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10 agosto, 2009

Se Glauber Rocha pudesse falar de Sarney… Ele já falou e disse.

Pedro Doria (@pedrodoria ) tem no seu blog, dica de @brunorabin, documentário sobre a posse de José Sarney como governador do Maranhão, em 1966. É imperdível e uma raridade como documento histórico. Realizado por uma trinca de gênios do Cinema Novo brasileiro, foi encomendado por Sarney e por razões que ficam evidentes ao vê-lo, não foi aceito. Virou uma “reportagem cinematográfica” por Glauber Rocha e Fernando Duarte, com som direto de Eduardo Escorel. E que reportagem! Melhor impossível.

Sarney foi eleito em de 3 de outubro de 1965, nas últimas eleições diretas permitidas pela ditadura militar para os executivos estaduais. A partir de 1966, passaram a ser indiretas por causa da vitória, em 65, dos oposicionistas, Israel Pinheiro, em Minas Gerais, e Negrão de Lima, na Guanabara (saudosa Guanabara).<br><br>

José Sarney se elegeu no Maranhão pelo partido da ditadura. O discurso que a reportagem cinematográfica registra, com som direto impecável de Escorel, a direção nervosa e crítica de Gláuber e a fotografia magistral de Fernando Duarte, cinematografia de primeira, como diz a Academia de Cinema do EUA, é uma farsa bem estruturada. Fala o tempo todo de liberdade, não porque Sarney fosse um libertário, mas para defender a tese de que a ditadura estava implantando um verdadeiro regime de liberdades no país. A insinceridade do discurso é o verdadeiro tema da reportagem cinematográfica de Glauber e Fernando Duarte. Não deixe de ver aqui ou no blog do Pedro Doria.

(Sérgio Abranches)