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	<description>Política Mudança Climática Século XXI</description>
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		<title>Encontro dos países do BASIC no Rio avançou mais do que o comunicado mostrou</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Jul 2010 20:14:51 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Sérgio Abranches
Houve várias novidades no encontro do BASIC, no Rio, terminado na última segunda-feira, dia 24, que o protocolar comunicado oficial não revelou. Entre elas, os ministros do Brasil, África do Sul, Índia e China (BASIC) chegaram privadamente à conclusão de que um segundo período de compromisso para os países do Anexo I do Protocolo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sérgio Abranches<br />
Houve várias novidades no encontro do BASIC, no Rio, terminado na última segunda-feira, dia 24, que o protocolar comunicado oficial não revelou.<span id="more-1095"></span> Entre elas, os ministros do Brasil, África do Sul, Índia e China (BASIC) chegaram privadamente à conclusão de que um segundo período de compromisso para os países do Anexo I do Protocolo de Kyoto nunca será aprovado pelas partes na negociação sobre mudança climática global. Esse sentimento de que o Protocolo de Kyoto não é mais viável provavelmente levará a importantes mudanças na estratégia de negociação desses países na Convenção do Clima. A Índia se mostrou particularmente favorável a que o BASIC passe a defender um único e inclusivo acordo global sobre mudança climática. Isso significaria abandonar a demanda de uma solução em duas trilhas, a do Protocolo de Kyoto e outra para os países que não fazem parte do Anexo I do Protocolo ou não o ratificaram, como eles próprios e o EUA.</p>
<p>Ao contrário, o frustrante Comunicado Conjunto do BASIC continuou ressaltando a importância da</p>
<blockquote><p>“abordagem em duas trilhas, que prevê, de um lado, um resultado ambicioso e abrangente para as negociações do Grupo de Trabalho Ad Hoc sobre Ação Cooperativa de Longo Prazo dentro da UNFCCC (AWG-LCA) e do Grupo de Trabalho Ad Hoc sobre Compromissos Adicionais dos Países do Anexo I do Protocolo de Kyoto (AWG-KP).”</p></blockquote>
<p>Outra importante conclusão compartilhada pelos ministros e ausente do comunicado foi a de que a noção de “responsabilidades históricas” e “compartilhamento equitativo dos ônus” das ações de mitigação (redução de emissões de carbono) dificilmente poderiam ter uma tradução legalmente vinculante. Particularmente difíceis de atribuir são aquelas responsabilidades dos países desenvolvidos pelas emissões dos períodos pré-industrial e do início da industrialização após a Revolução Industrial. Naquele tempo as emissões de CO2 não eram sequer consideradas como poluentes. Essa visão mais equilibrada nem transparece no jargão diplomático do comunicado.</p>
<blockquote><p>“Uma meta global para reduções de emissões deveria ser precedida pela definição de um paradigma para o compartilhamento equitativo dos ônus. Eles [os ministros] enfatizaram que o acesso equitativo ao espaço de carbono deve ser considerado no contexto do desenvolvimento sustentável, direito que está no coração do regime sobre mudança climática, e o qual demanda a implementação de um ambicioso programa de financiamento, apoio tecnológico e desenvolvimento de capacitação.”</p></blockquote>
<p><strong>Compromissos quantificados e comparáveis</strong></p>
<p>O que os ministros reunidos no Rio concluíram, embora ainda não estejam todos igualmente convencidos, é que os países em desenvolvimento com economias avançadas terão que quantificar adequadamente sua cota parte no esforço de redução de emissões. Entre esses países estão, pelo menos, os três grandes do BASIC &#8211; China, Índia e Brasil &#8211; a Coréia do Sul e o México. Para fazer isso, eles concordaram em tomar a iniciativa de desenvolver um modelo comum para avaliar quantitativamente os compromissos que registraram no anexo do Acordo de Copenhague. Um grupo de especialistas altamente qualificado estava presente às discussões e recebeu a missão de trabalhar no desenvolvimento desse modelo comum de mensuração. Embora tenha havido alguma oposição, especialmente por parte das autoridades brasileiras presentes, eles decidiram que os especialistas devem tentar tornar todos os compromissos do BASIC sob o Acordo de Copenhague em compromissos comparáveis e igualmente mensuráveis, reportáveis e verificáveis. Idealmente, deveriam encontrar uma base comum para converter esses compromissos para uma mesma medida. Hoje cada país tem um compromisso numa base diferente dos outros e medido de forma distinta. O Brasil não quer nem ouvir falar nisso, porque isso explicitaria nossa trajetória de emissões.</p>
<p>Esse objetivo de compromissos comparáveis em uma só base de cálculo foi defendido com particular ênfase pela Índia e pela África do Sul. A China deu um apoio mais reticente, provavelmente dependente de deliberação dos altos dirigentes do país. O Brasil foi contra, mas não chegou a vetar a iniciativa. Contudo, ficou claro para os participantes que o grupo de especialistas não terá apoio substantivo do governo brasileiro.</p>
<p>Os especialistas da África do Sul apresentaram o que pareceu ser um modelo preliminar muito interessante, que considera vários indicadores. O sentimento geral foi de que serviria como um sólido ponto de partida para o desenvolvimento de uma metodologia para avaliar os compromissos assumidos em Copenhague, dimensionando seu verdadeiro impacto no desenvolvimento econômico e social desses países. A ministra para Assuntos de Água e do Ambiente da África do Sul, Buyelwa Sonjica, deixou claro que seu país tem grande interesse nesse trabalho técnico. Ele permitiria quantificar as necessidades de financiamento do programa sobre mudança climática de seu país.</p>
<p><strong>Menos palavras, mais números</strong></p>
<p>O que ficou claro nas discussões é que os países do BASIC terão em breve que abandonar a retórica e começar a colocar na mesa propostas técnicas mais substantivas nas negociações do clima. Ao invés de dizerem, como ainda insistem em dizer, que sua contribuição ao esforço global de redução de emissões de carbono não podem impor restrições aos seus objetivos de desenvolvimento, terão que mostrar o efeito direto e real das metas de redução de emissões sobre suas economias. O Comunicado Conjunto continua, entretanto, a se referir  ao “acesso equitativo ao espaço de carbono no contexto do desenvolvimento sustentável”. Mas todos eles sabem que essa é uma frase vazia, se não vier acompanhada de números e demonstrações técnico-científicas. Muito em breve terão que trazer números efetivos para as mesas de negociação para adicionar algum valor real a suas demandas e condições. Essa quantificação dos compromissos, seus requisitos e impacto econômico líquido será também necessária para dimensionar as necessidades financeiras dos maiores países em desenvolvimento para contribuírem com os esforços globais de redução das emissões de carbono. O financiamento é uma questão importante para a África do Sul e para a Índia. China e Brasil seriam capazes de financiar com recursos próprios a maior parte de seus programas de mudanças climática, particularmente em seus estágios iniciais. Isso explica porque os dois primeiros querem avançar logo nessa direção, a China se mostra reticente e o Brasil contrário.</p>
<p>É isso que se deve ler nas entrelinhas do comunicado conjunto, quando ele diz que os ministros</p>
<blockquote><p>“enfatizaram a necessidade de colaboração adicional entre os especialistas do BASIC nessa questão, em busca da compreensão das implicações econômicas, sociais, científicas e do acesso equitativo ao espaço de carbono e do fortalecimento de um entendimento comum dessa matéria.”</p></blockquote>
<p><strong>MRVs</strong></p>
<p>O negociador chefe para mudança climática da China, Xie Zhenhua, causou certa surpresa ao propor que o grupo de especialistas discutisse e desenvolvesse a metodologia para os MRVs (ações mensuráveis, reportáveis e verificáveis) associados ao Acordo de Copenhague. Os MRVs estarão na agenda do próximo encontro do BASIC a se realizar em Pequim, em outubro. Essa é outra área na qual há considerável distância entre o que os países do BASIC realmente pensam e o que continuam a dizer em público.</p>
<blockquote><p>O quase ilegível comunicado conjunto diz que os ministros</p>
