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	<title>Ecopolitica &#187; 2010</title>
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	<description>Política Mudança Climática Século XXI</description>
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		<title>Aumento do desmatamento na Amazônia deve preocupar muito</title>
		<link>http://www.ecopolitica.com.br/2011/02/24/aumento-do-desmatamento-na-amazonia-preocupa-muito/</link>
		<comments>http://www.ecopolitica.com.br/2011/02/24/aumento-do-desmatamento-na-amazonia-preocupa-muito/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 24 Feb 2011 13:43:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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		<category><![CDATA[2010]]></category>
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Sérgio Abranches
O desmatamento na Amazônia voltou a crescer, depois de um longo período de queda.E o pior é que os principais responsáveis não são os culpados usuais. Agora, o principal vetor de desmatamento são as grandes e inadequadas obras de infra-estrutura que o Governo Federal impõe teimosamente ao país.
O sistema DETER de alerta prévio de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="tweetmeme_button" style="float: right; margin-left: 10px;">
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			</a>
		</div>
<p>Sérgio Abranches</p>
<p>O desmatamento na Amazônia voltou a crescer, depois de um longo período de queda.E o pior é que os principais responsáveis não são os culpados usuais. Agora, o principal vetor de desmatamento são as grandes e inadequadas obras de infra-estrutura que o Governo Federal impõe teimosamente ao país.<span id="more-1725"></span></p>
<p>O sistema <a href="http://www.ecopolitica.com.br/2011/02/03/inpe-ve-indicacoes-de-aumento-de-desmatamento-na-amazonia/">DETER</a> de alerta prévio de desmatamento do Instituto de Pesquisas Espaciais &#8211; INPE- já havia detectado aumento do desmatamento na Amazônia, no final do ano passado, inclusive em estados tradicionalmente de menor pressão sobre a floresta como o Amazonas.</p>
<p>Agora é o <a href="http://www.imazon.org.br/novo2008/publicacoes_ler.php?idpub=3814">Imazon</a>, centro de pesquisas do Pará, que também analisa dados de satélite para medir desmatamento, que indica essa possível reversão de tendência, de queda para aumento do desmatamento.</p>
<p>Em dezembro de 2010 o desmatamento, pelos dados do Imazon, foi mais de 10 vezes maior que em dezembro de 2009. Em janeiro, ele foi 22% maior que em janeiro do ano anterior. No acumulado agosto-dezembro, ele foi 3% maior, comparado ao mesmo período de 2009. A degradação florestal quadruplicou no segundo semestre, comparado ao segundo semestre de 2009. É indicação de desmatamento futuro.</p>
<p>A tabela mostra o desmatamento no período agosto 2010-janeiro 2011 por estado. Reparem que subiu em todos os estados, menos no Pará, onde ele caiu.</p>
<p><a href="http://www.ecopolitica.com.br/wp-content/uploads/2011/02/Tabela-Imazon.jpg"><img src="http://www.ecopolitica.com.br/wp-content/uploads/2011/02/Tabela-Imazon-300x150.jpg" alt="" title="Tabela Imazon" width="300" height="150" class="aligncenter size-medium wp-image-1726" /></a><br />
Clique na imagem para aumentar</p>
<p>Tuítes de Adalberto Veríssimo &#8211;  @betoverissimo &#8211; e Paulo Barreto &#8211; @paulogbarreto &#8211; ambos do Imazon, sugerem que o maior desmatamento em Rondônia, com Porto Velho liderando o ranking negativo dos municípios de maior desmatamento, é provavelmente efeito das hidrelétricas no Rio Madeira. Veríssimo atribui a queda no Pará ao programa “Carne Legal”, do Ministério Público Federal no estado e do governo do estado. Paulo Barreto concorda e lembra, também, os &#8220;pactos locais pela redução do desmatamento&#8221;, como o pacto pelo desmatamento zero em Paragominas.</p>
<p>O Imazon também identificou aumento das emissões associadas ao desmatamento na Amazônia.</p>
<p>Luz amarela ou vermelha? pergunta Adalberto Veríssimo no seu Twitter. Eu digo vermelha. De alerta máximo e de risco muito elevado, principalmente porque o grande vetor de desmatamento passou a ser o Governo Federal, com as hidrelétricas do rio Madeira, Belo Monte, no rio Xingú, e asfaltamento de rodovias que rasgam a Amazônia e facilitam a ocupação por novas ondas de pessoas em busca de áreas para explorar.</p>
<p>Eu diria que a campanha contra o código florestal, sem resposta incisiva do governo a favor da proteção das florestas, pode também estar estimulando o desmatamento de novo. A turma pode estar achando, com alguma razão, que o governo relaxou a política de repressão ao desmatamento ilegal.</p>
<p>Ainda pior, os dois centros, o INPE e o Imazon, alertam para o fato de que no final do ano havia nuvens espessas sobre grande parte da região, portanto esses dados de desmatamento e degradação podem estar subestimados.</p>
<p><iframe src='http://www.cbn.com.br/Player/player.htm?audio=2011/colunas/ecopolitica_110224&#038;OAS_sitepage=cbn/comentarios/sergioabranches' width='475' height='193' marginheight='0' marginwidth='0' frameborder='0' scrolling='no' bgcolor='#CCCCCC'/></iframe></p>
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		<title>Um ano de extremos, 2010 pode ser o retrato de nosso futuro</title>
		<link>http://www.ecopolitica.com.br/2011/01/21/um-ano-de-extremos-2010-pode-ser-o-retrato-de-nosso-futuro/</link>
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		<pubDate>Fri, 21 Jan 2011 14:55:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[2010]]></category>
		<category><![CDATA[ciência climática]]></category>
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		<category><![CDATA[meio ambiente]]></category>
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Sérgio Abranches
O ano passado, de 2010, foi o mais quente da história de registros em termômetro. Sua temperatura média ficou ligeiramente acima da média mais alta anterior, de 2005. Mas os cientistas consideram temperaturas equivalentes, porque estão dentro da margem de incerteza estatística. A natureza passou por todos os extremos. Grande número de países enfrentou [...]]]></description>
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			</a>
		</div>
<p>Sérgio Abranches</p>
<p>O ano passado, de 2010, foi o mais quente da história de registros em termômetro. Sua temperatura média ficou ligeiramente acima da média mais alta anterior, de 2005. Mas os cientistas consideram temperaturas equivalentes, porque estão dentro da margem de incerteza estatística. A natureza passou por todos os extremos. Grande número de países enfrentou tragédias, em alguns casos, mais de uma vez ao longo do ano. Os mais preparados tiveram muitos transtornos, mas poucas perdas de vida humanas. Nos mais pobres e nos menos preparados, as calamidades cobraram milhares de vidas.<span id="more-1597"></span></p>
<p>A média de 2010 ficou 0,53<sup>o</sup>C acima da média de 1961-1990. Essas estatísticas, consolidadas pela <a href="http://www.wmo.int/pages/index_en.html">Organização Meteorológica Mundial</a> (OMM) se baseia em dados de três centros diferentes: o Escritório Meteorológico do Centro Hadley, no Reino Unido; o Centro Nacional de Dados Climáticos dos Estados Unidos (NCDC) e da NASA.</p>
<p>Eles indicam, também, que a cobertura de gelo ártico em dezembro de 2010 foi a mais baixa já registrada, com média mensal de 12 milhões de quilômetros quadrados, 1,35 milhões de quilômetros quadrados abaixo da média de 1979-2000 para o mês de dezembro. O secretário-geral da OMM, Michel Jarraud, diz que os dados de 2010 confirmam que “a Terra está com uma tendência significativa de aquecimento de longo-prazo”.</p>
<p>O aquecimento foi particularmente forte na África, em partes da Ásia e do Ártico. Em muitas regiões dessas áreas, as médias ficaram entre 1,2<sup>o</sup>C e 1,4<sup>o</sup>C acima da média de longo prazo. Pontos de calor excepcionais foram registrados, em dezembro, no leste do Canadá e na Groenlândia. Temperaturas anormalmente frias marcaram o inverno no norte e no oeste da Europa com temperaturas médias que chegaram a ficar até 10<sup>o</sup>C em algumas regiões da Noruega e da Suécia. Em quase toda a Escandinávia foi o dezembro mais frio de que se tem registro. Na parte central da Inglaterra foi o mais frio dezembro desde 1890. Um bloqueio de alta pressão atmosférica no Atlântico impediu que ventos ocidentais mais quentes chegassem à Inglaterra e à Europa ocidental, causando esse esfriamento anômalo. Segundo Barry Grommett, do <a href="http://www.metoffice.gov.uk/">Met Office</a>, um começo de ano gelado, em janeiro e fevereiro e o dezembro mais frio já registrado, reduziram significativamente a temperatura média anual no Reino Unido.</p>
