COP15
15 dezembro, 2009

Nos bastidores da COP15, um debate entre candidatos à presidência do Brasil

José Serra, Marina Silva e Dilma Roussef começaram a se desentender. A representante oficial do governo adotou posição perdedora.

Sérgio Abranches

O primeiro debate explícito entre eles foi sobre a participação dos países emergentes no financiamento das ações de adaptação e mitigação. O governador José Serra (PSDB-SP) e a senadora Marina Silva (PV-AC) concordaram que esses países devem participar do financiamento. Marina Silva defendeu que o Brasil, isoladamente, contribuísse com R$ 1 bilhão. A ministra Dilma Roussef (PT-RS), fez pouco, dizendo que “R$ 1 bilhão não faz nem cosquinha”.

A senadora Marina Silva não gostou. Considerou uma “desqualificação grosseira”, para esconder a recusa em aceitar o princípio de que esses países devem contribuir. “Não dá para ficarem passando por pobres e necessitados, quando não são mais isso. Precisam ser solidários com os mais pobres”.

O governador José Serra disse, também, em reunião com ONGs aqui em Copenhague, que considera justo que esses países participem do financiamento.

Há quem defenda o princípio da contribuição na delegação e no governo do Brasil. Segundo alguns, o próprio presidente Lula se manifestou favoravelmente nas reuniões preparatórias do evento.

A senadora Marina Silva considera que o estilo adotado pela ministra que chefia a delegação brasileira não é o mais adequado para esse tipo de reunião. “Em reuniões multilaterais desse porte e complexidade, não ganha quem fala mais alto, mas quem negocia com firmeza de propósitos”.

O debate vai continuar. Essa questão da contribuição é uma peça central da equação do financiamento, um dos pontos do impasse no acordo do clima. Não é provável, entretanto, que a ministra Roussef vá manter sua posição. Ela é perdedora. Os países emergentes, se houver acordo, deverão participar do financiamento das ações de mitigação e adaptação.


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