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	<title>Ecopolitica &#187; Trilhas</title>
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	<description>Política Mudança Climática Século XXI</description>
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		<title>IEA: Investimento em energias limpas cresceu em 2009</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Jul 2010 18:53:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Sérgio Abranches
A pesquisa em energias limpas recebeu um impulso significativo dos pacotes de estímulos para combater a crise financeira.

Os investimentos cresceram bastante em 2008 e 2009. Mas podem não se sustentar em 2010. O estímulo associado a políticas anticíclicas é temporário. Tende a não se renovar. E há, ainda, muita defasagem entre os investimentos em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sérgio Abranches</p>
<p>A pesquisa em energias limpas recebeu um impulso significativo dos pacotes de estímulos para combater a crise financeira.</p>
<p><span id="more-1071"></span></p>
<p>Os investimentos cresceram bastante em 2008 e 2009. Mas podem não se sustentar em 2010. O estímulo associado a políticas anticíclicas é temporário. Tende a não se renovar. E há, ainda, muita defasagem entre os investimentos em P&amp;D e o volume necessário para promover as mudanças imprescindíveis no padrão energético global. Trata-se de promover  uma real revolução na geração e no uso de energia.</p>
<p>É o que diz o relatório da Agência Internacional de Energia (IEA), Global Gaps in Clean Energy R&amp;D: Update and Recommendations for International Collaboration, <a href="http://iea.org/papers/2010/global_gaps.pdf">aqui</a>. O relatório vê</p>
<blockquote><p>“sinais muito reais de que algumas das mudanças necessárias estão começando a ocorrer, em parte por causa da implementação do financiamento para tecnologias de energia limpa dos pacotes de estímulo “verde”. Contudo, isso é só o começo: sustentar e acelerar a transição [para uma matriz energética global de baixo carbono] vai requerer intervenção inédita dos governos no desenvolvimento de políticas que operem com os mercados de energia e de consumo e exerçam influência sobre eles. Também demandará expansão significativa na pesquisa, desenvolvimento e demonstração (PD&amp;D) em todas as TEBCs (tecnologias de energias de baixo carbono).”</p></blockquote>
<p>O crescimento do investimento público em P&amp;D foi substancial nos últimos anos.</p>
<blockquote><p>“O gasto governamental em PD&amp;D em energia limpa continuou a aumentar. Como resultado dos pacotes de estímulo “verde” durante os dois últimos anos, em 2009 houve um significativo aumento das despesas dos países membros da IEA para PD&amp;D em energia limpa. Com os estímulos, a despesa anual dos países membros da IEA tem sido em torno de US$ 23 bilhões; US$ 16 bilhões sem contar o gasto dos pacotes de estímulo. Esse aumento relacionado ao estímulo quase dobra o gasto dos países membros da IEA em relação aos níveis de 2008 e excede o período de pico anterior, no início dos anos 1980. Contudo (&#8230;) não se espera que esse aumento se sustente em 2010.”</p></blockquote>
<p>Segundo o relatório, no período 2008-2009 várias grandes economias anunciaram medidas de estímulo voltadas para melhorar suas condições econômicas: muitos desses planos incluíram investimento em pesquisa, desenvolvimento, demonstração e uso de tecnologias de energia de baixo carbono. Ao final de 2009, as maiores economias haviam</p>
<blockquote><p>“alocado mais de US$ 520 bilhões para tecnologias de energia limpa, incluindo reformas em prédios para obter eficiência no uso de energia, ferrovias de alta velocidade, redes inteligentes (smart grids) e energia renovável.”</p></blockquote>
<p>O maior volume de investimento em PD&amp;D no pacote de estímulo foi no EUA, de US$ 12 bilhões, seguido pela União Européia, com US$ 6 bilhões. Coréia e China também fizeram investimentos importantes, embora os pacotes não discriminassem as atividades de PD&amp;D financiadas.</p>
<p>Não será esforço pequeno ou descontínuo que conseguirá o efeito necessário para que possamos transitar para uma economia de baixo carbono, em algumas décadas.</p>
<blockquote><p>“Para atingirmos as metas de segurança energética, mudança climática e acesso [à energia limpa] será preciso nada mais nada menos que uma revolução energética. Isso implica várias necessidades: melhoras significativas em todo o conjunto de tecnologias de energia de baixo carbono (TEBCs), incluindo eficiência energética em prédios, indústria e transportes; a quase total descarbonização do setor de eletricidade, por meio da rápida aceleração no uso de energia renovável; de combustão de carvão mais limpa e mais eficiente e sequestro e estocagem de carbono; e a introdução de uma nova geração de veículos avançados.”</p></blockquote>
<p>Esse gasto associado aos estímulos para a economia tiveram um impacto mensurável no incentivo aos investimentos de mercado em tecnologias de energia de baixo carbono.</p>
<blockquote><p>“No setor de energia renovável por exemplo o Conselho Global de Energia Eólica estima que as instalações de turbinas alcançaram mais de 37 GW em 2009, 38% mais que em 2008. A China foi a principal força desse movimento, representando 35% das novas instalações, fazendo do país a maior região em instalações de energia eólica pela primeira vez. O EUA também instalou 10 GW de energia eólica nova em 2009. Outras tecnologias renováveis também tiveram modesto crescimento, comparado ao declínio esperado do investimento por causa da crise financeira. No EUA, o gasto de estímulo do Departamento de Energia foi acompanhado praticamente em 1:1 pelo investimento privado.”</p></blockquote>
<p>O Brasil se destaca pela concentração integral dos esforços de PD&amp;D em bio-energia, desprezando os setores de eólica, solar e veículos avançados nos quais a China, por exemplo, está investindo muito.</p>
<p>O relatório identifica e quantifica as defasagens no investimento em PD&amp;D para que se realize a meta de máxima descarbonização possível da matriz energética global. Recomenda uma série de políticas e ações estratégicas para eliminar essas defasagens.</p>
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		<title>iPhone e iPad como recursos para a sustentabilidade</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Apr 2010 19:09:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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		<category><![CDATA[conectividade]]></category>
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		<description><![CDATA[Sérgio Abranches
Conectividade como um fator de mudança e instrumento para promover a sustentabilidade.Passei os últimos dois dias em um seminário sobre inovações em logística: Future.log, Fórum Internacional de Inovações em Logística. Fiz o keynote da primeira sessão sobre “Sustentabilidade no Supply Chain”. A segunda sessão foi sobre “Supply Chain Sincronizado com a Demanda”. Meu keynote [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sérgio Abranches</p>
<p>Conectividade como um fator de mudança e instrumento para promover a sustentabilidade.<span id="more-913"></span>Passei os últimos dois dias em um seminário sobre inovações em logística: Future.log, Fórum Internacional de Inovações em Logística. Fiz o keynote da primeira sessão sobre “Sustentabilidade no Supply Chain”. A segunda sessão foi sobre “Supply Chain Sincronizado com a Demanda”. Meu keynote foi sobre megatendências do século 21 e a sustentabilidade como um imperativo para os negócios, sociedades e governos. Mas eu quero mesmo é compartilhar algumas das coisas que aprendi na segunda sessão.</p>
<p>Uma das tendências mais interessantes que apareceu nas apresentações sobre gestão da cadeia de suprimentos foi a importância da mobilidade nas compras e na obtenção de dados como principais fatores de mudança na logística contemporânea e na logística do futuro. Fiquei surpreso em ver que o iPhone, mais que qualquer outro aparelho móvel, aparecia em todas as sentenças sobre recursos de mobilidade. David Sanders, VP de Vendas e Mercados Estratégicos &#8211; Américas, da Sterling Commerce AT&amp;T,  disse que o iPhone está se tornando uma fonte principal para obter dados sobre os padrões de demanda por meio das escolhas online dos consumidores. E seu uso começa a se disseminar para obter informação gerencial ao longo da cadeia de suprimentos (supply chain). Steve Steuterman, diretor de pesquisa da AMR Research, também salientou o uso do iPhone como uma tendência crítica que está mudando profundamente a gestão da cadeia de suprimentos. Sanders está ainda mais animado com as possibilidades do iPad: “o tamanho da tela permite apresentar ao mesmo tempo uma quantidade ainda maior de dados online, em tempo real”.</p>
<p>O que me impressionou mais foi o potencial da conectividade por meio do iPhone e do iPad como recurso para promover o consumo sustentável e a sustentabilidade ao longo da cadeia de suprimento. A coleta de dados e a implementação de sistemas de feedback podem ser usados para monitorar a supply chain, melhorar a rastreabilidade de insumos, controlar as emissões de carbono. Os consumidores podem obter dados comparados sobre a intensidade de carbono de produtos equivalentes, saídos de cadeias de suprimento diferentes, e tomar suas decisões baseados no resultado dessa comparação.</p>
<p>Eu argumentei que nós já estamos surfando um tsunami de mudanças que vai levar de roldão a maioria dos paradigmas profissionais, econômicos e empresariais hoje em uso. E vai abrir caminho para novos paradigmas. Essa mudança vai, ao final, ser mais completa e revolucionária do que foi a transformação que levou da Idade Média ao Iluminismo. O Iluminismo foi marcado por uma onda geradora de conhecimento por meio da diferenciação, segmentação e especialização de vários ramos das mesmas poucas árvores originais. A grande transformação que estamos começando a experimentar será marcada pela convergência de várias ciências, tecnologias e mídias. Uma convergência que está tornando as tecnologias de informação e comunicação cada vez mais onipresentes como propiciadoras da própria convergência e das mudanças, e como instrumentos para novos processos e práticas.</p>
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		<title>Diplomacia do Clima: Copenhague vs Kyoto</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Mar 2010 15:58:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Com a adesão formal da China e India ao Acordo de Copenhague, a diplomacia do clima tem dois caminhos e eles não são comparáveis, nem compatíveis.
