Comentário
11 março, 2011

Mega-terremoto e tsunami destruidor atingem Japão

Sérgio Abranches
Terremoto e tsunami que atingiram o Japão terão muitas consequências ambientais graves e há perigo de acidente nuclear.

Terremotos são eventos naturais que não têm relação com eventos climáticos extremos, mas podem ter consequências ambientais devastadoras, principalmente quando seu epicentro é no mar e eles provocam tsunamis.

Os tsunamis são imprevisíveis, sua extensão e força dependem da morfologia do solo marítimo e da energia liberada pelo terremoto. É muito diferente de uma onda gigante, porque é um sistema de ondas causado pela energia liberada pela vibração do solo do mar. Essas ondas podem adquirir força gigantesca, avançando sobre o litoral com grande poder de destruição. O pior é a combinação da força das águas que invadem território bem além da praia e o violento efeito de arrasto. Suas consequências são tão piores quanto mais construídas e povoadas são as áreas atingidas. As águas arrastam tudo que encontram pela frente, criando um entulho destruidor. Casas, pontes, prédios, veículos, embarcações, são empurrados pelas águas junto com destroços de todo tamanho e natureza, chocando-se com o que encontram pela frente. Esse arrastão de grandes massas, não só de água, tem absurdo efeito destrutivo.

O impacto em construções industriais e reservatórios de material inflamável provoca explosões e incêndios industriais, com elevado potencial de liberação de gases tóxicos. Foi o que aconteceu, por exemplo, com a refinaria Cosmo, em Kobe, próximo a Tóquio. Há relatos locais de pelo menos 40 grandes incêndios. Houve um incêndio também na usina nuclear de Onagawa, que já teria sido debelado. As refinarias da Nippon Petróleo e Energia em Sendai, Kashima e Negishi tiveram sua operação interrompida. A termelétrica de Isogo, em Yokohama, também foi fechada. A Sony fechou seis fábricas. A siderúrgica da JFE, a quinta maior empresa siderúrgica do mundo, em Yokohama, também está em chamas.

Na região agrícola inundada pelo tsunami, a destruição de depósitos de defensivos agrícolas e fertilizantes químicos contamina as águas e o solo. As ondas, além de destruírem as plantações, revolvem o solo e carregam os produtos químicos. As águas espalham o entulho, com numerosos elementos tóxicos, poluindo vastas áreas.

O maior parentesco entre terremotos/tsunamis e eventos climáticos extremos, é que eles são tão mais graves, quanto mais populosas e construídas são as áreas atingidas. O desastre é humano, não é natural, e é uma função desses fatores, população e área construída, da ausência de áreas naturais de amortecimento, como os manguezais, e do grau de prontidão e capacidade de prevenção do país.

O Japão é tem alta densidade populacional e é muito construído, mas é o país com melhor sistema de prevenção de desastres decorrentes de eventos naturais extremos, climáticos ou não. Está em uma região altamente sísmica, tem vulcões ativos e também se localiza em uma rota de tufões e maremotos. Toda a população sabe o que fazer, treinam todo o ano, em todas as escolas há aulas e exercícios. Há muitos abrigos, em todas as cidades. A tecnologia construtiva anti-terremotos é muito avançada. Provavelmente o número de perdas humanas será menor do que seria em outros países com evento da mesma intensidade.

Nesse momento, o maior perigo ambiental no Japão está concentrado nas centrais nucleares de Fukushima I e II e de Onagawa. A maior preocupação é com Fukushima I, cujo sistema de refrigeração foi afetado e não está funcionando. Embora até agora não tenha havido sinais de vazamento nuclear, a autoridade nuclear japonesa decretou alerta nuclear máximo.

Outro potencial de danos ambientais adicionais de gravidade é o vazamento em refinaria de petróleo atingidas, algumas delas em chamas.

Meu comentário na CBN, hoje, precedido por trecho da informativa entrevista do professor Lucas Barros, chefe do Observatório Sismológico da Universidade de Brasília, UnB:

A entrevista completa de Lucas Barros, que merece ser ouvida, está aqui:


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