<p>Na Rússia também foi bem mais frio que a média. Pesadas nevascas castigaram várias partes da Europa e a parte leste dos Estados Unidos, onde as temperaturas no final do ano ficaram abaixo da média histórica.</p>
<p>A Organização Meteorológica Mundial também compilou os principais eventos climáticos extremos de 2010. Com esse padrão climático não é de se espantar que o ano tenha sido particularmente intenso em eventos extremos, de muita gravidade.</p>
<p>As monções de verão na Ásia foram fortíssimas em algumas regiões. Por causa de chuvas excepcionalmente pesadas, a maior precipitação desde 1994 e a quarta maior de que se tem registro, o Paquistão enfrentou a pior enchente de sua história. O ponto de maior gravidade foi nos últimos dias de julho, com chuvas intensas, por quatro dias seguidos, atingindo duramente o norte do Paquistão, na região de Peshawar. No início de  agosto, o sul do país foi castigado pelas águas. Morreram mais de 1500 pessoas e 20 milhões foram deslocadas, quando a maior parte da área agrícola foi inundada. A ONU considerou que, em termos do número de pessoas afetadas esta foi a maior crise humanitária da história recente associada a eventos climáticos.<br />
As chuvas de verão foram também bastante pesadas na Índia ocidental e na China, que viveu a sua pior enchente causada pela monção de verão desde 1998, afetando com severidade o sudoeste e o nordeste do país. As enchentes atingiram também a península coreana. Deslizamentos de terra na província chinesa de Gansu mataram mais de 1400 pessoas.</p>
<p>Ao mesmo tempo, as monções foram inusitadamente fracas em várias outras partes da Índia, particularmente no nordeste e em Bangladesh, que teve a mais seca monção desde 1994.<br />
O verão foi cruel, também, para o Hemisfério Norte, com ondas de calor extremo em várias partes da Eurásia. A onda mais extrema de calor teve seu centro na Rússia ocidental. Seu pico se deu entre o começo de julho e meados de agosto. Foi um episódio muito longo, que matou mais de 11 mil pessoas. Calor anômalo atingiu, também, a Finlândia, Ucrânia, Belarus, partes do sudeste da Europa e a Sérvia.</p>
<p>Ao verão extremo, seguiu-se um violento inverno. O Hemisfério Norte experimentou, também, temperaturas extraordinariamente baixas. Essa onda de frio afetou a maior parte da Europa, exceto o Mediterrâneo, a parte asiática da Rússia e a Mongolia. Foi o inverno mais frio da Escócia e a Irlanda, desde 1964. O mesmo fenômeno que bloqueou as correntes ocidentais e provocou temperaturas anômalas, bem abaixo da média histórica, também levou a um inverno muito seco em algumas regiões, como na Noruega ocidental, onde o inverno foi 72% mais seco que o normal. Ao mesmo tempo, uma severa tempestade de inverno, Xynthia, atravessou o noroeste europeu, produzindo ventos fortíssimos e grandes chuvas particularmente na França, na costa oeste, a velocidade dos ventos ultrapassou 150km/h. Em Portugal, Espanha, Itália e sudeste europeu foi um inverno muito chuvoso, com a precipitação média bem acima do dobro da média.</p>
<p>Na região do Saara a temperatura ficou quase 4 graus Celsius acima da média de longo prazo, a maior anomalia já registrada para qualquer mês. O Canadá viveu seu mais quente inverno já registrado com a temperatura média nacional 4<sup>o</sup>C acima da média de longo prazo. No norte do país, a diferença chegou a 6<sup>o</sup>C. Esse inverno quente se estendeu até o leste do Ártico, alcançando a Groenlândia e Spitsbergen. Foi também o inverno mais seco já registrado no Canadá. A tal ponto que prejudicou alguns eventos das olimpíadas de inverno em Vancouver.</p>
<p>Já nos Estados Unidos o inverno foi mais frio que o normal, exceto no noroeste e no nordeste do país. Na média nacional, foi o inverno mais frio desde o de 1984-1985 e muitas regiões do sul do Texas para o leste tiveram um dos 10 mais frios invernos em registro. As temperaturas muito abaixo da média histórica provocaram pesadas nevascas no leste. Em Washington, D.C. foi precipitação de neve foi recorde absoluto.</p>
<p>As chuvas da primavera castigaram a Indonésia e a Austrália, a partir de maio, com o progresso de La Niña. Maio, normalmente o mais seco mês do ano, foi anormalmente chuvoso. Na Indonésia choveu o dobro da média entre junho e outubro. Esse período de maio a outubro foi o mais chuvoso já registrado no norte da Austrália. A precipitação foi 152% acima do normal. Tailândia e Vietnam enfrentaram enchentes significativas em outubro. Benin teve a pior enchente já registrado em termos de impacto, causando perdas pesadas na agricultura e com várias áreas ficando isoladas por bastante tempo, sem acesso a assistência médica. Na Europa Central, houve grandes enchentes em maio, particularmente no leste da Alemanha, na Polônia e na Eslovaquia. No final de junho enchentes castigaram a Romênia, a Ucrânia, Moldava. Foi o agosto mais chuvoso da Alemanha.</p>
<p>As enchentes atingiram duramente, também, nosso continente. Em novembro, a Colômbia teve a mais severa enchente dos últimos 30 anos. Em abril, as enchentes atingiram o Rio de Janeiro.</p>
<p>A ilha do Madeira, viveu enchentes significativas em fevereiro, o Arkansas e o sul da França em junho.</p>
<p>Mas houve também secas severas. A seca no período de julho a setembro foi rigorosa, secando quase inteiramente o rio Negro na Amazônia. Um pouco antes, a seca já havia atingido a Guiana e as ilhas do leste do Caribe. As províncias de Guizhou e Yunman na China tiveram os mais baixos índices de precipitação já registrados entre setembro de 2009 e meados de março de 2010. O Paquistão também enfrentou seca no começo do ano. Embora as chuvas tivessem posto um fim na mais longa e severa seca da história da Austrália, o período de janeiro a outubro de 2010 foi o mais seco já registrado no sudeste do país.</p>
<p>As calamitosas condições de 2010, infelizmente, se estenderam pelo mês de janeiro deste ano. No começo do mês, mais de 800 mil pessoas foram afetadas por enchentes no Sri Lanka. Enchentes e deslizamentos atingiram duramente, também as Filipinas. Na Austrália, Brisbane, capital de Queensland, ficou debaixo d’água. As enchentes atingiram fortemente todo o estado de Queensland e, logo em seguida, o estado de Victoria. E vivemos nossa pior tragédia associada ao clima, com os deslizamentos da região serra do estado do Rio de Janeiro, que devastaram Nova Friburgo, partes inteiras de Teresópolis e Petrópolis, mataram mais de mil pessoas.</p>
<p>Escolhi enumerar, sem grandes comentários, os principais eventos climáticos de 2010 para avivar nossa memória. Foram tantos, que os do início do ano podem parecer terem acontecido muito antes. Não. Todos estiveram concentrados nos doze meses de 2010. Um ano anômalo? Com certeza. Vários recordes tristes foram batidos. Os termômetros e pluviômetros registraram os mais altos e os mais baixos registros desde que começamos a medir temperatura e precipitação com instrumentos. As médias históricas foram ultrapassadas para menos e para mais, em muitas partes do mundo, em muitos meses do ano, em todas as estações.</p>
<p>Um ano que não se repetirá? Dificilmente. Ele tende a se repetir e seus recordes, infelizmente, devem ser superados no futuro. Se nos prepararmos, podemos evitar que o número de mortes seja igual ou pior. Mas com relação aos extremos da natureza, nada podemos fazer. Se estamos vivendo ou não os primeiros momentos de um cenário mais rigoroso de mudança climática, não me atrevo a dizer. Mas é certo que esse quadro de extremos: chuvas torrenciais e secas severas; ondas de calor insuportável e frio intenso; nevascas longas e com muita acumulação de neve e invernos praticamente sem neve; corresponde, perfeitamente, às previsões dos cientistas sobre as consequências do aquecimento global. Temos que nos adaptar a um mundo natural mais intenso, mais polar,  mais extremo.</p>
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		<title>As Fotos e o Movimento dos Eleitores</title>
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		<pubDate>Sat, 09 Oct 2010 16:22:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
				<category><![CDATA[Análise]]></category>
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Sérgio Abranches
Desvios mostram que pesquisas não captaram todo o movimento de opinião do eleitorado.