<p>“ indicaram a distinção entre o MRV dos compromissos de redução de emissões dos países desenvolvidos, que diz respeito a obediência e comparabilidade, e o MRV das ações nacionalmente apropriadas de mitigação (NAMAs) dos países em desenvolvimento, que diz respeito à transparência. O Ministros enfatizaram que o trabalho sobre MRV das ações apoiadas internacionalmente deve avançar com urgência, incluindo por meio de procedimentos comuns de relatórios de financiamento.  Eles ressaltaram que somente NAMAs apoiados internacionalmente deveriam ser submetidos a MRV internacional, em conjugação com o MRV do apoio internacional, enquanto aos NAMAs não apoiados deverá se aplicar apenas o MRV doméstico. Consultas internacionais e análises de informações relativas a ação não apoiadas internacionalmente seria úteis para aumentar a transparência, por meio de uma cooperação multilateral sob a UNFCCC.”</p></blockquote>
<p>Traduzido, diz o seguinte: o que os países fizerem com apoio financeiro internacional, tem que ser mensurável, reportável e verificável de acordo com os critérios internacionais. Os que fizerem por conta própria deve ser verificado apenas domesticamente. Mas seria útil para aumentar a transparência aceitar consultas internacionais e análise das informações referentes às ações que não tiveram apoio internacional, por meio de ação multilateral sob comando da Convenção do Clima da ONU. Esta última parte é o que determina o Acordo de Copenhague.</p>
<p>Em suas conversas, os ministros compartilharam a convicção de que os compromissos assumidos em Copenhague não escaparão à aplicação de procedimentos de MRV  cujos critérios ainda precisarão ser acertados. Eles sabem que aos “NAMAs não apoiados” que foram registrados como compromissos oficiais sob o Acordo de Copenhague se aplicará algo mais do que um “MRV doméstico”. Eles concluíram daí, que o melhor a fazer é serem proativos  e apresentarem uma metodologia que atenda aos requisitos de transparência do Acordo de Copenhague. Esse é o verdadeiro significado por trás da frase “consultas internacionais e análises de informações relativas a ação não apoiadas internacionalmente seria úteis para aumentar a transparência, por meio de uma cooperação multilateral sob a UNFCCC.”</p>
<p>Ficou decidido que um ponto de partida para o desenvolvimento do novo formato de MRV a ser aplicado para atender aos requisitos de transparência do Acordo de Copenhague seria o procedimento hoje utilizado para verificar as comunicações nacionais de emissões. Elas são revistas por um comitê composto por representantes tanto do países desenvolvidos, como dos países em desenvolvimento, por pessoal qualificado da UNFCCC e peritos independentes.</p>
<p>É curioso que o comunicado conjunto não faça qualquer menção explícita ao Acordo de Copenhague, ao qual todos se associaram e submeteram compromissos. A maior parte das questões técnicas sobre as quais decidiram trabalhar está relacionada aos compromissos que registraram no anexo do Acordo. A única menção a Copenhague no comunicado é indireta e diz respeito ao financiamento.</p>
<p>Não há referência a Copenhague quando o comunicado informa a posição dos países sobre MRVs. Ele não revela com transparência o que eles realmente concluíram sobre a necessidade de desenvolvimento uma metodologia de MRV que atenda ao que o Acordo de Copenhague diz sobre transparência. Esse item foi objeto de dura negociação entre o presidente Obama e o primeiro-ministro Wen Jiabao em um encontro histórico dos países do BASIC nas horas finais da Cúpula de Copenhague. Obama e Wen Jiabao discutiram por mais de duas horas o tema do MRV e chegaram a um acordo com a intermediação ativa do primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, e do presidente Lula. É um bom sinal que o governo chinês se mostre disposto a honrar o que acordaram. A sentença relevante do Acordo de Copenhague que resultou dessa negociação é a seguinte:</p>
<blockquote><p>“As Partes Não-Anexo I comunicarão informação sobre a implementação de suas ações por meio de Comunicações Nacionais, com provisões para consultas internacionais e análises mediante roteiro claramente definido que assegure que a soberania nacional seja respeitada.”</p></blockquote>
<p><strong>BASIC+</strong></p>
<p><strong></strong>Um tema lateral que poderia ter consequências disruptivas para a geopolítica das negociações climáticas  foi a se os países deveriam caminhar para um BASIC+, ou seja, se deveriam admitir outros países como membros votantes do grupo. A Indonésia, por exemplo, parece aspirar a se tornar membro pleno do BASIC+. Os ministros e negociadores se mostraram muito preocupados com a possibilidade de que essa idéia criasse dificuldades insuperáveis com outros países do G-77. A ministra sul-africana, Buyelwa Sonjica, se mostrou particularmente preocupada com a possível insatisfação que uma eventual ampliação do BASIC poderia causar entre outros parceiros e no G-77. Desde Copenhague, a África do Sul tem sofrido pressões e reservas por parte de países da União Africana por causa de sua participação no BASIC. O exemplo concreto desses temores é o do G-8, que foi suplantado pelo G8+5, em muitas questões relevantes e, definitivamente, pelo the G-20. Só que em sentido contrário: o G-77 seria esvaziado pelo BASIC+.</p>
<p>Embora todos os países do BASIC façam parte também do G-77, todos os seus ministros têm muita clareza de que os interesses de seus países estão se diferenciando crescentemente dos interesses dos outros estados membros. Eles decidiram, por isso, manter a formação original do BASIC e convidar observadores e debatedores para todos os seus encontros, porém sem direito a voto nas decisões. No Rio, um dos observadores convidados foi a Venezuela. O Iêmen, atualmente na presidência do G-77, também estava presente e está convidado para todos os encontros futuros, enquanto permaneça à frente do G-77. Os  ministros também concordaram que terão sempre um observador dos pequenos Estados-ilha, membros da AOSIS, e um observador da União Africana. Outros países em desenvolvimento poderão ser convidados para ajudar a debater questões centrais da agenda, nas quais tenham participação destacada. Em Pequim, por exemplo, um desses temas será o impacto das negociações do clima no mercado internacional. A Argentina, que tem liderado essa discussão no G-77 será convidada para a reunião de Pequim.</p>
<p><strong>Eppur si muove</strong></p>
<p>Houve pequeno progresso, mas significativo, na reunião dos países do BASIC no Rio. Muito mais do que o Comunicado Conjunto oficial deixou transparecer. O progresso e o consenso sobre essas novas visões do problema são mais fortes no plano dos especialistas. No plano político há ainda importantes diferenças no grau de convicção dos países acerca dessas novas posições. Índia e África do Sul parecem estar muito mais convencidas da necessidade de mudar de atitude e de estratégia de negociação. A China parece estar avançando, mas de forma mais cautelosa. O Brasil é, de longe, o mais relutante a aceitar qualquer mudança.</p>
<p>Jairam Ramesh, o ministro do Ambiente da Índia, fez uma persuasiva defesa dos benefícios de dar mais transparência a essas novas visões por eles compartilhadas. Ele queria, inclusive, que elas aparecessem no comunicado final. Mas as autoridades brasileiras preferiram um comunicado conjunto mais anódino.</p>
<p>Ramesh também mostrou desejo de seu governo em liderar uma aproximação com o EUA. E insistiu com seus parceiros no BASIC a procurarem laços mais estreitos com a França e a Alemanha, que ele considera mais próximos e complementares dessa nova visão sobre a política para a mudança climática global.</p>
<p>É pouco provável que essas visões cambiantes estejam suficientemente maduras e formem consenso dentro do BASIC para levá-lo a ter uma atitude diferente na COP16, em Cancún. Mas alguns desses sentimentos revelados no Rio podem aparecer mais publicamente no  México. É possível, por exemplo, que ponham propostas mais técnicas na mesa de negociação. Também é possível, embora menos provável, que sua insistência em um segundo período de compromisso para o Protocolo de Kyoto perca visivelmente alguns pontos de intensidade, ajudando na obtenção de progresso mais rápido no AGW-LCA rumo a um único acordo global mais inclusivo, em algum momento no futuro próximo. Os sinais de uma futura mudança no paradigma de negociação sobre mudança climática dos países do BASIC estão se tornando mais claros a cada reunião.</p>
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		<title>Wikileaks e o jornalismo: inovação e diferenciação</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Jul 2010 18:51:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Sérgio Abranches
O vazamento pelo Wikileaks de milhares de documentos sobre a operação militar do EUA no Afeganistão está causando grande polêmica na imprensa e na webesfera, no momento. O Wikileaks foi criado para receber “vazamentos” de material confidencial sobre questões sensíveis. O que isso tem a ver com o jornalismo?
