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	<title>Ecopolitica &#187; COP15</title>
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	<description>Política Mudança Climática Século XXI</description>
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		<title>Twitter, mudança climática e revolução na mídia</title>
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		<pubDate>Wed, 06 Jan 2010 19:34:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Um dia, entrei na sala de imprensa do Bella Center, em Copenhague, onde acontecia a Conferência do Clima, e resolvi passear entre as longas mesas.
Sérgio Abranches
Eram mesas largas e compridas, cada uma com capacidade para umas 50 pessoas. E eram muitas. Havia mais de 2000 jornalistas por ali. Passei por várias fileiras, olhando o que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um dia, entrei na sala de imprensa do Bella Center, em Copenhague, onde acontecia a Conferência do Clima, e resolvi passear entre as longas mesas.</p>
<p>Sérgio Abranches<span id="more-789"></span></p>
<p>Eram mesas largas e compridas, cada uma com capacidade para umas 50 pessoas. E eram muitas. Havia mais de 2000 jornalistas por ali. Passei por várias fileiras, olhando o que as pessoas tinham em suas telas de computador.</p>
<p>Não era um ato gratuito de voyeurismo, embora uma jornalista argentina, que teimava em só falar inglês mesmo com quem falava espanhol, tenha achado que sim. Ela se irritou visivelmente, porque quando passei por ela, estava colocando uma foto do jornalista em frente no Facebook, dizendo que queria ficar com ele. Tapou a tela com as mãos ostensivamente.</p>
<p>Está certo que olhar por trás dos outros é feio e o cara estava com a mulher ao lado, também jornalista. Mas meu objetivo era outro: observar quantas pessoas estavam usando recursos multimídia e de rede social.</p>
<p>O que pude observar é que a maioria usava vídeos e texto. A esmagadora maioria postava em tempo real, em blogs ou em sites de suas empresas jornalísticas e portais de notícias. Quase todos usavam Twitter.</p>
<p>Retornando de Copenhague e ainda me recuperando de uma sinusite com bronquite, provavelmente causadas pelo frio nas vezes que o enfrentei sem agasalho suficiente, vi tuíte dizendo que <a href="http://ow.ly/S0cK">2009 foi o ano</a>&#8230; do Twitter, claro. Certamente foi. Ele explodiu no ano passado, em todos os indicadores: número de contas, números de contas ativas, número de tuítes, replies, retuítes e DMs. <a href="http://news.cnet.com/2702-1023_3-434.html%23featured">Aumentou</a> o número de pessoas que têm no Twitter sua <a href="http://www.leveltendesign.com/blog/colin/rethinking-my-twitter-content-stratgy">plataforma</a> âncora de <a href="http://bits.blogs.nytimes.com/2009/11/10/tweets-are-coming-to-linkedin/">comunicação coletiva</a>, ou de rede social.</p>
<p>Se 2009 foi o ano do Twitter, ele certamente foi também o ano em que o Twitter dominou a cobertura jornalística na Cúpula do Clima. Marcou, igualmente, o seu uso generalizado pelas ONGs e outras organizações que foram à COP15, para realizar eventos paralelos, advogar políticas, ou pressionar, contra ou a favor.</p>
<p>Como observou <a href="http://reportr.net/2009/09/15/foj09-talk-twitter-as-a-system-of-ambient-journalism/">Alfred Hermida</a> (@Hermida)</p>
<p>foi muito rápida a adesão dos jornalistas ao Twitter, provocando quase um frenesi tuiteiro em alguns setores da mídia.</p>
<p>Ele também nota que</p>
<p>O Twitter foi rapidamente adotado nas redações como um mecanismo de distribuir as últimas notícias rapidamente e de forma concisa ou como um recurso para encontrar idéias para matérias, fontes e fatos.</p>
<p>Eu vi isso acontecer na Sala de Imprensa do Bella Center. Tuítes eram usados para para dar aquelas notícias que todos sabiam seriam superadas em matéria de horas, se não minutos; furos cada vez mais efêmeros; para socializar sites e contas de Twitter que eram boas fontes de informação; para dar opinião; para comentar sobre a experiência e o ambiente da cobertura da COP15, que foi <a href="http://www.ecopolitica.com.br/2009/12/29/clima-cosmopolita/">inédita</a> sob muitos aspectos. Nesse ambiente, o uso da palavra exclusivo era uma temeridade.</p>
<p>Formou-se uma espécie de Twitter de Babel, um diálogo multi-linguístico continuado e uma experiência de compartilhamento de informação, claro, com filtros (uns mais que outros) e com defecções (todas muito notadas).</p>
<p>O presidente francês Nicolas Sarkozy disseminava suas impressões, informações e idéias por meio de uma conta de Twitter criada especificamente para a COP15: @ElyseeCop15.</p>
<p>O primeiro ministro Gordon Brown usou a conta regular @10DowningStreet para dar suas impressões. Ambas se tornaram fontes muito úteis e largamente consultadas.</p>
<p>Um tuíte típico representando a visão de Sarkozy era assim:</p>
<p>PR: “les difficultés de cette conférence, c&#8217;est la preuve d&#8217;un système onusien à bout de souffle”, about 13 hours ago from Seesmic. (“As dificuldades dessa conferência, prova de que o sistema da ONU perdeu o gás”).</p>
<p>Um tuíte típico expressando o ponto de vista de Gordon Brown era assim:</p>
<p>PM: Negotiations fraught, but determined to get this done. Leaders must put cards on table. 8:12 AM Dec 17th from web (“Negociações ameaçadas, mas determinado a fechá-las. Os líderes precisam pôr as cartas na mesa”).</p>
<p>Quando penso naqueles dias intensos na Sala de Imprensa durante a COP15, uma das imagens mais nítidas que me vêem à mente é a de milhares de jornalistas buscando freneticamente informação, checando, verificando o que conseguiam, por todos os meios possíveis, um grande número compelido a reportar em tempo real.</p>
<p>A intermediação do Twitter tornava essa situação relativamente comum nesse tipo de cobertura, na melhor expressão das formas emergentes daquilo que Hermida chama de jornalismo de ambiente.</p>
<p>(J)ornalismo de ambiente &#8211; um sistema de percepção que oferece meios diversos de coletar, comunicar, compartilhar e apresentar notícias e informações, servindo a diferentes objetivos. O sistema está sempre no ar mas também opera em distintos graus de engajamento e consciência.</p>
<p>A COP15 foi seguramente a primeira na qual o Twitter foi integralmente usado como parte da cobertura jornalística. Imagino que tenha sido também o ápice do blog jornalístico dedicado ao clima. Não tenho evidência coletada disso, mas posso dar o testemunho da minha experiência e observação: obtive mais informação e confirmação de notícias e rumores em blogs do que nos sites da imprensa convencional, exceto nos casos da Reuters e do The Guardian. Claro, estou contando blogs de jornalistas profissionais abrigados em sites da imprensa convencional, como o <a href="http://dotearth.blogs.nytimes.com/">Dot Earth</a> do @Revkin ou o <a href="http://www.guardian.co.uk/environment/blog">Environment Blog</a> do The Guardian. Mas eles são poucos. A maioria era blog separado da imprensa convencional.</p>
<p>O Twitter foi também um recurso crucial para advogados de políticas climáticas, lobbies, militantes, pro e contra, e ONGs. Eles tinham objetivos distintos da imprensa, mas eram também ótimas fontes de informação. Experientes analistas do Greenpeace foram fundamentais para mim, por exemplo. Também obtive boa informação de profissionais do WWF e da OXFAM.</p>
<p>Uma experiência que achei muito interessante foi o uso feito pelo <a href="http://adoptanegotiator.org/">Adopt a Negotiator</a> da combinação entre blog, Facebook e Twitter. Foi provavelmente muito educativo para os participantes e era também uma boa fonte para os jornalistas.</p>
<p>O Twitter é, hoje, o instrumento mais importante para disseminar informação sobre os militantes ainda presos pela polícia dinamarquesa. É o recurso que permite dar transparência &#8211; uma forma de defesa &#8211; ao que se passa com eles e mobilizar mundo afora protestos pela prisão continuada e demanda por sua soltura.</p>
<p>E o Twitter se tornou um recurso indispensável para a pesquisa e o jornalismo.</p>
<p>De fato, o Twitter pode ser um sério acessório da reportagem. Ele pode ser uma lista viva e palpitante de dicas de fatos, fontes de notícias e idéias para matérias. Ele pode dar acesso instantâneo a pessoas de difícil acesso que são notícia, dado que não há um assessor de relações públicas entre o repórter e um tuíte para uma autoridade governamental ou executivo de uma empresa. Ele pode também ser um instrumento ainda tosco para crowdsourcing. (Paul Farhi &#8211; <a href="http://www.ajr.org/Article.asp?id=4756">The Twitter Explosion</a>, AJR).</p>
<p>Eu mesmo tenho usado o Twitter para marcar entrevistas, confirmar fatos, obter opiniões e dicas com muita frequência. Há uma etiqueta para isso e, fazendo da maneira correta, é um instrumento diferente que realmente funciona melhor do que qualquer outro de que se dispunha anteriormente.</p>
<p>Hashtags foram usados amplamente na cobertura da COP15 via Twitter, mas os principais foram #COP15, #Copenhagen, e #climate.</p>
<p>Hashtags são apenas um dos recursos que dão coerência ao que pode parecer como a Torre de Babel do Twitter (Paul Farhi &#8211; <a href="http://www.ajr.org/Article.asp?id=4756">The Twitter Explosion</a>, AJR)</p>
<p>O fluxo de tuítes com o hashtag #COP15 continua sem parar e permanece como uma boa fonte para jornalistas, militantes, profissionais de políticas públicas e corporativas. O número de bobagens nesses tuítes aumentou, é verdade, mas os que têm relevância e interesse ainda superam esses inúteis. Meu palpite é que o #COP15 vai continuar existindo e digno de nota até se transformar, sem descontinuidade, em #COP16.</p>
<p>Há várias interfaces entre jornalistas, defensores de políticas climáticas e militantes verdes. Um deles é, certamente, o Twitter. Ao mesmo tempo que militantes e defensores de políticas podem ser fontes úteis para os jornalistas, eles são também os mais frequentes visitantes de sites da imprensa convencional e de blogs de notícias, buscando informação agregada, opinião e análise.</p>
<p>Tudo isso significa que o Twitter atrai o tipo de pessoas que a mídia deveria amar &#8211; aquelas que estão interessadas em e engajadas com as notícias. (Paul Farhi &#8211; <a href="http://www.ajr.org/Article.asp?id=4756">The Twitter Explosion</a>, AJR).</p>