Antes do resultado das urnas, eu havia argumentado que havia um claro movimento de opinião pública indicando a possibilidade de segundo turno e que as pesquisas captavam apenas um flagrante momentâneo desse movimento. Eram fotogramas e não deveriam ser confundidas com o [...]]]></description>
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			</a>
		</div>
<p>Sérgio Abranches</p>
<p>Desvios mostram que pesquisas não captaram todo o movimento de opinião do eleitorado.<span id="more-1229"></span></p>
<p>Antes do resultado das urnas, eu havia argumentado que havia um claro movimento de opinião pública indicando a possibilidade de segundo turno e que as <a href="http://www.ecopolitica.com.br/2010/09/29/nao-se-deve-confundir-o-fotograma-com-o-filme-todo/">pesquisas captavam</a> apenas um flagrante momentâneo desse movimento. Eram fotogramas e não deveriam ser confundidas com o filme. Mostrei como esse movimento na boca da urna provocara desvios significativos entre as pesquisas e os resultados, em 2006, quando os Institutos também previram vitória de Lula no primeiro turno, que não aconteceu. Os desvios totais entre “votos válidos” estimados pelas pesquisas Datafolha e Ibope e a votação real, em 2006, foram de 12 e 13 pontos percentuais respectivamente. Nas eleições deste ano, tomando as pesquisas de 1.10, esses desvios foram de 11 e 8 pontos, respectivamente. Mas foram maiores, se tomarmos a mesma data dos dados de 2006, 29 de setembro. Vejam abaixo.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: center;">DESVIOS Pesquisa &#8211; voto (última pesquisa antes da boca de urna)</p>
<p>Datafolha 29.10</p>
<p>“Pesquisa pura”</p>
<p>Dilma:  + 0,1</p>
<p>Serra:   &#8211; 3,6</p>
<p>Marina: &#8211; 5,3</p>
<p>Desvio Total: 9 pontos percentuais</p>
<p>“Votos válidos”</p>
<p>Dilma: + 5,1</p>
<p>Serra: &#8211; 1,6</p>
<p>Marina: &#8211; 4,3</p>
<p>Desvio Total: 11 pontos percentuais</p>
<p>Datafolha 1-2.10</p>
<p>“Pesquisa pura”</p>
<p>Dilma: + 0,1</p>
<p>Serra: &#8211; 3,6</p>
<p>Marina: &#8211; 3,3</p>
<p>Desvio Total: 7 pontos percentuais</p>
<p>“Votos válidos”</p>
<p>Dilma:  + 4,1</p>
<p>Serra:   &#8211; 2,6</p>
<p>Marina: &#8211; 1,3</p>
<p>Desvio Total: 8 pontos percentuais</p>
<p>Ibope 1.2.10</p>
<p>“Pesquisa Pura”</p>
<p>Dilma: + 0,1</p>
<p>Serra: &#8211; 3,6</p>
<p>Marina: &#8211; 3,3</p>
<p>Desvio Total: 7 pontos percentuais</p>
<p>“Votos válidos”</p>
<p>Dilma: 4,1</p>
<p>Serra: -1,6</p>
<p>Marina: -2,3</p>
<p>Desvio Total: 8 pontos percentuais</p></blockquote>
<p style="text-align: left;">Outra coisa que fica clara é que os percentuais da “pesquisa pura”, que não tenta estimar “votos válidos” prevêem melhor o resultado final. Claro, a noção de “intenção válida de voto” é puramente arbitrária e não tem fundamento estatístico.</p>
<p>A imprensa brasileira tem usado mal as pesquisas. A pesquisa quantitativa passou a ser o critério absoluto de orientação da cobertura. Abdicou-se da conversa com eleitores e especialistas, não se procurou saber o que as pesquisas com grupos focais, qualitativas indicavam. As qualitativas ajudam muito a interpretar as quantitativas e a prever movimentos de opinião. A imprensa &#8211; e a TV sobretudo &#8211; transformou a margem de erro amostral em margem de variação efetiva. Essa margem de erro é apenas um critério de validação estatística interna, usado para decidir o tamanho da amostra. Sua aplicação em pesquisas por cotas, ou seja, que não usam amostras aleatórias, é bastante discutível, como argumenta corretamente <a href="http://eleicoesemdados.blogspot.com/2010/09/pesquisa-por-quota-e-margem-de-erro_30.html">Jairo Nicolau</a>. Nada é mais tolo, do que dizer “pela margem de erro, o candidato fulano tem entre x% e y% dos votos. Não é isso que o erro amostral de fato diz.</p>
<p>Opinião muda. Eventos externos, os mais variados &#8211; muitos aleatórios -, afetam o julgamento das pessoas. Cada pesquisa é uma foto &#8211; e analógica &#8211; desse movimento. Não capta sequer as tendências subjacentes, que depois desenharão um quadro diferente, a ser eventualmente revelado por uma próxima foto. O gráfico com o resultado de cada uma das fotos é uma colagem de fotos, uma espécie de slide show, não é igual ao filme. Mostra o ponto em que cada movimento foi flagrado, não mostra o movimento em si.</p>
<p>Podemos especular sobre os motivos que levaram a esse movimento e produziram  a decisão final de cada eleitor na urna. Mas só saberemos de fato as causas desse movimento &#8211; e ainda assim, de maneira probabilística &#8211; se fizermos pesquisas sobre a motivação desse voto específico.</p>
<p>Por isso vou me eximir de especular porque, ao longo da campanha, o voto mudou de direção presumível. Apenas deixo o alerta de que, pelas características dos candidatos e pela natureza do ambiente eleitoral do segundo turno, seria sensato abandonar as certezas e considerar que ainda pode haver surpresas. Sobretudo, seria prudente não apostar muito na idéia de que aquilo que observamos no passado representa uma boa previsão do que teremos no futuro. A noção da mudança é intrinsecamente a de que o futuro não repetirá o passado. Deve-se usar a história para aprender sobre a lógica do movimento, nunca como uma sucessão de fatos que se repetem.</p>
<p>Eu, há muito, tento não me deixar apanhar pelas surpresas do inesperado.</p>
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		<title>Notas sobre a Conjuntura Política</title>
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		<pubDate>Fri, 29 Jan 2010 16:24:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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Sérgio Abranches
A conjuntura política vai se complicando com a proximidade das eleições. Há uma boa chance de que essas eleições não sejam tão triviais como acham alguns. O quadro pode ficar bastante complexo.

Minas maliciosa
O anúncio da candidatura de Itamar Franco ao Senado, pelo PPS de Minas Gerais, está agitando os partidos e os políticos. Provocou [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="tweetmeme_button" style="float: right; margin-left: 10px;">
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			</a>
		</div>
<p>Sérgio Abranches</p>
<p>A conjuntura política vai se complicando com a proximidade das eleições. Há uma boa chance de que essas eleições não sejam tão triviais como acham alguns. O quadro pode ficar bastante complexo.</p>
<p><span id="more-833"></span><strong></strong></p>
<p><strong>Minas maliciosa</strong><br />
O anúncio da candidatura de Itamar Franco ao Senado, pelo PPS de Minas Gerais, está agitando os partidos e os políticos. Provocou uma onda de conversas ao pé do ouvido, rumores e especulações no estado.</p>
<p>Não há como Itamar ter tomado essa decisão sem consultar o governador Aécio Neves (PSDB-MG). Nem o PPS faria o convite sem consultar o governador. Aécio tem garantida uma das duas vagas ao Senado. É imbatível. Mas isso não significa que vá realmente concorrer.</p>
<p>Com Itamar no páreo serão três possíveis candidatos fortes para duas vagas, porque o vice, José Alencar disse que pretende disputar também. Informações da família são de que está bem de saúde o suficiente para enfrentar a campanha. Mas ainda pode haver outros candidatos fortes, dependendo das definições para as vagas à candidatura ao governo do estado. Se o PT escolher Fernando Pimentel (PT-MG), o ministro Patrus Ananias (PT-MG) pode querer tentar uma vaga no Senado. Se Patrus sair para governador, Pimentel pode querer o Senado. Se o PT não se acertar com o PMDB, o ministro Hélio Costa (PMDB-MG), também pode querer a vaga.</p>
<p>Itamar diz que disputará ao lado de Aécio. Fariam uma dobradinha para tentar ficar com as duas vagas entre eles. Tem uma boa chance de dar certo. Mas Aécio pode ainda sair candidato a vice, numa chapa puro sangue com José Serra (PSDB-SP). Tudo ainda pode acontecer até março, abril. Mas o quadro geral está ficando cada vez mais complexo.</p>
<p><strong>Partidos divididos</strong><br />
Esta poderá ser uma eleição de partidos divididos. O PMDB se dividirá irremediavelmente e a divisão será ainda maior se o PT bloquear Michel Temer (PMDB-SP) para vice de Dilma Roussef (PT-RS). O apoio oficial do PMDB à candidatura governista ainda não está garantido.</p>
<p>O PT, pela primeira vez, terá defecções: uma parte dele votará em Marina Silva (PV-AC) no primeiro turno. Também há muita fricção interna por causa da intervenção do presidente Lula na disputa paulista. Lula quer porque quer Ciro Gomes (PPS-SP/CE) candidato ao Palácio Bandeirantes. Mas ele não tem base, nem prestígio eleitoral em São Paulo. Ninguém no PT paulista realmente deseja Ciro como candidato. Todos querem candidatura própria.</p>
<p>Marta Suplicy (PT-SP) tem o maior número de apoios e a melhor posição competitiva, embora Geraldo Alckmin (PSDB-SP) seja o favorito. O problema é que o PSDB anda tão atrapalhado e dividido, que pode escolher outro nome, abrindo caminho para uma vitória petista. Lula disse que se não for Ciro, quer Aloízio Mercadante (PT-SP). Mercadante tem menos apoio e menos competitividade que Marta, mas não é um candidato fraco, sobretudo se Alckmin for preterido. Antonio Palocci também tem sido falado. É o mais fraco dos três eleitoralmente.</p>
<p>O PDT vai se dividir. Uma parte apoiará Dilma, outra não. Apesar do apoio oferecido ontem pelo ministro Carlos Luppi (PDT-RJ) presidente licenciado do partido.</p>
<p>Dependendo de como Lula conduza essa questão da candidatura de Ciro Gomes e do comportamento do PT paulista, o PSB pode também se dividir.</p>
<p><strong>Lula transformou Ciro em problema</strong><br />
O presidente Lula pode ser bom de voto e gênio de comunicação e mobilização de massas. Mas isso não faz dele, necessariamente, bom estrategista eleitoral. Duas de suas insistências não levam necessariamente a boa estratégia.</p>
<p>Primeiro, a idéia da polarização. Pode funcionar a favor ou contra. Não se força um voto plebiscitário. É o eleitor que define a natureza do voto. Quando cair a ficha de que Lula está saindo do governo, o cálculo do eleitor vai mudar em direção que ainda não é totalmente previsível. Incorrer em custos políticos muito altos para forçar a polarização e tentar gerar uma campanha plebiscitária pode ser má estratégia eleitoral e ainda prejudicar fortemente a governabilidade futura, no caso de muita polarização e vitória do governismo.</p>
<p>Segundo, a insistência em tirar Ciro Gomes da disputa presidencial e forçá-lo a concorrer ao governo de São Paulo. Dois problemas aqui. Quando se olha as pesquisas por dentro, apesar de toda a inimizade, o que os dados mostram é que Ciro tem mais interseção no eleitorado de Serra do que no de Dilma. Lula acha que Ciro tira votos do governismo, mas ele tira votos mesmo é de Serra. Fica difícil entender a lógica do veto à candidatura de Ciro. E se houver algum contratempo com a candidatura de Dilma? O governismo ficará sem alternativa? Se ela não crescer o suficiente, se a polarização não ocorrer, sem Ciro, a oposição poderia ganhar no primeiro turno. Aliás foi argumento parecido que o PSB usou para argumentar com Lula.</p>
<p>O outro problema é com São Paulo. Como disse acima, nenhum petista quer Ciro Gomes candidato. Ciro não é competitivo no estado. É mais fraco que Marta e Mercadante.</p>
<p>O melhor momento para uma candidatura presidencial de Ciro Gomes é este. Melhor do que em suas outras tentativas. Deve ser difícil para ele e para o PSB deixar passar essa oportunidade.</p>
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		<title>Lula não voltará ao governo inteiramente: ficará em campanha.</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Oct 2009 19:10:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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O presidente Lula já está subjetivamente em campanha. Tem dedicado cada vez mais tempo de sua agenda pessoal à discussão político-partidária e de estratégia eleitoral, contatos com partidos e lideranças. 
