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	<title>Ecopolitica &#187; Opinião</title>
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	<description>Política Mudança Climática Século XXI</description>
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		<title>Enchente não mata</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Jun 2010 13:08:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Sérgio Abranches
Enchente não mata. Não existem rios assassinos. O que mata é a imprevidência, a irresponsabilidade, a omissão. Tragédia é sempre humana, decorre da ação humana, nunca é natural.
O número de pessoas atingidas por enchentes e alagamentos no país praticamente triplicou nos últimos três anos. Entre 2007 e 2009, os municípios afetados aumentaram de 176 [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sérgio Abranches</p>
<p>Enchente não mata. Não existem rios assassinos. O que mata é a imprevidência, a irresponsabilidade, a omissão. Tragédia é sempre humana, decorre da ação humana, nunca é natural.<span id="more-1046"></span></p>
<p>O número de pessoas atingidas por enchentes e alagamentos no país praticamente triplicou nos últimos três anos. Entre 2007 e 2009, os municípios afetados aumentaram de 176 para 620. O número de vítimas cresceu de 1.309.914 para 3.035.215. E vai aumentar, já que os atingidos pelas enchentes de 2010 — Rio (Angra e Niterói), Alagoas e Pernambuco — ainda não foram contabilizados nas estatísticas. É o que nos diz <a href="http://oglobo.globo.com/cidades/mat/2010/06/27/numero-de-atingidos-por-chuvas-triplica-em-3-anos-916990675.asp">reportagem</a> de Geralda Doca e Henrique Gomes Batista publicada para o Globo do dia 26 de junho, anteontem.</p>
<p>Os dados são da Secretaria Nacional de Defesa Civil e foram obtidos no Portal do Planejamento. Mas o Portal foi <a href="http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100619/not_imp568902,0.php">tirado do ar</a> há uma semana, porque continha informações reveladoras e críticas a programas de governo.</p>
<p>No caso do relatório da Defesa Civil, a secretária disse aos repórteres de O Globo que o  relatório estava sendo mal interpretado e, por isso, foi retirado do ar.</p>
<p>Não há como interpretar mal informações como essa de que o número de vítimas de enchentes triplicou. Que o gasto com reparações e perdas é maior que o investimento em preparação, equipamento, prevenção e correção dos erros gritantes de ocupação do solo. Não como deixar de ver que tudo isso é falha institucional e governamental grave. Nesse caso das enchentes, não há dúvida de que a Secretaria e as defesas civis estaduais e municipais não agiram preventivamente, nem estavam preparadas para atender a uma emergência das proporções que as enchentes atingiram. A Defesa Civl é despreparada, insuficiente, não tem equipamentos adequados, não atua nem na prevenção, nem no alerta. Emergências dessa magnitude estão, como os próprios dados indicam, aumentando sua frequência. Os eventos climáticos mais intensos e mesmo extremos vão aumentar. Isso já está dado. É a mudança climática em curso.</p>
<p>Mas no Brasil a administração pública prefere quase sempre o pior dos caminhos: subtrair informações, censurar, eliminar a transparência, em lugar de reconhecer os erros, discutir os fracassos e investir para corrigir as atitudes erradas. O Portal do Planejamento era um raro exemplo de transparência, de informação que permitia discussão mais aberta das falhas e dos acertos governamentais. O melhor caminho para corrigir o errado e incentivar o certo. Foi aplaudido e fortalecido? Não foi censurado.</p>
<p>Eu passei por uma cidade do interior de Minas, semana passada, que sofreu uma enchente brutal anos atrás. A cidade sempre conviveu com o transbordamento do rio, a violência das águas e grandes enchentes. Caminhei à pé por uma ponte na qual morreram muitas pessoas, inclusive crianças. Uma tragédia que a cidade não esquece e da qual ainda tem as marcas. No caminho do curso natural do rio vi um prédio. Se ele não cair na próxima enchente, servirá de barragem para as águas, vai aumentar a área afetada e, provavelmente, o número de vítimas.</p>
<p>A reportagem do Globo conta que, quando voltou a chover forte, em São José da Laje (AL), era início da tarde, carros de som pediam que a população saísse das casas às margens do rio. A Prefeitura e moradores decidiram evacuar as casas em áreas mais baixas, por precaução e pelo trauma causado pelo que viveram no passado. Em 1969, lá houve a pior enchente da história. Foram 2.713 mortos para uma população de 10 mil pessoas. Agora, não houve mortos, em parte por causa da ação preventiva. Ajudou muito, também, que a enchente tenha sido de dia.</p>
<p>O que mata não são as águas transbordadas dos rios. O que mata é a ocupação irregular de suas margens e até do seu leito. O assoreamento, que reduz a calha natural, o lixo, a falta de drenagem, a falta de prevenção. O que mata é o despreparo, a pobreza, a ocupação irregular das margens e das encostas, a falta de planejamento urbano, a omissão das autoridades públicas. Enfim, a tragédia nasce das más políticas de governo, em todas as esferas, municipal, estadual e federal. As águas passam e rolam. As ações humanas e políticas, é que matam.</p>
<p>Ouça também meu comentário na rádio CBN:<br />
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		<title>O Caraça ameaçado?</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Jun 2010 15:19:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>

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Em janeiro deste ano estive em viagem com minha família por Minas Gerais. Pretendia levá-los a conhecer a Serra do Caraça e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Recebi esse depoimento de viagem pela Serra do Caraça e a Estrada Real. Patrimônios naturais e turísticos sob ameaça permanente. A mineração em topo de montanha acaba de ser proibida no EUA.<span id="more-952"></span>Meu caro Sérgio</p>
<p>Em janeiro deste ano estive em viagem com minha família por Minas Gerais. Pretendia levá-los a conhecer a Serra do Caraça e a Estrada Real por onde havia passado há 23 anos de motocicleta. Lembrava-me de estrada de terra de difícil acesso em certos trechos. Soube que a estrada havia sido asfaltada o que me prenunciou algo negativo. Estranhamente em nosso país, melhoria de estradas está sempre associada a destruição. E esta foi mais uma comprovação desta triste realidade. O mosteiro da serra do Caraça está encravada em um local rodeado por montanhas por todos os lados, o que faz do lugar uma reserva natural importantíssima para a região com presença de onças, lobos guarás e inúmeros outros animais anteriormente comuns em nossa mata Atlântica.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.ecopolitica.com.br/wp-content/uploads/2010/06/P1150283.jpg"><img class="size-medium wp-image-956  aligncenter" title="P1150283" src="http://www.ecopolitica.com.br/wp-content/uploads/2010/06/P1150283-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p>Por lá fui alertado para a destruição que ocorria do outro lado daquelas montanhas devido à ação de grandes mineradoras.</p>
<p>Anexo abaixo fotos do trecho acima referido incluindo imagens do Google Earth.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.ecopolitica.com.br/wp-content/uploads/2010/06/Screen-shot-2010-05-05-at-02.13.50.jpg"><img class="size-medium wp-image-953  aligncenter" title="Screen shot 2010-05-05 at 02.13.50" src="http://www.ecopolitica.com.br/wp-content/uploads/2010/06/Screen-shot-2010-05-05-at-02.13.50-300x207.jpg" alt="" width="300" height="207" /></a><br />
Finda nossa estadia no mosteiro, seguimos pela Estrada Real em direção ao sul. Meu amigo, a destruição é muito maior do que se pode imaginar. Montanhas totalmente destruídas, montanhas de rejeitos sendo criadas e mares de lama a perder de vista.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.ecopolitica.com.br/wp-content/uploads/2010/06/Screen-shot-2010-05-05-at-02.14.47.jpg"><img class="size-medium wp-image-954  aligncenter" title="Screen shot 2010-05-05 at 02.14.47" src="http://www.ecopolitica.com.br/wp-content/uploads/2010/06/Screen-shot-2010-05-05-at-02.14.47-300x195.jpg" alt="" width="300" height="195" /></a></p>
<p>As pontes históricas do século XVIII foram encobertas pelas pontes de concreto recém construídas, a menos de 2 metros de distância, para servirem ao tráfego de caminhões carregados de minérios. Uma cena de desolação para quem conhecia a estrada há 2 décadas que me fizeram lembrar cenas do filme Avatar. Será que não haveria forma menos predatória de extrair minérios do sub-solo sem comprometer área tão extensa a seu redor? Na realidade vemos apenas parte dos danos ambientais causados. Flora e fauna será profundamente afetados por esta ação que comprometerá muitos quilometros a jusante dos rios.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.ecopolitica.com.br/wp-content/uploads/2010/06/Lagoa-decantação.jpg"><img class="size-medium wp-image-955  aligncenter" title="Lagoa decantação" src="http://www.ecopolitica.com.br/wp-content/uploads/2010/06/Lagoa-decantação-300x138.jpg" alt="" width="300" height="138" /></a></p>
<p>Os fins justificam os meios?</p>
<p>Oscar Bressane &#8211; é arquiteto paisagista e viajou por muitas regiões do Brasil, como membro da equipe de Roberto Burle Marx, em expedições de coleta de plantas e estudo de meio. As fotos são dele.</p>
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		<title>Mudança climática: uma agenda realista para a 2010</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Feb 2010 19:17:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Sérgio Abranches
Há, em muitos setores, o sentimento de que estamos em pleno retrocesso na política de mudança climática. A lei de energia alternativa no EUA parece mais longe hoje do que no final do ano passado. O IPCC, painel científico intergovernamental para mudança climática, parece encurralado. O movimento social globalizado parece estar quieto demais e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sérgio Abranches<br />
Há, em muitos setores, o sentimento de que estamos em pleno retrocesso na política de mudança climática. A lei de energia alternativa no EUA parece mais longe hoje do que no final do ano passado. O IPCC, painel científico intergovernamental para mudança climática, parece encurralado. O movimento social globalizado parece estar quieto demais e na defensiva. O apoio ao Acordo de Copenhague foi morno até agora. Os compromissos que os países registraram no seu anexo são insuficientes para alcançar a meta de 2<sup>o</sup>C. Eles apontam para um cenário de 3,5<sup>o</sup>C, na melhor das hipóteses. Os negacionistas parecem estar levando a melhor.<span id="more-860"></span></p>
<p>Estamos mesmo perdendo terreno? Ou somos prisioneiros de uma visão de curto-prazo, um sentimento de conjuntura baseado apenas em aparências? O que estamos captando são tendências, ou apenas turbulências passageiras?</p>
<p>Não há retrocesso importante na política de mudança climática. O que estamos vendo é a reiteração de um processo de “paradas e arrancadas” que carateriza ambientes decisórios complexos. O ambiente político da mudança climática é quase tão complexo quanto o próprio sistema climático. Ele se defronta com o que eu chamei de  <a href="http://www.ecopolitica.com.br/2009/10/27/precisamos-de-um-sonho-para-fazer-a-maioria-das-pessoas-demandar-de-seus-governos-que-adotem-acao-climatica-efetiva/">Paradoxo de Asimov</a>. Com tantos interesses, agentes de veto e decisores envolvidos, qualquer solução a um tempo política e cientificamente significativa só será adotada se atender a um dos dois requisitos do Paradoxo de Asimov. Para se conseguir grandes transformações, como o exige o enfrentamento da ameaça da mudança climática, é necessário promover uma transformação profunda na economia e na sociedade, no prazo de  duas décadas, no máximo três. Para se ter esse tipo de mudança, ou se obtém apoio massivo, além da maioria absoluta em todos os países relevantes; ou se espera várias décadas a mais, talvez um século, para que essa mudança ocorra de forma gradual. Como não há tempo a perder, deve-se continuar lutando para obter o grau de consenso necessário para ativar a mudança política necessária. Ao mesmo tempo, é preciso investir em outras frentes de batalha, enquanto se continua a negociar uma política global para mudança climática. A redução efetiva das emissões de gases estufa deve começar o mais rapidamente possível. Daí a importância de investir politicamente, mobilizar a sociedade civil organizada e a vanguarda empresarial no plano local, no âmbito de cada país que é grande emissor de gases estufa.</p>
<p>Há em curso uma campanha muito bem financiada e orquestrada pelos que negam a mudança climática e pelos lobbies fósseis para desacreditar o IPCC e a ciência do clima. O IPCC cometeu alguns <a href="http://www.ecopolitica.com.br/2010/01/22/o-erro-do-ipcc/">erros importantes</a> e precisa lidar com eles de forma mais direta e efetiva. Ele certamente <a href="http://www.realclimate.org/index.php/archives/2010/02/ipcc-errors-facts-and-spin/">precisa mudar</a> na estrutura e no processo. Se for possível levar o IPCC a um estágio mais avançado de desenvolvimento institucional, que permita gerar balanços da ciência do clima mais imunes a erros de procedimento, em intervalos menores de tempo, e com menos interferência política, ajudaria tremendamente a luta por um marco institucional legalmente vinculante para a política climática global. Finalmente, o IPCC também enfrenta uma crise de liderança. Uma nova presidência poderia trazer mais autoridade científica para seu comando institucional, novas idéias e obter melhor pelo equilíbrio entre ciência e política. Seu atual presidente dificilmente conseguirá se recuperar da perda de confiança e legitimidade pela qual está passando. Seria excelente que a substituição de Yvo de Boer, que pediu para sair, fosse acompanhada pela troca de guarda na presidência do IPCC.</p>