Sérgio Abranches
O Acordo de Copenhague se tornou, com essas adesões formais, o mais representativo acordo político global sobre o clima desde que a Convenção Quadro sobre Mudança Climática entrou em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Com a adesão formal da China e India ao Acordo de Copenhague, a diplomacia do clima tem dois caminhos e eles não são comparáveis, nem compatíveis.</p>
<p>Sérgio Abranches</p>
<p><span id="more-873"></span>O Acordo de Copenhague se tornou, com essas adesões formais, o mais representativo acordo político global sobre o clima desde que a Convenção Quadro sobre Mudança Climática entrou em vigor, em 21 de março de 1994. Ele agora tem o apoio formal de mais de 100 países, incluindo todos os grandes emissores de carbono do mundo, exceto a Rússia. Representa, hoje, mais de 80% das emissões globais de gases estufa. Mas não tem valor legal. Depende inteiramente de que os signatários cumpram suas promessas de redução de emissões.</p>
<p>A convenção, como o seu próprio nome diz, é um quadro legal, não um tratado operacional. Seu instrumento operacional é o <a href="http://www.ecopolitica.com.br/2009/10/09/porque-devemos-abandonar-o-protocolo-de-kyoto-e-almejar-muito-mais/">Protocolo de Kyoto</a>, assinado em 11 de dezembro de 1997, mas que só entrou em vigor em 16 de fevereiro de 2005. Ele nunca foi ratificado pelo EUA. As maiores economias emergentes, China, India, e Brasil, não têm obrigações legais nele. Só os países do “Anexo I” têm metas obrigatórias de redução de emissões. As metas para o período de 2008-2012 são pífias: ~ 5% das emissões globais de 1990. Embora legalmente vinculante, o Protocolo não tem mecanismo para forçar o cumprimento de suas obrigações. As consequências legais da desobediência dos países do Anexo I não são claras.</p>
<p>O Protocolo de Kyoto tem apoio entre ambientalistas e governos do G77, porque ele é legalmente vinculante. Legalmente vinculante, ele é. Politicamente representativo, ele não é. Suas metas são muito baixas para fazer alguma diferença. Não há acordo ainda sobre o seu segundo período de compromisso.</p>
<p>O Acordo de Copenhague é operacional, mas não é legal. Suas metas voluntárias representam redução até 2020 de perto de 20% das emissões globais de 1990. Estão no mínimo cinco pontos percentuais aquém do que seria necessário para garantir alguma probabilidade de que ficaríamos no limite de 2<sup>o</sup>C. A meta do EUA é pífia, de redução até 2020 de não mais que 5% de suas emissões de 1990.</p>
<p>A história do apoio formal dos maiores países do BASIC (China, India e Brasil) ao Acordo ainda está para ser contada. Eles primeiramente apenas registraram suas metas voluntárias, sem dar apoio formal ao texto do Acordo. A carta do governo brasileiro apresentando as metas era tão ambígua sobre esse apoio, que foi preciso uma segunda carta, deixando claro que o país se associava a ele formalmente. Só anteontem, China e Índia fizeram o mesmo. Essa procrastinação tem a ver com discussões depois de Copenhague, entre os países do BASIC e seus parceiros no G77, que se opõem fortemente aos termos do Acordo. No final prevaleceu o fato de que o BASIC foi um dos protagonistas do fechamento do Acordo em Copenhague. O ministro do Ambiente da Índia, Jairam Ramesh, <a href="http://www.reuters.com/article/idUSTRE62814720100309">explicou</a> ao Parlamento que a decisão de apoiar oficialmente o Acordo foi tomada após “cuidadosa consideração”. Segundo a Reuters, ele disse que: “nós acreditamos que nossa decisão (&#8230;) reflete o papel que a Índia teve na formatação do Acordo de Copenhague”.</p>
<p>O EUA vê no Acordo de Copenhague o único caminho possível para um futuro tratado legal no curto prazo. Todd Stern, o negociador chefe da Casa Branca, já disse em várias ocasiões que seu país jamais ratificará o Protocolo de Kyoto. Ele também disse que o governo Obama gostaria que o Acordo fosse a base das negociações de um novo tratado. Ele insiste que o Acordo de Copenhague deve ser mais formalizado na próxima COP, em Cancún, no México, segundo a Reuters.</p>
<p>Os países do G77, inclusive o BASIC, consideram a continuação do Protocolo de Kyoto condição sine qua non de qualquer outra negociação.</p>
<p>A diplomacia do clima só tem dois caminhos. Um seria trabalhar para substituir o Protocolo de Kyoto por um novo tratado, usando o Acordo de Copenhague como base. Para conseguir isso precisaria persuadir o G77 a abandonar Kyoto. O outro, seria adotar a solução das “duas vias”. Nesse caso, seria preciso negociar o segundo período de compromissos para o Protocolo de Kyoto e a formalização legal do Acordo de Copenhague, na COP16, em Cancún, ou, mais provavelmente, na COP17, na África do Sul.</p>
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		<title>A receita para um grande desastre natural é simples</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Mar 2010 18:08:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Sérgio Abranches
Junte-se a um evento natural extremo, uma população vulnerável e um governo omisso e se garante um número apreciável de mortes que poderiam ser evitadas.
