Fase política da COP15 começa com previsões sombrias
O Primeiro Ministro Gordon Brown chegou a Copenhague para tentar intermediar o impasse, mas alertou para o perigo de fracasso das negociações.
Sérgio Abranches
Gordon Brown reconheceu que “é possível que não consigamos um acordo e é verdade que ainda há muitos pontos a serem resolvidos”. Os principais negociadores trabalharam toda a madrugada, para tentar ter um novo esboço de documento-base pela manhã. Alguns deles só chegaram ao hotel no começo desta manhã.
Do lado de fora, as ONGs protestam pela falta de resultados concretos e pelo fechamento do Bella Center. A partir de hoje, apenas um pequeno número de representantes das ONGs poderão entrar. Milhares serão barrados e engrossarão os protestos. “Hey-hey ho-ho Bella Center here we go”, gritam do lado de fora, em marcha rumo à entrada do centro onde se realiza a COP15. Se tentarem forçar a entrada, serão provavelmente duramente confrontados pela polícia.
Dentro do Bella Center, embora o G77 continue a se reunir, os grupos que estão realmente sendo ouvidos nas negociações representam sua divisão irreparável, pelo menos para esta COP. O grupo “Africano”, passou a ter reconhecimento político após o bloqueio que promoveu das negociações, em protesto pela falta de transparência e efetividade das negociações. Os países do BASIC (Brasil, África do Sul, Índia e China) negociam por conta própria e são reconhecidos como a elite dos desenvolvidos. Os pequenos países-ilha, falam por meio de sua organização, AOSIS (Aliança dos Pequenos Estados Ilha).
A União Européia tem voz institucional, mas o Reino Unido opera com voz própria, na tentativa de intermediar, inclusive, as diferenças entre Europa e Estados Unidos.
Ao final das negociações, o máximo que os grupos de trabalho e de contato informal conseguiram foi eliminar o retrocesso mais recente. Segundo o membro de uma das delegações envolvidas, voltou-se ao texto apresentado pelos presidentes dos dois grupos, Protocolo de Kyoto (AWG-KP) e da Convenção do Clima (AWG-LCA), que havia sido postos em discussão entre o final da semana passada e o início desta.
O impasse continua, porém com algumas definições claras do que dá e do que não dá para conversar. O EUA, por exemplo, disse que não tem condições de aumentar a meta para 2020. O Reino Unido concordou, dado que o presidente do EUA tem que respeitar os limites impostos pelo Congresso. A contraproposta de alguns países é que o EUA aumente a meta para 2050 e ajude a resolver o impasse no financiamento.
O primeiro dia da fase de alto nível da COP15 começa com os ministros chefes de delegação em impasse e uma expectativa muito mais sombria que aquela do início da semana.
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