<p>A ciência do clima é sólida e as evidências de mudança climática não foram refutadas. Houve muita crítica e ataque ao IPCC, mas nenhum trabalho sério de cientistas demonstrou que o núcleo da tese sobre mudança climática está errado, ou apresentou hipótese mais aceitável pelas regras do método científico.</p>
<p>O movimento social está muito parado e na defensiva? Acredito que não. As maiores ONGs estão ocupadas avaliando o que aconteceu no ano passado e desenhando suas estratégias futuras para o curto e longo prazo. Elas provavelmente tiveram, em 2009, seu melhor resultado da história, em termos de mobilização, visibilidade e influência. Contudo, a COP15 foi, provavelmente, também a maior frustração que já viveram. Elas certamente estão descobrindo que têm que rever e redesenhar suas estratégias, diante das experiências de 2009. Elas precisarão de uma nova agenda para ação. E precisam fazer isso com a máxima urgência possível, para superar a frustração e começar a confrontar para valer a campanha dos negacionistas contra a ciência, as políticas e a política da mudança climática.</p>
<p>Não perdemos terreno de fato, mas o resultado da Cúpula de Copenhague teve um efeito depressivo sobre o movimento ambientalista focado na mudança climática, nos cientistas, analistas e na maioria dos negociadores governamentais. A frustração das expectativas de um acordo pleno, legalmente vinculante e ambicioso, e a constatação de que as lideranças das principais potências do mundo não haviam conseguido um entendimento em Copenhague, com certeza causou danos temporários ao movimento por um acordo climático global. Também motivou os negacionistas e lhes deu a oportunidade para lançar uma violenta ofensiva política e de opinião pública, especialmente no Reino Unido e no EUA.</p>
<p>Mas vamos olhar o lado bom dessa história.</p>
<p>Todos os grandes países emissores adotaram uma agenda para a mudança climática. No EUA, enquanto o Senado está atolado no exame da lei sobre energia limpa, a EPA, a agência ambiental federal, os estados e as cidades estão trabalhando ativamente para impor regulação mais restritiva às emissões de gases estufa. A lei de energia limpa não é a principal prioridade do presidente Obama ainda. Tampouco é a primeira prioridade da sociedade estadunidense. Portanto, ela provavelmente terá uma trajetória dura e acidentada até ser aprovada, ao invés de ter seu processo acelerado por acordo. A iniciativa local não perdeu momentum, nem o governo federal está paralisado pelo impasse no Senado.</p>
<p>A China está liderando o investimento global em energia verde e controle de poluição. Faz isso por seus próprios motivos. O governo chinês tem editado a um ritmo crescente novas regras, mais restritivas, para emissões de carbono. A Índia também começa a implementar ações de baixo carbono por sua própria conta. Nenhum grande emissor de carbono abandonou ou negou os compromissos levados a Copenhague. EUA e Brasil já disseram que cumprirão seus compromissos mesmo que não haja acordo internacional. Em outras palavras, o compromisso político de agir em relação à mudança climática se mantém e há sinais de avanços adicionais em vários desses países. Políticas legalmente vinculantes têm sido adotadas pelos governantes da maioria dos grandes emissores e de inúmeros outros países.</p>
<p>A maior ameaça a progressos no curto prazo no campo da mudança climática vem da nova onda de choque oriunda da crise financeira que não foi ainda superada. As economias europeias estão sendo atingidas por ela antes de estarem plenamente recuperadas do choque original do colapso das hipotecas no EUA. Esse novo ciclo de crise na Europa não se limita à Grécia. Espanha, Portugal, Itália e Irlanda também estão em sérios apuros. O que se vê é um desajuste financeiro e fiscal complexo e profundo, de alto poder explosivo. As maiores economias da União Europeia e a economia do EUA ainda estão muito frágeis para resistirem a um efeito de contágio, se essa rodada da crise escapar ao controle e se espalhar pelo mercado financeiro global.</p>
<p>Isso significa que se o crescimento não for retomado e os efeitos colaterais da crise não forem superados, a agenda climática dificilmente terá prioridade global significativa este ano. O cenário de superação rápida da crise e seus efeitos não parece provável da perspectiva de hoje. A mudança climática ficará na agenda das grandes potências desenvolvidas e emergente como um sério desafio no século 21, mas ações mais abrangentes podem ser adiadas por pelo menos mais um ou dois anos.</p>
<p>A visão mais desalentadora da política da mudança climática resulta, realmente, de uma visão de curto prazo. Mas ela não se baseia apenas em aparências. Há elementos na conjuntura que podem impedir progresso relevante no curto prazo. Nós não estamos andando para trás, mas estamos parados. Hoje, as condições para um tratado pleno e vinculante são parcas, se não adversas. Os países ainda estão ocupados com problemas mais prementes no curto prazo.</p>
<p>O cenário de mais turbulência econômica e adiamento das ações relacionadas com a mudança climática requer reflexão estratégica. Seria importante evitar que a COP16 seja outra grande frustração. O futuro da política global do clima depende de que se obtenha o melhor resultado possível em Cancún, dadas as circunstâncias do momento. São vários os riscos a serem administrados, para que a COP16 tenha sucesso. Três deles são visíveis e podem ser administrados.</p>
<p>Olhando-se primeiro para as expectativas, há dois riscos opostos a evitar. O primeiro é uma inflação de expectativas sobre um acordo legal, semelhante à que se viu na COP15. No momento, é um risco de baixa prioridade, mas que deve ser evitado a qualquer custo. O seu oposto, mais provável nesse clima de frustração, é uma deflação de expectativas que poderia condenar a COP16 ao fracasso, antes mesmo que comece. O terceiro risco se refere à formulação da agenda de demandas aos países e da agenda da própria COP. Dependendo de como se desenvolva o quadro de crise financeira e econômica, seria muito arriscado demandar mais do que os países podem realisticamente fazer e estabelecer metas muito ambiciosas para a COP16.</p>
<p>Um conjunto de metas realistas evitaria a frustração e ajudaria no sucesso da reunião. Realista não significa medíocre, mas pode significar resultados ainda aquém do que a ciência do clima pede. Se o cenário econômico global não melhorar consideravelmente ao longo do primeiro semestre, o objetivo de se obter um acordo legal pleno em Cancún deve ser explicitamente adiado antes do início da COP16. Seria melhor trabalhar para trazer o “espírito” original do Acordo de Copenhague para o marco do documento sobre as ações de longo prazo (AWGLCA) da Convenção do Clima (UNFCCC). O próprio documento sobre o  Protocolo de Kyoto (AWGKP) poderia usar esse “espírito do Acordo” para buscar um ponto de consenso em torno do segundo período de compromissos. Conciliar os objetivos originais do acordo político de Copenhague e o processo legal da UNFCCC é factível, embora ainda requeira muita negociação e bastante complicada em alguns pontos. O objetivo poderia ser obter o melhor alinhamento possível das vias política e legal. Ter uma proposta completa de tratado aprovada e assinada parece, no momento, fora do alcance da COP16.</p>
<p>Outro objetivo importante seria aprofundar, ao longo de 2010, o comprometimento dos principais países desenvolvidos e emergentes com o Acordo político acertado em Copenhague. O fortalecimento do Acordo de Copenhague ao longo do ano, ajudaria muito a realização daquele objetivo de alinhar o máximo possível os canais político e legal da negociação sobre mudança climática. Essa poderia ser uma agenda apropriada para as reuniões do G20 e do Fórum das Maiores Economias (MEF). Claramente, o tema no topo dessas agendas será a crise financeira. Mas os líderes dessa liga de grandes países simplesmente não podem mais descartar em suas conversas a ameaça da mudança climática e as questões pendentes sobre o Acordo de Copenhague. Esses temas constarão muito provavelmente de suas agendas. O desafio é pressionar para que sejam orientados no sentido de fortalecer o Acordo e criar condições para sua absorção pelo conduto legal, até a COP16.</p>
<p>A melhor forma de lidar com o Acordo de Copenhague é levá-lo a sério. Ele pode ser revitalizado, ganhando densidade política. As metas podem ser melhoradas ou revistas, em três a cinco anos. O comprometimento dos países pode ser mais bem explicitado. Isso certamente  facilitaria muito a incorporação do entendimento político à negociação formal- legal no contexto das Nações Unidas. Os países do BASIC, por exemplo, se mostraram ambíguos em relação ao Acordo. A China declarou apenas <a href="http://www.usclimatenetwork.org/policy/copenhagen-accord-commitments">“estar em apoio”</a> e recomendar o Acordo. Nem China, nem Índia disseram ainda que se associam a ele, o que corresponderia a assiná-lo e aceitá-lo como politicamente vinculante. O apoio do EUA também pode ser mais afirmativo e refletir o papel de liderança que Obama prometeu e ainda não cumpriu.</p>
<p>Buscar o progresso possível na preparação de um acordo legalmente vinculante &#8211; um novo Protocolo ou Tratado do Clima &#8211; e o fortalecimento do Acordo de Copenhague, para torná-lo um contrato político efetivo, tirando-o da incubadora, seriam metas relevantes e realistas para 2010 e para a COP16.</p>
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		<title>O Acordo de  Copenhague ganha vida</title>
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		<pubDate>Sat, 30 Jan 2010 22:48:09 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Sérgio Abranches
Estados Unidos e União Européia aderiram formalmente ao Acordo de Copenhague sem reservas. Os países do BASIC (Brasil, África do Sul, Índia e China) fizeram questão de dizer que ele não é legal. Legal só o Protocolo de Kyoto. Faz diferença, se eles aderirem formalmente e registrarem publicamente suas ações voluntárias quantificadas? Essa é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sérgio Abranches</p>
<p>Estados Unidos e União Européia aderiram formalmente ao Acordo de Copenhague sem reservas. Os países do BASIC (Brasil, África do Sul, Índia e China) fizeram questão de dizer que ele não é legal. Legal só o Protocolo de Kyoto. Faz diferença, se eles aderirem formalmente e registrarem publicamente suas ações voluntárias quantificadas? Essa é realmente uma divisão importante entre potências desenvolvidas e emergentes?</p>
<div><span style="color: #0b0b0b; font-size: medium;"><span id="more-838"></span>Fico cada vez mais inclinado a responder <strong>não</strong> às duas questões acima.</p>
<p>Vamos ser práticos. O Protocolo de Kyoto é legalmente vinculante. Mas suas metas são tão baixas, que se tornaram irrelevantes. O EUA não ratificou o Protocolo. Os países do BASIC são “não-Anexo I”, o que significa que não têm obrigações legalmente vinculantes.</p>
<p>O resultado concreto é que o Protocolo de Kyoto tem uma cobertura muito parcial das emissões totais de gases estufa. O fato de ser legalmente vinculante não fez qualquer diferença na trajetória das emissões ou no comportamento das Partes do Protocolo. Para os países do BASIC o caráter legal do Protocolo significa que os países desenvolvidos têm obrigações legais e eles não, porque não estão no Anexo I. O EUA jamais ratificará o Protocolo de Kyoto. Houve pouquíssimo progresso nas negociações para o Segundo Período do Protocolo. E China, Brasil e Índia não estarão no Anexo I no período pós-2012. Sem EUA, China, Brasil e Índia, ele continuará um instrumento ineficaz para enfrentar a ameaça da mudança climática global.</p>
<p>Já o Acordo de Copenhague apoiado por EUA, União Européia, Canadá, Austrália, China, índia, Brasil e África do Sul cobrirá parcela majoritária das emissões de gases estufa. Adicionando-se Japão e Rússia, que provavelmente aderirão nos próximos dias, e ele alcança o volume de emissões que, se corretamente regulado, pode cumprir a tarefa de evitar um cataclismo climático. Esse grupo seleto de países representa a maior parte do poder político, econômico e científico do mundo, também. E esse é um dado relevante para a eficácia de qualquer acordo político global.</p>
<p>O Acordo não é mesmo legal. Ele sempre foi político. Desde o começo. Com todos esses países dizendo que estão politicamente comprometidos com seus termos e fazendo o registro público de suas <a href="http://www.usclimatenetwork.org/policy/copenhagen-accord-commitments">ações voluntárias</a> para reduzir suas emissões de carbono ele ganha, apesar de tudo, substância e relevância. Todos estão registrando objetivos quantitativos. Chamá-los metas vinculantes ou ações voluntárias parece ter pouca importância a essa altura. Basta olhar o que aconteceu com as metas vinculantes do Protocolo de Kyoto. Nunca fizeram diferença alguma no esforço de conter o crescimento das emissões globais de carbono.</p>