Sérgio Abranches
A parcela de sua agenda pessoal destinada a assuntos de governo está ficando mais reduzida e se concentra muito nos temas de impacto eleitoral. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="tweetmeme_button" style="float: right; margin-left: 10px;">
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			</a>
		</div>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O presidente Lula já está subjetivamente em campanha. Tem dedicado cada vez mais tempo de sua agenda pessoal à discussão político-partidária e de estratégia eleitoral, contatos com partidos e lideranças. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Sérgio Abranches<span id="more-382"></span></span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A parcela de sua agenda pessoal destinada a assuntos de governo está ficando mais reduzida e se concentra muito nos temas de impacto eleitoral. Copenhague e meio ambiente entraram na agenda por causa da candidatura da senadora Marina Silva (PV-AC).</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O presidente tem conseguido vitórias momentâneas com toda essa articulação. Está mantendo os partidos da coalizão aglutinados em torno da candidatura que propôs para sua sucessão. A exceção, até agora, é o PSB. Mas ele já conseguiu convencer Ciro Gomes (PSB-CE/SP) a mudar seu domicílio eleitoral para São Paulo. Os fundamentos reais dessa mudança até agora não foram elucidados. Na cabeça de Lula, parece simples: desejaria ver Ciro disputando o governo do estado, para bater em José Serra (PSDB-SP), criticar seu governo, contribuir para a polarização que ele tanto deseja e deixar o caminho livre para Dilma Roussef (PT-RS). Mas o PT quer ter candidato próprio. O lulismo não consegue emplacar todas. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Não está claro é o que Ciro Gomes quer. Ele diz que pretende disputar a presidência, mas que é fiel a Lula. As duas coisas parecem incompatíveis. O presidente já disse que quer uma só candidatura “da base” à presidência e é Dilma. Lula insiste em polarizar com FHC, o que parece mais um problema de fixação obsessivo-compulsiva, que uma estratégia sustentada em dados efetivos. O eleitor já não se lembra de FHC. O eleitorado não está, pelas pesquisas, polarizado, está fragmentado. E é possível que essa fragmentação aumente. É pouco provável que o presidente consiga persuadir o PT a apoiar Ciro para o governo do estado. É pouco provável que Ciro se torne um candidato competitivo em São Paulo. Pode-se estar imaginando que ele teria apoio do grande eleitorado nordestino do estado, com a ajuda de Lula. Difícil e não passa de especulação. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O que as pesquisas mostram é que Ciro é competitivo para presidente, mas não para governador de São Paulo. Enfim, há quem diga que tudo não passa de uma manobra diversionista combinada entre Lula e Ciro para desorientar ainda mais a oposição. Parece pouco plausível.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Não é preciso fazer nada para desorientar a oposição. Ela está em estado de desorientação desde que recuou no caso do mensalão, para proteger seus próprios envolvidos em esquemas de caixa 2, e viu Lula se recuperar inteiramente, ser reeleito e manter altos índices de popularidade. Sem projeto, sem visão para o futuro, sem candidato escolhido e sem muita liderança, a oposição está à deriva, enquanto Lula já surfa as ondas precoces da campanha de 2010. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">As principais lideranças da oposição, José Serra (PSDB-SP) e Aécio Neves (PSDB-MG), estão de mão amarradas e discurso engasgado, porque são governadores e, por definição, dependentes de recursos federais. A decisão de adiar definições faria sentido se Lula não tivesse posto sua caravana na rua. Com Lula em campo, carregando com certo esforço sua candidata, o silêncio e a inação da oposição deixam enorme espaço vazio no processo pré-eleitoral. Em política não existe espaço vazio. Quem abre espaço, perde espaço. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">E recuperar espaço pode ser complicado. Exige enorme capacidade de produção frequente de factóides eficazes, que consigam ampla repercussão na mídia. Lula é o mestre do factóide, embora César Maia (DEM-RJ) ache que foi ele que os inventou. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Esse espaço deixado vazio pela oposição pode ser ocupado por Dilma Roussef (PT-RS), mas pode também ser aproveitado por Ciro Gomes e, até mesmo, por Marina Silva, se ela emergir e também colocar sua caravana na rua. Por enquanto, a candidatura tem e resumido às passeatas festivas na Zona Sul do Rio de Janeiro, vistosas e ineficazes. Ciro já ocupa parte desse espaço com esse factóide sobre o que está pensando fazer: dá declarações ambivalentes, sobe no palanque de Dilma, ataca o aliado preferencial de Lula, o PMDB, e vai avançando. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Resumo da ópera. Lula continua a comandar a agenda eleitoral. Está definindo os termos do debate e deixando a oposição no córner. Se não sair do córner a oposição vai acabar forçada a uma campanha reativa. Campanhas reativas são sempre perdedoras. As dúvidas ficam por conta de Ciro Gomes e Marina Silva. </span></p>
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		<title>O Brasil se prepara para a mais competitiva eleição geral em 15 anos</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Oct 2009 22:52:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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O troca-troca de partidos, as novas filiações e a identificação das lideranças que atraem novos filiados indicam fragmentação e competição em 2010.
Sérgio Abranches
Chegando perto da data limite estabelecida pela legislação eleitoral para troca de legenda ou filiação original, para garantir a elegibilidade em 2010, está havendo verdadeiro corre-corre. Já dá para perceber quem está ganhando [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="tweetmeme_button" style="float: right; margin-left: 10px;">
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			</a>
		</div>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O troca-troca de partidos, as novas filiações e a identificação das lideranças que atraem novos filiados indicam fragmentação e competição em 2010.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Sérgio Abranches<span id="more-306"></span></span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Chegando perto da <a href="http://www.ecopolitica.com.br/2009/09/21/eleicao-de-2010-comeca-oficialmente-no-dia-3-de-outubro/"><span style="text-decoration: underline;">data limite</span></a> estabelecida pela legislação eleitoral para troca de legenda ou filiação original, para garantir a elegibilidade em 2010, está havendo verdadeiro corre-corre. Já dá para perceber quem está ganhando e quem está perdendo. Mas o mais importante é ver que o movimento dos políticos não está concentrado em um ou outro partido, mas mais aberto. Isso é sinal de eleição fragmentada e não polarizada. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles anninciou, sua <a href="http://www.ecopolitica.com.br/2009/10/01/meirelles-no-pmdb-de-goias/"><span style="text-decoration: underline;">filiação ao PMDB</span></a>. Mas o PMDB está saindo em desvantagem do troca-troca de última hora. Perdeu mais que ganhou e o único nome realmente de peso que atraiu foi o de Meirelles.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O chanceler Celso Amorim, um dos autores da desastrada operação de refúgio de Manuel Zelaya na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, anunciou sua filiação ao PT.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Mas o PT, também sai em desvantagem do troca-troca. Perdeu lideranças e nomes de grande representatividade de sua galeria de políticos mais comprometidos com a ética, como Marina Silva, agora no PV, e Flávio Arns, que retorna ao PSDB. Ambos saíram fortemente prejudicados da operação de blindagem ao senador José Sarney. Mas, sem dúvida, o maior <a href="http://www.ecopolitica.com.br/2009/08/20/a-democracia-gotica-brasileira-um-espetaculo-surreal/"><span style="text-decoration: underline;">ônus dessa operação</span></a> de proteção ao clã de Sarney, diretamente conduzida pelo presidente Lula, recai sobre o PT. Afinal, o PMDB tem vários grupos regionais em seu condomínio com o mesmo padrão comportamento dos Sarney. Como dizia Márcio Moreira Alves, é um partido com um padrão moral bastante homogêneo. As exceções não conseguem alterar a média, a moda ou a mediana do partido nesse plano.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Lula joga tudo para ter o PMDB na coligação de Dilma Roussef. Vai cometer o erro que José Serra cometeu em 2002: confiar na <a href="http://www.ecopolitica.com.br/2009/09/28/pmdb-nao-se-unira-em-torno-de-candidatura-alguma-lula-paga-preco-alto-demais/"><span style="text-decoration: underline;">improvável lealdade eleitoral</span></a> do partido. Várias lideranças do partido já estão fechadas com José Serra (PSDB-SP), por exemplo.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">As filiações mais notáveis fora obtidas pelo PV.Notáveis porque já mostram a marca da liderança da senadora Marina Silva no partido. É o “<a href="http://www.ecopolitica.com.br/2009/08/10/o-fator-marina-influi-nas-candidaturas-do-pt-e-do-psdb/"><span style="text-decoration: underline;">fator Marina</span></a>” em operação. As adesões da última quarta-feira, 29.09, não foram ao PV, mas à candidatura de Marina Silva à presidência. Assinaram a ficha do partido para ficar ao lado de Marina, figuras expressivas como, entre várias outras, o empresário Guilherme Leal, co-presidente do conselho de administração da Natura; Ricardo Young, presidente do Instituto Ethos; o diretor executivo da Klabin e presidente da SOS Mata Atlântica, Roberto Klabin; o presidente do maior moinho de papel artístico artesanal da América Latina, o Moinho Brasil; Fernando Garnero, da Brasilinvest.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Guilherme Leal tem sido falado para vice-presidente na chapa de Marina Silva, operando como uma espécie de aval empresarial de sua candidatura. Talvez ela precise mais de <a href="http://www.ecopolitica.com.br/2009/08/17/marina-silva-candidata-e-coisa-para-se-levar-a-serio/"><span style="text-decoration: underline;">suporte político-eleitoral</span></a>, para ampliar sua penetração em determinadas áreas do país e fazer alianças que lhe dêem mais tempo de televisão, do que se aval empresarial.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Afinal, a presença de Marina Silva e desses aliados peso-pesados do setor empresarial, já representam uma mudança significativa na conformação programática do PV.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"><br />
