravidão nas fazendas inspecionadas”, conta Míriam Leitão. E que regras absurdas são essas?</p>
<blockquote><p>“A empresa tem que fornecer água potável para os trabalhadores. Essa é uma das 252 normas do Ministério do Trabalho para as fazendas. Por que escrever uma exigência óbvia? Entre 2003 a 2008, em 451 fazendas ficou constatado que os trabalhadores não tinham acesso à água minimamente aceitável. Há regras que não precisariam ser escritas desde o fim das senzalas.<br />
Exemplos de regras espantosamente básicas: é preciso haver banheiro nos alojamentos; água para lavar o agrotóxico das mãos antes das refeições; os alojamentos têm que ser divididos por sexo; alojamentos de famílias não podem ser coletivos; trabalhador não pode pagar pelo equipamento de trabalho; se sofrer acidente, tem que receber primeiros socorros. Não deveria existir instruções assim tão detalhistas. O normal é que não houvesse. Mas os relatórios dos grupos móveis de fiscalização, que foram a quase 1.800 fazendas desde 2003, mostram que o que deveria ser normal numa sociedade civilizada, nem sempre é oferecido ao trabalhador de certas propriedades rurais”. (Miriam Leitão, na coluna Contra os fatos).</p></blockquote>
<p>Eu estive visitando uma região de produção de soja no cerrado mineiro e os produtores estão desesperados com a baixa disponibilidade de água. A água era abundante e sumiu. Por quê? Porque desmataram tudo, destruíram as matas ciliares, poluíram os mananciais, usaram água de forma abusiva. Agora estão querendo acabar com as áreas protegidas da região, para terem acesso às suas águas.</p>
<p>A liderança do agronegócio, ao optar por defender a banda suja do setor, como se fizesse a defesa geral dessa indústria, está trocando benefícios de curtíssimo prazo por um desastre econômico e comercial de médio prazo. Ao estimular a adoção das piores práticas produtivas e ao negar a sustentabilidade como parte de sua estratégia futura para garantir a continuidade de sua trajetória vitoriosa, está condenando o agronegócio brasileiro à condição de pária na economia global. E está comprometendo a sustentabilidade econômico-financeira do setor na economia brasileira.</p>
<p>Um dos argumentos utilizados para o uso de agrotóxicos comprovadamente nocivos, por exemplo, é de que a lei brasileira não proíbe. É verdade que vivemos um apagão regulatório. Nenhuma agência regulatória está funcionando bem no Brasil: Anvisa, Anatel, Aneel, Ibama. Mas isso não justifica o mau comportamento. O argumento é tosco. Adota-se as melhores práticas porque elas são melhores, não porque o governo manda. Responsabilidade empresarial é uma vantagem privada, não uma determinação do estado. É essa mentalidade atrasada do empresário mediano brasileiro, que vive atrelado ao estado e dependente dos subsídios estatais que atrasa a economia brasileira. Ao invés de fazer lobby para poder continuarem errando, deviam buscar acertar para progredir.</p>
<p>Estamos entrando na era em que a gestão da cadeia de suprimentos vai ser ditada pelo consumidor. A busca da qualidade técnica, social e ambiental dos produtos, de todas as cadeias, é uma tendência inexorável. Quem não acompanhá-la sairá dos bons mercados, ficará nos mercados de baixa qualidade, como fornecedores de baixa qualidade.</p>
<p>O agronegócio brasileiro, as empresas líderes que adotam boas práticas, ao admitir essa liderança atrasada e reacionária, está aceitando riscos que se voltarão contra ele. Os boicotes vão aumentar. Os recalls de produtos brasileiros nos melhores mercados vão se suceder. O Brasil perderá fatias nobres do mercado global de commodities. É esse mesmo o projeto da agricultura brasileira?</p>
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		<title>Conflito entre agricultura e meio ambiente é um falso problema</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Oct 2009 19:50:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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Só os atrasados confrontam as regras ambientais. Mas a agropecuária brasileira terá que mudar suas práticas ambientais e sociais, se quiser continuar competitiva no mercado mundial. Campeã de agrotóxicos, desmatamento e fraglantes de trabalho escravo, sem chance no Século XXI. Comentário de Sérgio Abranches na CBN.
