Trilhas
07 agosto, 2009

O risco de soluções de geoengenharia para o aquecimento pode ser provocar mais mudança climática

“À medida que os riscos de mudança climática e as dificuldades de reduzirmos efetivamente as emissões de gases de efeito estufa se tornam mais óbvios, soluções potenciais pela geoengenharia são cada vez mais amplamente discutidas”.

Grabiele Hegerl do Grant Institute e Susan Solomon do Earth System Research Laboratory na National Oceanic and Atmospheric Administration discutem alguns dos riscos de manipular o sistema climático ao tentar mitigar o aquecimento global, na seção Perspectives publicada ontem na revista Science.

Seu ponto principal é que “os impactos da mudança climática são determinados não somente por mudanças na temperatura, mas também por outros aspectos do sistema climático, como a precipitação e os extremos climáticos.” Elas argumentam que se os estudos de geoengenharia focarem demais no aquecimento “não serão capazes de avaliar apropriadamente riscos críticos associados a essas possíveis curas”.

As autoras usam como exemplo, “tentativas de limitar o aquecimento reduzindo as radiações em ondas curtas” que chegam à terra. Reduzir essas radiações em ondas curtas levaria a uma queda nas temperaturas, dizem. A precipitação reage mais fortemente às reduções nas radiações em ondas curtas que chegam, como acontece em erupções vulcânicas ou na engenharia climática nas ondas curtas, do que à redução nas radiações em onda longa, que saem da terra e estão associadas ao forçamento por gases de efeito estufa, explicam. O risco resultante seria de maiores mudanças na precipitação. No caso, o risco seria de secas extremas.

Elas concluem que “a mudança climática tem a ver com muito mais fatores do que a mudança na temperatura e usar apenas a temperatura como uma aproximação para seus efeitos representa um risco inaceitável para a saúde de nossa sociedade e para o próprio planeta”.

Nós vivemos uma era de mega riscos. A nossa é, de fato, uma sociedade de risco. Cada passo para enfrentar o desafio do século tem que dar conta de todo o risco sistêmico envolvido. Não podemos admitir qualquer simplificação. Ultrapassamos os riscos individual e societário, que não desapareceram, ao contrário, aumentaram, somando a eles o risco planetário.


Tags:, , , ,