Análise28 agosto

Acordo do clima made in USA

Sérgio Abranches

O governo Obama quer um acordo que tenha um mínimo de eficácia interna e global, mas não precise ser ratificado por dois terços do Senado. A ratificação de um tratado climático seria impossível. Os negociadores de Washington estão em campo, trabalhando politicamente a ideia e os especialistas da equipe da Casa Branca comandada por Todd Stern, o duro e hábil negociador chefe, trabalham intensamente para desenhar esse acordo. Leia Mais »

Artigos24 agosto

Um livro, uma biblioteca e um bibliotecário

Sérgio Abranches

Um fato real, a morte do guardador da biblioteca do imperador dom Pedro II é transportado para o terreno da ficção por Marco Luchesi  e transmuta-se em uma narrativa de paixão por livros e bibliotecas. A ficção é o território da liberdade absoluta, onde o fato pode ser dissolvido num jogo infinito de ilusões. Luchesi leva seu personagem para um espaço entre o fato e a fantasia e com ritmo marcado tece uma teia  formada por intrigas entrecortadas. Escritor de espírito poético e grande erudição, constrói frases rítmicas e camufla entre elas sua vasta erudição, em citações sutis e referências elegantes. Como um alquimista mistura metáforas e recortes narrativos e consegue produzir ouro dessa mistura entre uma biblioteca, seu criador, seu guardador, o bibliotecário do imperador, e seus desafetos. Leia Mais »

Artigos23 agosto

Cortazar sempre

Sérgio Abranches

Em belo artigo sobre Julio Cortazar, para o Prosa deste sábado, 23 de agosto de 2014, fiel ao espírito do amigo, entre a memória e o delírio, Ariel Dorfman escreveu que Rayuela (O Jogo da Amarelinha) foi o “texto fundador de sua geração, nem mais nem menos, cujo assalto descarado e travesso às categorias literárias era um estímulo estético para a libertação social que sonhávamos para o continente inteiro”. Para mim, foi como fechado em um quarto de ar rarefeito e espaço limitado abrir uma janela e receber de frente um golpe de ar, puro oxigênio, e ver o infinito. Era a expressão literária da liberdade e da transgressão. Leia Mais »

Análise14 agosto

Tragédia humana e política redefine a sucessão presidencial

Sérgio Abranches

Nós jornalistas, comentaristas, parecemos pertencer a uma espécie à parte, que não liga para o luto e a dor nos momentos de tragédia humana e pessoal. Estamos, como todos chocados e entristecidos com a perda inesperada e precoce de uma liderança vibrante, jovem, com todos os requisitos para um dia ser presidente da República. Em um país com tão poucas lideranças jovens, querendo mudar a política e já provadas na administração e no Congresso é uma perda que afeta negativamente as possibilidades futuras de nossa democracia. O Eduardo era um moderador, negociador hábil e agregador, de fala mansa, em um ambiente político dominado em vários cantos pelo discurso do ódio, muito presente na campanha e nas redes sociais. Não é que nós não soframos. É que faz parte do nosso trabalho pensar adiante, responder às questões suscitadas pela própria tragédia. Leia Mais »

Análise04 agosto

No entrementes: a grande transição do século XXI

Sérgio Abranches

Há espanto, indignação e inquietude com relação ao mundo que vivemos. “Assustador”, caracterizou-o Caetano Veloso, em entrevista a O Globo, listando uma série de eventos de crise e violência da conjuntura global recente. Muitos poderiam dizer, com alguma razão, que qualquer recorte de tempo permitiria listar eventos inquietantes, revoltantes ou assustadores. Mas o momento que vivemos não é igual a qualquer outro na história. É singular e marca uma grande transformação societária em curso, cujo destino é imprevisível. Vivemos hoje, o início desta transformação, estamos no entremeio. Numa grande transição, que pode durar uma ou duas décadas. Impossível dizer. Leia Mais »

Artigos26 julho

O relógio da vida desarranjou e levou de cambulhada duas almas sertanejas

Sérgio Abranches

A última vez que estive pessoalmente com João Ubaldo foi em um painel na Academia Brasileira de Letras sobre direitos dos autores e o marco civil da Internet. Estavam na mesa além dele, outras pessoas de quem gosto e admiro: Ana Maria Machado, a mediadora, Alberto Mussa e Fernando Brant. Ele, sentado a meu lado, parecia que pensava no que diria, resmungava baixinho e ria para si mesmo. Nesses encontros intelectuais ou sociais, nunca se tem a noção de que estamos com alguém pela última vez. É uma deficiência grave da intuição, que nos faz perder a oportunidade de dizer uma palavra a mais. No caso de João Ubaldo, personalidade sempre sorridente, dar um sorriso mais caloroso, rir com mais gosto do seu humor sempre presente. Chegar em casa e reler as passagens que me são mais caras de seus vários livros marcantes.  Leia Mais »