<p>Tudo isso é verdade, também, para quem escreve sobre política, cultura, moda, economia, esportes, negócios, tecnologia, comunicação, saúde, ciência e tudo o mais.</p>
<p>Quem continua discutindo se o Twitter vai desbancar os blogs ou outras plataformas de redes sociais e até os sites de notícias em tempo real, está deixando de ver o essencial. O que estamos vendo é maior integração entre eles: o LinkedIn já incorporou o Twitter. O Digg, que já andou às turras com o Twitter, também <a href="http://www.telegraph.co.uk/technology/social-media/6917829/Digg-considering-adding-Twitter-updates.html">estuda incorporar</a> tuítes e posts no Facebook à sua plataforma. Cada um vai se especializar na função em que é melhor e todos comporão uma rede integrada de comunicação coletiva de enorme poder.</p>
<p>A mudança que me fez ver valor real no Twitter ocorreu por volta de um ano atrás, quando as pessoas que eu havia aprendido a conhecer e apreciar por seus escritos em blogs iniciaram conversações no Twitter. Nessa época, eu já era um blogueiro frequente há uns dois anos e vinha dialogando com outros blogueiros por meio de meu próprio blog ou de comentários nos blogs deles. Gradualmente, notei que os diálogos que se davam nos blogs e nos comentários aos blogs estavam se mudando para o Twitter. EU não havia buscado por eles antes no Twitter, mas agora, a maioria deles colocou o nome que usa no Twitter em seus blogs. (Oscar Berg &#8211; <a href="http://ow.ly/S0cK">“Why 2009 was the Year of Twitter”</a>, The Content Economy).</p>
<p>Para alguns objetivos de obtenção de informação, o Twitter é melhor que o RSS. Como o blogueiro Oscar Berg diz, blogs são pessoais e o Twitter é a plataforma coletiva, uma espécie de território comum, ponto de encontro. Twitter, blogs e redes sociais serão elemento centrais na evolução do processo de <a href="http://dannybrown.me/2010/01/04/social-media-in-2010-aggregation-segmentation-and-specialization/">agregação, segmentação e especialização</a> na Webesfera, tanto quanto no mundo da mídia.</p>
<p>Onde nenhum outro recurso compete hoje com o Twitter é no que <a href="http://cloud9media.wordpress.com/2010-trends/2009-year-of-twitter/">Cloud9Media</a> chamou de “magia do tempo real”. Seja na busca em tempo real, seja para furos ou notícias rápidas em tempo real, seja ainda para obter reações em tempo real ou qualquer outra necessidade de informação ou comunicação social instantânea, o Twitter funciona melhor e de forma mais econômica do que qualquer outro recurso disponível.</p>
<p>O Twitter é muito impressionante e é o mais eficiente mecanismo que jamais vi para me permitir examinar em detalhe as correntes de pensamento de pessoas que vivem por todo o mundo. (Vivek Wadhwa &#8211; <a href="http://www.techcrunch.com/2010/01/01/twitter-and-me/">“Twitter and Me! Why It’s The Only Social Media Tool I Use”</a>, TechCrunch).</p>
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		<title>Clima cosmopolita</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Dec 2009 20:55:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Sérgio Abranches
Houve um breve momento, no Bella Center, onde se desenrolava em tensão crescente a COP15 em busca do Acordo de Copenhague, que o frenesi ficou em suspenso. Não que houvesse calma. Sabia que nas salas reservadas, negociações nervosas, desentendimentos e choques estavam acontecendo naquele mesmo instante.
Do lado de fora, centenas de manifestantes marchavam pelas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Sérgio Abranches</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Houve um breve momento, no Bella Center, onde se desenrolava em tensão crescente a COP15 em busca do Acordo de Copenhague, que o frenesi ficou em suspenso. Não que houvesse calma. Sabia que nas salas reservadas, negociações nervosas, desentendimentos e choques estavam acontecendo naquele mesmo instante.<span id="more-727"></span></span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Do lado de fora, centenas de manifestantes marchavam pelas ruas de Copenhague e em frente ao Bella Center. Um enorme e truculento aparato policial tentava conter os manifestantes.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">De repente, circulou pelo Twitter o endereço de um site alemão que mostrava as manifestações ao vivo. Nas telas espalhadas pelo Media Center, a sala de imprensa que abrigava 3500 jornalistas de todo o mundo e todas as mídias possíveis, se podia assistir ao início de mais uma plenária da Convenção do Clima.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Afastei a cadeira e pude ver, ao mesmo tempo, o plenário onde delegados se revezavam no choque diplomático de posições; os manifestantes forçando o cerco policial; a sala de imprensa repleta de jornalistas acompanhando mais ou menos as mesmas coisas que eu.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"> Esses três conjuntos eram claramente internacionais, estavam reunidos em torno da mesma agenda, embora com papéis inteiramente distintos: governos, movimentos sociais, imprensa. Seus  componentes tinham entre si perspectivas totalmente distintas, pensavam em línguas diferentes, refletiam contextos sociais, econômicos e políticos díspares, com graus dissimilares de inquietação, conhecimento e mobilização em relação à mudança climática.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Para um politólogo, dublê de jornalista, era uma experiência riquíssima, capaz de provocar um turbilhão de idéias em cadeia. Tuitava em tempo real. Escrevia posts para o blog. Fazia comentários para a rádio. Nos poucos intervalos, fazia notas para um texto futuro, de conteúdo mais analítico e propositivo, sobre o significado da reunião de Copenhague e o desafio redefinido por seu desfecho.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Hoje, zapeando as páginas de alguns livros sobre ativismo global e cosmopolitismo, lembrei daquele momento e dos 12 dias intensos da COP15. Minha primeira reação foi abandonar os livros. Fui tomado por uma incômoda sensação de que eles se haviam tornado inúteis. Logo eu, que mantenho uma biblioteca de vários milhares de títulos, compro livros compulsivamente e passo parte significativa do meu tempo a escrever.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Lia sobre o “novo ativismo transnacional”, que se derramava sobre infindáveis páginas discutindo as filigranas que separam distintas definições de globalização, internacionalização, movimento social. Dezenas de páginas perdidas em uma minúcia acadêmica que seguramente não tem a menor importância. Nem o autor encontrará jamais o conceito perfeito, nem sua orgástica busca de um conceito próprio o ajudará a explicar melhor o fenômeno.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Faz alguma diferença real, saber se devemos chamar uma ONG como o Greenpeace de ONG, movimento social ou qualquer outra coisa? Faz diferença para nós e para o movimento ambientalista, saber se é melhor qualificá-lo como global, internacional ou transnacional?</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A academia confundiu, irremediavelmente ao que parece, precisão e formalidade. Ser mais formal não significa ser mais preciso. A academia trocou a tarefa de compreender e explicar, ainda que tentativamente, mesmo que provisoriamente, pela esmerilação interminável que, ao fim, deixa mais aparas que resultado final. Afastou-se da clareza, para mergulhar cada vez mais fundo na prosa obscura, no texto inexpugnável que, além de chato, só serve para estéreis rituais tribalistas.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O que vi no último congresso anual da <a href="http://www.ecopolitica.com.br/2009/09/12/aquecimento-global-estamos-caminhando-para-o-apocalipse/"><span style="text-decoration: underline;">Associação Americana</span></a> de Ciência Política, em Toronto, no Canadá, em meados do ano, foi o naufrágio de boa parte da profissão em excesso de formalismo e falta de substância. Os ensaios eram feitos na mesma fôrma e, na sua maior parte, descarnados de conteúdo real. Eram peças sofisticadas na forma, porém com poucas idéias &#8211; frequentemente uma só &#8211; e superficiais no conteúdo. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Os melhores eram aqueles que escapavam da regra e para os quais, em muitos casos, os comentadores torciam o nariz, porque eram&#8230; algo desorganizados, ou&#8230; não seguiam um padrão lógico predeterminado. Tudo forma, só fôrma. Uma chatice para iniciados nesse jogo infindável de filigranas.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Problemas de governança? Claro, são esmiuçados músculo por músculo, fibra por fibra, osso por osso para, às vezes, sequer se poder deduzir sua anatomia, quanto mais sua dinâmica, menos ainda, soluções com alguma probabilidade de funcionarem.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Bom, deixei de lado o livro sobre ativismo transnacional. Já ia deixando os outros, quando encontrei, zapeando, o seguinte:</span></p>
<blockquote>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">“people who complain about the homogeneity produced by globalization often fail to notice that globalization is, equally, a threat to homogeneity. (&#8230;) (H)omogeneity, though, is the local kind. (&#8230;) In the era of globalization &#8211; in Asante as in New Jersey &#8211; people make pockets of homogeneity. (&#8230;) And whatever loss of difference there has been, they are constantly inventing new forms of difference: new hairstyles, new slang, even, from times to times, new religions. No one could say that the world’s villages are  &#8211; or are about to become &#8211; anything like the same.”</span></p>
</blockquote>
<blockquote>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">[As pessoas que reclamam da homogeneidade produzida pela globalização são frequentemente incapazes de notar que a globalização é, igualmente, uma ameaça à homogeneidade. (...) (A) homogeneidade, contudo, é do tipo local. Na era da globalização - em Asante, como em New Jersey - as pessoas formam bolsões de homogeneidade. (...) E qualquer seja a perda de diferença que se obtenha, estão constantemente inventando novas formas de diferenciação: novos estilos de penteado, novas gírias, até mesmo, de tempos em tempos, novas religiões. Ninguém pode dizer que as aldeias do mundo são - ou estão prestes a se tornar - iguais”.]</span></p>