<p>Para mim é muito mais importante o fato de que, pela primeira vez, EUA, China, Brasil e Índia estão assumindo o compromisso político de reduzir suas emissões e esse compromisso vem com um número anexado.</p>
<p>Essas metas que estão sendo registradas estão muito aquém dos níveis requeridos pela ciência. Mas o Acordo também prevê revisão periódica de desempenho para tornar as ações compatíveis ao objetivo expresso de evitar que o aquecimento global ultrapasse a média de 2<sup>o</sup>C neste século. Isso já é muito mais do que o Protocolo de Kyoto jamais conseguiu. E o Acordo de Copenhague também resolveu conflitos que geravam impasse a uma década, como nos temas de financiamento e transferência de tecnologia.</p>
<p>O que o Acordo de Copenhague não tem, o Protocolo de Kyoto também não tem: um mecanismo de implementação eficaz. Estamos longe de termos um marco institucional adequado para a governança global do clima. E teremos que chegar a ele forçosamente em algum momento, o qual não pode tardar muito.</p>
<p>O Acordo de Copenhague pode avançar por duas trilhas distintas. A primeira, seria entrar no trilho diplomático da Convenção do Clima. Para isso, seus termos e metas/ações teriam que ser transcritos para o documento oficial do Grupo de Trabalho sobre a Convenção do Clima (AWG-LCA) e formalmente apresentado ao plenário de 192 países para ser aprovado por unanimidade. O ideal é que isso acontecesse na COP 16 , em Cancún, no México.</p>
<p>A trilha alternativa seria continuar por um caminho independente. Os países que aderirem ao Acordo continuariam a negociar um estatuto adequado e aceitável para ele. As negociações deveriam, também, alcançar o regime de governança que permita implementá-lo e torná-lo um instrumento relevante de política climática coletiva global.</p>
<p>A primeira trilha parece ser a mais difícil. A história da Convenção do Clima mostra como é difícil formar consenso em um grupo tão grande e heterogêneo de países.</p>
<p>O Acordo de Copenhague ganhou nova substância com a adesão das “potências do carbono” do mundo. Um grupo menos de países, ainda que esteja polarizado, tem maior probabilidade de chegar a um acordo efetivo do que um grupo grande, com mais de 100 nações com interesses disparatados.</p>
<p>O plenário da Convenção do Clima é tão dividido que é difícil até mesmo de formar coalizões polarizadas nele. O que nós vimos em Copenhague é que, à medida que o Acordo foi parecendo mais possível, os agrupamentos existentes de países foram se fracionando. Foi assim que o G77 + China rachou e foi substituído com vantagem pelo BASIC, pelo AOSIS (pequenos estados-ilha) e pelo bloco Africano. Esses três blocos se provaram muito mais produtivos politicamente do que o G77.</p>
<p>O Acordo de Copenhague estar vivo, apesar de todas as frustrações geradas pelo fechamento melancólico &#8211; se não patético &#8211; da COP15, é um bom sinal. Um acordo climático global ainda é possível.</p>
<div><span style="color: #0b0b0b; font-size: medium;"><br />
</span></div>
<p></span></div>
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		<title>O apagão da verdade: dados sérios não combinam com palanque</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Nov 2009 14:48:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Amazônia]]></category>
		<category><![CDATA[commodities]]></category>
		<category><![CDATA[desmatamento]]></category>
		<category><![CDATA[Dilma]]></category>
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		<description><![CDATA[A queda do desmatamento é uma boa notícia. Mas 7 mil km2 ainda é um número grande demais. O palanque armado para divulgar esse número atropelou a história e a verdade.
Sérgio Abranches
Como bem lembrou Cláudio Ângelo em artigo para a Folha de São Paulo, a queda do desmatamento é uma ótima notícia, mas os 7mil [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A queda do desmatamento é uma boa notícia. Mas 7 mil km2 ainda é um número grande demais. O palanque armado para divulgar esse número atropelou a história e a verdade.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Sérgio Abranches<span id="more-469"></span></span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Como bem lembrou Cláudio Ângelo em artigo para a Folha de São Paulo, a queda do desmatamento é uma ótima notícia, mas os 7mil km</span><span style="font: 12.0px Helvetica; letter-spacing: 0.0px;"><sup>2</sup></span><span style="letter-spacing: 0.0px;"> equivalem ao que a produção de açúcar destruiu de Mata Atlântica entre 1700 e 1850 (infelizmente não é mais possível dar o link). Ou seja, estamos destruindo em um ano na Amazônia o equivalente a 150 anos de desmatamento da Mata Atlântica. A conclusão de Cláudio Ângelo é importante:</span></p>
<blockquote>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">“Mas um país que já viu taxas quatro vezes maiores na Amazônia, em um só ano, aprendeu a comemorar o  inaceitável”.</span></p>
</blockquote>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Esse resultado não pode ser supervalorizado. Ele não é durável, se não houver uma radical mudança na política para a Amazônia. Mudança que o governo disse estar em curso, no palanque que montou ontem para apresentar um lado verde desconhecido da ministra Dilma Roussef. Mas não está.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A ministra Dilma, no seu papel de candidata, disse ontem que esse resultado se deve à implantação de um alternativa ao desmatamento que mantenha a floresta em pé. Qual é mesmo? Qual a política para a Amazônia? Essa afirmação simplesmente não corresponde à verdade dos fatos. A política que existe para a Amazônia é o PAC, com suas rodovias, que são vetores de desmatamento e as controvertidas hidrelétricas. Controvertidas muito mais do ponto de vista energético, do que do ambiental, que já é nada recomendável.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Esse triunfalismo todo gera o risco de se relaxar e o desmatamento voltar a crescer, por falta precisamente de alternativas sustentáveis para a Amazônia. Há muitas razões conjunturais que levaram a esse número, que não vão se repetir. A recessão, cuja existência o governo se negou a reconhecer, reduziu dramaticamente a atividade na construção civil, a principal consumidora de madeira. Também determinou a queda do ritmo das exportações e dos preços das commodities agrícolas, que estão diretamente correlacionados ao desmatamento. Disso o governo nada falou.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O governo também não falou que os dois principais vetores do desmatamento, a soja e a pecuária, estão sob relativo controle por causa da ação do Greenpeace. Da sociedade civil, portanto, que levou à decisão de grandes consumidores de não comprar soja ou carne produzidas em áreas de desmatamento na Amazônia. O governo entrou depois, pegou uma carona em uma ação que foi basicamente de uma ONG pressionando diretamente as empresas.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O governo também não contou à população que onde o INPE identificou mais desmatamento nessa medição que está sendo comemorada foi na  BR 163, que a ministra Dilma Roussef tem tocado a qualquer custo. Houve muito conflito entre a ex-ministra Marina Silva e a ministra Dilma em torno da BR 163. O plano de proteção da rodovia, que deveria ser “sustentável”, nunca saiu do papel e ela é hoje o principal vetor de desmatamento na região.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O ministro Guilherme Cassel, preferiu não explicar porque os assentamentos que ele coordena são um dos principais focos de desmatamento da Amazônia. Justificou o desmatamento por razões econômicas. Tratou os problemas dos assentamentos como se não estivessem associados à política de ocupação de terras na Amazônia, e sim a uma força externa poderosa. O desmatamento nasce dos erros de escolha nas políticas referentes ao assentamento, na ausência de micro-políticas econômicas adequadas e na ocupação de áreas que não deveriam ser ocupadas dessa forma. Sem falar nas inúmeras irregularidades já comprovadas por ONGs e matérias na imprensa. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Não foi um dia de discussão de políticas públicas, mas de discursos políticos, de muito baixa credibilidade. Os ministros se engalfinhavam com a verdade, tentando sufocá-la em nome da versão construída pelo marketing político. O ministro da Ciência e Tecnologia nada tinha a dizer, embora seja o principal responsável pelo fato de o Brasil não saber quanto emite de gases de efeito estufa. Como ter uma meta com credibilidade para levar a Copenhague, se não há uma base de dados confiável para fazer os cálculos? Disso ele não tratou.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O ministro Minc deu um espetáculo de contorcionismo da verdade, apresentando a ministra Dilma Roussef e o ministro Guilherme Cassel como aliados, quando todos que cobrem meio ambiente ou acompanham a política ambiental, sabem que eles vivem em conflito. Disse que a ministra Dilma Roussef elimina obstáculos para a política do seu ministério, quando até os contínuos da Praça dos Três Poderes sabem que do Gabinete Civil saem os principais vetos a avanços na política relacionada à mudança climática e à preservação dos biomas brasileiros.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Minc podia ter falado apenas das ações de seu ministério &#8211; há várias muito boas &#8211; não precisava adotar um tom de campanha, abandonar a discussão de políticas públicas, e cair na política eleitoral. Mas caiu.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Não foi um anúncio de resultados do monitoramento por satélite do desmatamento, pelo INPE &#8211; O Instituto de Pesquisas Espaciais, o que aconteceu ontem. Foi um palanque eleitoreiro, bastante demagógico, para apresentar a ministra Dilma Roussef como a gestora do combate ao desmatamento, coisa que ela nunca foi.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Ainda no ano passado, como bem lembrou Cláudio Ângelo em seu artigo, o presidente Lula investiu contra os dados do INPE, porque mostravam crescimento do desmatamento. Duvidou deles, mandou que fossem revistos.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Essa não é uma virada de concepção ou mudança de visão sobre o desenvolvimento. É um movimento oportunista, para hospedar a ministra Dilma Roussef na agenda ambiental, colocada em pauta pela candidatura da ex-ministra Marina Silva.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Pressionados pela ameaça da candidatura da ex-ministra Marina Silva, mesmo com seus 3%, 5%, ou 8% de intenções de voto, os assessores de marketing político da ministra-chefe do Gabinete Civil estão tentando criar a impressão de que ela passou para o lado verde do muro. Mas ela não pertence a esse campo.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Ela sempre militou contra o meio ambiente: tocou com mão de ferro as rodovias que devastam a Amazônia; vetou, há poucos dias atrás, meta para reduzir o desmatamento do Cerrado, dizendo que é nossa fronteira de expansão agrícola. Parece desconhecer que é o segundo maior manancial do país e que sua destruição afetaria a disponibilidade de água no país.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A ministra tentou falar de meio ambiente e não conseguiu: não falou coisa com coisa, insiste que esse programa recente de distribuição de títulos é que está na raiz da queda do desmatamento. Ele nunca teve essa dimensão.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">No palanque o governo reescreveu a história do próprio governo. Eliminou a gestão Marina Silva, onde as ações mais concretas contra o desmatamento foram decididas e implementadas.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Vale citar, novamente, o artigo de Cláudio Ângelo:</span></p>
<blockquote>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O próprio Carlos Minc fez questão de atribuir a Dilma as metas de corte do desmatamento do plano nacional do clima e o Fundo Amazônia. Tanto o fundo, quanto o plano são obras de Marina Silva. O que Dilma fez foi passar o PAC sobre a Amazônia e barrar a criação de áreas de proteção.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">É também de Marina grande parte do mérito pela queda na devastação.</span></p>
</blockquote>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Marina Silva inaugurou a Operação Arco de Fogo, tornando mais presente o comando e controle do poder público na Amazônia. Minc levou adiante e ampliou essas ações.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;">
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Como Míriam Leitão mostra em sua coluna, hoje (também impossível dar o link, mas estará disponível mais tarde no <a href="http://oglobo.globo.com/online/economia/miriam/"><span style="text-decoration: underline;">blog</span></a>), citando Adalberto Veríssimo, do Imazon, na gestão de Marina Silva:</span></p>