“A falta de cuidado pode ser o pior inimigo. No passado, mesmo que as ondas não fossem tão grandes, houve grandes danos com tsunamis de 2 metros”, disse o primeiro [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sérgio Abranches</p>
<p>Junte-se a um evento natural extremo, uma população vulnerável e um governo omisso e se garante um número apreciável de mortes que poderiam ser evitadas.<span id="more-864"></span></p>
<p>“A falta de cuidado pode ser o pior inimigo. No passado, mesmo que as ondas não fossem tão grandes, houve grandes danos com tsunamis de 2 metros”, disse o primeiro ministro do Japão, Yukio Hatoyama, justificando a evacuação de 245 mil pessoas, por causa do alerta de tsunami após o terremoto no Chile. Quando o alerta foi levantado, apenas um pequeno maremoto, com ondas de 10 cm havia atingido a ilha de Minamitori, a pouco menos de 2 mil quilômetros de Tóquio.</p>
<p>Hatoyama está certo. Não existem catástrofes naturais. As catástrofes são sempre humanas. Sociais. A catástrofe ocorre quando um evento natural extremo de grandes proporções encontra uma população vulnerável, um governo fraco, despreparado ou desprevenido.</p>
<p>Eventos naturais são imprevisíveis, incontroláveis e avassaladores. Não é possível evitá-los. Por isso se insiste tanto em adaptação e prontidão. É preciso adotar medidas preventivas que reduzam o risco de morte e perdas totais de patrimônio público e privado. Isso requer planejamento urbano e do uso da terra, construções adaptadas aos tipos de fenômenos de maior incidência, alertas para evacuação, defesa civil bem aparelhada, bem treinada e sempre de prontidão, entre inúmeras outras. É melhor se desculpar pelo transtorno de uma evacuação causada por zelo e cautela, do que reparar as mortes pela falta de prevenção. No caso do Japão e do Havaí as autoridades se desculparam por terem superestimado o risco de tsunami. Diante das circunstâncias, foi melhor causar desconforto à população, do que expô-la ao risco. Nos dois países, a memória de tsunamis e outros eventos naturais extremos recomenda precaução mesmo.</p>
<p>As populações pobres são vulneráveis em várias dimensões: desamparadas, não dispõem de equipamentos de defesa civil próximos, nem qualquer sistema organizado de proteção e prevenção; suas habitações são precárias e de alto risco; frequentemente estão em altas concentrações de pessoas por metro quadrado. É uma receita trágica, que se manifesta com a introdução de qualquer ingrediente natural forte: chuvas torrenciais, enchentes, deslizamentos, terremotos, vendavais, tornados, furacões e tsunamis provocam, inevitavelmente, grande número de perdas humanas.</p>
<p>Há uma década, uma <a href="http://www.iadb.org/sds/publication/publication_2149_e.htm">análise</a> do Banco Interamericano de Desenvolvimento sobre “desastres naturais” na América Latina, já alertava para o fato de que a maioria dos países prefere seguir uma estratégia de reconstrução e assistência internacional pós-desastre.</p>
<blockquote><p>Ao invés de adotar uma abordagem proativa de gestão de risco focalizada na redução do risco e na prontidão, a região continua a se apoiar em processos caros de reconstrução e assistência internacional pós-desastre. Essa atitude reativa não apenas custa demais em termos de vidas e patrimônio destruído, mas também se mostra largamente insustentável à medida em que a assistência internacional diminui e a exposição a desastres naturais aumenta em toda parte.</p></blockquote>
<p><a href="http://www.wilsoncenter.org/topics/pubs/Report_8_Martine_&amp;_Guzman.pdf">Estudo</a> recentemente publicado pelo Wilson Center mostra que há uma relação direta entre pobreza e exposição a eventos naturais extremos. As populações pobres vivem em condições de vulnerabilidade e risco.</p>
<blockquote><p>Na América Central, a relação entre condições socioeconômicas e o impacto de desastres naturais pode ser geralmente expressa da seguinte maneira: restrições econômicas forçam os pobres a morar em habitações precárias, feitas de materiais frágeis e não-duráveis, nas partes de menor valor da terra. Os pobres constroem suas casas em terrenos nas encostas mais íngremes; em áreas alagáveis; em ecossistemas vulneráveis e cursos d’água; e outras áreas impróprias. Mesmo os programas habitacionais do governo e as políticas de desenvolvimento urbano tendem a desconsiderar restrições ambientais e não têm informação adequada para planejar o uso da terra. Locações impróprias trazem sérios problemas ambientais e sociais, agravados pelo desmatamento e pela gestão inadequada do lixo e dos cursos d’água. Durante os desastres, serviços e infra-estrutura precários complicam ainda mais os esforços de sobrevivência.</p></blockquote>
<p>Nesse estudo, uma análise do impacto do furacão Mitch, em 1998, mostrou que as municipalidades mais afetadas, em Honduras, foram aquelas com maiores índices de pobreza. O mesmo se verificou na Nicarágua e na Guatemala. Em Honduras, as famílias chefiadas por pessoas com o menor nível educacional, tinham risco de serem atingidas pelo furacão Mitch 80 vezes maior que as famílias chefiadas por pessoas com o maior nível de educação.</p>
<p>O Haiti é assim. O Chile, não. O Chile tem sistemas de prontidão e defesa civil experimentados no enfrentamento recorrente de terremotos de extensão considerável. Concepción, a cidade mais duramente atingida pelo terremoto deste final de semana e pelo tsunami resultante, não é novata nesses eventos extremos. Em 1960, na sua costa sul, ocorreu o mais violento terremoto registrado em sismógrafos, com intensidade de 9.5 na escala Richter. Após décadas de crescimento continuado, tendo atingido renda per capita de US$ 14 mil, o Chile atenuou bastante seus problemas de pobreza extrema. A diferença de rendimentos entre os 10% mais ricos e os 10% mais pobres caiu 21% entre 1990 e 2006. O percentual de pessoas em situação de pobreza caiu, nesse período, 64%, e de pessoas em pobreza extrema, 75%.</p>
<p>Os problemas sociais não foram todos superados, mas a vulnerabilidade da população diminuiu muito. Isso certamente terá contribuído para fazer com que o número de mortes, embora alto, seja menor do que em outras situações, no passado, quando o país foi atingido por terremotos de menor intensidade.</p>
<p>Eventos naturais extremos de origem climática aumentarão de frequência nos próximos anos e décadas. Países como o Brasil são muito vulneráveis a eles. Nos grandes centros urbanos e suas periferias há grandes contingentes de população em condições de alto risco. O país gasta bilhões de reais com a reparação de danos e poucos milhões com prevenção. A política habitacional não é planejada considerando critérios de risco de vulnerabilidade. Os estudos de localização são ambientalmente ineptos e os materiais construtivos inadequados. Os critérios de qualificação para os programas habitacionais não são transparentes e não consideram prioritárias as populações sujeitas a risco ambiental e climático. Esta é a receita do desastre.</p>
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		<title>Agenda da COP16 começa a ser definida</title>
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		<pubDate>Fri, 12 Feb 2010 18:00:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Sérgio Abranches
Começam as preparações para a COP16. O Secretário Geral da Convenção do Clima, Yvo de Boer está fazendo consultas aos países sobre quantas reuniões eles acham recomendável fazer, antes da COP em Cancún, para negociar um acordo sobre mudança climática.
A Reuters informa que já há reuniões marcadas, algumas diretamente voltadas para a preparação da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sérgio Abranches<br />
Começam as preparações para a COP16. O Secretário Geral da Convenção do Clima, Yvo de Boer está fazendo consultas aos países sobre quantas reuniões eles acham recomendável fazer, antes da COP em Cancún, para negociar um acordo sobre mudança climática.<span id="more-853"></span></p>
<p>A Reuters informa que já há reuniões marcadas, algumas diretamente voltadas para a preparação da COP16, e outras nas quais ela certamente estará na agenda. A primeira reunião preparatória da Convenção será em Bonn, na Alemanha, entre 31 de maio e 11 de junho. Certamente haverá outras reuniões preparatórias além dessa e é para essa definição que de Boer pediu aos países suas recomendações até o dia 16 de fevereiro. A COP16 será entre 29 de novembro e 10 de dezembro, em Cancún, no México.</p>
<p>Entre as reuniões já previstas e que certamente tratarão da posição específica de grupos de países na negociação do acordo, uma das mais importantes é a dos países do BASIC. Brasil, África do Sul, Índia e China, na sua última reunião em Delhi, em janeiro, quando discutiram se iriam ou não registrar suas ações no anexo do Acordo de Copenhague,  decidiram também manter reuniões trimestrais. A próxima será na África do Sul, em abril. Em Delhi, esses países, ainda segundo a Reuters, pediram que fossem feitas cinco reuniões preparatórias, antes da COP no México e que a primeira fosse já em março.</p>
<p>O G20, que está se tornando a principal força geopolítica multilateral, substituindo o G8 e o chamado G8+5, que inclui os emergentes China, Brasil, índia, África do Sul e México, se reúne pela primeira vez em junho. O G8 é um clube de alguns dos países desenvolvidos &#8211; EUA, Reino Unido, Alemanha, Japão, França, Itália &#8211; mais a Rússia emergente. A União Européia participa como observadora. O G20 inclui, além do G8+5, a União Européia, Austrália, Argentina, Indonésia, Arábia Saudita, Coréia do Sul e Turquia. No ano passado, na Cúpula do G20 em Pittsburgh, mudança climática foi parte na agenda junto a crise financeira. Mas ela não contribuiu para avanço algum. Sua reunião de cúpula, com os chefes de governo, este ano está marcada para Seoul, na Coréia do Sul, nos dias 11 e 12 de novembro. É improvável o destino de Cancún não esteja na agenda dessa reunião, que levará em conta o que tiver acontecido até lá.</p>
<p>Mas o G20 deve se reunir antes disso, no Canadá, juntamente com a cúpula do declinante G8, de 25 a 27 de junho. Também é pouco provável que o Acordo de Copenhague e o deve acontecer em Cancún não estejam na agenda dessas reuniões.</p>
<p>A Reuters informa que a França deverá hospedar um encontro para discutir desmatamento no dia 11 de março, que deverá ter continuidade em maio, na Noruega. A agência de notícias da China, Xinhua, relata que o Secretário Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon criou um <a href="http://news.xinhuanet.com/english2010/world/2010-02/12/c_13173932.htm">grupo assessor</a> de alto nível, co-presidido pelos primeiro ministros do Reino Unido, Gordon Brown, e da Etiópia, Meles Zenawi, para mobilizar os recursos financeiros comprometidos pelo Acordo de Copenhague.</p>
<p>Da perspectiva de hoje, ainda são muitas as dificuldades para que se chegue a um acordo em Cancún que tenha mais substância que o Acordo de Copenhague. Um sinal <a href="http://www.ecopolitica.com.br/2010/01/30/o-acordo-de-copenhague-ganha-vida/">positivo sobre Copenhague</a> é que ele recebeu certo alento, quando todos os grandes países emissores de carbono e vários outros preencheram seus anexos em branco, com suas metas ou ações para redução de emissões. Ganhou ainda um pouco mais de força quando Brasil e Índia esclareceram à UNFCCC que, além de registrarem suas ações, estavam se associando ao Acordo.</p>
<p>O G77, um heterogêneo grupo de 130 países, pressionou os membros do BASIC para que não se associassem ao Acordo. Associar-se equivale a subscrevê-lo. Aparentemente, China, Brasil e Índia, estavam dispostos a ceder à pressão. Tanto que, quando registraram suas ações, não mencionaram explicitamente estar, também, se associando. Um estratagema diplomático, para participar a meias e tentar atender tanto ao fato de que o Acordo teve a participação decisiva do BASIC, quanto à pressão do G77. O fato real é que o G77 implodiu em Copenhague, sendo substituído, para todos os efeitos, pelo BASIC, pelo OASIS, organização que reúne os pequenos estados-ilha e pelo grupo dos Países Africanos. A África do Sul ficou como ponte entre este último e o BASIC. Por pressão dos parceiros com quem o BASIC negociou o Acordo de Copenhague e também em função de pressão interna, Brasil e Índia, posteriormente, esclareceram que estavam associados a ele. Só a China, dos países do BASIC, ainda não afirmou estar associada ao Acordo.</p>
<p>Como se vê, haverá muita confusão no caminho de Cancún.</p>
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		<title>Notas sobre a Conjuntura Política</title>
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		<pubDate>Fri, 29 Jan 2010 16:24:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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A conjuntura política vai se complicando com a proximidade das eleições. Há uma boa chance de que essas eleições não sejam tão triviais como acham alguns. O quadro pode ficar bastante complexo.

