Análise18 janeiro

A presidência da Câmara Federal e o presidencialismo de coalizão no Brasil

Sérgio Abranches

Ter o presidente da Câmara como parte do equilíbrio tripartite da coalizão, portanto como parceiro da agenda central do governo é essencial para o presidente da República no presidencialismo de coalizão. Daí se entende toda a atenção dos políticos e da mídia para a renovação da Mesa da Câmara dos Deputados. A sucessão no Senado tem chamado menos atenção, porque a situação parece menos competitiva, portanto de menor incerteza. Mas o que digo aqui aplica-se ao Senado também, resguardadas suas peculiaridades. Leia Mais »

Artigos09 janeiro

Zygmunt Bauman e seu legado impecável

Sérgio Abranches

Zygmunt Bauman, nos deixou hoje. Ele foi o sociólogo e filósofo que melhor compreendeu os tempos que vivemos desde a dissolução da União Soviética. Tempos líquidos, como ele os caracterizou, com alguma dose de doçura e poesia. Mas a expressão poética, que se tornou viral, não empanou a visão crítica, muitas vezes ácida, desses tempos instáveis por natureza. Ele costumava agregar a essa fluidez dos tempos, sua característica essencial, de uma longa transição. Um interregno, ele dizia, seguindo os passos de Antonio Gramsci, para definir uma situação na qual os velhos modos de fazer as coisas já não funcionam, mas as formas de resolver os problemas de uma nova maneira efetiva ainda não existem ou não as conhecemos. Bauman mostrava que as organizações, as regras, o conhecimento tornam-se instáveis, liquefazem nesse interregno entre uma era histórica e outra. Nada está dado. A crise da ordem estabelecida é plenamente visível, a saída não está clara, as sementes em germinação da nova ordem são, muitas vezes, vistas com desconfiança e medo. São tempos de medo, ele disse.  E tempos de revoluções. Leia Mais »

Análise21 dezembro

O poder do eixo federativo no presidencialismo de coalizão

Sérgio Abranches

A derrota do governo na votação da renegociação da dívida dos estados não foi surpresa. Como escrevi recentemente aqui, Temer vive seu pior momento. Está em pleno ciclo de dispersão das forças parceiras na base parlamentar do governo. Elas tendem a ganhar mais autonomia e afastar-se do comando das lideranças que expressam a posição do Planalto, quando o presidente está impopular. Tudo piora se o aumento da impopularidade se dá em um momento em que o Congresso trata de temas de interesse da federação. Nada há de mais complexo e desestabilizador da coalizão no presidencialismo brasileiro do que o conflito de interesses no eixo federativo. A oposição entre estados — sobretudo aqueles de maior representação como foi o caso — e a União tende a dissolver os laços que unem as bancadas ao governo federal na coalizão. Leia Mais »

Artigos20 dezembro

A amizade, as redes, os livros, a vida

Sérgio Abranches

Um dia, há muitos anos, andando pela Gávea, encontrei uma amiga da juventude em Brasília, que não via desde que deixei a cidade, no início de minha vida adulta. Desta forma, tive notícia de que vivíamos novamente na mesma cidade. Nunca mais a vi. Fui reencontrá-la, anos depois, no Facebook. Começamos, então, uma conversação de amigos virtuais, mas próximos, falando de livros. Ela me contou do livro que escrevia. comentou meu romance O Pelo Negro do Medo. No lançamento de meu romance Que Mistério tem Clarice?, nos vimos outra vez, fisicamente. Comentou este último mais de uma vez. Ela, como eu, é leitora assídua. O romance fala de uma escritora que vai morrer de um câncer terminal e tem que decidir como tratar um segredo que guarda fundo no coração. O livro não é dominado pela doença, nem pela morte, mas pela celebração da vida. Conto o enredo, para deixar claro que, a partir dele, essa amiga falou de sua própria luta e de pessoas de sua relação afetiva, com a doença que, com os avanços da medicina, passou a ter tratamento eficaz. Leia Mais »

Artigos20 dezembro

Impasses que matam

Um impasse condena os cidadãos de Aleppo ao massacre. Mais um. Mas o empate que expõe as pessoas às armas inclementes da tirania não é apenas entre Assad e os rebeldes. A irresolução que bloqueia as ações que podem salvar essas vidas se dá no plano geopolítico, entre forças que não vêem a Síria como um país co seus cidadãos civis, nem se importam verdadeiramente com o destino dos sírios. O que lhes interessa é que ela é uma peça, um peão no xadrez de competição por influência e poder no Oriente Médio. É esse entrechoque frio de interesses dos grandes poderes que expõe ao risco máximo as pessoas que sequer compreendem bem o que está em jogo. Nada mais faz sentido naquela terra devastada, milhares de vidas perdidas, imigrantes que preferem, em desespero, encontrar a morte tentando escapar à sanha de uma guerra cujo propósito não alcançam. Nenhuma guerra faz mesmo sentido. Mas essa perdeu todos os rumos.

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Análise13 dezembro

Temer vive seu pior momento no governo

Sérgio Abranches

A crise dos sete meses no governo Temer não é surpresa. As escaramuças na coalizão governista, que têm levado o presidente e seus principais operadores políticos a apagar incêndios diariamente, eram esperadas. O principal fator de enfraquecimento da coalizão é a crescente impopularidade do governo, a perda de confiança popular e dos agentes econômicos e as denúncias de corrupção no perímetro central da Presidência. A alta da impopularidade e a queda da confiança, por sua vez, explicam-se pela frustração das expectativas de que a mudança de governo traria mais conforto econômico. Mas o presidente ainda retém capacidade de negociar e aprovar medias com seus aliados. Leia Mais »