<blockquote>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">foi cortado o crédito de quem desmatava e a lei de crimes ambientais embargou as fazendas infratoras. Os nomes destas fazendas foram divulgados na Internet. A lei estabeleceu que que comprasse delas responderia pelo crime. Além disso o governo fez a lista de 36 municípios que mais desmatavam e montou a operação Arco de Fogo, da Polícia Federal e do Ibama, para fechar madeireiras e fornos ilegais.</span></p>
</blockquote>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Municípios, diga-se de passagem, cujos prefeitos estavam ontem no palanque, esquecidos de sua própria história. Como o de Paragominas, Adnan Demachki. Eu estive em Paragominas e fiz um <a href="http://www.oeco.com.br/sergio-abranches/35-sergio-abranches/16591-oeco_27148"><span style="text-decoration: underline;">audioslideshow</span></a> sobre o que vi lá, para <a href="http://www.oeco.com.br/"><span style="text-decoration: underline;">O Eco</span></a>, onde mantinha uma coluna na época.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Essa Operação Arco Verde, que o governo transformou em grande política e a ministra Dilma Roussef apresentou como a alternativa ao desmatamento, foi lançada por Marina Silva, e como disse Veríssimo a Míriam Leitão:</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O Arco Verde tem sido apenas um mutirão de entrega de documentos pessoais ou legalização de propriedades de pequenos proprietários. Não está havendo a outra parte: o desenvolvimento de cadeias produtivas&#8230;</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Essa forma politiqueira de tratar de um assunto tão sério compromete a credibilidade do INPE, uma instituição importante, que pertence ao estado e à sociedade e não ao governo.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Não foi a primeira vez que o INPE foi usado politicamente. Aconteceu também durante a gestão de Marina Silva e eu escrevi sobre esse <a href="http://www.oeco.com.br/sergio-abranches/35-sergio-abranches/16581-oeco_25193"><span style="text-decoration: underline;">uso político</span></a> dos dados do desmatamento.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Sempre defendi que os números do desmatamento fossem divulgados em data própria &#8211; e não aquela determinada pela conveniência política como ontem &#8211; exclusivamente pelo INPE, em sua sede em São José dos Campos. Levar o INPE para o palanque fere sua credibilidade. A apresentação do Instituto se nivela, pelo contexto em que ocorre, aos discursos sem credibilidade cheios de distorções, verdades às meias e borrões na história.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O presidente do INPE, Gilberto Câmara, foi muito cuidadoso e criterioso em sua apresentação, se ateve aos dados e deu explicações metodológicas. Disse, inclusive que esses dados podem vir a ser retificados no ano que vem.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Mas o contexto dominante afogou sua apresentação na politicagem do palanque armado para a ministra Dilma, mencionada e cumprimentada por todos os oradores, como se fosse o centro da política. É esse o risco de misturar ações de estado, com os interesses eleitorais dos governos.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Ciência não cabe em palanque. Os dados do INPE não pertencem ao governo. Pertencem ao estado e, portanto, à sociedade civil: devem ser transparentes, abertos à revisão independentes de cientistas qualificados, e despolitizados.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Ontem foi o dia do apagão da verdade sobre a real atitude ambiental do governo.  A ministra Dilma não devia estar no palanque pintado de verde. Devia é estar explicando o apagão da política energética, esta sim, de sua responsabilidade até hoje.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Havia dois caminhos: armar o palanque para o Arco Verde, com ministros, prefeitos, colonos, choros e invencionices, porém sem o INPE. Ou um anúncio circunspecto, formal e técnico dos dados do desmatamento, sob comando do INPE, sem o circo eleitoral. No máximo caberia uma entrevista posterior do ministro do Meio Ambiente, para faturar politicamente, faz parte do jogo.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O que não faz parte, é misturar tudo no palanque e querer reescrever a história para caber no programa eleitoral da candidata do governo.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;">
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> Ouça também meu <a href="http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/sergio-abranches/SERGIO-ABRANCHES.htm"><span style="text-decoration: underline;">comentário</span></a> na CBN.</span></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Número do governo em Copenhague será simbólico mas pode representar um passo sem volta</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Nov 2009 18:45:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Aquecimento global]]></category>
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		<description><![CDATA[Seria um avanço. Durante as últimas reuniões da “Cúpula do Clima” (as COPs), o Brasil nunca admitiu discutir compromissos nacionais quantificados para reduzir as emissões de gases estufa.
Sérgio Abranches
Mas aumentou a pressão externa, a China, que era aliada do Brasil na negação, está mudando de atitude. E tem, claro, o “efeito Marina Silva”. De repente, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Seria um avanço. Durante as últimas reuniões da “Cúpula do Clima” (as COPs), o Brasil nunca admitiu discutir compromissos nacionais quantificados para reduzir as emissões de gases estufa.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Sérgio Abranches<span id="more-456"></span></span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Mas aumentou a pressão externa, a China, que era aliada do Brasil na negação, está mudando de atitude. E tem, claro, o “efeito Marina Silva”. De repente, todos os candidatos  entraram num curso relâmpago de sustentabilidade. No EUA, eles têm uma expressão interessante para isso: “crash course”, uma espécie de “intensivão”.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O presidente Lula, que precisa alavancar uma candidata estacionada em um patamar de popularidade insuficiente, transformou a ministra Dilma Roussef na porta-voz oficial do governo sobre questões de mudança climática. Também a pôs de chefe da delegação brasileira, posição que caberia, por justiça e pertinência, pela ordem: ao ministro do Meio Ambiente, ao ministro das Relações Exteriores, ou ao ao ministro da Ciência e Tecnologia. O ministro Carlos Minc finge que não percebe que não tem mais nem a primeira, nem a última palavra oficial no assunto. Mas não está reclamando, porque suas idéias vão se impondo, ainda que ao custo de muita concessão.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Segundo fontes que participam das negociações internas no governo, as contas estão fechadas e é perfeitamente factível o Brasil se comprometer com um desvio de 40% em relação às emissões estimadas para 2020, em um cenário de crescimento de 5%-6% ao ano. Outras fontes dizem que os cálculos são, ainda, muito preliminares e que será preciso ainda algum esforço para chegar aos 30%-40%. Mas não negam a importância do número em si.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O maior problema com essa proposta é que ela não tem uma base real. Ela se propõe a reduzir a expectativa de emissão futura. A lei de mudança climática de São Paulo, por exemplo, que só entrará em vigor a partir de 2011, tem como meta a redução de 20% das emissões de 2005 até 2020. Tem uma base real e não é meta desprezível.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">São Paulo é o maior centro emissor nos setores de transportes e na indústria e o maior emissor urbano do país. A bordo da lei, o governador José Serra, candidato a candidato à presidencial, embora faça silêncio sobre sua intensa atuação nesse sentido, diz que pode ir a Copenhague. Dilma estará lá como chefe de delegação e Marina Silva, provavelmente também, como uma de nossas principais personalidades ambientais no plano internacional.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Para que se possa dizer se a proposta é realmente significativa, ela precisa começar por ser transparente. Isso significa tornar públicos a base de dados sobre emissões, as hipóteses utilizadas para as projeções, os cálculos, os coeficientes utilizados, para que possam ser verificados e criticados por especialistas da academia, do setor privado e pela imprensa.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O número real de corte de emissões, que fique claro, não é o que a ministra Dilma Roussef disse à imprensa: 38%, 40%, 42%. Esse é o desvio a menos, em relação ao volume projetado de emissões para 2020, sob determinadas hipóteses e, aparentemente, em um cenário de crescimento de 5% ao ano. Dependendo dos coeficientes utilizados e da base de dados, pode significar qualquer coisa entre 5% e 20% das emissões de 2005.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Portanto, no plano real, é uma meta modesta. Deve-se, também, levar em consideração que a maior parte dela será realizada por meio da redução, aparentemente já decidida, de 80% do desmatamento até 2020.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Dependendo da metodologia, o acréscimo que viria da agricultura, indústria e transportes pode ser muito modesto, no final das contas. Deve ser tomada, portanto, como um ponto de partida, e certamente terá que ser revista no futuro próximo.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Sem ver os números, a data-base para os coeficientes de projeção, o que está sendo apresentado em hipótese é uma caixa preta sem muito valor. Por exemplo, se a base dos coeficientes for 1994, todo o trabalho estará profunda e irremediavelmente distorcido. Entre 1994 e 2008, a estrutura industrial, de transportes e de produção de commodities passou por mudanças enormes. Primeiro, como efeito da estabilização, associada à abertura comercial e à privatização. Segundo, como efeito da expansão brutal do consumo entre 1996 e 1998. A produção de automóveis, por exemplo, praticamente dobrou. A produção de commodities explodiu com a expansão do comércio internacional com repercussões, inclusive, nos índices de desmatamento. Terceiro, com a recuperação posterior à crise cambial de 99 e o boom do período Lula. Quarto, com as transformações introduzidas na matriz elétrica pelo governo Lula, com aumento significativo da geração de eletricidade com combustíveis fósseis. Quinto, com a redução da participação do desmatamento nas emissões totais. O Brasil de 2004-2008 é muito maior, mais complexo e de muito maior intensidade de carbono no PIB, que o Brasil de 1994.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">As divisões internas no governo não desapareceram. Boa parte desse movimento tem objetivo de curto prazo, de cunho puramente eleitoral. O modelo de desenvolvimento da ideologia desenvolvimentista que Lula e Dilma professam não mudou. O ministério da Ciência e Tecnologia tem no comando da política para o clima, até agora, setores que também se orientam por uma visão atrasada do problema. O ministério da Agricultura não deixou de ser correia de transmissão dos interesses dos ruralistas. O Itamaraty é apontado por todos os participantes da negociação como a força mais recalcitrante. O ministro Celso Amorim é contra apresentação de compromissos adicionais ao de redução de desmatamento, segundo várias fontes de distintos ministérios &#8211; e nem sempre aliadas entre si. Os relatos mais recentes dão conta de que o Itamaraty é contrário à apresentação de um número &#8211; que permitiria à opinião pública mundial cobrar do Brasil no futuro e poderia produzir pressões políticas &#8211; e defende apenas a apresentação de ações e políticas, sem objetivos quantificados. Também diz que o Brasil não tem obrigação de apresentar objetivos quantificados. É o que chamo de Doutrina Amorim: “para quê fazer mais, se o mundo já vai aplaudir o menos”?</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Não há sinais suficientes de mudança real na correlação política de forças do governo Lula que justifique muito otimismo. Mas, por outro lado, se o Brasil pelo menos apresentar um número e a posição do Itamaraty for superada, é politicamente um fato relevante em si. Significa atravessar uma fronteira sem volta. O Brasil nunca quis assumir compromissos quantitativos. Ao apresentar, um número, mesmo com todas as ressalvas, terá quebrado um tabu e, na diplomacia, atravessado um marco definitivo.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">É parecido com a situação do EUA e da China, que também vinham se negando a assumir compromissos quantificados. Se os três apresentarem números, ainda que discutíveis e insuficientes, Copenhague já terá sido um salto rumo a um acordo mais consistente. Os três terão atravessado a fronteira sem retorno entre a política da negação e a política do comprometimento. Uma vez ultrapassado esse marco, é uma questão de aprofundamento e melhoramento do compromisso.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Veja, também, meu <a href="http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/sergio-abranches/SERGIO-ABRANCHES.htm"><span style="text-decoration: underline;">comentário na CBN</span></a>.</span></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Porque devemos abandonar o Protocolo de Kyoto e almejar muito mais</title>