Primeiro de tudo, virou notícia. A [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sérgio Abranches</p>
<p>O vazamento pelo Wikileaks de milhares de documentos sobre a operação militar do EUA no Afeganistão está causando grande polêmica na imprensa e na webesfera, no momento. O Wikileaks foi criado para receber “vazamentos” de material confidencial sobre questões sensíveis. O que isso tem a ver com o jornalismo?<span id="more-1088"></span></p>
<p>Primeiro de tudo, virou notícia. A divulgação dos documentos sobre o Afeganistão, os “War Logs”, ou “Diários da Guerra” está em todos os jornais e sites jornalísticos do mundo. A Casa Branca disse que não há novidades no que foi vazado. A Slate, concorda. <a href="http://www.slate.com/id/2261780/">Fred Kaplan</a> diz que se alguém se surpreender com algo do que está lá, acaba de chegar ao mundo dos que lêem jornais. Mas, como diz <a href="http://www.slate.com/id/2261861/">William Saletan</a>, também da Slate, alegar que não há novidade nos vazamentos é uma tentativa de driblar a opinião pública. Há revelações ou relembranças suficientemente perturbadoras para justificar sua publicação com destaque. Julian Assange, fundador do Wikileaks diz que há nos documentos<a href="http://www.slatev.com/video/classified-us-military-records-released-wikileaks/"> evidências de crimes</a> de guerra.</p>
<p>A noção errônea de que “não é novo, não é notícia”, está desmentida na própria repercussão na mídia internacional. Notícia é. E não só o fato de terem sido vazados 90 mil documentos antes classificados como confidenciais. O próprio conteúdo dos documentos é matéria jornalística e gera controvérsia. Até mesmo no próprio governo, como chama atenção a <a href="http://www.wired.com/dangerroom/2010/07/military-disputes-its-own-wikileaked-missile-report/%23more-28507">Wired</a>: “Militares discordam de seu próprio relatório sobre míssil ‘wikivazado’ (wikileaked)”. Há discordância sobre o teor de relatório que fala de um helicóptero Chinook ter sido derrubado pelos rebeldes.</p>
<p><a href="http://www.niemanlab.org/2010/07/when-do-92000-documents-trump-an-off-the-record-dinner-a-few-more-thoughts-about-wikileaks/">Como diz</a>, com toda razão, C.W. Anderson, pesquisador da escola de jornalismo da universidade Columbia, “descobrir algo novo pode não ser tão importante quanto encontrar um padrão em algo que já está por aí”. David Corn, chefe da sucursal de Washington do site <a href="http://motherjones.com/mojo/2010/07/ground-truth-afghanistan?utm_source=twitterfeed&amp;utm_medium=twitter&amp;utm_campaign=Feed:+Motherjones/mojoblog+(MotherJones.com+%7C+MoJoBlog)">Mother Jones</a> diz que, de qualquer forma, o “Afeganistão foi, verdadeiramente, foi uma guerra que recebeu sub-cobertura, além de ter sido sub-discutida e sub-debatida”.</p>
<p>Jeff Jarvis, jornalista, professor de jornalismo, blogueiro e forte formador de opinião no ambiente jornalístico no EUA, tuitou o seguinte sobre seu primeiro post no blog <a href="http://www.buzzmachine.com/">BuzzMachine</a> sobre o caso:</p>
<blockquote><p>Thinking about wikileaks: Is no secret safe now? Where is the line of transparency? (Pensando sobre wikileaks: nenhum segredo está mais seguro agora? Por onde passa a linha da transparência?)</p></blockquote>
<p>No <a href="http://www.buzzmachine.com/2010/07/26/what-if-there-are-no-secrets/">post</a>, Jarvis diz que a moral dessa história dos vazamentos dos “diários da guerra” é que “nunca se sabe o que será vazado”. Mas o ponto central que ele quer mesmo discutir é se há um limite para vazamentos. Se existe uma ética do segredo que o jornalismo investigativo deveria obedecer. A resposta que ele encontra para a questão é inequívoca:</p>
<blockquote><p>“O caso do Wikileaks é um exemplo de ‘atravessar a linha’? Primeiro, precisamos perguntar onde a linha deveria estar. Eu acho que ela tem que se mover de tal modo a definir que o padrão, especialmente no governo, seja a transparência. Ao invés de perguntar o que deveria ser dado a público, deveríamos perguntar o que deveria permanecer privado.”</p></blockquote>
<p>Para Jay Rosen, professor de jornalismo da New York University, blogueiro e também influente formador de opinião, a novidade maior é que Wikileaks, diferentemente da imprensa convencional, não está submetido às leis que impedem a divulgação de material confidencial. A “lógica da Internet” permite que torne público qualquer coisa. Esta é a grande novidade: embora sediado na Suécia, Wikileaks não é de país algum. É, segundo Rosen, o <a href="http://journalism.nyu.edu/pubzone/weblogs/pressthink/2010/07/26/wikileaks_afghan.html">primeiro caso</a> de uma organização noticiosa “apátrida”. Ele usa a expressão “stateless news organization”. Acho que, neste sentido, a melhor tradução é, mesmo, apátrida.</p>
<blockquote><p>“Se você for ao <a href="http://twitter.com/wikileaks">perfil do Twitter</a> do Wikileaks, onde está ‘local’ diz: em todo lugar. Esta é uma das coisas mais surpreendentes sobre ele: é a primeira organização noticiosa apátrida do mundo. Eu não consigo pensar em exemplos anteriores disso. (Dave Winer, no <a href="http://journalism.nyu.edu/pubzone/weblogs/pressthink/2010/07/26/wikileaks_afghan.html%23comment54288">comentários</a>: ‘a blogosfera é uma organização noticiosa apátrida’.) Wikileaks está organizado de tal forma que se houver bloqueio legal em um país, os servidores podem ser transferidos para outro. É assim para colocá-lo fora do alcance de qualquer governo ou sistema legal. Por isso é tão estranho a Casa Branca reclamar: “Eles nem nos contataram!”</p></blockquote>
<p>Mas é jornalismo? É a nova fronteira do jornalismo investigativo? A primeira pista para ajudar a responder a essa questão foi levantada pelo próprio Jay Rosen:</p>
<blockquote><p>“Faça-se a seguinte pergunta: por que Wikileaks simplesmente não publicou os diários da guerra e deixou os jornalistas de todo o mundo terem acesso a eles? Por que entregá-los ao The New York Times, ao Guardian e Der Spiegel <a href="http://embargowatch.wordpress.com/2010/07/25/what-wikileaks-julian-assange-has-to-say-about-embargoes/">primeiro</a>? Porque, como Julien Assange, fundador do Wikileaks <a href="http://www.computerworld.com/s/article/9139180/Wikileaks_plans_to_make_the_Web_a_leakier_place">explicou</a> em outubro passado [à Computerworld], se uma grande história estiver disponível a todos igualmente, os jornalistas vão deixá-la de lado.”</p></blockquote>
<p>Em outras palavras, queria que a informação virasse notícia, repercutisse na imprensa convencional, onde as pessoas vão em busca do que consideram notícia. Eu diria, informação com credibilidade vinda de padrões de conduta firmados e testados. Olhem só que órgãos de imprensa foram escolhidos. Essa é a resposta que Dan Kennedy, professor de jornalismo da universidade Northwestern, em Boston, dá no Guardian, ao perguntar porque “Wikileaks <a href="http://www.guardian.co.uk/commentisfree/cifamerica/2010/jul/27/why-wikileaks-turned-to-press">recorreu à imprensa</a>”?</p>
<blockquote><p>“Material chocante e uma queda para relações públicas podem ser suficientes para você ser notado. Mas se é credibilidade que você quer, então as velhas organizações jornalísticas ainda têm algo a oferecer.”</p></blockquote>
<p>Jeff Jarvis, em <a href="http://www.buzzmachine.com/2010/07/27/value-added-journalism/">outro post</a>, sobre “jornalismo com valor agregado”, conta que perguntou ao editor chefe do Guardian se seu jornal deveria ter criado um Wikileaks, como ele começou o <a href="http://commentisfree.guardian.co.uk/">CommentIsFree</a>, inspirado no Huffington Post. O Wikileaks é um recurso para o jornalismo investigativo e, portanto, deveria fazer parte do arsenal próprio, interno de um jornal? Ou deveria ficar como algo à parte? “Eu acho que é melhor separado” foi a resposta de Rusbridger. Porque o Wikileaks “faz coisas que um jornal não gostaria ou não poderia fazer”. Sobretudo pela característica apontada por Rosen, de estar submetido à lógica global e apátrida da Internet e não às leis de qualquer país.</p>
<p>Os critérios de verificação e transparência são diferentes. Mas o que o jornalismo traz, além da credibilidade mencionada por Dan Kennedy, é que ele adiciona um valor que não se cria com facilidade. “Eu acho que o caso do vazamentos” sobre o Afeganistão, disse Rusbridger a Jarvis, “faz a defesa do jornalismo”.</p>
<blockquote><p>“Nós tínhamos as pessoas e a expertise para dar o sentido daquilo tudo.”</p></blockquote>
<p>É mais que o padrão de checagem. São os anos de experiência dos repórteres, correspondentes, colunistas e editores, capazes de transformar o vazamento numa cobertura com consequência e sentido. Jarvis aponta, corretamente, que, dessa forma, o jornalismo adiciona valor ao material descoberto. Essa tarefa não se esgota.</p>
<p>E essa é mais uma razão para justificar plenamente, a crítica de Michelle Mclellan, do Knight Center, ao ‘<a href="http://www.knightdigitalmediacenter.org/leadership_blog/comments/20100726_the_replacement_myth/">mito da substituição</a>’. “A idéia cansativa que as notícias nascidas na Web vão substituir a mídia tradicional.” Anderson concorda: “eu não acho que um “novo” tipo de jornalismo vai tomar o lugar do modo tradicional. Obviamente, as duas formas jornalísticas vão trabalhar juntas, lado a lado”.</p>
<p>O que se está vendo, a sério, é muito menos a tentativa de invadir e tomar espaços e sim, cada vez mais intensa cooperação entre os vários formatos e as várias plataformas. Rusbridger fala em “mutualização”, Jarvis, em cooperação. Sociologicamente, estamos diante de um fenômeno antigo e sempre fundamental da ordem social. Diferenciação de papéis, um processo que não pára, porque é movido a inovação, que se soma à persistência do que mantém valor próprio. Vai ganhando complexidade, produzindo convergências e diferenças e alimentando a mudança e o progresso. Dialeticamente, tudo muda e tudo que tem valor, se perpetua, ainda que se transformando.</p>
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		<title>Tetos brancos &#8211; ou verdes &#8211; é coisa séria em matéria de mudança climática</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Jul 2010 20:15:19 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Sérgio Abranches
Vamos pintar nossos telhados de branco? Será que isso faz mesmo sentido ou estamos diante de mais uma lenda urbana?