Minas maliciosa
O anúncio da candidatura de Itamar Franco ao Senado, pelo PPS de Minas Gerais, está agitando os partidos e os políticos. Provocou [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sérgio Abranches</p>
<p>A conjuntura política vai se complicando com a proximidade das eleições. Há uma boa chance de que essas eleições não sejam tão triviais como acham alguns. O quadro pode ficar bastante complexo.</p>
<p><span id="more-833"></span><strong></strong></p>
<p><strong>Minas maliciosa</strong><br />
O anúncio da candidatura de Itamar Franco ao Senado, pelo PPS de Minas Gerais, está agitando os partidos e os políticos. Provocou uma onda de conversas ao pé do ouvido, rumores e especulações no estado.</p>
<p>Não há como Itamar ter tomado essa decisão sem consultar o governador Aécio Neves (PSDB-MG). Nem o PPS faria o convite sem consultar o governador. Aécio tem garantida uma das duas vagas ao Senado. É imbatível. Mas isso não significa que vá realmente concorrer.</p>
<p>Com Itamar no páreo serão três possíveis candidatos fortes para duas vagas, porque o vice, José Alencar disse que pretende disputar também. Informações da família são de que está bem de saúde o suficiente para enfrentar a campanha. Mas ainda pode haver outros candidatos fortes, dependendo das definições para as vagas à candidatura ao governo do estado. Se o PT escolher Fernando Pimentel (PT-MG), o ministro Patrus Ananias (PT-MG) pode querer tentar uma vaga no Senado. Se Patrus sair para governador, Pimentel pode querer o Senado. Se o PT não se acertar com o PMDB, o ministro Hélio Costa (PMDB-MG), também pode querer a vaga.</p>
<p>Itamar diz que disputará ao lado de Aécio. Fariam uma dobradinha para tentar ficar com as duas vagas entre eles. Tem uma boa chance de dar certo. Mas Aécio pode ainda sair candidato a vice, numa chapa puro sangue com José Serra (PSDB-SP). Tudo ainda pode acontecer até março, abril. Mas o quadro geral está ficando cada vez mais complexo.</p>
<p><strong>Partidos divididos</strong><br />
Esta poderá ser uma eleição de partidos divididos. O PMDB se dividirá irremediavelmente e a divisão será ainda maior se o PT bloquear Michel Temer (PMDB-SP) para vice de Dilma Roussef (PT-RS). O apoio oficial do PMDB à candidatura governista ainda não está garantido.</p>
<p>O PT, pela primeira vez, terá defecções: uma parte dele votará em Marina Silva (PV-AC) no primeiro turno. Também há muita fricção interna por causa da intervenção do presidente Lula na disputa paulista. Lula quer porque quer Ciro Gomes (PPS-SP/CE) candidato ao Palácio Bandeirantes. Mas ele não tem base, nem prestígio eleitoral em São Paulo. Ninguém no PT paulista realmente deseja Ciro como candidato. Todos querem candidatura própria.</p>
<p>Marta Suplicy (PT-SP) tem o maior número de apoios e a melhor posição competitiva, embora Geraldo Alckmin (PSDB-SP) seja o favorito. O problema é que o PSDB anda tão atrapalhado e dividido, que pode escolher outro nome, abrindo caminho para uma vitória petista. Lula disse que se não for Ciro, quer Aloízio Mercadante (PT-SP). Mercadante tem menos apoio e menos competitividade que Marta, mas não é um candidato fraco, sobretudo se Alckmin for preterido. Antonio Palocci também tem sido falado. É o mais fraco dos três eleitoralmente.</p>
<p>O PDT vai se dividir. Uma parte apoiará Dilma, outra não. Apesar do apoio oferecido ontem pelo ministro Carlos Luppi (PDT-RJ) presidente licenciado do partido.</p>
<p>Dependendo de como Lula conduza essa questão da candidatura de Ciro Gomes e do comportamento do PT paulista, o PSB pode também se dividir.</p>
<p><strong>Lula transformou Ciro em problema</strong><br />
O presidente Lula pode ser bom de voto e gênio de comunicação e mobilização de massas. Mas isso não faz dele, necessariamente, bom estrategista eleitoral. Duas de suas insistências não levam necessariamente a boa estratégia.</p>
<p>Primeiro, a idéia da polarização. Pode funcionar a favor ou contra. Não se força um voto plebiscitário. É o eleitor que define a natureza do voto. Quando cair a ficha de que Lula está saindo do governo, o cálculo do eleitor vai mudar em direção que ainda não é totalmente previsível. Incorrer em custos políticos muito altos para forçar a polarização e tentar gerar uma campanha plebiscitária pode ser má estratégia eleitoral e ainda prejudicar fortemente a governabilidade futura, no caso de muita polarização e vitória do governismo.</p>
<p>Segundo, a insistência em tirar Ciro Gomes da disputa presidencial e forçá-lo a concorrer ao governo de São Paulo. Dois problemas aqui. Quando se olha as pesquisas por dentro, apesar de toda a inimizade, o que os dados mostram é que Ciro tem mais interseção no eleitorado de Serra do que no de Dilma. Lula acha que Ciro tira votos do governismo, mas ele tira votos mesmo é de Serra. Fica difícil entender a lógica do veto à candidatura de Ciro. E se houver algum contratempo com a candidatura de Dilma? O governismo ficará sem alternativa? Se ela não crescer o suficiente, se a polarização não ocorrer, sem Ciro, a oposição poderia ganhar no primeiro turno. Aliás foi argumento parecido que o PSB usou para argumentar com Lula.</p>
<p>O outro problema é com São Paulo. Como disse acima, nenhum petista quer Ciro Gomes candidato. Ciro não é competitivo no estado. É mais fraco que Marta e Mercadante.</p>
<p>O melhor momento para uma candidatura presidencial de Ciro Gomes é este. Melhor do que em suas outras tentativas. Deve ser difícil para ele e para o PSB deixar passar essa oportunidade.</p>
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		<title>Lei de Mudança Climática: Vai começar a batalha pela regulamentação</title>
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		<pubDate>Tue, 26 Jan 2010 16:46:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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Sérgio Abranches
A lei é complexa e envolve muitos setores e numerosas questões. O processo de negociação para regulamentar toda ela provavelmente ultrapassará os limites desse governo. Uma fonte em Brasília me disse que a melhor possibilidade é de uma regulamentação seletiva e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Começa o trabalho de preparação do decreto para regulamentar a Lei de Mudança Climática.</p>
<p>Sérgio Abranches<span id="more-829"></span></p>
<p>A lei é complexa e envolve muitos setores e numerosas questões. O processo de negociação para regulamentar toda ela provavelmente ultrapassará os limites desse governo. Uma fonte em Brasília me disse que a melhor possibilidade é de uma regulamentação seletiva e estratégica. Serão escolhidos alguns itens considerados mais urgentes e relevantes para preparar o decreto de regulamentação. De outra fonte recolhi, também, a informação de que outras questões começarão a ser estudadas de modo a próxima administração já encontre pronta boa parte dos estudos e encaminhamentos.</p>
<p>Em breve os ministros que concorrerão a cargos eletivos terão que deixar o governo e o ideal é que essa regulamentação básica fosse negociada pelos que negociaram a própria lei. O fundo climático também precisa ser regulamentado e esta é outro processo complexo e demorado.</p>
<p>As decisões relativas a leis extensas, que dependem de regulamentação, envolvem várias etapas de negociação. A primeira é aquela que leva à aprovação da lei pelo Congresso. Durante essa etapa, há perdas e ganhos. A lei saiu pior do que o projeto original, nesta etapa, e o projeto já não era muito bom. A segunda etapa, também já vencida, é a da negociação de vetos. Os ambientalistas perderam uma parte importante da lei para os opositores, com os vetos do presidente Lula, particularmente ao artigo 10, que tratava de incentivos a fontes renováveis de energia. Também foi eliminado um objetivo importante para a transição para uma economia de baixo carbono que era o abandono progressivo dos combustíveis fósseis. Todos os países terão que fazer isso. A questão não é abandonar ou não a economia fóssil, mas o prazo em que isso se dará.</p>
<p>Os ambientalistas conseguiram, entretanto, reduzir a apenas 3 os 10 vetos pedidos pelos contrários à lei.</p>
<p>A terceira etapa é a batalha da regulamentação. A mais crítica, porque ela é que define qual será o verdadeiro alcance da lei. Como ela não diz como fazer o que ela determina que seja feito, nem em que prazo, é aí que se dará a batalha decisiva. Daí a cautela de todos. Por isso, também, todos acham que o caminho mais eficaz é o de regulamentar por partes, seletivamente, mesmo ao custo de deixar várias seções da lei sem possibilidade de efetivação por falta de regulamentação.</p>
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		<title>Mudança climática e saúde: associação global</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Dec 2009 23:11:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Os seres humanos são hoje um fator decisivo para o aquecimento global e a mudança climática. Nós humanos somos, também, vítimas de mudanças radicais no ambiente. Essas duas afirmações são verdadeiras e correlatas. Elas marcam as complexas relações entre a humanidade e o ambiente. O tema que mais diretamente reflete essas interações é a saúde.