</blockquote>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Está no capítulo 7, “Cosmopolitan Contamination: Global Villages” (Contaminação Cosmopolita &#8211; Vilas Globais), do livro <a href="http://books.google.com/books?id=MvQENQAACAAJ&amp;dq=Cosmopolitanism:+Ethics+in+a+World+of+Strangers&amp;client=safari&amp;source=gbs_book_other_versions_r&amp;cad=3"><span style="text-decoration: underline;">Cosmopolitanism: Ethics in a World of Strangers</span></a>, de Kwame Anthony Appiah, nascido e criado em Gana, educou-se na Inglaterra e vive em New Jersey, é professor de filosofia em Princeton.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Quem esteve internado por doze dias junto com as tribos do Bella Center, sabe que isso que Appiah diz é rigorosamente verdadeiro. Li várias resenhas críticas de seu livro e eu mesmo encontro aqui e ali idéias e passagens das quais discordo. Não obstante, ele consegue descrever e explicar o movimento contraditório de encontro, troca e dessemelhança que a globalização propicia. O Bella Center era uma “tenda global”, reunindo tribos muito diferentes, algumas com interesses antagônicos, discutindo um problema global.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Até no que parece frívolo, o corte de cabelo, há informação relevante sobre as pessoas de nosso mundo contemporâneo. Um dia, entrei no Bella Center ao lado de uma moça, calçando pesadas botas pretas, jeans, jaqueta de couro, com um corte de cabelo moicano, ou punk, uma longa mecha verde, cheia de piercings nas orelhas, no nariz e no lábio inferior. Eu imediatamente a imaginei em uma daquelas ruidosas manifestações-relâmpago que as ONGs realizavam várias vezes ao dia, no átrio principal ou nos corredores que davam nele, demonstrando infinita capacidade de burlar a segurança. Para minha surpresa e educação, a segunda vez que a vi, ela vestia calça e paletó de lã negra, e explicava com acuidade técnica as nuances de uma nova versão de documento sobre a inclusão de florestas no mecanismo de mitigação de emissões. Discorria sobre os riscos de dar às florestas plantadas o mesmo status das florestas nativas.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Imediatamente me lembrei de um jovem, no debate que se seguiu a uma palestra que fiz para o Greenpeace, no Brasil, que me perguntou se a ONG deveria se especializar em pesquisa e negociação com governos e empresas &#8211; tipo advocacia de paletó e gravata &#8211; e abandonar as manifestações radicais. Respondi que a advocacia perderia força se não tivesse a impulsão dos radicais e os radicais perderiam o rumo da reivindicação, se não tivessem os negociadores para fundamentar e articular as demandas.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Na verdade, é mais que isso, é uma diferenciação de papéis, em movimento. As ONGs como o Greenpeace, Oxfam, WWF, foram crescendo, enriquecendo, diversificando, adquirindo expertise e passaram a executar diversos papéis, igualmente relevantes. Esses novos atores da política global estão constituindo uma sociedade civil global ou globalizada, muito antes que se tenha sequer os sinais de como será o sistema de governança global que eventualmente surgirá mais adiante neste século.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Foi, então, que me vi capaz de visualizar aquela moça numa ruidosa manifestação-relâmpago, do lado de fora, numa imensa marcha da sociedade civil, enfrentando o frio e os policiais, ou numa sala do Bella Center discutindo pontos técnicos de um documento em negociação e capaz de dar à mídia informação obtida no desempenho de todos esses papéis.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Embora a agenda que reuniu aquelas tribos no Bella Center fosse comum a todas elas, nunca as diferenças foram tão fundamentais. Capacitavam atores a exercerem papéis muito diferentes &#8211; na militância, na negociação, na inteligência e na informação &#8211; produziam conflitos de interesses que se mostraram, ao final, mais fortes que as comunalidades; expressavam distintas formas de perceber a mudança climática.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O caráter iminente da ameaça climática foi uma descoberta, para muitos, trazida pela apresentação a um tempo precisa e emotiva que representantes dos pequenos estados-ilha faziam da mudança climática como uma questão de vida ou morte para a cultura de seus povos. Maior surpresa ainda, nesse mosaico vivo de peças dessemelhantes em tom, tamanho e visão, era ver a <a href="http://greenleapforward.com/2009/12/09/china-in-copenhagen-day-3-its-getting-hot-in-here-tuvalu-stalls-talks-china-reacts/"><span style="text-decoration: underline;">pequena Tuvalu</span></a> se enfrentando com a <a href="http://blogs.ft.com/energy-source/2009/12/11/china-vs-tuvalu/" target="_blank">enorme China</a>.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Não sei se outros encontros globais tiveram a dimensão da COP15. Sei que a reunião de Copenhague foi inédita entre as COPs, seja pelo número de ONGs, seja pela amplitude da cobertura de imprensa, pelo número de delegados, observadores e jornalistas, ou pela quantidade de chefes de estado e governo que compareceram aos dois últimos dos 12 dias de conferência.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Foi, sem dúvida, a maior e mais cosmopolita reunião sobre o clima jamais realizada. Nela, provavelmente, ocorreu a maior demonstração conjunta de força, capacitação técnica e política, do movimento ambientalista global. As grandes e pequenas ONGs especializadas foram atores fundamentais nas negociações, fazendo séria e competente advocacia de políticas públicas; no confronto com os lobbies seja da economia de alto carbono, seja do greenwashing; na transmissão de informações e dados técnicos para os jornalistas que faziam a cobertura do evento, com graus muito diferentes de conhecimento do tema e da dinâmica de uma COP.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Essa sociedade civil presente dentro e fora do Bella Center, conectada com movimentos em todo o mundo e com os atores-chave da política do clima que se fazia naquele espaço era, sem dúvida, um exemplo claro do embrião de uma sociedade política global, de uma “cosmopolis” e de uma “cosmopolítica”.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O cosmopolitismo estava agudamente presente no Bella Center, em sua forma mais genérica, como uma “cultura policromática”, como disse Timothy Brennan, uma “nova singularidade nascida da mistura e fusão de múltiplas cidadanias locais”. Mas era possível intuir a semente do cosmopolitismo como governança global daquela dramática reunião de contrários, da demonstração de força da sociedade civil global, da presença maciça da mídia mundial, do encontro de mais de uma centena de chefes de estado e governo, entre eles os líderes das principais potências maduras e emergentes do planeta. Esse sistema de governança está sendo antecedido pela formação de sua cidadania, antes mesmo que a liderança global consiga sequer esboçar o roteiro da construção de um regime de governança global, porém sem governo mundial.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Para não dizer que adquiri preconceito e intolerância por textos e livros acadêmicos, a referência é ao ensaio de <a href="http://www.goodreads.com/author/show/6447.Timothy_Brennan"><span style="text-decoration: underline;">Timothy Brennan</span></a>, “Cosmopolitanism and Internationalism”, publicado no livro editado por Daniele Archibugi &#8211; <a href="http://books.google.com/books?id=38qAQovKo4wC&amp;dq=Debating+Cosmopolitics&amp;printsec=frontcover&amp;source=bn&amp;hl=en&amp;ei=9F46S8zLGoqnuAfJgN2cBw&amp;sa=X&amp;oi=book_result&amp;ct=result&amp;resnum=4&amp;ved=0CBcQ6AEwAw%23v=onepage&amp;q=&amp;f=false"><span style="text-decoration: underline;">Debating Cosmopolitics</span></a>.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Ben Block do <a href="http://www.worldwatch.org/"><span style="text-decoration: underline;">World Watch Institute</span></a>, uma dessas ONGs grandes e especializadas, escreveu, com toda razão, que a conferência pode ter terminado em frustração, mas ela foi o ponto alto histórico do movimento ambientalista, que ganhou força e reconhecimento nos últimos anos.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Confesso que encontro mais relevância <a href="http://www.commondreams.org/headline/2009/12/28-5"><span style="text-decoration: underline;">no post de Block</span></a>, do que em muita literatura esparramada em minha mesa, cheia de jargão, mas sem a acuidade trazida pela observação desse fenômeno ao vivo e a cores.</span></p>
<blockquote>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">The two-week U.N. conference may have ended in disappointment for most climate activists, who travelled from nearly every continent, but the gathering marked a historic high point for a movement that has swelled in strength and recognition in recent years.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">An estimated 45,000 people attended the climate negotiations. This included greater participation from government delegations, business groups, and academics, in addition to larger turnout from campaigners. The &#8220;youth&#8221; delegation, representatives of the below-30 age group, increased its presence at forums that were once attended only by bureaucrats and scientists. Youth organizers said that their volunteers registered some 1,000 attendants, twice the participation compared to a year ago.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">The activist crowds were relentless: they raised their voices during negotiation sessions, press briefings, and lunch breaks; they scattered in the corners of conference rooms and gathered in mobs to block passageways; and they screamed loudly for adaptation aid, among other demands. Activists also made subtle suggestions about the ineffectiveness of carbon offsets, for example by using tricks to show airplanes vanishing magically in the same way that carbon offsets make emissions &#8220;disappear,&#8221; they said.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Negotiation leaders acknowledged that the demonstrations captured their attention.</span></p>
</blockquote>
