Análise08 dezembro

Democracia ou oligarquia liberal?

Sérgio Abranches

O Supremo Tribunal Federal foi convocado para resolver um conflito de interpretação da Constituição, decidindo se o senador Renan Calheiros, réu em processo penal, deveria ser afastado da presidência do Senado. O cargo de presidente do Senado e do Congresso Nacional é o segundo na linha de substituição do Presidente da República. Por ser réu em processo penal, ele não pode exercer essa prerrogativa constitucional, logo deveria ser afastado do cargo. Parece lógico e razoável, além de ser a única leitura possível que resguarda a integridade do estado democrático de direito. É a única interpretação do quadro constitucional que respeita com rigor o equilíbrio e a isonomia entre os Poderes da República. As prerrogativas desses cargos são institucionais, logo deles indissociáveis. Se uma pessoa não pode exercê-las na integridade, não pode exercer o cargo. Mas, a democracia brasileira é marcada por contraditória convivência com privilégios antidemocráticos e a maioria do Supremo preferiu acomodar o quadro institucional a conveniências políticas e pessoais. Em síntese, o que a maioria do STF disse foi: uma pessoa que não está habilitada a exercer a chefia do Poder Legislativo na plenitude pode exerce-lo de esguelha. Leia Mais »

Artigos05 dezembro

A morte do poeta Ferreira Gullar

Sérgio Abranches

É grande minha tristeza com a morte do poeta. Se ele se espantava, maior foi meu assombro, muito jovem, ao envolver-me com a luta corporal. Iniciava ali uma viagem clara para a encantação, como li em um de seus versos. E o sobre-espanto, espanto sobre espanto, com a leitura daquele livrinho, um terço da altura normal, com seu interno gigante na forma imprevista do poema sujo, “turvo turvo a turva mão do sopro contra o muro”. Vivíamos entre muros, então. Tempos turvos. Leia Mais »

Análise01 dezembro

Crise múltipla

Sérgio Abranches

A crise parece se multiplicar. Mas é uma crise só e suas interligações. A crise econômica alimenta a indignação, o desconforto e o desalento da sociedade. O avanço da corrupção e a impunidade dos corruptos promovem a revolta social. Mistura explosiva e tóxica de sentimentos. A crise da economia e a reação social enfraquecem o governo, aprisionando-o no ciclo de dispersão de forças políticas, que limita sua capacidade de comando da coalizão. A crise de corrupção agrava o sentimento de revolta da sociedade e acossa os políticos sob investigação, além de atemorizar aqueles que sabem existir razões para estarem nas delações da Odebrecht. Tudo isso alimenta a crise política, que vem do início do segundo mandato de Dilma Rousseff. E a crise política alimenta a golpes de desconfiança e incerteza as expectativas negativas dos agentes econômicos, agravando a crise econômica. A tempestade perfeita. Leia Mais »

Análise01 dezembro

Desmatamento e recessão

Sérgio Abranches

O desmatamento referente ao período de julho de 2015 a agosto de 2016 subiu muito, validando as expectativas do analistas e especialistas. O INPE divulgou nesta terça, (29), o desmatamento oficial, marcando a pior taxa desde 2008, superando os piores anos desses oito, 2009 e 2010, quando ficou na casa do 7.000 km2, atingindo 7.989 km2. O mais espantoso é que esses 12 meses de análise, que correspondem à estação do desmatamento (que começa com a estação seca, que vai de junho a setembro/outubro) são também de recessão. Leia Mais »

Análise28 novembro

Crise pedestre

Sérgio Abranches

Entrevista de Temer põe crise política em perspectiva. O presidente tentou naturalizar o caso criado pela pressão do ex-ministro Geddel Vieira Lima para que o ex-ministro Marcelo Calero liberasse a construção de prédio de seu interesse em área histórica de Salvador. Mas não conseguiu desfazer o fato de que enfrenta uma séria crise por causa da imperícia com que o Planalto tratou uma questão menor e de interesse particular do ex-responsável pela articulação política. O que espanta é que três políticos profissionais experientes, o presidente, seu Chefe do Gabinete Civil, Eliseu Padilha  e o ex-ministro Geddel tenham agido de forma tão atabalhoada e imprópria. Leia Mais »

Análise17 novembro

Tempos incertos

Sérgio Abranches

Vivemos tempos de sentimentos fortes. Indignação, desalento, incerteza, raiva. O sentimento que menos aparece é o da esperança. O sociólogo Manuel Castells denominou de redes de indignação e esperança as articulações que ocuparam praças e ruas, no mundo todo, desde o movimento dos Indignados na Espanha, ao Occupy nos Estados Unidos, às revoltas no Norte da África. No Brasil, também os tivemos. Uma passada pelas redes sociais mostra numerosas manifestações que refletem essas distintas reações ao momento presente. São, porém, raríssimas, se alguma, as expressões de esperança no futuro. Mas há, no Brasil e no mundo, eventos que nos dão razões para esperança e otimismo, se não no presente, no futuro que se aproxima.  Leia Mais »