Sérgio [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Os seres humanos são hoje um fator decisivo para o aquecimento global e a mudança climática. Nós humanos somos, também, vítimas de mudanças radicais no ambiente. Essas duas afirmações são verdadeiras e correlatas. Elas marcam as complexas relações entre a humanidade e o ambiente. O tema que mais diretamente reflete essas interações é a saúde.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Sérgio Abranches<span id="more-545"></span></span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O mundo terá que lidar com um quadro de saúde alterado pela mudança climática, diz um importante <a href="http://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(09)60935-1/fulltext"><span style="text-decoration: underline;">relatório</span></a> sobre os <a href="http://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(09)61994-2/fulltext%23"><span style="text-decoration: underline;">efeitos da mudança climática</span></a> na saúde, divulgado pela revista médica The Lancet e pela University College of London Institute for Global Health Commission. </span></p>
<blockquote>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; color: #222020;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Os efeitos da mudança climática na saúde afetarão a maior parte das populações nas próximas décadas e porão em risco crescente as vidas e o bem-estar de bilhões de pessoas.</span></p>
</blockquote>
<blockquote>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; color: #222020;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A gestão dos efeitos da mudança climática na saúde vai requerer contribuições de todos os setores do governo e da sociedade civil, a colaboração entre várias disciplinas acadêmicas, e novos modos de cooperação internacional que até agora nos têm escapado. O envolvimento de comunidades locais no monitoramento, discussão, advocacia e ajuda no processo de adaptação será crucial. Uma abordagem integrada e multidisciplinar para reduzir os efeitos adversos da mudança climática na saúde demanda pelo menos três níveis distintos de ação. Primeiro, devem ser adotadas políticas que reduzam as emissões de carbono e que aumentem o biosequestro de carbono, dessa forma desacelerando o aquecimento global e, subsequentemente, estabilizando as temperaturas. Segundo, são necessárias ações sobre fatores que ligam mudança climática e doenças. Terceiro sistemas apropriados de saúde pública devem ser implantados para lidar com os resultados adversos inevitáveis da mudança climática.</span></p>
</blockquote>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Muitas situações de alto risco para a sociedade humana também implicam em benefícios significativos a partir dos esforços para administrar e evitar os danos prováveis. Esse é o caso dos riscos à saúde associados à mudança climática. A diretora-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Margaret Chan, diz como e porque em seu <a href="http://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(09)61993-0/fulltext%23"><span style="text-decoration: underline;">artigo</span></a> para a The Lancet comentando os resultados do relatório “Managing the health effects of climate change”. Eventos ambientais como a mudança climática não são caprichos da natureza, diz ela. </span></p>
<blockquote>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Ao contrário, são marcos da falência geral dos sistemas internacionais que governam a forma pela qual as nações e suas populações interagem. O contágio de nossos erros é inclemente e não discrimina com base no que é justo. Por exemplo, a mudança climática atingirá primeiro e mais duramente os países que menos contribuíram para as emissões de gases-estufa. </span></p>
</blockquote>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Os impactos da mudança climática na saúde já não são mais objeto de incerteza científica. Estão identificados e suas projeções nada têm de incertas.</span></p>
<blockquote>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Muitas das consequências da mudança climática para a saúde foram identificadas com um alto grau de certeza. A desnutrição e seus impactos devastadores na saúde infantil aumentarão. Enchentes e secas mais severas causarão mais mortes e ferimentos graves. Ondas de calor causarão mais óbitos, sobretudo entre as pessoas mais idosas. Finalmente, a mudança climática pode mudar a distribuição geográfica dos vetores de doenças, incluindo insetos que espalham a malária e a dengue.</span><span style="vertical-align: 3.0px; letter-spacing: 0.0px;"> </span><span style="letter-spacing: 0.0px;">Todos esses problemas de saúde já ocorrem em larga escala, estão grandemente concentrados nos países em desenvolvimento e são de controle difícil. </span></p>
</blockquote>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Essa correlação entre mudança climática e danos à saúde coletiva pede que se conecte os objetivos de segurança global climática e de saúde pública.</span></p>
<blockquote>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A maior parte das medidas estudadas de mitigação da mudança climática (incluindo fontes domésticas de energia limpa, menor dependência em transporte automotivo, e consumo reduzido de produtos animais em países desenvolvidos) traria benefícios à saúde pública. Em muitos casos, esses benefícios seriam substanciais e ajudariam a enfrentar os maiores desafios globais e de mais rápido crescimento no campo da saúde, que são os maiores sorvedouros de recursos do orçamento público, como infecções respiratórias agudas, doenças cardiovasculares, obesidade, câncer e diabetes. A despeito de os efeitos climáticos da mitigação serem de longo prazo e dispersos por todo o globo, os benefícios à saúde são imediatos e locais, tornando-os mais atraentes para a opinião pública e os políticos. </span></p>
</blockquote>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><strong>Beneficios da mitigação</strong></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Quando um acordo político em torno de uma política global para o clima parece mais provável agora que a algumas semanas atrás, deveríamos mesmo começar a olhar para as vantagens de adotar medidas imediatas e o que fazer para que sejam efetivamente implementadas.</span></p>
<blockquote>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A questão não é se a mudança climática está acontecendo, mas como podemos responder a ela mais efetivamente. Os primeiros passos são claros. Fortalecer, no curto prazo, os sistemas de saúde e aumentar a cobertura  de intervenções comprovadas e de baixo custo de controle de doenças sensíveis ao clima. Isso aceleraria o progresso na realização das Metas do Milênio e salvaria milhões de vidas. No longo prazo, essas mesmas ações também reduziriam a vulnerabilidade à mudança climática. Responder à mudança climática não é uma distração da responsabilidade de proteger a saúde: é parte da mesma agenda.</span></p>
</blockquote>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A The Lancet também publicou uma série de artigos sobre a relação entre mudança climática e saúde humana.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Um grupo de especialistas em saúde e em energia da academia e do governo, liderado por Paul Wilkinson da London School of Hygiene and Tropical Medicine desenvolveu um interessante <a href="http://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(09)61713-X/fulltext?_eventId=login%23aff2"><span style="text-decoration: underline;">modelo</span></a> para examinar os possíveis ganhos em saúde advindos da redução das emissões de gases-estufa pelo uso doméstico de energia. O modelo mostra que estratégias de mitigação podem trazer benefícios para a saúde tanto em domicílios de alta renda, como naqueles de baixa renda.</span></p>
<blockquote>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A conclusão mais ampla é clara &#8211; que tanto em ambientes de alta renda como de baixa renda há um conjunto de medidas de redução de emissões que têm potencial apreciável de gerar benefícios para a saúde. Nos exemplos contrastantes que estudamos, os benefícios à saúde parecem especialmente altos para as populações da Índia, que dependem da combustão ineficiente de biomassa para gerar energia doméstica. Evidências de vários estudos revelam que mulheres, crianças e homens nesses ambientes são expostos a altas concentrações de material particulado, gases e outros poluentes nocivos, superiores aos valores considerados seguros pelas agências nacionais e internacionais de saúde. Mais ainda, essas populações podem ser mais vulneráveis às consequências negativas da inalação desses poluentes por causa de sua nutrição insatisfatória e acesso precário à assistência médica, além de outros fatores de risco.</span></p>