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		<pubDate>Fri, 09 Oct 2009 23:21:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A resposta é simples: não queremos um futuro de decadência. Queremos um grande salto para nós e para a humanidade. Tão significativo quanto o Iluminismo. O caminho para uma sociedade onde todo o potencial presente nas mudanças científicas, tecnológicas e societais de hoje possa florescer plenamente e levar a um novo estágio da evolução humana.
Sérgio [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A resposta é simples: não queremos um futuro de decadência. Queremos um grande salto para nós e para a humanidade. Tão significativo quanto o Iluminismo. O caminho para uma sociedade onde todo o potencial presente nas mudanças científicas, tecnológicas e societais de hoje possa florescer plenamente e levar a um novo estágio da evolução humana.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Sérgio Abranches<span id="more-333"></span></span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O Protocolo de Kyoto fracassou em quase todas as suas dimensões. Ele durou por tempo impressionante. Entretanto sua única virtude notável foi servir de catalisador para o desenvolvimento e a experimentação de mercados regionais e globais de carbono, como argumenta <a href="http://mikehulme.org/"><span style="text-decoration: underline;">Mike Hulme</span></a>. Mas esses mercados não foram sequer capazes de estancar o crescimento das emissões. Suas falhas pesaram muito mais que seus poucos benefícios. Ele se tornou um escudo para que grandes emissores emergentes elidissem suas responsabilidades. Ele contempla uma visão medíocre do futuro, é o tratado para empurrar o problema com a barriga, não para promover o progresso.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Kyoto levou muito tempo para entrar em vigor. Quando passou a valer, foi ineficaz e ineficiente. O Protocolo foi basicamente uma invenção política, sem firme base científica ou econômica. Como escreve <a href="http://www.kyoto2.org/page94.html"><span style="text-decoration: underline;">Oliver Tickell</span></a>, ele “emergiu de um turbilhão de negociações e toma-lá-dá-cá dominado por interesses do status quo nacionais, políticos e comerciais”.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Ao tempo das negociações, o consenso científico sobre aquecimento global e mudança climática não era tão avassalador como é agora. Vozes dissidentes ainda eram levadas a sério. Agora não mais. Evidências concretas de aceleração do aquecimento global e da mudança climática aumentaram exponencialmente desde então. Kyoto não representa o estado atual do Mundo em relação aos riscos e oportunidades da mudança climática.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Não vou discutir em detalhe os fracassos de Kyoto. Recomendo “Why We Disagree About Climate Change”, de <a href="http://mikehulme.org/"><span style="text-decoration: underline;">Mike Hulme</span></a> ; “Kyoto 2”, de <a href="http://www.kyoto2.org/page94.html"><span style="text-decoration: underline;">Oliver Tickell</span></a> ; “The Global Deal”, de <a href="http://www.progressivebookclub.com/pbc2/viewBook.pbc?id=1302"><span style="text-decoration: underline;">Nicholas Stern</span></a>; “The Politics of Climate Change”, de <a href="http://www.policy-network.net/uploadedFiles/Publications/Publications/The_politics_of_climate_change_Anthony_Giddens(2).pdf"><span style="text-decoration: underline;">Anthony Giddens</span></a> ;  “Climate change negotiations reconsidered”, de <a href="http://www.policy-network.net/uploadedFiles/Publications/Publications/Scott_Barrett.pdf"><span style="text-decoration: underline;">Scott Barrett</span></a>. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">É suficiente dizer que o Protocolo de Kyoto não tem meta alguma para os grandes países emergentes, e metas medíocres para os países desenvolvidos. China, India e Brasil têm interpretado sua cláusula “responsabilidades comuns mas diferenciadas”, como “nenhuma obrigação”. Um novo acordo deveria estabelecer  mais claramente que os grandes emissores, desenvolvidos e emergentes, têm responsabilidades compartilhadas, que levam a obrigações compulsórias e quantitativas, embora diferenciadas. Os países desenvolvidos têm realmente uma dívida de carbono, mas ela não pode ser paga com autorizações para que as nações em desenvolvimento repitam sua trajetória de alto carbono. Ela deve ser paga com a criação de mecanismos financeiros e técnicos que permitam a esses países buscarem um caminho de  baixo carbono.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Kyoto não estabeleceu um mecanismo financeiro eficaz para promover a adaptação à mudança climática. O novo acordo tem que fixar a adaptação como alta prioridade e criar os meios financeiros institucionalizados para efetivamente ajudar os países mais pobres a se adaptarem à mudança climática, enquanto desenvolvem novas atividades econômicas de baixo carbono, que gerem emprego e renda e combatam a pobreza extrema.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O Protocolo foi ineficiente e ineficaz em relação a suas principais metas. É flexível demais. Seu mecanismo para obter a obediência às metas, muito fraco. Não conseguiu mudar o comportamento de suas partes signatárias. Admitiu a desobediência e induziu a complacência generalizada. Não por acaso, não alcançará sequer sua meta medíocre de queda de perto de 5% das emissões de gases estufa até 2012. Perto dos necessários 90% de queda até 2030, é um objetivo pífio. Como Nicholas Stern aponta, “de 1930 a 1950, a concentração dos gases de Kyoto aumentou em perto de 0,5 ppm per annum, de 1950 a 1970, em torno de 1 ppm per annum, e dali até 1990, a taxa de crescimento dobrou novamente. Na década passada [aquela que Kyoto deveria regular] ficou próxima de 2,5 ppm ao ano.”</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Um dos pilares do Protocolo de Kyoto foi o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL). Foi uma boa idéia que ajudou a criar o catalisador para o desenvolvimento dos mercados globais de carbono, como nota Hume. Contudo, como diz Stern, na sua forma atual não é capaz de gerar ou absorver of fluxos financeiros e técnicos necessários sob um acordo global. O mecanismo é muito complexo e muito burocrático. Ele se baseia na discricionariedade absoluta de agentes regulatórios e burocráticos. No Brasil, por exemplo, permitiu que um único burocrata fosse capaz de bloquear todo o processo de licenciamento. Ele é vulnerável a comportamentos idiossincráticos, levando a resultados muito diferentes por país, incomparáveis entre si para fins de avaliação. O que se precisa é de um novo quadro conceitual e metodológico, não-discricionário, para reduzir os custos de transação, ganhar escala e acelerar o processo decisório.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Ele não deve ser o pivô central da dimensão financeira do acordo, mas parte de um sistema de mecanismos que tenham como objetivo último promover uma revolução tecnológica, como propõe</span><span style="letter-spacing: 0.0px color;"> </span><span style="letter-spacing: 0.0px;">Scott Barrett. O novo acordo global não deve ser desenhado tendo como objetivos finais as metas de emissões. Elas são um objetivo crítico, mas sua sustentabilidade depende de uma nova economia política, uma nova revolução industrial. Essa nova economia política requer uma verdadeira e completa revolução tecnológica. Para criar momentum para esse salto tecnológico, precisaremos de instrumentos competentes de mercados e enquadramentos regulatórios.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Para alcançar esse máximo objetivo, que nos guiará rumo a uma sociedade de baixo carbono, nós precisamos, claro de mecanismos de mercado e da disciplina institucional de um acordo multilateral, um novo acordo global verde. Mas nós devemos concentrar muito de nossas atenções no estado e nos requisitos de governança para essa transição. O “estado terá um papel fundamental em todos os países na criação das condições gerais para o sucesso desses esforços,” diz Giddens com razão.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O básico para um novo acordo global já é bem conhecido: as emissões de gases estufa (GEF) dos países desenvolvidos devem atingir seu pico em torno de 2015, para cair subsequentemente continuada e rapidamente. As emissões de GEF das potências emergentes (especialmente China, India e Brasil) devem ter seu pico em 2020, para então convergir para as trajetórias dos países desenvolvidos. As emissões globais devem cair, para, pelo menos, 50% dos níveis de 1990 até 2050, e as emissões globais per devem chegar a, pelo menos, 1 tonelada até 2050. A meta é efetivamente estabilizar as concentrações de gases estufa</span><span style="letter-spacing: 0.0px color;">. Scott Barrett lembra corretamente que “há discordância sobre qual deverá ser o ponto de estabilização”. Hoje, está claro que, antes de pensarmos em estabilização, precisamos garantir que essas concentrações cheguem a 350 ppm.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; color: #282727; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; color: #282727;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Estabilização, diz Barrett, “requer que a atmosfera e os oceanos estejam em equilíbrio químico. Ao longo do tempo, a absorção pelos oceanos declinará com a queda das emissões. Em equilíbrio, se as concentrações forem [apenas] estabilizadas, as emissões terão que cair para zero.”</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; color: #282727; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; color: #282727;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Kyoto deixou as florestas do mundo fora de seus mecanismos principais. O novo acordo terá que encontrar uma forma de incluí-las. E, além disso, criar o meios que incentivem metas de desmatamento zero e o máximo possível de reflorestamento.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; color: #282727; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; color: #282727;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Temos que criar as condições para escrever esses objetivos em um acordo considerado compulsório por todos. Os governos deveriam aderir e construir os mecanismos domésticos de governança necessários para que sejam realizados. Os governos entre os indiscutíveis grandes emissores que continuam, hoje, a se recusar a assumir suas obrigações estão traindo os interesses concretos de seus povos. Não se trata de estarem descumprindo alguma obrigação moral para com a humanidade.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; color: #282727; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; color: #282727;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O acordo deve ser ambicioso. Devemos mirar alto e olhar longe. Os que propõem que as negociações devem almejar o possível estão desejando o impossível: uma solução incremental, de procrastinação, para uma ameaça cataclísmica.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; color: #282727; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; color: #282727;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Olhar apenas até os limites do possível é se acomodar. É a fórmula da derrota. Temos nos acomodado, criado soluções parciais, tolerado, e fracassamos nos objetivos da mitigação e da adaptação. Estamos construindo um apocalipse, um fim do mundo, quase inconscientemente, por meio de nossa complacência e falta de visão.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; color: #282727; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px color;">O que nós precisamos é de ambição, ousadia, radicalismo climático, no lugar de manobras políticas e negaças diplomáticas. Precisamos ter um sonho, um sonho global.</span><span style="letter-spacing: 0.0px;"> A sociedade de baixo carbono é possível. Está ao nosso alcance. Não estamos falando de decrescimento. Decrescimento é a ameaça por trás de nossa visão apocalíptica. Estamos falando de um novo padrão de desenvolvimento. Uma grande virada, como a passagem da Idade Média para o Iluminismo, como a transição do feudalismo ao capitalismo, pela via da Revolução Industrial. Já fizemos isso antes. Nós podemos mitigar a mudança climática, melhorar nosso bem-estar e combater a pobreza mundial. Por que deveríamos aceitar uma história futura mais pobre que nossa história passada?</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A visão apocalíptica leva à paralisia ou ao delírio, é uma profecia que se realiza em si mesma. As Utopias nutrem revoluções. Nós podemos ser técnicos, práticos e efetivos, e ainda ter um sonho, perseguir uma Utopia para nós e para as próximas gerações.</span></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Apple diz iQuit, para a decadente Câmara de Comércio do EUA</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Oct 2009 00:22:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Aquecimento global]]></category>
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		<description><![CDATA[A história é simples: a Suprema Corte, ainda nos já longínquos anos Bush, determinou que a EPA, a agência ambiental do EUA, deveria executar o mandato que lhe confere o Clean Air Act (a Lei do Ar Limpo) e controlar as emissões de gases estufa.