Sexta-feira, 23 de julho, um tuíte de @monica_nunes na minha “timeline” dizia o seguinte:
Vamos!! One Degree Less! RT @psustentavel: Vamos pintar nossos telhados? http://migre.me/Z91V #PlanetaUrgente
11:19 AM Jul 23rd via Echofon
Era um retuíte de Mônica Nunes, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sérgio Abranches<br />
Vamos pintar nossos telhados de branco? Será que isso faz mesmo sentido ou estamos diante de mais uma lenda urbana?<span id="more-1080"></span></p>
<p>Sexta-feira, 23 de julho, um tuíte de @monica_nunes na minha “timeline” dizia o seguinte:</p>
<blockquote><p>Vamos!! One Degree Less! RT @psustentavel: Vamos pintar nossos telhados? http://migre.me/Z91V #PlanetaUrgente<br />
11:19 AM Jul 23rd via Echofon</p></blockquote>
<p>Era um retuíte de Mônica Nunes, editora do Planeta Sustentável, apontando para um post do jornalista José Eduardo Mendonça, que perguntava: “Vamos pintar nossos telhados?”</p>
<p>Respondi:</p>
<blockquote><p>@monica_nunes já pintei o meu telhado e recomendo: enorme redução no uso de ar condicionado<br />
03:52:39 PM Jul via Seesmic</p></blockquote>
<p>De fato, pintei o telhado preto do meu escritório com uma tinta especial, branca, que tem alta refletividade e alta irradiação de infra-vermelhos. O segundo andar ficava insuportável no verão e exigia ar condicionado o tempo todo, na menor temperatura possível. Mais que insustentável, era desconfortável e caro. Custo de luz muito alto. Manutenção do ar condicionado muito cara, porque, ao ser exigido no limite, dava problema com frequência. A pintura do telhado zerou o problema. Agora, ar condicionado só no pico do calor. Ajustado para 24o-25o fica confortável e só é necessário mantê-lo ligado durante as duas ou três horas de maior calor do dia. Fora o verão, as salas ficam frias e pedem agasalho, mesmo quando só dá para ficar na rua de camiseta.</p>
<p>Nessa minha tarefa diária de pesquisar tendências de todo tipo que afetem a ordem social presente e futura, aprendi a necessidade de pôr o foco central na mudança climática. Não é minha preocupação exclusiva, mas é um foco diretor. Sustentabilidade passou a se estruturar em torno da mudança climática, ou da “descarbonização” da estrutura sócio-econômica contemporânea. Há outras dimensões de sustentabilidade? Há. Mas a questão das emissões de carbono é a dimensão central e dominante.</p>
<p>Há muita controvérsia sobre a relação séria, relevante, que possa haver entre telhados brancos e mudança climática. Essa troca de tuítes com a @monica_nunes, depois retuitada pelo @psustentavel, fez com que muitas pessoas me perguntassem isso. Algumas, com certa ironia, num tom de descrença. Outras, seriamente, porque estão pensando em pintar seus telhados e querem saber se não seria tolice. Se não estariam pagando mico, sem fazer qualquer diferença.</p>
<p>Claro, nem tudo é tão simples assim. Um telhado pequeno não faz diferença no universo, como uma andorinha não faz verão. No plano macro, quero dizer. Porque no plano do seu microuniverso, vai refrescar a casa, independentemente do tamanho do telhado.</p>
<p>E no plano macro, tem jeito de fazer diferença? Há gente qualificada que acredita que sim. O físico e prêmio Nobel, Stephen Chu, secretário de Energia de Obama, diz, por exemplo, que faz sentido. Tanto que ele acaba de lançar uma série de iniciativas para utilização de tecnologias de “tetos frescos” nos prédios do Departamento de Energia do EUA e nos prédios federais. É uma forma de estimular a disseminação dessas tecnologias em seu país. Os “tetos frescos” são aqueles cuja superfície é pintada com cores claras ou recebem um revestimento especial para refletir mais a luz solar e irradiar o calor ainda retido. Esses tetos reduzem os custos de refrigeração.</p>
<p>Nova York optou pelos telhados brancos na sua iniciativa de enfrentar as ilhas de calor e a mudança climática. Mas não são apenas os “tetos brancos” que caem nessa categoria dos “tetos frescos”. Os “tetos verdes” também. São tetos cobertos por vegetação, na maioria dos casos grama e flores que não exigem raízes profundas. A cidade de Toronto, por exemplo, estuda os tetos verdes desde 2004 e tem um plano para cobrir os tetos da cidade com vegetação.</p>
<p>Aí, estamos falando de outra escala, algo muito maior. É só imaginar grandes cidades, que representam um enorme território, um vasto espaço de solo ocupado. Estamos falando em milhões de quilômetros quadrados de espaço. Uma parte substancial dele pode ser, com poucas adaptações, coberta com tintas refletivas ou vegetação. Se isso fizer algum efeito, estamos falando em efeitos de muito larga escala. Será que faz?</p>
<p>Em 2004, Toronto encomendou um estudo ao Departamento de Ciência Arquitetônica da universidade Ryerson sobre os benefícios dos tetos verdes. Os resultados foram os mais encorajadores possíveis. Do ponto de vista ambiental, os benefícios indicados pelo estudo seriam: redução da quantidade de água das chuvas que escorre para o sistema de águas pluviais e do consumo de energia; vantagens estéticas, a cidade fica mais bonita; criação de  mais espaços verdes e oportunidades para produção local de alimentos.</p>
<p>Hoje, em várias cidades, condomínios inteiros transformaram seus telhados e espaços verdes em centros de produção de verduras, hortaliças, ervas e legumes orgânicos, tornando-se autosuficientes. Finalmente, um efeito muito significativo para várias cidades seria a eliminação das “ilhas de calor” que hoje caracterizam o ambiente de várias cidades grandes e médias. Várias capitais e cidades de porte médio no Brasil sofrem com o problema das ilhas de calor.</p>
<p>São Paulo já conhece bem as suas e a prefeitura pensa em parques lineares, desde 2007, para enfrentar o problema. A vantagem dos tetos verdes é que eles poupam recursos de desapropriação em que os parques fatalmente incorrem. Não devem ser pensados para substituir a idéia de dar mais parques à cidade, mas poderiam ser um complemento muito eficaz e barato. As duas idéias juntas teriam importante impacto positivo na qualidade de vida da cidade.</p>
<p>O programa de Nova York, que pretende “pintar” mais de 90 mil metros quadrados apresenta como benefícios dos tetos brancos reduzir custos de refrigeração, economizar energia e reduzir as emissões de gases estufa.</p>
<p>A questão mais controvertida está relacionada a um cenário no qual grandes extensões urbanas da terra adotassem “tetos frescos”, particularmente tetos brancos. Isso teria algum impacto no efeito estufa? A teoria diria que sim, pelo menos intuitivamente. Cidades brancas deveriam aumentar o chamado “efeito albedo”, que está diminuindo com a redução das áreas nevadas e geladas do mundo. O que é isso? É o potencial de refletividade da luz solar pelas superfícies terrestres. No caso estaríamos falando da possibilidade de termos um “efeito albedo” urbano, obtido artificialmente. Parece ficção científica, mas não é. É a idéia de “geoengenharia” mais sensata e sem danos que já ouvi.</p>
<p>O secretário Stephen Chu, não tem muita dúvida sobre os ganhos a se obter com os “tetos frescos”.</p>
<blockquote><p>“Tetos frescos são uma das formas mais rápidas e de menor custo com que podemos reduzir as emissões globais de carbono e começar o árduo trabalho de desacelerar a mudança climática”. (Stephen Chu)</p></blockquote>
<p>Em artigo publicado na revista Climatic Change de junho de 2009, pesquisadores do Lawrence Berkeley National Laboratory, concluem que</p>
<blockquote><p>“Em escala global, estimamos que o aumento nos albedos, mundialmente, dos telhados urbanos e superfícies pavimentadas induziria um forçamento radiativo negativo na Terra equivalente à neutralização de perto de 44 Gt de emissões de CO2.” Hashem Akbari, Surabi Menon e Arthur Rosenfeld &#8211; “Global cooling: increasing world-wide urban albedos<br />
to offset CO2”</p></blockquote>
<p>Traduzindo: em escala global, tetos e ruas adequadamente revestidos ou pintados refletiriam luz solar, tendo um efeito na mudança climática equivalente à neutralização de 44 gigatoneladas de carbono. Um efeito nada desprezível.</p>
<p>Em estudo publicado no início deste ano, na Environmental Research Letters, pesquisadores do Lawrence Berkeley National Laboratory, da NASA e da universidade Concordia, de Montreal, elevaram essa estimativa, para todas as áreas urbanas do globo para o equivalente à neutralização de 57 Gt de carbono.</p>
<p>Art Rosenfeld, um dos autores, dá uma idéia mais prática do que isso significaria:</p>
<blockquote><p>“Contudo, se nós assumirmos que os tetos têm uma vida útil de 20 anos, podemos pensar em uma taxa anual equivalente a 1,2 Gt por ano. Isso neutraliza as emissões de aproximadamente 300 milhões de carros (em torno do total de carros no mundo) por 20 anos!”</p></blockquote>
<p>Ou seja, seria o mesmo que tirar todos os carros da rua. Claro, nem todos os telhados e nem todas as ruas do mundo serão tratados assim. Mas só de imaginar se a maioria das grandes cidades conseguisse realmente pintar e plantar seus telhados e pintar as áreas de estacionamento, já teríamos um efeito enorme.</p>
<p>Estudo liderado por Keith Oleson do National Center for Atmospheric Research, publicado na Geophysical Research Letters, examinando os “efeitos dos tetos brancos na temperatura urbana em um modelo global do clima”, chegou a conclusões semelhantes. Com a cautela típica dos cientistas, Oleson disse sobre suas conclusões que: “nossa pesquisa demonstra que tetos brancos, pelo menos em teoria, podem ser um método efetivo para reduzir o calor urbano”. Segundo ele, “ainda é preciso determinar se é realmente viável para as cidades pintarem seus tetos de branco”.</p>
<p>Uma coisa é certa. A tentativa de espalhar tetos frescos, brancos ou verdes pelas cidades deveria ser parte de qualquer política de cidades sustentáveis.</p>
<p>Ouça também meu comentário hoje na CBN:<br />
<iframe src='http://www.cbn.com.br/Player/player.htm?audio=2010%2Fcolunas%2Fecopolitica_100726&#038;OAS_sitepage=cbn/comentarios/sergioabranches' width='475' height='193' marginheight='0' marginwidth='0' frameborder='0' scrolling='no' bgcolor='#CCCCCC'/></iframe></p>
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		<title>IEA: Investimento em energias limpas cresceu em 2009</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Jul 2010 18:53:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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		<category><![CDATA[economia]]></category>
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		<category><![CDATA[eólica]]></category>
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		<description><![CDATA[Sérgio Abranches
A pesquisa em energias limpas recebeu um impulso significativo dos pacotes de estímulos para combater a crise financeira.