</blockquote>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><strong>Mudança climática e política urbana</strong></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Especialistas em saúde e em transportes usaram métodos de avaliação comparativa de riscos para estimar os efeitos na saúde de cenários alternativos de transporte urbano terrestre em duas locações &#8211; Londres, no Reino Unido, e Nova Delhi, na Índia.</span></p>
<blockquote>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Nós desenvolvemos modelos separados que associavam cenários de transportes a atividades físicas, poluição do ar, e risco de acidente de trânsito. Nas duas cidades, nós notamos que a redução nas emissões de dióxido de carbono por meio do aumento em percursos ativos (a pé ou bicicleta) e menor uso de veículos a motor gera mais benefícios por milhão de habitantes (7332 anos de vida ajustados por deficiência em Londres e 12 516 em Delhi em 1 ano) do que pelo aumento no uso de veículos a motor de baixa emissão (160 anos-vida em Londres e 1696 em Delhi). Contudo, uma combinação de percursos ativos e veículos a motor de baixa emissão geraria os maiores benefícios (7439 anos-vida em Londres, 12 995 em Delhi), notadamente por causa da queda no número de vidas perdidas por isquemias cardíacas (10%—19% em Londres, 11%—25% em Delhi). Embora ainda permaneçam algumas incertezas, a mitigação da mudança climática no setor de transportes beneficiaria substancialmente a saúde. Políticas públicas que aumentem a aceitação, o apelo e a segurança de percursos urbanos ativos (a pé, bicicleta, patins, skate) e desencorajem o uso de veículos particulares a motor, trariam benefícios ainda maiores do que as políticas focalizadas apenas na expansão do número de veículos a motor de baixa emissão.</span></p>
</blockquote>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">As conclusões são claras e abrangentes. Há vantagens concretas em combinar políticas voltadas para resolver os desafios da locomoção no meio urbano e aquelas que objetivam reduzir as emissões de gases-estufa. A perspectiva da mudança climática enriquece e fortalece as políticas urbanas. Ao fim e ao cabo, ela traz benefícios diretos para a saúde dos cidadãos e ganhos fiscais para os contribuintes.</span></p>
<blockquote>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Ganhos importantes em saúde e reduções das emissões de CO</span><span style="vertical-align: -3.0px; letter-spacing: 0.0px;">2</span><span style="letter-spacing: 0.0px;"> podem ser obtidos pela substituição de trajetos urbanos em veículos a motor por trajetos ativos em países de alta e de baixa renda. Medidas tecnológicas para reduzir a poluição veicular podem reduzir as emissões, mas teriam um efeito positivo menor para a saúde. A combinação entre a diminuição da dependência a percursos motorizados e a implementação vigorosa de tecnologias de baixa emissão oferece os melhores resultados em termos de mitigação da mudança climática e ganhos de saúde pública. Em muitas cidades, o aumento no uso de carros, motocicletas e veículos de transporte pesados, com o incremento resultante do risco de acidentes nas ruas, significa que a maioria daqueles que têm condições financeiras estão mudando para o transporte veicular individual. Aumento na segurança, conveniência e conforto de caminhar e pedalar, mais a redução na atratividade do uso do veículo privado a motor (velocidade, conveniência e custo) seriam essenciais para se obter a mudança de modal que se vislumbra nesses cenários.</span></p>
</blockquote>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><strong>Força de baixo-carbono</strong></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Um estudo sobre <a href="http://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(09)61715-3/fulltext"><span style="text-decoration: underline;">eletricidade de baixo carbono</span></a> e saúde pública conclui que a redução de emissões de poluição por material particulado de usinas termelétricas a combustível fóssil têm fortes efeitos positivos na saúde de regiões desenvolvidas como a União Européia e de países emergentes como China e Índia.</span></p>
<blockquote>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Mudanças nos modos de produção de eletricidade para reduzir as emissões de CO</span><span style="vertical-align: -3.0px; letter-spacing: 0.0px;">2</span><span style="letter-spacing: 0.0px;"> reduziriam, em todas as regiões PM</span><span style="vertical-align: -3.0px; letter-spacing: 0.0px;">2·5 </span><span style="letter-spacing: 0.0px;">(material particulado fino) e as mortes por ele causadas, com os maiores efeitos observados na Índia e os menores na UE. Os ganhos para a saúde neutralizam enormemente os custos da mitigação de gases-estufa, especialmente na Índia onde a poluição é muito alta e os custos de mitigação mais baixos. Nossas estimativas são aproximações, mas sugerem claros ganhos de saúde (co-benefícios) por meio da descarbonização da produção de eletricidade e dão informação adicional sobre a extensão desses ganhos.</span></p>
</blockquote>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Os benefícios são tanto maiores quanto mais intensiva em carvão for a geração de eletricidade. Mas mesmo a energia fóssil “mais limpa” teria um efeito incrementalmente positivo na saúde. </span></p>
<blockquote>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Esse estudo indica que alguns benefícios para a saúde resultariam de mudanças nos meios de geração de eletricidade em resposta à meta de redução de 50% de emissões de CO</span><span style="vertical-align: -3.0px; letter-spacing: 0.0px;">2</span><span style="letter-spacing: 0.0px;"> até 2050. Estimativas indicam que as maiores poupanças em anos de vida seriam na Índia, seguida pela China. Se, em 2030 as mudanças feitas tiverem sido consistentes com as metas de redução para 2050, os ganhos na Índia e China seriam de perto de 1500 e 500 anos-vida por milhão de pessoas. Na UE, esperam-se benefícios mais modestos, em torno de 100 anos-vida por milhão em  2030. A melhoria modesta esperada na Europa em um futuro de baixo carbono, contra um futuro business-as-usual se deve principalmente à existência de métodos mais limpos de produção de energia com combustíveis fósseis. Esses métodos tendem a ser aperfeiçoados mesmo em um cenário business-as-usual. Esse é também o caso da China, porém em menor extensão.</span></p>
</blockquote>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><strong>O sistema alimentar</strong></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O que dizer de <a href="http://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(09)61753-0/fulltext"><span style="text-decoration: underline;">mudanças no uso da terra</span></a> e agricultura? É bem conhecido que o sistema alimentar é um grande contribuinte para as emissões de gases-estufa (GEs), “da cultura e seus insumos à distribuição de alimentos, seu consumo e o destino do lixo”. O grande desafio seria ligar aperfeiçoamentos na agricultura a reduções nas emissões de GEs e o redirecionamento da produção para a provisão de uma dieta humana balanceada e mais saudável que estivesse ao alcance da maioria da população.</span></p>
<blockquote>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Nós (&#8230;) usamos esses dados para modelar os benefícios potenciais do consumo reduzido de produtos animais na frequência de isquemias cardíacas: essa frequência cairia em torno de 15% no Reino Unido (equivalente a 2850 anos-vida ajustados por deficiência por milhão de pessoas em um ano) e 16% em São Paulo (equivalente a 2180 anos-vida por milhão de pessoas em um ano). Embora provavelmente trazendo benefícios palpáveis para a saúde, esse tipo de estratégia enfrentaria talvez resistências culturais, políticas e comerciais, além de ainda encontrar desafios técnicos. Seria necessária uma ação coordenada inter-setorial das comunidades agrícola, nutricional, de saúde pública e mudança climática em âmbito mundial para prover dietas acessíveis, saudáveis e de baixa emissão em todas as sociedades. (&#8230;)</span></p>