<blockquote>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">[A conferência da ONU de duas semanas pode ter acabado em desapontamento para muitos ativistas do clima, que viajaram de praticamente todos os continentes, mas o encontro marcou um ponto alto histórico para um movimento que se agigantou em força e reconhecimento nos últimos anos.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Estima-se que 45000 pessoas tenham comparecido às negociações do clima. Esse número incluiu maior participação de delegações governamentais, grupos empresariais, acadêmicos, além de maior comparecimento de militantes. A delegação da “juventude”, representantes do grupo etário abaixo de 30 anos, aumentou sua presença em fóruns que eram frequentados apenas por burocratas e cientistas. Organizadores da juventude disseram que seus voluntários registraram em torno de 1000 presenças, o dobro da participação de um ano atrás.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">As multidões de ativistas eram implacáveis: eles levantavam sua voz durante as sessões de negociação, coletivas de imprensa, e pausas para almoço; eles se espalhavam pelos cantos das salas de encontro e formavam aglomerações para bloquear os corredores; e gritavam mais alto por adaptação, ajuda financeira e outras demandas. Ativistas também fizeram sutis demonstrações sobre a inefetividade da neutralização de carbono, por exemplo, usando truques que mostravam aviões desaparecendo magicamente, do mesmo modo que as neutralizações fazem as emissões “sumirem”, eles diziam.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Os líderes da negociação reconheceram que as demonstrações haviam ganhado sua atenção”.]</span></p>
</blockquote>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Por isso tudo, é verdadeira essa afirmação do jornalista do The Guardian <a href="http://www.danwei.org/foreign_media_on_china/danwei_interviews_jonathan_wat.php"><span style="text-decoration: underline;">Jonathan Watts</span></a>:</span></p>
<blockquote>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Copenhagen will shape our lives for years to come.</span></p>
</blockquote>
<blockquote>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">[“Copenhague vai influenciar nossas vidas por anos a fio”.]</span></p>
</blockquote>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Aliás, outra curiosidade é que, talvez mais que em qualquer outra situação, jornalistas se tornaram matéria para jornalistas. Jovens repórteres entrevistavam colegas mais experientes sobre o que estava acontecendo e sobre a própria dimensão inédita daquela cobertura global de um evento global. Vi uma repórter identificar um jornalista mais experiente para colegas como “nossa fonte interna”. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Agora, me digam, preciso mesmo, definir “global”? </span></p>
]]></content:encoded>
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		<title>COP15: O rescaldo do fracasso</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Dec 2009 15:43:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
				<category><![CDATA[COP15]]></category>
		<category><![CDATA[Copenhague]]></category>

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		<description><![CDATA[A COP15 acabou de forma inesperada, numa espécie de operação resgate, como se um furacão houvesse atravessado o Bella Center, o centro de convenções de Copenhague onde se realizaram a reunião da Convenção do Clima e a cúpula de chefes de estado e governo.
Sérgio Abranches
Na noite final de sexta-feira, quando os jornalistas ficaram sabendo que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A COP15 acabou de forma inesperada, numa espécie de operação resgate, como se um furacão houvesse atravessado o Bella Center, o centro de convenções de Copenhague onde se realizaram a reunião da Convenção do Clima e a cúpula de chefes de estado e governo.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Sérgio Abranches<span id="more-725"></span></span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Na noite final de sexta-feira, quando os jornalistas ficaram sabendo que os chefes de estado e governo estavam deixando o Bella Center, houve um momento de perplexidade, decepção e inquietação.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Uma hora antes da confirmação de que Lula e Obama haviam saído, o rumor de que dariam uma coletiva à imprensa provocou uma corrida de jornalistas para a sala de entrevistas. Ninguém sabia o que estava acontecendo. Uma entrevista conjunta de Lula e Obama será sempre um evento imperdível, naquelas circunstâncias era quase um milagre. Foi uma correria desabalada, um estouro da boiada. Uma grande parte dos jornalistas recebeu a informação pelo twitter. Quase todos acompanhavam notícias da COP15 e passavam o que sabiam pelo twitter.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Perguntei o que estava havendo e me disseram: “Lula e Obama vão anunciar o Acordo de Copenhague numa coletiva na sala de coletivas”. Como não estou exatamente no mercado de notícias a varejo, fui caminhando até a porta da sala. Repórteres, câmeras, fotógrafos passavam por mim correndo. Eles eram de todas as idades, todos os gêneros, todas as nacionalidades. Uma babel que, ao fim e ao cabo, fala uma língua universal: a da notícia testemunhada, apurada, verificada.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A sala estava abarrotada, quando cheguei à porta. Decidi voltar à Sala de Imprensa, para acompanhar pela CCTV, ou a “Climate Change TV”, o canal interno e Web da COP15 que mostrava os eventos principais. Pouco depois, um dos assessores de imprensa da ONU anunciava que, consultada, a Casa Branca informara que Obama não tinha intenção de dar uma coletiva no Bella Center.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Mas ele deu, apenas para a imprensa de seu país, já no hotel, pouco antes de sair. Anunciou um acordo significativo”. <a href="http://acordo%20significativo"><span style="text-decoration: underline; letter-spacing: 0.0px color;">Não foi</span></a>.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A falta de notícias deixava os jornalistas nervosos. A decepção, após duas semanas de cobertura agitada e extenuante, da comida de péssima qualidade, das enormes filas do início da manhã ao fechamento, de madrugada, deprimia.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Arial;"><span style="font: 18.0px Helvetica; letter-spacing: 0.0px;">De repente, mais uma correria entupiu outra sala de imprensa. Falariam o presidente rotativo da União Européia, o primeiro ministro sueco </span><span style="letter-spacing: 0.0px;">Fredrik Reinfeldt, e o presidente da União Européia, José Manuel Durão Barroso. Mas ela foi adiada quatro vezes e só ocorreu quase cinco horas depois. Barroso foi franco: “a Europa queria muito mais”. Mas disse o que todos diriam: houve acordo e ele tem importância.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Arial;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Quando caiu a ficha, antes ainda da entrevista dos dirigentes da UE, de que os líderes haviam debandado sem anunciar o acordo e a COP15 estava à deriva, só uma palavra passou a ser usada por todos para descrever o quadro: “fracasso”. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Arial;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">E foi um fracasso. Um claro fracasso da liderança coletiva dos dirigentes das maiores potências do mundo. Não conseguiram chegar a uma visão comum de suas responsabilidades nacionais e planetárias. Saíram à francesa, segundo me disseram várias fontes, porque nenhum quis pôr a cara para anunciar o pífio resultado a que haviam conseguido chegar.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Arial;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Mas Obama disse à imprensa do EUA que havia negociado um acordo possível, porém significativo, e a maioria acreditou. Sarkozy, disse aos jornalistas franceses que foi o melhor acordo possível, e que ele o honraria em nome da França. Angela Merkl disse que Copenhague foi o primeiro passo rumo a uma nova ordem climática mundial &#8211; não mais, mas também, não menos”. O Secretário Geral da ONU disse que foi fechado um acordo significativo. Yvo de Boer, Secretário Executivo da Convenção do Clima, afirmou que o acordo não deveria ser subestimado.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Arial;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Como pode um fracasso dar lugar a tais declarações? Há duas possibilidades: hipocrisia coletiva, todos estão mentindo, ou algo restou de Copenhague, que pode ser resgatado e ter ainda consequências significativas.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Arial;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Tecnicamente, os governantes, ao abandonarem a cena antes de fazerem um ato final, deixaram o resultado de suas conversas em um vácuo político. Como ele foi negociado por cima e por fora das regras da Convenção do Clima, a única forma de transformar essas conversas em uma decisão política que fizesse sentido, seria anunciá-la em uma coletiva de imprensa, explicá-la e assinar um termo formal de entendimento entre governos. Deixar seus termos finais para serem negociados na trilha formal das Nações Unidas foi uma violação das regras estabelecidas pela Convenção do Clima e um grande erro político.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Arial;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Esse erro levou a todos a sentenciar o fracasso da cúpula de lideranças mundiais e o colapso da COP15.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Arial;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Dentro das trilhas formais da Convenção, paralisadas por múltiplos impasses, só haveria um resultado possível: um documento aguado a ponto de se tornar sem sentido.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Arial;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Nesse vácuo, o plenário da COP15 fez a única coisa cabível: tomar conhecimento do Acordo de Copenhague e encerrar os trabalhos. Os delegados não tinham autoridade para formalmente desfazer ou rejeitar um acordo que seus chefes de estado e governo haviam feito. Eles também não podiam votá-lo, porque, pelas regras da ONU, o Acordo de Copenhague era um “não-documento”. Ele não havia sido apresentado formalmente para discussão e deliberação por um dos presidentes de Grupos de Trabalho. Não entrou pelos canais de negociação formal da Convenção do Clima. Quando o presidente da COP15, o primeiro ministro dinamarquês Lars Loekke Rasmussen </span><span style="font: 18.0px Helvetica; letter-spacing: 0.0px;">tentou apresentá-lo formalmente, ao final de um dia repleto de eventos extraordinários, mas que não teve clímax e vivia seu anti-clímax, encontrou oposição aberta e velada.