Os investimentos cresceram bastante em 2008 e 2009. Mas podem não se sustentar em 2010. O estímulo associado a políticas anticíclicas é temporário. Tende a não se renovar. E há, ainda, muita defasagem entre os investimentos em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sérgio Abranches</p>
<p>A pesquisa em energias limpas recebeu um impulso significativo dos pacotes de estímulos para combater a crise financeira.</p>
<p><span id="more-1071"></span></p>
<p>Os investimentos cresceram bastante em 2008 e 2009. Mas podem não se sustentar em 2010. O estímulo associado a políticas anticíclicas é temporário. Tende a não se renovar. E há, ainda, muita defasagem entre os investimentos em P&amp;D e o volume necessário para promover as mudanças imprescindíveis no padrão energético global. Trata-se de promover  uma real revolução na geração e no uso de energia.</p>
<p>É o que diz o relatório da Agência Internacional de Energia (IEA), Global Gaps in Clean Energy R&amp;D: Update and Recommendations for International Collaboration, <a href="http://iea.org/papers/2010/global_gaps.pdf">aqui</a>. O relatório vê</p>
<blockquote><p>“sinais muito reais de que algumas das mudanças necessárias estão começando a ocorrer, em parte por causa da implementação do financiamento para tecnologias de energia limpa dos pacotes de estímulo “verde”. Contudo, isso é só o começo: sustentar e acelerar a transição [para uma matriz energética global de baixo carbono] vai requerer intervenção inédita dos governos no desenvolvimento de políticas que operem com os mercados de energia e de consumo e exerçam influência sobre eles. Também demandará expansão significativa na pesquisa, desenvolvimento e demonstração (PD&amp;D) em todas as TEBCs (tecnologias de energias de baixo carbono).”</p></blockquote>
<p>O crescimento do investimento público em P&amp;D foi substancial nos últimos anos.</p>
<blockquote><p>“O gasto governamental em PD&amp;D em energia limpa continuou a aumentar. Como resultado dos pacotes de estímulo “verde” durante os dois últimos anos, em 2009 houve um significativo aumento das despesas dos países membros da IEA para PD&amp;D em energia limpa. Com os estímulos, a despesa anual dos países membros da IEA tem sido em torno de US$ 23 bilhões; US$ 16 bilhões sem contar o gasto dos pacotes de estímulo. Esse aumento relacionado ao estímulo quase dobra o gasto dos países membros da IEA em relação aos níveis de 2008 e excede o período de pico anterior, no início dos anos 1980. Contudo (&#8230;) não se espera que esse aumento se sustente em 2010.”</p></blockquote>
<p>Segundo o relatório, no período 2008-2009 várias grandes economias anunciaram medidas de estímulo voltadas para melhorar suas condições econômicas: muitos desses planos incluíram investimento em pesquisa, desenvolvimento, demonstração e uso de tecnologias de energia de baixo carbono. Ao final de 2009, as maiores economias haviam</p>
<blockquote><p>“alocado mais de US$ 520 bilhões para tecnologias de energia limpa, incluindo reformas em prédios para obter eficiência no uso de energia, ferrovias de alta velocidade, redes inteligentes (smart grids) e energia renovável.”</p></blockquote>
<p>O maior volume de investimento em PD&amp;D no pacote de estímulo foi no EUA, de US$ 12 bilhões, seguido pela União Européia, com US$ 6 bilhões. Coréia e China também fizeram investimentos importantes, embora os pacotes não discriminassem as atividades de PD&amp;D financiadas.</p>
<p>Não será esforço pequeno ou descontínuo que conseguirá o efeito necessário para que possamos transitar para uma economia de baixo carbono, em algumas décadas.</p>
<blockquote><p>“Para atingirmos as metas de segurança energética, mudança climática e acesso [à energia limpa] será preciso nada mais nada menos que uma revolução energética. Isso implica várias necessidades: melhoras significativas em todo o conjunto de tecnologias de energia de baixo carbono (TEBCs), incluindo eficiência energética em prédios, indústria e transportes; a quase total descarbonização do setor de eletricidade, por meio da rápida aceleração no uso de energia renovável; de combustão de carvão mais limpa e mais eficiente e sequestro e estocagem de carbono; e a introdução de uma nova geração de veículos avançados.”</p></blockquote>
<p>Esse gasto associado aos estímulos para a economia tiveram um impacto mensurável no incentivo aos investimentos de mercado em tecnologias de energia de baixo carbono.</p>
<blockquote><p>“No setor de energia renovável por exemplo o Conselho Global de Energia Eólica estima que as instalações de turbinas alcançaram mais de 37 GW em 2009, 38% mais que em 2008. A China foi a principal força desse movimento, representando 35% das novas instalações, fazendo do país a maior região em instalações de energia eólica pela primeira vez. O EUA também instalou 10 GW de energia eólica nova em 2009. Outras tecnologias renováveis também tiveram modesto crescimento, comparado ao declínio esperado do investimento por causa da crise financeira. No EUA, o gasto de estímulo do Departamento de Energia foi acompanhado praticamente em 1:1 pelo investimento privado.”</p></blockquote>
<p>O Brasil se destaca pela concentração integral dos esforços de PD&amp;D em bio-energia, desprezando os setores de eólica, solar e veículos avançados nos quais a China, por exemplo, está investindo muito.</p>
<p>O relatório identifica e quantifica as defasagens no investimento em PD&amp;D para que se realize a meta de máxima descarbonização possível da matriz energética global. Recomenda uma série de políticas e ações estratégicas para eliminar essas defasagens.</p>
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		<title>Um desafio político para Christiana Figueres a caminho da COP16</title>
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		<pubDate>Fri, 09 Jul 2010 17:57:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
				<category><![CDATA[COP16]]></category>
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		<category><![CDATA[clima]]></category>
		<category><![CDATA[Copenhague]]></category>

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		<description><![CDATA[Sérgio Abranches
O Fórum das Maiores Economias (MEF) reunido em Roma, entre 30 de junho e 1o de julho, usou o Acordo de Copenhague como a principal referência na discussão das políticas globais do clima. Na reunião da Convenção do Clima, em Bonn, em abril, preparatória da COP-16, contudo, o Acordo de Copenhague foi desprezado ou [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sérgio Abranches</p>
<p>O Fórum das Maiores Economias (MEF) reunido em Roma, entre 30 de junho e 1<sup>o</sup> de julho, usou o Acordo de Copenhague como a principal referência na discussão das políticas globais do clima. Na reunião da Convenção do Clima, em Bonn, em abril, preparatória da COP-16, contudo, o Acordo de Copenhague foi desprezado ou gerou divisões e rejeições, dependendo do momento.<span id="more-1068"></span></p>
<p>O Fórum reúne as 17 maiores potências econômicas do mundo e não por acaso os maiores emissores de carbono também. O “sumário da presidência” do “Sétimo Encontro de Representantes dos Líderes”, menciona o Acordo de Copenhague várias vezes como um roteiro para avanços futuros. Diz, por exemplo, que “os participantes enfatizaram a importância de implementar rapidamente as provisões financeiras de curto prazo do Acordo de Copenhague”. O comunicado também registra a necessidade de transparência e máxima clareza nessa implementação para criar confiança internacional, como precondição de um “resultado equilibrado em Cancún”. Vários participantes defenderam, segundo a nota, a necessidade de focar nos esforços de adaptação dos países menos desenvolvidos e mais vulneráveis à mudança climática. Ela também informa que os países membros “fizeram um balanço atualizado de suas ações para cumprir seus compromissos com o financiamento de curto prazo sob o Acordo.”</p>
