Análise28 junho

O voto no Reino Unido e na Espanha, sociedades divididas e perplexas

Sérgio Abranches

O referendo no Reino Unido e as eleições gerais na Espanha além de serem decisões históricas, são indicadores das contradições de nosso tempo. Eleições divididas, que nada resolvem, aumentam a incerteza e a perplexidade. Estão no limite de validade da democracia tal como a conhecemos. O desencanto dos cidadãos com a democracia pela qual não se sentem representados é um dos principais desafios civilizatórios do século XXI. Sem o regime de liberdades, os princípios republicanos da igualdade na lei e da fraternidade/solidariedade, não teremos como atravessar com sucesso essa longa transição que está mudando globalmente paradigmas econômicos, sociais, políticos, científicos e tecnológicos e os padrões comportamentais. Mas a democracia representativa assegura menos liberdade que no passado, já não acredita na igualdade na lei e perdeu a solidariedade. Ficou mais curta que a sociedade que com ela se descontenta. Leia Mais »

Análise09 junho

Mais uma volta no parafuso da crise política brasileira

Sérgio Abranches

Vivemos um momento político muito específico, de relativa normalidade corrente, em meio a muita instabilidade e incerteza políticas e fricção entre os poderes. O governo continua a aprovar as medidas mais urgentes de sua agenda de emergência, mostrando que sua coalizão sustenta maioria similar àquela que votou a admissibilidade do impeachment da presidente Dilma Rousseff, levando a seu afastamento. Ontem a aprovação da emenda constitucional que desvincula 30% dos recursos do orçamento, a DRU, até 2022, mostrou novamente o peso incontrastável dessa coalizão. Se ela se manterá ao longo do tempo, é difícil dizer. No período de interinidade, há mais incentivos para que se mantenha, dada a expectativa futura de poder que ela contém, a proximidade das eleições municipais e as mágoas acumuladas por muitos setores do PMDB na sua relação com o PT, principalmente durante a gestão Dilma Rousseff. Depois, será um outro cenário, com outras regras e condições.   Leia Mais »

Análise03 junho

O desprezo de Temer pela opinião pública é uma temeridade

Sérgio Abranches

A principal habilidade de Michel Temer é o manejo das diferenças no Congresso. Toda sua carreira política foi marcada por essa capacidade de equilibrar os interesses em contrariedade permanente das oligarquias regionais que compõem o PMDB. Sem espaço político em são Paulo, ao longo de toda a predominância de Orestes Quércia na chefia da máquina estadual, Temer teve que abrir um espaço para si no PMDB nacional. Perdia nas convenções estaduais e ganhava nas nacionais. Mas essa habilidade o torna vulnerável ao erro em decisões que, embora sejam funcionais no jogo parlamentar, têm alta carga explosiva na sociedade ou transbordam os limites da coalizão. Leia Mais »

Emprego global em energia renovável cresceu 5% em 2015 contra tendência geral ao desemprego

Sérgio Abranches

IRENA, a Agência Internacional de Energia Renovável, divulgou na sexta-feira seu relatório anual para 2016 sobre energia renovável e emprego, estimando que a geração global de emprego em energia renovável, excluídas as grandes hidrelétricas, cresceu 5%, alcançando 8,1 milhões, em 2015. Um contingente adicional de 1,3 milhão está empregado em grandes hidrelétricas, onde o emprego vem caindo. No relatório de 2014, a estimativa havia sido de 6,5 milhões, em 2013 e, no de 2015, de 7,7 milhões, em 2014. Leia Mais »

Artigos24 maio

O paradoxo da maioria no presidencialismo de coalizão

A política de coalizões é comum nas democracias parlamentaristas multipartidárias, sobretudo nas democracias proporcionais, embora não seja desconhecida das democracias parlamentaristas majoritárias como a francesa ou a britânica. Governos de coalizão têm, inclusive, permitido a ascensão de novas forças aos centros de poder. Nos parlamentos estaduais da Alemanha, por exemplo, os partidos verdes, sempre à esquerda, há muito desequilibraram a correlação tradicional de forças partidárias, que terminou se alterando também no governo nacional. Na França, na Bélgica, na Itália e na Áustria forças nacionalistas de extrema direita têm crescido nas eleições locais e ganhado musculatura nos pleitos nacionais. Recentemente, na Áustria, a extrema-direita quase chegou à presidência. Foi derrotada no segundo turno pelo candidato do partido Verde, outra força em ascensão na Europa, mas pela esquerda. Na Espanha, o movimento dos Indignados terminou por gerar dois novos partidos, Podemos e Ciudadanos, dissipando o bipartidarismo que predominava desde os Pactos de Moncloa, que marcaram a transição entre o franquismo e a democracia. No Brasil, as coalizões na política estadual e municipal, mais que na representação federal, garantem a sobrevivência de partidos com menor densidade política nacional. As coligações proporcionais, que nada mais são que coalizões eleitorais, asseguram representação a partidos sem força política para atingirem o quociente partidário, sejam partidos oportunistas, sejam ideológicos, como o PCdoB, o PSOL e o PPS. O efeito líquido dessa abertura a legendas com baixa densidade eleitoral é a crescente fragmentação partidária. Leia Mais »

Crise no governo Temer previsível, surge de ângulo inesperado

A crise no governo interino de Michel Temer por causa do envolvimento de ministros na Lava Jato era previsível. Imprevisível é o ângulo inesperado pelo qual a crise surgiu. É esse elemento de inesperado que aumenta muito a incerteza no governo, no Congresso e no mercado. Como a Lava Jato é uma investigação extensa, que atinge centenas de políticos, empresários, intermediários, doleiros e operadores, é impossível prever que fatos novos abalarão o cenário político. Daí o fator surpresa, que tem sido recorrente em relação à Lava Jato.  O episódio de Romero Jucá, que culminou na sua saída do ministério, desequilibra o delicado trabalho de construção da coalizão de governo feito pelo presidente em exercício Michel Temer. Toda formação de coalizão, montando um ministério que atenda a partidos e facções partidárias que apóiam o governo, é uma operação complexa. Mesmo tendo que assumir rapidamente o governo, Temer demorou mais do que previa para anunciar seu ministério. Tudo isso afeta as relações políticas no Congresso.  Leia Mais »