</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Como diz o politólogo inglês Anthony Giddens em seu novo livro, “<a href="http://www.polity.co.uk/book.asp?ref=9780745646923"><span style="text-decoration: underline;">The Politics of Climate Change</span></a>”, o verde não é mais uma outra tonalidade para o vermelho. É fato que a maioria dos partidos verdes saíram do cinturão de “partidos vermelhos”, comunistas ou socialistas.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O caso mais conspícuo é o do Partido Verde Alemão, criado por ex-comunistas e socialistas desiludidos com o comunismo e insatisfeitos com as políticas conservadoras dos social-democratas. Mas, hoje, se diferenciaram significativamente das plataformas dos partidos socialistas e social-democratas, adotando uma agenda mais ampla e mais sistêmica da economia e da sociedade.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O recorte ideológico e programático dos verdes é diferente. Tem como eixo central dois desafios globais e interdependentes que marcam a trajetória futura do século XXI: o da mudança climática  e o da erradicação da miséria. Os verdes não são mais anti-capitalistas, embora sejam fortemente contra o consumismo. Querem novos padrões de produção e consumo, de baixo carbono, que são compatíveis com o modo de produção capitalista, digamos domesticado pela regulação. A idéia é mudar o capitalismo, não substituí-lo por superados modelos socialistas. Pode acabar dando na transição para outro modo de produção, talvez Marx dissesse isso, mas essa não é a teleologia dos novos verdes.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O presidente da FIESP, que é o baluarte do patriciado industrial de São Paulo, embora já tenha sido mais poderosa no passado, Paulo Skaf, filiou-se ao PSB. Ele não tem um traço sequer de socialismo, nem Ciro Gomes, que deve ser o candidato à Presidência, pelo partido. O partido é meio saco de gatos, como a maioria dos partidos brasileiros, mas está ganhando musculatura e tem o segundo colocado nas pesquisas presidenciais, no momento.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Esse troca-troca de legendas e essas novas filiações, todas de última hora, apontam para uma eleição muito competitiva e duramente disputada. Será um teste de stress para todos os candidatos. Pode ser a mais competitiva <a href="http://www.ecopolity.com/2009/09/21/brazil-may-be-heading-for-the-longest-presidential-campaign-of-its-recent-political-history/"><span style="text-decoration: underline;">eleição presidencial</span></a> dos últimos 15 anos. As eleições para a Câmara e o Senado devem ter a maior taxa de renovação das últimas quatro eleições. As eleições estaduais também devem ser muito competitivas. A democracia se nutre da incerteza, assim como das grandes surpresas eleitorais. Só com bola de cristal seria possível dizer se essas eleições surpreenderão na reta final. Mas são as que têm mais chance de surpresas em muito tempo.</span></p>
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		<title>Meirelles no PMDB de Goiás</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Oct 2009 22:02:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles filiou-se ao PMDB, mas diz que só decidirá sobre concorrer ou não a um cargo eletivo em março. 
Sérgio Abranches
É pouco provável que Meirelles tenha se filiado apenas para garantir a possibilidade de vir a se candidatar, se assim decidir no ano que vem.
 
O mais plausível é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="tweetmeme_button" style="float: right; margin-left: 10px;">
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			</a>
		</div>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles filiou-se ao PMDB, mas diz que só decidirá sobre concorrer ou não a um cargo eletivo em março. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Sérgio Abranches<span id="more-303"></span></span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">É pouco provável que Meirelles tenha se filiado apenas para garantir a possibilidade de vir a se candidatar, se assim decidir no ano que vem.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O mais plausível é que já tenha se decidido a deixar o BC para se candidatar, mas não anunciará a decisão até março. Dessa forma, mantém por mais tempo a continuidade garantida da política monetária e se dá tempo, também, para articular a candidatura ao cargo que mais o atrai em seu estado de Goiás.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Aparentemente, a escolha do PMDB teve o dedo do presidente Lula. Ele preferia que Meirelles não deixasse o BC e esperasse a vitória de Dilma Roussef, para ocupar cargo de destaque no novo governo. Aposta arriscada. Dilma Roussef não é favorita para 2010. Além disso, a fama de seus rompantes de irritação e maus modos, com auxiliares e, até mesmo com colegas de ministério, percorre os corredores do Planalto, da Esplanada dos Ministérios e das estatais. Certamente já passou pelos corredores do BC.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Decidida sua saída da presidência do Banco Central no prazo para desincompatibilização, Lula teria pedido que se filiasse a partido de sua base e teria indicado o PMDB como escolha preferencial. O presidente, como se sabe, está investindo tudo no PMDB. Para ele tirar Meirelles da órbita do PSDB, pelo qual se elegeu deputado, e levá-lo para o condomínio peemedebista é um movimento interessante. O presidente não nutre simpatia pelo senador e ex-governador Marconi Perillo, que patrocinou a entrada de Meirelles na política eleitoral. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O atual governador, Alcides Rodrigues Filho (PP) pode tentar a reeleição. Ele foi eleito em uma coligação apadrinhada por Perillo e da qual o PSDB era o pivô. Perillo se elegeu senador, por essa coligação. Portanto, tem mais quatro anos de mandato. Não tenho informação se os dois têm acordo para o caso de Perillo querer voltar ao governo. Se ele decidir continuar no Senado, o PSDB pode ter, pelo menos, Lúcia Vânia na competição pelo Senado, buscando a renovação de seu mandato. O outro senador goiano é Demóstenes Torres (DEM), que perdeu a eleição para o atual governador. Ele pode tentar renovar o mandato ou disputar novamente o governo.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">No PMDB, os dois nomes fortes estão em situação bem distinta. Íris Rezende é prefeito de Goiânia, mas tem manifestado vontade de disputar o governo. Maguito Vilela perdeu o governo do estado no segundo turno para Alcides Rodrigues Filho, por pouco menos de 380 mil votos. É prefeito de Aparecida do Norte e é natural que queira voltar ao Senado. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Nos corredores de Brasília, o que se diz é que Meirelles sonha com o governo do estado. Mas há também quem diga que pode ser convidado para ser vice de Dilma Roussef. O problema é que o deputado e presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), que nunca teve boas relações com Lula e o PT, dos quais é aliado recente e há quem diga reticente, tem a expectativa de ser o vice na chapa lulista. Se essa expectativa for frustrada, fica ainda mais <a href="http://www.ecopolitica.com.br/2009/09/28/pmdb-nao-se-unira-em-torno-de-candidatura-alguma-lula-paga-preco-alto-demais/"><span style="text-decoration: underline; letter-spacing: 0.0px color;">difícil manter o PMDB na coligação</span></a>. A inevitável divisão do partido ficaria ainda mais adversa aos planos do presidente Lula. No momento, Temer está em confronto com Orestes Quércia (PMDB-SP), que quer o PMDB ao lado de Serra. Se perder a vaga de vice, não tem por que continuar apoiando a candidatura de Dilma Roussef. Era aliado de Serra antes, pode voltar a sê-lo.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Se Íris Rezende quiser mesmo disputar o governo, restaria a Meirelles buscar uma das duas vagas de senador, provavelmente ao lado de &#8211; e em concorrência com &#8211; Maguito Vilela. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">É no fechamento dessas articulações que Meireles deve se envolver até a data da desincompatibilização. É um nome de peso e prestígio, embora pouco testado eleitoralmente, mas certamente capaz de levantar a moral do partido no estado. O fato é que o PMDB que já reinou no estado, hoje não tem nem o governo e nenhum senador. Meirelles tem peso específico que lhe permite negociar, com chance, a candidatura que mais desejar.</span></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Datafolha: nada de novo. Pura inércia.</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Aug 2009 19:06:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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Sérgio Abranches
Fatos novos, como ocorrências envolvendo candidatos que já estão aí, ou candidatura nova, como a de Marina Silva, podem alterar muito o cenário eleitoral nos próximos meses.

