COP15
14 dezembro, 2009

As negociações estão paralisadas nas duas trilhas principais do acordo: Protocolo de Kyoto e Convenção do Clima

Os países africanos bloquearam as negociações dizendo que elas não estão sendo suficientemente transparentes. As consultas são realmente assimétricas. Os grandes atores desse teatro político e diplomático têm mais acesso a todas as conversas. Os menores países ficam de fora dos principais lances da negociação.

Sérgio Abranches

O G77, na prática, em Copenhague se desfez, como era de se esperar de um conglomerado tão heterogêneo. Os países mais avançados estão participando das negociações como um bloco em si, o chamado BASIC, de Brasil, África do Sul, Índia e China.

Hoje, quando o impasse interrompeu a reunião plenária, um representante de cada grupo foi destacado para continuar a negociar. Para os países em desenvolvimento, foi indicada a Indonésia. Os países africanos reivindicaram um representante próprio, porque se consideram mais vulneráveis. Não levaram. Mas eles estão atuando como um bloco próprio, chamado nos corredores do Bella Center, “os africanos”.

O maior problema que eles apontam e em relação ao qual têm reais motivos de preocupação é que as negociações são assimétricas e não têm transparência. Eles temem um acordo entre os ricos que deixe seus interesses inteiramente a descoberto.

Esse bloqueio “africano” começou pela manhã, em todos os grupos de trabalho e se transferiu para o plenário. A reunião está prevista para ser retomada em poucos minutos, para mais uma tentativa.

O processo decisório na convenção do clima é assim, todos têm poder de veto. No caso de hoje, formou-se um impasse de natureza política e sobre procedimentos, do que sobre qualquer tema substantivo da negociação. Nesse plano, continua o impasse mais sério e ainda sem qualquer sinal de solução: em relação a compromissos mensuráveis, reportáveis e verificáveis e em relação a financiamento. Nos dois casos, a chave é o EUA. Todd Stern, negociador chefe do EUA, tem ficado calado nas últimas reuniões. Mas o EUA é a chave do impasse. A UE acha suas metas insuficientes e querem que ele diga quanto recurso pretende comprometer. Há quem diga, que isso só Obama responderá.

O sentimento crescente no Bella Center é que os ministros não terão capacidade de desatar todos os nós políticos e os principais impasses ficarão para os chefes de estado resolverem.


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