Sérgio Abranches
O mandato da EPA permite que ela controle efetivamente  as [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A história é simples: a Suprema Corte, ainda nos já longínquos anos Bush, determinou que a EPA, a agência ambiental do EUA, deveria executar o mandato que lhe confere o Clean Air Act (a Lei do Ar Limpo) e controlar as emissões de gases estufa.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Sérgio Abranches<span id="more-329"></span></span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O mandato da EPA permite que ela controle efetivamente  as emissões de carbono por toda a economia. Isso obviamente gera forte oposição em muitos setores. É claro: as “industrias poentes”, aquelas que inevitavelmente perderão competitividade e lucratividade com a regulação do carbono, e em breve morrerão, estão lutando por sua sobrevivência. Para a maioria delas não importa realmente se essa sobrevivência um pouco mais prolongada se dará à custa de uma catástrofe global, dentro de algumas décadas.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Mas, olhem de novo para elas. A  maioria já estava em declínio independentemente de regulações climáticas. A maioria é velha e incapaz de se renovar ou se reinventar. Estão todas em estado terminal.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A maior ameaça que enfrentam não vem das futuras regulações ou do imposto sobre o carbono. A verdadeira ameaça vem de indústrias emergentes que as vão substituir inexoravelmente. Regulações e imposto sobre o carbono serão apenas um mecanismo secundário que vão acelerar o seu fim. Elas não estão mais gerando tanto emprego quanto geravam na sua época de auge. Não têm dinamismo, nem capacidade inovadora. Muitas nem podem mais usar o modelo de “cash cows”, para extrair o máximo de lucro de suas atividades decadentes. O market share e as margens de lucro delas estão despencando.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Nenhuma surpresa no fato de que favorecem a inércia. Esse é o estado em que já vivem. A <a href="http://www.guardian.co.uk/environment/2009/oct/06/chamber-commerce-apple-climate-change"><span style="text-decoration: underline; letter-spacing: 0.0px color;">Câmara de Comércio do EUA</span></a> sempre pendeu para esse lado decadente da economia dos Estados Unidos. O governo Bush também. Agora, as circunstâncias mudaram, a correlação de forças virou para o outro lado, e, naturalmente, a Câmara está perdendo adeptos e apoio.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A Apple foi a mais recente de uma lista crescente <a href="http://www.huffingtonpost.com/james-boyce/iquit_b_310334.html"><span style="text-decoration: underline; letter-spacing: 0.0px color;">a dizer iQuit</span></a> (euTô fora), como escreveu James Boyce no The Huffington Post. O que detonou a debandada foi a oposição da Câmara de Comércio aos esforços da EPA para limitar as emissões de gases estufa. Mas a Câmara tem uma longa história de declarações vetustas, todas elas mostrando que a velha associação vive em estado de negação permanente, da ciência e da mudança climática. Ela representa a parte <a href="http://www.unscientificamerica.com/"><span style="text-decoration: underline; letter-spacing: 0.0px color;">“acientífica”</span></a>, <a href="http://www.telegraph.co.uk/earth/earthnews/6240611/Americans-are-illiterate-about-climate-change-claims-expert.html"><span style="text-decoration: underline; letter-spacing: 0.0px color;">analfabeta em mudança climática</span></a> da América do Norte.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A Nike renunciou à executiva da Câmara, mas permaneceu membro. A Apple saiu de vez.  É o que informa Suzanne Goldberg do <a href="http://www.guardian.co.uk/environment/2009/oct/06/chamber-commerce-apple-climate-change"><span style="text-decoration: underline; letter-spacing: 0.0px color;">The Guardian</span></a>. Já a Apple saiu de vez. Catherine Novelli, vice presidente mundial de relações com o governo da empresa escreveu em carta ao presidente da Câmara: “Nós objetamos fortemente aos comentários recentes da câmara em oposição aos esforços da EPA para limitar os gases estufa.” E continuou, afirmando que: “A Apple apóia a regulação de emissões de gases estufa, e ficou frustrada ao ver que a câmara está em lado oposto ao nosso nesse esforço”. Nós, o “Appovo” agradecemos.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Essa divisão só aumentará na economia do EUA e na economia global. Independentemente do que ocorra em Copenhague, nós caminharemos para mais regulação do carbono e, em algum ponto do futuro próximo, veremos a regulação ou a taxação estabelecer um preço mínimo para o carbono. O investimento de capital de risco e os subsídios governamentais estão se voltando para as tecnologias limpas e as energias renováveis. Esse fluxo só aumentará daqui em diante. Os empregos verdes estão crescendo mais rápido nos países desenvolvidos, que os empregos cinzas. Paradoxalmente, quanto mais rápido os  glaciais derreterem e a Terra aquecer, mais rápido essas indústrias poentes e esses blocos de interesses decadentes desaparecerão.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Que eles já perderam essa guerra é cristalino. O que não é certo é se nós conseguiremos vencer o desafio da mudança climática em tempo para que essa economia emergente de baixo carbono possa florescer no século XXI. As primeiras pistas para respondermos a essa questão virão do Capitólio, em Washington, sede do Congresso do EUA, que examina a lei de mudança climática, e do Bella Center, em Copenhague, onde o Rio ganhou a sede da Olimpíada de 2016 e será realizada a COP-15 da Convenção do Clima, em dezembro. </span></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Ainda há esperança para a reunião de Copenhague</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Sep 2009 23:10:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Mas a probabilidade contra um acordo efetivo está aumentando. A Cúpula do Clima de New York e o encontro do G20 não quebraram o impasse. Os negociadores estão trabalhando uma proposta para o acordo esta semana em Bancoc. Enquanto isso, a ONU divulga o último rascunho dessa proposta.