No cenário principal do Datafolha, que não incluiu a senadora Marina Silva,o que se vê é uma paradeira geral: Serra oscila nas intenções de voto, de 38% para [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="tweetmeme_button" style="float: right; margin-left: 10px;">
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			</a>
		</div>
<p><em>Sérgio Abranches</em></p>
<p>Fatos novos, como ocorrências envolvendo candidatos que já estão aí, ou candidatura nova, como a de Marina Silva, podem alterar muito o cenário eleitoral nos próximos meses.</p>
<p><span id="more-185"></span></p>
<p>No cenário principal do Datafolha, que não incluiu a senadora Marina Silva,o que se vê é uma paradeira geral: Serra oscila nas intenções de voto, de 38% para 37%, entre maio e agosto. Nada. Dilma Roussef mantém os mesmos 16%. Ciro Gomes, fica nos mesmos 15%. Heloísa Helena, oscila de 10% para 12%. Tudo parado. Ainda ficam 20% dos votos na faixa de alienação eleitoral: entre nulos, brancos e não sabe.</p>
<p>Quando entra o nome de Marina Silva na Cartela, o movimento é pequeno. Ela ainda não tem recall para fazer muita diferença.</p>
<p style="text-align: center; " align="center"><img class="aligncenter" src="http://www.riscopolitico.com.br/risco/sinais/imagens/09_08_17_graf.jpg" alt="" width="527" height="435" /></p>
<p>O gráfico acima mostra que com a entrada de Marina, ninguém perde. Ela tira um ponto de Ciro (15% -&gt;14%) e dois da “alienação eleitoral” (20% -&gt; 18%). Além da estabilidade, o quadro mostra uma eleição despolarizada, com tendência de fragmentação do voto. O índice de fragmentação do quadro sem Marina, levando em conta as “intenções válidas” de votos dá 4,22. Isso corresponde, mais ou menos, a 4 candidatos efetivos, portanto competitivos, e não apenas dois. O índice de fragmentação eleitoral do gráfico acima, com a inclusão de Marina Silva, sobre para 4,44. Um incremento de 5%, com a mexida de 3 pontos percentuais, o que indica a sensibilidade desse quadro a qualquer fato novo. A tendência é fragmentar mais o voto, aumentar a incerteza e a competitividade das eleições.</p>
<p style="text-align: center; " align="center"><img class="aligncenter" src="http://www.riscopolitico.com.br/risco/sinais/imagens/09_08_17_graf1.jpg" alt="" width="520" height="445" /></p>
<p>Quando sai Serra e entra Aécio Neves, Ciro cresce 7 pontos percentuais, Heloísa Helena, 5 pontos percentuais, a alienação eleitoral aumenta 6 pontos e Dilma Roussef, 2 pontos percentuais. Má notícia para a candidata petista: ela não parece não ter muito apelo no voto volante. Fica estável quando todas as demais posições se mexem.</p>
<p>Outra que não vê mexerem suas intenções de voto é Marina Silva. Desconhecida do público, fica nos mesmos 3%. Significa, provavelmente, que só aponta seu nome na cartela quem já a conhece e vai votar nela de qualquer jeito.</p>
<p>O cenário com Aécio e Marina eleva em 27% o índice de fragmentação eleitoral, de 3,4 para 4,4 indicando, claramente, espaço para quatro candidatos competitivos. Um cenário de candidatos embolados, disputando o mesmo espaço no eleitorado &#8211; caso de Aécio, Dilma e Ciro. Pode dar qualquer par no segundo turno e tem muito espaço aberto para Marina Silva progredir e encostar nos outros.</p>
<p>Porque o PV tem uma pesquisa que mostra Marina no patamar de Ciro Gomes e Heloísa Helena? A pesquisa do IPESPE, do cientista político Antônio Lavareda, mostra, no cenário completo, com Serra e Heloísa Helena, o seguinte resultado: Serra, 28%; Ciro, 16%; Dilma,14%; Heloísa Helena, 13%; e Marina, 10%.</p>
<p>No cenário sem Heloísa Helena, uma hipótese criada por declaração da ex-senadora alagoana de que apoiaria Marina, caso ela se candidatasse, o resultado é: Serra, 30%; Ciro, 22%; Marina e Dilma empatadas em 14%. Retirando Ciro Gomes do cenário, Serra passa a 37%; Marina, 24%; e Dilma, 16%. No cenário com Aécio e sem Ciro Gomes, Marina assume a liderança, com 27%; Aécio obtém 25%; Dilma, 19%.</p>
<p>Nos cenários com Serra, todos os números são comparáveis aos do Datafolha, exceto os de Marina Silva. No cenário com Aécio, os números de Marina e do governador mineiro, destoam dos resultados obtidos pelo Datafolha.</p>
<p>Não é preciso atribuir má fé à pesquisa coordenada por Lavareda para explicar essas diferenças. Fora a explicação óbvia da diferença de amostragem e a menos óbvia de pesquisa por telefone vs pesquisa direta em campo, Alon Feuerwerker, colunista do Correio Braziliense, chama atenção para o fato de que já diferenças no questionário. A pesquisa do Datafolha mostra uma cartela apenas com os nomes dos candidatos. A do IPESPE mostraria nome e atributo: governador de São Paulo, governador de Minas, ministra da Casa Civil, ex-Ministra do Meio Ambiente&#8230;) Nesse caso, a identificação mais completa do candidato equaliza mais o recall, em um contexto de eleitores mal informados, desmotivados, para os quais a eleição está longe demais.</p>
<p>Diferenças amostrais podem produzir desvios entre pesquisas, mas dificilmente dessa magnitude, porque a concorrência é grande, há sérios riscos de perder credibilidade e mercado, os parâmetros se aproximam bastante e é possível compará-las usando técnicas de meta-análise. Diferenças de levantamentos entre campo e telefone, podem dar desvios estatisticamente significativos. Já fiz, com Marcos Coimbra, teste nesse sentido, com dados do Vox Populi, para decidir que pesquisa usar. A conclusão é que essas diferenças significativas se dão em determinadas questões e não em outras. Tendem a aparecer em perguntas sobre opinião em relação a temas controvertidos, que podem ter um corte sócio-econômico muito claro. Acho difícil que produzam efeitos da magnitude aqui observada, em preferências eleitorais tão abstratas no momento.</p>
<p>A única explicação que me convence é a da diferença na apresentação dos nomes. Essa sim, pode mudar muito, especialmente em relação aos candidatos menos conhecidos, de menor recall automático. A lembrança de quem é a pessoa, acende uma luz e permite a indicação. Pode, também, superestimar a preferência por esses candidatos, por indução por isso não se utiliza esse procedimento. Essa indução é auxiliada pela mesmice representada pelo quadro com Serra e Dilma atrás de uma polarização inexistente.</p>
<p>O que se pode dizer das pesquisas é que são diferentes, têm prazo de validade muito curto e, ambas, indicam, que há espaço para um nome como o de Marina Silva fazer diferença e mexer muito com as posições relativas dos candidatos daqui em diante. Pode ocupar o espaço vazio criado pela indefinição dos tucanos e a estacionada de Dilma.</p>
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		<title>Cenário eleitoral muda rapidamente se Marina Silva sair candidata</title>
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		<pubDate>Wed, 12 Aug 2009 05:50:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
				<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[2010]]></category>
		<category><![CDATA[eleições]]></category>
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		<category><![CDATA[Marina Silva]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[PT]]></category>

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Sérgio Abranches
Pessoas próximas à senadora Marina Silva dizem que ela já se decidiu a deixar o PT para se candidatar à presidência pelo PV.

