Tudo pode: um dia em suspenso que vale por uma semana
O dia hoje está em suspenso, na COP15. O que parecia ter avançado, retrocedeu. O que está travado ficou mais travado. Em algumas delegações baixou certo desespero.
Sérgio Abranches
Ontem, no início da noite, os negociadores interessados na inclusão das florestas no novo acordo, estavam à beira da euforia. O documento estava quase todo negociado, havia poucos pontos em aberto. Uma nova rodada de negociações com o objetivo de fechar esses pontos remanescentes virou um pesadelo para eles. A Colômbia reabriu uma questão para que fosse levada à discussão dos ministros. Imediatamente, outras foram reabertas por outras Partes. À meia-noite, o texto havia retrocedido ao que era 48 horas antes.
Neste momento, ainda estão ocorrendo reuniões informais de alto nível para negociar os pontos travados. Às 19:30, hora local, o grupo sobre a Convenção do Clima (AWG-LCA) deve entregar nova versão do documento base para os ministros. Os ministros terão o dia de amanhã, para negociar o texto e aprontá-lo, para que possa ser objeto de deliberação pelos chefes de estado e governo. O grupo sobre o Protocolo de Kyoto deve entregar seu texto às 20:00 hrs.
Fontes do Reino Unido informam que o primeiro-ministro Gordon Brown fará um apelo veemente pela negociação, na reunião de chefes de estado amanhã.
O presidente Lula chegará à meia-noite. Praticamente toda a delegação brasileira vê sua chegada como uma tábua de salvação. A maioria espera que alguém seja capaz de persuadir o presidente a colocar o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, no comando das negociações, que se tornaram muito complexas para serem conduzidas pela ministra Dilma Roussef, que não tem experiência em negociações multilaterais desse porte e complexidade.
O chamado segmento de alto nível será instalado em minutos, em pequena solenidade. Depois os ministros voltarão às consultas informais.
Há delegações que estão mergulhando no pessimismo. Quem tem mais experiência diz que o melhor que aconteceu é que os pontos de impasse foram identificados e os ministros estão focados neles. Imaginam que ainda seja possível resolver esses pontos até 6a feira.
A regra básica das COPs é que nada está negociado, enquanto tudo estiver negociado. É um duro tudo ou nada, que dificulta qualquer acordo. Todas as Partes têm poder de veto, podem derrubar ou reabrir qualquer ponto a qualquer momento. Mas, o corolário, é que os políticos podem tudo, inclusive fechar em algumas horas, o que os “técnicos” (diplomatas profissionais que chefiam o segmento chamado técnico das negociações) não conseguiram fechar em uma semana.
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