<p>O Fórum também discutiu o conflitivo tema do “monitoramento, reportagem e verificação” das metas de redução de emissões (MRV), ou transparência dos compromissos de mitigação. De acordo com o sumário da presidência, “ foi sugerido que, pelo Acordo de Copenhague, há essencialmente três áreas do MRV a serem analisadas”. São elas: os esforços de mitigação dos países que estão no Anexo I do Protocolo de Kyoto; o apoio financeiro e tecnológico aos esforços de mitigação dos países “não Anexo I”; e os esforços de mitigação dos países “não Anexo I”.</p>
<p>“Os participantes consideraram as várias metas e ações listadas no Acordo de Copenhague. Eles discutiram adicionalmente como essas metas e ações devem ser refletidas em um futuro acordo, incluindo se ele deve ou não ter caráter legalmente vinculante, se deverá haver apenas um único instrumento ou dois instrumentos, o prazo das metas/ações de mitigação, a aplicação do princípio das responsabilidades comuns porém diferenciadas, e a capacidades respectiva de cada um dos países, entre outros aspectos.”</p>
<p>O parágrafo acima mostra que o Acordo de Copenhague, embora seja uma orientação política central, deixou várias questões abertas a dúvidas ou contradições. O tema dos dois instrumentos é uma delas. Trata-se de decidir se haverá um instrumento legalmente vinculante adicional ao Protocolo de Kyoto para aqueles países que não o ratificaram, como o EUA, ou que o ratificaram mas não fazem parte de seu Anexo I, como China, Brasil e Índia, e que têm compromissos de mitigação registrados sob o Acordo de Copenhague. Ou, alternativamente, se haverá apenas um tratado legal, vinculante para todos e que suceda o Protocolo de Kyoto.</p>
<p>A contradição entre o apoio político ao Acordo de Copenhague pelos líderes das maiores mações do mundo e a resistência das partes da Convenção do Clima (UNFCCC) a admiti-lo no curso oficial das Negociações sobre o Clima é um desafio central para a nova Secretária do Clima, Christiana Figueres. Se o Acordo de Copenhague não se tornar parte integral da Convenção &#8211; até agora a Convenção apenas “tomou nota” dele -  ele sempre servirá como uma via de escape a compromissos adicionais na UNFCCC para os países a ele associados e que registraram compromissos de mitigação em seus anexos. E será pretexto de veto dos países recalcitrantes a qualquer decisão que o envolva que venha a ser tomada pela maioria das partes na COP-16.</p>
<p>O Acordo de Copenhague claramente não é um tratado acabado. Mas ele tem uma vantagem decisiva em relação à UNFCCC. O Acordo tem o compromisso formal dos maiores emissores de carbono do mundo, com metas ou ações quantificadas de redução de emissões. Ele é o primeiro portfólio de ações nacionais jamais formalizado na política global do clima, comprometendo grandes emissores como EUA, China, Índia, e Brasil, entre outros. Ele cobre mais de 80% das emissões totais, muito mais do que o Protocolo de Kyoto. Claramente ele não é suficiente para reduzir as emissões de carbono ao nível de segurança. Mas é um recurso político que não pode e não deve ser desprezado para chegar a esse objetivo.</p>
<p>Embora não seja legalmente vinculante, foi adotado pelas principais potências desenvolvidas e emergentes como uma referência politicamente vinculante. O desafio da Secretária Executiva da UNFCCC, que tomou posse ontem, Christiana Figueres, é encontrar uma forma de usar positivamente esse compromisso político para remover vetos e para assegurar que o que foi fechado em Copenhague não seja reaberto em Cancún. O Acordo de Copenhague é um recurso político que deveria ser usado para ajudar os países a avançar na direção de um novo tratado do clima no futuro próximo.</p>
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		<title>Imazon faz 20 anos e acompanhou as mudanças na Amazônia</title>
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		<pubDate>Tue, 06 Jul 2010 19:20:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Amazônia]]></category>
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		<description><![CDATA[Vejam a entrevista que fiz com Adalberto Veríssimo, pesquisador sênior e fundador do Imazon. Nela, ele conta a história da instituição que o Banco Mundial chamou de &#8220;think-action tank&#8221; e os avanços que ocorreram na Amazônia nesses 20 anos. Fala também do perigo de retrocesso se as mudanças aprovadas na Comissão Especial do Código Florestal [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Vejam a entrevista que fiz com Adalberto Veríssimo, pesquisador sênior e fundador do Imazon. Nela, ele conta a história da instituição que o Banco Mundial chamou de &#8220;think-action tank&#8221; e os avanços que ocorreram na Amazônia nesses 20 anos. Fala também do perigo de retrocesso se as mudanças aprovadas na Comissão Especial do Código Florestal forem aprovadas pelo Congresso Brasileiro.<span id="more-1059"></span></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.ecopolitica.com.br/wp-content/uploads/2010/07/Beto-Verissimo-on-2010-07-06-at-15.19.mov">Beto Verissimo on 2010-07-06 at 15.19</a></p>
<p>Clique para assistir.</p>
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		<title>A Coalizão dos que Querem</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Jun 2010 13:36:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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		<category><![CDATA[animação]]></category>
		<category><![CDATA[Aquecimento global]]></category>
		<category><![CDATA[clima]]></category>
		<category><![CDATA[Copenhague]]></category>

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		<description><![CDATA[É possível usar a webesfera para criar um movimento pela ação contra a mudança climática?
A ‘Coalizão dos que Querem’, em inglês, the ‘Coalition of the Willing’, é um filme de animação que busca mobilizar o público global para a ação contra a mudança climática no “mundo pós-Copenhague”. Ele foi realizado por uma rede de 24 [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É possível usar a webesfera para criar um movimento pela ação contra a mudança climática?<span id="more-1052"></span></p>
<p>A ‘Coalizão dos que Querem’, em inglês, the ‘Coalition of the Willing’, é um filme de animação que busca mobilizar o público global para a ação contra a mudança climática no “mundo pós-Copenhague”. Ele foi realizado por uma rede de 24 artistas de várias partes do mundo. Escrito por Tim Rayner, ele foi dirigido e produzido por Knife Party. Além disso é, também um <a href="http://coalitionofthewilling.org.uk/">evento-na-web</a>. É otimista. Mostra como usar novas tecnologias da Internet para dar poder a ativistas, especialistas e cidadãos para a ação cooperativa sobre mudança climática. É um <a href="http://vimeo.com/12772935">filme</a> sobre ativismo online que se baseia no “efeito enxame” e nas possibilidades de revoluções sociais.</p>
<p>Veja aqui:<br />
<object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="400" height="225" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowfullscreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=12772935&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=1&amp;show_byline=1&amp;show_portrait=0&amp;color=&amp;fullscreen=1" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="400" height="225" src="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=12772935&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=1&amp;show_byline=1&amp;show_portrait=0&amp;color=&amp;fullscreen=1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p><a href="http://vimeo.com/12772935">Coalition Of The Willing</a> from <a href="http://vimeo.com/coalitionfilm">coalitionfilm</a> on <a href="http://vimeo.com">Vimeo</a>.</p>
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		<title>Enchente não mata</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Jun 2010 13:08:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[clima]]></category>
		<category><![CDATA[enchentes]]></category>
		<category><![CDATA[governo]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>

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		<description><![CDATA[Sérgio Abranches
Enchente não mata. Não existem rios assassinos. O que mata é a imprevidência, a irresponsabilidade, a omissão. Tragédia é sempre humana, decorre da ação humana, nunca é natural.