Marina não parece mais sensível à argumentação de seus principais aliados políticos, nem aos apelos do presidente Lula, por meio de intermediários. Lula, ao que tudo indica, ainda não desistiu e tem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="tweetmeme_button" style="float: right; margin-left: 10px;">
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			</a>
		</div>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; color: #0c0c0c;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"><em>Sérgio Abranches</em></span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; color: #0c0c0c;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Pessoas próximas à senadora Marina Silva dizem que ela já se decidiu a deixar o PT para se candidatar à presidência pelo PV.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; color: #0c0c0c;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"><span id="more-144"></span></span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Helvetica; color: #0c0c0c;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Marina não parece mais sensível à argumentação de seus principais aliados políticos, nem aos apelos do presidente Lula, por meio de intermediários. Lula, ao que tudo indica, ainda não desistiu e tem convocado vários interlocutores com trânsito junto a Marina para conversar em Brasília.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; color: #0c0c0c; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; color: #0c0c0c;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Desde que Marina admitiu que estava considerando a proposta do PV, o Planalto e seus aliados acreanos estão abalados, em espécie de assembléia permanente, tentando encontrar uma maneira de demovê-la. É difícil, segundo um desses interlocutores, porque não se trata de oferecer uma barganha a Marina. Agora, a única maneira que antevêem é convencer Marina de que a candidatura do PT levará para a campanha uma plataforma ambiental avançada. Mas, para isso, seria preciso convencer a ministra Dilma Roussef e, mais que isso, persuadí-la de que a pauta ambiental e climática é para valer e relevante. Talvez não haja tempo.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; color: #0c0c0c; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; color: #0c0c0c;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Marina pegou o esquema eleitoral montado por Lula de surpresa. Eles esperavam um confronto Dilma x Serra, no qual Serra, simpático à visão de crescimento contida no PAC, não conseguiria montar um discurso oposicionista convincente, com uma proposta alternativa realmente contrastante. Enfrentando uma candidatura sem personalidade nítida contrastante e com o apoio de Lula, Dilma poderia ganhar.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; color: #0c0c0c; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; color: #0c0c0c;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O súbito aparecimento da possibilidade de uma candidatura Marina Silva soou o alarme no Planalto, de que o plano político do qual estavam muito seguros, seria seriamente ameaçado. A eleição não seria mais polarizada e Marina dividiria o eleitorado de Dilma, </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; color: #0c0c0c; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; color: #0c0c0c;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O ex-governador do Acre, Jorge Viana, um amigo próximo de Marina e de Lula, disse no domingo ao jornalista <a href="http://blogdaamazonia.blog.terra.com.br/"><span style="font: 12.0px Helvetica; text-decoration: underline; letter-spacing: 0.0px color;">Altino Machado</span></a> que ainda estava de “quarentena” e não comentaria a decisão da senadora porque ele e o governador do Acre Binho Marques ainda teriam mais uma conversa com ela. O governador emitiu nota, na qual diz que “</span><span style="letter-spacing: 0.0px color;">como amigo, companheiro e conhecedor de suas virtudes, serei sempre solidário a ela. Também reconheço sua importância na defesa de uma causa maior, uma causa do mundo. Como governador do Acre, tenho responsabilidades que não posso descuidar.” </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; color: #0c0c0c; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; color: #0c0c0c;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Na semana passada, Marina Silva recebeu o título de Doutora Honoris n Universidade Federal da Bahia, com a presença do governador petista e amigo de Lula, Jaques Wagner. Perguntado se conseguiria demovê-la de deixar o PT, ele disse o seguinte, segundo Altino Machado conta no <a href="http://blogdaamazonia.blog.terra.com.br/"><span style="font: 12.0px Helvetica; text-decoration: underline; letter-spacing: 0.0px color;">Blog da Amazônia</span></a>: </span><span style="letter-spacing: 0.0px color;">“tenho que ser sincero: a luta da Marina tem ganhado uma projeção cada vez maior no cenário nacional e mundial. Nós não temos a menor possibilidade de pressioná-la para mudar o que pensa e faz”.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; color: #0c0c0c; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; color: #0c0c0c;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Todos dão como certo a saída de Marina Silva do PT.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; color: #0c0c0c; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; color: #0c0c0c;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Essa convicção foi certamente influenciada pelas conversas privadas que ela vem mantendo com vários companheiros, mas também pelo que disse em reunião mais íntima, só com os amigos mais próximos e a família, relatada por Altino Machado. Nela, Marina disse: “vocês não precisam me acompanhar, fiquem no PT”. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; color: #0c0c0c; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; color: #0c0c0c;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Se todos esses sinais estiverem corretos e Marina Silva deixar o PT para iniciar negociações para montagem de uma coalizão eleitoral em apoio a sua candidatura à presidência da República, o cenário para a sucessão de Lula muda imediatamente. A candidatura de Marina Silva tem o poder de alterar radicalmente a <a href="http://www.ecopolitica.com.br/2009/08/10/o-fator-marina-influi-nas-candidaturas-do-pt-e-do-psdb/"><span style="font: 12.0px Helvetica; text-decoration: underline; letter-spacing: 0.0px color;">estrutura competitiva</span></a> do jogo sucessório. Marina tem carisma, ameaça a posição de Dilma Roussef a quem esse atributo falta de forma absoluta.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; color: #0c0c0c; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; color: #0c0c0c;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A biografia de Marina é o sonho de qualquer marqueteiro político. Analfabeta até os 16 anos, hoje tem curso superior. Sua infância foi consumida nos seringais, caçando e pescando, para ajudar o pai a manter uma família grande. Sua educação política foi nos movimentos sociais da Amazônia, junto aos seringueiros. Foi do sindicado dos seringueiros, junto com Chico Mendes. Ganhou o <a href="http://www.goldmanprize.org/theprize/about"><span style="font: 11.0px Verdana; text-decoration: underline; letter-spacing: 0.0px color;">Goldman Environmental Prize</span></a>, em 1996, conferido aos “heróis dos movimentos comunitários ambientais”, e o prêmio <a href="http://blog.norway.com/2009/04/02/the-sophie-prize-2009-awarded-to-marina-silva/"><span style="font: 11.0px Verdana; text-decoration: underline; letter-spacing: 0.0px color;">Sophie</span></a> de 2009, da Noruega, “por sua coragem, sua criatividade e sua habilidade para forjar alianças, mas primeiro e principalmente, por sua batalha pela conservação da floresta Amazônica”. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; color: #0c0c0c; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; color: #0c0c0c;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A quase totalidade dos ambientalistas brasileiros, a maioria dos quais ligada PT e de eleitores de Lula, com os quais conversei nos últimos três dias, se mostrou entusiasmadíssima com sua candidatura. Muitos deles estão ansiosos para ajudá-la a organizar a mobilização de sua campanha pelas redes sociais na Internet, inspirados na campanha de Obama. O primeiro site, quando foi criado, ganhou rapidamente 2000 filiados e estagnou. Com o anúncio da possibilidade da candidatura, nesses últimos dias, já saltou para 4000 e “continua bombando”, diz uma das militantes “marinistas”. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; color: #0c0c0c; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; color: #0c0c0c;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Segundo fontes em Rio Branco, o presidente Lula chamou o ex-governador Jorge Viana e o governador Binho Marques para uma conversa em Brasília, aparentemente para discutir o que ainda pode ser feito para demovê-la. Se todos os esforços falharem, Lula terá um outro problema. A substituição de Carlos Minc, que anunciou sua saída do ministério do Meio Ambiente, em março, para disputar as eleições legislativas. O que poderia ser uma simples substituição pelo secretário-executivo, pode complicar. Com Marina candidata, Lula teria que mostrar mais apreço pelo Meio Ambiente e buscar um ambientalista acima de suspeita para o lugar. Não será fácil. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; color: #0c0c0c; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; color: #0c0c0c;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Marina também terá um duro caminho pela frente, se decidir pela candidatura. A começar pela atração de outros partidos para formar uma coalizão eleitoral (coligação) que lhe dê tempo suficiente de TV para ser competitiva. Ela tem chance de conquistar o apoio de dois ou três partidos médios da esquerda. Após assegurar o tempo de TV, ela terá que desenhar um discurso de campanha que transcenda o ambientalismo e amplie seu apelo eleitoral, com um olho nos assalariados e os pobres preocupados com salário, renda e programas sociais; e outro nos mercados financeiros e setores empresariais desconfiados com seu “esquerdismo”. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; color: #0c0c0c; min-height: 14.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; color: #0c0c0c;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Se ela terá sucesso nesse apelo mais geral, só o tempo dirá. Mas sem mesmo anunciar sua candidatura e a saída do PT, ela agitou o partido, o Planalto e o mundo político como um tornado vindo das águas do rio Acre. Não é pouco, para começo de conversa.</span></p>
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		<title>O fator Marina influi nas candidaturas do PT e do PSDB</title>
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		<pubDate>Mon, 10 Aug 2009 20:24:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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Sérgio Abranches

“Marina Silva (PT-AC) deixou em todos os interlocutores a certeza de que será mesmo candidata a presidente da República, durante as 32 horas que permaneceu em Rio Branco (AC) para ouvir familiares, amigos e aliados políticos a respeito do convite para trocar o PT pelo PV”, informa o jornalista acreano Altino Machado, em seu [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="tweetmeme_button" style="float: right; margin-left: 10px;">
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			</a>
		</div>