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Aí, os profissionais vieram em socorro do presidente da COP15 e do Acordo de Copenhague. O plenário não poderia deliberar sobre ele. Os delegados não podiam</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">formalmente apoiar ou rejeitar o que governantes reunidos em Copenhague haviam acordado. Podiam apenas tomar conhecimento do resultado da reunião paralela de chefes de estado e governo cujas partes mais significativas, os apêndices que conterão as metas de redução de emissões dos países, estavam em branco.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Essa proposta pertencia aos políticos que começaram a negociar seus termos e deixaram as conversas, antes que ela estivesse completa. Agora, cabe a eles completá-la e aderir a ela. Se fizerem isso, se as tabelas mostrarem compromissos significativos e reais da parte dos grandes emissores, desenvolvidos e em desenvolvimento, mesmo que fiquem aquém dos requisitos científicos, o Acordo de Copenhague pode passar a ter algum significado. Só então, poderia servir de instrução para a redação de um acordo formal e legal, nos trilhos da Convenção do Clima, na COP16, na Cidade do México.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Hoje, parece improvável que seja possível ter progresso suficiente, para que se possa pensar em um acordo formal e legal em junho ou julho, numa próxima cúpula que Angela Merkl hospedaria em Bonn. Espera-se que ele seja possível na COP16. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Copenhague não terminou apenas com um “não-documento” parcialmente em branco. Houve algum progresso real, não suficiente, não durável se algo mais não for feito, não para atender às expectativas ou às dimensões da COP15. Entretanto, houve algum avanço palpável.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Esse encontro foi inédito em quase tudo. Foi a maior mobilização da sociedade civil global da história de uma Conferência das Partes. Foi a maior e mais ampla cobertura de imprensa de uma COP. Ela abrigou por um breve período a maior cúpula de chefes de estado e governo da história dos encontros internacionais com agenda ambiental, desde a Rio 92.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A COP15 começou em um tom político diferente. Estava claro, desde o primeiro momento, que a diplomacia e os procedimentos formais da ONU seriam assombrados pela politização. O primeiro dia foi marcado pelos rumores acerca do “<a href="http://www.ecopolitica.com.br/2009/12/08/incendio-nos-bastidores-da-cop15-fato-ou-factoide/"><span style="text-decoration: underline; letter-spacing: 0.0px color;">não-documento</span></a>” dinamarquês, que seria vazado na madrugada. Era um movimento político, que se saberia depois, começara em Singapura, na reunião dos países da Ásia-Pacífico.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">No segundo dia, Tuvalu gerou uma reviravolta política, que agitaria a COP15 até o final. Era justo que Tuvalu desse origem, também, ao movimento que bloqueou a sessão plenária final, para evitar que o presidente da COP15 introduzisse o Acordo de Copenhague como documento oficial da Convenção.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Uma pessoa de uma delegação importante me disse “isso não é mais sobre ciência, é só política”. Sua indignação se repetiria em muitas frases naqueles momentos de perplexidade e desânimo que se seguiram à saída dos líderes de governo do Bella Center, sem se dirigirem à COP15 para relatar o acordo a que haviam chegado.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O problema é que a COP15 nunca foi sobre a ciência da mudança climática, sempre foi sobre a política da mudança climática. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Do ponto de vista da ciência da mudança climática, Copenhague foi um grande fracasso. Da perspectiva da política da mudança climática, houve progresso.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Primeiro, pela primeira vez, desde que as negociações do clima foram paralisadas por impasses sucessivos, eu diria que desde a COP4, de Buenos Aires, todos os governos dos maiores emissores do mundo aceitaram se comprometer com ações de mitigação. Suas metas não estão de acordo com a ciência da mudança climática, mas eles atravessaram uma linha crucial, que separa a recusa do compromisso.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Segundo, o Acordo de Copenhague, se for efetivado pelos líderes que o negociaram e se os países preencherem as tabelas em branco, nos apêndices, com suas ações quantificadas, pode servir de instrução aos delegados para que redijam uma proposta formal para um documento legal, a ser adotado pelo plenário da próxima COP.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Terceiro, houve avanço mínimo, e ainda assim significativo, nas posições dos maiores emissores que, até agora, se recusavam a cooperar com o esforço global de mitigação: EUA, China, Brasil e Índia.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Quarto, a meta de 2</span><span style="font: 12.0px Helvetica; letter-spacing: 0.0px;"><sup>o</sup></span><span style="letter-spacing: 0.0px;">C foi finalmente aceita e institucionalizada como um objetivo global de mitigação.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Quinto, o impasse no financiamento foi resolvido. Se as tabelas em branco do Acordo de Copenhague forem preenchidas, no primeiro trimestre de 2010, o financiamento de curto prazo, de US$ 30 bilhões para 2010-2012 estará disponível para as ações imediatas dos países em desenvolvimento. Se um acordo for formalmente fechado na Cidade do México, no final de 2010, ou antes, o fundo de curto prazo será criado e manterá o fluxo de recursos, de forma crescente, até atingir a soma significativa de US$ 100 bilhões por ano, a partir de 2020. Houve também progresso e acordo sobre a adoção do REDD+.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Sexto, houve progresso em transferência de tecnologia, outro ponto de impasse sistemático nas negociações anteriores.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Sétimo, houve progresso no entendimento das MRV’s, do monitoramento das ações de mitigação mensuráveis, reportáveis e verificáveis. Esse foi o ponto central do conflito nessa COP15 e quase levou a um incidente político-diplomático entre China e EUA. O primeiro ministro Wen Jiabao ficou ofendido com a forma pela qual Obama tratou do tema em seu discurso e evitou encontrar-se com ele várias vezes ao longo do dia. Eles só falaram quando Obama entrou na reunião dos países do BASIC (Brasil, África do Sul, Índia e China) e pediu a Lula para se sentar a seu lado. Com a intermediação do presidente brasileiro, </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">eles puderam ouvir a proposta conciliatória do primeiro ministro da Índia, </span><span style="font: 18.0px Arial; letter-spacing: 0.0px;">Manmohan Singh, de um mecanismo similar ao da OMC, aceitável para ambos.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Arial;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Oitavo, a divisão do G77 e os novos papéis assumidos pelo grupo dos países Africanos, pelos países do AOSIS (pequenos estados ilha) e pelos países do BASIC, permitiu que uma nova geopolítica do clima surgisse entre os países em desenvolvimento. Esses novos agrupamentos, embora não isentos de problemas, permitem uma articulação mais coerente de interesses, que ficam mais claros. Essa nova divisão também ajuda a impedir que os grandes países emergentes manipulem o poder de veto de países menores em seu favor.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Arial;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Nono, ficou claro, como disse o presidente Sarkozy em sua última entrevista à imprensa francesa e o twitter do Palácio Elysée reproduziu, que o processo das Nações Unidas está à beira da exaustão. O tema da mudança climática é maior que os arranjos institucionais nos quais ele vem sendo tratado, independentemente da enorme competência do Secretário Executivo da Convenção do Clima, Yvo de Boer.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Arial;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Precisamos de um novo sistema para a governança da mudança climática. Contudo, esse novo marco institucional para mudança climática, especialmente uma organização multilateral independente, requer um novo quadro legal a ser acordado, que abranja todas as maiores nações do mundo. Parece provável, entretanto, que o novo marco institucional para a mudança climática está finalmente conquistando seu espaço na agenda global. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Arial;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Os resultados contraditórios; a extraordinária demonstração de vigor pela sociedade civil global, em Copenhague e por todo o mundo; a inédita cobertura por perto de 3500 jornalistas credenciados e muitos milhares de jornalistas cidadãos; a presença de mais de 100 chefes de estado ou de governo, sem precedentes desde a Rio 92, e seu desempenho pífio; progresso real na solução da complexa rede de questões e interesses que bloqueiam um acordo climático global; tudo isso é ingrediente de um evento histórico. Duas semanas para ninguém esquecer.</span></p>
]]></content:encoded>
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		<title>O Acordo Incompleto</title>
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		<pubDate>Sat, 19 Dec 2009 00:19:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
				<category><![CDATA[COP15]]></category>
		<category><![CDATA[Copenhague]]></category>

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		<description><![CDATA[O pior que poderia acontecer em Copenhague seria os chefes de governo ou estado chegarem, paralisarem a COP15, negociarem parcialmente um acordo e debandarem antes do texto final ser aprovado e apresentado à opinião pública e à imprensa. Pois foi o que aconteceu.