O número de pessoas atingidas por enchentes e alagamentos no país praticamente triplicou nos últimos três anos. Entre 2007 e 2009, os municípios afetados aumentaram de 176 [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sérgio Abranches</p>
<p>Enchente não mata. Não existem rios assassinos. O que mata é a imprevidência, a irresponsabilidade, a omissão. Tragédia é sempre humana, decorre da ação humana, nunca é natural.<span id="more-1046"></span></p>
<p>O número de pessoas atingidas por enchentes e alagamentos no país praticamente triplicou nos últimos três anos. Entre 2007 e 2009, os municípios afetados aumentaram de 176 para 620. O número de vítimas cresceu de 1.309.914 para 3.035.215. E vai aumentar, já que os atingidos pelas enchentes de 2010 — Rio (Angra e Niterói), Alagoas e Pernambuco — ainda não foram contabilizados nas estatísticas. É o que nos diz <a href="http://oglobo.globo.com/cidades/mat/2010/06/27/numero-de-atingidos-por-chuvas-triplica-em-3-anos-916990675.asp">reportagem</a> de Geralda Doca e Henrique Gomes Batista publicada para o Globo do dia 26 de junho, anteontem.</p>
<p>Os dados são da Secretaria Nacional de Defesa Civil e foram obtidos no Portal do Planejamento. Mas o Portal foi <a href="http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100619/not_imp568902,0.php">tirado do ar</a> há uma semana, porque continha informações reveladoras e críticas a programas de governo.</p>
<p>No caso do relatório da Defesa Civil, a secretária disse aos repórteres de O Globo que o  relatório estava sendo mal interpretado e, por isso, foi retirado do ar.</p>
<p>Não há como interpretar mal informações como essa de que o número de vítimas de enchentes triplicou. Que o gasto com reparações e perdas é maior que o investimento em preparação, equipamento, prevenção e correção dos erros gritantes de ocupação do solo. Não como deixar de ver que tudo isso é falha institucional e governamental grave. Nesse caso das enchentes, não há dúvida de que a Secretaria e as defesas civis estaduais e municipais não agiram preventivamente, nem estavam preparadas para atender a uma emergência das proporções que as enchentes atingiram. A Defesa Civl é despreparada, insuficiente, não tem equipamentos adequados, não atua nem na prevenção, nem no alerta. Emergências dessa magnitude estão, como os próprios dados indicam, aumentando sua frequência. Os eventos climáticos mais intensos e mesmo extremos vão aumentar. Isso já está dado. É a mudança climática em curso.</p>
<p>Mas no Brasil a administração pública prefere quase sempre o pior dos caminhos: subtrair informações, censurar, eliminar a transparência, em lugar de reconhecer os erros, discutir os fracassos e investir para corrigir as atitudes erradas. O Portal do Planejamento era um raro exemplo de transparência, de informação que permitia discussão mais aberta das falhas e dos acertos governamentais. O melhor caminho para corrigir o errado e incentivar o certo. Foi aplaudido e fortalecido? Não foi censurado.</p>
<p>Eu passei por uma cidade do interior de Minas, semana passada, que sofreu uma enchente brutal anos atrás. A cidade sempre conviveu com o transbordamento do rio, a violência das águas e grandes enchentes. Caminhei à pé por uma ponte na qual morreram muitas pessoas, inclusive crianças. Uma tragédia que a cidade não esquece e da qual ainda tem as marcas. No caminho do curso natural do rio vi um prédio. Se ele não cair na próxima enchente, servirá de barragem para as águas, vai aumentar a área afetada e, provavelmente, o número de vítimas.</p>
<p>A reportagem do Globo conta que, quando voltou a chover forte, em São José da Laje (AL), era início da tarde, carros de som pediam que a população saísse das casas às margens do rio. A Prefeitura e moradores decidiram evacuar as casas em áreas mais baixas, por precaução e pelo trauma causado pelo que viveram no passado. Em 1969, lá houve a pior enchente da história. Foram 2.713 mortos para uma população de 10 mil pessoas. Agora, não houve mortos, em parte por causa da ação preventiva. Ajudou muito, também, que a enchente tenha sido de dia.</p>
<p>O que mata não são as águas transbordadas dos rios. O que mata é a ocupação irregular de suas margens e até do seu leito. O assoreamento, que reduz a calha natural, o lixo, a falta de drenagem, a falta de prevenção. O que mata é o despreparo, a pobreza, a ocupação irregular das margens e das encostas, a falta de planejamento urbano, a omissão das autoridades públicas. Enfim, a tragédia nasce das más políticas de governo, em todas as esferas, municipal, estadual e federal. As águas passam e rolam. As ações humanas e políticas, é que matam.</p>
<p>Ouça também meu comentário na rádio CBN:<br />
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		<title>Serra: ou muda ou perde</title>
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		<pubDate>Thu, 24 Jun 2010 21:00:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[Sérgio Abranches
Acendeu a luz vermelha na campanha de José Serra. Ou o candidato muda de atitude e revê sua estratégia de campanha e comunicação, ou perde.
A pesquisa do Ibope traz a primeira indicação de que a estratégia de comunicação do candidato do PSDB, José Serra, está dando resultados negativos. Esse resultado ainda precisa ser confirmado [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sérgio Abranches</p>
<p>Acendeu a luz vermelha na campanha de José Serra. Ou o candidato muda de atitude e revê sua estratégia de campanha e comunicação, ou perde.<span id="more-1027"></span></p>
<p>A pesquisa do Ibope traz a primeira indicação de que a estratégia de comunicação do candidato do PSDB, José Serra, está dando resultados negativos. Esse resultado ainda precisa ser confirmado por pesquisas cujo campo se dê nos próximos dias, para ver se houve algum efeito positivo retardado, com defasagem, entre a aparição do candidato nos programas partidários e seu reflexo na opinião pública.</p>
<p>Enquanto Serra buscava o máximo de exposição pela via dos programas partidários, o governo escondeu Dilma Roussef e pôs propaganda institucional nos horários nobres e, estrategicamente, nos intervalos de entrevistas dos outros candidatos. Propaganda que, depois, será refletida nas peças publicitárias de Dilma Roussef, quando começar a campanha na TV.</p>
<p>Como mostra o gráfico abaixo, com as médias do IBOPE e DATAFOLHA, Serra caiu e Dilma subiu, exatamente nesse período de maior exposição do candidato tucano. A única explicação é que a mensagem do candidato da oposição <a href="http://blogs.estadao.com.br/vox-publica/">não está convencendo</a>. E não convence por causa da falta de visão estratégica, do conteúdo e do estilo.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.ecopolitica.com.br/wp-content/uploads/2010/06/Gráfico-24.06.2010.jpg"><img class="size-medium wp-image-1029  aligncenter" title="Gráfico 24.06.2010" src="http://www.ecopolitica.com.br/wp-content/uploads/2010/06/Gráfico-24.06.2010-300x211.jpg" alt="Clique no gráfico para ampliar" width="300" height="211" /></a></p>
<p style="text-align: center;">Clique no gráfico para ampliar</p>
<p>Dou dois exemplos. O primeiro tem a ver com a viagem de Dilma Roussef à Europa. Um fracasso político. Mas permitiu que ela aparecesse sozinha no Jornal Nacional pelo menos dois dias. Serra não gerou notícia importante para garantir sua presença no JN. É claro que o JN podia ter procurado Serra e Marina para gerar matéria e fazer uma cobertura mais equilibrada. Mas a responsabilidade pela geração de fatos suficientemente relevantes é da campanha, do candidato. Serra está muito mal assessorado na área de comunicação. Poderia, por exemplo, ter trabalhado para anunciar o nome do vice em sua chapa nesse período. Teria roubado a cena.</p>
<p>O segundo exemplo é o programa Roda Viva com Serra. Um desastre de comunicação. Ele não conseguiu produzir boas mensagens. Ao contrário, criou um ambiente de tensão. Esgrimiu o tempo todo com os jornalistas. Começava a responder antes de terminadas as perguntas, mostrando impaciência e irritação. Ora desprezava a importância das perguntas, ora dava instruções de pauta aos jornalistas. Interrompia explicações no meio, dando por sabido o que estava falando e mudava de assunto. Respostas longas, agressivas e pouco esclarecedoras.</p>
<p>Acusar o entrevistador de estar vocalizando propaganda petista, que ele chama “trolóló petista” é um erro elementar. O candidato pode até contar para o eleitor que aquilo é coisa que os petistas dizem para desacreditá-lo ou desmerece-lo, mas tem que, em seguida, complementar com uma mensagem propositiva, ou informativa, de carga positiva. Ficar na carga negativa contamina de negatividade todo o discurso.</p>
<p>Virou um debate tenso entre o candidato e os jornalistas, não uma conversa, um diálogo entre o candidato e o eleitor/telespectador. O candidato não pode se preocupar com o entrevistador, não é para ele que deve responder. Deve responder para o eleitor. O diálogo é com o eleitor e é por meio desse diálogo que se forma a opinião pública sobre o candidato.</p>
<p>O resultado líquido é o mal desempenho junto à opinião pública. Serra não está conseguindo se construir como candidato. Está, hoje, tão sem cara para a opinião pública, como esteve na campanha de 2002, quando perdeu para Lula. O desempenho nas pesquisas é apenas um indicador da visão da opinião pública sobre o candidato. Serra não dialoga com a opinião pública, bate boca, o tempo todo, com o governo, com Dilma, com jornalistas. Não conta ao eleitor quem é, o que pretende, o que já demonstrou ser capaz de fazer.</p>
<p>Dilma Roussef não é muito diferente. Suas entrevistas na Europa foram trôpegas. De uma pessoa que não sabia por que estava ali. Eram viagens sem propósito e sem relevância, mesmo, campanha vazia. Mas, aparentemente, sua associação com o governo, que tem uma campanha de propaganda de boa qualidade, construída sobre o conforto econômico das pessoas, parece estar funcionando melhor.</p>
<p>Dilma é uma candidata sem cara também. É uma figurante por trás do carisma de Lula e da propaganda do governo. Pode ser que, em algum momento da campanha, o eleitor queira ver a cara da candidata, saber quem e como de fato ela é. Se isso acontecer, teria que mudar radicalmente sua estratégia de campanha. O lado forte de Dilma, a propaganda do governo e a campanha de Lula pode ser, também, seu lado fraco. Confiando demais nele, se tiver que mudar, pode entrar num ciclo de improvisações que causem problemas com a opinião pública. Dilma também não dialoga com o eleitor.</p>
<p>A única que dialoga com o eleitor, de forma serena, que conta estórias e transmite uma mensagem clara e pessoal é Marina Silva. Não aparece na opinião pública, porque sua exposição é muito menor. Mas pode estar construindo uma base de apoio pulverizada que, para ser captada pela pesquisa, precisaria ganhar escala, amplitude. É um tipo de situação que, se a candidata estiver de fato construindo numerosos “micro-nichos” de apoio podem surpreender. Se não ganharem escala, levam a uma votação que pode, no máximo, forçar um segundo turno. Se ganharem escala, seu comportamento é tipo “tipping point”, aparecem de repente nas estatísticas. Significaria um salto surpreendente nas pesquisas. Se for um salto considerável, forçaria os outros candidatos a passarem a levar sua candidatura em consideração em suas respectivas estratégias. Isso daria maior visibilidade à candidatura.</p>
<p>O retrato de hoje, porém, é outro. Serra não está convencendo. A estratégia de esconder Dilma Roussef da opinião pública usando a propaganda do governo e a popularidade de Lula como biombo está dando certo. Os acertos da candidata Marina Silva ainda não tiveram efeito estatístico. Mas é bom lembrar que a campanha ainda nem começou para valer.</p>
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		<title>Crianças, aves da Mata Atlântica, preservação</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Jun 2010 17:23:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[Um dia de conversa séria e simples com crianças carentes sobre a Mata Atlântica, suas aves e os perigos que correm.