</blockquote>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; color: #0b0b0b;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Políticas inadequadas, desigualdades sociais e uma estrutura distorcida de incentivos e desincentivos de mercado levam a um padrão de produção e consumo de alimentos que é adverso à saúde humana. Corrigir esses fatores levaria tanto a um sistema de produção alimentar mais limpo quanto a uma expansão da oferta de dietas mais balanceadas.</span></p>
<blockquote>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">[A] estratégia para reduzir a produção e o consumo de alimentos de fontes animais ajudaria a evitar mudanças climáticas perigosas advindas das emissões de gases-estufa e beneficiaria a saúde de adultos em países de alto consumo de produtos animais. (&#8230;) Um desafio importante de saúde pública é equilibrar a necessidade da população de ingestão adequada de proteínas de fonte animal e nutrientes essenciais com o consumo reduzido de gordura saturada. Quase um bilhão de pessoas têm desnutrição de energia protéica, a maioria dos quais também é carente de micronutrientes, especialmente ferro e zinco. Proteína adequada, energia, ferro e zinco podem ser obtidos de uma dieta vegetariana. Contudo, o consumo diário de pequenas quantidades de alimentos de fonte animal por populações de baixo-consumo pode aliviar a intensidade da desnutrição. Presentemente, a produção agrícola está em descompasso com a provisão de uma dieta balanceada em termos de alimentos de fontes vegetais e animais. Globalmente,a produção per capita de energia, gorduras, proteínas e micronutrientes aumentou e é suficiente para atender às necessidades da população global, mas seus benefícios não têm sido distribuídos de modo equitativo entre os países e as regiões.</span><span style="vertical-align: 3.0px; letter-spacing: 0.0px;"> </span><span style="letter-spacing: 0.0px;">Um amplo conjunto de fatores afeta a oferta e a demanda por alimentos de origem animal; alguns instrumentos de política pública permitem abordagens que têm potencial para mudar os padrões de produção e consumo das populações.</span></p>
</blockquote>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><strong>Poluição</strong></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="text-decoration: underline;"><a href="http://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(09)61716-5/fulltext">Gases-estufa poluentes de curta permanência</a></span><span style="letter-spacing: 0.0px;"> emitidos pela queima de combustíveis fósseis são direta ou indiretamente responsáveis por uma grande proporção do aquecimento global atual e também pela maior parte dos danos oriundos do uso de energia para a saúde humana em todo o mundo. </span></p>
<blockquote>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Gases-estufa poluentes de curta permanência incluem gases como o  monóxido de carbono altamente danoso à saúde, os compostos orgânicos voláteis não-metano e outros responsáveis pela formação de ozônio na baixa atmosfera como o metano. Os aerossóis de poluentes de efeito estufa de baixa permanência incluem o sulfato, o carbono orgânico e as partículas de carbono negro, que têm implicações climáticas distintas: os dois primeiros resfriam e o último tem um efeito estufa forte.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Poluentes-estufa de curta permanência precisam ser controlados além da regulação das emissões de dióxido de carbono porque eles são responsáveis por uma proporção substancial do aquecimento global de origem humana e produzem danos diretos à saúde. E, muito importante, o controle de alguns poluentes-estufa de curta permanência poderia levar à rápida queda do aquecimento global.</span></p>
</blockquote>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; color: #0b0b0b;"><strong>Agenda para o progresso humano</strong></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; color: #0b0b0b;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Essa coleção de artigos mais o relatório completo  nos oferecem uma grande quantidade de argumentos não ambientais para encarar os cortes nas emissões de carbono como uma estratégia desenvolvimentista e não como um fator limitador do bem-estar humano. </span></p>
<blockquote>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A descoberta de efeitos geralmente positivos da mitigação na saúde mostra que estratégias promovendo uma economia de baixa emissão de gases-estufa pode ter também potencial de melhorar a saúde pública. Fornece, adicionalmente, uma razão forte para reduzir as emissões de gases-estufa que não se limita ao objetivo de mitigar a mudança climática, tem maior alcance social e econômico. Alguns comentaristas sugerem que muitas das características da mudança climática são já irreversíveis e o mais importante objetivo é tentar se adaptar a elas e a outras ameaças ambientais globais. Contudo, o caso em favor da mitigação fica muito fortalecido se ela tiver benefícios colaterais diretos além daqueles associados a evitar mudanças climáticas mais adversas como esses estudos mostram que tem.</span></p>
</blockquote>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; color: #0b0b0b;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Estratégias de mitigação podem ser desenhadas como estratégias de desenvolvimento. O investimento na redução de emissões pode também resultar em menor gasto em saúde e nutrição. Mudar as estratégias de energia e transportes não deveria ser visto como um limite ao crescimento, mas como uma contribuição à melhoria da vida urbana, redução geral de custos e novas oportunidades de investimento e emprego.</span></p>
<blockquote>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Se as sociedades mudassem seus sistemas de energia de modo a melhorar a qualidade do ar externa e interna; seus meios de transportes de modo a estimular a atividade física e o contato social; suas práticas de produção intensiva de alimentos e as escolhas dos consumidores de modo a reduzir os riscos dietéticos à saúde; então, teríamos muitas consequências positivas para a saúde. A despeito das incertezas sobre a magnitude e a escala temporal da mitigação, seus co-benefícios para a saúde podem ser antecipados. O comprometimento com ações de mitigação com tantos resultados benéficos é muito atraente, especialmente se (como é provável) os ganhos de saúde trouxerem quedas substanciais dos custos de assistência médica e nutricional, neutralizando, em grande medida, os custos da mitigação. O significado estratégico desse ponto é de grande envergadura potencial. Se os co-benefícios de saúde oriundos de ações de mitigação em países de menor renda forem suficientemente altos, reforçariam as razões para buscar a convergência dos prazos de mitigação entre países desenvolvidos e países emergentes.</span></p>
</blockquote>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Esses estudos dão força ao argumento que tenho usado na maior parte <a href="http://www.ecopolity.com/2009/08/20/climate-agenda-as-an-agenda-for-development-in-brazil-a-policy-oriented-approach/"><span style="text-decoration: underline;">das coisas que escrevo</span></a> sobre aquecimento global:  a agenda da mudança climática é uma agenda para o progresso humano real. Deveria ser, a partir de agora, a premissa de toda agenda de políticas públicas e privadas.</span></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Um diálogo tuitado sobre as metas brasileiras de redução de emissões</title>
		<link>http://www.ecopolitica.com.br/2009/11/15/um-dialogo-tuitado-sobre-as-metas-brasileiras-de-reducao-de-emissoes/?utm_source=rss&amp;utm_medium=rss&amp;utm_campaign=um-dialogo-tuitado-sobre-as-metas-brasileiras-de-reducao-de-emissoes</link>
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		<pubDate>Sun, 15 Nov 2009 15:37:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
				<category><![CDATA[Trilhas]]></category>
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		<description><![CDATA[O presidente do INPE, Gilberto Câmara, que participou do esforço de quantificação das metas brasileiras de redução de emissões é usuário ativo do Twitter (@gcamara). Ele tuitou várias respostas a tuítes e a posts meus aqui, de artigo que publiquei em O Globo, e no Ecopolity sobre o anúncio das metas. Foram esclarecimentos importantes.