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<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Só os atrasados confrontam as regras ambientais. Mas a agropecuária brasileira terá que mudar suas práticas ambientais e sociais, se quiser continuar competitiva no mercado mundial. Campeã de agrotóxicos, desmatamento e fraglantes de trabalho escravo, sem chance no Século XXI. Comentário de Sérgio Abranches <a href="http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/sergio-abranches/2009/10/26/EMBATE-ENTRE-AGRICULTURA-E-MEIO-AMBIENTE-E-UM-FALSO-CONFLITO.htm"><span style="text-decoration: underline; letter-spacing: 0.0px color;">na CBN</span></a>.</span></p>
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		<title>Desmatamento na Amazônia é determinado por commodities</title>
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		<pubDate>Fri, 07 Aug 2009 02:03:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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Atividades agrícolas de larga escala são os principais fatores determinantes do desmatamento da Amazônia.
Sérgio Abranches

Os dados ajustados mais recentes do INPE, baseados em fotos de satélite, contém basicamente más notícias para a Amazônia. O desmatamento aumentou em 2008, após cair por 3 anos.
 

 
As circunstâncias dessa virada são relevantes para entender a dinâmica do [...]]]></description>
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<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Atividades agrícolas de larga escala são os principais fatores determinantes do desmatamento da Amazônia.</span></p>
<address><span style="letter-spacing: 0.0px;">Sérgio Abranches</span></address>
<div><span style="font-family: Helvetica, 'Times New Roman', 'Bitstream Charter', Times, fantasy; font-size: small;"><span style="line-height: normal;"><span id="more-120"></span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Os dados ajustados mais recentes do <a href="http://www.obt.inpe.br/prodes/index.html"><span style="text-decoration: underline;">INPE</span></a>, baseados em fotos de satélite, contém basicamente <a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc0508200918.htm"><span style="text-decoration: underline;">más notícias</span></a> para a Amazônia. O desmatamento aumentou em 2008, após cair por 3 anos.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; text-align: center; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"><img class="aligncenter size-full wp-image-121" title="Desmatamento" src="http://www.ecopolitica.com.br/wp-content/uploads/2009/08/Amazon-Deforestation.056.jpg" alt="Amazon Deforestation.056" width="491" height="369" /></span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; text-align: center; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">As circunstâncias dessa virada são relevantes para entender a dinâmica do desmatamento no Brasil. Ela aconteceu em um ano marcado pelo início da crise econômica no segundo semestre. As atividades de comando e controle do governo continuaram, ainda que possam ter diminuído um pouco. A moratória da soja produzida em terras desmatadas desde 24 de julho de 2006 estava aparentemente sendo obedecida pelas maiores tradings. A decisão do Conselho Monetário Nacional proibindo as instituições oficiais de crédito de financiarem atividades sem regularização fundiária e licença do Ibama continua válida. Deve-se notar, porém, que a desaceleração econômica determinada pela crise financeira internacional foi precedida por uma bolha de preços de commodities.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O desmatamento aumentou significativamente, a despeito das condições aparentemente adversas, e também mudou sua geografia. O presidente do INPE, Gilberto Câmara, @gcamara, disse em um tweet que o desmatamento migrou do Arco do Desmatamento, área no sudeste do Pará, norte do Mato Grosso e Rondônia, movendo-se para o coração do Pará e Maranhão. As áreas de crescimento do desmamento “estão mais espalhadas, o que dificulta monitoramento e fiscalização”, disse no tweet. Essa migração não obstante, os dois maiores eixos de expansão do desmatamento continuam sendo a Terra do Meio, entre os rios Xingú e Tapajós, e a Br-163, Cuiabá-Santarém.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O primeiro gráfico mostra dados apenas para corte raso. A degradação florestal também cresceu demais, 67%, no mesmo período. As queimadas, usualmente associadas ao desmatamento, também mostram uma tendência fortemente altista.