<p style="text-align: left;"><span style="font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;"><em>Sérgio Abranches</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;"><span id="more-139"></span></span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">“Marina Silva (PT-AC) deixou em todos os interlocutores a certeza de que será mesmo candidata a presidente da República, durante as 32 horas que permaneceu em Rio Branco (AC) para ouvir familiares, amigos e aliados políticos a respeito do convite para trocar o PT pelo PV”, informa o jornalista acreano Altino Machado, <a href="http://bit.ly/bGluC"><span style="text-decoration: underline;">em seu blog</span></a>. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana; min-height: 16.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Entre os interlocutores, muitos eram emissários do presidente Lula, tentando convencê-la a não sair. De repente, a certeza na candidatura Dilma Roussef (PT-RS) parece ter ficado meio abalada. Lula falou em, reunião recente, que seria preciso “consagrar todas as políticas em uma lei para que nenhum engraçadinho venha destruir essas coisas”. Referia-se aos programas sociais do governo. Sinal de insegurança sobre o resultado eleitoral? Ele vinha dizendo que tinha certeza que elegeria sua candidata. Recentemente, em mais de um momento, deu sinais de que percebe uma disputa mais difícil do que imaginava a princípio. Será que tem pesquisas, mostrando problemas na candidatura de Dilma Roussef? Que o Planalto tem pesquisa, certamente. O que elas realmente estão indicando tem sido um segredo compartilhado apenas pelos íntimos da campanha. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana; min-height: 16.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A perspectiva da candidatura de Marina Silva acendeu a luz amarela no painel de controle político do Planalto. Dilma Roussef sentiu-se confortável para dizer que Marina Silva não deveria sair. Como ela é candidata em exercício, não é opinião que a ex-ministra do Meio Ambiente fosse ouvir. Era mais um recado ao PT, para sair em campo e evitar a candidatura. Mas, ao que tudo indica, nem mesmo os interlocutores do presidente que têm a amizade de Marina Silva estão conseguindo demovê-la.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana; min-height: 16.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Hoje na Bahia, segundo se lê também no blog de Altino Machado, o jornalista <a href="http://bahiaempauta.com.br/2009/08/na-bahia-e-no-acre-marina-silva-da-impressao-de-despedida-do-pt/"><span style="text-decoration: underline;">Vitor Hugo Soares</span></a>, no Bahia em Pauta, registra a seguinte declaração do governador Jaques Wagner: “Tenho que ser sincero: a luta da Marina tem ganhado um projeção cada vez maior no cenário nacional e mundial. Nós não temos a menor possibilidade de pressioná-la para mudar o que pensa e faz”. O contexto era solenidade na UFBA, hoje, em Salvafor,  à qual compareceu, em que Marina Silva recebeu o título de doutora Honoris Causa.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana; min-height: 16.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Altino Machado diz, no <a href="http://blogdaamazonia.blog.terra.com.br/2009/08/10/voces-nao-precisam-me-acompanhar-permanecam-no-pt-diz-senadora-marina-silva-a-aliados/"><span style="text-decoration: underline;">Blog da Amazônia</span></a>, que Marina Silva, deu a alguns interlocutores a chave que desfaz a dúvida sobre sua decisão. Teria dito a eles, todos petistas, que: “vocês não precisam me acompanhar. Permaneçam no PT e mantenham a coesão da Frente Popular do Acre, para que possam ser ampliadas as conquistas até aqui alcançadas nos três mandatos consecutivos de nosso partido. Esse é um projeto político que tem dado certo no Estado.” </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana; min-height: 16.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Poder ser uma despedida, um conselho político e uma liberação de compromissos dos mais chegados a ela no PT, com seu novo caminho. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana; min-height: 16.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Os proto-candidatos do PSDB, José Serra (SP) e Aécio Neves (MG) comemoraram. Serra, com parcimônia, porém falando de afinidades com a plataforma verde de Marina e que o PV é seu aliado em São Paulo. Aécio, apesar de ser o mineiro, foi mais explícito, especulou sobre a possibilidade de aliança com Marina Silva no segundo turno.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana; min-height: 16.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Se ela for para o segundo turno contra Dilma Roussef, o PSDB provavelmente a apoiaria. Se for uma disputa PSDB x PT, tenho dúvida se Marina ficaria contra seu partido de vida e de coração. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana; min-height: 16.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">É claro que as razões que a levam a deixar o PT estão fundadas na frustração com a agenda ambiental atrasada do presidente Lula e o desrespeito representado por entregar a condução da política para a Amazônia ao ex-ministro Mangabeira Unger. Mas também deve pesar a decepção com o comportamento ético da cúpula petista, quase sempre do lado errado, como no caso agora com José Sarney, que a constrange por ser da bancada petista no Senado.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana; min-height: 16.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O PSDB não tem melhores credenciais para apresentar, em várias áreas. Foi leniente com seu ex-presidente Eduardo Azeredo, no caso do mensalão. Abriga aliados de ruralistas, que defendem trabalho escravo e o fim da legislação de proteção à Amazônia. Muitos de seus parlamentares usam e abusam da privatização dos recursos do legislativo e praticam o nepotismo. É do PSDB, aliás do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), a lei mais atrasada e obscurantista sobre controle da internet.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana; min-height: 16.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Tanto José Serra, quanto Aécio Neves, têm muito bons secretários de Meio Ambiente. Mas a questão ambiental e climática ainda permanece como um acessório nos dois governos e não como vetor principal das decisões, como Marina Silva pensa que deva ser. Marina está em boa companhia nessa convicção: concordam com ela as principais lideranças social-democráticas européias, o presidente Obama, do EUA, o primeiro-ministro Gordon Brown, do Reino Unido, e lideranças mais conservadoras como Angela Merkl, da Alemanha, e Nicholas Sarkozy, da França.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana; min-height: 16.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Muitos setores petistas vêem, equivocadamente, a candidatura de Marina Silva, como uma espécie de linha auxiliar da candidatura tucana de José Serra. Sua função seria tirar votos de Dilma para ajudar a eleger Serra. Fora a visão conspiratória, essa análise não tem fundamento. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana; min-height: 16.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Essa eleição tem tudo, menos resultado certo no momento. A vantagem de Serra nas pesquisas é recall, terá que ser confirmada na campanha. Se ele for candidato e conseguir converter os 30% de pesquisa que tem hoje em voto, pode se qualificar para o segundo turno. Tanto Dilma, quanto Marina, quanto Ciro Gomes têm, em princípio, condições de se qualificar também. Se o candidato for Aécio, todos ficam mais ou menos nivelados na partida. É claro que Marina Silva aumenta a competição e ocupa espaço próprio, podendo tirar votos tanto de quem disputar representando o status quo do PT, quanto de quem disputar pelo PSDB. Não há favoritos hoje nessa disputa ainda longínqua. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana; min-height: 16.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Em que espaços ela disputa com Dilma, podendo levar vantagem? Entre os eleitores petistas &#8211; e não são poucos &#8211; desencantados com o comportamento ético do partido; entre os ambientalistas do PT; no eleitorado feminino; no eleitorado jovem, muito mais simpático a uma mensagem ambientalista que tenha credibilidade; no eleitorado negro; no eleitorado com preocupações sociais; no Norte. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana; min-height: 16.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Mas ela disputa espaço também com os tucanos, Serra ou Aécio: no eleitorado jovem; no eleitorado feminino; no eleitorado negro; no eleitorado com preocupações sociais; no eleitorado ambientalista não-petista (existem e não são poucos); no Norte-Nordeste. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana; min-height: 16.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Marina Silva não fará o discurso da eficiência, embora possa ficar tentada a fazê-lo em relação à sua gestão no Meio Ambiente. Mas o centro de sua campanha será uma proposta sócio-ambientalista. Se ela puxar muito para o lado extrativista e comunitário, perde espaço junto à classe média urbana, que quer ver uma proposta com maior conteúdo científico e tecnológico para o enfrentamento da questão climática e proteção da Amazônia. O discurso extrativista tem força no Norte-Nordeste e em parte da esquerda do Centro-Sul, mas deixaria o eleitorado urbano dessas regiões, com preocupações ambientalistas, porém mais ao centro do espectro ideológico, aberto à pregação dos tucanos.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana; min-height: 16.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A agenda mundial imporá a todos os candidatos o discurso ambiental e climático. A questão-chave será a credibilidade dele. Como o carro-chefe da campanha de Dilma é o PAC, totalmente anti-ambiental e contrário à redução do teor de carbono da economia, sua credibilidade nesse tema será muito baixa. Ficará entre Marina Silva e os tucanos. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana; min-height: 16.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">É evidente que essa eleição não será decidida pela questão ambiental. Mas ela terá peso porque sensibiliza a parte mais educada &#8211; e formadora de opinião da classe média &#8211; especialmente os mais jovens, com menos de 40 anos. Não é uma fatia desprezível do eleitorado. Numa eleição muito competitiva, pode ser um fator significativo. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana; min-height: 16.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Outra vantagem de Marina Silva é ser um fator novo. Novidades sempre atraem o eleitor indeciso, sobretudo em momentos de profundo desencanto político como o que se vive hoje. Aconteceu com Obama. Ele acendeu a chama da esperança em eleitores que, provavelmente, não votariam naquela eleição. Aqui, seriam os 20% de votos nulos e brancos, mais um percentual que não é possível estimar, de faltosos. Pode chegar a algo como 25%. Imaginemos que uma candidatura nova, icônica, como a de Marina Silva, com uma biografia que, como expressão de superação pessoal, de auto-desenvolvimento, valorização da educação como instrumento de ilustração e mobilidade, não tem paralelo na política brasileira, consiga reverter metade dessa alienação eleitoral. Captaria em torno de 12% de eleitores que, em outras circunstâncias, por desencanto anulariam o voto, votariam em branco ou viajariam para não votar e poder justificar a ausência. Se, naquelas fatias do eleitorado, conseguir 14%, como diz o PV que ela teria, estamos falando de uma candidatura de 25%, arredondando. Não precisão em pesquisas, tão distantes da disputa, sem a campanha começar e que ainda podem nem passar de rumor. Nessa hipótese, com todas essas cautelas, poderia ser bastante competitiva no quadro de 2010. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana; min-height: 16.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">É claro que há outros fatores, como o tempo de TV, reação dos setores mais conservadores do empresariado, do mercado e da sociedade, que operam contra Marina. Mas, esses, ela pode, ainda superar. Marina pode obter a adesão de outros partidos. Na TV, há um tempo mínimo necessário. Além dele, o programa eleitoral começa a ficar cansativo e perde audiência. A eficácia do tempo de TV é crescente até esse limite e cadente, a partir dele.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana; min-height: 16.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Também é preciso lembrar que, com muito pouco tempo de TV, Heloisa Helena (PSOL-AL) ficou em terceiro lugar, porque captou exatamente uma parte do voto dos desencantados. A campanha dela acabou perdendo fôlego porque foi se afastando do discurso crítico e indignado que esses eleitores esperavam dela. Tampouco ela tinha uma proposta programática abrangente como a que Marina Silva pode ter, mas o fato de ela ter hoje intenções de votos perto dos 10%, sem ter mandato e sem exposição na mídia, mostra que há demanda para uma candidatura alternativa “às que estão aí”.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana; min-height: 16.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Para não enfrentar bloqueio de setores mais conservadores, Marina Silva terá que apresentar assessores econômicos que sejam confiáveis. Tem a vantagem de que não precisam ser o que a esquerda chama de “neoliberais”. A crise econômica e as mudanças na política econômica na Europa e no EUA, superaram essa fase. Hoje a doutrina dominante é mais regulatória, até por causa da centralidade da questão climática. Ela deixaria de ser competitiva se reproduzisse a visão econômica atrasada do governo, um modelo requentado dos anos 60 e 70, de alto carbono, que não tem qualquer viabilidade no século XXI. Mas esse modelo é antagônico à pauta ambiental, já foi apropriado por Dilma Roussef, pode até ser adotado também pelo PSDB, hoje vazio de idéias novas, mas não caberia jamais no figurino de Marina.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana; min-height: 16.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 13.0px Verdana;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Em resumo, a candidatura de Marina Silva, se acontecer mesmo, não é um fator desprezível e influi na competitividade tanto da candidatura do PT, quanto do PSDB.</span></p>
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