Foi simples. Eles entenderam tudo.  Os mais velhos conheciam mais da metade das espécies. Os mais novos, identificavam menos, mas sabiam muita coisa. Todos sabiam muita coisa. Eram crianças de 4 a 7 anos, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um dia de conversa séria e simples com crianças carentes sobre a Mata Atlântica, suas aves e os perigos que correm.<span id="more-1004"></span></p>
<p>Foi simples. Eles entenderam tudo.  Os mais velhos conheciam mais da metade das espécies. Os mais novos, identificavam menos, mas sabiam muita coisa. Todos sabiam muita coisa. Eram crianças de 4 a 7 anos, no primeiro grupo, e de 8 a 10 anos, no segundo. Todos filhos de famílias de baixa renda. Alunos da escola do bairro das Perobas, um distrito de Santos Dumont, em Minas Gerais.</p>
<p>Nós levamos dois biólogos, os ornitólogos, <a href="http://www.avesgerais.com.br/">Luciene Faria e Lucas Carrara</a>, para contar a eles sobre as espécies de aves que avistaram na primeira etapa do trabalho de campo na RPPN do Brejo Novo para fazer o inventário de sua avifauna. Faz parte do projeto compartilhar as informações com as crianças da vizinhança. Porque faz parte da vida delas e elas ouvem muitas estórias sobre a <a href="http://www.ecopolitica.com.br/2010/01/04/na-mata-atlantica-um-micro-universo/">micro-reserva</a>. Uma menina me informou que lá tem até onça. Um outro me disse que, antes, as pessoas entravam lá para pegar passarinhos. Eram pequenas estórias indicando que a reserva já fazia parte do imaginário delas. Coisa de gente bacana da cidade que não entendiam muito bem. Por isso, também, era importante mostrar outras estórias, mais precisas, com mais informação.</p>
<p>Por isso foi simples. Uma conversa sobre aves, pássaros, Mata Atlântica, biodiversidade, preservação.</p>
<p>Eles sabiam que desmatar é ruim e que não se deve queimar a mata. Sabiam que não se pode jogar lixo no Rio. Em uma região onde água mineral aflora das pedras, mas o rio que corre embaixo da janela da escola é poluído, quando se fala em evitar desperdício, imediatamente gritam: “de água”.</p>
<p>Seria mais simples, se os pais não fizessem tudo isso, como vários contaram, com a sinceridade das crianças.</p>
<p>Luciene e Lucas mostraram as fotos e o canto de umas quinze das 119 espécies inventariadas na primeira etapa do inventário. Das mais comuns, das que dependem do fragmento de Mata Atlântica que preservamos para sobreviver, espécies florestais, mais difíceis de ver, das que estão ameaçadas, como a Maracanã.</p>
<p>Eles identificaram várias delas e não só as mais comuns. Todos conheciam, por exemplo, o trinca-ferro. Uma espécie que já foi abundante e, infelizmente, já não ocorre na reserva. Mas quase todos dizem que o pai tem um na gaiola. Em pelo menos um caso, é certo que o pai da menina tem, mesmo, um indivíduo em cativeiro. Faz parte da cultura do lugar, ter trinca-ferros na gaiola. Como faz também <a href="http://www.ecopolitica.com.br/2010/06/17/deliquencia-pirotecnica/">queimar a mata</a>.</p>
<p>São crianças da roça. Os pais trabalham em fazendas da região, prestam serviços ou são pequenos sitiantes. Ficaram encantadas em saber que aquilo que elas conhecem, que a partezinha do planeta em que moram tem valor. Quando viram a foto do planeta projetada na tela logo gritaram: “a Terra!”</p>
<p>São bem informadas, dadas as condições em que vivem e estudam. Umas são mais arredias que bicho do mato. Outras mais tagarelas que as maritacas. Formam uma rica amostra da biodiversidade brasileira. Todas pobres, todas lindas, todas insaciáveis de saber. Sabem bem mais que seus pais, pelo menos sobre os riscos que corre o planeta e os cuidados que se precisa ter com ele.</p>
<p>Compunham um retrato completo. Um fragmento de Brasil, de esperança e urgência, de riqueza e carência, de perigo por toda parte.</p>
<p>A riqueza da primeira amostra da avifauna da RPPN do Brejo Novo mostrou que a decisão de preservar estava certa. Principalmente por causa de algumas espécies endêmicas que atestam a qualidade da mata. Mas ela é pequena demais para manter e reproduzir tanta diversidade.</p>
<p>Aquelas 80 crianças não são muito diferentes das espécies daquele fragmento de mata. Estão tão ameaçadas quanto o Jacú ou o Maracanã. São lindas como um Tangará dançarino, uma Saíra-douradinha ou um Papa-taoca. Tão frágeis quanto, precisando criticamente da expansão da qualidade de seu território existencial. No caso delas, educação de qualidade, para dar conteúdo àqueles olhares brilhantes de inteligência. As aves precisam de corredores, de mais mata. As crianças, de recursos e oportunidade para poderem voar à altura de suas capacidades. Mata mais densa e madura, para fazerem seu ninhos e terem alimento. Um contexto social e familiar mais denso, para sustentar aqueles sorrisos francos, que muitas vezes se transformam em olhar triste, “pidão”. São todos carentes, belos e simples.</p>
<p>O resultado da primeira etapa do inventário, identificou entre 60% e 70% das espécies existentes e foi muito animador. Mas nada se compara à experiência de levar essa informação àquela escolinha mínima, com o telhado condenado e àquelas crianças. Ouvir um bem treinado “sejam bem vindos à nossa escola.” Obter uma unânime e espontânea reação, ver a inibição se dissipar na alegria de ver sua experiência de vida valorizada. E ao sair, já não ouvimos frases declamadas, mas animados relatos de experiências, fantasias criativas, de crianças com a mente ágil. Falação excitada, até o ônibus escolar chegar.</p>
<p>Simples e importante como deve ser a vida.</p>
<p>Veja também o áudio slide show:</p>
<p><object id="soundslider" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="540" height="470" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowScriptAccess" value="always" /><param name="quality" value="high" /><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="menu" value="false" /><param name="bgcolor" value="#FFFFFF" /><param name="src" value="http://ecopolitica.com.br/Soundslides/Aves_do_BN/publish_to_web/soundslider.swf?size=1&amp;format=xml&amp;embed_width=540&amp;embed_height=470" /><embed id="soundslider" type="application/x-shockwave-flash" width="540" height="470" src="http://ecopolitica.com.br/Soundslides/Aves_do_BN/publish_to_web/soundslider.swf?size=1&amp;format=xml&amp;embed_width=540&amp;embed_height=470" bgcolor="#FFFFFF" menu="false" allowfullscreen="true" quality="high" allowscriptaccess="always"></embed></object></p>
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