Sérgio Abranches
Encontros de chefes de estado e governo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Mas a probabilidade contra um acordo efetivo está aumentando. A Cúpula do Clima de New York e o encontro do G20 não quebraram o impasse. Os negociadores estão trabalhando uma proposta para o acordo esta semana em Bancoc. Enquanto isso, a ONU divulga o último rascunho dessa proposta.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Sérgio Abranches<span id="more-293"></span></span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Encontros de chefes de estado e governo raramente levam a comunicados muito detalhados em relação a políticas públicas ou acordos internacionais. Mas esses últimos dois, a Cúpula do Clima, em New York, e o encontro do G20, em Pittsburgh foram ainda mais vagos que o habitual.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">As duas reuniões perderam a oportunidade de processar as diferenças que estão emperrando decisões efetivas sobre assuntos críticos. Ambas falharam em aumentar as esperanças de que o impasse do clima estaria chegando ao fim e que a COP 15, em Copenhague, poderia ser diferente das anteriores. Não precisamos de mais um “mapa do caminho”. Precisamos de um acordo substantivo.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O G20 não fez <a href="http://solveclimate.com/blog/20090927/g20-communique-support-climate-action-few-details"><span style="text-decoration: underline; letter-spacing: 0.0px color;">progresso real</span></a> rumo ao acordo climático. Também não avançou nas negociações para novos marcos regulatórios para os mercados financeiros domésticos e global. Os mercados financeiros estão retornando aos comportamentos pré-crise, dada a falta de novas regras. Os governos estão, novamente, se mostrando tão <a href="http://www.ecopolitica.com.br/2009/09/18/voce-sabe-a-complacencia-voltou%E2%80%A6/"><span style="text-decoration: underline; letter-spacing: 0.0px color;">complacentes</span></a> como os mercados.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A crise financeira resultou de falhas de mercado e de regulação. Os sinais são de que não faremos nada para evitar que esses dois tipos de falha ocorram novamente. Eu sei que é impossível eliminar o risco de falhas regulatórias ou de mercado. Mas é perfeitamente possível evitar que o mesmo tipo de falha se repita. É para isso que precisamos de regulação. É por isso que a falta de substância nas respostas dos governos é um risco sério.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Significa dizer que Copenhague será uma conferência das partes da Convenção do Clima com resultados tipo “mais do mesmo”? A probabilidade de que assim seja aumenta com cada reunião fracassada. Os sinais são mistos e estão gerando controvérsia: <a href="http://www.motherjones.com/mojo/2009/09/copenhagen-dead"><span style="text-decoration: underline; letter-spacing: 0.0px color;">aqui</span></a>, <a href="http://www.commondreams.org/headline/2009/09/26-3"><span style="text-decoration: underline; letter-spacing: 0.0px color;">aqui</span></a>, e <a href="http://www.theenergycollective.com/TheEnergyCollective/48655"><span style="text-decoration: underline; letter-spacing: 0.0px color;">aqui</span></a>. A Cúpula de New York foi uma oportunidade para que alguns países mostrassem parte das cartas que levarão para <a href="http://www.ecopolitica.com.br/2009/09/22/cupula-do-clima-de-new-york-nao-sera-o-fim-do-impasse-mas-sera-um-passo-adiante-para-fechar-um-bom-acordo/"><span style="text-decoration: underline; letter-spacing: 0.0px color;">jogar em Copenhague</span></a>.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A maior parte da incerteza sobre um acordo climático efetivo tem a ver com o que o presidente Obama será capaz de fazer. O fato de que o EUA não esteja mais em uma atitude de sabotagem tem valor em si, mas não é  suficiente. A efetividade da mudança do EUA para o apoio a um acordo cientificamente adequado será fortemente mitigada se o Congresso não aprovar uma legislação substancial sobre mudança climática. Na Europa há muita preocupação sobre a possibilidade de que a <a href="http://www.guardian.co.uk/environment/2009/sep/28/us-climate-change-copenhagen-schnellnhuber"><span style="text-decoration: underline; letter-spacing: 0.0px color;">inércia do EUA</span></a> possa arruinar a perspectiva de um bom acordo em Copenhague. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A segunda maior fonte de incerteza é a China. O discurso do presidente Hu Jintao em New York sobre os novos planos da China foi muito bem recebido. O coração dessas políticas é o programa para reduzir a intensidade de carbono da economia chinesa por unidade de PIB. É um passo importante, mas está muito aquém do que se espera da China. O mesmo se pode dizer dos anúncios recentes de mudança de atitude da Índia e do Brasil, se propondo a agir mais efetivamente para mitigar suas emissões de gases estufa.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Se o EUA não mostrar sua capacidade de mudar internamente, as nações desenvolvidas provavelmente reduzirão a intensidade de seus próprios compromissos. Não é o mesmo que dizer que nada acontecerá. Os países da UE certamente avançarão em suas políticas de redução de emissões. O novo governo japonês provavelmente implementará o que o primeiro ministro Yukio Hatoyama anunciou em New York. Mas essas ações unilaterais, embora úteis, não serão suficientes.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Nós ainda temos tempo para salvar o acordo de Copenhague. <a href="http://www.reuters.com/article/environmentNews/idUSTRE58R42X20090928"><span style="text-decoration: underline; letter-spacing: 0.0px color;">A agência Reuters disse</span></a> nesta segunda-feira que o EUA pediu à Inglaterra para realizar o encontro do Fórum das Maiores Economias, que tem 17 membros, Brasil inclusive, que já havia sido marcada no início do ano, “para propiciar um fórum informal para discutir questões relativas à mudança climática, em Londres, em 18 e 19 de Outubro”. O encontro “cobrirá a maioria das questões discutidas na Convenção do Clima (UNFCCC) antes de Copenhague mas não será parte das negociações oficiais”, disse o Departamento (Ministério) de Energia e Mudança Climática Change da Inglaterra em nota à imprensa, de acordo com a Reuters. Compromisso real por parte de todos os países é indispensável para que se garanta um acordo inovador, diz ainda a nota.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Os delegados dos países estão no momento na Tailândia para discutir uma proposta para o novo arranjo institucional que deve substituir o Protocolo de Kyoto. A UNFCCC divulgou hoje um “<a href="http://unfccc.int/resource/docs/2009/awglca7/spa/inf02s.pdf"><span style="text-decoration: underline; letter-spacing: 0.0px color;">Texto de Negociação</span></a>” (em espanhol. Há também cópias em <a href="http://unfccc.int/resource/docs/2009/awglca7/eng/inf02.pdf"><span style="text-decoration: underline; letter-spacing: 0.0px color;">inglês</span></a> e <a href="http://unfccc.int/resource/docs/2009/awglca7/fre/inf02f.pdf"><span style="text-decoration: underline; letter-spacing: 0.0px color;">francês</span></a>). O texto de 200 páginas é de leitura difícil, não só por causa do jargão diplomático, mas também porque está cheio de cláusulas opcionais e remissões a versões e documentos anteriores.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Uma primeira leitura do documento mostra que os delegados estão tão preparados para um acordo inovador quanto para um acordo aguado. Dou dois bons exemplos de textos que poderiam ser desenvolvidos em direção a um compromisso mais forte de todas as partes.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Na página 15, um dos fraseados opcionais diz o seguinte: “Todas as Partes devem perseguir a meta de longo prazo de obter pelo menos cinquenta por cento de redução nas emissões globais de gases de efeito estufa a partir de seus níveis atuais até 2050, com referência ao conhecimento científico do Painel Intergovernamental de Mudança Climática, por meio da constituição de uma sociedade de baixo carbono e do desenvolvimento de tecnologias inovadoras. Para alcançar essa meta, o pico das emissões deve se dar nos próximos dez a vinte anos, 2015 para os países desenvolvidos e 2025 para os países em desenvolvimento, todas as Partes devem compartilhar a visão de como pavimentar o caminho para reduzir as emissões globais até 2050 com flexibilidade e diversidade das ações nacionalmente apropriadas.”</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O maior problema é que o texto não estabelece essas metas como compulsórias. Reescrito para comprometer todas as partes ele poderia ser um bom ponto de partida.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Na página 59, a proposta tem uma outra opção que aponta na direção de um acordo mais efetivo:</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">“As Partes reconhecem que nesse contexto as emissões de gases estufa precisam ser estabilizadas o mais abaixo possível de 350 ppmv CO2 eq, com aumentos de temperatura limitados o mais abaixo possível de 1,5</span><span style="font: 12.0px Helvetica; letter-spacing: 0.0px;"><sup>o</sup></span><span style="letter-spacing: 0.0px;">C acima dos níveis pré-industriais; dessa forma as emissões globais devem ter seu pico até 2015, e em seguida serem reduzidas em mais de 85 por cento abaixo dos níveis de  1990 até 2050.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Reduções de emissões ao longo de toda a economia por todos os países devem ser definidas para obter a estabilização de concentrações de GEF na atmosfera em 350 ppm equivalentes de dióxido carbono (CO2 eq) e um aumento de temperatura abaixo de 2</span><span style="font: 12.0px Helvetica; letter-spacing: 0.0px;"><sup>o</sup></span><span style="letter-spacing: 0.0px;">C acima do nível pré-industrial. Com esse objetivo, as Partes devem reduzir emissões globais coletivamente em no mínimo 45 por cento em relação aos níveis de 1990 até 2020 e no mínimo 95 por cento em relação aos níveis de 1990 até 2050.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Para estabilizar a concentração de gases estufa na atmosfera em nível que evitaria interferências antropogênicas perigosas no clima, as Partes reconhecem que o aumento global da temperatura deve ser limitado a 2</span><span style="font: 12.0px Helvetica; letter-spacing: 0.0px;"><sup>o</sup></span><span style="letter-spacing: 0.0px;">C acima do nível pré-industrial.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">De acordo com os dados científicos, isso implica que as emissões agregadas de gases estufa por países desenvolvidos devem ser reduzidas em [25–40] por cento até 2020 comparadas a 1990. Emissões dos países em desenvolvimento devem coletivamente desviar significativamente da trajetória “business as usual” em [15–30] por cento até 2020. As emissões globais de gases estufa deve atingir seu pico até 2015.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">As Partes devem adicionalmente reduzir coletivamente as emissões globais em 50–85 por cento até 2050 comparadas  ao nível de 2000. Essas obrigações coletivas devem ser ajustadas de acordo com a melhor informação científica disponível, incluindo o Quinto Relatório de Avaliação do IPCC.”</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Adicione um fraseado adequado para criar compromissos compulsórios para todas as partes, ainda que em tempos diferentes, e podemos selar um acordo efetivo.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Especialmente se outra provisão contida na proposta for mantida: a que determina a revisão de metas e compromissos a cada cinco anos, a primeira revisão ocorrendo em 2015. Gradualismo e efetividade associadas a metas apropriadas válidas para todos teriam bom resultado.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica; min-height: 22.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">As regras da UNFCCC requerem que todas as partes assinem o acordo. Essa regra de unanimidade transforma todas as partes em agentes de veto. É um enorme obstáculo a qualquer acordo ambicioso. Mas a política nunca é igualitária. Se as 40 maiores potências e emissores assinarem, muito provavelmente todos assinarão.</span></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Twitter: Nem Bobagem, nem Bolha, Os Usos Sociais da Tuitagem</title>
		<link>http://www.ecopolitica.com.br/2009/08/24/twitter-nem-bobagem-nem-bolha-os-usos-sociais-da-tuitagem/?utm_source=rss&amp;utm_medium=rss&amp;utm_campaign=twitter-nem-bobagem-nem-bolha-os-usos-sociais-da-tuitagem</link>
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		<pubDate>Mon, 24 Aug 2009 03:17:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.ecopolitica.com.br/?p=218</guid>
		<description><![CDATA[Sérgio Abranches
O Twitter não é um brinquedinho fútil, nem um modismo. É possível encontrar várias utilidades para ele. Ele pode ser extremamente divertido e pode com certeza viciar. O Twitter pode até ter começado como um meio de troca de mensagens rotineiras, cotidianas. Mas cresceu para ser muito mais que isso.

