Caso dos emails roubados vai terminar com ciência mais transparente
Os estudos do centro de pesquisas de onde os emails foram roubados, o CRU-Universidade de East Anglia, passarão por completa revisão independente. Cientistas do Reino Unido e de outros países estão envolvidos em um esforço importante para proteger a credibilidade da ciência do clima e dos dados gerados pelo CRU e outras unidades de pesquisa mencionadas nos emails.
Sérgio Abranches
O banco de dados central, que foi objeto de contestação a partir de frases consideradas suspeitas pinçadas dos emails será reconstruído do zero, me disse Richard Betts, Chefe para Mudança Climática do Met Office, principal instituição científica britânica de pesquisa sobre o clima. Segundo ele, o banco de dados do CRU será refeito de forma transparente e independente, para que não reste dúvidas sobre a qualidade da ciência nele baseada.
Há grande preocupação dos cientistas em que a ampla repercussão na mídia sobre o caso tenha efeito negativo sobre as negociações na COP15.
A imprensa deu amplo espaço ao bombardeio de acusações dos que negam o aquecimento global, chamados céticos. Entre eles há muitos porta-vozes de interesses ligados à economia de alto carbono.
Os cientistas trouxeram novas simulações, com outros dados, para mostrar aos ministros e chefes de estado, que o aquecimento além de real, está se agravando. Vários cientistas do clima me disseram, por exemplo, que não há possibilidade de se evitar 1,5oC reivindicação dos países-ilha e algumas ONGs. Para isso seria necessário “emissões negativas”, isto é, capturar da atmosfera uma grande quantidade de gases estufa, no curto prazo, o que não parece plausível.
A preocupação é que a COP15 avança pela corda bamba. Embora tenha havido progresso. Os ministros já presentes no Bella Center no sábado, para consultas informais, por exemplo, removeram os vetos que existiam aos dois documentos preliminares apresentados pelos presidentes dos grupos de trabalho sobre o Protocolo de Kyoto (AWG-KP) e sobre a Convenção do Clima (AWG-LCA). Decidiram que servirão de base para as negociações políticas que iniciarão formalmente hoje à tarde.
Pela manhã, houve, novas consultas informais, em pequenos grupos. Os países do BASIC (Brasil, África do Sul, Índia e China, por exemplo, reuniram-se longamente e, em seguida, conversaram com a presidente da COP15, Connie Hedegaard, e com o Secretário Executivo, Yvo de Boer.
Nesse momento, Connie Hedegaard está coordenando uma nova consulta informal, sem hora marcada, com os ministros, para preparar a plenária. O ponto inicial dessa agenda aberta será o Protocolo de Kyoto. Há fortes rumores de que as negociações estão travadas. Os países africanos estão manifestando fortemente seu descontentamento com o que chama de bloqueio do acordo.
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