Seca no Rio Negro em 2010 teve impacto sobre saúde da Floresta Amazônica
Sérgio Abranches
A seca de 2010 no Rio Negro, Amazônia, a pior dos últimos 109 anos, afetou a saúde da floresta e interrompeu por longo período o processo de fotossíntese. É o que mostra estudo que será publicado na Geophysical Research Letters da American Geophysical Union – AGU.
O estudo, que usou fotos de satélite para medir o índice de perda de capacidade fotossintética, é de autoria de pesquisadores da Boston University, Universidade de Viçosa, NASA e Atmospheric Research Inc.
Ele revela que a seca atingiu 5milhões km2 de floresta e afetou perto de 2,4 milhões de km2. Houve severa redução de cobertura, interrupção da fotossíntese, que se prolongou por bastante tempo após o término da seca. Os resultado são um forte indicador da fragilidade da floresta em situações de mudança extrema do regime de águas e do grau de umidade do ambiente.
Essas descobertas são um alerta sobre como se sabe pouco ainda sobre essaa interação entre a floresta e o regime de águas e umidade da região. Aumentam o risco de impactos desconhecidos e severos da mudança no fluxo dos rios amazônicos por barragens para hidrelétricas sobre a saúde da floresta. Embora medindo efeitos de um evento extremo, o estudo dá indicações importantes sobre a necessidade de se estudar melhor o que acontecerá com as partes da floresta, que deixem de ser alagadas em razão das mudanças causadas pelas barragens.
O estudo, ainda não publicado, pode ser baixado aquihttp://cybele.bu.edu/download/manuscripts/xu-01.pdf.
Tags:Amazônia, Belo Monte, desmatamento, fotossíntese, hidrelétricas, Jirau, Santo Antônio, seca