A análise política profissional e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Sérgio Abranches</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O Twitter não é um brinquedinho fútil, nem um modismo. É possível encontrar várias utilidades para ele. Ele pode ser extremamente divertido e pode com certeza viciar. O Twitter pode até ter começado como um meio de troca de mensagens rotineiras, cotidianas. Mas cresceu para ser muito mais que isso.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"><span id="more-218"></span></span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A análise política profissional e a sociologia estão apenas começando a captar o peso e as implicações da mídia social, especialmente após a chegada do Twitter. O Twitter, nesse caso, é o território menos desbravado.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Mas já há algumas observações interessantes, a partir de análises do Twitter. As estatísticas de <a href="http://danzarrella.com/retweet-linguistics.html"><span style="text-decoration: underline; letter-spacing: 0.0px color;">Dan Zarrella</span></a>, por exemplo, comparando tuítes e retuítes (RTs). Elas mostram que retuítes trazem mais links (57%) que os tuítes originais (19%); tendem a ser mais complexos e menos legíveis (tal como medidos pelos índices <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Flesch-Kincaid_Readability_Test%23Flesch.E2.80.93Kincaid_Grade_Level"><span style="text-decoration: underline; letter-spacing: 0.0px color;">Flesch-Kincaid</span></a> e <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/SMOG"><span style="text-decoration: underline; letter-spacing: 0.0px color;">SMOG</span></a></span><span style="font: 13.0px Helvetica; letter-spacing: 0.0px;"><strong> </strong></span><span style="letter-spacing: 0.0px;">de legibilidade); por serem mais complexos, requerem maior nível educacional para serem entendidos, mas tendem a conter mais novidade que os tuítes originais.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Zarrella </span><span style="letter-spacing: 0.0px color;">(@danzarrella)</span><span style="letter-spacing: 0.0px;"> usou o <a href="http://www.kovcomp.co.uk/wordstat/RID.html"><span style="text-decoration: underline; letter-spacing: 0.0px color;">Regressive Imagery Dictionary</span></a>, um esquema de codificação destinado a medir a quantidade e tipo de três categorias de conteúdo: “primordial (a forma inconsciente como se pensa, como nos sonhos); conceitual (pensamento lógico e racional); e emocional.” Ele descobriu que RTs têm mais conteúdo conceitual, e menos conteúdo primordial e emocional, que tuítes escolhidos aleatoriamente. Ele também mostra que comportamento social e instrumental (palavras construtivas como construir e criar) é retuitável, e pensamentos abstratos e palavras baseadas em sensações não são.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Zarrella também fez uma análise <a href="http://www.liwc.net/"><span style="text-decoration: underline; letter-spacing: 0.0px color;">“LIWC”</span></a> (Linguistic Inquiry and Word Count), para medir “vários componentes emocionais, cognitivos e estruturais presentes em amostras de conversação individual oral e escrita”. Ela mostrou que “tuítes sobre trabalho, religião, dinheiro e mídia/celebridades são mais retuitáveis  que tuítes sobre emoções e sensações negativas, pragas e auto-referências”.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Dannah Boyd, Scott Golder, e Gilad Lotan, estudaram uma amostra de RTs e encontraram que: 52% contêm uma URL; 18% contêm um hashtag, 11% contêm um RT encapsulado; 9% um @resposta que se refere à pessoa retuitando a postagem (“<a href="http://www.danah.org/papers/TweetTweetRetweet.pdf"><span style="text-decoration: underline; letter-spacing: 0.0px color;">Tweet, Tweet, Retweet: Conversational Aspects of Retweeting on Twitter</span></a>”). Êpa! Os autores pediram para não citar. Então, por favor, não citem&#8230;</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A pessoas retuítam por várias razões, eles argumentam: para amplificar ou espalhar a mensagem para novas audiências; para comentar tuítes, para atuar como curadores de nova informação; para tornar visível sua presença como um ouvinte; como um ato de companheirismo ou homenagem; para ganho próprio; para salvar informação para uso futuro. Pode ser uma conversação bagunçada, mas, com certeza, ela faz sentido, eles concluem.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Essas posições contrariam um estudo recente da <a href="http://www.pearanalytics.com/wp-content/uploads/2009/08/Twitter-Study-August-2009.pdf"><span style="text-decoration: underline; letter-spacing: 0.0px color;">Pear Analytics</span></a> sobre o Twitter, mostrando que 40,5% dos tuítes são classificáveis como bobagem: os tuítes tipo ‘estou comendo um sanduíche agora’.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Fora do contexto geral de uma conversação em processo, dizer gratuitamente que estou tomando um café num quiosque da Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro, pode parecer mesmo uma bobagem. Mas, para meus seguidores, com quem estou envolvido em uma conversação continuada, é uma informação útil. Alguma dessas pessoas pode estar nas proximidades e querer saber se podemos ter uma conversa face a face no quiosque. Ou, ao saber o que estou fazendo, se dar conta de que não estou no escritório ou em casa, portanto tuitando diferente, ou de forma mais esparsa, no meu iPhone.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Quando tuíto que vou dar uma palestra na FEA-USP, numa determinada data, seria bobagem ou “autopromoção” (6% dos tuítes nos dados da Pear Analytics)? </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">De novo, colocado no contexto de uma conversa continuada, é uma informação útil. Alguém pode querer, por exemplo, ouvir a palestra. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Como esse é um exemplo, real, foi o que aconteceu: uma pessoa realmente foi à palestra e tivemos um excelente papo face a face. Pode-se chamar isso de verificação física de “impressões virtuais”. Felizmente as impressões foram mais que confirmadas.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Há um claro erro na categorização e classificação dos tuítes nesse estudo. Eles só encontraram 3,6% de “notícias”. Mas eles só consideram notícia, aquilo que sai na mídia tradicional, “que se pode encontrar nas estações nacionais de notícias como CNN ou Fox News”. Notícias sobre tecnologia ou mídia social, como as que aparecem no TechCrunch ou Mashable estão excluídas da categoria de notícias.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Essas notícias sobre tecnologia e mídia social, mais as notícias que fluem pelo Twitter de jornalistas independentes, blogueiros ou mesmo jornalistas da mídia tradicional, publicando fora dela, viram “tuítes de conversa”  ou de “transmissão de valores” &#8211; 9% &#8211; (qualquer tuíte com um ‘RT’). </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">“Tuítes de Conversa”, 37.5%, viraram uma categoria ônibus &#8211; pega tudo: tuítes que cabem em mais de uma categoria, tuítes começando com ‘@’, e “tuítes que vão e voltam entre pessoas, quase como nas mensagens instantâneas, assim como tuítes que tentam atrair seguidores para o diálogo, como pesquisas e perguntas”. A verdade é que todo tuíte é “de conversa”, porque o Twitter é uma conversação. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Classificações impróprias levam à má interpretação dos resultados. Parece que a maioria dos 40,5% classificados como “bobagem sem sentido” não são bobagens, nem sem sentido. Eles revelam seu significado quando adequadamente vistos no contesto do Twitter como uma conversação que emerge <a href="http://www.baekdal.com/articles/Management/what-the-heck-is-twitter/"><span style="text-decoration: underline; letter-spacing: 0.0px color;">porque as pessoas encontram</span></a> outras pessoas interessantes, compartilham pontos de vista, pensamentos, experiências, informações, sobre praticamente tudo que alguém vá procurar.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Dannah Boyd lembra que o “Twitter &#8211; como muitos gêneros emergentes de mídia social &#8211; é estruturado em torno de redes de pessoas interagindo com outras pessoas que elas conhecem ou consideram interessantes. (…) Tudo gira em torno da intimidade que não tem valor para o ouvido de terceiros, que não conhecem a pessoa que está dizendo as aparentes bobagens”.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A relações sociais são interações continuadas com memória. Eu sei o que conversei com meus companheiros lá. Por isso não preciso relembrar diálogos passados para continuar conversando. Começo de onde parei da última vez.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O significado socialmente construído, no caso o significado que emerge das interações sociais na comunidade do Twitter, não surge apenas de trocas tipo vaivém de mensagens. Há muitos tuiteiros que seguem vários diálogos silenciosamente, retirando deles informação de conteúdo, adquirindo conhecimento, inspiração e dicas para suas vidas profissionais ou pessoais.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Dannah Boyd (@zephoria) ajuda a entender melhor esse ponto, quando ela mostra que o que os tuiteiros estão fazendo online é “fundamentalmente um misto de cafuné social e fixação de uma consciência social periférica. Eles querem saber o que as pessoas à sua volta estão pensando e fazendo e sentindo, mesmo quando a presença simultânea não é viável”.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Tudo bem, mas não estamos superestimando o Twitter?  E se não passar de uma bolha?  Será que ele não vai desaparecer logo?</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Ele tem um crescimento exponencial tipo bolha. A demografia do Twitter é tudo menos precisa, mas grosseiramente falando, os tuiteiros eram 4,4 milhões ao final de 2008, quase dobraram até fevereiro de 2009, chegando a 7 milhões</span><span style="font: 15.0px Arial; letter-spacing: 0.0px;">; em agosto, algumas estimativas dizem que já são  47 milhões. Desempenho estonteante. Alguns argumentam que isso é exagerado, porque muitos estão inativos: pelo menos 40% nunca tuitaram, nem têm sequer um seguidor.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Arial; min-height: 17.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Arial;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Eu encontrei alguns desses “tuiteiros silenciosos” e perguntei porque haviam abandonado o Twitter. Me responderam que não haviam abandonado, estavam “ouvindo”, tentando entender qual é a do Twitter. Alguns, desde então, já seguem várias pessoas seletivamente; outros, já se tornaram tuiteiros ativos.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Arial; min-height: 17.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Arial;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O Twitter não é intuitivo para todo mundo. Nada tem de parecido com o Facebook, o Orkut ou outros recursos de rede social. Ele é diferente. Para muitas pessoas requer algum aprendizado.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Arial; min-height: 17.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Arial;"><span style="font: 15.0px Helvetica; letter-spacing: 0.0px;">Um estudo do centro de pesquisas <a href="http://www.pewinternet.org/Reports/2009/Twitter-and-status-updating/Part-1/Section-2.aspx?r=1"><span style="text-decoration: underline; letter-spacing: 0.0px color;">PEW</span></a></span><span style="font: 12.0px Helvetica; letter-spacing: 0.0px;"> </span><span style="font: 15.0px Helvetica; letter-spacing: 0.0px;">mostrou que o</span><span style="letter-spacing: 0.0px;"> uso do Twitter está altamente correlacionado ao uso de outras mídias sociais: o uso de blogs e redes sociais aumenta a probabilidade de que uma pessoa também use o Twitter. Porque ele é diferente, ele adiciona novas possibilidades e reforça outras mídias sociais.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Arial; min-height: 17.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">É improvável que o Twitter seja uma bolha prestes a estourar. Ele pode ser substituído, no futuro, por algo que retenha suas funções, enquanto oferece novas funcionalidades. Mas ele também pode se adaptar e evoluir, como já fez. O Twitter hoje é uma espécie diferente daquela que o originou. Mudou dramaticamente, movido pela inovação espontânea que resultou de milhões de interações reais.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Arial; min-height: 17.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Arial;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Proponho que passemos a olhar o Twitter como uma comunidade diversa. Minhas observações e meu uso ativo me indicaram que há pelo menos três tipos básicos de tuiteiros:</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Companheiros &#8211; tuiteiros fundamentalmente interessados em compartilhar conteúdo. Entre eles há companheiros líderes e seguidores engajados. Ambos são seletivos em relação a quem seguem, tendem a bloquear seguidores indesejáveis (spammers, pornografia), e deixam de seguir quem se mostre inconveniente, ‘robotizado’ ou desinteressante.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Amigos &#8211; ouvintes reais, ouvindo atentamente ao rico intercurso de idéias que se dá no Twitter; aprendendo, preparando para se tornarem tuiteiros ativos; saltando avidamente para qualquer link que atraia seu interesse, para se beneficiar de toda a imensa riqueza de informações que flui pelo Twitter a cada segundo.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">“Maximizadores de seguidores” &#8211; aqueles interessados em aumentar o número de seguidores, para fins comerciais ou puro narcisismo. Eles seguem para serem seguidos, automatizadamente, e só ouvem uma mínima fração dos que seguem. Há também empresas, vendedores e spammers nessa categoria, mas eles estão ainda menos engajados na conversação. Como diz Danna Boyd, eles “estão verdadeiramente desempenhando para grandes audiências (por exemplo, ‘celebridades’, empresas, empresas jornalísticas, e bloggers de grande prestígio), estão conscientemente produzindo conteúdo para consumo que não requer um relacionamento verdadeiramente íntimo com as pessoas para elas o apreciarem”. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O Twitter não é bobagem, nem bolha, pode-se chamá-lo de uma comunidade de conversa, com um alto potencial viral ( por exemplo, #FollowFriday), alto impacto político ( por exemplo, #Iranelections), e alto valor como um meio para passar idéias e circular notícias. Grande parte da conversa em curso só seria bobagem sem sentido para aqueles que estão fora do espaço do Twitter, como aponta Dannah Boyd.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">“Claro que ele parece estranho. Entre em qualquer círculo social típico entre pessoas que você não conhece e ele vai parecer muito estranho, especialmente se essas pessoas são demograficamente distintas de você.”</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica; min-height: 18.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 15.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Isso dito, estou prestes a tuitar esse post. Nos vemos por lá.</span></p>
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