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Esse movimento é um sinal claro de que os problemas de falha de governança na Amazônia não foram resolvidos, como o governo tem alegado desde que o desmatamento começou a cair. Mais ainda, o principal determinante do desmatamento continua a ser o mesmo de antes: a agropecuária extensiva, de larga escala. A relação entre preços de commodities e desmatamento continua valendo. Minha convicção é que essas atividades extensivas não são compatíveis com o objetivo de interromper o desmatamento na Amazônia. Se continuarem toleradas &#8211; e até estimuladas &#8211; levarão a uma decadência catastrófica da floresta.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Nenhum governo brasileiro teve, até hoje, um projeto que conciliasse atividade econômica e manutenção da floresta em pé. O PAC, deste governo, é antagônico ao objetivo de reduzir o desmatamento. Ele está centrado em estradas e mega hidrelétricas. Estradas são definitivamente o maior fator propiciador do desmatamento e aquelas que, como a Br-319, ligando Porto Velho a Manaus, cortam áreas inexploradas, são vias para a abertura de novas áreas de expansão da fronteira agrícola.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O ministro Carlos Minc, do Meio Ambiente, me disse que nas áreas no começo da Br-319 que o exército já está pavimentando já detectaram desmatamento e ele cresce em ritmo acelerado. O Ibama recusou o EIA-RIMA da estrada, incompleto e insuficiente, e o Ministério impôs uma série de medidas de precaução e compensação, como pré-requisito para a licença, após a aprovação de um novo EIA-RIMA. Há enorme oposição a essas exigências dentro do governo e no Congresso que quer, inclusive, acabar com o licenciamento ambiental de rodovias. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O maior desmatamento é determinado pela produção de commodities agrícolas. As estradas não servem apenas como meio de transporte da produção para os portos, mas também como vias de penetração de população e do agronegócio em áreas inexploradas da floresta. O professor Paulo Fernando Fleury, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, um dos maiores especialistas em logística do Brasil, me disse que sua análise da Br-319 mostra que ela é o modal de menor eficiência e pior custo-benefício para a economia da região. O modal de melhor custo-benefício, olhando apenas a economia da produção regional, seria a hidrovia que já existe e precisaria apenas de investimentos de retificação. Considerando-se os impactos e riscos ambientais, adicionados à análise econômica, a melhor opção seria uma ferrovia.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; text-align: center; font: 12.0px Helvetica;"><img class="aligncenter size-full wp-image-122" title="Desmatamento e preço de commodities" src="http://www.ecopolitica.com.br/wp-content/uploads/2009/08/Deforestation.001.jpg" alt="Desmatamento" width="553" height="415" /></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; text-align: center; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O gráfico acima associa o Reuters/Jefferies CRB Index of Total Return, que mede o preço de commodities no mercado internacional, e os dados de desmatamento para 2008 e o primeiro bimestre de 2009. Em ambos os casos são médias mensais. A correlação é clara. Uma análise mais fina requereria uma série temporal mais longa, alguma correção para a sazonalidade, por causa do ciclo cheia-vazante e uma análise de possíveis defasagens entre preços e desmatamento. Mas mesmo sem essas sofisticações estatísticas há pouca razão para duvidar nessa correlação e que o desmatamento tem uma lógica econômica por trás.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Essa lógica econômica responde a atividades de grande escala e de exportação. Só ações que atinjam diretamente esses agentes econômicos de grande porte, seja pelo lado da demanda &#8211; como a recusa de compra de <a href="http://members.greenpeace.org/blog/greenpeaceusa_blog/2009/06/12/meat_from_amazon_deforestation_banned"><span style="text-decoration: underline;">carne</span></a> e <a href="http://www.msnbc.msn.com/id/32104926/ns/world_news-world_environment/"><span style="text-decoration: underline;">couro</span></a> por grandes consumidores &#8211; e sanções econômicas estatais contra grandes empresas que estejam associadas ao desmatamento e à degradação florestal estancarão esse processo. Ao fim e ao cabo, uma solução durável, ou sustentável, para a Amazônia vai requerer a substituição dessas atividades de alto risco, por atividades de alto valor agregado, com elevado índice de aplicação de ciência e tecnologia, que gerem mais empregos de qualidade e renda para a população e ajudem manter a floresta em pé.</span></p>
<p></span></span></div>
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