Sérgio Abranches
Ao saírem antes do fechamento formal do acordo, reabriram as negociações no [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O pior que poderia acontecer em Copenhague seria os chefes de governo ou estado chegarem, paralisarem a COP15, negociarem parcialmente um acordo e debandarem antes do texto final ser aprovado e apresentado à opinião pública e à imprensa. Pois foi o que aconteceu.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Sérgio Abranches<span id="more-715"></span></span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Ao saírem antes do fechamento formal do acordo, reabriram as negociações no nível inferior, de ministros, na COP15 e abriram a possibilidade de que os vetos reaparecessem. Pior ainda. O presidente Lula, por exemplo, levou com ele a ministra Dilma Roussef que impôs como chefe da delegação e o negociador chefe do Brasil.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Sem instrução clara e sem a autoridade política para definir diretamente as soluções, os pontos vão sendo reabertos e o impasse vai se refazendo. Há membros de delegação negociando sem ter mandato formal para isso, o que na ONU não tem cabimento.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Os presidentes Barack Obama, do EUA, e da França, Nicolas Sarkozy deram entrevistas à imprensa antes de saírem. Disseram que defenderam um acordo legalmente vinculante, mas não conseguiram. “Ainda precisaremos de muito trabalho e de criação de confiança entre países desenvolvidos, em desenvolvimento e menos desenvolvidos para que possamos ter um acordo legalmente vinculante”, disse Obama. Sarkozy disse algo muito parecido.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Obama disse que ele preferia que houvesse um acordo vinculante e que se deve trabalhar por ele. “Mas será muito difícil, tanto dentro de cada país, como entre os países”. Sarkozy concluiu que “as dificuldades dessa conferência mostraram que o sistema da ONU está exaurido. A questão da governança internacional está posta, porque não houve progresso nela”. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Para Sarkozy, foi “o melhor acordo possível, eu o assinei em nome da França e assumo”. Obama disse que não tem certeza de que tecnicamente o acordo precisaria ser assinado, porque não é um tratado, “mas é um compromisso do EUA e vamos cumprí-lo”.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Os países em desenvolvimento não se manifestaram. O presidente Lula não deu entrevista à imprensa ao final. Saiu para o aeroporto calado. Entretanto, foi ao lado dele que Obama se sentou para negociar os termos do acordo possível com os emergentes, especialmente a China. Sarkozy disse em sua coletiva, que “o primeiro texto que desbloqueou a conferência foi a declaração franco-brasileira exigindo a reunião da noite anterior”. Ele se refere à reunião de chefes de estado ou governo que ocorreu no Bella Center, na sexta-feira à noite, após o jantar com a rainha Margrethe da Dinamarca.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Há sinais de delegações de países em desenvolvimento, de que não aceitarão o Acordo de Copenhague. Se ele for fechado no trilho da COP15, segundo as regras da ONU, o veto de qualquer país será suficiente para derrubá-lo. Se for examinado como resultado de uma cúpula de chefes de estado, não há vetos, é um processo por adesão.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O nível de desorientação que se seguiu à saída dos chefes de estado reflete perfeitamente a contradição essencial do encontro de Copenhagen. Instalaram-se no Bella Center dois processos inteiramente distintos, que não podem coabitar o mesmo espaço político. A cúpula de chefes de estado, como o G8, o G20, não tem regra fixa, é horizontal e o processo decisório é aberto, puramente político. A Conferência das Partes de um tratado da ONU, como a Convenção do Clima, é um processo hierárquico, vertical, formal, com regras rígidas e um processo de decisão pré-definido. No caso, a regra é de unanimidade. Qualquer país pode vetar um acordo e um veto é suficiente para derrubá-lo.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Ao chegarem a Copenhague, os chefes de estado interromperam a reunião das Partes, a COP15. Ao deixarem Copenhague sem uma declaração coletiva para formalizar o acordo político que dizem ter celebrado, deixaram um vazio político. O documento que for levado à plenária da COP15, tem que ser encaminhado formalmente por uma ou mais delegações, e, se não obtiver unanimidade, não é adotado.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A COP15 está ameaçada de colapso por essa contradição processual e o acordo político ficou no ar, porque foi abandonado pelos chefes de estado que o negociaram, sem que fosse formalmente anunciado. Ficou tudo em suspenso e o que está em suspenso não vale.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">É difícil imaginar que possa haver solução para a desordem que se instalou a partir do momento em que ficou claro que Lula, Obama e Sarkozy estavam saindo para o aeroporto. Levaram na bagagem a chave da Cúpula de Copenhague e ela ficou irremediavelmente em aberto.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Com relação à COP15, essa confusão da cúpula política provavelmente impedirá que tenha um final satisfatório também.</span></p>
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		<title>O Acordo Possível</title>
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		<pubDate>Fri, 18 Dec 2009 12:54:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
				<category><![CDATA[COP15]]></category>
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		<description><![CDATA[A menos que os líderes digam algo muito diferente em negociações fechadas, o que sai do plenário aberto da COP15 é um acordo mínimo. O acordo possível.
Sérgio Abranches
A estrutura dos discursos é a mesma: elogios para o próprio país por seus extraordinários esforços para reduzir emissões de gases estufa; uma proposta de acordo, onde o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A menos que os líderes digam algo muito diferente em negociações fechadas, o que sai do plenário aberto da COP15 é um acordo mínimo. O acordo possível.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Sérgio Abranches<span id="more-709"></span></span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A estrutura dos discursos é a mesma: elogios para o próprio país por seus extraordinários esforços para reduzir emissões de gases estufa; uma proposta de acordo, onde o ponto de vista de cada país aparece em destaque; pedido para que todos tenham uma visão comum (que os discursos não refletem); a afirmação de que o país não faltará nessa hora grave em que todos precisam de um acordo. Todos seguiram esse roteiro: desde os mais veementes, como o de Lula, passando pelo mais burocrático, como o de Wen Jiabao, até o mais decepcionante, de Obama.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Tudo isso junto dá um acordo mínimo. O mínimo denominador comum. Não uma visão compartilhada. Muito menos uma visão comum.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O documento sobre os quais os líderes vão trabalhar, já mostra os contornos desse acordo possível.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">No preâmbulo do documento faltam, no momento, os elementos que construiriam uma visão compartilhada suficientemente afirmativa, para orientar com clareza o caminho rumo a um acordo futuro mais substantivo e vinculante.</span></p>
<blockquote>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">As Partes sublinham que a mudança climática é um dos maiores desafios de nosso tempo. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">As Partes enfatizam sua forte vontade política de combater a mudança climática de acordo com o princípio das responsabilidades comuns mas diferenciadas e respectivas capacitações.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Reconhecendo a visão científica que o aumento da temperatura global não pode exceder 2 graus e na base da equidade e no contexto do desenvolvimento sustentável, as Partes se comprometem a dar uma resposta vigorosa por meio de imediatas e ampliadas ações nacionais de mitigação baseadas em cooperação internacional fortalecida.</span></p>
</blockquote>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Esses parágrafos iniciais dão o tom desse acordo possível.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Os parágrafos decisivos sobre mitigação ainda estão com o fundamental, as metas, entre colchetes.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O documento reconhece, mas não determina, a solução por duas vias: o Protocolo de Kyoto, para os países do Anexo I que o ratificaram e um novo instrumento para os países do Anexo I (leia-se EUA) que não o ratificaram e para os grandes emergentes.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Ao final, o documento diz:</span></p>
<blockquote>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Apropriando-se do progresso alcançado pelo Grupo de Trabalho Ad Hoc sobre Cooperação de Longo Prazo e pelo Grupo de Trabalho Ad Hoc sobre o Protocolo de Kyoto, sob a Convenção das Partes, continuando as negociações em obediência às decisões adotadas na COP13 e esta decisão, com o objetivo de adotar um ou mais documentos legais sob a Convenção o mais cedo possível e não depois da COP16. Decidindo estender o mandato do Grupo de Trabalho Ad Hoc sobre Cooperação de Longo Prazo sob a Convenção e dar continuidade ao trabalho do Grupo de Trabalho Ad Hoc sobre Compromissos Adicionais para as Partes do Anexo I sob o Protocolo de Kyoto para negociar um ou mais instrumentos legais sob a Convenção.</span></p>
</blockquote>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Em resumo, desse texto sai um acordo como definido por Obama em seu discurso. Segundo ele, seria melhor ter um “acordo imperfeito a nenhum acordo”. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Mais que imperfeito esse acordo é minimalista. Ele apenas atravessa a ponte entre o impasse e a decisão de andar. Mas o passo é lento, a distância, curta, a dimensão, pequena.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;">
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A Folha Online também obteve o documento: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ambiente/ult10007u668500.shtml</span></p>
]]></content:encoded>
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		<title>A Cúpula de Copenhague</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Dec 2009 22:09:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
				<category><![CDATA[COP15]]></category>
		<category><![CDATA[Copenhague]]></category>

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		<description><![CDATA[Está começando hoje, em um jantar com a rainha da Dinamarca, a verdadeira Cúpula do Clima. Seu objetivo é fechar o Acordo de Copenhague.
