A revolução genômica
As descobertas revolucionárias da equipe de J. Craig Venter do J. Craig Venter Institute em Rockville, Maryland e de George Church, de Harvard, no campo da genômica, vão dar em muita controvérsia em torno da “vida artificial”.
Mas terão espetaculares consequências para a produção de biocombustíveis sintéticos e para a medicina. Comentário de Sérgio Abranches na CBN.
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Sobre a questão dos biocombustíveis, vejo a questão com muita cautela e reservas.
A transgenia é um processo que ocorre na natureza tão antigo quanto a própria história da vida na Terra. Os organimos ao longo do tempo, sofrem mutações que podem trazer ou não alterações morfológicas e/ou fisiológicas, onde os mais bem adaptados, sobreviverão deixando seu legado, salve Darwin!
Logo, entende-se por trangenia as alterações, isto é, a supressão ou o acréscimo de genes a um genótipo implementando mudanças àquele organismo.
Pois bem, a transgenia dita “natural” é lenta e gradual, permitindo que o meio ambiente absorva as mudanças sem maiores consequencias; a engenharia genética por sua vez, apresenta propostas e soluções a meu ver, imediatistas para a questão dos combustíveis o que muito me apavora, pelo simples fato de serem antinaturais e trazerem prejuízos muitas vezes irreversíveis.
A questão da soja é um ótimo exemplo de trangenia que só trouxe prejuízos à EMBRAPA e às nossas florestas, trazendo lucros e nos obrigando a pagar `’royalties’ à multinacional Monsanto, exatamente por não termos condições de competir com os “grãos perfeitos” criados em laboratório pela Monsanto. A manipulação dos grãos perfeitos aliás, é hoje grande objeto de conflito nas áreas de agricultura, engenharia genética e pesquisadores da área de Botânica.
A título de ilustração, cito o caso da tinta anti-incrustante utilizada em navios que busca livrar o casco da famosa bioincrustação, pois bem, a tinta é citotóxica e vem causando mutações em peixes e molucos desequilibrando a teia alimentar entre outros danos mais gravosos. Desta forma, é prudente que antes de apostar numa nova droga, tecnologia ou combustível, seja feito um estudo detalhado sobre possíveis impactos aliado a experimentos para avaliar à pena ou não.
Fora isso, não há como falar em produção sem falar em resíduo e a questão do lixo é hoje uma das maiores problemáticas mundiais. Seguindo este raciocínio, surge a pergunta: Por que produzir se podemos reaproveitar? Existem biocombustíveis, biodigestores e uma série de outras aplicações inteligentes do material orgânico reciclado.
Vejo com bons olhos todavia, a engenharia genética que se esmera na produção de novas vacinas e se propõe a solucionar problemas médicos através da clonagem terapêutica e etc.
Obrigada por ter disponibilizado mais este canal.
Concordo muito com você, Érica. Acho que tem engenharia genética do bem – vacinas, cura de doenças cerebrais q têm origem genética a que se refere o Paulino Niemeyer – e do mal roundup-ready, o caso da tinta de que vc fala.