Regulação consegue reduzir chuva ácida nos Estados Unidos
Sérgio Abranches
Estudo de pesquisadores da Universidade de Illinois demonstra a efetividade das regulações da agência ambiental do EUA para reduzir a incidência de chuva ácida.
O relatório se baseia na análise da presença de poluentes em amostras semanais de mais de 250 estações de coleta espalhadas pelo EUA. Os dados são coletados pelo National Atmospheric Deposition Program, NADP, e mostram tendências de chuva ácida de 1984 a 2009. “É o estudo de mais longo prazo e de escala mais ampla de precipitação de poluição nos Estados Unidos ”, diz Christopher Lehmann, pesquisador do programa, que faz parte do Illinois State Water Survey (Sondagem da Água do Estado de Illinois) da Universidade de Illinois. O estudo teve por objetivo determinar como tendências na poluição da chuva estariam correlacionadas com as regulações de emissões. “Nós estamos vendo regulações de fontes de emissões exercendo impacto direto e positivo para reduzir poluentes na chuva.”
É uma importante contribuição para a avaliação da efetividade da atividade regulatória da Agência de Proteção Ambiental do EUA, a EPA. “Queremos ter certeza de que as regras adotadas são efetivas, que estão fazendo aquilo que foram desenhadas para fazer”, disse David Gay, o coordenador do NADP. “É para isso que estamos aqui. Nós gastamos muito dinheiro para promulgar a regulação. Há grande preocupação com seu impacto na indústria. Este estudo mostra evidência clara e significativa do impacto direto e positivo da regulação”.
O relatório atribui a queda da chuva ácida às emendas feitas em 1990 à legislação sobre qualidade do ar, o Clean Air Act, regulando as emissões de dióxido de enxofre e óxido de nitrogênio, os gases que se transformam em ácido sulfúrico e ácido nitroso, quando misturados à água da chuva. Caíram a frequência e a concentração de precipitação ácida – chuva ou neve – com um pH de 5,0 ou menos – no período de 25 anos, diz o relatório.
A chuva ácida tem efeitos generalizados não apenas nos ecossistemas, mas também na infraestrutura e na economia. A precipitação poluída afeta negativamente as florestas, a agricultura e outras indústrias. O ácido também provoca a erosão de estruturas, danificando prédios, rodovias e pontes.
“O que sobe, desce. A química da chuva está diretamente correlacionada à poluição do ar. Quando nós olhamos a magnitude das tendências, descobrimos que ela se compara muito bem com a magnitude das reduções de emissões registrada pela EPA”, disse Lehmann. “A tendência é de queda e nós devemos comemorar esse dado, mas continua sendo um problema. Ainda há muito que avançar e há novas regulações a caminho, para continuar a reduzir os compostos de enxofre e nitrogênio,” concluiu.