Sérgio Abranches
Os chefes de governo e estado já presentes em Copenhague, entre eles lideranças globais como Gordon Brown, Nicholas Sarkozy, Angela Merkl, Lula, Durão Barroso, se reunirão após o jantar, para uma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Está começando hoje, em um jantar com a rainha da Dinamarca, a verdadeira Cúpula do Clima. Seu objetivo é fechar o Acordo de Copenhague.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Sérgio Abranches<span id="more-707"></span></span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Os chefes de governo e estado já presentes em Copenhague, entre eles lideranças globais como Gordon Brown, Nicholas Sarkozy, Angela Merkl, Lula, Durão Barroso, se reunirão após o jantar, para uma reunião sem hora marcada para terminar. Nela, pretendem acertar as diretrizes para redação do Acordo de Copenhague, que deverão assinar no final do dia de amanhã ou em algum momento no sábado.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Ao que tudo indica, o presidente do EUA, Barack Obama, estará desembarcando em Copenhague nas próximas horas para fechar o acordo. É um sinal forte. Desde o princípio, a Casa Branca deixou claro que Obama só viria para fechar um bom acordo.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Obama errou no dimensionamento das implicações domésticas globais da COP15 e errou na escolha da hora em que participaria pessoalmente do encontro.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Vai chegar com preciosas horas de atraso. Permitiu que Gordon Brown liderasse o processo de articulação, com apoio de Sarkozy e Merkl. O processo político atropelou o presidente do EUA. Desde o almoço, hoje, em Copenhague, já estava claro que ele dificilmente poderia não vir. Se faltasse seria culpado pelo fracasso. Mas, como não esteve aqui nas horas críticas que marcaram a transição do cenário mais pessimista, para a possibilidade concreta de um acordo, chegará tarde. Virá para um abraço oportunista. Não articulou, não mobilizou, não liderou. Apenas cumpriu o papel básico de retirar o veto do EUA. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Claro, com o veto de qualquer Parte, o acordo é impossível, o que dizer do veto da principal potência entre os industrializados. Mas remover vetos não é liderar. É pouco para quem tem as ambições de Obama.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Ainda bem que seu erro de cálculo político não pôs a perder o acordo. Por sua importância, foi consultado todo o tempo. Ao enviar a secretária de Estado, Hillary Clinton, elevou o status hierárquico da representação do EUA. Todd Stern é enviado especial, portanto, tecnicamente com status inferior ao de Clinton. Ela, aliás, fez questão de deixar isso claro em sua primeira entrevista coletiva. Disse: “nós nomeamos” Todd Stern como o primeiro enviado especial para a Convenção do Clima. O nós diz tudo.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Lula contou que Obama lhe disse, na conversa que tiveram por telefone, que “falar com Hillary é o mesmo que falar com ele”. A frase esclarece a ampla delegação com que Clinton chegou para negociar. Mas não é verdadeira, nem do ponto de vista diplomático, nem político. Para um chefe de estado, falar com uma ministra, não é o mesmo que falar com o chefe do estado que ela representa. Meio gafe, meio erro político, é um ato de arrogância. Dizer a um colega que pode tratar tudo com sua auxiliar é o mesmo que rebaixá-lo.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Lula agiu corretamente. Mandou o equivalente a Hillary conversar com ela. O encontro EUA-Brasil, até agora se deu entre chanceleres: Hillary Clinton e Celso Amorim.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Erros e gafes a parte, o fato é que a <a href="http://Para%20dar%20certo,%20a%20COP15%20ter%C3%A1%20que%20acabar%20mais%20cedo"><span style="text-decoration: underline;">articulação</span></a> iniciada por Gordon Brown evoluiu e pode terminar em acordo <a href="http://Any%20Copenhagen%20deal%20will%20only%20happen%20above%20and%20beyond%20the%20formal%20tracks%20of%20COP15"><span style="text-decoration: underline;">por cima e por fora</span></a> da COP15.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Dependendo de como se desenrolem as conversas entre os chefes de estado, o acordo pode se dar em torno de um texto apresentado pelo presidente da COP15, Lars Rasmussen, consolidando em uma peça um pouco mais compacta, os pontos centrais dos documentos sobre o Protocolo de Kyoto (AWG-KP) e a Convenção do Clima (AWG-LCA). O documento que interessa mais, porque é o que dirá respeito ao EUA e aos grandes emergentes é o relativo à Convenção do Clima.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Uma alternativa, caso não consigam avançar o suficiente nos detalhes, seria um protocolo de entendimento, com instruções definidas para que os negociadores preparem um texto completo de acordo legal nos próximos seis a doze meses.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">No momento, Copenhague está caminhando para um acordo. O Acordo de Copenhague se tornou o cenário mais provável.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Os presidentes Lula e Sarkozy se mostravam bastante confiantes em que a reunião, que começará logo após o jantar com a rainha, chegue a um documento, que possa ser levado a aprovação na plenária de amanhã. Foi o que o presidente Lula disse.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Há riscos? Claro que há. O risco maior é que o acordo não seja tão amplo e efetivo como poderia, dado o número de lideranças envolvidas em sua negociação. O risco de fracasso total ficou pequeno, diante do investimento do prestígio e da reputação dessas lideranças.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O presidente Lula disse que é esse o papel de lideranças desse porte. “Não importa o que tenha acontecido nos dias anteriores”, é a hora de trabalhar pelo acordo. O premier Gordon Brown, que liderou as articulações, disse que o papel da política é remover obstáculos. Ele presidirá a reunião de líderes de hoje, onde o acordo pode ser decidido. É justo. </span></p>
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		<title>Para dar certo, a COP15 terá que acabar mais cedo</title>
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		<pubDate>Wed, 16 Dec 2009 21:48:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Um acordo dentro das regras formais da Conferência das Partes que tenha substância e efetividade é praticamente impossível. São 192 dispostos a usar o poder de veto, e votantes apenas circunstanciais, deliberando sobre assuntos de grande complexidade, alto impacto em suas economias e interdependentes. Nada está fechado antes que tudo esteja fechado.
Sérgio Abranches
Como desatar um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Um acordo dentro das regras formais da Conferência das Partes que tenha substância e efetividade é praticamente impossível. São 192 dispostos a usar o poder de veto, e votantes apenas circunstanciais, deliberando sobre assuntos de grande complexidade, alto impacto em suas economias e interdependentes. Nada está fechado antes que tudo esteja fechado.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Sérgio Abranches<span id="more-705"></span></span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Como desatar um nó criado por vetos cruzados e reabertura em dominó de temas que já pareciam decididos?</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Retirando a negociação desse contexto e levando-a para outro ambiente, no qual as regras são flexíveis e também se negocia previamente o escopo dos vetos. Esse ambiente é o da alta política, entre chefes de estado.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Desde ontem à noite, a COP15 foi suspensa de fato como instrumento deliberativo. Está confinada aos discursos de plenário, tanto quanto os jornalistas cada vez mais confinados à sala de imprensa e as ONGs ao lado de fora do Bella Center.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A verdadeira cúpula está acontecendo nos hotéis, pelos telefones e em vídeo-conferências. Lideranças européias, africanas e americanas estão envolvidas em consultas intensas e decisivas. Entre os mais envolvidos estão o premier britânico Gordon Brown, a premier alemã, Angela Merkel e o presidente Nicholas Sarkozy, da França. Os presidentes Lula e Obama estão sendo informados de tudo também. O primeiro a conversar com Lula sobre o caminho de um acordo político de cúpula, foi o colega francês Sarkozy, com quem tem mantido diálogo ininterrupto. Hoje conversou com o primeiro ministro Brown. O presidente da COP15 Lars Rasmussen também procurou o presidente Lula, para pedir seu apoio ao novo “documento dinamarquês”, que só terá sentido se essa negociação de cúpula chegar a bom termo.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O primeiro ministro da Etiópia, Meles Zenawi, falando em nome dos “Africanos”, pode ter exercido papel fundamental nesses entendimentos, ao fazer uma proposta de financiamento, que tem tudo para levar a um acordo entre as Partes. Feita pela em nome da África e reservando a maior parte dos recursos para os mais pobres, a proposta pode afastar as resistências dos desenvolvidos e dos emergentes. É um esquema que garante recursos suficientes, com um cronograma que atende às dificuldades de curto prazo dos países desenvolvidos, cobre as necessidades imediatas dos países em desenvolvimento, provê os volumes financeiros necessários a partir de 2020, e responde às demandas de governança equilibrada.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Negociadores bem articulados, como o brasileiro Luiz Alberto Figueiredo e a negociadora oficial da Espanha, Alicia Montalbo, por exemplo, cumprem missões específicas.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A África do Sul tem tido importância fundamental na negociação com o grupo ‘Africano’, para evitar vetos às negociações por cima e por fora da COP15. Foi a forma encontrada para responder à desconfiança dos países africanos, em relação ao que se passa na cúpula da COP15, que denunciam como não tendo transparência, nem representatividade. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O presidente Obama enviou a Secretária de Estado, Hillary Clinton, para participar dessas negociações. Hillary teria duas missões. A primeira seria trazer uma voz nova e sem desgaste para falar pelo EUA, depois que o negociador oficial, Todd Stern, fez o papel de polarizador e perdeu amplitude na capacidade de diálogo.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Se conseguir encontrar um caminho para o EUA nessa cúpula virtual, sua segunda missão seria determinar o momento de sinalizar ao presidente Obama para vir fechar o acordo Copenhague. Caso o acordo não seja possível, Obama não viria.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O primeiro ministro Hatoyama acaba de divulgar uma nova proposta financeira do Japão para os países em desenvolvimento, caso haja acordo. Nela se compromete a colocar US$ 11 bilhões em fundos públicos e US$ 4 bilhões, em recursos de mercado, para o período 2010- 2012. Faz parte do esquema financeiro em negociação, no qual haverá uma parte de curto prazo, para o início imediato das ações de mitigação e adaptação acordadas entre os grandes emissores. A condição é que os grandes emergentes também participem como Partes ativas no acordo.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Já estão informados e participando dos entendimentos: o presidente da Comissão Européia, José Manoel Durão Barroso; os presidentes Lula, Sarkozy e Obama; os primeiro ministros Gordon Brown, Angela Merkel, Yukio Hatoyama e Buyelwa Sonjica (representando a África).</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O primeiro-ministro José Luiz Zapatero foi informado das negociações pela negociadora oficial da Espanha, Alicia Montalbo. Ele concordou imediatamente e a encarregou de manter conversações com os países da América Hispânica, com os quais o governo espanhol mantém uma relação de confiança.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Todos estão trabalhando intensamente para que esse acordo saia. Os chefes de estado/governo envolvidos na articulação, estão negociando com os pares com os quais têm mais ligações, para explicar o acordo e remover vetos.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Se essa cúpula informal der certo, a COP15 voltará à vida ativa para a fase deliberativa final, para formalizar o que lhe couber desse acordo.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Uma parte da regulamentação pode ficar para uma próxima cúpula política. O premier da Etiópia propôs, por exemplo, que a regulamentação do esquema financeiro seja apresentada à próxima reunião do G-20, em junho do ano que vem. Nesse cenário de sucesso, o presidente Obama comparecerá ao Bella Center para aprovar o Acordo de Copenhague e a foto da cúpula política.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Só dessa forma, negociando por fora e pelo alto, será possível obter algo substantivo e efetivo em Copenhague. As regras da Convenção do Clima foram feitas para proteger interesses nacionais. Não servem para acordo que exige mudanças estruturais e novo quadro de prioridade para as políticas de governo.</span></p>
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		<title>A COP15 entre um bom acordo e o fracasso</title>
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		<pubDate>Wed, 16 Dec 2009 13:20:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ao renunciar à presidência da COP15 Connie Hedegaard estava cedendo ao primeiro ministro Lars Lokke Rasmussen, com quem vinha vivendo intensa rivalidade política. Mas sua saída marcou, também, a transição entre um evento diplomático formal e uma reunião de cúpula política.
