Trilhas
04 novembro, 2009

O Mundo em 2050

“Está em nosso poder erradicar a pobreza até 2050; está em nosso poder erradicar as doenças até 2050; mas também está em nosso poder destruirmos a nós mesmos até 2050.” (Ian Goldin – The World in 2050)

A Real Sociedade de Geografia foi anfitriã de uma mesa de discussão sobre “O mundo em 2050”, com cientistas e especialistas da 21st Century School. O evento foi uma realização conjunta da James Martin 21st Century School e da Intelligence2. Os apresentadores eram Ian Goldin, diretor da 21st Century School, da Universidade de Oxford; Malcolm MacCulloch, diretor do Institute for Carbon and Energy Reduction in Transport; Sara Harper, diretora do Oxford Institute of Ageing; e Julian Savulescu, diretor do Programme on Ethics of the New Biosciences.

Em muitos lugares, instituições acadêmicas, corporações, ONGs, centros de pesquisas inúmeras pessoas estudam, pesquisam, e discutem tendências futuras. Em nossa vida diária, contudo, na mídia em geral e nos governos de quase todos os países, o longo prazo, visões de futuro, é uma parte lateral, periférica da pauta. Não é uma prioridade. Nós estamos atrelados ao curto prazo, às alegrias e atribulações de nosso cotidiano; ao imediatismo da agenda de políticas correntes. Entretanto, desprezar o futuro, deixar de olhar para a frente, focalizando as incertezas e possibilidades que estão além do horizonte de nossas obrigações diárias, é muito mais perigoso do que se imagina. Para sermos capazes de tomar nosso destino em nossas próprias mãos, precisamos ter uma visão para o futuro, um olhar de longo prazo.

Stewart Brand, um dos fundadores da Long Now Foundation, nos lembra, em seu livro “The Clock of the Long Now: Time and Responsibility”, que

“o tempo é assimétrico para nós. Podemos ver o passado mas não o podemos influenciar. Podemos influenciar o futuro, mas não podemos vê-lo. Tanto a invisibilidade, quanto a maleabilidade potencial do futuro nos impulsionam a aprender nele, ficar alertas para as ameaças ou oportunidades que ele pode conter, essa brancura da página do futuro nos dá poder (se o futuro não está determinado, podemos fazer qualquer coisa)”.

Ele também nos ensina que “o pensamento rigoroso de longo prazo torna inevitável que assumamos responsabilidades, porque ele responde aos ciclos de retro-alimentação mais lenta e mais profunda de toda a sociedade e do mundo natural”. Em última instância, está claro que “no longo prazo, você se salvar significa salvar todo o mundo”.

Talvez a melhor introdução para essa discussão sejam as palavras com que Ian Goldin terminou sua própria apresentação e que mencionei no início deste post:

“Está em nosso poder erradicar a pobreza até 2050; está em nosso poder erradicar as doenças até 2050; mas também está em nosso poder destruirmos a nós mesmos até 2050.”

Espero que o que foi dito acima seja justificativa suficiente para que quem visite esta página veja o vídeo da discussão (em inglês, apenas, sem legendas).



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