Sérgio Abranches
Disse [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O presidente do INPE, Gilberto Câmara, que participou do esforço de quantificação das metas brasileiras de redução de emissões é usuário ativo do Twitter (@gcamara). Ele tuitou várias respostas a tuítes e a posts meus <a href="http://www.ecopolitica.com.br/2009/11/14/um-passo-importante/"><span style="text-decoration: underline; letter-spacing: 0.0px color;">aqui</span></a>, de artigo que publiquei em O Globo, e no <a href="http://www.ecopolity.com/2009/11/14/brazil-commits-to-a-target-to-reduce-future-carbon-emissions-by-2020/"><span style="text-decoration: underline; letter-spacing: 0.0px color;">Ecopolity</span></a> sobre o anúncio das metas. Foram esclarecimentos importantes.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Sérgio Abranches<span id="more-486"></span></span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Disse coisas que merecem ficar registradas para além do tempo real nervoso e relativamente efêmero do Twitter.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Argumentando sobre as dúvidas que levantei sobre a qualidade e transparência dos números, Gilberto Câmara tuitou o seguinte:</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">“Vamos divulgar todas as contas, até porque o que saiu hoje na imprensa (Estado e Folha) está errado.” E, em seguida: “A equipe que calculou as emissões é séria: Rede Clima, INPE, MMA e EPE. Grosso modo, os números brasileiros são confiáveis.”</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Sobre minha crítica recorrente, nos blogs e na CBN, ao atraso do inventário nacional de emissões brasileiras e criação de um sistema para atualização anual das emissões, Câmara tuitou:</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">“Num aspecto, você tem 100% de razão: o atraso do inventário nacional dificultou muito os cálculos das metas brasileiras.”</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Gilberto Câmara está participando do esforço de montagem da “Rede Clima”, cujo objetivo será exatamente medir anualmente as emissões de carbono, como ele me explicou em <a href="http://www.ecopolitica.com.br/2009/10/13/brasil-tera-rede-cientifica-e-novo-centro-de-estudos-para-medir-emissoes-e-propor-politicas-sobre-mudanca-climatica/"><span style="text-decoration: underline; letter-spacing: 0.0px color;">entrevista</span></a> recente.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Cobrei, em meus artigos, explicações do governo sobre alguns pontos fundamentais: qual a linha de base para calcular a trajetória das emissões futuras e, consequentemente, o desvio entre 36% e 39% dessa tendência? Gilberto Câmara deu indicações importantes:</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">“Não há uma regra estabelecida para fixar a linha de base a partir da qual se calcula a queda de emissões. Cada setor é diferente.”</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">“A linha de base de energia e indústria tem de ser a continuação da tendência dos cinco últimos anos.”</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">“Já no caso do desmatamento, não há tendência histórica clara. Fixar uma linha de base é uma decisão ad-hoc.”</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; color: #333233;"><span style="letter-spacing: 0.0px color;">Fiz um tuíte para ele (@), no qual eu perguntava: a</span><span style="letter-spacing: 0.0px;"> meta de redução [do desmatamento na Amazônia] pela média dos últimos cinco anos? Como se relaciona com isso? Ele respondeu:</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; color: #333233; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">“Para a Amazônia, o Brasil já havia estabelecido uma linha de base quando apresentou em Bali o Fundo Amazônia (média 1996-2005).”</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">E agregou “A linha de base 1996-2005 já foi usada no acordo com a Noruega para aporte de recursos do Fundo Amazônia.”</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Sobre o Cerrado, esclareceu:</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">“No caso do Cerrado, faltam dados consistentes, pois não há monitoramento anual. Tivemos de fazer algumas hipóteses.”</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Espero que o governo publique realmente todos os detalhes, para que possam ser verificados por especialistas independentes. A atitude de Gilberto Câmara contribui para a transparência indispensável à credibilidade da proposta do governo.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">No meu caso, estou convencido de que a opção por um desvio de trajetória, em lugar de uma redução de emissões a partir de um ano base definido, define uma meta muito mais conservadora. Esse conservadorismo não tem fundamento técnico, mas político. Foi a forma encontrada para contornar os obstáculos impostos pela Casa Civil, pelo Itamaraty e fontes de resistência no próprio ministério da Ciência e Tecnologia.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Mas voltarei ao tema de forma mais consistente em outra ocasião. Aqui queria apenas registrar os esclarecimentos relevantes oferecidos pelo presidente do INPE.</span></p>
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		<title>O Mundo em 2050</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Nov 2009 17:51:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
				<category><![CDATA[Trilhas]]></category>
		<category><![CDATA[cenários]]></category>
		<category><![CDATA[futuro]]></category>
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		<description><![CDATA[“Está em nosso poder erradicar a pobreza até 2050; está em nosso poder erradicar as doenças até 2050; mas também está em nosso poder destruirmos a nós mesmos até 2050.” (Ian Goldin &#8211; The World in 2050)
A Real Sociedade de Geografia foi anfitriã de uma mesa de discussão sobre “O mundo em 2050”, com cientistas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>“Está em nosso poder erradicar a pobreza até 2050; está em nosso poder erradicar as doenças até 2050; mas também está em nosso poder destruirmos a nós mesmos até 2050.” (Ian Goldin &#8211; The World in 2050)<span id="more-443"></span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Verdana;"><span style="font: 18.0px Helvetica; letter-spacing: 0.0px;">A Real Sociedade de Geografia foi anfitriã de uma mesa de discussão sobre “O mundo em 2050”, com cientistas e especialistas da </span><span style="letter-spacing: 0.0px;">21st Century School. O evento foi uma realização conjunta da <a href="http://www.21school.ox.ac.uk/"><span style="text-decoration: underline;">James Martin 21</span><span style="font: normal normal normal 12px/normal Verdana; text-decoration: underline;"><sup>st</sup></span><span style="text-decoration: underline;"> Century School</span></a> e da <a href="http://www.intelligencesquared.com/"><span style="text-decoration: underline;">Intelligence</span><span style="font: normal normal normal 12px/normal Verdana; text-decoration: underline;"><sup>2</sup></span></a>. Os apresentadores eram Ian Goldin, diretor da 21st Century School, da Universidade de Oxford; Malcolm MacCulloch, diretor do Institute for Carbon and Energy Reduction in Transport; Sara Harper, diretora do Oxford Institute of Ageing; e Julian Savulescu, diretor do Programme on Ethics of the New Biosciences.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Verdana; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Verdana;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Em muitos lugares, instituições acadêmicas, corporações, ONGs, centros de pesquisas inúmeras pessoas estudam, pesquisam, e discutem tendências futuras. Em nossa vida diária, contudo, na mídia em geral e nos governos de quase todos os países, o longo prazo, visões de futuro, é uma parte lateral, periférica da pauta. Não é uma prioridade. Nós estamos atrelados ao curto prazo, às alegrias e atribulações de nosso cotidiano; ao imediatismo da agenda de políticas correntes. Entretanto, desprezar o futuro, deixar de olhar para a frente, focalizando as incertezas e possibilidades que estão além do horizonte de nossas obrigações diárias, é muito mais perigoso do que se imagina. Para sermos capazes de tomar nosso destino em nossas próprias mãos, precisamos ter uma visão para o futuro, um olhar de longo prazo.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Verdana; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Verdana;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Stewart Brand, um dos fundadores da <a href="http://www.longnow.org/"><span style="text-decoration: underline;">Long Now Foundation</span></a>, nos lembra, em seu livro “The Clock of the Long Now: Time and Responsibility”, que</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Verdana; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Verdana;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">“o tempo é assimétrico para nós. Podemos ver o passado mas não o podemos influenciar. Podemos influenciar o futuro, mas não podemos vê-lo. Tanto a invisibilidade, quanto a maleabilidade potencial do futuro nos impulsionam a aprender nele, ficar alertas para as ameaças ou oportunidades que ele pode conter, essa brancura da página do futuro nos dá poder (se o futuro não está determinado, podemos fazer qualquer coisa)”. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Verdana; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Verdana;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Ele também nos ensina que “o pensamento rigoroso de longo prazo torna inevitável que assumamos responsabilidades, porque ele responde aos ciclos de retro-alimentação mais lenta e mais profunda de toda a sociedade e do mundo natural”. Em última instância, está claro que “no longo prazo, você se salvar significa salvar todo o mundo”.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Verdana; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Verdana;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Talvez a melhor introdução para essa discussão sejam as palavras com que Ian Goldin terminou sua própria apresentação e que mencionei no início deste post:</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Verdana; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Verdana;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">“Está em nosso poder erradicar a pobreza até 2050; está em nosso poder erradicar as doenças até 2050; mas também está em nosso poder destruirmos a nós mesmos até 2050.” </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Verdana; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Verdana;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Espero que o que foi dito acima seja justificativa suficiente para que quem visite esta página veja o vídeo da discussão (em inglês, apenas, sem legendas).</span></p>
<div><span style="font-family: Verdana, 'Times New Roman', 'Bitstream Charter', Times, serif; font-size: large;"><span style="line-height: normal;"><br />
</span></span></div>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="497" height="300" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="bgcolor" value="000000" /><param name="flashvars" value="&amp;skin=http://www.21school.ox.ac.uk/extensions/mediaplayer/overlay.swf&amp;file=200909_iq2.mp4&amp;frontcolor=ffffff&amp;lightcolor=cc9900&amp;controlbar=over&amp;stretching=fill&amp;streamer=rtmp://webcast.21school.ox.ac.uk/simplevideostreaming" /><param name="src" value="http://www.21school.ox.ac.uk/extensions/mediaplayer/player.swf" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="497" height="300" src="http://www.21school.ox.ac.uk/extensions/mediaplayer/player.swf" allowfullscreen="true" flashvars="&amp;skin=http://www.21school.ox.ac.uk/extensions/mediaplayer/overlay.swf&amp;file=200909_iq2.mp4&amp;frontcolor=ffffff&amp;lightcolor=cc9900&amp;controlbar=over&amp;stretching=fill&amp;streamer=rtmp://webcast.21school.ox.ac.uk/simplevideostreaming" bgcolor="000000"></embed></object></p>
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