Sérgio Abranches
A COP15 está em um beco sem saída. Não escapa dele pelas vias diplomáticas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Ao renunciar à presidência da COP15 Connie Hedegaard estava cedendo ao primeiro ministro Lars Lokke Rasmussen, com quem vinha vivendo intensa rivalidade política. Mas sua saída marcou, também, a transição entre um evento diplomático formal e uma reunião de cúpula política.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Sérgio Abranches<span id="more-702"></span></span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A COP15 está em um beco sem saída. Não escapa dele pelas vias diplomáticas formais. O chamado segmento técnico, formado por negociadores diplomáticos e funcionários de alto nível dos países que são Partes da Convenção do Clima, não conseguiu resolver os impasses que paralisam as negociações desde o início da semana. O segmento de alto nível, que começou formalmente ontem, formado pelos ministros chefes das delegações nacionais, já se mostrou impotente também. Não fez mais que reproduzir, e em alguns casos agravar, os mesmos impasses e polarizações.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Agora, só os líderes globais, em intensa negociação desde ontem à noite, podem salvar a COP15 do fracasso.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Os negociadores e vários ministros passaram a madrugada inteira tentando uma solução para que pudessem ter um documento preliminar que servisse de base para uma resolução dos chefes de estado. Não conseguiram.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Na noite de ontem, a delegação do EUA endureceu o jogo e terminou provocando o ressurgimento da polarização com o G77, especialmente a China, paralisando inteiramente as conversas.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Há rumores de que a secretária de Estado do EUA, Hillary Clinton, estaria vindo para Copenhague, para tentar destravar as negociações no plano político. Ela também informará ao presidente Obama sobre a chance de um acordo de cúpula. Se for possível desfazer o impasse, Obama virá a Copenhague para cinco horas de conversas. Se não houver saída, ele não estará no anúncio do fracasso.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Enquanto no plenário Tycho Brahe a convenção segue ouvindo discursos de chefes de estado, por mera formalidade, nos hotéis e salas reservadas intensas negociações de cúpula dão outro rumo à reunião. Do lado de fora, sob a neve, milhares de manifestantes protestam por terem sido proibidos de entrar no Bella Center por razões de segurança e pedem um acordo real e ambicioso.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Uma coisa é certa. Ficou praticamente impossível montar uma declaração apenas para salvar a face. A opinião púbica global e a mídia não permitiriam uma farsa. Ela seria imediatamente anunciada como fracasso. Ou bem os líderes anunciam um acordo real, ou bem reconhecem o fracasso.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Obama já disse que virá para fechar um acordo, mas faltará ao anúncio do fracasso. Se tiverem que anunciar o fracasso, estarão tornando realidade o anúncio com que o Greenpeace recebeu os participantes da COP15: os lideres em 2020 pedindo desculpas por terem fracassado em Copenhague e assumindo a responsabilidade pela tragédia climática decorrente da falta de ação.</span></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Fase política da COP15 começa com previsões sombrias</title>
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		<pubDate>Wed, 16 Dec 2009 09:56:52 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[O Primeiro Ministro Gordon Brown chegou a Copenhague para tentar intermediar o impasse, mas alertou para o perigo de fracasso das negociações.
Sérgio Abranches
Gordon Brown reconheceu que “é possível que não consigamos um acordo e é verdade que ainda há muitos pontos a serem resolvidos”. Os principais negociadores trabalharam toda a madrugada, para tentar ter um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O Primeiro Ministro Gordon Brown chegou a Copenhague para tentar intermediar o impasse, mas alertou para o perigo de fracasso das negociações.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Sérgio Abranches<span id="more-700"></span></span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Gordon Brown reconheceu que “é possível que não consigamos um acordo e é verdade que ainda há muitos pontos a serem resolvidos”. Os principais negociadores trabalharam toda a madrugada, para tentar ter um novo esboço de documento-base pela manhã. Alguns deles só chegaram ao hotel no começo desta manhã.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Do lado de fora, as ONGs protestam pela falta de resultados concretos e pelo fechamento do Bella Center. A partir de hoje, apenas um pequeno número de representantes das ONGs poderão entrar. Milhares serão barrados e engrossarão os protestos. “Hey-hey ho-ho Bella Center here we go”, gritam do lado de fora, em marcha rumo à entrada do centro onde se realiza a COP15. Se tentarem forçar a entrada, serão provavelmente duramente confrontados pela polícia.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Dentro do Bella Center, embora o G77 continue a se reunir, os grupos que estão realmente sendo ouvidos nas negociações representam sua divisão irreparável, pelo menos para esta COP. O grupo “Africano”, passou a ter reconhecimento político após o <a href="http://www.ecopolitica.com.br/2009/12/14/divisoes-quase-colapso-recomeco/"><span style="text-decoration: underline; letter-spacing: 0.0px color;">bloqueio</span></a> que promoveu das negociações, em protesto pela falta de transparência e efetividade das negociações. Os países do BASIC (Brasil, África do Sul, Índia e China) negociam por conta própria e são reconhecidos como a elite dos desenvolvidos. Os pequenos países-ilha, falam por meio de sua organização, AOSIS (Aliança dos Pequenos Estados Ilha).</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A União Européia tem voz institucional, mas o Reino Unido opera com voz própria, na tentativa de intermediar, inclusive, as diferenças entre Europa e Estados Unidos.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Ao final das negociações, o máximo que os grupos de trabalho e de contato informal conseguiram foi eliminar o retrocesso mais recente. Segundo o membro de uma das delegações envolvidas, voltou-se ao texto apresentado pelos presidentes dos dois grupos, Protocolo de Kyoto (AWG-KP) e da Convenção do Clima (AWG-LCA), que havia sido postos em discussão entre o final da semana passada e o início desta.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O impasse continua, porém com algumas definições claras do que dá e do que não dá para conversar. O EUA, por exemplo, disse que não tem condições de aumentar a meta para 2020. O Reino Unido concordou, dado que o presidente do EUA tem que respeitar os limites impostos pelo Congresso. A contraproposta de alguns países é que o EUA aumente a meta para 2050 e ajude a resolver o impasse no financiamento.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">O primeiro dia da fase de alto nível da COP15 começa com os ministros chefes de delegação em impasse e uma expectativa muito mais sombria que aquela do início da semana.</span></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Só recursos de última instância destravam a COP15</title>
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		<pubDate>Tue, 15 Dec 2009 23:00:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>sabranches</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Copenhague]]></category>

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		<description><![CDATA[Negociadores jogaram a toalha na discussão dos principais pontos de impasse, em reuniões que foram até o início da noite em Copenhague.
Sérgio Abranches
Nas discussões para produzir os textos finais, marcados para serem entregues no início da noite, os grupos de trabalho sobre o Protocolo de Kyoto e sobre a Convenção do Clima decidiram transferir para [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Negociadores jogaram a toalha na discussão dos principais pontos de impasse, em reuniões que foram até o início da noite em Copenhague.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Sérgio Abranches<span id="more-698"></span></span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Nas discussões para produzir os textos finais, marcados para serem entregues no início da noite, os grupos de trabalho sobre o Protocolo de Kyoto e sobre a Convenção do Clima decidiram transferir para os ministros chefes de delegações as decisões sobre os pontos mais difíceis de entendimento. Entre eles estão: metas quantitativas para os países desenvolvidos (MRVs); ações de mitigação dos países em desenvolvimento (NAMAS); financiamento, inclusive REDD, entre outros, menos centrais.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A decisão desagradou profundamente os principais negociadores e, principalmente, a presidente da COP15, Connie Hedegaard e o Secretário Executivo da Convenção do Clima, Yvo de Boer.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A ministra Hedegaard fez um apelo dramático na, no início da noite, na abertura oficial do segmento de alto nível, conduzido pelos ministros que chefiam as delegações.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">“Preciso alertá-los: nós podemos fracassar, disse ela. E completou: “não podemos nos dar ao luxo de fracassar”. Fez um chamado sério à responsabilidade: “nós temos que responder não apenas pelo que fizemos, mas pelo que falhamos em fazer”.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Em seguida, dirigindo às Partes da Convenção do Clima e do Protocolo de Kyoto, cobrou: “vocês que são partes do acordo, tem que entregar um acordo”.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Terminou dizendo que “isto não é apenas sobre o clima, é também sobre a credibilidade dos líderes globais em todo o mundo”. </span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Esse alerta pode ser entendido como um apelo dramático pelo entendimento, mas pode também ser um aviso de que a presidente da COP15 recorreria, se necessário, às suas prerrogativas, como recurso de última instância, para obter um documento completo para apresentar aos chefes de estado e governo. Raramente presidentes de COP lançam mão dessas prerrogativas.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">Certamente os principais negociadores trabalharão madrugada à dentro, na tentativa de preencher as lacunas das negociações de uma semana e chegar a um esboço completo, com definições sobre todas as questões técnicas, deixando apenas as escolhas políticas centrais para o segmento de alto nível. No caso de falharem, então talvez a presidente intervenha de forma mais agressiva.</span></p>
<p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Helvetica;"><span style="letter-spacing: 0.0px;">A cúpula do clima está à beira de um colapso. Só será salva pela decisão política dos chefes de estado. Mas para que essa decisão seja efetiva, é preciso que o impasse em torno de um documento-base seja resolvido de alguma maneira.</span></p>
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